domingo, junho 12, 2022

Triste Bolívia, cada vez mais distante da democracia.




Para o Brasil fica um conselho. A triste Bolívia não é tão longe quanto parece. 

Por Leonardo Coutinho 

Um tribunal de La Paz condenou a ex-presidente interina Jeanine Áñez a dez anos de prisão por ter sido julgada culpada de um golpe de Estado, em 2019. A clássica receita latino-americana para acusar e condenar inimigos. Áñez não deu golpe algum. A presidência sobrou para ela que, sentadinha do sofá de sua casa, assistiu três semanas de quebra-pau nas ruas do país. Para quem não se lembra, o povo coalhou as ruas de Santa Cruz de la Sierra e depois de várias outras localidades bolivianas para denunciar fraudes eleitorais e o golpe continuado de Evo Morales – o presidente cocaleiro que rasgou a Constituição que ele mesmo encomendou para nunca mais deixar o poder.

Áñez assumiu o governo em meio à celebração popular depois que Evo Morales renunciou e fugiu do país que estava inflamado por onda de protestos populares iniciados depois de uma eleição presidencial contestada em meio as claras evidências de fraude. O povo ficou três semanas nas ruas reclamando de fraude. Sob o comando de líderes que emergiram de organizações da sociedade civil, os bolivianos se reuniram em grupos de milhares para exigir eleições limpas e transparência nos resultados que, dias depois, a Organização dos Estados Americanos (OEA) viria a comprovar que foram fraudados.

O governo de Áñez foi um fracasso. Horrível, caso precisem de um adjetivo para resumir sem longas explicações. Cercada de corruptos, ela jogou no lixo a chance de reorganizar a casa e pavimentar uma retomada da democracia no país. Mas chamar de golpista é mais uma das atrocidades bananeiras que são reverberadas pelas legendas de esquerda, acadêmicos capengas, redações preguiçosas e uma visão mofada do que vem a ser um golpe.

Evo Morales, então no poder e candidato, era o beneficiário de flagrantes manipulações da contagem dos votos. Ele esperneou, acusou os críticos de golpistas e até topou convocar novas eleições para acalmar o povo. Mas era tarde. O povo boliviano estava cansado de ser enganado por Morales que sorrateiramente (ou nem tanto) foi matando a já anêmica democracia boliviana.

Áñez foi condenada sem sequer o direito de comparecer no tribunal acusada de golpe. Este não é o último parágrafo do obituário da democracia boliviana. Mas para chegar até ao evento desta semana é preciso recuperar como o golpista Morales levou o seu país ao caos de 2019.

Em 2003, ele foi um dos líderes dos protestos violentos que levaram à renúncia do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. Dois anos depois, ele viria a se eleger presidente, colocando-se como o redentor de um dos países mais desiguais do hemisfério.

Mas o que Morales fez foi matar a Democracia lentamente. Usar suas bases sindicais e cocaleiras para inflar conflitos internos e dividir ainda mais o país. Convocou uma Assembleia Constituinte que “refundava” a Bolívia. Trocando nome, a bandeira e outorgou poderes inéditos aos grupos étnicos e sindicais que compõem a sua base que passaram a poder julgar crimes sem levar em conta as leis nacionais, mas a “tradição milenar”. Em 2007, o novo texto constitucional encomendado por Morales foi aprovado em uma sessão sem a presença da oposição e nas dependências de um quartel.

Sem oposição e em um quartel. Ninguém viu problema algum. Afinal, os golpistas são os outros. Os outros no caso, “a velha elite” boliviana. Valendo-se dessa pecha, foi fácil para Morales avançar.

Quem teimou em criticar o presidente ganhou uma passagem sem volta para o exílio ou foi parar nas masmorras do sistema prisional local. Nada menos que 1.200 opositores deixaram o país. Alguns deles sob acusações de terrorismo e outras barbaridades.

Quando se viu sem saída, em seu último mandato constitucional, o cocaleiro deu mais um golpe. Em 2014, anunciou que disputaria para um terceiro mandato, ignorando as restrições impostas pela Constituição. Primeiro ele tentou ludibriar o povo dizendo que sua primeira eleição se deu sob uma carta magna já extinta, que, portanto, zerava as contas. Foi reeleito com apoio massivo dos movimentos indígenas e dos produtores de coca.

O sucesso da manobra o deixou tão empolgado que assim que assumiu ele declarou que as leis deveriam mudar para permitir a reeleição perpétua. Acreditando no sucesso eleitoral, convocou um referendo para validar seus planos. Mas se deu mal. Os bolivianos disseram não.

Não satisfeito recorreu aos tribunais do país, totalmente controlados por ele para garantir o seu “direito humano” de sempre poder se reeleger. E assim chegou para disputar a eleição em 2019. Ilegítimo e mudando as regras no caminho para manter o seu poder.

Mas ninguém viu o golpe.

Quando o livro Como as democracias morrem virou modinha e todo mundo passou a repetir que os golpes não mais se dão com o emprego de tanques ou militares. Governantes eleitos em situação de mais perfeita normalidade democrática, podem promover uma a destruição institucional silenciosa e paulatina capaz de corroer silenciosamente o sistema das liberdades, parecia que a turma ia aprender com a leitura. Parecia.

O golpista Evo Morales que estava enredado na própria trama golpista pediu para sair em meio a um cenário de golpe clássico para sair de vítima e não de culpado. Nem um tanquezinho sequer foi para as ruas ajudar o povo ou derrubar o presidente. Nem um soldadinho que seja foi visto invadindo a sede do governo ou insurgindo contra o governo. Morales se apoiou em uma cena grotesca. Seis oficiais barrigudos, que a vida inteira fizeram juras de amor ao presidente, posaram para a imprensa e recomendaram ao presidente que renunciasse.

Assim Morales deixou o país e manchou a revolta popular contra os seus golpes, invertendo o seu papel na história.

Jeanine Áñez, que não fez absolutamente nada para a Bolívia se livrar de Morales, herdou o governo por estar na linha de comando. Assumiu o país e montou um governo corrupto. Estes sim os crimes pelos quais deveriam ser julgados e punidos.

Nos meses seguintes vieram a pandemia de covid-19 e as dificuldades próprias de tentar levar para frente um estado criminalizado como a Bolívia. Tinha tudo para dar errado.

Os “heróis” dos protestos e os líderes opositores começaram a se canibalizar pelo poder. E ao final do dia, o Movimento ao Socialismo, o partido de Evo Morales, voltou ao poder pelas pelo voto de gente desiludida pelo fracasso de Áñez, seu entorno e a crise que muito além das incompetências daquele governo provisório, deixou a Bolívia ainda mais perto do caos.

A condenação de Áñez é política. É o justiçamento de um Estado jagunço. A Democracia segue morrendo na Bolívia e nós vamos assistindo passivamente. Em certa medida, muita gente até aplaude.

Para o Brasil fica um conselho. A triste Bolívia não é tão longe quanto parece.

Gazeta do Povo (PR)

Após afirmar a Biden que respeita eleições, Bolsonaro diz que única forma de evitar problemas é TSE falar com militares




Bolsonaro e Biden se encontraram na Cúpula das Américas

Por Mariana Sanches, em Orlando (EUA)

Depois de afirmar diante do presidente americano Joe Biden que havia chegado ao poder pela via democrática e assim sairia dele e de indicar, na visão do governo dos Estados Unidos, respeito pelo sistema eleitoral atual e seus resultados, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro voltou a citar suspeitas de fraude e a atacar o trabalho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os ministros do Supremo Tribunal Federal que compõem o órgão.

Bolsonaro chamou o ministro Luís Roberto Barroso de "mau caráter", questionou se Alexandre de Moraes seria um "psicopata" e afirmou que Edson Fachin convidou observadores eleitorais "para dar ares de legalidade" a um processo eleitoral no qual Bolsonaro diz não confiar. Na última sexta (10/6) como queria Bolsonaro, o Ministério da Defesa mandou novo ofício ao TSE em que pede para que o tribunal facilite o acesso processo de auditoria das urnas tanto para militares quanto para partidos políticos.

Questionado pela BBC Brasil se, após a divulgação do resultados das eleições no Brasil, o país poderia viver uma situação de violência análoga à invasão do Capitólio nos EUA, em janeiro de 2021, Bolsonaro disse: "eu não sei o que vai acontecer, de minha parte teremos eleições limpas, com toda certeza nós vamos tomar providências, a própria Defesa que foi convidada, antes das eleições".

O presidente então citou uma declaração recente de Ciro Gomes, candidato presidencial do PDT: "O Ciro Gomes, terceiro lugar nas pesquisas, acabou de dizer que 'se Lula ganhar, o Brasil amanhece em guerra'. A população brasileira, a maioria esmagadora, está comigo."

O presidente voltou a repetir afirmações já desmentidas pelo TSE sobre fraude eleitoral em 2014, quando a petista Dilma Rousseff foi reeleita. Sugeriu que a anulação dos processos judiciais contra Lula seriam orquestrados pela Justiça para que o petista volte ao Planalto em 2023.

'Bolsonaro está em Orlando para inaugurar um vice consulado brasileiro na cidade onde vivem cerca de 180 mil brasileiros'

Perguntado pela BBC News Brasil se apelaria a seus apoiadores para não haver violência no pleito, qualquer que fosse o resultado, Bolsonaro afirmou:

"Ah, espera um pouquinho. Você acha que eu vou partir para isso? Entendo que a população brasileira é civilizada. Espero que os três ministros do Supremo que estão no TSE sejam civilizados também", afirmou, em referência a Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

Na sequência, emendou:

"Você está apontando uma possibilidade que pode acontecer, a gente não sabe, mas por que não evitar isso? A equipe técnica deles (TSE) conversar com a equipe técnica das Forças Armadas. Não tem outra forma de você evitar problemas. Se a pesquisa está dando aí 49% pro Lula e 30% pra mim, vamos supor que eu ganhe, esses 49% vão ficar indignados? Vão dizer que houve fraude?", disse Bolsonaro.

Segundo Bolsonaro, "ninguém tem esse poder (de evitar que apoiadores cometam atos de violência), eu menos dos meus".

Ministros dos TSE

O presidente Bolsonaro chamou Barroso de "um mentiroso, sem caráter" por ter dito, em fevereiro, que o presidente havia vazado um inquérito eleitoral sigiloso para apoiar suas alegações de fraude nas urnas e com isso teria "auxiliado milícias digitais e hackers de todo o mundo". Na sequência, Bolsonaro emendou: "Eu não estou atacando a Justiça Eleitoral, eu estou atacando o Barroso, que não tem caráter".

Sobre Moraes, questionou: "o que esse cara tem na cabeça? O que é que ele está ganhando com isso? Quais são seus interesses? Ele está ligado a quem? Ou é um psicopata? Ele tem um problema".

Moraes conduz as investigações sobre fake news e atos antidemocráticos, que resultaram em punições à parlamentares da base do presidente, como o deputado federal Daniel Silveira. Depois da condenação de Silveira, Bolsonaro deu indulto ao aliado.

"Eu dei um indulto para este parlamentar e ele [Moraes] continua perseguindo, multando ele, agora bloqueando o celular da esposa dele, que é a advogada que o defende. O TSE lá do senhor Alexandre de Moraes desmonetiza páginas, derruba páginas. Isso não é democracia, é censura", disse Bolsonaro diante da churrascaria brasileira Fogo de Chão, em Orlando, onde almoçou antes de embarcar de volta para Brasília.

Bolsonaro comparou as ações de Moraes com o processo que levou à prisão de Jeanine Añez, ex-presidente da Bolívia condenada por tramar um golpe de Estado, em 2019. Não é a primeira vez em que Bolsonaro cita Añez para comentar a preocupação com o futuro caso deixe o Planalto.

"A turma dela perdeu [as eleições], voltou a turma do Evo Morales. O que aconteceu um ano atrás? Ela foi presa preventivamente. E agora foi confirmado dez anos de cadeia para ela. Qual a acusação? Atos antidemocráticos. Alguém faz alguma correlação com Alexandre de Moraes e os inquéritos por atos antidemocráticos? Ou seja, é uma ameaça para mim quando deixar o governo?", questionou.

Bolsonaro ainda criticou as ações de Fachin de convidar observadores eleitorais para acompanhar o pleito no Brasil, algo que aconteceu nas últimas eleições . "O que esses observadores vão fazer lá? Observar? Olha, a não ser que ele tenha um olhar de super-homem que possa observar programas, microchips. Qual a qualificação desses observadores?". A BBC News Brasil citou a OEA, Organização dos Estados Americanos, que desenvolve esse trabalho rotineiramente com o apoio inclusive do Brasil.

"Ah, a OEA. Ah, pela mor de deus, você achar que alguém colocar um crachá da OEA tá resolvido o assunto?. Convidaram pra dar ares de legalidade. Sabe o que eu faria no lugar do Barroso, do Fachin e do Alexandre de Moraes? 'Presidente, vamos conversar'. Mas eles não querem conversar"

Na sexta, um dia após a primeira conversa bilateral entre Biden e Bolsonaro, a porta-voz do Departamento de Estado, Kristina Rosales, afirmou que os EUA veem a presença de observadores internacionais como algo fundamental no processo.

A renovação dos questionamentos e críticas às eleições marcaram o encerramento da viagem do presidente Bolsonaro aos EUA. Além de se encontrar com Biden, Bolsonaro participou da 9a Cúpula das Américas. Depois, atravessou o país para inaugurar um vice-consulado em Orlando, na Flórida, para discursar na Igreja da Lagoinha, uma denominação evangélica, e para realizar uma motociata com cerca de 350 motociclistas da comunidade brasileira.

BBC Brasil

Planos de governo no Brasil: palavras, palavras.




Traço comum nos programas de governo no Brasil é a generalidade. Lula agora faz a mesma coisa, só que deu uma exagerada. 

Por Fernando Schüler (foto)    

Ninguém costuma dar muita bola para planos de governo no Brasil. “Treino é treino, jogo é jogo”, costumava dizer um político experiente. Depois que a lógica do marketing tomou conta da política, o mantra virou “Programa é peça de campanha”, então “cuidado com o que você escreve lá.” De qualquer modo, fui ler o pré-­programa do Lula para a Presidência. Farei o mesmo com o do Bolsonaro, quando ele aparecer.

O programa não me surpreendeu. Me deu até certa tristeza, não com o PT, até porque duvido que outros partidos, com exceção do Ciro Gomes, farão algo muito diferente. A tristeza é com o estado de coisas de nosso debate político. O problema começa com o diagnóstico. O texto segue a lógica comum da “política de combate”, na qual não se pode fazer concessão alguma ao inimigo. O Brasil surge como “um país devastado por um processo de destruição que nos trouxe de volta a fome, o desemprego, a inflação”. Achei curiosa a menção ao desemprego, que caiu de 14,8% para 10,5% desde o pico da pandemia. O índice foi de menos de 7% a mais de 13% na grande crise de 2015/2016, no fim da era Dilma. Outro ponto é a fome. Foi justamente na crise vivida no fim da era petista que o número de brasileiros abaixo da linha de miséria foi de 9 milhões para mais de 13 milhões (entre 2014 e 2017). Depois houve outra forte expansão, durante a pandemia, com o problema apenas parcialmente atenuado com o auxílio emergencial e o Auxílio Brasil. Hoje temos uma transferência de renda com o dobro do valor do que tínhamos em 2019. Mas isso está longe de resolver o problema, e o pior cenário é tornar um tema sério como esse um fla-flu entre governos. O ponto é observar a realidade, assumir responsabilidades e não fazer discurso vazio. É isso que se espera de um programa de governo, seja de oposição, seja de situação.

Traço comum nos programas de governo no Brasil é a generalidade. Lula agora faz a mesma coisa, só que deu uma exagerada. Sua pré-proposta tem noventa parágrafos. Em dez deles consegui identificar alguma proposta objetiva, do tipo “não privatizar os Correios”. Nos demais, palavras e boas intenções. Algum projeto para a população LGBTQIA+? “Políticas que garantam os direitos, o combate à discriminação.” Para a juventude? “Políticas que viabilizem ‘novas e mais oportunidades’”. E para as pessoas com deficiência? Políticas que “assegurem a todos o direito à vida com dignidade e liberdade”. Por fim, a “dignidade humana para todos os brasileiros e brasileiras”. Ufa. Já havia visto programas pautados pelo palavrório genérico, mas talvez esse tenha chegado perto do estado da arte.

Outra marca é a ambiguidade. Coisas do tipo “assegurar às mulheres o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos”. Perguntei a algumas pessoas o que significaria essa frase. Algumas responderam rápido: “aborto”; outras disseram que seria o “direito de viver plenamente sua sexualidade”. Concluí o óbvio: pode significar qualquer coisa. Em outra parte, o texto diz que “a proteção previdenciária voltará a ser um direito de todos”. Também tentei entender. Há quem diga que significa refazer a reforma da Previdência; outros, que seria algo na linha de ampliar o BPC, ou “qualquer coisa que inclua todo mundo”, como me definiu um simpatizante meio impaciente. Conclusão: pode ser que sim, mas também pode ser que não.

A generalidade tem lógica. Os políticos sabem que os eleitores têm pouca informação e que políticas públicas são complicadas. Para que detalhar qualquer coisa? Outra razão diz respeito ao poder. O melhor, me dizia um velho prefeito, é “chegar àquele gabinete não amarrado com nada”. Fazer o que der na telha, atender aos lobbies que se quiser, financiar este ou aquele setor. Ninguém resumiu isso melhor do que o mestre do maquiavelismo político moderno, Talleyrand, ministro de Napoleão, que costumava dizer que “princípios são bons, pois não amarram ninguém”. Ele seguia à risca o princípio, para não obrigar o imperador a nada quando ocupasse um território.

Há algumas afirmações objetivas no programa. Uma delas fala em revogar a reforma trabalhista. O Brasil vem recuperando empregos, e a reforma mal completou cinco anos. Há quem tenha certas restrições a nosso gosto pelo experimentalismo institucional. Mas está lá. O partido também fixa posição contra a volta do imposto sindical. Bom sinal. Outra passagem diz não só que não haverá privatização da Petrobras, como o governo intervirá na empresa para que ela seja “colocada de novo a serviço do povo e não dos grandes acionistas estrangeiros”. Imagino que isso terá algum efeito em seu valor de mercado. Isto se algum investidor levar a sério a afirmação. Ainda outra passagem diz que Lula terminará com o teto de gastos, de modo que teremos um “sistema fiscal compatível com a responsabilidade social”. O teto, vale lembrar, foi feito exatamente porque falhamos miseravelmente em conter a bancarrota fiscal, sempre em nome de gastos “socialmente necessários”. Talvez fosse interessante explicar por que isso seria diferente desta vez.

O PT é um partido relevante em nossa história recente. Em certos momentos, foi capaz de produzir grandes inovações, como o ProUni, o Bolsa Família, a Lei das PPPs, de 2004, a chancela do marco regulatório da sociedade civil, em 2014, e experiências modernas de gestão, em parceria com o setor privado. Ainda por esses tempos observava isso de perto, estudando as PPPs na área hospitalar do governo petista na Bahia. O partido tem agora a chance real de voltar ao poder e pode escolher um caminho. Afirmar-se como uma social-democracia modernizante, como o que fizeram tantos partidos social-democratas mundo afora, ou repetir os velhos cacoetes da esquerda latino-americana. O velho desprezo pela responsabilidade fiscal, a tradicional confusão entre o público e o estatal, o desprezo pelos ganhos da economia de mercado e do foco na produtividade, em especial para os mais pobres.

Agora que Lula tem um tucano histórico como vice, poderia levar a sério o “choque de capitalismo” que um outro tucano histórico, Mario Covas, pregou solitário naquela primeira eleição da redemocratização, em 1989. O primeiro esboço do programa de Lula não traz aceno nessa direção. Ao contrário, ele parece materializar outra frase de Talleyrand, dita quando da restauração dos Bourbon, depois de Waterloo: “Nada esqueceram, nada aprenderam”. A jornada ainda está no início, e tudo sempre pode mudar. Oxalá. Não acho que o Brasil deseje ser governado, mais uma vez, com os olhos grudados no retrovisor.

*Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

Revista Veja

A política e o judiciário




Por André Gustavo Stumpf (foto)

Houve um tempo no Brasil em que ministro do Supremo Tribunal Federal era escolhido pelo notável saber jurídico, vida ilibada e convivência na sociedade. Ou seja, uma pessoa normal com alta qualificação na área do direito e absolutamente incorruptível. Distante dos problemas cotidianos, era convocado apenas para dirimir grandes questões nacionais e não manifestava sua opinião em absolutamente nada, além do que viesse ser questionado nos autos de um processo. Que, aliás, não tem capa, como sentencia o ministro aposentado do STF, Marco Aurélio Mello.

Esse entendimento fazia do juiz, desde a primeira instância até os mais elevados tribunais, uma espécie diferente de cidadão. Tranquilo, recluso, confinado pelos limites de seu conhecimento, o comportamento do jurista era tão rigoroso que, vários deles eram professores universitários, não davam opiniões sobre temas que poderiam vir a ser objeto de controvérsia jurídica. Em sala de aula era comum alunos provocarem professores, mas a maioria deles não dava um passo além do sério compromisso com a ética.

Nos anos setenta, quando ocorreram os primeiros movimentos a favor da abertura política, houve um ministro do STF que se declarou claramente a favor do restabelecimento dos direitos do cidadão, do habeas corpus e pelo fim da censura aos jornais. Foi Aliomar Baleeiro, baiano ilustre, que tinha origem na UDN. Na questão política, a posição do ministro era clara, mas nos assuntos contidos nos autos sob sua guarda, ele só se pronunciava no momento certo. Nem antes, nem depois.

A TV Justiça, que faz excelente trabalho na divulgação das decisões do STF, contribuiu para a desinibição dos ministros. Nos momentos de tensão política, a audiência da emissora especializada em assuntos jurídicos é sintonizada em todo o país por advogados, juízes, ministros e a população em geral. Assim, os ministros passaram a ocupar espaço público. Em alguns momentos, disputam exposição com artistas de primeira linha.

O presidente Bolsonaro criou outro quesito a ser preenchido por candidato a ministro do STF. Ele deve ser terrivelmente evangélico. Os ministros Nunes Marques e André Mendonça foram nomeados com base na sua inclinação religiosa, sem embargo de seu conhecimento jurídico. Prevaleceu na nomeação a vocação evangélica que foi louvada em alto e bom som pela primeira-dama. O ministro Nunes Marques reconheceu o favor e reverteu o julgamento feito no TSE que cassou o deputado estadual Fernando Franceschini. A Segunda Turma do STF desfez o entendimento e manteve a cassação.

O resultado do julgamento do deputado bolsonarista enfureceu o presidente da República. Ele perdeu a compostura, xingou os ministros e os qualificou como canalhas. Tudo por causa de uma decisão no outrora discreto e silencioso Supremo Tribunal Federal. Hoje, o tribunal é balançado por violentas discussões internas, querelas pesadas entre ministros, votos tendenciosos de um lado e de outro. Tempos atrás, o ministro Edson Fachin decidiu, monocraticamente, que o julgamento do ex-presidente Lula continha grave erro processual. Não poderia ter sido realizado em Curitiba, mas no Rio de Janeiro ou em Brasília. Sua decisão mudou a política brasileira. Lula foi libertado e hoje disputa com Bolsonaro a presidência da República.

A consequência desse novo caminho empreendido pelo Supremo Tribunal Federal modifica a essência e a qualidade da política nacional. Ministros se deixam envolver por debates de cunho político-partidário. Discutem em público, abrem seus pontos de vistas ao conhecimento geral, e ainda justificam seus votos, como recentemente fez André Mendonça. Não tenho conhecimento de ação semelhante de Ministro do Supremo justificar no twitter voto dado no plenário do mais alto tribunal brasileiro. É o caminho para perder a condição de pretório excelso, colegiado de homens e mulheres acima de qualquer suspeita e donos de invulgar conhecimento jurídico.

Na psicanálise há uma etapa do tratamento que consiste em desconstruir o paciente para reconstruí-lo com base em novas descobertas. O Brasil parece estar passando por fase semelhante. O Tribunal de Contas da União não é órgão do judiciário, é apenas assessor da Câmara dos Deputados, mas seus integrantes são chamados de Ministros. Os ministros dos tribunais superiores participam da política em conversas fechadas e negociações. 

Quando o judiciário entra na política, a Justiça passa a ser menos isenta. Veja-se a perseguição que está ocorrendo contra Sérgio Moro, que teve a petulância de desafiar o poder judiciário com a operação lava-jato. Colocou a corrupção a vista de todos. Está pagando alto preço pela ousadia.

Jornal Metrópoles

O golpe de Trump - Editorial




Comitê da Câmara que investiga a invasão do Capitólio por extremistas trumpistas dá ao caso o nome correto

O comitê da Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA que investiga a invasão do Capitólio (sede do Legislativo americano) em 6 de janeiro de 2021 por uma multidão de enfurecidos seguidores do então presidente Donald Trump deu ao episódio o nome correto: tratou-se de uma tentativa de golpe.

Não se pode relativizar o que houve naquele tenebroso episódio. É preciso que haja punição exemplar para os que, a pretexto de defender a democracia, violentam justamente as instituições que a sustentam, como foi o caso da turba de vândalos que, sob o comando incontestável de seu líder Trump, inconformado com sua derrota eleitoral, tentou reverter na marra o resultado das urnas.

As cenas de militantes pró-Trump enfrentando a polícia e adentrando a sede do Congresso dos EUA, até o plenário, no momento em que os congressistas se reuniam para confirmar a vitória de Joe Biden, evidenciaram as ameaças que pairam sobre as instituições democráticas − mesmo na maior potência econômica do planeta.

Nos EUA, a resposta dessas mesmas instituições democráticas foi rápida. Horas após a invasão do Capitólio, já de madrugada, os congressistas retornaram ao prédio para oficializar o resultado das urnas. Confirmaram, assim, a maioria conquistada por Biden no colégio eleitoral, sacramentando a derrota do presidente Trump, que buscava a reeleição. Na semana seguinte, a Câmara dos EUA aprovou o impeachment de Trump, acusado de incentivar a invasão do Capitólio. Um mês mais tarde, porém, com Biden já devidamente no poder e Trump longe da Casa Branca, o Senado rejeitou o pedido.

Na última quinta-feira, o comitê da Câmara que investiga o ataque deu início a uma série de audiências públicas sobre o caso. Formado por democratas e republicanos, o comitê apresentou vídeos e depoimentos coletados ao longo de 11 meses de apuração. O material é vasto: inclui mais de mil testemunhas, desde servidores de alto escalão da Casa Branca e assessores da campanha eleitoral de Trump até familiares do ex-presidente, como a filha mais velha, Ivanka, o genro Jared Kushner e o filho Donald Trump Jr. O relatório final deverá ser divulgado em setembro e encaminhado ao Departamento de Justiça dos EUA, que decidirá sobre eventuais indiciamentos.

As primeiras conclusões, entretanto, são categóricas: o então presidente Trump é acusado de estar no centro de “uma conspiração de várias etapas com o objetivo de derrubar o governo eleito”, nas palavras do presidente do comitê, o democrata Bennie Thompson. Para a republicana Liz Cheney, vice-presidente da comissão, Trump convocou e reuniu uma multidão para “acender a chama deste ataque”. Ela declarou: “Donald Trump se foi, mas sua desonra permanecerá”.

As declarações ganham ainda mais peso com o fato de que foram transmitidas ao vivo, no horário nobre da TV americana. O objetivo, óbvio, foi dar conhecimento ao maior número possível de americanos que sua democracia, malgrado as tentativas de Trump e de seus seguidores de arruiná-la, segue vigorosa. Talvez os extremistas continuem a acreditar em suas mirabolantes teorias e estejam dispostos a causar mais confusão, mas o fato é que o regime que eles tentam subverter está mostrando sua força.

O Estado de São Paulo

Paz injusta é melhor do que a guerra?




Os avanços russos aumentam o cardápio de opções ruins para a Ucrânia.

Por Vilma Gryzinski

Nós somos os elfos e os russos são os orcs. Assim, recorrendo à mitologia do Senhor dos Anéis, muitos ucranianos descrevem a guerra que os vizinhos brutais impuseram a seu país. A referência aos hediondos orcs pegou e virou uma designação comum para os soldados que bombardeiam, matam, estupram, sequestram e saqueiam. Apesar da ingenuidade da comparação, poucas vezes vimos, em nosso tempo histórico, uma luta tão clara entre o bem e o mal. Infelizmente, a vida real não é um filme hollywoodiano com final feliz garantido. 

Depois de quebrarem, literalmente, a cara numa invasão mal planejada, mal municiada de informações e mal executada, os orcs estão recuperando terreno e todo mundo está vendo o resultado: um avanço sistemático, baseado no velho conceito bélico de terra arrasada. Os ucranianos não têm elemento humano nem poder de fogo para enfrentar o bombardeio arrasador que está abrindo caminho ao avanço russo nas regiões separatistas. De sessenta a 100 combatentes ucranianos estão morrendo por dia e mais 500 ficando feridos, segundo um balanço surpreendentemente franco feito por Volodymyr Zelensky, o presidente que promete a vitória e a integridade territorial da nação, mas sabe muito bem que em algum momento terá de fazer concessões, mesmo que seja apenas para uma paz definida pela ausência da guerra, ao contrário do que pregava Spinoza.

A escola realista acredita que essa é a opção menos ruim para a Ucrânia. A alternativa é ser sistematicamente arrasada e sofrer perdas humanas devastadoras — para acabar cedendo do mesmo jeito no final. Já que não tem como arrancar uma vitória a um inimigo maior e mais poderoso (além de nuclearizado) e vai perder território mesmo, mais além das zonas sob ocupação russa antes de 24 de fevereiro — o contrário seria uma “fantasia”, ridicularizou o chanceler russo, Sergei Lavrov —, que evite fazer isso quando estiver no fundo do poço. Henry Kissinger causou um rebuliço tremendo ao defender esse espinhoso — e injusto — caminho. “Espero que os ucranianos mostrem tanta sabedoria quanto têm mostrado heroísmo”, apelou, provocando Zelensky a fazer uma furiosa comparação: “Parecia que ele não estava falando em Davos, mas em Munique” — palco da trágica tentativa europeia de apaziguar a Alemanha nazista, mesmo quando todas as evidências mostravam que nenhuma concessão deteria os planos de conquista de Adolf Hitler.

Uma escola que vem sendo chamada de maximalista advoga o oposto: poupar Vladimir Putin de uma “humilhação”, como defende Emmanuel Macron, só vai alimentar o troll — ou orc. Seus defensores são os “próximos da lista”: países bálticos e Polônia, antigos integrantes, forçados, da esfera russa. Também há uma corrente dentro do governo ucraniano que, silenciosamente, defende concessões zero ao inimigo. Só pela força, a única língua compreensível pelo vocabulário político russo, será possível neutralizar o expansionismo putinista, argumentam. E Putin, em vez de poupado, precisa ser humilhado.

As próximas semanas vão mostrar para qual lado a Ucrânia será levada a pender. Nenhum deles é fácil, mesmo para quem compreende a árida sabedoria de Spinoza ao diagnosticar: “O máximo de liberdade a que um ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual vai viver”.

Revista Veja

Ucrânia relata 10 mil soldados mortos na guerra

 




Ucrânia segue apelando para que o Ocidente envie armas pesadas ao país

Segundo autoridades, aproximadamente 100 militares ucranianos morrem por dia desde o começo da invasão. Paralelamente, Mariupol vive surto de cólera, e Rússia começa a distribuir passaportes na região de Zaporínjia.

O governo ucraniano informou que cerca de 10 mil soldados do país morreram desde o início da guerra na Ucrânia. O número foi divulgado nesta sexta-feira (10/06) por Oleksiy Arestovych, assessor do presidente Volodimir Zelenski, em um vídeo no YouTube. Paralelamente, Mariupol vive surto de cólera, e Rússia começa a distribuir passaportes na região de Zaporínjia.

Arestovych afirmou que cerca de 100 militares ucranianos morrem por dia desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro. Quando questionado pelo opositor russo Mark Feygin se era possível supor um total de cerca de 10 mil soldados mortos, ele respondeu: "Sim, aproximadamente". 

De acordo com Arestovych, no entanto, mais soldados russos do que ucranianos estão sendo mortos no geral. Segundo ele, na sexta-feira, os ataques da artilharia ucraniana com munição ocidental foram particularmente eficientes, matando cerca de 600 soldados russos.

Anteriormente, o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Reznikov, também havia mencionado que até 100 soldados ucranianos são mortos todos os dias. 

Mykhailo Podoliak, conselheiro do presidente Zelenski, também disse em entrevista à BBC que as perdas diárias de 100 a 200 soldados ucranianos são resultado de uma "completa falta de paridade" entre a Ucrânia e a Rússia.

Até agora, nem Ucrânia nem Rússia forneceram informações claras e oficiais sobre as baixas na guerra. 

Surto de cólera em Mariupol

O prefeito de Mariupol, Vadym Boychenko, cidade que está sob controle das tropas russas, pediu às Nações Unidas e à Cruz Vermelha Internacional que trabalhem para criar um corredor de fuga para que os moradores restantes possam deixar a cidade. Segundo ele, Mariupol enfrenta um surto de cólera, uma vez que as instalações sanitárias foram destruídas e corpos se decompõe nas ruas.

"Há um surto de disenteria e cólera", disse em entrevista à televisão ucraniana. "A guerra, que já custou a vida de mais de 20 mil pessoas [na cidade], infelizmente vai tirar a vida de outras milhares de pessoas em Mariupol com esses surtos de infecção", acrescentou. 

Infraestrutura de saneamento em Mariupol foi destruída

Boychenko também acusou as tropas russas de demolirem prédios de apartamentos na cidade sem antes recuperar os corpos dos moradores mortos nos bombardeios. Os corpos estariam sendo levados junto aos escombros, escreveu Boitschenko no Telegram.

Na cidade portuária, símbolo da resistência ucraniana ao ficar sitiada por semanas, 1.300 prédios foram destruídos e acredita-se que de 50 a 100 pessoas tenham morrido em cada um deles. As informações não puderam ser verificadas pela DW de forma independente. 

Rússia distribui passaportes na Ucrânia

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação de que a Rússia anexe ilegalmente mais territórios ucranianos. A partir deste sábado, passaportes russos serão distribuídos em partes da região de Zaporínjia controladas por tropas russas. Os destinatários serão considerados cidadãos de pleno direito da Rússia, disse uma autoridade ao canal de TV Rossiya-24. Segundo ele, mais de 70 mil pessoas receberão o documento.

O presidente russo, Vladimir Putin, simplificou em maio o procedimento para obter passaportes. A Rússia também está distribuindo o documento em outros territórios ocupados e está introduzindo o rublo, a moeda russa, como meio de pagamento. As autoridades ucranianas acusam os ocupantes de forçar as pessoas à cidadania russa.

Zelenski diz que Rússia quer destruir todas as cidades do Donbass

Enquanto isso, no leste da Ucrânia, os combates continuam sem grandes mudanças no curso da frente. O lado ucraniano fala do sucesso de sua artilharia graças à munição vinda do Ocidente - e apela para aumentar o ritmo de entrega de armas. 

A eficácia das forças armadas ucranianas depende da entrega de armas ocidentais, disse novamente Zelenski em seu discurso em vídeo na noite de sexta-feira. Segundo ele, as forças ucranianas farão de tudo para impedir a ofensiva russa, mas precisam de armas pesadas e artilharia suficientes.

"A Rússia quer destruir todas as cidades no Donbass. E todas não é exagero. Como Volnovakha, como Mariupol", disse Zelenski. "Todas essas ruínas de cidades outrora felizes, as marcas negras dos incêndios, as crateras das explosões: isso é tudo que a Rússia pode dar aos seus vizinhos, à Europa, ao mundo", afirmou o presidente ucraniano.

Deutsche Welle

São João na Praça: confira a programação entre os dias 13 e 17

 em 12 jun, 2022 8:10

(Foto: Marcelle Cristinne)

O São João na Praça, um dos eventos que compõem a programação das festas juninas em Aracaju, realizado através da parceria entre a Prefeitura e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio-SE), continua animando aracajuanos e turistas que passam diariamente pela praça General Valadão, no Centro da cidade.

A partir da próxima segunda-feira, 13, na terceira semana do São João na Praça, quem passar pela praça General Valadão vai aproveitar os shows de Karmem Koreia, Forró Avexenela, Gilsinho do Forró, Balança Eu e muito mais do que os artistas sergipanos têm a oferecer do forró nordestino.

Além disto, o evento conta, ainda, com a apresentação da Mostra Sesc de Quadrilhas Juninas ao longo de três dias.

Na quinta-feira, 16, não haverá programação em virtude do feriado de Corpus Christi.

Confira a programação da próxima semana:

Segunda-feira • 13/06

16h – Karmem Koreia
17h30 – Retalho Nordestino – Quadrilha Junina Sesc Nova Vida
19h – Mostra Sesc de Quadrilha Junina

Terça-feira • 14/06

16h – Forró Avexenela
17h30 – Forró Chique Chique
19h – Mostra Sesc de Quadrilha Junina

Quarta-feira • 15/06

16h – Gilsinho do Forró
17h30 – Arnaldo do Forró
19h – Mostra Sesc de Quadrilha Junina

Sexta-feira • 17/06

16h – Gilmar Zabumbeiro Forró Garoa Nordestina
17h30 – Helber Mateus
19h – Balança Eu

Fonte: AAN

INFONET


Economistas do mercado elevam para 9% a estimativa de inflação, diz Banco Central

Publicado em 11 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Charge: Inflação cresce e assusta consumidor com produtos mais caros - Jota  A! - Portal O Dia

Charge do Jota A (O Dia/PI)

Alexandro Martello
g1 — Brasília

O mercado financeiro elevou de 7,89%, no final do mês de abril, para 9% a estimativa para a inflação neste ano. A informação consta do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC). Os dados foram colhidos na semana passada, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

O último relatório com projeções do mercado financeiro havia sido tornado público em 2 de maio, com informações coletadas em 29 de abril. As divulgações foram interrompidas por conta da greve dos servidores do BC, que acontece desde o dia 1º de abril. O pedido é de um reajuste salarial de 27%.

ACIMA DO TETO – O documento divulgado nesta segunda, porém, não traz as estimativas completas. Foram publicadas somente informações para os principais indicadores da economia (inflação, PIB, juros e câmbio).

A projeção segue acima do teto do sistema de metas de inflação, que é de 5% em 2022. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3,5% e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 2% e 5%.

No entanto, desde o ano passado, os analistas do mercado já preveem a inflação em 2022 acima do teto da meta. No fim de março, o BC admitiu que a meta de inflação deve ser superada novamente neste ano. A probabilidade de “estouro” da meta é de 88% a 97%, calculou a instituição.

COMBUSTÍVEIS – Se confirmada a previsão do mercado para a inflação em 2022, será o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação. Em 2021, o IPCA somou 10,06%, o maior desde 2015.

As previsões de inflação começaram a subir com mais intensidade após o aumento nos combustíveis anunciado pela Petrobras em março, em meio à disparada do preço do petróleo — reflexo da guerra na Ucrânia.

Para alcançar a meta de inflação definida pelo CMN, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic. Neste momento, o BC já está calibrando a taxa Selic para atingir a meta de inflação do ano que vem, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

MAIS INFLAÇÃO – Para 2023, o mercado financeiro subiu de 4,10%, no final de abril, para 4,50% a estimativa de inflação. Para o próximo ano, a meta foi fixada em 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Conforme os dados do Banco Central, o mercado financeiro elevou a previsão de crescimento do PIB deste ano de 0,70%, no fechamento do mês de abril, para 1,5%.

O aumento aconteceu após a divulgação do crescimento do PIB do ano passado de 4,6% pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

PIB BAIXO – Para 2023, o mercado reduziu de 1% (fim de abril) sua estimativa de alta do PIB para 0,47%.

Para a taxa básica de juros da economia, o mercado financeiro manteve em sua estimativa 13,25% ao ano no final de 2022. Atualmente, a taxa Selic está em 12,75% ao ano.

Já para o fim de 2023, a expectativa do mercado para a taxa Selic subiu de 9,25% para 10,15% ao ano. Mesmo assim, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros no ano que vem.

E a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2022 subiu de R$ 5 para R$ 5,05. Para o fim de 2023, avançou de R$ 5,04 para R$ 5,10 por dólar.

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