sábado, abril 09, 2022

Ucrânia: batalha perdida?




É evidente, pelo ocorrido até agora, que Putin se equivocou e tramou uma invasão da Ucrânia que abriu os olhos do mundo inteiro para as intenções do líder russo. 

Por Mario Vargas Llosa* (foto)

Para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, as coisas não estão saindo como se acreditava. De imediato, a invasão à Ucrânia provocou uma reação negativa em todo o mundo que excedeu grandemente o que o Kremlin esperava. Nem sequer a China, que a Rússia acreditava ter colocado ao seu lado, a apoiou abertamente: mantém uma atitude prudente, que, sem dúvida, tem a ver com as manifestações hostis que são ouvidas em todo o mundo civilizado.

Por outro lado, os tanques russos ainda não conseguem controlar Kiev, onde um povo valente e unificado resiste à invasão, ainda que a superioridade militar russa cedo ou tarde conseguirá sem dúvida seu objetivo.

Já começaram a bombardear bairros residenciais e estações de televisão, o que revela descontrole. Mas seria necessário um assassinato coletivo para controlar uma população indômita e hostil. É óbvio que no futuro imediato os soldados russos passarão tempos difíceis. Já vimos na TV alguns cadáveres de tripulantes de tanques russos aos pedaços, sem que ninguém os recolhesse.

Mas as medidas de castigo econômico que o Ocidente impôs à Rússia surtiram efeito imediato e todos vimos grandíssimas filas (não fosse esse o caso, inúteis) que o povo russo formou, tratando de sacar seu dinheiro para fazer frente aos gastos correntes, em momentos em que o rublo, depois de ter seu valor de troca arrasado, desaparecia dos bancos.

Ao mesmo tempo, os bancos ocidentais castigaram apartando os bancos russos do sistema Swift, ou seja, da possibilidade de transacionar e efetuar pagamentos fora do sistema bancário russo. Isso criou uma situação difícil para a população russa, que enfrenta uma escassez corrente de itens de consumo e uma situação de carência em lojas e supermercados.

De outra parte, a reação do povo russo à invasão não está sendo tão passiva e entusiasta como Putin esperava. Vimos nas principais cidades russas as fornidas manifestações contra a guerra que, até este momento, deixaram mais de seis mil detidos. Isso quer dizer que a abusiva invasão à Ucrânia, favorável à bastante diminuta minoria russa neste país que gostaria de se reintegrar à Rússia, como nos velhos tempos de Stalin, está longe de representar a unidade de uma população dividida e que, apesar das ameaças do poder, ainda se atreve a protestar contra a guerra.

Ajuda militar

De outra parte, a quantidade de projéteis, balas e forças defensivas que o Ocidente, em geral, e a Europa, em particular, mandam à Ucrânia para apoiar sua defesa ultrapassa grandemente o esperado. Os países da Otan, que tinham garantido sua neutralidade neste caso, foram os primeiros, violando a própria neutralidade, a apoiar a Ucrânia abertamente.

E é natural que ocorra desta forma: o que acontece na Ucrânia faz os demais países europeus temerem que a invasão seja apenas o início de algo que parece muito claro, a obsessão de Putin por reconstruir o velho sistema soviético de países e cidades-satélite que assegurariam a proteção da Rússia de um suposto ataque ocidental.

De modo que a invasão da Ucrânia tem todas as características de uma operação fracassada do governo russo, de que a Rússia sairá desprestigiada e, provavelmente, arrependida. Além disso, seus industriais e patronos de grandes empresas começam a deixar de ouvir sua voz. Isto é insólito, porque a maioria deles fez suas grandes fortunas graças à amizade de Putin. Por exemplo, Alexei Mordashov, considerado o homem mais rico da Rússia, acaba de se pronunciar de maneira crítica contra a invasão.

Isto certamente não estava entre as expectativas do governo russo. Putin acreditava que a invasão à Ucrânia seria um passeio para suas tropas e as coisas não foram assim sob nenhum ponto de vista, apesar da linha de 60 quilômetros de tanques que invadiram o país.

As autoridades ucranianas, de pronto, resistiram firmes de pé, e ainda que centenas de milhares de pessoas tenham fugido para países vizinhos, sobretudo para a Polônia, muitos ucranianos que viviam no exterior regressaram para integrar os grupos clandestinos que resistem ou se preparam para resistir.

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, de sua parte, acaba de pedir, em termos dramáticos, que a União Europeia aceite seu país como membro pleno, para o que existe um ambiente muito positivo: os votos a favor no Parlamento Europeu foram 637, houve 13 contra e 36 abstenções; ainda que as dificuldades de aplicar essa opção de maneira imediata sejam muito grandes e, quiçá, insuperáveis.

Erros

Mas é seguro que, cedo ou tarde, este será o destino da Ucrânia. De modo que os cálculos de Putin, de assegurar a lealdade da Ucrânia após a abusiva invasão, foram totalmente equivocados. Dela resultará, no médio ou longo prazos, uma incorporação da Ucrânia, sem lugar para dúvidas, à Europa Ocidental e, quiçá, para ser membro da Otan, ou seja, do sistema democrático de defesa do Ocidente com base na liberdade e nos direitos humanos.

O que motivou o gigantesco equívoco de Putin e seus companheiros de governo a essa invasão abusiva, de inspiração imperialista, que coloca a Rússia em paridade de condições com a invasão de Hitler à Checoslováquia, sob o pretexto de “proteger a população russa” das humilhações que vinha sofrendo?

A passividade do povo russo, seduzido pela presença à frente de seu governo de um líder relativamente jovem e audaz, que concentrava todos os poderes e pareceu pôr em ordem um país ameaçado pelo caos e pela desunião. Mas a ameaça de uma guerra, com a poeira atômica que cobre a Rússia, despertou o mundo inteiro, que se colocou em marcha para impedir a invasão abusiva e prepotente com que a Rússia, excedendo-se, pretendeu assolar um país pacífico, sobre o qual já exerceu sua prepotência, apoderando-se da Crimeia de uma maneira que o Ocidente não aceitou.

Ameaças

Este precedente, sem dúvida, motivou a mobilização do mundo inteiro a favor da Ucrânia, que surpreende os próprios governos e impulsionou alguns deles, como Suécia, por exemplo, a adotar iniciativas que rompem radicalmente com a independência com que o país atuou durante a 2.ª Guerra.

A razão é muito simples: desta vez, a Suécia também se sente ameaçada por uma invasão russa que sabe Deus onde acabará. O mundo inteiro se apressou para impedir que, a estas alturas da história, o poderio e a prepotência de um país sejam justificativa suficiente para invadir outro e impor sua política.

É evidente, pelo ocorrido até agora, que Putin se equivocou e tramou uma invasão da Ucrânia que abriu os olhos do mundo inteiro para as intenções do líder russo. As coisas se complicam, desde já, sabendo que a Rússia é o país que tem o maior número de bombas atômicas, que, esperemos, nos cálculos do chefe do Kremlin, não lhe ocorra usar, pondo em perigo a paz do mundo.

Era esse o perigo caso alguma das superpotências do nosso tempo iniciasse qualquer ação militar: que as ações pudessem chegar ao extremo de usar aqueles pozinhos capazes de acabar com toda a forma de vida civilizada nesta Terra. Tomara que o povo russo, finalmente mobilizado e a favor da paz, seja capaz de pôr fim a esta ameaça.

*PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA.

O Estado de São Paulo

Como a propaganda russa domina as mídias sociais chinesas




'Vladimir Putin e Xi Jinping: presidentes de Rússia e China compartilham visões semelhantes quanto ao controle da informação'.

Nas redes chinesas, narrativa pró-Rússia domina discussões sobre guerra na Ucrânia, inflamando sentimento antiocidental e traçando falsos paralelos entre "nazistas ucranianos" e movimento pró-democracia em Hong Kong

Por William Yang

Bem que a China tem tentado se posicionar como neutra em meio à invasão russa à Ucrânia. Mas as mensagens dominantes na internet do país retratam uma realidade diferente.

Uma vez que a Rússia continua divulgando suas informações sobre a guerra através de diferentes canais, um grupo de monitoramento cibernético em Taiwan descobriu que a propaganda pró-Kremlin também tem se espalhado rapidamente nas mídias sociais chinesas.

Conforme um relatório divulgado pelo DoubleThink Lab, com sede em Taiwan, a estreita relação entre as mídias estatais da Rússia e da China tem ajudado a ampliar a propaganda russa em plataformas de mídias sociais chinesas como a Weibo. Analistas acreditam que isso faz parte dos esforços de Pequim para incentivar a solidariedade entre China e Rússia, uma vez que ambos querem se enxergar como países que lidam com "forças estrangeiras interferindo em seus assuntos internos" e um "nazismo financiado pelo exterior".

A parceria da China com a Rússia "não tem limites"

A Rússia tem constantemente instrumentalizado uma suposta ameaça representada pela expansão da Otan e a presença de alguns grupos neonazistas na Ucrânia como pretextos para justificar a invasão. A China insiste que permanece neutra no conflito, ainda que Pequim não tenha criticado abertamente as ações russas em território ucraniano. Segundo o presidente chinês, Xi Jinping, a parceria da China com a Rússia "não tem limites", o que levantou ceticismo de países democráticos sobre a real postura de Pequim em relação à agressão militar de Moscou.

Jerry Yu, analista da Doublethink Lab, afirma que desde o início da invasão, em 24 de fevereiro, a mídia estatal chinesa e contas influentes na Weibo têm difundido propaganda russa a respeito da Ucrânia, tentando traçar paralelos entre o suposto combate ao "nazismo ucraniano" com a repressão chinesa contra as manifestações pró-democracia de 2019 em Hong Kong.

"A mídia estatal chinesa (Global Times/CGTN etc.) pegou o raciocínio de Putin, contrário à expansão da Otan, em meio ao início das hostilidades e, mais tarde, passou a concentrar-se também no ângulo da "desnazificaçã"o, citando discursos e declarações oficiais do governo russo", escreveu Yu, no relatório.

Alguns especialistas veem os esforços como benéficos em termos estratégicos para o Partido Comunista Chinês (PCC). "Claramente, há pelo menos algumas partes do aparato do partido que decidiram que estrategicamente é benéfico para o PCC, se não para a China, apoiar a invasão da Rússia e as narrativas sobre o que está ocorrendo na Ucrânia", afirma Sarah Cook, diretora de pesquisa sobre China, Hong Kong e Taiwan da Freedom House.

"Uma vez tomada essa decisão, a propaganda e o aparato de controle de informações avançaram nessa direção, seja em termos de cobertura da mídia estatal, diretrizes de mídia ou plataformas online, sobre o que o conteúdo é permitido e até mesmo deve ser ampliado, ou então censura de visões e fontes de informações alternativas", acrescenta Cook.

Outros pesquisadores creem que os esforços de propaganda caracterizam também uma tentativa de despertar sentimentos nacionalistas e antiocidentais na China. "Tenho visto muita retórica pró-Rússia que também está muito ligada e ofuscada pelo sentimento antiocidental de questionar a legitimidade dos Estados Unidos, do Ocidente e da Otan", destaca Maria Repnikova, professora assistente em comunicação global na Universidade do Estado da Georgia, nos Estados Unidos.

Como a propaganda russa prolifera nas mídias sociais chinesas?

O relatório da Doublethink Lab aponta que o público chinês não estava familiarizado com o discurso russo a respeito dos "nazistas ucranianos" até o início da guerra.

Dias antes da invasão, autoridades chinesas emitiram uma diretiva pedindo aos meios de comunicação nacionais que publicassem apenas o conteúdo dos veículos oficiais, como o Diário do Povo, a agência de notícias Xinhua e o canal de televisão China Central. Todos assinaram acordos de cooperação com a mídia estatal russa em 2015.

Logo após a invasão, no dia 24 de fevereiro, os meios de comunicação estatais da China passaram a divulgar conteúdos que propagandeavam o discurso da mídia russa de que o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, havia deixado Kiev, e que soldados ucranianos haviam se rendido. Outros conteúdos citaram a alegação das autoridades russas de que o governo ucraniano seria uma administração liderada por "nazistas".

Ligando a Ucrânia e o movimento pró-democracia de Hong Kong

O relatório também destaca que, no terceiro dia de guerra, contas influentes da plataforma de mídia social chinesa Weibo começaram a reciclar notícias falsas de 2019. Essas contas afirmavam que o governo americano havia financiado membros do batalhão ucraniano de extrema-direita Azov, e que depois o dinheiro foi utilizado para alimentar os protestos pró-democracia de 2019, em Hong Kong.

"Essa tática ligou exitosamente, no discurso online chinês, a propganda sobre 'nazismo' e a posição chinesa sobre supostas forças estrangeiras que estariam interferindo nos assuntos internos da China, influenciando a opinião pública a apoiar a invasão russa na Ucrânia", escreveu Yu, no relatório.

O relatório da Doublethink identificou, sobretudo, contas de mídia social do estado russo em idioma chinês, a mídia doméstica chinesa, contas influentes da Weibo e contas chinesas baseadas em plataformas de mídia ocidentais como parte do contingente de influenciadores que difundem a propaganda russa no mundo em língua chinesa.

"Já que várias plataformas de mídia e de internet proíbem canais oficiais e de propaganda russos, o impacto das discussões na Weibo, na ampla diáspora de língua chinesa, não deve ser subestimado. A retórica chinesa continua a difundir a propaganda política russa através de Weibo, Douyin, YouTube e outras plataformas, criando uma imagem negativa da Ucrânia entre os usuários chineses", destacou o relatório.

No dia 24 de março, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, refutou a afirmação do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, de que a China está divulgando mentiras e desinformação sobre a guerra na Ucrânia: "Acusar a China de espalhar desinformação relacionada à Ucrânia é, em si, desinformação", disse Wenbin, durante uma entrevista coletiva de imprensa.

'Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, rebateu afirmações feitas pela Otan'.

Rebater a propaganda russa nas mídias sociais chinesas

Ainda que a propaganda russa tenha dominado as informações sobre a guerra na Ucrânia nas mídias sociais chinesas, há esforços individuais para rebater essa prática. Wang Jixian, um programador chinês que vive em Odessa, no sul da Ucrânia, tem diariamente publicado vídeos em várias plataformas de mídia social, como YouTube, WeChat e Douyin – a versão chinesa do TikTok –, exibindo informações em primeira mão, na Ucrânia, para o público de língua chinesa.

No entanto, suas contas nas mídias sociais chinesas acabaram banidas no mês passado. Em um vídeo publicado no dia 18 de março, Wang disse: "Minha voz é tão assustadora para vocês? Se não, por que todas as minhas contas seriam canceladas às 15h? A única maneira de meus pais entrarem em contato comigo foi cancelada. Por que vocês não podem tolerar um de seus cidadãos? Eu sou apenas um programador, não alguém que luta na guerra".

Wang disse à DW que começou a gravar esses vídeos porque acredita que muitos dos atos de heroísmo do povo ucraniano na guerra têm sido ofuscados. "Acho que o mundo precisa ver esses atos heróicos, mas, quando busco informações sobre a guerra na Ucrânia na internet chinesa, a maioria do conteúdo retrata o povo ucraniano como terroristas", afirmou, em entrevista por telefone.

"Acho injusto que meus amigos e vizinhos ucranianos sejam estigmatizados. Também quero encorajar os chineses a recuperar sua capacidade de pensar criticamente. Espero que o povo chinês possa receber informações a partir de mais perspectivas e fazer seus próprios julgamentos sobre a guerra", acrescentou.

Além disso, um proeminente acadêmico de Xangai também publicou um artigo no qual sugeria que a China deveria cortar os laços com a Rússia devido à guerra na Ucrânia. O texto foi publicado pelo Observador de Percepção EUA-China do Centro Carter. Horas depois, o site foi bloqueado na China.

'Imagens da guerra que ocorre na Ucrânia raramente chegam aos usuários russos e chineses'.

Quão eficazes são os esforços de propaganda da China?

A professora Repnikova disse à DW que, embora existam algumas mensagens críticas e esforços de verificação de fatos na mídia social chinesa para combater a retórica dominante antiocidental, essas mensagens são rapidamente censuradas.

"As vozes mais fortes tendem a ser nacionalistas e antiocidentais, o que se alinha com as declarações pró-Rússia. Outras vozes que tentaram desafiar [a vigilância chinesa] foram rapidamente censuradas", disse.

Sarah Cook, da Freedom House, reitera que amordaçar as vozes dissidentes é igualmente essencial para que a propaganda seja eficaz.

"Se as vozes dentro da China, incluindo alguns intelectuais proeminentes ou conteúdo apreciado por um chinês residente na Ucrânia, não estivessem sendo restringidas, a propaganda seria muito menos eficiente", destaca Cook à DW.

Embora a China assuma oficialmente uma posição neutra, suas manobras online sugerem algo bem diferente em relação à invasão russa na Ucrânia.

Deutsche Welle

Casamento improvável de Lula e Alckmin é sacramentado e busca apoio do centro contra a direita




Valdo sobre indicação de Alckmin como vice: 'Estratégia de Lula para atrair o eleitor de centro'

O casamento político entre o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), sacramentado nesta sexta-feira (8) em São Paulo, busca atrair o eleitor de centro contra o presidente Jair Bolsonaro, que representa as alas políticas de direita e extrema-direita.

Adversários no passado — Lula e Alckmin disputaram o segundo turno da eleição presidencial de 2006 —, o ex-presidente e o ex-governador dizem que deixaram de lado as divergências para defender a "democracia contra autoritarismo".

Apresentado oficialmente nesta sexta como nome do PSB para ser candidato a vice na chapa de Lula na eleição deste ano, Alckmin ainda precisa ser aprovado oficialmente pelo PT, o que é visto como certo.

Apesar da resistência de setores do PT, Lula enquadrou esses setores e decidiu manter o nome de Alckmin, com quem tem visões diferentes, principalmente sobre alguns assuntos da economia e dos costumes.

Geraldo Alckmin será a voz de Lula na busca de convencer setores do empresariado a votar no petista, principalmente no agronegócio, e também atrair o eleitor conservador, de centro, faixa na qual o ex-governador sempre se situou.

Por sinal, dentro de seu antigo partido, o PSDB, Alckmin sempre se posicionou mais à direita do que ex-colegas de legenda, como José Serra e Fernando Henrique Cardoso.

Inicialmente, a estratégia de Lula era também atrair Alckmin para a chapa na busca de tentar vencer a eleição em primeiro turno.

Só que, nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro parou de cair nas pesquisas de intenção de voto e começou a recuperar apoio.

A aliança entre Lula e Geraldo Alckmin não afasta, porém, uma possível saia justa em São Paulo.

Isso porque, se Márcio França mantiver a candidatura pelo PSB ao governo do estado, a chapa presidencial terá dois palanques em São Paulo: a de Fernando Haddad e a de Márcio França.

Nesse caso, Lula vai apoiar Fernando Haddad. Enquanto Geraldo Alckmin, agora no PSB, apoiaria Márcio França, vice-governador do estado justamente durante o governo Alckmin.

G1

Bolsonaro já admitiu ter pedido para ex abortar e disse ser ‘decisão do casal’

 


Apesar de bolsonaristas criticarem fala de Lula, o atual presidente já se posicionou a favor do aborto

Redação
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

 

Após o ex-presidente Lula (PT) defender que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública e decidido pelas mulheres, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) aproveitaram a oportunidade para criticar o rival e reforçar o aceno aos conservadores.

Apesar das críticas ao petista, o atual mandatário já comungou de opinião semelhante à de Lula, conforme relatou a jornalista Juliana Dal Piva, no Uol. Segundo a repórter, em 2000, em entrevista à revista Istoé Gente, Bolsonaro foi questionado sobre a legalização do aborto e sequer mencionou que a prática deveria ser proibida. “Tem que ser uma decisão do casal”, disse o então deputado, que já admitiu ter vivenciado a situação. “Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter. Está ali, ó”, disse Bolsonaro, apontando para foto de Jair Renan, que tinha cerca de 1 ano e meio.

Em 2018, quando foi novamente questionado pela Folha de S. Paulo sobre o tema, ele manteve a resposta anterior. “Não compete ao outro lado”, disse ele em referência ao homem. “Vamos supor que eu tenho um relacionamento contigo. Você quer o aborto”, exemplificou, afirmando que caberia à reporter a decisão de abortar ou não.

Bahia.ba

Secretário critica Judiciário por soltar homem preso três vezes em 21 dias: É um tapa na cara

 Publicado em 08/04/2022 às 19h20.


Homem colocado em liberdade provisória é suspeito de integrar quadrilha envolvida com tráfico de drogas e mortes

Redação
Foto: Eloi Correa/GOVBA
Foto: Eloi Correa/GOVBA

Um criminoso preso três vezes com veículos roubados, em um intervalo de 21 dias, pela Operação Apolo da Polícia Militar, já está na rua. Ele foi liberado, na tarde desta sexta-feira (8), após terceira audiência de custódia.

“Por mais que eu respeite o Judiciário, – eu vim de lá –  por mais que eu entenda que a legislação é frouxa em matéria penal, como conceber que uma pessoa que foi presa em flagrante três vezes, em 21 dias, com carros roubados, é colocada sistematicamente em liberdade, na audiência de custódia? É um verdadeiro tapa na cara da sociedade, naturalmente imaginando que essa conta caia sempre nas costas da Polícia, e sempre cai”, ressaltou o secretário da Segurança Pública, Ricardo Mandarino.

O chefe da SSP acrescentou ainda que a polícia continuará cumprindo a lei, prendendo em flagrante, ou com ordem judicial, quem comete crime, principalmente crimes graves como roubos de carros, que causam insegurança à sociedade. “Continuaremos a proceder tantas vezes quantas nos ocorra fazer, sempre nos limites da legalidade”, completou Mandarino.

Crimes

O indivíduo é suspeito de integrar uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, homicídios, roubos a bancos, entre outros crimes. Informações preliminares indicam ainda que ele chegou a ser “batizado” por uma quadrilha de São Paulo.

Os flagrantes contra o criminoso ocorreram nos dias 18 de março (localizado com um Siena, no bairro de Pituaçu), 25 de março (preso dirigindo um Citroen C3, no bairro de Itapuã) e 6 de abril (capturado com um HB20, no bairro de Sussuarana). Os três automóveis possuíam restrição de roubo.

Por ser recorrente nessa ação, a polícia acredita na possibilidade de que ele retorne à prática criminosa e apura também se os três carros recuperados foram utilizados para transportar drogas ou em crimes contra a vida.

Bahia.ba

Pacientes baianos podem retirar medicamentos fora dos municípios de domicílio; veja como

por Bruno Leite

Pacientes baianos podem retirar medicamentos fora dos municípios de domicílio; veja como
Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde

Os pacientes baianos que possuem hanseníase, tuberculose ou pessoas que vivem com HIV podem retirar os medicamentos gratuitos distribuídos pelo governo do estado mesmo que não estejam nos municípios em que residem. A distribuição em trânsito, como é chamado o serviço, permite o acesso aos remédios em diversas ocasiões.

 

O atendimento, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), é feito pelos Serviços de Atendimento Especializados (SAEs) e Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) em diferentes regiões. 

 

Dentre as situações permitidas, estão as em que os usuários receberam o quantitativo para o tratamento, mas que não tenham consigo e não tenham a receita e o formulário em mãos; ou quando o usuário não tenha recebido o quantitativo e tenha a documentação. Os casos em que a pessoa estejam sem o remédio e não tenham os documentos também são cobertos pela dispensação em trânsito.

 

Nos casos em que a pessoa que pretende retirar a medicação tenha o receituário e o formulário, a realização de uma nova consulta não será necessária. Já as pessoas que não tiverem deverão passar pelo médico na unidade em que for atendido, portanto um documento de identificação com foto, informar o endereço de residência e a UDM de origem.

 

No caso das pessoas que vivem com HIV, a modalidade de dispensação de antirretrovirais pode ser utilizada por até duas vezes por ano, sem a necessidade da transferência de caso. 

 

Já pacientes com hanseníase e tuberculose só poderão fazê-lo através da mudança. "O paciente deverá procurar uma Unidade de Saúde no local onde se encontra no momento, preferencialmente munido do cartão SUS, receituários e exames comprobatórios, informando onde realizava tratamento", disse a Sesab.

 

A partir da solicitação de transferência, o contato será feito com a unidade de origem para migração dos dados. Com isso, o paciente então passará a ser atendido e receber medicação nesta novo local enquanto permanecer fora do seu domicílio. 

 

À reportagem, a Sesab mencinou que não consegue estratificar quantos usuários se beneficiam da estratégia de dispensação em trânsito, mas que, na Bahia, conforme contabiliza o Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom), 16 mil baianos fazem tratamento para HIV/Aids, especificamente, recebendo medicamentos mensalmente, de forma bimestral ou trimestral.

Bahia Notícias

De Hugo Chávez à Lava Jato, o que houve com as refinarias bilionárias da era do PT?

Publicado em 8 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Refinaria Abreu e Lima - PE - Maker Engenharia

Refinaria Abreu e Lima produz o melhor óleo combustível

Rosana Felix
Gazeta do Povo

Um dos projetos mais ambiciosos do PT na infraestrutura brasileira era a ampliação do parque de refino da Petrobras. Em 2008, a petroleira projetava chegar à marca de 3,4 milhões de barris refinados por dia em 2015, o que colocaria o Brasil entre os cinco países com maior produção de derivados de petróleo. Essa marca nunca foi atingida e não consta dos planos atuais: em 2021, as refinarias da Petrobras processaram 1,9 milhões de barris por dia, volume próximo do registrado em 2008.

Entre aquele momento de euforia e a realidade atual ocorreram problemas de gestão, atrasos nas obras e denúncias de superfaturamento e corrupção levantadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Operação Lava Jato. Confira a seguir o que aconteceu com cada refinaria que havia sido planejada quando o acionista majoritário – o governo brasileiro – era comandado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EM NOME DO GENERAL – A Refinaria Abreu e Lima foi um projeto que marcou a ascensão da esquerda na América Latina, tendo como “padrinho” o presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013. Foi ele quem batizou a unidade, tendo como referência o general José Inácio Abreu e Lima (1794-1869), brasileiro que teve papel de destaque no movimento de libertação dos territórios hispânicos na América, liderado por Simón Bolívar.

A admiração que Chávez nutria pelo general Abreu e Lima era notória. Ainda na posse de Lula, em 1.º de janeiro de 2003, o venezuelano afirmou: “Há 200 anos outro Inácio, também pernambucano, lutava ao lado de Bolívar”.

Já em seguida a Petrobras e a PDVSA aceleraram as negociações para definir um investimento conjunto na área de infraestrutura energética no Brasil, com preferência pelo estado de Pernambuco. A princípio, a estatal venezuelana teria participação majoritária, e por isso opinou na escolha do local e do nome Abreu e Lima, escolhido por Chávez.

PARCERIA FRACASSADA – Entretanto, a parceria com a PDVSA nunca prosperou. Chávez participou dos eventos de lançamento da pedra fundamental e do início das obras de Abreu e Lima, mas o acordo era apenas informal.

Em outubro de 2009, a Petrobras comunicou que ela e a PDVSA “concluíram com êxito as negociações para a constituição da empresa que vai construir e operar a Refinaria Abreu e Lima, localizada em Pernambuco. A participação acionária na empresa será de 60% para Petrobras e 40% para PDVSA”. Passaram-se dois anos sem que fosse celebrado o contrato efetivo, mas a Petrobras ainda informava que as negociações estavam em andamento. Foi só em 2013 que a empresa brasileira deu por encerrada a proposta de sociedade.

Desse modo, a Petrobras teve que arcar sozinha com todos os recursos, que foram mal orçados. O projeto inicial previa investimentos de US$ 2 bilhões, mas quando as obras tiveram início, em 2007, o custo pulou para US$ 4,05 bilhões. O plano era refinar 200 mil barris por dia, que contribuiria para atender a demanda crescente de derivados no Nordeste a partir de 2011.

QUATRO VEZES MAIS – O custo final, porém, bateu na casa dos US$ 18,5 bilhões, e a unidade entrou em operação apenas no fim de 2014 com apenas 64% da capacidade. Em 2020 a produção chegou a 111,9 mil barris por dia, mas em 2021 caiu para R$ 72,5 mil, por causa de uma parada de manutenção por um mês e meio. Embora esteja em operação há pouco mais de sete anos, a refinaria até hoje não foi concluída; apenas parte do projeto ficou pronta.

Abreu e Lima foi a primeira refinaria construída no Brasil desde 1980. Em 2014, o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli disse que a unidade de Pernambuco “era pioneira” e por isso o custo foi “um pouco mais alto”.

O problema de superfaturamento foi detectado cedo. As obras começaram em setembro de 2007, e já no ano seguinte o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de superfaturamento, exigindo prestação de contas da Petrobras.

CPI MALOGRADA – Esses assuntos foram tema de uma primeira CPI da Petrobras em 2009, mas os governistas dominaram o colegiado e o relatório final afastou a possibilidade de superfaturamento, indicando apenas a necessidade de uma nova metodologia para calcular obras de grande porte e com alto nível tecnológico.

O TCU continuou com as auditorias e recomendou a paralisação das obras na Lei Orçamentária de 2011, medida acatada pelo Congresso mas vetada na sequência por Lula, que passou a criticar o tribunal por querer “paralisar o país”.

Em 2014, a Operação Lava Jato começou a desvendar uma série de irregularidades em contratos da Petrobras, o que motivou a criação de uma nova CPI no Congresso. O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa foi preso logo na segunda fase da operação, em março. Sob seu comando estavam as obras de refinarias como Abreu e Lima.

NA LAVA JATO – A unidade de Pernambuco foi investigada mais a fundo na 20ª fase da Lava Jato, em novembro de 2015, sob suspeita de corrupção e desvio de dinheiro. Várias ações relacionadas ao pagamento de propinas na Refinaria Abreu e Lima continuam a tramitar na Justiça Federal.

Em fevereiro de 2021, o juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, substituto de Sergio Moro, condenou cinco pessoas pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos firmados para a construção da Refinaria Abreu e Lima entre 2009 e 2014.

Como está hoje: A Petrobras ainda não conseguiu vender a refinaria, como previsto em acordo firmado em 2019 com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No fim de 2019, a diretoria da estatal decidiu que vai investir mais R$ 5,6 bilhões para concluir a unidade, de forma a deixá-la mais atraente para os compradores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muito importante o artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. Vender a refinaria Abreu e Lima será um brutal prejuízo para a Petrobras e para o país. A unidade pernambucana produz o melhor óleo combustível do mundo e não dá conta dos pedidos de importação para abastecer os gigantescos transatlânticos e megacargueiros, assim como as embarcações da Marinha dos Estados Unidos. Ou seja, a refinaria é uma máquina de ganhar dinheiro e receber divisas em moeda forte. Mas quem se interessa? (C.N.)

Lula já tem idade suficiente para saber que quem fala demais dá bom dia a cavalo

Publicado em 9 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Lula diz que merece respeito como ex-presidente | Espaço Vital

Fotocharge reproduzida do Espaço Vital

Vicente Limongi Netto    

Dois assuntos: 1) Lula deveria saber que quem fala demais dá bom dia a cavalo, ensina o ditado popular. O triunfalismo exacerbado do candidato petista indica que Lula precisa frear a língua. Dirigiu sandices para deputados, insultou o Congresso e defendeu, açodadamente, a legalização do aborto. Tiros no pé e as eleições ainda estão longe; 2) Assombrosa pantomima a pretensão de parlamentares fantoches de Bolsonaro, querem obrigar o ministro do STF, Alexandre de Moraes, a comparecer ao Senado, para dar explicações sobre os recentes fatos políticos dos quais é relator.

É bobagem. O ministro Moraes não vai servir de palanque nem de pasto para saciar o apetite de demagogos, oportunistas e ressentidos, ávidos por minutos de fama.

SEM VOTOS – Nada contra a terceira via. Todos têm direito a um lugar ao sol. Cada dia mais perto do meio-fio da brigalhada e da vaidade desenfreadas. O busilis da questão é a falência total de votos. As duplas especuladas dão calafrios na espinha. Ciro bate o pé e mantém o estilo raivoso. Prefere correr solto, na escuridão da quarta via.

Moro deu no pé, meteu o galho dentro. Mas não perde a pose. Melhor para Bolsonaro e para o próprio Lula. Dória, por ser do maior e poderoso Estado de São Paulo, é, com todos os defeitos, o que mais pode agregar votos. Vem com tudo, a partir de maio.

Coitado do forte MDB, atolado na rinha com a fraca Simone Tebet. Quadro ruim para o partido de grandes conquistas. No país todo. Caciques do MDB esperam que o fraco desempenho da senadora não prejudique as eleições municipais. Será difícil, quase impossível, os cardeais da terceira via chegarem finalmente a um nome de consenso. Palavra ardilosa que vem tirando o sono de dezenas de políticos. A maioria deles, sem votos suficientes para amedrontar Lula e Bolsonaro.

NOTÍCIA ALVISSAREIRA – Revela o bem informado colunista Eduardo Brito (Jornal de Brasíia – Do Alto da Torre, dia 6) que o ex-senador Paulo Octávio pode vir a ser o próximo candidato à vice-governador na chapa de Ibaneis Rocha, que pleiteia a reeleição.

O bom senso espera que a notícia prospere, porque Paulo Octávio é homem público valoroso, agregador, qualificado, respeitado e tem votos entre o eleitorado brasiliense.


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