sábado, junho 11, 2022

Pressionada, Funai renova portaria que restringe acesso à Terra Indígena Pirititi




A Funai renovou por seis meses a proibição de acesso na Terra Indígena Pirititi, localizada em Rorainópolis, no sul do Estado de Roraima. A determinação é divulgada mais de 15 dias após o Ministério Público Federal (MPF) pressionar, por meio de um pedido de tutela provisória de urgência, a proteção do grupo indígena. A decisão foi publicada nesta sexta-feira, 10, no Diário Oficial da União.

Conforme a portaria, fica estabelecido "a restrição de ingresso, locomoção e permanência de pessoas estranhas aos quadros da Funai, na área de 40.095 hectares e perímetro aproximado de 192 quilômetros".

De acordo com dados do Boletim Sirad-Isolados, do Instituto Socioambiental, a TI Pirititi tem aproximadamente metade da sua área - cerca de 47,8% -, ameaçada por grileiros.

Segundo especialistas e organizações não governamentais indígenas, a não renovação da portaria colocaria em risco a sobrevivência do grupo indígena, já que vive em constante ameaça, com o avanço do desmatamento e de grileiros.

Histórico

Segundo o MPF, a região é alvo de ação pública. O intuito do documento era cobrar mais agilidade da Funai no que diz respeito a identificação e demarcação do território.

Relatórios da própria fundação revelam exploração ilegal de madeira no entorno da região.

Formado por povos isolados, o grupo indígena Pirititi também é reconhecido como Piruichichi (Pirititi) ou Tiquiriá, parentes dos Waimiri-Atroari, que faz divisa com o Amazonas.

A primeira portaria que restringe acesso à TI Pirititi foi publicada no final do ano de 2012. Desde então, a medida foi prorrogada em 2015, 2018 e 2021. Neste último despacho, se passaram mais de cinco meses e 17 dias sem qualquer notícia de renovação.

A portaria divulgada nesta sexta-feira foi assinada pelo presidente da Funai, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier. O órgão, por sua vez, possui um histórico de decisões rechaçadas por entidades indígenas.

Na última semana, Xavier foi criticado após ter afirmado que Dom Phillips e Bruno Pereira - jornalista e indigenista desaparecidos desde domingo, 5 - erraram em não comunicar a viagem e não pedir autorização da Funai.

Estadão / Dinheiro Rural

Bolsonaro sobre Biden: ‘Estou maravilhado’




O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta quinta-feira (9/6), após o encontro bilateral que teve com o presidente Joe Biden, durante a 9ª Cúpula das Américas, que ficou “maravilhado” com o líder americano.

A reunião entre os líderes “foi excepcional, estou muito feliz. Posso dizer que estou maravilhado com ele. Não estou errando em falar dessa maneira. Ficamos quase meia hora conversando reservadamente”, disse o presidente à “CNN”.

Bolsonaro afirmou que os dois concordaram sobre a Amazônia. Só não disse se o presidente dos Estados Unidos concorda integralmente com o que foi dito sobre a Amazônia ou com parte do assunto.

“Falamos abertamente sobre Amazônia, depois reservadamente, [ele] concorda conosco. Ela é muito grande. O Brasil é um exemplo para a preservação ambiental do mundo todo. Temos pela frente a questão de energia limpa, como a eólica”, apontou Bolsonaro.

Durante a parte da conversa aberta a jornalistas, Bolsonaro falou que o Brasil é um exemplo ambiental para o mundo, disse que “85% da Amazônia está preservado” e que, “por vezes”, sente que a soberania nacional sobre o território está ameaçada.

Correio Braziliense / Daynews

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Viagem do papa à África em julho é adiada por problema no joelho

A viagem do papa Francisco à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul, marcada para o período de 2 a 7 de julho, foi adiada indefinidamente por causa de um problema no joelho do pontífice, de 85 anos, informou o Vaticano nesta sexta-feira (10).

Um comunicado informou que o adiamento foi decidido “com pesar”, a pedido dos médicos do papa que o tratam de ligamento rompido no joelho. A condição o forçou a usar cadeira de rodas no último mês.

A decisão foi tomada “para não comprometer os resultados da terapia que ele está fazendo para o joelho”, disse o porta-voz Matteo Bruni.

O anúncio foi feito apenas alguns dias depois que o Vaticano divulgou os nomes dos jornalistas que o acompanhariam na viagem. Os preparativos estavam em andamento nos dois países.

O Vaticano não disse se a viagem agendada para o período de 24 a 30 de julho ao Canadá também seria afetada pelo problema.

Apesar da condição, o papa tem mantido agenda regular de audiências. Ele teve quatro audiências hoje, incluindo uma com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Agência Brasil / Daynews

Golpe nos preços pode virar crime




Pela reeleição Bolsonaro e Guedes querem que empresas manipulem preços

Por Vinicius Torres Freire

Jair Bolsonaro (PL) quer que supermercados diminuam seus lucros a fim de conter a carestia e, assim, evitar a eleição de Lula da Silva (PT) e a volta do "populismo" (aquele que nunca foi embora).

Entre vários problemas, trata-se de: 1) Sugestão de crime contra a ordem econômica; 2) Mais estelionato eleitoral: fazer demagogia e mentir agora para tudo explodir depois da eleição; 3) Pedido indireto para que empresas deem dinheiro para a reeleição; 4) Indício de como um governo autoritário pode meter a mão em empresas, preços e muito mais; 5) A desmoralização final ou adicional do "liberalismo" de Bolsonaro-Guedes.

Paulo Guedes detalhou o plano, quase em tom de ordem. "Empresários precisam entender que temos que quebrar a cadeia inflacionária. Estamos em hora decisiva para o Brasil. Nova tabela de preços só em 2023. Trava os preços, vamos parar de aumentar os preços", disse o ministro da Economia. Bolsonaro e Guedes falaram em um encontro da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Admita-se a hipótese improvável, por assim dizer, de que os empresários de supermercados decidam pagar esse imposto voluntário, um oximoro, uma contradição em termos, e contenham lucros e preços até o final deste ano e, na virada para 2023, "nova tabela". Isso é conluio para manipulação de preços. É crime.

Claro que a Abras pode se declarar para todo o sempre uma congregação caritativa, com margem simbólica de lucros, com o que Guedes poderia ser beatificado e ganhar um Nobel sem ter escrito um artigo científico, um reconhecimento pela prática de política econômica milagrosa.

Claro que tudo isso é sarcasmo. Mas a demagogia aloprada dá o que pensar.

Bolsonaro, Guedes e seus regentes do centrão querem abrir mão de impostos e endividar o governo a juros de 13% ou 14% ao ano a fim de baixar o preço de combustíveis até o final do ano. Ou os preços aumentam a seguir, "nova tabela" em 2023, ou se faz ainda mais dívida pública. Ou Guedes 2 vai fazer um arrocho geral de despesa? Vai? Ainda nesta quinta-feira prometeu reajuste geral para os servidores em 2023.

O resumo da ópera é: querem jogar a conta e a culpa pelo fracasso econômico nas costas de empresários e estados (ou tirar dinheiro deles para baratear gasolina e diesel). Mas dão indícios de coisa pior: de que fazem mesmo qualquer negócio, à luz do dia, a céu aberto.

Mentem descaradamente: sobre "liberalismo" ou aliança com o centrão, tentam desacreditar fatos básicos sobre epidemia, desmatamento, desemprego ou pesquisas eleitorais. Pode ser também que metam a mão na sua empresa ou no futuro dos seus negócios. Ou, então, pode ser que o esfolamento do povo recomece de modo mais descarado a partir do ano que vem, "nova tabela" em que o couro do cidadão vai custar mais barato.

Sob Bolsonaro 2, com mais poder no Supremo, com um Congresso vitaminado de centrão, o governo pode, por exemplo, cassar sua concessão de rádio e TV e dar para um amigo do nacional-mensalismo, essa aliança de extrema direita com mensaleiros que é o bolsonarismo.

Pode ter intervenção em preço. Ou no preço da sua empresa. Você não bajulou o governo? Vai ter de encarar um governo "terrivelmente liberal" —a ditadura militar já fez isso.

Sim, os preços devem cair se passar o pacotaço dos combustíveis de Bolsonaro e turma. As expectativas de inflação para 2023 já aumentam. A taxa de juros vai ficar alta ou mais alta por mais tempo. A dívida pública vai aumentar ou haverá um arrocho de gastos públicos. Gente do governo já propôs privatizar a saúde. Bolsonaro 2 vai estar ainda mais livre para tocar o terror.

Folha de São Paulo

É preciso investigar atuação de filho de Queiroga no Ministério da Saúde - Editorial




O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (ao centro), ao lado de seu filho Cristóvão Queiroga (à direita) durante manifestação pró-governo no 1º de maio

Passou da hora de investigar a acintosa participação do filho do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em assuntos internos da pasta, que incluem a intermediação de demandas dos municípios na área de saúde. Estudante de medicina, Antônio Cristóvão Neto, de 23 anos, ou Queiroguinha, como é conhecido, está empenhado em se eleger deputado federal na Paraíba pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Como revelou reportagem do GLOBO, Queiroguinha tem percorrido municípios do interior do estado prometendo recursos para comprar equipamentos e ambulâncias. Devido ao livre acesso ao gabinete do pai, as ações vão além das promessas de um político qualquer. Na semana passada, ele abriu as portas do ministério a três prefeitos, que saíram de lá com a previsão de R$ 1,25 milhão para seus municípios depois de falar com seu pai ministro.

O prefeito de São José da Lagoa Tapada, Cláudio Antonio Marques, o Coloral (PSDB), disse ter aproveitado a reunião para pedir aparelho de raios X, equipamento de ultrassonografia e laboratório na cidade. Outros foram menos explícitos. O prefeito de Marizópolis, Lucas Gonçalves Braga (PSDB), que reivindicou R$ 250 mil para medicamentos e postos de saúde, afirmou ao GLOBO que o encontro com Queiroga foi só para tirar uma foto.

Em suas agendas oficiais, Queiroga tem se revelado um generoso cabo eleitoral do filho, levado a eventos do ministério em que são anunciadas verbas a prefeituras da Paraíba. Nos últimos três meses, houve pelos menos cinco solenidades do tipo. A situação é tão escandalosa que, numa delas, Queiroguinha representou o pai e fez até discurso. Não só as portas do Ministério da Saúde se abrem para ele. Na semana passada, participou de ato em que foram anunciados R$ 368 milhões para duplicar o trecho paraibano da BR-230 entre Campina Grande e Pocinhos.

Mais uma vez se repete a situação em que prefeitos precisam recorrer a intermediários para conseguir verbas federais em setores vitais como educação e saúde, que deveriam estar imunes a qualquer investida política e ser regidos por critérios exclusivamente técnicos. Em março, veio à tona a denúncia de que pastores sem vínculo com o MEC, apesar do trânsito livre no ministério, intermediavam verbas públicas mediante propina.

Ainda que a campanha eleitoral, na prática, já esteja a todo vapor, o ministro da Saúde, que não é candidato, tem mais com que se ocupar. Os casos de Covid-19 voltaram a subir e já pressionam a rede pública. Preocupado com a reeleição de Bolsonaro, Queiroga se precipitou ao decretar o fim da emergência em saúde. Deveria saber que novas ondas são previsíveis. Além disso, a varíola dos macacos já chegou ao Brasil. Embora não atinja tanta gente, é preciso estratégias para enfrentá-la.

As ações de Queiroguinha no governo têm de ser investigadas. Ser filho do ministro da Saúde não lhe dá o direito de usar a pasta como trampolim para alavancar sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

O Globo

Realidade e campanha eleitoral




Chega a ser comovente como não se dão conta, governo e aliados do Centrão, da existência de uma crise mais profunda.

Por Fernando Gabeira (foto)

Há pouco mais de dez anos, um colunista do The New York Times advertia para a alta dos preços de alimentos e de energia, para a sucessão de eventos extremos no clima, o aumento da população mundial e afirmava: daqui a alguns anos, perguntaremos como não entramos em pânico com indícios tão evidentes de uma crise profunda.

Depois disso, entre outras coisas, aconteceram uma pandemia que matou 6,3 milhões de pessoas e uma guerra no leste europeu envolvendo um grande produtor de petróleo e um grande produtor de alimentos, Rússia e Ucrânia. Era de esperar, com tudo isso, que o preço dos alimentos fosse às alturas, impulsionado também pelo valor dos combustíveis.

Interessante como essa crise profunda não chega, ainda, a acionar o sinal de emergência no planeta e como, de certa forma, ela passa ao largo do Brasil, em plena campanha eleitoral. Naturalmente que não escapam ao governo os seus efeitos imediatos, nem poderiam escapar, porque a reeleição de Bolsonaro depende disso. Daí sua encenação, mal ensaiada, de um esforço para baixar o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

Chega a ser comovente como não se dão conta, governo e aliados do Centrão, da existência de uma crise mais profunda. Acham que o preço da energia está um pouco alto e que, com algumas medidas superficiais, tudo voltará ao normal. Não percebem como o mundo mudou nem a própria emergência em que estamos mergulhados. E não creio que ela se resolverá apenas emitindo menos carbono, reduzindo aqui e ali uma prática destrutiva. A própria estrutura do consumo será questionada.

O candidato favorito à Presidência da República promete fazer voltar a felicidade de 20 anos atrás. Mas ela se compunha, também, do estímulo ao consumo de automóveis, algo que talvez não seja mais, passado tanto tempo, um indicador de felicidade.

Quando digo que o consumo terá de ser reavaliado, não me refiro aos itens básicos para uma sobrevivência digna. Portanto, não cabe aqui o argumento de que haja restrição aos pobres. Ao contrário, há margem de avanço nesse campo, mas não um tipo de avanço vivido no passado, uma simples ascensão do consumo da classe média, sem visão crítica de um modelo suicida.

A ideia de Bolsonaro de subvencionar a gasolina, por exemplo, é muito mais do que uma negação da crise. É uma forma de aprofundá-la. Não se fala mais em melhorias no transporte público. No encontro com Elon Musk, por exemplo, ele se interessou mais pelo Twitter do que pela performance de um carro elétrico.

No texto da década passada, os eventos extremos já eram notados. O que diria do Brasil hoje, quando perdemos 233 pessoas em Petrópolis e 129 em Pernambuco?

É como se tudo isso acontecesse num outro planeta. O debate no Brasil é como prosseguir no desenvolvimento, sem nenhuma visão crítica da forma de crescer, como se todos os fatos que se acumulam ao longo dos anos, inclusive a pandemia, fossem apenas um raio em céu azul. A pandemia aconteceu e matou, só no Brasil, até agora, 668 mil pessoas, porém não se associa a doença à relação com os animais e, nem de longe, à proteção da floresta.

Já é sabido como se intensificou o tráfico de animais silvestres na Amazônia e como ele se associa a outras formas de crime, como o garimpo ilegal, a grilagem, o desmatamento. Ainda não se falou em projeto de segurança. Mas a Amazônia é tão controlada por grupos criminosos como os morros do Rio de Janeiro. Que tipo de projeto de segurança pública pode abordar esse problema? Mais da metade do território brasileiro é um espaço de trânsito livre para o crime organizado.

Não creio que essas realidades possam entrar facilmente nas campanhas políticas, condicionadas a prometer crescimento sem uma visão crítica do próprio crescimento. No entanto, elas podem entrar na cogitação dos próprios eleitores. Estamos votando para quê? Vamos continuar apenas colocando um esparadrapo no ferimento ou vamos tratá-lo adequadamente?

Claro que, quando um governo rejeitado pela sua estupidez está em vias de ser derrotado, surge uma grande sensação de alívio. No entanto, é importante vê-lo, também, como uma espécie de bode na sala. A crise profunda que vivemos há algumas décadas foi mantida assim por um processo de negação.

Segundo todos os que estudam o problema, quanto mais a crise se aprofunda, maior a negação. Bolsonaro talvez tenha representado o auge desta tentativa de contornar a realidade: negou a pandemia, nega as mudanças climáticas, acha que pode conter o preço dos combustíveis e subestima a fome que ronda os lares brasileiros. Ele representa o auge da negação.

As eleições brasileiras poderiam ser o início de um encontro com o real. Dificilmente vamos encontrá-lo no modelo de 20 anos atrás. Ele é dinâmico e expressa a necessidade de uma ruptura muito maior do que as clássicas discussões sobre tamanho do Estado, direita e esquerda e toda a atmosfera do século passado.

Talvez, numa campanha política, o eleitor precise mais do que votar num projeto de crescimento econômico, mas compreender que algo se esgotou. Toda a interrogação consequente se volta para a pergunta: que tipo de modelo temos condições de colocar em campo?

O Estado de São Paulo

Vêm aí os fiscais de Bolsonaro e Guedes?




Por Vera Magalhães (foto)

Paulo Guedes perdeu os pruridos de vez. Depois de trancar na gaveta o liberalismo de Chicago, agora se destituiu da função de ministro da Economia e virou cabo eleitoral de Jair Bolsonaro.

Com isso, ruiu a explicação, desde sempre falaciosa, de que sua adesão a um candidato, depois presidente, sabidamente corporativista e iliberal, era uma aliança entre “ordem e progresso”, ou entre o liberalismo e o corporativismo.

Guedes comprou o pacote completo de Bolsonaro. Alheio às ameaças diárias que o chefe faz à democracia, aos ataques à Justiça e à imprensa, também aderiu sem cerimônia aos muitos dribles na austeridade fiscal, ao intervencionismo em estatais e, pasmem!, se sente à vontade para defender até truques como congelamento de preços.

Ele, que sempre foi crítico aos erros do Plano Cruzado e até do Real, exitoso em conter a inflação que agora grassa descontrolada.

Ao participar remotamente de um congresso do setor varejista, o ministro escancarou:

—Estamos em guerra.

A dúvida é se fala da guerra contra a alta de preços ou da guerra eleitoral que seu chefe trava com desespero crescente.

Seguindo a lógica segundo a qual em guerra vale tudo, o “liberal” Guedes fala em congelar preços e reduzir lucros, a antítese mais absoluta que pode haver às leis do capitalismo. Fez coro a Bolsonaro, que, mesmo em Los Angeles para a Cúpula das Américas, a que chegou atrasado, fez questão de participar do evento, numa demonstração clara de que só pensa em eleição e de quanto a inflação lhe tira o sono.

O ministro também desistiu de encenar o teatro de que este governo cogita privatizar a Petrobras. Ao contrário, embarcou graciosamente na sanha com que Bolsonaro mexe na diretoria e no Conselho da empresa para tentar conter a alta no preço dos combustíveis.

Guedes também desistiu do conceito de Federação, ao defender que os estados têm de colocar a “mão no bolso” para ajudar a tornar o caminho eleitoral de Bolsonaro menos tortuoso.

O ministro sabe que a “contribuição” pedida na forma da redução do ICMS sairá dos recursos destinados à Saúde e à Educação. E que, portanto, o bolso tungado não é dos governadores, mas da população, a mesma que provavelmente não pagará muito mais barato para encher o tanque com essas mágicas eleitoreiras e improvisadas.

Seguindo nessa mesma linha, ele disse que os estados receberam bilhões do “nosso dinheiro”, de novo fingindo não conhecer como se dão a arrecadação e a distribuição de tributos entre os entes da Federação, a fim de cumprir o que a Constituição determina ser atribuição de cada um deles nas várias áreas.

O ministro da Economia deveria ser, de todos os integrantes da Esplanada, o mais distanciado do calor do palanque. Isso em qualquer circunstância, mas principalmente num cenário em que a economia patina, a fome atinge 33 milhões, e a responsabilidade fiscal é mandada às favas para que o presidente transmita a ilusão de que está cuidando desses problemas quando só empurra a conta para pagar lá na frente.

Guedes sempre se jactou de não ser político. Assim como Bolsonaro dizia não entender de economia, usava o pouco traquejo com as artimanhas da política para explicar algumas gafes e ruídos na relação com o Congresso. Os três anos e meio na cadeira fizeram com que esquecesse rapidamente sua frase “mais Brasil e menos Brasília” para demonstrar um apego poucas vezes visto ao poder e ao bolsonarismo, a ponto de aquiescer a tudo.

Nessa toada, não será surpresa se amanhã anunciar um tabelaço para os supermercados e convidar os brasileiros a sair fechando estabelecimentos que remarcarem preços.

O Globo

Rússia e China inauguram primeira ponte rodoviária entre os dois países




Imagem da ponte que conecta a Rússia e a China

O projeto, um acordo de 1995, simboliza a aproximação e o aumento do comércio entre os dois países.

Rússia e China inauguraram nesta sexta-feira (10) a primeira ponte rodoviária entre os dois países. A ligação atravessa o rio Amur e conecta as cidades de Heihe, na China, e Blagoveshchensk, na Rússia.

    'A construção da ponte terminou há dois anos, mas a inauguração foi adiada devido à pandemia de coronavírus'. 

O projeto, um acordo de 1995, simboliza a aproximação e o aumento do comércio entre os dois países.

A agência estatal de notícias russa Ria Novosti publicou um vídeo da cerimônia de inauguração da ponte, com a passagem dos primeiros caminhões e a explosão de fogos de artifício.

A ponte, de apenas um quilômetro de extensão e com duas faixas de circulação, custou 19 bilhões de rublos (R$ 1,6 bilhão), dos quais 14 bilhões corresponderam à parte russa.

    'De acordo com a imprensa de Moscou, 630 caminhões, 164 ônibus e 68 veículos leves poderão utilizar diariamente a ponte, destinada exclusivamente ao transporte de mercadorias'. 

Rússia e China compartilham 4.250 quilômetros de fronteira, principalmente no rio Amur.

AFP / G1

Fora do mapa da modernização -Editorial




A indústria mundial de semicondutores começa a redesenhar seu mapa de investimentos, mas o Brasil foi deixado de lado nesse rearranjo de um setor crucial

O Brasil escolheu ficar fora do mapa mundial das grandes transformações que o avanço tecnológico vem desenhando. O mundo, como mostrou o Estadão (7/6), “refaz o mercado de chips para a indústria”. A despeito da pandemia, ou por causa dela – e da guerra na Ucrânia –, a cadeia global de produção de semicondutores está mudando para reduzir a escassez desse item essencial para uma imensa rede de produtos. Investimentos estimados em US$ 140 bilhões em dois anos foram decididos pelos principais produtores. É dinheiro importante para estimular a atividade econômica nos países produtores e reduzir o impacto da pandemia e da guerra na economia mundial.

Não há registro de que uma parcela minimamente significativa dos investimentos previstos tenha o Brasil como o destino. A sensação que esse quadro deixa é a de que o País, depois de ter largado muito mal na corrida pela inserção no mercado dos produtos industriais de alta tecnologia, está sem forças para se recuperar. A demanda desses produtos é a que mais cresce no mundo.

A interrupção de linhas de produção de eletrodomésticos, comandos eletrônicos de uso doméstico, equipamentos de segurança e, sobretudo, de veículos em todo o mundo por falta de semicondutores é a prova mais evidente da importância que esse item assumiu na atividade industrial e na vida moderna. Estima-se, por exemplo, que, por falta de chips, o Brasil deixou de produzir quase 350 mil automóveis no ano passado. No mundo, a quebra de produção pode ter alcançado 10 milhões de unidades.

Com a suspensão ou o encerramento de atividades de unidades industriais por falta de componentes como os semicondutores, governos de diversos países lançaram programas de apoio financeiro para novos investimentos na fabricação desses itens. Ainda assim, e com os investimentos já anunciados pelos maiores produtores, prevê-se que a escassez, mesmo mitigada, se estenda até 2025.

É um quadro que projeta o crescimento continuado da produção de semicondutores, que hoje são o quarto produto mais comercializado no mundo, atrás de petróleo, veículos e derivados de petróleo.

Mesmo não tendo tido papel relevante no período inicial de crescimento desse segmento industrial, que vem puxando a expansão da economia mundial, o Brasil poderia inserir-se nessa onda e dela se aproveitar. Mas o rearranjo desse setor produtivo em escala mundial apenas vai aumentar o peso de alguns centros em operação em relação a outros. E esses centros estão em países e regiões como Estados Unidos, Europa Ocidental, China, Coreia do Sul e Taiwan. Já com um setor industrial altamente sofisticado e de grande produtividade, essas áreas ampliarão sua distância em relação ao resto do mundo quanto ao avanço tecnológico.

A participação do Brasil nesse mundo se limita ao segmento final da montagem. Como mostrou o Estadão, o Ministério da Economia promete apresentar proximamente um programa de estímulo à produção local de semicondutores, por meio de desoneração da cadeia produtiva, apoio a pesquisa e desenvolvimento, formação e capacitação de profissionais e facilitação de importações.

Tudo isso é importante. Mas, ainda que tudo comece a ser feito já – o que parece pouco provável no mandato do atual presidente da República –, será tardio. “O Brasil não tem como competir com os mercados maiores e, infelizmente, não tem política séria de exportação de produtos de alto valor agregado”, reconhece o analista do mercado automotivo José Augusto Amorim.

A indústria de transformação continua sendo o principal indutor da modernização do setor produtivo no Brasil, mas vive uma crise que já dura décadas. A redução notável de seu peso no Produto Interno Bruto (PIB) é a síntese perfeita de sua involução nos últimos anos. Há problemas estruturais graves, sobre os quais já se manifestaram todos os segmentos produtivos, mas que persistem. O agudo déficit de mão de obra qualificada, que se estende para diversos segmentos da produção, reflete o fracasso de políticas públicas no campo da educação. Há muito a fazer. 

O Estado de São Paulo

11 ‘Esnobado por países-chave na América Latina, Biden busca o Brasil’, diz The New York Times




Bolsonaro descobriu que presidente democrata não morde…

Por Nelson de Sá

Cobertura americana não dá maior atenção para encontro ‘tenso’ de Joe Biden com Jair Bolsonaro ou a própria Cúpula das Américas. No enunciado do New York Times, quando estava para começar a reunião de Bolsonaro com o americano: “Esnobado pelos países-chave na América Latina, Biden busca consenso com o Brasil”. Depois, em vídeo, editou um Biden aparentemente “tenso”, como previsto:

Mas as palavras trocadas publicamente foram “amáveis”, descreveu o jornal, antes de saírem para a reunião fechada.

OS AUSENTES – NYT e Fox News concordaram, em seu noticiário da Cúpula das Américas em Los Angeles, que o importante era a ausência do México e do “Triângulo Norte”, El Salvador, Guatemala e Honduras.

No dizer do principal repórter de política da rede CBS, “neste país, imigração é uma questão política radioativa, urgente. E o fato de os líderes das quatro portas abaixo, por assim dizer, não estarem aqui é um golpe simbólico para o governo Biden”.

No NYT, “a cúpula está focada na imigração, a ausência é sinal da crescente cisão entre os Estados Unidos e as nações latino-americanas”. A Fox News sublinhou críticas da conservadora fundação Heritage à “total falta de liderança de Biden”.

APERTO DA INFLAÇÃO – A cúpula recebe, na realidade, pouca atenção nos veículos americanos, quase ausente das páginas iniciais. As manchetes ao longo do dia, de Washington Post e Wall Street Journal, foram para a inflação.

Respectivamente, “9 em 10 americanos dizem estar sentindo o aperto da inflação” e “Preços recordes da gasolina derrubam empresas e economia dos EUA”.

Outro destaque, as audiências televisionadas da comissão do 6 de Janeiro, sobre a invasão do Capitólio no ano passado, começaram com ruído. A primeira, na noite de quinta, tinha “foco nos grupos de extrema-direita”, segundo o WPost.

SUPREMA CORTE – Mas a notícia desde o dia anterior era a violência do outro lado, com a tentativa de assassinato de um juiz conservador da Suprema Corte, em defesa do direito ao aborto. NYT e outros foram contestados em mídia social por “sepultar” a informação.

A crítica à falta de cobertura da violência de grupos pró-direito ao aborto, em veículos liberais como NBC, vem crescendo noutras frentes.

O site Mediaite cobrou a ausência de notícias, por exemplo, sobre o ataque com coquetel molotov a uma clínica cristã para grávidas em Buffalo, no Estado de Nova York, creditado ao grupo Jane’s Revenge.

Nota do blog Tribuna da Internet – O mais incrível foi a reação de Bolsonaro, ao descobrir que democratas não mordem: “A reunião entre os líderes “foi excepcional, estou muito feliz. Posso dizer que estou maravilhado com ele. Não estou errando em falar dessa maneira. Ficamos quase meia hora conversando reservadamente”, disse o presidente à “CNN”, confirmando que conversaram sobre a Amazônia e têm o mesmo ponto de vista. (C.N.)

Folha de São Paulo / Tribuna da Internet

Brasil é solução para os EUA – e o pior momento foi na era Geisel


Ernesto Geisel


Um dos integrantes menos problemáticos da extensa agenda americana, nosso país deveria ser muito mais bem tratado.

Por Vilma Gryzinski

Bate que eu gosto. Este poderia ser um dos motes da política externa americana: quando seus interlocutores criam problemas, a reação dos americanos costuma ser contemporizar e até acenar com benefícios apaziguadores.

Imaginem ter que lidar com aliados como Paquistão, Arábia Saudita ou mesmo o México, o portal para a imigração clandestina em massa, cujo presidente, Antonio Manuel López Obrador, fez o desaforo de não ir à Cúpula das Américas.

Em vez de problemas, o Brasil cria soluções para os Estados Unidos. Uma aliança incontestada, uma garantia de estabilidade em toda a gigantesca América do Sul, um parceiro geoestratégico a ser acarinhado, mesmo quando questões comerciais corriqueiras criam alguma tensão – coisa mínima.

Se os presidentes não se bicam, como Jair Bolsonaro e Joe Biden, o papel dos Estados Unidos, como hiperpotência global, é se comportar como o adulto na sala e fazer de conta que tudo vai bem. Os interesses americanos vão muito além de eventuais faltas de afinidade pessoal. Foi isso que Biden fez, depois de se comportar como criança emburrada.

Aliás, não foi Bolsonaro quem disse o seguinte: “Não é possível que eu veja na televisão o presidente Biden, que nunca fez um discurso para dar um dólar para quem está morrendo de fome na África, nunca vi um discurso dele para dar um dólar, anunciar 40 bilhões de dólares para ajudar a Ucrânia a comprar armas”.

São vários os níveis de contrafação – sem contar que ajuda americana à África em 2020 foi de 8,5 bilhões de dólares. As armas para a Ucrânia são para preservar a independência de um país vitimado por uma guerra absurda – e criar a maior quantidade possível de problemas para um agressor que não deveria ser beneficiado pela lei do mais forte, um fator que simplesmente detona as já nada garantidas bases da convivência internacional,

Uma vitória russa na Ucrânia desestabilizaria toda a Europa do Leste – e o resto da Europa e o mundo, em geral. É do máximo interesse americano, mas não só deles, impedir que isso aconteça. Quarenta bilhões de dólares é um preço baixíssimo para garantir a estabilidade mundial – enquanto muitos países africanos continuam a viver da ajuda americana.

Se o autor das batatadas, que todo mundo sabe quem é, for eleito presidente, qual será a reação de Biden? O primeirão na fila dos telefonemas de congratulações e portas abertas na Casa Branca. Estará certo: comportar-se olimpicamente é prerrogativa de quem tem tanto poder.

Mas mandar recados privados sobre a lisura das eleições via diretor da CIA, vazando-os posteriormente, é uma atitude diplomaticamente complicada.

Em outros tempos, a reação seria muito diferente. Durante a era dominada pela frieza estratégica do general Ernesto Geisel, as relações com os Estados Unidos aproximaram-se do congelamento. Assim o ex-presidente José Sarney, com seu profundo conhecimento das coisas como eram por dentro, relatou o ápice da crise, em 1977:

“Na construção de seu projeto, trombou com os Estados Unidos, pelo qual nunca teve grandes admirações nem afinidades, e quando o Brasil foi atingido nas críticas da Doutrina Carter, dos Direitos Humanos, aproveitou a oportunidade e, indignado, numa noite, sem consultar ninguém, rompeu o acordo militar Brasil-Estados Unidos. No fundo, ele nunca aceitou as missões militares americanas dentro de nossos quartéis, dando instruções e ordens”.

O próprio ex-presidente relembra que a abertura em câmara lenta para a democracia – na qual Geisel não tinha uma “crença exacerbada” – ocorreu quando “a linha dura dominava majoritariamente os escalões mais importantes de comando das Forças Armadas”, tendo sido sistematicamente neutralizada por Geisel.

“Ernesto Geisel os enfrentou, friamente, como estrategista, sem nenhuma preocupação política”.

A mesma atitude foi usada no relacionamento com os Estados Unidos. Em entrevistas dadas ao jornalista Gilberto Dimenstein, em 1995, Geisel resumiu sua reação às pressões do governo Carter para acabar com os abusos abomináveis – que o próprio general combatia, a seu modo: “Não podia sujeitar o Brasil à interferência externa”.

Geisel também negou que o fim brutal do acordo militar estivesse relacionado às pressões americanas contra o acordo com a Alemanha que daria ao Brasil o domínio do ciclo atômico.

“O Senado americano queria ser o juiz dos problemas dos direitos humanos no Brasil. Eu não podia aceitar isso”.

E a bomba?

“É uma idiotice. Em quem íamos jogar uma bomba atômica? Íamos jogar contra os Estados Unidos?”.

Na era Geisel, o governo brasileiro se aproximou da União Soviética e dos países árabes e votou na ONU contra o sionismo (ou seja, contra Israel e os Estados Unidos). Seu sucessor, João Figueiredo, fez um acordo nuclear com o Iraque, com cláusulas secretas.

Isso sim era problema para os Estados Unidos. Antipatias pessoais e até verborragia movida à doença infantil do antiamericanismo são episódicos.

Miraculosamente, o presidente brasileiro não fez nada para detonar a si mesmo na cúpula de Los Angeles nem prejudicar o encontro diplomática. Declarar-se “maravilhado”, apesar de um certo exagero, ficou muito além das expectativas.

E Biden não seguiu o mau exemplo de seu enviado especial para o clima, John Kerry, que insinuou algum tipo de responsabilidade do governo pelo desaparecimento de Bruno Araújo e Dom Phillips.

Até agora, está todo mundo no lucro.

Revista Veja

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