sábado, junho 11, 2022

Bolsonaro pergunta: “Afinal, por que o TSE convidou militares para fiscalizar eleições?


Bolsonaro defende ofício de ministro ao TSE e diz que busca 'dirimir quaisquer dúvidas'

Bolsonaro diz que TSE tem de tirar as dúvidas dos militares

Janaína Figueiredo
O Globo

Em Los Angeles, onde participou da Cúpula das Américas, o presidente Jair Bolsonaro voltou a questionar nesta sexta-feira o sistema eleitoral brasileiro ao comentar o ofício do Ministério da Defesa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que insiste para que as sugestões feitas pelas Forças Armadas sobre “aperfeiçoamento e segurança do processo eleitoral” sejam apreciadas pela Corte.

Em resposta à Defesa, TSE diz que preza por diálogo e vai conduzir eleições com ‘paz e segurança’.

DISSE BOLSONARO — “Fomos convidados, eu sou chefe das Forças Armadas. Colocamos à disposição da Justiça Eleitoral o que tínhamos de melhor lá no comando de defesa cibernética. Levantamos centenas de vulnerabilidades, apresentamos nove sugestões e depois disso o TSE sempre se negou a discutir —disse na porta do hotel onde ficou hospedado, acrescentando: — Pode ser até que o TSE esteja certo. Mas logo depois o Fachin ainda declarou que eleições se trata com forças desarmadas. Por que convidaram?”

Bolsonaro disse que tomou conhecimento hoje do ofício e que pretende analisar melhor, mas segundo o GLOBO apurou, antes de ser enviado, o documento passou pelo aval do presidente. O texto final não chegou a ser avaliado pelo chefe do Executivo, mas Bolsonaro foi consultado sobre as principais ideias.

— Não podemos ter eleições sob o manto da desconfiança, e dá tempo. Não se fala no ofício em voto impresso, pelo que eu vi, questões técnicas apenas, uma muito importante que foi a sugestão de uma apuração simultânea. Não sei por que não aceitam isso. Se eu sou presidente do TSE, aceito todas as sugestões, ou discutimos e chegamos a um denominador comum.

DESPRESTIGIADAS – No ofício, o ministro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira afirma que as Forças Armadas foram elencadas como “entidades fiscalizadoras, ao lado de outras instituições, legitimadas a participar das etapas do processo de fiscalização do sistema eletrônico” pelo TSE, mas que “até o momento”, as Forças Armadas “não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE”.

As Forças Armadas foram convidadas pelo ex-presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, a integrar o Comitê de Transparência das Eleições (CTE). O convite ocorreu diante da insistência do presidente da República Jair Bolsonaro questionar, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas, usadas há mais de 20 anos nas eleições do país sem qualquer caso de fraude comprovado.

O ministro da Defesa também diz ao TSE que não interessa às Forças Armadas “concluir o pleito eleitoral sob a sombra da desconfiança dos eleitores”.

CONFIANÇA – Pesquisa Datafolha publicada em maio, no entanto, aponta que a confiança do brasileiro nas urnas eletrônicas é majoritária na população. No total, 73% responderam que confiam no sistema usado nas eleições, enquanto 24% afirmam não confiar e outros 2% não sabem.

Ao longo do documento, o ministro da Defesa cita, em diversos trechos, uma preocupação com a transparência do processo eleitoral. Em um dos pontos, afirma ver “possibilidades de ataques cibernéticos, falhas e fraudes, que podem comprometer as eleições”. Em uma iniciativa inédita, contudo o TSE criou em setembro de 2021 a Comissão de Transparência das Eleições (CTE), que conta com 12 representantes de instituições e órgãos públicos, especialistas em tecnologia da informação e da sociedade civil. O objetivo do tribunal com a medida foi envolver mais representantes da sociedade no processo de fiscalização das eleições deste ano.

SÉRIE DE DESGASTES – Nesta sexta-feira, a publicação do ofício pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, abriu mais um capítulo da série de desgastes travados entre o TSE e as Forças Armadas envolvendo as eleições.

As Forças Armadas foram convidadas pelo ex-presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, a integrar o Comitê de Transparência das Eleições (CTE). O convite ocorreu diante da insistência do presidente da República Jair Bolsonaro (PL), sem provas, questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas.

No documento desta sexta-feira, a Defesa insistiu para que as sugestões feitas pelas Forças Armadas sobre “aperfeiçoamento e segurança do processo eleitoral” sejam apreciadas pela Corte Eleitoral, e disse que os militares não se “sentem prestigiados” pelo TSE. Em maio, Fachin informou à Defesa que o período para mudança no pleito de 2022 já foi encerrado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O ministro da Defesa está certo e Fachin está errado. Foi o TSE que convidou as Forças Armadas para fiscalizar as eleições. E os militares enviaram seus questionamentos. Ao invés de simplesmente respondê-los, o TSE vazou tudo para a imprensa com comentários de que as dúvidas chegam a ser infantis. Bem, na História Universal, sempre que o mais fraco falta com o respeito ao mais forte, acaba levando pancada. E o oscilante Fachin parece não entender quem é o mais forte. Apenas isso. (C.N.)


Primeiro encontro de Biden e Bolsonaro não significou nada, rigorosamente nada


Quando deixar o governo, também será de forma democrática', diz Bolsonaro a  Biden

Quando um dos dois presidentes fala, o outro não escuta…

Rubens Barbosa
Estadão

Os presidentes Bolsonaro e Biden alcançaram seus objetivos ao se reunirem pela primeira vez desde o início do governo de Washington em janeiro de 2021. Biden evitou um maior esvaziamento político da Cúpula das Américas pela não participação do México e do Brasil, os dois maiores países hemisférios, depois dos EUA. Bolsonaro obteve uma foto ao lado do presidente norte-americano para mostrar na campanha eleitoral que não está isolado e que também pode discutir temas globais e de interesse brasileiro com líderes como Biden e Putin.

Em encontro formal, os presidentes, como seria de esperar, trataram, de forma superficial, cada um expondo suas próprias percepções, questões de interesse de seus respectivos governos, como meio ambiente e a preservação da Amazônia, sobre o fortalecimento da democracia e comércio exterior (expansão das trocas bilaterais, cadeias de valor, suspensão das restrições ao aço e necessidade de fertilizantes, segurança alimentar, do lado brasileiro).

DISSE BOLSONARO – Embora reconhecendo que, em alguns momentos, Brasil e EUA estiveram afastados por questões ideológicas, Bolsonaro afirmou que os dois países têm tudo para ampliar suas relações e integrar-se cada vez mais para serem exemplos para o mundo.

No tocante às eleições, o presidente comentou que quer eleições limpas, confiáveis e auditáveis para que não restem dúvidas e sejam resolvidas democraticamente. Quanto à Amazônia, reiterou que, por vezes, sente a soberania ameaçada, mas que defende bem o território e a riqueza da região. Bolsonaro ainda mencionou esperar um fim rápido para a guerra na Ucrânia, para que o mundo retorne à normalidade.

Sem confrontar o presidente brasileiro e evitando constrangimentos, Biden mencionou a democracia vibrante e inclusiva e as instituições fortes brasileiras e elogiou o bom trabalho do Brasil para defender a Amazônia.

NADA DE CONCRETO – Confirmou-se a percepção de que pouco se poderia esperar do encontro em termos de resultados concretos, em vista das posições tão diferentes e de resistências políticas recíprocas. Felizmente, a reunião transcorreu em clima ameno, sem cobranças sobre as eleições, democracia e meio ambiente de parte de Biden.

A reaproximação dos EUA, em nível presidencial, buscada por Bolsonaro, contudo, não deverá prosperar sem avanços concretos na agenda amazônica e na atenuação da retórica presidencial sobre ameaças à democracia e às eleições.

Bolsonaro ficou menos de 48 horas em Los Angeles, foi o último a chegar e o primeiro a sair. Não participou da abertura da Cúpula e por isso não esteve presente no discurso de Biden, mas sua presença na cidade não passou despercebida, sendo marcada por forte reação pública com críticas à política na Amazônia e cobrança sobre o desaparecimento do jornalista britânico e do indigenista brasileiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 –Diplomata experiente, ex-embaixador do Brasil em Washington e em Londres, Rubens Barbosa fez uma precisa tradução simultânea do resultado do encontro. Nada, não significou nada, rigorosamente nada. (C.N.)


Que o vereador Zé Miúdo pratique assistencialismo é até aceitável devido a omissão do preefito juntamente com sua secretária de saúde...


Que o vereador Zé Miúdo pratique assistencialismo é aceitável devido a omissão do prefeito juntamentmente com a secretaria de saúde; agora deixar de comparecer as SESSÕES DA CÂMARA  para praticar assistencialismo, além de ser imoral é ilegal,  o presidente não deve aceitar sob pena de ser responsabilizado, isso porque o vereador que não comparece as reuniões sem motivo amparado na lei, não pode nem deve receber os jetons.

 

Jeremoabo, - Este é o Bairro José Nolasco porta de entrada da cidade, bairro onde o prefeito reside e possui estabelecimento comercial.

 



Durante a campanha eleitoral do ano de  2020 o prefeito e seu vice-prefeito Fábio da Farmácia, durante o dia e à noite ambos visitavam os moradores desse bairro prometendo um verdadeiro paraíso, inclsusive priorizando o saneamento básico com pavimentação, tudo isso em busca de votos.

Passados mais de ano, a situação é essa das fotos com mais uma complicação, sem saúde e sem emprego.

Enquanto isso, o vice-prefeito desapareceu, o prefeito que é obrigado a trafegar diariamente por esse local, anda no carrão pago com o dinheiro do povo, e o pior, com os vidros fechados.

Situação pior é dos Bairros Senhor do Bomfim, Santo Antôno e dos Conjuntos Residênciais.

A Pergunta: Será que com metade do dinheiro gasto com as bandas agora nos festejos juninos, não daria para pavimentar essas ruas?

Essa local a imprensa que faz a propaganda paga não mostra.

Ou será que o " pão e circo", resolverá os problemas do povo?

Entre a democracia e o caos




Bolsonaro mobiliza-se, sim, para dar um golpe com o apoio das Armas e do seu povo

Por Reinaldo Azevedo (foto)

A pressão feita por bolsonaristas sobre a XP para interromper a série de pesquisas Ipespe, instituto comandado pelo sociólogo Antonio Lavareda, porque descontentes com os números colhidos evidencia o Brasil que esses patriotas têm na cabeça.

Só valem as eleições que eles ganham e só são aceitáveis os levantamentos que apontam a sua vitória. Jair Bolsonaro tem um dom, é preciso que se admita: como poucos, ou ninguém antes dele, desperta em parcela considerável dos brasileiros o que estes têm de pior.

O horror estava lá, guardado, em repouso, reprimido, como deve ser, pelo pacto civilizatório. Ele revolve, com sua ignorância agressiva, o lodo psíquico e existencial de ressentimento, truculência e ódio.

Ainda que o amálgama de suas postulações sejam os interesses muito objetivos que se plasmam à sua volta —afinal, esse governo também produz vitoriosos—, a massa de opinião que ele mobiliza é refratária à informação, à ciência, aos fatos.

Há um aspecto particularmente perverso, que assombra um tanto o cérebro das pessoas adaptadas ao mundo racional: os defensores mais radicais do bolsonarismo não são os de baixa escolaridade (e os há) ou os argentários que se locupletam dessa pantomima reacionária e sangrenta.

Os entusiastas verdadeiramente virulentos, indica a experiência, são pessoas com um grau de instrução que lhes permite, ao menos, entender que a Terra é redonda, que as vacinas funcionam e que George Soros não é comunista.

Bolsonaro encarna a falência do conhecimento e arrebata um número impressionante de seguidores. Na quarta, em evento na Associação Comercial do Rio, por exemplo, retomou o assunto do marco temporal —escancaradamente inconstitucional, registre-se— para a demarcação de terras indígenas e lascou: se prevalecer o voto de Edson Fachin, 28% do território nacional serão destinados às reservas —área, ele disse, correspondente às regiões Sul e Sudeste. Ocorre que as regiões Sul (6,77%) e Sudeste (10,85%) somam 17,62% do território nacional.

E daí? Lá estavam os que se pensam certamente sábios a corresponder às suas provocações, incitando-o a desrespeitar decisões judiciais, a aplaudir as suas desinformações, a rir do epíteto pelo qual chamou Lula —o "Nove Dedos"—, reduzindo o adversário a um bebedor de "pinga", o que também divertiu os presentes.

Não que aquela fosse uma plateia de abstêmios. É que a "pinga" lembra o "cobertor de pobre", não é isso? No fim das contas, Bolsonaro estava lá para convocar uma parcela da elite a uma cruzada contra a pobreza. É o mesmo que, candidato em 2018, disse na Hebraica do Rio sobre quilombolas: "O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas" e que "nem para procriador ele serve mais". Também houve risos.

É evidente que não resumo o bolsonarismo à esfera psicológica ou sociológica, embora considere esses saberes fundamentais para entender o fenômeno. Bolsonaro também é uma escolha de economia —e de economia política. Quando Paulo Guedes anuncia que pretende transformar uma Eletrobras em gás de escapamento, há aí uma escolha que produz vitoriosos e derrotados.

Quando o governo do país que é o segundo maior exportador de alimentos do mundo assiste, impassivelmente, à fome de 33 milhões e à evidência de que 125 milhões (58%) não têm comida todo dia no prato, é preciso que se saiba ser essa a consequência de um modo de concentrar a riqueza. Um retrocesso de 30 anos.

Inferir que a surra eleitoral que Lula dá em Bolsonaro entre os de mais baixa renda e os de menor escolaridade decorre da aposta do petista na "polarização", esse termo estúpido, corresponde a se juntar àqueles que riem e gritam de satisfação ao ouvir infâmias.

Enquanto escrevo, Bolsonaro mobiliza o que já chamou de seu "exército" para o 7 de Setembro "da libertação", a menos de um mês da eleição. Como não conseguiu, até agora, o apoio da maioria para a sua realidade alternativa, mobiliza-se, sim, para dar um golpe com o apoio das Armas e do "seu povo", aquele do ressentimento, da truculência e do ódio.

No fim das contas, será malsucedido. Mas que preço pagaremos? Constatar que estamos entre a democracia e o caos não é uma fantasmagoria inventada por petistas. E só um fato.

Folha de São Paulo

Polícia do PA prende homem apontado como um dos maiores desmatadores da Amazônia




Apontado pelas autoridades como um dos maiores desmatadores de terras da Amazônia, sobretudo no Pará, o fazendeiro Geraldo Daniel de Oliveira, de 60 anos, foi preso nesta quinta-feira, 9, pela Polícia Civil do Estado. A prisão do acusado aconteceu durante o segundo dia da Operação Outsiders. As informações foram confirmadas nesta sexta-feira, 10, pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup), que coordenou as diligências.

Geraldinho, como é conhecido, foi preso na Fazenda Ouro Verde, no município de São Félix do Xingu, no sul do Pará. A propriedade está localizada na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, região na qual o fazendeiro, segundo a Segup, atuava cometendo crimes ambientais. Outros dois homens também foram presos no local, e vão responder por porte ilegal de arma de fogo. Estima-se que, em crimes ambientais, o fazendeiro tenha, aproximadamente, R$ 40 milhões em multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

Em agosto de 2019, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), acusou Geraldo de desmatar 5,5 mil hectares de áreas ambientais no Estado, o que é equivalente a seis mil estádios do Maracanã. Ele já respondeu a quatro ações envolvendo crimes ambientais. O fazendeiro ainda foi denunciado pelo MP por contratar pessoas para promover queimadas em unidade de conservação no sul do Pará, e também, motoqueiros para ameaçar agentes ambientais.

A prisão aconteceu há quase três anos do mandado de prisão expedido pela Justiça. Neste intervalo, após ser dado como foragido, o fazendeiro obteve um habeas corpus.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Ualame Machado, explica que o acusado já estava no radar das autoridades. "Geraldinho já é conhecido não só da polícia como dos órgãos ambientais, portanto já era investigado desde 2019 quando foi deferido um mandado de prisão contra ele, além de ser conhecido como um dos maiores desmatadores do Estado do Pará, em especial da região da Apa do Triunfo, portanto a prisão efetuada é importantíssima para que possamos desarticular os crimes praticados por ele naquela área", disse à Agência Pará.

Operação

A Operação Outsiders foi coordenada pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), deflagrada junto às Polícias Militar, Civil e Científica, além do Corpo de Bombeiros Militar e da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas). As diligências foram feitas por quase 50 agentes dos órgãos envolvidos na operação, iniciada na última quarta-feira, 8, pelas frentes aéreas, com a utilização de três aeronaves do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) e terrestre.

A Operação Outsiders, em português, quer dizer forasteiro. O título faz alusão às pessoas vindas de outros Estados para atuar no desmatamento em terras no Pará. A maioria dos responsáveis pelo desmatamento na região são do Espírito Santo, Tocantins e de Goiás, de onde Geraldo é natural. O Estadão não conseguiu localizar os advogados dos acusados.

Desmatamento

Dados do Sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), pertencente ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que o desmatamento no Estado do Pará passou a desacelerar. Em maio deste ano, a diminuição foi de 53% em terras de responsabilidade do Estado, ao comparar o mesmo mês do ano anterior. Esta foi a maior redução alcançada em todo o território paraense. Somando as áreas estaduais e federais, a redução de desmatamento foi 49%, neste mês, ao comparar com maio de 2021.

Estadão / Dinheiro Rural

PGR pede arquivamento de investigação sobre Ricardo Barros com base em CPI




A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta sexta-feira, 10, o arquivamento da investigação preliminar aberta a partir do relatório final da CPI da Covid contra o líder do governo Bolsonaro na Câmara, o deputado Ricardo Barros (foto) (PP-PR), colocado no centro de suspeitas de advocacia administrativa.

A comissão parlamentar acusou Barros de atuar junto ao governo federal para defender os interesses de empresas privadas durante a pandemia, inclusive para supostamente tentar direcionar contratos voltados ao enfrentamento da crise da covid-19.

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a vice-procuradora-geral da República Lindôra Araújo afirma que a CPI não reuniu provas suficientes para subsidiar a abertura de um inquérito contra Ricardo Barros ou para a PGR denunciar o deputado. "Não há, nos dados enviados pelo Legislativo, nenhum elemento indiciário de que Ricardo Barros tenha atuado em prol das empresas citadas", escreveu Lindôra.

A ministra Rosa Weber, relatora do caso, ainda precisa confirmar o arquivamento. É de praxe, no entanto, que os ministros do STF aceitem o posicionamento da PGR, porque o órgão tem atribuição para decidir sobre a pertinência de investigações.

Este é o primeiro parecer apresentado pela PGR desde que o órgão abriu dez frentes de apuração com base nas sugestões de indiciamento de autoridades aprovadas pela comissão parlamentar em outubro do ano passado. Entre os senadores que fizeram parte da CPI, há preocupação com o andamento das denúncias. O ritmo é considerado insuficiente.

Em fevereiro, o procurador-geral Augusto Aras já havia pedido o arquivamento de outra investigação relacionada a revelações da CPI da Covid, mas que havia sido aberta antes mesmo da entrega do relatório final pelos senadores. Aras disse que não houve crime do presidente Jair Bolsonaro (PL) por não ter alertado os órgãos de investigação sobre indícios de corrupção nas negociações para compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Estadão / Dinheiro Rural

TCU vai investigar ‘gastos duplicados’ no cartão corporativo de Bolsonaro




O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu abrir um procedimento interno para apurar se há gastos duplicados em contratos do governo federal e no cartão corporativo da Presidência. O relator será o ministro Antonio Anastasia (esq.).

O processo foi aberto a partir de uma representação do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO). "Há despesas informadas na fatura do cartão e contratos firmados pela União para os mesmos serviços. É uma verdadeira farra com dinheiro dos impostos dos brasileiros. Queremos que as contas anuais do presidente sejam rejeitadas e os valores sejam devolvidos aos cofres públicos", afirma o parlamentar.

Uma auditoria do TCU, revelada pela revista Veja, identificou que, desde o início do governo Jair Bolsonaro (PL), os gastos corporativos somam mais de R$ 21 milhões. O valor considera as faturas do presidente, da primeira-dama Michelle Bolsonaro e do entorno mais íntimo de ambos.

O deputado também fez um levantamento com base em dados disponíveis no Portal da Transparência. De acordo com Vaz, o governo pagou R$ 12,1 milhões a uma empresa para fornecimento de passagens, entre janeiro de 2020 e maio de 2022.

O Estadão trava uma batalha judicial pelo acesso às informações do cartão corporativo de Bolsonaro há dois anos. O pedido de transparência cobra o direito de os jornalistas do veículo terem acesso à descrição de como o presidente faz uso dos recursos públicos para fins pessoais e organizacionais. O valor dos gastos é divulgado pelo Portal da Transparência, mas a explicação sobre os produtos e serviços comprados é omitida.

Estadão / Dinheiro Rural

Prévia de propostas de Lula para reforma trabalhista racha base sindical




A proposta de revogação da reforma trabalhista, apresentada sem consulta aos partidos apoiadores da pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Geraldo Alckmin (PSB), rachou a base de apoio sindical em torno do ex-presidente e do ex-governador. Sindicalistas criticam o conteúdo das diretrizes para o programa de governo, elaborado pela Fundação Perseu Abramo, sob coordenação de Aloizio Mercadante.

Com as mais variadas visões sobre as questões trabalhistas, os sindicalistas reclamaram desde o uso do termo "revogação" até a exclusão da retomada obrigatória do imposto sindical. Para contornar as queixas, o PT e aliados solicitaram o posicionamento das centrais sindicais a respeito do tema e farão alterações no texto conforme as sugestões das lideranças. Na próxima semana, os presidentes dos sindicatos se reunirão para construir um texto de consenso.

Até o momento, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não se manifestou. No entanto, o Estadão apurou que internamente não há grandes divergências quanto ao programa que foi apresentado pelo PT. A entidade tem uma proximidade histórica maior com o partido. Em um encontro com sindicalistas, Lula já recebeu propostas da CUT para o programa de governo.

No entanto, outras centrais que apoiam a candidatura de Lula demonstram insatisfação com o texto divulgado na segunda-feira. Filiado ao PSD, o presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, afirma que a reforma trabalhista feita no governo Michel Temer, em 2017, é muito parecida com aquela feita em 2012, na Espanha, que foi depois revisada pelo governo do PSOE. Ele rechaça o uso do termo "revogação" para tratar sobre o tema. "O termo que eu defendo é ‘repactuar’ alguns temas com a área empresarial para o bem do Brasil".

"E não voltar nem o imposto sindical, jamais, imposto sindical não queremos a volta, e nem simplesmente rasgar a legislação trabalhista. Nós estamos percebendo que temos que buscar alternativa de crescimento econômico, geração de emprego, qualificação, capacitação diante dessa tecnologia avançada. Não queremos revogar, a UGT é contra. E não só UGT. Temos os termos da Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) e lá temos algumas questões pontuais, mas está claro que não é para revogar", afirma.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Juruna, por outro lado, afirma que a antecipação do debate sobre a reforma ainda no plano de governo pode dividir os sindicatos. "Quando você fala que vai acabar com a contribuição e não coloca que o sindicato poderá ter um financiamento decidido em Assembleia você deixa em aberto que poderá ser plural".

"Hoje você contribui com o sindicato unitário da sua base que negocia por você, mesmo você não sendo sócio. Na hora que você fala que não vai ter contribuição ao sindicato você está deixando em aberto que poderá ter mais de um sindicato. Criar esse debate agora é bobagem. Tem que deixar esse debate fluir depois no Congresso Nacional, com o empresariado", diz.

Para Juruna, "se colocar esse debate agora, não será bom porque a posição do movimento sindical em relação a estrutura é diferente". "Tem gente que acredita no modelo europeu de pluralidade sindical, mais de um sindicato na mesma base. Essa não é uma posição que reúne todos os sindicalistas. Haveria um racha sobre isso".

Como mostrou o Estadão, partidos aliados também demonstraram insatisfação com a prévia do programa de diretrizes. Em primeiro lugar, questionaram petistas sobre o vazamento do documento antes de um acerto entre lideranças dos partidos. Mas, houve também insatisfação com as propostas, principalmente com uso do termo "revogação" para tratar da reforma trabalhista e com os autoelogios do PT no tema do combate à corrupção.

Estadão / Dinheiro Rural

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Após gelo, Bolsonaro e Biden dão meio abraço em foto na Cúpula das Américas

Os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden quebraram o gelo depois de um ano e meio sem contato. Na tradicional foto de família, que marca o encerramento da IX Cúpula das Américas, os chefes de Estado deram uma espécie de meio abraço.

O primeiro contato físico partiu de Biden, que, após o registro, pegou na cintura de Bolsonaro. O brasileiro, por sua vez, retribuiu o gesto, segurando o braço do norte-americano, durante a foto de família, que pode ser acompanhada pela imprensa.

A reviravolta na relação ocorre após a primeira reunião bilateral entre os EUA e o Brasil, realizada ontem, e considerada bem-sucedida por ambos. Enquanto Bolsonaro usou palavras como "sensacional" e "fantástico" para classificar o encontro, Biden disse que saiu "muito satisfeito" da conversa com o brasileiro.

Estadão / Dinheiro Rural

Associação de Investidores tenta interromper privatização da Eletrobras na Justiça do Rio




A Associação Brasileira de Investidores (Abradin) ingressou com uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Eletrobras para interromper o processo de privatização e reestruturação da companhia. A ação, alinhada aos interesses de acionistas minoritários, corre na 6ª Vara Empresarial da Justiça Estadual do Rio de Janeiro e é acompanhada por um pedido de tutela de urgência. O objetivo é a obtenção de uma decisão liminar para suspensão imediata da operação.

No documento, a Abradin, que é representada pelo escritório Monteiro de Castro Setoguti Advogados, alega que a administração da Eletrobras conduz o processo em prejuízo dos interesses da própria companhia, de acionistas minoritários e da ordem econômica.

A ACP centra fogo, objetivamente no fato de ativos da Eletrobras, como as subsidiárias Eletronuclear e Itaipu, serem transferidos para o controle da União e, assim, retirados do processo, sem indenização à companhia em valor compatível com seus preços de mercado.

Os advogados dizem que, no caso de Itaipu, o repasse da participação acionária da Eletrobras à União deve custar R$ 1,21 bilhão, quantia que definem como "ínfima". O montante, alega a Abradin, estaria aquém de indenização justa à Eletrobras, o que fere o interesse de investidores.

Eles também criticam os estudos realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES) para o "valuation" da Eletrobras, porque, dizem, "partem de premissas de cálculo equivocadas e contém graves erros contábeis, o que acarretou subavaliação da Eletrobras".

Os advogados reclamam, ainda, do fato de não terem sido contratados estudos independentes para a avaliação dos ativos e dizem que o processo está sendo realizado "às pressas", sem considerar os impactos que a revisão do Tratado de Itaipu e da quitação da dívida relativa ao empréstimo de construção, previstos para 2023, terão sobre o faturamento e a geração de energia da companhia.

Além disso, a ACP questiona o ritmo da operação, sugerindo condução apressada para satisfazer calendário eleitoral.

Essa não é a primeira tentativa nesse sentido. Ontem, também com pedido de urgência, a Associação dos Empregados de Furnas ingressou com outra ACP na Justiça Federal do Rio de Janeiro a fim de obrigar a realização de nova assembleia antes do seguimento do processo.

Na peça, os advogados dos funcionários alegam violação da própria lei de privatização da Eletrobras (14.182/2021), que prevê a necessidade de aprovação por assembleia de qualquer condição adicional à operação. O juiz da ação, definido em sorteio, é Renato Cesar Pessanha de Souza, da 8ª Vara Federal. Ele abriu prazo de 48h para manifestação da União.

Estadão / Dinheiro Rural

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