segunda-feira, novembro 21, 2022

Triste, Bolsonaro liga quase todo dia para Valdemar para contestar eleição

 Redação Notícias

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, estaria recebendo ligações constantes de Bolsonaro REUTERS/Adriano Machado
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, estaria recebendo ligações constantes de Bolsonaro

REUTERS/Adriano Machado

  • Bolsonaro pressiona Valdemar Costa Neto para que tome uma medida judicial contestando eleições;

  • Interlocutores afirmam que o presidente do PL não tem interesse na medida;

  • Deputados também estão cobrando o cacique do partido para que tenha uma ação.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem ligado quase todos os dias para Valdemar Costa Neto, presidente do PL, para pressioná-lo a tomar uma medida judicial contestando o resultado das eleições presidenciais. A informação é da coluna de Thais Oyama, do UOL.

Segundo interlocutores, Bolsonaro segue inconformado com a derrota nas urnas. A Valdemar, argumenta usando ora o relatório do Ministério da Defesa sobre a auditoria das urnas, ora o relatório que está sendo feito pelo engenheiro Carlos Rocha, do Instituto Voto Legal (IVL), contratado por insistência do mandatário e seus filhos no valor de R$ 1,3 milhão.

Mas Valdemar não tem sofrido apenas com as pressões “de cima para baixo”, vindas de Bolsonaro. Ele também é cobrado “de baixo para cima”, por 44 deputados bolsonaristas que se elegeram pelo PL.

Nomes como Carla Zambelli e Nikolas Ferreira querem que o cacique do partido aponte supostas inconsistências no processo de verificação das urnas e peça a anulação das eleições. Ambos os deputados eleitos tiveram suas contas nas redes sociais suspensas por ordem do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles receiam, segundo a coluna, que o próximo passo seja pedir a cassação de seus mandatos.

O presidente do PL, no entanto, não tem interesse em entrar com uma ação judicial que coloque em risco os 99 deputados federais eleitos pela legenda neste ano, formando a maior bancada da Câmara. Para contornar as pressões, ele disse em entrevista que entraria até esta terça-feira (22) com um pedido junto ao TSE de revisão de 250 mil urnas eletrônicas que não teriam número de identificação. Por esse motivo, argumenta, “não poderiam ter sido consideradas”.

Além de temer que as declarações da bancada bolsonarista e as pressões do presidente fujam de seu controle às vésperas da eleição para a Mesa da Câmara, Valdemar também receia que Bolsonaro coloque um ponto final no acordo que o cacique firmou com Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito governador de São Paulo, para que ele apoie seu aliado, André do Prado, para a presidência da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

Bolsonaro pode não passar a faixa, mas Centrão irá à posse de Lula


Charge do Amarildo (metropoles.com)

Pedro do Coutto

No artigo de ontem, no O Globo e na Folha de S. Paulo, Elio Gaspari focalizou a hipótese, a meu ver a mais provável, de Jair Bolsonaro não passar a Lula a faixa de presidente da República. A tarefa passa a competir normalmente ao vice Hamilton Mourão, que já se pronunciou logo nos primeiros dias após a apuração, reconhecendo a derrota nas urnas do governo que chega ao final. “Não adianta chorar, perdemos o jogo”, disse.

Portanto, o vice reconheceu a derrota com naturalidade e tal atitude deve ter desagradado aos bolsonaristas radicais da direita. Mas foi ao encontro da legítima vontade de todos os democratas do país. Se Bolsonaro não transmitir a faixa como agiu o general João Figueiredo na posse de José Sarney, nem por isso os partidos que formam o Centrão deixarão de participar da solenidade na qual Lula será investido pela terceira vez na Presidência do país.

ARTICULAÇÕES – O Centrão não é problema para Lula, inclusive ele já afirmou que para escolher a base de seu governo consultará os partidos e não propriamente o bloco que se investiu na maioria do Congresso Nacional. As legendas, na realidade, embora formados por correntes fisiológicas de peso, no fundo da questão, não podem assumir uma oposição a Lula da Silva como a que desejam as facções que organizadamente são financiadas por empresários e se concentram em frente a quartéis pedindo que o Exército viole a Constituição e agrida o Brasil voltando-se contra a posse de quem venceu as eleições para o Planalto.

A contradição entre os extremistas da direita e os partidos políticos, inclusive os que se alinham no Centrão, é absolutamente contraditória. Os extremistas reivindicam a anulação dos votos para a Presidência da República, mas esquecem que as eleições de outubro destinaram-se também à Câmara Federal, em sua totalidade, a um terço do Senado e aos governos dos estados.

A anulação do pleito geraria um vazio absoluto e de tão absurda não poderia encontrar respaldo nas pessoas de pensamento organizado. Não há nenhuma possibilidade de os partidos políticos poderem concordar com o envenenamento das instituições do país.

APROXIMAÇÃO – Pelo contrário, para os novos deputados, senadores e governadores é fundamental que se aproximem do governo que se instala, inclusive para formarem as suas bases de apoio e comunicação junto aos eleitores que os conduziram aos postos que passaram a ocupar.

Vale a pena acentuar que na Câmara dos Deputados, a renovação dos mandatos ficou em cerca de 40%, o que significa que 200 novos parlamentares vão substituir outros tantos que saem de cena.

A renovação inclusive é expressiva, sobretudo porque os que tentaram renovar seus mandatos e não conseguiram participaram da divisão do fundo eleitoral de mais de R$ 5 bilhões e dos recursos do orçamento secreto que resiste à passagem dos governos.  

ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS –  A equipe – bastante numerosa – da transição indicada pela assessoria do PT e referendada pelo vice Geraldo Alckmin, concluiu que as isenções e benefícios fiscais concedidos pelo governo, não só o de Bolsonaro, mas principalmente pelo dele,  atingem R$ 400 bilhões. O volume é enorme , sobretudo se compararmos a duas quantias fantásticas; o PIB brasileiro que é de R$ 6,5 trilhões e a dívida interna que soma praticamente R$ 6 trilhões.

Não se trata de uma comparação estática, ou seja, isenções concedidas para 2022. Ao contrário, tem que se considerar que a cada exercício se a matéria não for modificada haverá para o Tesouro Nacional uma perda de arrecadação permanente. Esse é um aspecto que precisa ser considerado nos cálculos de quem assume o governo.

Em um período de quatro anos, por exemplo, os benefícios fiscais, a maioria por iniciativa do ministro Paulo Guedes, valerão aos preços de hoje R$ 1,6 trilhão. É muito dinheiro para muitos benefícios representando uma perda enorme da receita pública e das disponibilidades que o governo que assume terá para investir para cumprir os compromissos que anunciou ao longo de sua campanha.

Tratamento não deu certo e Lula teve de fazer logo a cirurgia preventiva de câncer

Publicado em 21 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Cardiologista Roberto Kalil alerta sobre a mistura de álcool e energético

Dr. Kalil, médico de Lula, acompanhou a cirurgia

Mônica Bergamo
Folha

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi internado no domingo (20) no hospital Sírio-Libanês para a retirada de uma lesão na garganta. O procedimento foi bem sucedido e ele já teve alta. O petista foi atendido pelos médicos Roberto Kalil Filho, Rui Imamura e Artur Katz.

Exames de rotina realizados no último dia 12 apontaram inflamação das cordas vocais e leucoplasia na laringe, que é caracterizada por manchas brancas. Eles também mostraram ” completa remissão do tumor diagnosticado em 2011″.

DIZEM OS MÉDICOS – Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a leucoplasia não é uma “emergência” médica”, mas que requer acompanhamento médico, uma vez que pode evoluir para um câncer. As probabilidades de isso ocorrer, no entanto, são de cerca de 10%.

O boletim médico divulgado pelo hospital no dia 12 dizia que “foram realizados exames de imagens: ecocardiograma, angiotomografias e PET scan, que estão normais e seguem mostrando completa remissão do tumor diagnosticado em 2011”.

“O exame de nasofibroscopia mostra alterações inflamatórias decorrentes do esforço vocal e pequena área de leucoplasia na laringe”, completava o boletim.

PREOCUPAÇÃO – Como a Folha mostrou em agosto, a rouquidão apresentada por Lula em atividades de campanha chegou a se tornar preocupação entre aliados. Segundo eles justificaram naquele momento, o excesso de rouquidão da voz tinha a ver com os próprios eventos e com um refluxo gástrico adquirido pelo petista. O presidente eleito faz exercícios com fonoaudiólogo.

Desde que foi diagnosticado com câncer, Lula faz exames de rotina e divulga os resultados para dar transparência a seu estado de saúde.

Leia a íntegra do boletim médico divulgado nesta segunda (21): “O Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deu entrada ontem, no Hospital Sírio-Libanês, para a realização de uma laringoscopia para retirada de leucoplasia da prega vocal esquerda. O procedimento mostrou ausência de neoplasia”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Em tradução simultânea, uma notícia ruim e uma notícia boa. A necessidade da cirurgia mostra que o tratamento medicamentoso (altas doses de vitamina A, basicamente) não deu resultado ou sequer foi tentado. Mas o resultado da cirurgia, confirmando a “ausência” de neoplasia, demonstrando que Lula nem chegou a ter tumor. E vamos em frente, para a posse. (C.N.)   

PT começa a boicotar Simone Tebet e quer lhe passar um ministério de terceira classe


Fantástico" faz perfil de 10 minutos de Tebet em tom eleitoral

PT considera Simone Tebet a principal adversária em 2026

Bianca Gomes e Sérgio Roxo
O Globo

Com receio de turbinar as pretensões eleitorais da senadora Simone Tebet (MDB-MS) para 2026, integrantes do entorno do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resistem à ideia de a terceira colocada na eleição presidencial assumir o Ministério do Desenvolvimento Social (atual Cidadania).

A avaliação é que, ao comandar a pasta de orçamento bilionário responsável pelo Bolsa Família, Tebet teria condições para criar conexões com a população de baixa renda e, assim, elevar o seu capital político. Mesmo longe, a eleição de 2026 já é alvo de especulações porque Lula afirmou que não disputará a reeleição.

SEM PROJEÇÃO – O desejo de parte dos petistas é ver Tebet na Agricultura, ideia rejeitada por ela, que durante toda a campanha tentou descolar sua imagem do agronegócio. Aliados da senadora entendem que a indicação para a pasta seria um jeito de o PT colocá-la numa “caixinha” e evitar que seu nome ganhe projeção para 2026.

Também não faria sentido do ponto de vista estratégico, uma vez que o agronegócio dialoga mais com o Centro-Oeste, seu reduto eleitoral, e o Sul do país.

Diante do impasse, uma opção seria escalar Tebet na Educação, mas ela também não demonstra entusiasmo. Apesar de seu peso político pós-eleição, a senadora tem dito a aliados que o ministério concentra muitos interesses privados e não tem grande poder de execução. Nas palavras de um aliado da senadora, ela não quer virar uma “burocrata” de Brasília.

 

TEM OPINADO – Com espírito crítico, Tebet também tem falado sobre a economia do governo, o que tem gerado ruídos com o comando da futura gestão. No dia 11, ela disse à GloboNews que o primeiro ministro a ser anunciado por Lula deveria ser o da Fazenda. Essa, na sua opinião, seria uma forma de evitar ruídos causados “a cada fala” política de Lula.

Como o colunista Lauro Jardim noticiou na edição de ontem, Lula deixou claro a aliados que não gostou dessa declaração de Tebet sobre a ordem de anúncio de ministros, começando pelo da Fazenda. A desenvoltura em palpites públicos sobre a montagem do novo governo fez a emedebista ser criticada em conversas de dirigentes petistas.

Mais recentemente, ventilou-se a possibilidade de a senadora ocupar o Meio Ambiente. Interlocutores de Tebet, porém, acreditam que a ideia perde força com a criação da Autoridade Climática, vaga que pode ser ocupada pela deputada federal eleita Marina Silva (Rede-SP), que já é referência na área. A indicação da emedebista para esse ministério criaria mais conflito do que solução, avaliam seus interlocutores.

SUCESSÃO EM 2026 – Um dos aliados mais próximos de Lula diz que o presidente eleito não entregaria o comando dos programas sociais a uma possível adversária do PT na próxima eleição presidencial. Ele não vê possibilidade de o partido abrir mão de indicar o sucessor de Lula. O ex-prefeito Fernando Haddad e o governador da Bahia, Rui Costa, são citados como possíveis candidatos a presidente em 2026.

O entendimento, porém, não é unânime. Segundo alguns petistas, Tebet terá o ministério que desejar porque, diante do cenário político tenso, não podem haver deserções na frente ampla criada no segundo turno da eleição.

 

A possibilidade de o próprio Lula, ao fim do seu governo, decidir por apoio a Tebet não é descartada nesse grupo. A decisão romperia com uma postura que os aliados do PT classificam como hegemônica por parte do partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como diz o grande ator e dramaturgo Marcos Caruso, “trair e coçar, é só começar”. E o PT já está se coçando para trair Simone Tebet, que ajudou muito, mas muito mesmo, a eleição de Lula. (C.N.)

Militares não deviam deixar que manifestantes acampassem em áreas de “segurança nacional”


Bolsonaristas concentrados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília

Acampamento diante do Quartel-General é uma esculhambação

Merval Pereira
O Globo

O Brasil precisa voltar à normalidade, e os militares são parte importante desse retorno. Não é aceitável que as aglomerações em frente aos quartéis sejam consideradas normais, ainda mais quando pedem medidas inconstitucionais, como a intervenção militar para não permitir que o presidente eleito tome posse. São as novas “vivandeiras alvoroçadas” que incentivavam os militares a ações golpistas.

Não ver o que está sendo gestado nesses movimentos ilegais, ou pela continuada ação de bloqueio em estradas pelo país, é ser cúmplice, no mínimo por leniência e inação. Bolsonaro levou os militares para o centro da política partidária, prometendo reintroduzi-los na vida nacional pela porta da frente, como se precisassem do aval de um político desqualificado, “mau militar”, para ter o respeito da população.

SITUAÇÃO DELICADA – Acabou colocando os militares em situação delicada, sendo vistos pela população como privilegiados, como no caso da reforma da Previdência, ou como agentes políticos com lado, como acontece agora. Logo que assumiu, Bolsonaro fez questão de agradecer publicamente ao General Villas Boas, em palavras cifradas: “General Villas Boas, o que nós conversamos ficará entre nós, o senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.

O que terão conversado os dois? O presidente recém-eleito poderia estar se referindo à nota do General no Twitter, na véspera do julgamento de um habeas-corpus a favor de Lula que poderia tê-lo tirado da cadeia mais cedo, permitindo que disputasse a eleição presidencial de 2018.

Poderia também estar relembrando fato anterior, quando a então presidente Dilma tentou decretar o Estado de Defesa para evitar seu impeachment, e os militares não a apoiaram. O fato é que a eleição de Bolsonaro foi considerada dentro da estratégia de volta por cima dos militares na vida política do país, e a partir daí o “mau militar” passou a dar as cartas, sob a alegação de que ele, sim, tinha voto e sabia lidar com o povo.

DEMISSÃO DE COMANDANTES – Era comum nas discussões internas, quando havia um impasse qualquer com os militares em posições civis no entorno do presidente, Bolsonaro alegar que ninguém ali entendia mais de política que ele. Conseguiu até mesmo demitir comandantes militares que não se alinhavam com seu projeto, sem haver crise militar.

Envolveu os militares em ações polêmicas, como a produção de cloroquina durante a pandemia, ou colocando o General da ativa Eduardo Pazuello no ministério da Saúde, transferindo para a corporação as críticas às ações do governo.

Bolsonaro, ao contrário do que prometeu, levou os militares novamente para a senda golpista, abrindo um enorme fosso que os separa da sociedade civil organizada. A análise fria das manifestações histéricas dos que não aceitam a derrota nas urnas mostra que Bolsonaro está colhendo o que plantou, felizmente não a ponto de ter êxito.

URNAS ELETRÔNICAS – A atuação dos militares na questão das urnas eletrônicas os colocou em confronto com a Justiça Eleitoral, fazendo com que atuassem como parte da disputa política. Chegou a ser patética a sugestão de que havia alguma coisa a descobrir depois da “auditoria” que fizeram das urnas, mesmo que admitissem não ter descoberto nada.

No momento, diante das manifestações ilegais e antidemocráticas em frente aos quartéis, pedindo uma intervenção militar diante da vitória de Lula na eleição presidencial, os militares atuam de maneira ambígua.

Considerar que essas manifestações representam o direito de expressão livre dos cidadãos, e permitir que acampem em áreas que sempre foram consideradas de “segurança nacional”, é alimentar desvarios negacionistas.

“GENERAIS MELANCIAS” – Não tem sentido andar soltando nota oficial para discutir com as milícias digitais que acusam alguns generais de serem “melancias”, isto é, verdes por fora, vermelhos por dentro, porque seriam contrários às manifestações ilegais, ou simplesmente a favor da posse do presidente eleito, como acontece em todas as democracias.

Dar asas a essas elocubrações, como fez o General Braga Netto, candidato derrotado à vice-presidência, é perigoso. Diante de um bando de manifestantes que clamavam por uma intervenção militar, à porta do Palácio da Alvorada, Braga Neto mandou uma mensagem: “Tenham fé, é a única coisa que posso dizer agora”. Perdeu a chance de ficar calado, já que sua fala permite que muitos vejam embutidas nela intenções antidemocráticas.

Por essas e outras é que o futuro governo fará bem em nomear um ministro da Defesa civil, como era o plano original quando o ministério foi criado, no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de destacar a prevalência do poder civil sobre o militar

Em Portugal, mulheres brasileiras lideram os pedidos de ajuda financeira para retornar


Brasileiras protestam contra a violência em Portugal | Portugal Giro | O  Globo

Brasileiras protestam contra a discriminação em Portugal

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Desempregados e sem dinheiro, muitos brasileiros que estão em Portugal vêm pedindo ajuda para retornar ao Brasil. A maior parte dessas pessoas, iludidas pela propaganda de que o país europeu é um eldorado, é de mulheres, segundo levantamento ao qual o Blog teve acesso.

Principal fonte de suporte aos brasileiros em dificuldades, o Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (Arvore), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), informa que, dos 687 brasileiros atendidos neste ano, de janeiro a outubro, 53% são do sexo feminino.

DISCRIMINAÇÃO – As mulheres brasileiras se tornam vulneráveis no processo de imigração para Portugal porque são as principais vítimas de xenofobia. Muitas são tratadas como “putas, vagabundas, ladras de maridos”, conforme relatos colhidos pelo Blog. Elas enfrentam mais dificuldades para arrumar empregos.

O mesmo programa da OIM aponta que, de cada 10 pedidos de socorro de imigrantes para retorno aos países de origem, nove forem feitos por brasileiros.

No total, nos 10 primeiros meses do ano, foram registrados 752 atendimentos realizados pelo Arvore, 687 eram cidadãos brasileiros, número só inferior ao de 2020, quando explodiu a pandemia do novo coronavírus, e foram 709 atendidos.

PROCURA ALTA – “O Brasil é a principal comunidade no âmbito do Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração, de modo que registamos sempre uma procura alta. Só este ano, até outubro, num total de 752 pessoas inscritas, 687 são cidadãos brasileiros”, reforçou Vasco Malta, chefe da Missão da OIM em Portugal.

Ele detalhou que 67% dos imigrantes que pedem ajuda à OIM regressam aos países de origem no mesmo ano em que chegam a Portugal ou no ano imediatamente a seguir, “o que representa uma experiência migratória de curta duração na maior parte dos casos”.

Malta destacou, ainda, que 91% dos imigrantes atendidos estavam em situação irregular, na sua totalidade, cidadãos que chegaram a Portugal beneficiando-se da isenção de visto de entrada. Eles passam pela imigração como turistas, mas pretendem morar no país. No caso dos brasileiros, a permissão é de permanência por 90 dias em território luso, renováveis por mais 90. Mas muito acabaram por permanecer após esse período.

DESPREPARO – Na avaliação do chefe da OIM, verifica-se, no caso desses imigrantes, um preparo inadequado para o processo de permanência em Portugal. Ou seja, essas pessoas chegam ao país europeu sem recursos financeiros suficientes para se manterem e não conseguem se encaixar no mercado de trabalho por não terem autorização para isso.

“Sem dúvida, (vemos) uma preparação insuficiente do processo migratório aliada à situação econômica em que nos encontramos, onde o custo de vida aumenta, o preço da habitação idem e as pessoas se veem muito rapidamente numa situação de risco de vulnerabilidade”, explicou Malta.

Segundo ele, entre as dificuldades mais frequentemente mencionadas pelos brasileiros e demais imigrantes estão o desemprego, a situação econômica e a não regularização de residência.

VULNERABILIDADE – “Em conjunto, ou isoladamente, esses três fatores são mencionados por quase todos os cidadãos que procuram a organização e contribuem para um agravar da situação”, afirmou.

Muitos dos brasileiros que caem nesse quadro de vulnerabilidade são incentivados a se mudaram para Portugal por influencers. Eles apresentam o país europeu como um paraíso de oportunidades, o que não é verdade, pois a inflação está cada vez mais alta, os preços dos aluguéis dispararam e os salários são muito baixos.

Sem condições, o primeiro passo dos brasileiros na tentativa de retornarem para casa é procurar os consulados do Brasil em Lisboa, Porto e Faro. Esses órgãos, porém, não têm verbas para o repatriamento de cidadãos. O jeito é recorrer a instituições como a OIM, por meio de seu programa Arvore.

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