sábado, junho 11, 2022

Instituto indicado por Bolsonaro quer mudar regras do TSE antes de auditar eleições

Publicado em 11 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro volta à carga contra as urnas eletrônicas e vai dar uma trabalheira a Fachin - Flávio Chaves

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Marianna Holanda e Mateus Vargas
Folha

Em meio às divergências entre o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e o presidente do TSE, Edson Fachin, o Instituto Voto Legal quer mudar regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) antes mesmo de realizar a auditoria e a fiscalização das eleições de 2022. A empresa foi indicada pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, para acompanhar a disputa e é peça-chave do mandatário em sua estratégia de ataques ao sistema.

Na linha golpista que tem adotado, Bolsonaro já disse, em tom de ameaça, que os resultados da análise da empresa podem complicar o TSE, se ficar constatado que é “impossível auditar o processo”. E logo de cara, o plano de trabalho entregue ao tribunal para credenciamento do instituto sugere alterar três artigos da resolução da corte sobre procedimentos de auditoria.

TRÊS MUDANÇAS – Um dos pedidos do Voto Legal é a permissão para usar computadores portáteis conectados à internet. Na regra atual, o trabalho deve ser feito “em ambiente controlado, sem acesso à internet”. No documento de 16 páginas, o instituto também sugere que o TSE libere o uso de produtos de “monitoramento da integridade dos arquivos e programas que compõem o sistema eleitoral”.

Esses programas, segundo o plano, teriam poder de gravar dados sobre o “comportamento dos arquivos e programas”. O TSE, hoje, veda registro de “dado ou função pelos programas de verificação” apresentados pelas entidades fiscalizadoras.

O instituto ainda quer mudar regra que exige entrega do código-fonte do programa que for utilizado no processo de verificação dos sistemas eleitorais.

DIA D, HORA H – A discussão sobre a auditoria ocorre no momento em que Bolsonaro amplia os questionamentos ao processo eleitoral. Na terça-feira (7), o presidente voltou a atacar ministros do TSE e repetiu, sem provas, que houve fraude nas eleições de 2018.

O PL ainda aguarda o TSE credenciar o Voto Legal. A documentação foi protocolada nesta semana. O tribunal exige “notória atuação em fiscalização e transparência da gestão pública” para autorizar uma entidade privada sem fins lucrativos, como o Voto Legal, a auditar as eleições.

O presidente do TSE, ministro Edson Fachin, dará a palavra final sobre o credenciamento, a partir de pareceres de áreas técnicas da corte. O instituto escolhido por Bolsonaro foi aberto em 2021, ou seja, não prestou qualquer serviço em eleições anteriores.

GRANDE EXPERIÊNCIA – No plano de trabalho, o grupo escolhido pelo PL afirma que a equipe de fiscalização “acumulou grande experiência profissional, em especial, no sistema eletrônico de votação brasileiro”.

Ainda cita que o engenheiro Carlos Rocha, presidente do instituto, “liderou as equipes que desenvolveram e fabricaram as urnas eletrônicas, para as eleições de 1996”.

Segundo relatos, o Voto Legal foi apresentado como única opção pelo entorno do presidente ao partido. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, resistia à proposta de Bolsonaro de auditar o pleito, mas aceitou levar adiante a empreitada para agradar o mandatário.

CUSTO BAIXO? – O processo deve custar em torno de R$ 1,35 milhão aos cofres da legenda — valor considerado baixo por aliados do presidente.

Se a empresa conseguir se credenciar junto ao TSE, o pagamento será feito com recursos da legenda fora do fundo partidário, para evitar questionamentos da oposição.

Rocha disse à Folha que as propostas de mudanças, ainda que desejadas, não são vitais para a auditoria. Ele nega que a intenção seja tumultuar o pleito. “Agora, quem decide que vai fazer melhoria ou não é o TSE. Qual será a decisão do partido se uma sugestão técnica for aceita ou não? Não tenho a menor ideia, vai ser uma decisão do partido”, disse.

PLANO DE TRABALHO – Para o presidente do instituto, a resolução do TSE parece voltada a trabalhos de verificação do código-fonte das urnas, o que estaria fora do escopo de atuação do plano de auditoria.

“Para fazer a fiscalização é necessário fazer o registro dos eventos, avaliar como os equipamentos se comportam e identificar possíveis falhas de sistema ou tentativas de invasão”, disse ele sobre o pedido de gravação dos dados durante a auditoria.

De forma geral, a ideia do instituto é realizar serviços de “análise e diagnóstico do sistema eletrônico e votação” e recomendações para “evolução do ambiente atual”, segundo o plano de trabalho.

IDENTIFICADOR – A bandeira de Rocha é a adoção de um documento eletrônico para cada voto, certificado pelo ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira), como ele explicou em artigo publicado na Folha em 2021.

Além disso, ele defende usar um programa certificado pelo Inmetro nas urnas. O engenheiro negou que irá declarar que o processo eleitoral é “inauditável” se o tribunal não alterar a resolução, como insinuou Bolsonaro.

“Em vez de ir lá e gerar confronto, a gente disse: ‘Olha, existem esses desafios’. A gente gostaria de alinhar com o TSE, ser visto como alguém que está fazendo um trabalho construtivo”, disse ele. Rocha também afirmou não temer que o relatório do instituto seja utilizado para alimentar questionamentos de Bolsonaro.

FALTA CERTIFICAR – “Se no passado o TSE tivesse escutado algumas das ponderações que nosso grupo de engenheiros do ITA, entre outros, levaram, teríamos um sistema certificado. Essa discussão de fiscalização do código, hardware, teria sido superada”, declarou.

Reportagem da Folha mostrou que o PL, partido de Bolsonaro, só esteve presente em uma visita ao TSE desde o ano passado. Na ocasião, em dezembro, não houve nenhuma análise do código-fonte das urnas, mas apenas apresentações e esclarecimento de dúvidas.

O código-fonte da urna eletrônica está disponível para inspeção desde 4 de outubro na sede do TSE.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Essa briga será de extermínio. Bolsonaro arranjou duas balas de prata – a CySource, empresa de Segurança Cibernética fundada por especialistas do Mossad, e a Voto Legal, empresa brasileira criada em 2021 sob medida para atender as necessidades de Bolsonaro, digamos assim. Se derem a ele um argumento mínimo que mostre a impossibilidade de auditagem, Bolsonaro vai fazer um carnaval fora de época, comandando um trio elétrico seguido por milhões de eleitores. E o presidente do TSE, Edson Fachin, ao menosprezar a colaboração das Forças Armadas para fiscalizar as eleições, está ajudando Bolsonaro a inviabilizar as eleições; Apenas isso(C.N.)

Inflação não recua e o índice de maio se adiciona ao acumulado que a antecedeu


Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagens de Alce Cravo, Daniel Gullino, Fernanda Trisotto, Carolina Nalin e João Sorima Neto, O Globo desta sexta-feira, e de César Feitosa e Natalia Garcia, Folha de S. Paulo, destacam os apelos intensos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes para que os supermercados do país segurem os preços o máximo possível como forma de ajudar no combate à inflação

Guedes e Bolsonaro referiam-se ao IPCA de 11,7% assinalado pelo IBGE para o período de maio de 2021 a maio de 2022. A meu ver, os técnicos do IBGE tiveram que desenvolver um longo trabalho para concluírem que o índice inflacionário de maio foi de apenas 0,47%. Tal esforço deu margem a que aparentemente o processo da inflação tivesse recuado de 12% de abril de 2021 a abril de 2022 para 11,7% de maio de 2021 a maio de 2022. Uma ideia falsa.

ACUMULADO – O fato concreto é que o índice de maio de 0,47%, como qualquer índice inflacionário mensal, se adiciona ao montante que antecedeu tal índice. Então, temos como exemplo: alguém deve R$ 100 mil a um banco, com juros de 2% ao mês. Não pagando em 30 dias ele passa a dever R$ 102 mil reais. Os juros se acrescentam ao total acumulado da dívida. A inflação segue o mesmo processo.

Desta forma o 0,47% registrado em maio se acrescenta e não substitui os juros acumulados de 12% de 2021 a 2022. O montante continua a ser acumulado por parcelas mensais sucessivas.

APELO –  Esta é a razão (a de que a inflação se acumula) que levou o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, agora disposto a atuar na campanha eleitoral, a dirigir um apelo aos supermercados para que controlem os preços tomando por base a inflação do IBGE. A diferença é de 0,27%, mas poderia ter um aspecto psicológico se resultasse num ato concreto.

Sabemos que não adiantará nada. Os supermercados continuam mantendo os preços altos e como estratégica reduzem os preços de alguns poucos produtos. O IBGE constitui sua pesquisa sobre o custo de vida com base nos preços mínimos. Mas os contribuintes de forma geral, só o poderiam fazê-lo percorrendo vários mercados diariamente.

BIDEN E BOLSONARO –  Manchete principal da edição de ontem da Folha de S. Paulo, reportagem de Rafael Balago, focaliza o aspecto fundamental do encontro na noite de quinta-feira entre os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden. No encontro foram tratados vários temas, destacando-se o Meio Ambiente, em relação ao qual Bolsonaro apresentou o Brasil numa posição excepcional.

Bolsonaro afirmou também que quando sair do governo será de forma democrática. Acentua a matéria, que o encontro foi o primeiro dos dois chefes de Estado pouco depois do início da Cúpula das Américas que está sendo realizada em Los Angeles. Bolsonaro disse que mantinha um relacionamento cordial com Donald Trump, mas que agora o presidente dos Estados Unidos é Biden, e o assunto está encerrado.

“Cheguei ao poder pela democracia e tenho certeza de que quando deixar o governo também será de forma democrática”, afirmou. Essa afirmação diante do quadro político brasileiro foi de extrema importância, pois se reveste no fundo da questão de um compromisso assumido internacionalmente.

MDB E PSDB –  O acordo que está sendo tentado entre o MDB e o PSDB em torno da candidatura de Simone Tebet não resultará em coisa alguma, na minha opinião. Existe o problema dos governadores, das alianças estaduais não previstas pelas duas direções partidárias.

O deputado Alexandre Farah, meu amigo, disse estar informado que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fará um pronunciamento dentro em breve sobre o posicionamento dos tucanos na sucessão de outubro.

ATAQUES –  Quem assistiu ao programa Em pauta da GloboNews e o Jornal Nacional da TV Globo na noite de quinta-feira, ficou surpreso com o ataque do ministro Paulo Guedes aos governadores.

Disse que eles são beneficiados pela política econômica federal e conseguiram manter em caixa R$ 160 milhões, e que, portanto, podem destinar um terço da importância para o equilíbrio das contas da administração Jair Bolsonaro.

sexta-feira, junho 10, 2022

Bolsonaristas barrados no STF | Força Nacional no Amazonas | Morre Julee Cruise

 

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Damares Alves delira, já se sente eleita e avisa que será a primeira mulher a presidir o Senado


이미지

Charge do Rico (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Notícias interessantes, palpitantes e até hilariantes, no Correio Braziliense desta quinta-feira, dia 9.  Pela ordem, ao gosto do leitor. A marrenta e atrevida ex-ministra Damares Alves falou grosso. Botou as manguinhas de fora.  Garante que é melhor candidata ao Senado do que a ex-ministra e deputada Flávia Arruda. Esquece que a decisão será das urnas. Salienta que é amiga da Flávia. Amiga com essas características acredito que Flávia esteja cheia.

Damares prossegue desfiando fanfarrices. Vestida de soberba, diz que será a primeira mulher presidente do Senado. Cruz credo! O busto de Ruy Barbosa, no plenário do Senado, tremeu, quase caiu. Na ânsia de mostrar serviço ao patrão dela, também criticou duramente o Supremo Tribunal Federal(STF).

MAIS BOBAGENS – Outra notícia tipo piada, sobre uma decisão política que pretende abalar os alicerces da disputa para a Presidência da República e tirar o sono dos melhores colocados nas pesquisas, Lula e Bolsonaro, anuncia que Tasso Jereissati, senador do PSDB, será candidato a vice, na chapa de Simone Tebet. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo.

Os tucanos e o MDB continuam divididos e Simone Tebet passeia entre 1 e 3 por cento nas pesquisas. PSDB desesperado, pegando Uber para o abismo. A chapa, como diziam antigamente, não frita nem bolinho.

E o senador Fernando Bezerra, do MDB, que levou rasteira na disputa para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), na disputa com Katia Abreu e Antônio Anastasia, é o relator do projeto que fixa teto para o ICMS. Informa que a gasolina ficará R$ 1,65 mais barata. As idas e vindas do tumultuado jogo político são conhecidas dos brasileiros. É preciso sempre desconfiar. Em todo caso, se verdade, os bolsos dos cidadãos agradecem.

INFERNO ASTRAL – Por fim, prossegue o inferno astral do ex-juiz Sérgio Moro. Massacrado de todos os lados, agora, tomado pelo desespero de quem um belo dia sonhava com a chefia da nação, agora só pode ser candidato pelo Paraná, o Estado onde ganhou visibilidade política com a lava jato, colocando Lula na cadeia por 580 dias.

Moro que abaixe o facho e se prepare para sair candidato a deputado federal. Se disputar o Senado contra o experiente Alvaro Dias (Podemos), que pleiteia a reeleição, será uma tremenda falta de caráter, pois tem sido muito ajudado por ele.

A propósito, o senador Fernando Collor desistiu de disputar a reeleição. Sem traumas, sem conflitos com ninguém. Recuos, na vida e na política, mostram grandeza de atitudes. Será candidato ao governo de Alagoas. Tem trabalhado incansavelmente, com sucesso, alegria e fé, apoiado por Bolsonaro e ministros de Estado, levando benefícios para os municípios alagoanos. Ficará torcendo para Renan Filho vir a ser excelente senador por Alagoas. Sabe que a desunião política atrapalha o desenvolvimento. Quem perde, como sempre, é o povo.

MARIA E HERALDO – Vamos sentir falta da alegria, do carisma e da competência de Maria Beltrão, no comando do “Estúdio 1”, na Globonews. Também é de fácil constatação, com ele presente na tela, que o jornalista Heraldo Pereira, de Brasília, é o profissional mais qualificado para substituir as ausências de Wiliam Bonner, no Jornal Nacional.

Por fim, deploro, a exemplo da colunista Circe Cunha (Correio Braziliense, dia 8) a inacreditável e irresponsável atitude de uma madame, que tirou a máscara dentro da padaria, no Lago Norte, para espirrar. Sem noção. Não é mais mal educada e desrespeitosa por falta de espaço. Nesse sentido, os postos de saúde e farmácias voltaram a ficar cheios, em busca de testes da Covid. A pandemia, que parecia morna, voltou com tudo. Novamente o pânico toma conta das pessoas.

A precaução e o bom senso recomendam que as doses de reforço das vacinas e o retorno do uso da máscara são fundamentais para conter a escalada do vírus.

Promotora se revolta com Poluição Sonora em Paulo Afonso e manda recado:...

.

Onde a coisa funciona é assim.
 Enquanto isso na  " Colônia Jeremoabo", quem não aguentar tape os ouvidos.
Quando será que a civilização chegará em Jeremoabo e a lei será cumprida?

É uma vergonha a perturbação do sossego em Jeremoabo!!!

Ser ou não ser? Eis a questão da formação intelectual inadequada de nossos juízes

Publicado em 10 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Duke (O Tempo)

Paulo Polzonoff Jr.
Gazeta do Povo

Alexandre de Moraes nunca leu “Hamlet”. Sergio Moro, dá para ver, tampouco é chegado à imaginação. Fachin é a alma burocrática por excelência. E no fim de semana eu estava todo animado para escrever uma versão de “Hamlet” baseada nas recentes e infindáveis estripulias do ministro Alexandre de Moraes. Nessa versão, meu irmão-em-calva faria o papel-título. Bolsonaro seria o rei Cláudio. Ofélia, a imprensa. O fantasma seria o Estado de Direito e Gertrudes, a democracia.

Uma coisa leva a outra e, quando percebi, estava segurando um crânio na mão, olhando para a plateia com minha melhor expressão reflexiva e perguntando: como é possível que o Supremo Tribunal Federal tenha magistrados com uma formação moral e intelectual tão deficiente?

CARNIFICINA JURÍDICA – Sim, porque duvido que Alexandre de Moraes tenha lido e absorvido a obra-prima shakespeariana. Se tivesse lido e entendido, não estaria promovendo toda essa carnificina jurídica para, instigado pelo fantasma do Estado de Direito, salvar a honra da democracia, agora desposada por um Bolsonaro malvadão.

Como fui de Alexandre de Moraes a Sergio Moro, não sei. Ah, lembrei! É que recebi uma mensagem de um amigo falando da decepção dele com o ex-juiz. Dizia o bom amigo, e tendo a concordar com ele, que estamos em busca de heróis ou vilões absolutos e que por isso é muito difícil aceitar o fato de que o péssimo político, o ministro perdido e o excelente juiz possam conviver numa só pessoa.

É a tal coisa: Shakespeare “criou” o humano, em todo o esplendor da ambiguidade, enquanto a Marvel veio e reduziu o humano à condição de herói ou vilão. Que lástima!

FRUTO DO SISTEMA – De qualquer forma, a gente olha para Moro, ouve Moro, analisa os discursos e as decisões de Moro e constata que ao ex-juiz que pôs Lula numa prisão (de luxo, mas prisão) faltam referências outras que não as notas de rodapé dos códigos jurídicos.

Nem tanto por culpa dele, embora um pouco de esforço não faça mal a ninguém. Moro é produto de um sistema educacional nivelado por baixo e que permite que analfabetos do imaginário ocupem postos importantíssimos, como o de juiz.

Até onde vejo, faltam às autoridades que controlam o país um entendimento maior de como todos aqueles conceitos expressos em livros jurídicos cheios de mesóclises e latinórios se relacionam com a vida real.

ESCRAVO DA OBSESSÃO – Falta ler o já citado “Hamlet” para entender como os Alexandres de Moraes da vida se tornam escravos de uma obsessão.

Falta esmiuçar “Bartleby” para entender a importância de, aqui e ali, se negar a agir – simplesmente porque algo dentro de nós sabe que isso é o certo. Falta mergulhar na “Tabacaria” para compreender os sonhos e os anseios das pessoas comuns.

Veja, por exemplo, essa alma de bigodinho e mentalidade ultraburocrática que atende pelo nome de Edson Fachin. Ops, desculpe. Doutor Fachin. O homem que, depois de três anos, simplesmente mudou de ideia para pôr Lula na rua novamente.

QUESTIONAMENTO – Tivesse lido uns poemas, umas peças, uns contos, uns romances (sem falar nas minhas crônicas), talvez Fachin se dispusesse a se perguntar “por que estou fazendo isso?”. E a responder objetivamente, sem mesóclises, latinórios e códigos, a essa pergunta com a qual poucos têm a humildade de se confrontar.

Tivessem a ambição da excelência, quem sabe Alexandre de Moraes, Sergio Moro, Fachin e milhares de outros juízes deixassem de ver as partes e os casos como abstrações teóricas e os enxergassem como seres humanos e recortes complexos da vida. E se percebessem pequenos demais para tentar resolver na marra, na frieza estúpida da lei e no voluntarismo político todos os conflitos humanos.

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