segunda-feira, abril 11, 2022

Bolsonaro diz que STF é “grande problema”, porque evita mexer na legislação ambiental

Publicado em 11 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro prevê recomendar afrouxamento de restrições - Notícias - R7 Brasil

Em entrevista, Bolsonaro minimiza problema das queimadas

Mateus Vargas
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta segunda-feira (11) que alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são “o grande problema” para alterar a legislação federal. Ele citou o julgamento da chamada pauta ambiental no tribunal. “Queriam amarrar o governo federal, nos proibir completamente de investir e buscar melhorias para a região [da Amazônia]”, disse o presidente em entrevista ao Grupo Liberal, do Pará.

Indicado por Bolsonaro, o ministro André Mendonça travou duas destas ações na semana passada que questionavam omissões do governo federal no combate ao desmatamento da Amazônia.

PL DA GRILAGEM – O presidente também defendeu a aprovação de um projeto de lei que muda regras sobre a regularização fundiária, chamado por ambientalistas de PL da grilagem. Ele voltou a afirmar que há exagero nos números sobre queimadas e desmatamento da Amazônia e disse o texto iria desidratar estes alertas.

“Até mesmo fogueira de São João pode ser foco de calor”, declarou. “Vamos botar ponto final nesse número exagerado de focos de incêndio que existe na Amazônia”, afirmou ainda o presidente.

Na mesma entrevista, Bolsonaro fez novas críticas aos ministros de tribunais superiores. Sem citar nomes, ele disse que três membros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem “interesse direto” na aprovação do PL das Fake News.

CENSURA NAS REDES – “Querem, sim, censurar as mídias sociais”, afirmou o presidente. A Câmara rejeitou no último dia 6 um pedido de urgência que poderia acelerar a votação do texto que regulamenta a atuação de big techs no Brasil.

Bolsonaro também cobrou uma reação do ministro Alexandre de Moraes às falas em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estimulou a militância sindical a procurar deputados e seus familiares na casa deles para pressionar a favor de propostas que interessam ao setor.

“Alexandre de Moraes, isso é um ato antidemocrático. Vai ficar quieto? Vai ficar quieto?”, perguntou Bolsonaro. O presidente também voltou a defender alvos de decisões de Moraes.

BLOGUEIRO EXILADO – Disse também o influenciador bolsonarista Allan dos Santos “não pode viver como um exilado”. Ele é considerado foragido pela polícia e está nos Estados Unidos.

O blogueiro, conhecido pelo site Terça Livre, teve a prisão determinada pelo ministro Moraes em outubro do ano passado. Ele é alvo de inquéritos que tramitam na corte sobre disseminação de fake news e ataques às instituições.

“Está faltando para algumas poucas autoridades do Brasil entender que podem muito, mas não podem tudo. Acredito que mais cedo ou mais tarde chegaremos a um bom termo nessa questão. Pessoas que estão extrapolando serão colocadas no seu devido lugar”, disse Bolsonaro.

GENERAL COMO VICE – O presidente ainda voltou a indicar que irá escolher o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, como candidato a vice-presidente. Ele disse que há 90% de chances de a chapa se formar.

“Dá credibilidade para a chapa”, justificou o presidente.

Por sua vez, em entrevista à Folha, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PL), disse que a aliança entre políticos do centrão e militares “está dando certo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Daqui até a eleição, será muito duro aguentar Bolsonaro se fazendo de vítima. Aliás, com auxiliares como Ciro Nogueira, o presidente nem precisa de inimigos. É um tiro no pé atrás do outro. (C.N.)

Prefeitura de Belo Jardim entrega cinco mil cestas básicas, para pessoas cadastradas, a partir de segunda-feira

 

A Prefeitura de Belo Jardim, por meio da Secretaria de Assistência Social, inicia, na próxima segunda-feira (05), a entrega das cestas básicas para as famílias cadastradas de acordo com a Lei Municipal de Benefício Eventual, nº 3.174/2017.

Para evitar aglomeração, a secretaria organizou a distribuição em três dias (05, 06 e 07 de abril). As famílias foram previamente cadastradas e receberam uma senha correspondente ao dia e local que devem retirar a cesta básica. As entregas acontecerão na quadra do Colégio Diocesano (senhas cinzas), no CRAS Santo Antônio (senhas verdes), no CRAS Cohab 1 (senhas laranjas) e zona rural (senhas azuis).

Serão entregues duas mil cestas básicas compostas por feijão, arroz, sardinha, cuscuz, farinha, açúcar, café, óleo e bolacha salgada.

“É óbvio que num contexto de pandemia, não tem apenas atingido a economia do nosso país, mas também sacrificado o nosso povo em relação às necessidades mais elementares. Essas cestas básicas estão chegando numa boa hora porque irão melhorar a alimentação de tantas famílias que estão sendo privadas deste pão de cada dia, tanto na cidade como nas comunidades rurais”, explicou o secretário de Assistência Social, Geraldo de Magela.

https://falape.com/prefeitura-de-belo-jardim-entrega-cestas-basicas-para-pessoas-cadastradas-a-partir-de-segunda-feira/

Nota da redação deste Blog -  Gestor municipal de Jeremoabo sempre pensando pequeno.

Enqunato os vereadores da situação nas consecutivas sessões da Câmara, parabeniza o prefeito e secretários pelo fornecimento de dois peixes para  uma pequena parte da população carente, distribuição essa com direito a autopromoção de vereadores da situação, secretários, prefeito e vice-prefeito; no Município de Belo Jardim o prefeito   planejou a distribuição das cestas básicas de maneira a não provocar aglomeração, inversão de valores entre um prefeito que zela pelo seu o povo, para outro prefeito que junto a vereadores se aproveitam da carência dos outros para automomoção.

https://brasilsoberanoelivre.blogspot.com/?view=snapshot

https://brasilsoberanoelivre.blogspot.com/?view=flipcard 

Como a Federação protege o País - Editorial

 




Sem a atuação de governadores e prefeitos, os efeitos da pandemia seriam muito mais drásticos. A Federação impediu que o País ficasse à mercê de Bolsonaro

Desde o primeiro semestre de 2020, o presidente Jair Bolsonaro responsabiliza governadores e prefeitos pelas consequências sociais e econômicas da pandemia. No dia 2 de abril, ao ser questionado em Brasília por uma pessoa desempregada, o presidente voltou a usar a tática. “Quem tirou teu emprego não fui eu. Eu não fechei nada, nenhum botequim. Quem fechou foi o governador”, disse.

A desculpa bolsonarista revela, em primeiro lugar, um profundo desconhecimento sobre o que é a Federação. A existência dos três níveis federativos – União, Estados e municípios – não autoriza o governo federal a não fazer nada. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), assegurando, no início da pandemia, o poder de governadores e prefeitos para editar medidas de proteção sanitária, reconheceu a competência comum das três esferas federativas a respeito da saúde pública, tal como prevista no art. 23 da Constituição.

Em nenhum momento, o Supremo disse que o governo federal podia ficar alheio à pandemia. A decisão do STF apenas preservou as atribuições constitucionais de cada esfera federativa, lembrando que o poder estatal não está concentrado no governo federal e que, portanto, o Palácio do Planalto não podia impor seu negacionismo às administrações estaduais e municipais.

Ao contrário do que o presidente e seus fanáticos seguidores querem fazer parecer, foi a atuação dos outros entes federativos – dos Estados e municípios –, com pleno respaldo na Constituição, que permitiu que o País enfrentasse as dramáticas circunstâncias sanitárias, sociais e econômicas dos últimos dois anos. Nunca é demais lembrar que, se dependesse de Jair Bolsonaro, que sempre minimizou a gravidade da covid – era apenas uma “gripezinha”, usada pela oposição para desestabilizar seu governo –, não haveria vacina nem orientação para uso de máscaras. Ou seja, caso a única esfera de poder público fosse aquela regida por Bolsonaro, o número de mortes teria sido muito maior e não existiria agora a menor possibilidade de retomada da economia ou de qualquer outra atividade.

Esse quadro mostra que a realidade federativa não é, como às vezes equivocadamente se pensa, um elemento complicador da atuação estatal. Ao distribuir o poder em três níveis, a Federação tem um profundo caráter democrático, aproximando o cidadão dos órgãos decisórios. Também possibilita maior eficiência do poder público. Com a existência de Estados e municípios, a atuação estatal pode respeitar as especificidades de cada realidade local e atender às suas concretas necessidades.

Na desculpa de Bolsonaro, observa-se ainda uma confusão sobre o funcionamento da sociedade e da própria economia. Não há atividade econômica possível se uma doença mortal, transmissível por vírus, contamina massivamente a população e, enquanto isso, o poder público simplesmente cruza os braços.

Não é por acaso que a maior oposição a Jair Bolsonaro durante a pandemia não veio do PT ou de algum político de esquerda, e sim do governo do Estado de São Paulo. Com um trabalho constante para reduzir os danos da covid – de forma muito especial, os esforços para disponibilizar, o mais rápido possível, a vacina para a população –, a administração estadual paulista mostrou, com fatos, a possibilidade de o poder público enfrentar, de forma responsável e efetiva, a pandemia. São Paulo mostrou que havia outros caminhos além das omissões e confusões do governo federal.

Tem-se, assim, o exato oposto do que diz Bolsonaro. Não fosse a Federação, fornecendo os meios para que a população não ficasse inteiramente à mercê do Palácio do Planalto durante a pandemia, a situação seria hoje muito mais grave.

Com seu desgoverno e seu negacionismo, Jair Bolsonaro evidencia, por contraste, a importância da descentralização do poder. A União não manda sozinha. Há outros entes federativos, com suas respectivas competências – e isso é uma proteção para o País. Afinal, a democracia é um regime de poderes limitados.

O Estado de São Paulo

Bolsonaro vem aí, Lula dá foras

 




Mesmo com inflação, presidente mantém votos com agrados e despiora no emprego

Por Vinicius Torres Freire

A correção da tabela do Imposto de Renda pode sair por medida provisória neste mês. Também em abril, começa a liberação do FGTS para uns 40 milhões de trabalhadores. Tem a antecipação do 13º do INSS. Acaba a cobrança de tarifa extra na conta de luz.

São medidas que não ganham eleição —nem perdem. É tudo "a vida como ela é", pequenos gestos, lembretes de que "Bolsonaro vem aí".

Em janeiro, começara a ser pago o vale-gás para cerca de 5,5 milhões de famílias do Auxílio Brasil. Em março começou o perdão de dívidas do Fies (financiamento de faculdade), que pode beneficiar um milhão de jovens ou seus pais. A antecipação do benefício do INSS não é dinheiro extra, mas alivia já a situação de uns 30 milhões de pessoas.

No mês passado, houve o baita aumento dos combustíveis. A inflação chegou ao nível mais alto em quase 20 anos, também o surto mais duradouro de carestia desde 2002-2003. O prestígio de Bolsonaro não caiu mais por causa disso. A inflação pode ter sido contrabalançada também pela despiora do mercado de trabalho.

No que diz respeito a número de pessoas ocupadas, formalização do emprego, desalento e insatisfação com horas trabalhadas, voltou-se ao nível imediatamente anterior ao do início da epidemia, em fevereiro de 2020. O poder de compra do salário médio caiu muito, mas a oportunidade de ter algum trabalho e perspectiva parece em parte compensar perdas.

Nas pesquisas de abril, Bolsonaro ficou na mesma ou cresceu um tico em relação ao início do ano, mesmo no cenário em que Sérgio Moro (União Brasil) permanece na disputa. O problema de Bolsonaro é que, sem Moro na parada, corre o risco de perder no primeiro turno.

Há muita campanha pela frente. Mas o primeiro objetivo de Bolsonaro é garantir o segundo turno. Quaisquer dois ou três pontos nas pesquisas são cruciais. O reajuste do piso dos professores de educação básica foi vendido como ato do governo federal. Não é, mas talvez nem importe: mais gente vai estar um pouco menos infeliz com a vida.

Finda a temporada de agrados, em maio, junho, começa a trituração de Lula da Silva (PT). Não vai vir apenas do bolsonarismo, ainda que STF e TSE tenham prometido cortar asinhas de milícias digitais. Lula vai apanhar mais quanto menos acordos políticos, econômicos e sociais fizer.

Não se trata dessa bobajada de "jantares com a Faria Lima" (bloco que, aliás, inexiste), mas de convencer não apenas os donos do dinheiro grosso (mas também eles) de que terá um governo viável, o que Lula não vai conseguir em conversa mole com duas dúzias de ricos. Precisa ainda agregar quadros e apoios de gente que está até esperando um sinal, inclusive na elite atucanada. De resto, se "Faria Lima" ganhasse eleições, o PSDB não teria perdido cinco delas de enfiada.

Em vez disso, Lula diz tolices política e economicamente daninhas sobre gasto público ou demagogias sobre Petrobras (idênticas às de Bolsonaro, afora na ameaça de fancaria de privatizar a empresa). Com essas bobagens, um eventual governo seu naufraga ainda em 2023.

Lula parou de negociar mais e maiores acordos depois da aliança com Geraldo Alckmin —mantê-lo como vice decorativo não vai adiantar grande coisa. Mais recentemente, tem soltado disparates eleitorais como chamar a militância para dar prensa em deputado, discutir aborto de modo politicamente impensado ou dizer que a classe média é "escravista".

No Brasil, essa acusação pode cair mal nos ouvidos de 40% da população, dos pobres remediados aos ricos que se chamam assim porque não são muito milionários. É justamente nesse eleitorado que Bolsonaro já empata com Lula.

Folha de São Paulo

Ao luto, a covid juntou mais pobreza - Editorial




Estudo mostra que grande parte das vítimas no País era de pessoas em idade de trabalhar, razão pela qual as famílias perderam uma renda anual de R$ 16,5 bilhões

A expressiva queda do número de brasileiros mortos por dia em consequência da covid-19 alimenta uma sensação de alívio e tende a estimular a percepção de que as coisas voltam ao normal. Mas o fato de que diariamente centenas de brasileiros ainda morrem por causa da pandemia mostra um quadro muito longe da normalidade. E o fato de que a covid-19 já provocou a morte de mais de 650 mil pessoas no País não pode nos deixar esquecer da imensidade da dor de familiares e amigos das vítimas.

A essa dor, soma-se a perda material que muitas famílias tiveram e que terá implicações por muitos anos. Boa parte das pessoas mortas pela covid-19 estava em idade de trabalhar e respondia por parcela expressiva da renda familiar. Em um ano, a renda que deixou de ser obtida por causa da morte de um ou mais membros causada pela covid-19 é de R$ 16,5 bilhões, como mostrou reportagem do Estadão (31/3). É dinheiro que faltou para o sustento dessas famílias e para impulsionar a economia. A perda terá consequências duradouras. Quando, para essas famílias, a normalidade estará de volta, mesmo que a pandemia seja contida?

Graças à vacinação e às medidas de proteção adotadas pela grande maioria da população, o número de mortes pela covid-19 teve redução notável. Em abril do ano passado houve registros de mais de 4 mil mortes por dia; agora, a média móvel de vidas perdidas por dia está abaixo de 300. Apesar da redução, o número é muito alto e está longe de representar uma situação normal. A pandemia ainda mata – e muito.

O impacto dessas mortes na renda foi medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) com base em dados do IBGE sobre rendimento médio mensal por sexo e nível de instrução, combinados com o número de pessoas com 20 anos de idade ou mais mortas pela covid-19 entre março de 2020, quando a pandemia chegou ao Brasil, e março deste ano. Segundo o estudo, a massa de rendimentos médios mensais que deixou de ser paga na faixa de 20 a 69 anos de idade alcançou R$ 754,3 milhões. Na faixa acima dos 70 anos, a perda mensal foi de R$ 617 milhões e em um ano, de R$ 7,4 bilhões. A soma das perdas nas duas faixas etárias é de R$ 16,5 bilhões.

O estudo também estima quanto essas vítimas da covid-19 poderiam acrescentar à renda familiar durante o período ativo caso não tivessem sua vida interrompida pela pandemia. Considerando idade média ao morrer, expectativa média de vida e rendimento médio obtido na época da morte, a conclusão é que as pessoas com idade entre 20 e 69 anos mortas pela covid teriam capacidade para acrescentar até R$ 286 bilhões à renda familiar se não tivessem perecido em razão da doença.

A perda de renda que a morte dessas pessoas causou é o efeito direto mais visível da pandemia sobre a situação material de suas famílias. Mas há outro, observado pelo coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, Claudio Considera. Além de sua capacidade de trabalho, essas pessoas transmitiam conhecimentos para as gerações seguintes. “Quantas pessoas deixaram de fazer seus trabalhos e deixaram de transmitir suas experiências?”, pergunta Considera.

Quanto à situação socioeconômica das vítimas da pandemia, há outro aspecto cruel. Em São Paulo, as famílias mais vulneráveis, moradoras de regiões com menos serviços urbanos, e os negros estão entre as principais vítimas da pandemia, de acordo com levantamento do Instituto Pólis, que estuda o impacto das políticas públicas. Há uma sobreposição de vulnerabilidades em determinadas áreas da cidade de São Paulo, diz a coordenadora-geral do Instituto, Danielle Klintowitz. Nessas áreas, juntam-se as piores condições de renda, as piores condições de moradia (maior número de pessoas por domicílio) e a maior concentração de negros.

A persistência de um número ainda alto de mortes por covid é consequência do atraso no início da vacinação e de seu boicote por bom tempo pelo presidente Jair Bolsonaro, que defendia o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes para combater a doença.

O Estado de São Paulo

Projeto da maior mina de urânio do Brasil ganha aval para avançar




O processo de licenciamento do que hoje é o maior empreendimento de exploração de urânio do Brasil, o Projeto Santa Quitéria, no Ceará, voltou a andar. Nesta nova rodada de análises, as audiências públicas já foram liberadas pelo Ibama (Ibama Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Os debates devem ocorrer nos próximos três meses e prometem ser intensos.

O projeto está localizado entre os municípios de Santa Quitéria e Itatira, a 217 km de Fortaleza. Prevê um investimento de R$ 2,3 bilhões e a geração de 11 mil empregos para a exploração de uma abundante reserva de urânio associada ao fosfato, matéria-prima para indústrias de fertilizantes e rações.

Movimentos sociais, indígenas e pesquisadores vêm combatendo o projeto. O grupo produziu estudos e pareceres que apontam riscos de contaminação por radiação, tem realizado lives sobre o tema, promove passeatas e alguns integrantes já percorreram até gabinete de deputados em Brasília pedindo que se posicionem contra o plano.

Esses críticos batem de frente com o governo Jair Bolsonaro (PL), que colocou a mineração de urânio na lista de prioridades. Em 2019, foi lançado um ambicioso plano que prevê construção de seis usinas nucleares até 2050, num investimento de R$ 30 bilhões. O projeto de Angra 3 foi resgatado. Recentemente, Thiago Barral, presidente da EPE (Empresa de Planejamento Energético), defendeu o uso de pequenos reatores para ajudar a transição energética no país.

O ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, é um entusiasta da fonte nuclear e tem se empenhado para viabilizar a agenda. O governo conseguiu reativar, em 2020, a mina de Caetité, na Bahia, que estava parada há cinco anos. A jazida de Santa Quitéria é estratégica nesse plano.

No Brasil, o Estado detém o monopólio de exploração e processamento das substâncias radioativas, que também são consideradas de segurança nacional. Cabe à estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) representar o poder público na operação desses materiais. Ela será responsável pelo processamento do urânio em Santa Quitéria.

Segundo Rogério Mendes Carvalho, diretor de Recursos Minerais da INB, esse projeto vai colocar o Brasil em outro patamar na produção de urânio. Pelas estimativas, vai produzir 2.300 toneladas de concentrado por ano, três vezes mais que a demanda nacional, já incluindo as necessidades adicionais para a operação de Angra 3. Hoje o Brasil precisa importar urânio.

O fosfato, por sua vez, é matéria-prima de fertilizantes e a ampliação de sua produção está no plano nacional para a área, lançado pelo governo em março.

Caberá à empresa privada Fosnor, subsidiária de transporte e manuseio de fertilizantes da Galvani, cuidar dos produtos fosfatados. A projeção é que o projeto vai atender 3,5% do consumo nacional de fertilizantes fosfatados e 23% da demanda das regiões Norte e Nordeste, incluindo a área de Matopiba, nova fronteira do agronegócio, além de oferecer fosfato bicálcico para nutrição animal.

Nada disso, porém, alivia a desconfiança de quem vive na região da jazida. “Dizem que esse projeto vai trazer emprego, desenvolvimento, mas também pode trazer morte e está tirando o nosso sono”, afirma Aroerê Tabajara, que adotou o nome de Elvis, e mora na aldeia Olho da Guinha, na área de influência do projeto.

Nessa região estão 35 aldeias de oito etnias. Além da Tabajara, há representantes de Potyguara, Gavião, Tubiba-Tapuia, Kanindé, Karão Jaguaribara, Anacé e Tapeba. Há ainda 16 quilombos e várias pequenas propriedades rurais. A sede do município fica a 62 km da mina.

Elvis garante que se depender da mobilização local, o projeto volta para gaveta. Essa é a terceira tentativa do governo conseguir a licença. Na primeira, em 2007, o pedido de autorização previa apenas a exploração do fosfato e foi protocolado no órgão ambiental estadual. O Ministério Público suspendeu o processo em 2010 ao entender que a presença do urânio jogava a discussão para a esfera federal.

Na segunda tentativa, em 2010, o governo entrou com o pedido no Ibama e na Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). O processo passou por audiências públicas em 2014 e teve a licença negada em 2019 pelo órgão ambiental. A nova rodada começou em 2020, no meio da pandemia.

Contaminação de ar e água com radiação é a principal preocupação. O processo de mineração libera material particulado que é carregado pelo vento e tende a se acumular no ambiente. A mina do projeto Santa Quitéria é a céu aberto, facilitando a dispersão de material radioativo e minérios pesados.

“Nós estamos no semiárido, e a população rural usa coletores que acumulam a água da chuva para o consumo no período mais seco”, diz Erivan Silva, morador que aderiu ao movimento antinuclear. “O pó vai se acumular nas casas? Pode contaminar a água?”

O conflito em relação à água tem um agravante. O governo do Ceará se comprometeu a construir uma adutora de 64 km ligando o açude Edson Queiroz à área da mina, com capacidade para transportar 1.036 m³/hora, sendo 855 m³/hora para a mineração. O restante vai atender algumas comunidades. Numa região em que as pessoas dependem de carro-pipa para beber água e não conseguem plantar para comer, a contribuição do estado para a mineração repercute muito mal, explica Erivan.

A pesquisadora e médica Raquel Rigotto, especialista em saúde coletiva da UFC (Universidade Federal do Ceará), que acompanha o projeto, reclama da falta de transparência de dados vitais para a comunidade entender os riscos do projeto. Conta que o licenciamento é fragmentado entre o ambiental, que corre no Ibama, e o nuclear, que cabe à Cnen. Moradores da região e os pesquisadores não têm acesso aos dados nucleares na Cnen.

“A maior parte das informações é considerada estratégica e permanece em sigilo, o que nos autoriza a pensar no pior”, diz ela, reforçando que há uma longa lista de tipos diferentes de cânceres que podem ser causados pela exposição à radiação, além de alterações psicológicas, dependendo das concentrações e do tempo de exposição a materiais radioativos.

Uma dúvida dos pesquisadores é qual o nível de radiação no fosfato que será dirigido ao agronegócio. Não há dúvida de que o teor de radiação é superior ao de jazidas não associadas ao urânio, mas não se sabe quanto, nem quais seriam as peculiaridades para o seu uso no dia a dia no campo.

A Galvani afirma que foi desenvolvida uma tecnologia que separa o urânio do ácido fosfórico, assim, os produtos fosfatados serão livres de urânio e impurezas. No entanto, os pesquisadores querem entender o processo no detalhe.

O pesquisador de medicina do trabalho Paulo Pena, da UFBA (Universidade Federal da Bahia), afirma que as dúvidas no Ceará procedem. Paiva participou de um estudo sobre os impactos da mina de Caetité, que alimenta um longo histórico de controvérsias entre a INB e o Ministério Público Federal.

O estudo teve seis linhas de investigação, para averiguar o impacto da radiação sobre os trabalhadores e a comunidade, e incluiu entrevistas, visitas a campo, medições de radiação e análise de dados coletados entre 2012 e 2019. O grupo inclui representante do Criidad (Comissão de Pesquisa e Informação Independente sobre a Radiatividade), entidade que atua no monitoramento da radiação na França, o segundo maior gerador de energia nuclear do mundo, com mais de 50 usinas em operação.

“Em síntese, encontramos evidências de riscos radioativos para os trabalhadores, especialmente os terceirizados, e para toda a população na área de influência da mina”, diz Paiva.

Segundo ele, foram identificados níveis de metais pesados acima do normal em poços artesianos, e alguns foram lacrados. Houve registro da infiltração da área de mineração, com contaminação de lençóis subterrâneos. Não havia vigilância epidemiológica para acompanhar a incidência de câncer.

“A radiação é cumulativa e quando alguém trata um câncer, vai para uma cidade maior, assim, apesar de os registros de câncer na região serem mais altos que no resto do estado, seria preciso um trabalho apenas sobre isso”, diz Paiva.

Em seu relatório, a entidade francesa questionou a falta de dados sobre o monitoramento da radiação gama, da deposição de poeira radioativa, da contaminação dos solos, da contaminação da água da chuva e da cadeia alimentar, bem como o fato de nem os trabalhadores saberem a que níveis de radiação eram expostos.

“No Brasil, a energia nuclear foi desenvolvida pelos militares, o que alimenta até hoje a cultura do sigilo”, diz Raoni Adão Jonusan, doutor em Ciências e Técnicas Nucleares pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), um defensor do uso da energia nuclear em diferentes áreas de conhecimento.

“É preciso mudar isso, porque as pessoas têm direito a conhecer e a monitorar os riscos, e cobrar para que os melhores procedimentos sejam implantados. Sem isso, as pessoas vão continuar trabalhando contra o que não conhecem.”

A assessoria de imprensa da INB destacou à reportagem que já tem feito um trabalho de esclarecimento da população na área da mina de Caetité, divulgando e explicando dados de monitoramento ambiental. Diz também que esforço de comunicação inclui explicar que a radiação é naturalmente mais elevada na região pelo volume de minério concentrado na jazida. O mesmo trabalho será feito no Ceará.

Destacou também que o projeto “irá trabalhar com o urânio em seu estado natural, ou seja, na forma como é encontrado na natureza, que tem como característica a baixa emissão de radiação”. Sendo assim, “em níveis que não oferecem riscos à saúde das pessoas do entorno e daquelas que trabalharão na operação”.

Ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, um entusiasta da energia nuclear, trabalha pelo avanço de projetos ligados ao urânio 22.02.22 – Pedro Ladeira/Folhapress ** A INB disse ainda que o projeto conta com o Programa de Monitoração Radiológica Ambiental Pré-Operacional, que vai monitorar os radionuclídeos no ar, água superficial e subterrânea, solo, vegetação e peixes durante dois anos antes do início da operação para caracterização do local do empreendimento. Este programa já foi submetido à Cnen para aprovação.

Na avaliação do MME, todos os temores sobre o projeto de Santa Quitéria poderão ser sanados no debate público sobre energia nuclear que acompanha o licenciamento.

“O projeto do Complexo Industrial Santa Quitéria – Itataia se encontra em fase de obtenção de licenciamento ambiental, para o que deverão acontecer audiências públicas, a serem convocadas pelo órgão ambiental, as quais contribuirão para a devida instrução técnica do projeto, bem como para a integração com a comunidade local e regional”, disse em nota enviada à Folha.

“Previamente às audiências, ocorrerão diversas reuniões com grupos de interesse no conhecimento específico de temas e dúvidas sobre o projeto (procuradores federal e estadual na região; deputados estaduais e vereadores das cidades da área do projeto, órgãos de classe, e outros já identificados).”

Em nota enviada à Folha, o Ibama destacou que é importante esclarecer que o processo de licenciamento envolve um conjunto de etapas, que estão sendo seguidas pelo órgão.

A reportagem entrou em contato com a Cnen, a prefeitura de Santa Quitéria e com o governo do estado do Ceará, mas não obteve retorno.

POR ALEXA SALOMÃO

FolhaPress / Daynews

Há 215 anos a Ucrânia ficava em Portugal




Dado o abandalhamento a que estão reduzidas as comemorações do 25 de Abril, aproveitemos os 215 anos da primeira invasão francesa para celebrar o Povo. 

Por Helena Matos (foto)

1807. 27 de Novembro. Uma força militar de aproximadamente 1.500 homens dirige-se da Golegã para Lisboa. Lutam contra o tempo que lhes escasseia, contra os péssimos caminhos, contra a falta de abastecimento, contra o tempo inclemente que faz. Estes homens são as tropas de Napoleão. Comandadas por Junot têm como objectivo chegar o mais rapidamente possível a Lisboa para aí capturarem a família real portuguesa. Na barra do Tejo, 8 naus, 3 fragatas, 3 brigues e 3 escunas aguardam por ventos favoráveis. A família real e boa parte da corte, melhor ou pior acomodados nessas embarcações, esperam pelo momento em que o vice-almirante Manuel da Cunha Souto Maior, comandante da esquadra, dê ordem de partida. Mas o momento tarda.

Junot está em Portugal desde 19 de Novembro de 1807. Veio de Salamanca onde recebeu instruções para apressar a marcha sobre Lisboa. O Vale do Tejo é a sua rota até Lisboa. Nos mapas esta era a opção mais curta e mais segura do ponto de vista do invasor pois nessas terras agrestes nem fortes militares existiam.

Mas a realidade era outra: não existiam vias de comunicação nem nada que se lhe assemelhasse; os céus pareciam abrir-se adensando ainda mais a incerteza de quem se deslocava em terra desconhecida; nas localidades que atravessavam não conseguiam obter provisões… Saqueiam, matam, profanam, violam. Mas mal algum soldado francês fica isolado logo se torna o alvo da vingança dos residentes que os atiram das fragas ou matam logo ali.

A 26 de Novembro os homens de Junot entram em Abrantes. Perderam peças de artilharia pelo caminho. Caminham sem ordem.

A 27 de Novembro chegam à Golegã. Na barra do Tejo, a esquadra que vai levar a família real e boa parte da corte para o Brasil sabe que pouco falta para que os franceses cheguem a Lisboa. Aguardam por vento favorável.

Chega o dia 28 de Novembro. Na barra do Tejo o vento sopra de sul. Não se pode partir. Os homens de Junot já estão no Cartaxo. Estão exaustos. Esfomeados. Mas Lisboa é logo ali.

Chega o dia 29. O vento sopra de nordeste. A esquadra larga da barra do Tejo. Uma frota inglesa vai escoltá-la até ao Brasil. Há também navios mercantes.

As tropas de Junot já estão em Sacavém. Aos franceses são enviadas garantias de que não encontrariam resistência na sua marcha sobre Lisboa, cumprindo-se desta forma o determinado pelo príncipe regente Dom João que a 26 de Novembro fizera a seguinte proclamação: “Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do imperador dos franceses e rei da Itália, a quem eu me havia unido no continente, na persuasão de não ser mais inquietado (…) e querendo evitar as funestas consequências que se podem seguir de uma defesa, que seria mais nociva que proveitosa, servindo só de derramar sangue em prejuízo da humanidade, (…) tenho resolvido, em benefício dos mesmos meus vassalos, passar com a rainha minha senhora e mãe, e com toda a real família, para os estados da América, e estabelecer-me na Cidade do Rio de Janeiro até à paz geral.”

A 30 de Novembro de 1807 os franceses entram em Lisboa. Nesse momento nada têm a ver com a imagem grandiosa dos exércitos de Napoleão, são sobretudo um grupo de tropa quase toda apeada, com fardas rotas, alguns estão descalços, outros têm armas desconjuntadas.

Pior, todo o esforço que fizeram foi em parte em vão: lá longe, no Tejo, vêem-se ainda as linhas de alguns dos barcos que tinham largado na véspera. É o chamado ficar a ver navios.

A primeira invasão francesa chegara a Lisboa sem enfrentar outra resistência além dos ataques levados a cabo pelos camponeses do vale do Tejo mas a “paz geral” desejada pelo príncipe Dom João essa não duraria mais que quinze dias: o povo de Lisboa veio para a rua a 13 de Dezembro de 1807, quando o general Junot deu ordens para que a bandeira portuguesa até aí hasteada no Castelo de São Jorge fosse substituída pela bandeira francesa.

Daí em diante, as revoltas sucedem-se. Os saques, as prisões e os fuzilamentos de portugueses também. É o tempo em que Henri-Louis Loison, o Maneta, que viera com Junot gritava “já fuzilée!” E os portugueses viam como ia “tudo pró maneta!” pois Loison é encarregue por Junot de punir essa massa de camponeses, cidadãos anónimos, estudantes, padres, quase invariavelmente reaccionários, e alguns notáveis que se revoltavam contra a presença dos franceses. Régua, Beja e Évora são alvo do que hoje designamos como massacres.

O resto é sabido: em Setembro de 1808, menos de um ano depois de ter entrado em Lisboa, Junot parte “com armas e bagagens”, ou seja com o produto do saque. Para trás deixa um país semi-destruído e ainda mais pobre. Um país em que ele, Junot, encontrara uma resistência popular que não estava à espera e se confrontara directamente no terreno com as consequências da aliança entre os interesses de uma potência estrangeira, a Inglaterra, e essa resistência de um povo que ora esganava franceses ora cantava:

Que generais é que devem
morrer ao som da trombeta?
Os três meninos da ordem:
Jinot, Laborde e Maneta.

Podia continuar a desfiar razões para fundamentar a necessidade de assinalarmos os 215 anos da primeira invasão francesa. A primeira é que tudo parece um eco daquilo que a Ucrânia está a viver: lá estão os massacres, a resistência popular sempre depreciada pelas acusações de reaccionarismo, a necessidade de salvaguardar a face do agressor derrotado…

Mas na verdade não é por isso. Ou não é apenas por isso que resolvi fazer esta viagem no tempo. O que me impeliu decisivamente a tal é a fantochada em que estão transformadas as comemorações do 25 de Abril. O que até agora tivemos foi apenas o regime a celebrar-se a si mesmo. Custa-me assistir a isso. Outras coisas não me custam, repugnam-me, como é o caso da atribuição da Ordem da Liberdade a Rosa Coutinho. Personagens desse calibre prefiro-as com alguns séculos em cima. Por isso, neste ano de 2022, penso dedicar-me à primeira invasão francesa também por uma questão de higiene. Que é como quem diz, vou ler o que puder sobre o “Jinot” e o Maneta para desse modo poupar-me a ver Rosa Coutinho ser agraciado com a Ordem da Liberdade…

Observador (PT)

Só o Gravatinha salva a terceira via




A saída de Moro da disputa pela Presidência reforçou a polarização Lula x Bolsonaro e pôs os partidos de centro em situação desesperada, em busca de um candidato que os unifique

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Sérgio Cabral, pai (vascaíno), João Saldanha (botafoguense), Maurício Azedo (flamenguista) e Nelson Rodrigues (“pó de arroz”) foram grandes cronistas esportivos da imprensa carioca, todos torcedores apaixonados, com legiões de leitores, capazes de levantar o moral das torcidas dos respectivos clubes depois de um tremendo chocolate — escalpelando os técnicos dos times, é claro. Formados na escola de jornalismo de Samuel Wainer, a Última Hora, passaram pelos principais jornais do Rio de Janeiro. PS: Maurício era meu tio.

Os três primeiros eram amigos do peito, desde muito jovens, e comunistas de carteirinha, mas quase chegavam às vias de fato na Redação e no bar da esquina quando o assunto era futebol. Nelson Rodrigues, notável dramaturgo (Vestido de Noiva, Toda Nudez Será Castigada), era um reacionário empedernido, apologista do regime militar, que viria a apoiar a campanha da anistia após saber que o filho, Nelsinho, militante de ultra-esquerda, fora cruelmente torturado na prisão.

Sobrenatural de Almeida, um dos personagens criados por Nelson Rodrigues, era um fantasma que aparecia quando as coisas não iam bem para o Fluminense. Era o culpado por tudo o que acontecia de ruim em campo, ou seja, uma entidade mítica, à qual o cronista recorria para explicar o que acontecera em campo, sem encher a bola do adversário, é claro.

Mas havia outro personagem, um fantasma do bem, que aparecia nos estádios antes das vitórias do Fluminense: o Gravatinha. A escolha do nome tinha tudo a ver com a torcida “pó de arroz”, majoritariamente formada por torcedores de classe média carioca, com fama de ser elitista.

Todas as pesquisas de opinião estão mostrando que a saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro da disputa pela Presidência, ao migrar do Podemos para o União Brasil, pôs a chamada terceira via em situação desesperadora. Os votos do ex-juiz da Lava Jato derivaram sobretudo para o presidente Jair Bolsonaro, como, aliás, era de se esperar.

A desistência do ex-juiz da Lava Jato, na sua rocambolesca mudança de legenda, parece até coisa do Sobrenatural de Almeida. Agora, só o Gravatinha pode salvar a terceira via, que está sendo estrangulada pela polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje estariam com as vagas no segundo turno garantidas.

Cenários

Há duas leituras possíveis para as articulações em torno de uma candidatura única de terceira via. A pessimista é ˜não há mais espaço para a terceira via”. A otimista avalia que a desistência de Moro é benéfica, assim como foram a de Alessandro Vieira, que trocou o Cidadania pelo PSDB, e a do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta (União Brasil). Restaram três nomes, o ex-governador paulista João Doria (PSDB), apoiado pelo Cidadania; Simone Tebet, do MDB; e o “candidato fantasma”, o ex-governador gaúcho Eduardo Leite, representante de uma espécie de PSDdoB, que aguarda Doria desistir ou ser defenestrado pelos aliados. Quem seria o Gravatinha? O ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT), embora seja o nome mais forte para romper a polarização, não é levado em conta pelos partidos da chamada terceira via. Nem está querendo isso.

Como não se tem uma resposta para a pergunta, melhor contextualizar a situação. O pacote de bondades do governo alavanca a reeleição de Bolsonaro: vem aí um programa de ajuda para “catadores” e “sem teto”, mobilizando os meios empresariais. Sim, Bolsonaro tem forte apoio entre os agentes econômicos, apesar do desemprego, do baixo crescimento e da alta da inflação. O “status quo” pós-pandemia deixa para trás o desgaste do seu negacionismo. Os agentes econômicos preocupados com a questão ambiental e os riscos que Bolsonaro possa representar à democracia são minoria; tem muita gente ganhando dinheiro com privilégios e benesses do governo. O bicho papão da economia agora é a Petrobras; as estatais viraram um “estorvo” socialista.

A outra face dessa moeda é o discurso de um Lula recidivo, classista, desenvolvimentista e identitário, que produziu, no começo da semana, polêmicas sobre o aborto, a reforma trabalhista e a índole “escravocrata” de nossas elites, que viraram arroz de festa nas redes sociais bolsonaristas. O grande gesto de Lula em direção ao chamado centro político, até agora, foi a escolha do ex-governador tucano Geraldo Alckmin, que se filiou ao PSB, como vice na sua chapa. Seu objetivo foi esvaziar a terceira via, reforçar a polarização e atrair, por gravidade, os eleitores de centro. Seria bom combinar com o Sobrenatural de Almeida. E se ele aparecer e esses eleitores migrarem para Bolsonaro outra vez?

Correio Braziliense

Tanque a 4,4 milhões de dólares e míssil a US$ 78 mil. É caro fazer a guerra.

 


O tanque T-72 russo custa US$ 4,4 milhões. O Javelin usado pela Ucrânia não sai por menos de US$ 78 mil. 

Por Roberto Godoy 

As 44 toneladas de aço do tanque russo T-72B3M podem pouco contra o impacto direto do míssil americano Javelin, antiblindagem, construído para atacar e eventualmente destruir carros de combate pesados.

O canhão de 125 mm do gigante pode arrasar um prédio, mas não tem como reagir ao disparo da pequena arma acionada por um único soldado, -- talvez dois, em condições ideais. Os 8,5 kg de explosivos paralisam o tanque. Todas as vezes que esses dois sistemas se encontram no campo de luta a conta em dinheiro, é pesada. O tanque T-72 não sai por menos de US$ 4,4 milhões. O Javelin usado na missão custa US$ 78 mil. Só o míssil. É caro fazer a guerra.

No conflito entre Rússia e Ucrânia é preciso ter cuidado com os números. As perdas de material russo não são tão grandes quanto as divulgadas pelo governo de Kiev, nem tão baixas quanto às reveladas em Moscou. Os dois lados manipulam as informações. Faz parte do jogo. Pouco antes da invasão, a tropa russa mobilizada para a operação era estimada por pesquisadores ingleses em cerca de 190 mil homens e mulheres, mais equipamentos e suprimentos.

O custo da logística apenas da manutenção dessa força expedicionária estava estimado em US$ 290 milhões por dia. A cifra foi atingida considerando a soma de fatores como as despesas com combustíveis, alimentos e aquartelamento durante exercícios de instrução da tropa em tempo de paz. No teatro de operações real as cifras são maiores.

Pela avaliação dos comandantes ucranianos, os russos somariam 17 mil baixas mortais nos primeiros 33 dias de combate. Difícil. A tropa tem sido pouco exposta. A maior parte dos ataques se dá por meio de mísseis, foguetes de saturação de fogo e da artilharia de longo alcance, ações cuidadosamente combinadas com bombardeio aéreo.

Mas com certeza os militares mortos não se limitam às poucas centenas admitidas pelo ministro da Defesa, Sergei Shoigu. A preocupação da Rússia, ao longo da semana passada, parece ter sido com a preservação dos aviões, os Sukhoi-34 e Sukhoi-35 principalmente. Supersônicos de alto desempenho, cotados a US$ 40 milhões (Su-34) e US$ 50 milhões (Su-35) estariam sendo poupados para a batalha da conquista da capital, Kiev, e do porto de Odessa.

O Estado de São Paulo

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