sexta-feira, janeiro 14, 2022

Presidente do Fed de Chicago diz esperar ‘2, 3, 4 altas’ de juros em 2022




Presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Chicago, Charles Evans não quis dizer quando ocorrerá a primeira elevação de juros neste ano nos Estados Unidos, mas disse que março seria uma possibilidade. Segundo ele, será um ano de "reajustar a política monetária".

O dirigente comentou, durante evento nesta quinta, que está "esperando duas, três, quatro altas de juros neste ano. Vamos ver como isso se desenrola". Antes, ele havia dito que projetara três elevações da taxa em 2022, na reunião de dezembro do Fed.

Sem direito a voto nas decisões de política monetária neste ano, Evans também comentou que o Fed deve começar a reduzir o balanço mais cedo neste ano, sem citar datas previstas.

Avanço da inflação

Charles Evans afirmou que a política monetária dos Estados Unidos "não está em um bom lugar" para lidar com o avanço da inflação. Segundo ele, é apropriado neste momento apertar essa política e o Fed precisa agir para conter a trajetória dos preços.

Evans avaliou que "levará tempo" até a inflação ao consumidor voltar à meta de 2% do Fed. Até o fim deste ano, projetou que ela estará em "cerca de 2,5%".

Ele disse esperar que a inflação desacelere com o tempo e que até o fim do ano exista mais clareza sobre o quadro na trajetória dos preços.

Estadão / Dinheiro Rural

Príncipe Andrew perde títulos reais e militares




Envolvido em escândalo de abuso sexual de menores, ele não poderá mais ser chamado de “Vossa Alteza Real”, após juiz nos EUA rejeitar arquivamento de denúncia contra ele. Rainha Elizabeth 2ª aprovou a decisão.

O príncipe Andrew do Reino Unido teve seus títulos reais e militares removidos e não poderá mais ser referido como "Vossa Alteza Real”, informou nesta quinta-feira (13/01) o Palácio de Buckingham, segundo o qual, a decisão foi aprovada pela própria rainha Elizabeth 2ª.

O segundo filho mais velho da rainha é alvo de acusações de abusos sexuais e de envolvimento com o megainvestidor americano Jeffrey Epstein, que esteve no centro de um escândalo de exploração sexual de menores.

Nesta quarta-feira, os advogados de Andrew tentaram convencer o juiz a arquivar a ação civil aberta por Virginia Giuffre, que acusa o príncipe de tê-la abusado quando ela ainda era adolescente. O magistrado, porém, decidiu que Giuffre, de 38 anos, tem o direito de manter as acusações.

Após a decisão na Justiça americana, mais de 150 veteranos da Marinha e do Exército britânico escreveram à rainha pedindo a remoção de todas as patentes e títulos militares de Andrew. Eles afirmam que o príncipe "deixou em descrédito os serviços” aos quais estava associado.

A breve nota do Palácio de Buckingham afirma que "com a aprovação e consenso” de Elizabeth 2ª, "as afiliações militares e patronagens reais do duque de York foram devolvidas à rainha”. "O duque de York continuará afastado de todas as funções públicas e defenderá seu caso como um cidadão privado”, afirma o comunicado.

Andrew, de 61 anos, foi obrigado a se afastar da vida pública em 2019 em razão de sua amizade com Epstein. Ele admitiu ter se hospedado algumas vezes nas residências do milionário americano, mas diz que em nenhum momento suspeitou de comportamento impróprio por parte dele.

Epstein cometeu suicídio em uma prisão em Nova York em agosto de 2019, pouco depois de ter sido preso por tráfico sexual. O príncipe disse ter conhecido o americano através de sua amiga Ghislaine Maxwell, filha do falecido magnata da mídia Robert Maxwell.

A socialite britânica, ex-namorada e braço direito de Epstein, foi considerada culpada em dezembro pela Justiça americana por recrutar e aliciar meninas adolescentes para serem abusadas pelo megainvestidor americano.

O veredicto foi a conclusão de um mês de julgamento, que incluiu relatos de exploração sexual de meninas a partir dos 14 anos de idade, feitos por mulheres que descreveram os abusos sofridos de 1994 a 2004. Elas teriam sido abusadas em mansões de Epstein na Flórida, em Nova York e no Novo México.

O caso Virginia Giuffre

Giuffre, que também era uma das acusadoras de Epstein, entrou com uma ação civil em um tribunal em Nova York contra Andrew em agosto de 2021. Ela o acusa de abusos sexuais cometidos quando ela tinha 17 anos.

"Estou responsabilizando o príncipe Andrew pelo que ele fez comigo", disse Giuffre em um comunicado. "Os poderosos e os ricos não estão isentos de serem responsabilizados por seus atos. Espero que outras vítimas vejam que é possível não viver em silêncio e medo, mas recuperar a própria vida falando e exigindo justiça."

Em 2019, Giuffre já afirmava que, após ser apresentada por Epstein ao duque de York, ele a obrigou a ter relações sexuais três vezes quando ela era menor, em Londres, Nova York e em uma ilha particular no Caribe, entre 1999 e 2002. Andrew nega as acusações.

Na ocasião, Giuffre afirmou que não foi fácil decidir entrar com a ação judicial, pois como mãe e esposa, sua família "está em primeiro lugar", e ela teme ser alvo de ataques do membro da família real britânica.

Deutsche Welle

Espiã chinesa se infiltrou no parlamento britânico, segundo MI5




Membros do Parlamento Britânico durante sessão extraordinária

Email do gabinete do presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, aos legisladores identificou a suspeita como a advogada Christine Lee, que teria realizado 'atividades de interferência política em nome do Departamento de Trabalho da Frente Unida do Partido Comunista Chinês'. Embaixada chinesa negou acusações.

O serviço de inteligência interna do Reino Unido, o MI5, alertou os parlamentares que um suposto agente chinês "realizou atividades de interferência política" no Parlamento, informaram as autoridades de Westminster nesta quinta-feira (13).

O gabinete do presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, confirmou ter enviado um e-mail aos legisladores para informá-los sobre o caso.

"O 'speaker' (presidente da Câmara) leva muito a sério a segurança dos deputados e o processo democrático, para o qual emitiu este aviso em consulta com os serviços de segurança", declarou uma porta-voz de Hoyle.

A embaixada chinesa em Londres negou as acusações e disse que nunca precisou ou procurou "comprar influência em qualquer parlamento estrangeiro".

"Nós nos opomos fortemente ao truque de difamar e intimidar a comunidade chinesa no Reino Unido", criticou.

A mensagem identificava a suspeita como Christine Lee, afirmando que ela "realizou atividades de interferência política em nome do Departamento de Trabalho da Frente Unida do Partido Comunista Chinês", órgão que busca manter contato com personalidades ou grupos de fora do partido.

Esta advogada baseada em Londres teria doado 200 mil libras (US$ 275 mil dólares, ou 239 mil euros) ao deputado trabalhista Barry Gardiner e centenas de milhares ao seu partido.

A ex-primeira-ministra conservadora Theresa May - cujo partido foi acusado de receber milhões de libras de doadores russos - concedeu a Lee um prêmio em 2019 em reconhecimento por sua contribuição para os laços entre a China e o Reino Unido.

Lee também foi fotografada com o antecessor de May, o conservador David Cameron, em um evento em 2015, e separadamente com o ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn.

"Isso facilitou doações financeiras para deputados em serviço e aspirantes em nome de estrangeiros baseados em Hong Kong e na China", segundo a mensagem de Hoyle. "Foi feito de forma encoberta para mascarar a origem dos pagamentos".

Após o aviso do MI5 sobre as atividades de Lee, o ex-líder conservador Iain Duncan Smith, altamente crítico de Pequim, pediu uma ação forte.

No ano passado, a China impôs sanções a 10 pessoas e organizações no Reino Unido, incluindo Duncan Smith, pelo que chamou de disseminação de "mentiras e desinformação" sobre abusos de direitos humanos na região de Xinjiang (noroeste da China).

Lee não foi detida nem deportada, mas foi banida do Parlamento, denunciou.

AFP / G1

Detido líder de grupo de extrema-direita por papel no ataque ao Capitólio




O fundador e líder dos Oath Keepers, um dos principais grupos de extrema-direita dos Estados Unidos, foi detido pelo seu papel no ataque ao Capitólio, informou o Departamento de Justiça norte-americano.

Stewart Rhodes, de 56 anos, e 10 outros membros deste grupo de extrema-direita foram indiciados na quarta-feira por "insurreição", disse o Departamento de Justiça, num comunicado.

Esta é a acusação mais grave até ao momento contra os participantes no ataque à sede do Congresso, em 06 de janeiro de 2021, quando o Senado validava a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais.

Nove dos membros do Oath Keepers já tinham sido detidos e acusados por conspiração criminosa para interferir num processo oficial ou por violência, o que inclui o reconhecimento de algum grau de coordenação.

O líder do grupo, acusado de "insurreição", enfrenta a possibilidade de ser condenado por um crime punível com 20 anos de prisão.

De acordo com a acusação, Stewart Rhodes "associou-se" a alguns dos seus co-réus "com o objetivo de impedir a transferência pacífica do poder", em particular "através da violência".

"Eles organizaram o transporte de pessoas de todo o país até Washington, muniram-se de todo o tipo de armas, vestiram-se com equipamento de combate e estavam prontos para responder aos apelos às armas de Rhodes", segundo a acusação.

No momento do ataque, Stewart Rhodes, um ex-soldado que fundou os Oath Keepers em 2009, estava perto do Capitólio, mas não ficou claro, na investigação, se ele chegou a entrar no edifício.

Além de Rhodes, a polícia deteve hoje, no Arizona, outro membro deste grupo radical, Edward Vallejo, de 63 anos.

Jornal de Notícias (PT)

Além da conta - Editorial




Fenômeno global, disparada da inflação no Brasil foi agravada pela gestão de Bolsonaro na economia

A inflação ao consumidor terminou o ano passado em 10,06%, a maior variação desde 2015 e uma das mais altas da série histórica a partir do advento do sistema de metas para a inflação, em 1999.

É fato que o problema da alta acelerada dos preços se mostra global —nos Estados Unidos o índice comparável subiu 7%, em face principalmente de choques setoriais ocasionados pela pandemia.

Mas no Brasil a má gestão do Executivo, na saúde e na economia, impôs desnecessário peso sobre a população mais vulnerável. O perfil da alta dos preços foi especialmente cruel, com destaque para o encarecimento de produtos de primeira necessidade, como alimentos, energia e gasolina. Em 2021, esses três itens subiram 8,2%, 21,2% e 47,5%, respectivamente.

De outro lado, a inflação de serviços, notadamente os prestados pela mão de obra informal e menos especializada, foi menor (4,75%). Na prática houve uma grande perda de renda disponível para os mais pobres, agravada pelo desemprego.

As cenas de fome nas cidades e o crescimento da miséria —em julho de 2021 cerca de 13% da população vivia com renda domiciliar per capita abaixo de R$ 261 mensais, o maior percentual em uma década— expõem o drama social.

Embora, segundo estimativas do Banco Central, quase 70% da inflação de 2021 possa ser atribuída a fatores externos —alta das matérias-primas e variação do câmbio—, a desconfiança quanto à política econômica amplificou a pressão.

Num ano em que os preços de itens exportados pelo país, caso de minério de ferro e soja, dispararam no mercado internacional, seria esperado que o dólar caísse. Não foi o que ocorreu, sobretudo depois que o governo burlou os limites de gastos públicos para bancar a agenda eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O resultado foi a disparada do câmbio e das expectativas de inflação, o que obrigou o BC a ampliar o choque dos juros, que já chegam a 9,25% e atingirão dois dígitos em janeiro. Não por acaso as projeções de crescimento para 2022 caem continuamente.

O combate à inflação ocupa os principais bancos centrais do mundo. No caso dos EUA, o Federal Reserve já indicou que subirá a taxa básica com mais rapidez e retirará liquidez dos mercados. Mesmo assim, a política monetária permanece favorável ao crescimento e espera-se convergência às metas.

No Brasil, além das dificuldades de sempre, como a indexação que alonga o impacto do choque de preços, é mais difícil obter essa convergência quando há incerteza em relação à responsabilidade fiscal. O custo social é bem maior que alhures. Essa parte da conta pode ser atribuída a Bolsonaro.

Folha de São Paulo

Moro se reúne com pastor R.R.Soares e foca na seara evangélica de Bolsonaro




Fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus é apenas um da lista de encontros que o candidato do Podemos tem realizado com evangélicos

Por Ingrid Soares e Cristiane Noberto

Pré-candidato à Presidência da República, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) tem tentado atrair a confiança da ala evangélica, apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o mais recente levantamento do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), para as eleições deste ano, esse segmento está dividido entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual chefe do Executivo.

Na pesquisa, 34% do grupo religioso disse ter intenção de votar no petista, enquanto 33% afirmaram que optarão por Bolsonaro. O ex-ministro, por sua vez, apareceu apenas com 7% da preferência.

Para tentar reverter a situação, Moro tem promovido encontros com representantes desse eleitorado. O principal interlocutor do ex-juiz é Uziel Santana, fundador e ex-presidente da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (Anajure). Ele tem ajudado na coordenação da pré-campanha e apresentado o político do Podemos como um “conservador moderado e democrático”.

No fim do mês passado, Moro se reuniu com o pastor R.R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus. Já no último dia 7, dedicou parte de sua agenda na Paraíba ao pastor Estevam Fernandes. “Ouvir e aprender com pessoas de princípios e valores é essencial neste projeto de construir um Brasil mais justo”, escreveu Moro, no Twitter. Ao todo, ele já se reuniu com cerca de 40 líderes evangélicos.

Ainda que parte do segmento demonstre insatisfação com o governo, Bolsonaro ainda é um nome forte no meio por defender os “valores cristãos”. Segundo o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG), mesmo que o eleitorado das igrejas esteja dividido, é “óbvio que o evangélico vai procurar quem defenda seus princípios”.

O parlamentar frisou que o assunto Moro não está sendo discutido pelo partido, do qual é presidente estadual, mas ele mostrou cautela em relação ao pré-candidato. “O meu sentimento é de que há questionamentos quanto a índole dele. Um juiz que quebra as regras, será que ele também não quebrará ao assumir um mandato como presidente? Essa preocupação existe em várias pessoas”, sustentou.

A deputada Dra. Vanda Milani (Solidariedade-AC) foi taxativa: “Não está claro quais são os objetivos de Sergio Moro”. De acordo com a parlamentar, o ex-juiz não possui os valores cristãos e, para ela, a maioria dos evangélicos tende a continuar com Bolsonaro.

“Considerando os valores cristãos, acredito que é Bolsonaro mesmo. O que ele (presidente) vem fazendo poderá ser visto com mais tempo, daqui a dois anos”, disse. “Sobre Moro, eu nem acredito que a candidatura vingue.”

Na avaliação do cientista político André César, sócio da Hold Assessoria, há dois grupos de evangélicos: os históricos, como batistas, presbiterianos, anglicanos e neopentecostais. Segundo o especialista, é este último que está mais dividido. “Bolsonaro começa a enfrentar uma resistência porque Lula chegou e está se colocando como alternativa. Ele ganha espaço, pois as pessoas já o conhecem”, enfatizou.

César destacou que Moro é um desconhecido se comparado a Bolsonaro, que está com a máquina na mão, e Lula, que tem legado. “Moro é um cara novo, muito diferente. Quem quer ser presidente, tem de estar no meio desse eleitorado. O problema é que não vejo como vai fazer isso”, comentou.

Correio Braziliense / Estado de Minas

Bolsonaro fez uma cópia da chave do cofre da União para Ciro Nogueira”, diz Castello Branco




Ciro Nogueira e Bolsonaro

No desespero para garantir uma base parlamentar de apoio enquanto a popularidade só despenca nas pesquisas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) manteve o antigo Ministério do Planejamento sob a tutela do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas tirou o poder de gestão do Orçamento do Posto Ipiranga e entregou para o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

POR ROSANA HESSEL 

“No vale tudo eleitoral, o Orçamento passou a ser subordinado à Casa Civil. O ministério da Economia, que já vinha sendo desmembrado, agora, perde autonomia. O Posto Ipiranga passa a ser o Centrão”, afirmou o especialista em contas públicas Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas . Na avaliação do economista, Bolsonaro “fez uma cópia da chave do cofre da União” para o senador licenciado e presidente do Progressistas, por meio de um decreto.

“No vale tudo eleitoral, o Orçamento passou a ser subordinado à Casa Civil. O ministério da Economia, que já vinha sendo desmembrado, agora perde autonomia. O Posto Ipiranga passa a ser o Centrão”, afirmou o especialista em contas públicas Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas . Na avaliação do economista, Bolsonaro “fez uma cópia da chave do cofre da União” para o senador licenciado e presidente do Progressistas, meio do decreto.

“De fato, nosso regime atual é semi-presidencialista. Os parlamentares que compõem a cúpula do Centrão estão governando. Como a popularidade do presidente está em queda livre, o preço do apoio político está cada vez maior”, destacou o especialista.

O decreto publicado nesta quinta-feira (13/01) no Diário Oficial da União, na prática, enfraquece Guedes e dá poder ao cacique do Centrão, condicionando as competências do ministro da Economia em relação ao Orçamento, como abertura de créditos suplementares, especiais e extraordinários, a parecer favorável da Casa Civil. É Nogueira quem terá o poder de decisão sobre o destino dos R$ 4,9 bilhões previstos no fundo eleitoral e a cooptação de parlamentares para ampliação da base por meio dos R$ 16,5 bilhões das emendas de relator aprovadas.

Castello Branco lembrou que os decretos que envolviam assuntos econômicos já passavam necessariamente pela Casa Civil. “Algumas normas que eram editadas por portarias do próprio ministério da Economia, com o decreto, passarão a ser submetidas à Casa Civil. Agora, o Centrão, passa a ter acesso prévio, por exemplo, aos remanejamentos de recursos entre órgãos e grupos de despesa, certamente para preservar programas e ações das Pastas de maior interesse político”, afirmou.

Enfraquecimento

No Ministério da Economia, a versão oficial é de que Guedes não está enfraquecido e que “tudo foi combinado antes”, e, portanto, haverá “uma “divisão de responsabilidades” na distribuição dos recursos relacionados à ala política.

“A medida não significa enfraquecimento do ME. Ela resulta de um consenso entre os ministérios envolvidos, visando melhorar a coordenação para o alcance dos objetivos e prioridades do governo. Vale lembrar que a Casa Civil e o Ministério da Economia integram a Junta de Execução Orçamentária (JEO), que é a instância em que as decisões relevantes com relação à matéria orçamentária são tomadas”, informou a pasta em nota.

Contudo, de acordo com interlocutores de Paulo Guedes na Esplanada, o ministro não quis procurar briga com o chefe da Casa Civil. “Ciro Nogueira é um político clássico. Não dá para o ministro ficar bravo com ele por ser quem ele é”, disse uma fonte do governo.

Vale lembrar que, no ano passado, o enfraquecimento do Posto Ipiranga era tão evidente que o Ministério da Economia foi loteado justamente quando o Centrão passou a mandar no governo e Ciro Nogueira foi para a Casa Civil. Guedes conseguiu manter o Planejamento naquela época, mas perdeu os antigos ministérios do Trabalho e da Previdência para o ex-ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni, que também passou pela Cidadania e pela Secretaria-Geral da Presidência.

Correio Braziliense

Por que Trump agora defende vacinação contra covid?




Por  Mariana Sanches, em Washington

Ao defender vacinas, Donald Trump estaria em busca de reconhecimento eleitoral por ter investido para produzi-las

Com seu estilo showman, o ex-presidente dos EUA Donald Trump é conhecido pela capacidade de eletrizar sua base eleitoral, que o reverencia mesmo depois de sua partida da Casa Branca. Ultimamente, no entanto, ele decidiu contrariar parte de seus apoiadores. E chegou a ser vaiado por quem costumava aplaudi-lo.

Apoiadores do Partido Republicano, ao qual Trump pertence, são apontados por pesquisas populares como um dos grupos mais resistentes à vacinação. Em setembro, um levantamento feito pelo Kaiser Family Foundation a partir dos dados de vacinação por condados americanos mostrou que, naqueles em que Trump teve a maioria dos votos, apenas 39,9% da população havia sido vacinada. Em comparação, as áreas em que o atual presidente democrata Joe Biden venceu tinham uma taxa média de 52,8% de totalmente imunizados.

Apesar disso, Trump fez uma série de declarações públicas nos últimos dias de dezembro de 2021 e no início de janeiro de 2022 em que recomendou os imunizantes, contrariando seus eleitores e seu próprio histórico no tema que polariza a sociedade americana como poucos e pode influenciar as próximas eleições no país.

Mas o que levou Trump a essa guinada em um tema tão sensível, sob o risco de até perder votos numa eventual eleição presidencial em 2024?

Analistas políticos apontam que a explicação pode estar na mudança de opinião dos próprios republicanos sobre vacina, o que levaria Trump a reivindicar os méritos pela produção delas. Há também quem aponte para uma necessidade do ex-presidente de suavizar a própria imagem e reconquistar parte do eleitorado perdido para Biden em 2020 ou mesmo uma preocupação de que a covid-19 esteja matando desproporcionalmente sua base eleitoral, que costuma ser mais antivacina que os democratas.

Trump e a propaganda pró-vacina

'Parte dos republicanos resiste a se vacinar'

Em 21 de dezembro, durante uma entrevista ao ex-âncora da rede conservadora Fox News, Bill O'Reilly, Trump admitiu ter recebido a terceira dose de vacina contra a covid-19, além de afirmar que as vacinas são seguras e que salvaram "dezenas de milhões de pessoas".

Em uma nova aparição na Fox News, dois dias mais tarde, Trump se disse "muito agradecido" ao atual presidente dos EUA, Joe Biden, a quem ele sequer transmitiu o cargo por considerar, sem provas, que houve fraude na eleição fraudulenta. O aceno do republicano ao sucessor aconteceu porque, em um discurso à nação, Biden reconheceu que "graças à gestão anterior (Trump) e à nossa comunidade científica, os EUA foram um dos primeiros países a terem vacinas".

"Acho que ele (Biden) fez algo muito bom. Tem de haver um processo de cura neste país, e isso vai ajudar muito", entusiasmou-se Trump.

Depois, em nova entrevista, dessa vez com a apresentadora conservadora Candace Owens, Trump foi ainda mais enfático. "A vacina é uma das maiores conquistas da humanidade." Quando Owens, que não se vacinou, tentou lançar dúvidas sobre a segurança e a eficácia dos imunizantes, Trump nem permitiu que ela terminasse as frases. "Ah, não. As vacinas funcionam. Aqueles que estão ficando muito doentes, sendo hospitalizados, são aqueles que não estão vacinados. Se você toma a vacina, você está protegido."

Nesta quarta, 12/1, em entrevista à rede de televisão OAN, também conservadora, Trump não só defendeu a vacina e afirmou não ter tido "nenhuma reação colateral" como também usou o assunto para atacar colegas do próprio partido Republicano. "Eu tomei a vacina e a dose de reforço. Eu ouço as entrevistas de alguns políticos em que eles são perguntados se tomaram o reforço e ficam 'é, é…'. A resposta é sim, mas eles não querem dizer porque eles são covardes", disse o ex-presidente, reconhecendo que o tema é impopular em sua base eleitoral.

Embora não tenha citado nomes, a crítica de Trump se dirigia ao atual governador da Flórida, Ron DeSantis, tido no partido como um possível sucessor de Trump à candidatura presidencial. Ele tem se recusado a dizer se foi vacinado com terceira dose ou não.

O comportamento de Trump não gerou apenas vaias na plateia trumpista presente em uma dessas entrevistas. Houve também revolta entre alguns de seus mais fervorosos seguidores.

Condenado por disseminar teorias da conspiração, o apresentador de rádio de extrema-direita Alex Jones, historicamente simpático a Trump, afirmou em seu programa que o ex-presidente era "patético" em seu apoio a vacinas, além de ser "um completo ignorante" ou "um dos mais mal-intencionados homens a já ter vivido". E sugeriu a seus ouvintes que seria hora de "deixar Trump pra trás".

O apresentador de rádio Wayne Allyn Root, trumpista de carteirinha, disse que o ex-presidente estava "certo em tudo" o que disse nas entrevistas citadas acima, exceto em relação às vacinas, tema no qual ele precisaria de uma "intervenção".

Eleitores trumpistas também expressaram incredulidade ou contrariedade à BBC News Brasil. "Era uma evidente montagem, não creio que ele falou isso de verdade", afirmou uma republicana de 52 anos, funcionária da cidade de Oklahoma, não vacinada, depois de assistir a uma das entrevistas. Ela não quis ser identificada na reportagem.

Trump financiou vacinas e foi maior influenciador antivacina da pandemia

A nova atitude do republicano sobre vacinas se choca também com seu próprio histórico.

Embora tenha criado a Operação Warp Speed, que injetou mais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões) em pesquisas para a criação de vacinas contra a covid-19 e impulsionou o desenvolvimento dos imunizantes da Johnson e da Moderna, Trump se recusou a tomar vacina publicamente, como seus três antecessores e seu sucessor fizeram.

'Diferente de Trump, Obama, Clinton e Bush aceitaram tomar vacina contra covid-19 publicamente'

Além disso, ele levou meses pra admitir que havia sido imunizado ainda quando era presidente, minimizou repetidamente os riscos da covid-19 ("é como um gripe"), e disse, já fora da Presidência, que ele "provavelmente não iria" tomar a dose de reforço, já que estava "em boa forma". Trump também disseminou informações falsas sobre vacinas e autismo, associação que diversos órgãos de saúde pública dos EUA descartaram categoricamente.

O ex-presidente chegou a ser identificado por pesquisadores como o principal influenciador da combativa comunidade anti-vacina, antes de ser retirado das redes sociais. "Os grupos antivacina funcionam como uma espécie de câmara de eco dos discursos de algumas figuras muito relevantes, e embora Trump tivesse um comportamento ambíguo, ao financiar vacinas e dizer coisas negativas sobre elas ao mesmo tempo, ela era uma figura central pra esse grupo", afirmou à BBC News Brasil Federico Germani, pesquisador em bioética da Universidade de Zurique (Suíça), autor de estudos sobre a comunidade antivacina.

Por que Trump passou a defender vacinação?

O que explica, portanto, que ele tenha mudado de postura e que, nas últimas semanas, tenha defendido e recomendado as vacinas publicamente ao menos em cinco ocasiões diferentes?

Um consultor político do Partido Republicano, que falou à BBC News Brasil em caráter reservado dada a sensibilidade do tema, afirmou que "Trump jamais foi antivacina pessoalmente, mas como o tema da covid-19 ficou muito politizado e era negativo para Trump quando deixou a Casa Branca, ele optou por não se engajar em incentivos públicos pela vacinação".

O desempenho de Trump na condução da pandemia era um dos tópicos em que o republicano tinha pior avaliação durante a campanha eleitoral. Não à toa, seu rival, Joe Biden, concorreu com a premissa de encerrar a pandemia no país. Às voltas com uma nova onda recorde de casos e hospitalizações, provocados pela variante ômicron, são os democratas que agora têm a pandemia como uma de suas fragilidades.

'Joe Biden acompanha vacinação de americano; pandemia se tornou tema delicado para democratas'

"Tudo para Trump é sobre bater no peito e dizer que sob sua liderança os americanos estavam em melhor condição. Então, ele quer resgatar esse legado de ter feito a Operação Warp Speed e ter levado a vacina aos americanos", avalia o consultor republicano.

Atualmente, Trump trabalha tanto para fazer o Partido Republicano retomar a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato, no fim de 2022, quanto para disputar as eleições presidenciais em 2024.

Nesse esforço, ele estaria também sintonizado com o comportamento da opinião pública e com os recados que vieram das urnas em 2020. Enquanto a resistência às vacinas têm caído, embora lentamente, no país, há uma forte rejeição entre os americanos, em especial entre os republicanos, sobre decisões do governo que obriguem certos grupos profissionais a serem vacinados sob pena de demissão. Segundo uma pesquisa do Instituto YouGov feita em outubro, cerca de 70% dos republicanos são contra as medidas de obrigatoriedade vacinal impostas pelo governo Biden e atualmente em deliberação pela Suprema Corte.

"Acredito que a principal razão por trás da mudança no tom de Trump é que, embora a obrigatoriedade das vacinas permaneça extremamente impopular à direita, o tamanho da porção antivacina muito ardente do Partido Republicano está ficando menor. Muitas pessoas permanecem não vacinadas, mas há menos fervor sobre isso. Trump está sendo cauteloso ao dizer que acha que as vacinas são eficazes e as pessoas devem tomá-las se quiserem, mas não devem ser forçadas a isso. Essa abordagem tem o benefício de suavizar sua imagem para os eleitores suburbanos que não estão na extrema direita, público que ele perdeu para Biden em 2020", afirma Clayton Allen, diretor de análises políticas sobre os Estados Unidos da Consultoria Eurasia Group.

Embora saiba que esse movimento para atrair o eleitorado moderado possa irritar parte de sua mais extremada base, o cálculo de Trump é o de que, em um ambiente bipartidário (só há dois partidos competitivos na eleição americana), eles não teriam nenhuma outra opção de candidato para substituí-lo. E iriam às urnas apoiá-lo, apesar da não obrigatoriedade do voto, porque rejeitam com muito fervor os democratas e mantêm ainda muitos pontos de convergência com a agenda trumpista.

Allen nota ainda que o comportamento de outros republicanos, como o senador Mitch McConnell ou o governador do Texas Greg Abbott, sugerem que as vacinas têm aumentado de valor entre eleitores. "Todos eles têm dito que a vacina é a melhor defesa contra a pandemia, embora defendam que a decisão de se imunizar é pessoal. Certamente as pesquisas deles indicam que os eleitores têm apreciado mais e mais as vacinas, e que elas podem chegar a 2024 como um recurso visto como muito valioso pelos americanos. Nesse caso, Trump jamais deixaria de dar sua volta da vitória em relação a elas."

O posicionamento do Partido Republicano contrasta com o de outras direitas pelo mundo inspiradas no trumpismo. O caso mais notório é o do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que segue afirmando que não se vacinou e recentemente criticou a Anvisa, órgão técnico responsável por avaliar e autorizar vacinas no Brasil, ao dizer que seus servidores são "tarados" por vacina.

Eleitores do Partido Republicano estão morrendo mais na pandemia?

Por fim, há quem acredite que os comentários de Trump podem refletir uma preocupação genuína com sua própria saúde e de seus eleitores.

'De acordo com os cálculos do economista da Universidade de Zurique, David Yanagizawa-Drott , com mais de 700 dias desde o início da pandemia, a taxa de mortalidade em condados americanos com maioria republicana é 28% maior do que em condados de maioria democrata. "E a distância (das linhas de mortalidade entre democratas e republicanos) segue aumentando", notou em um post de 3 de janeiro no Twitter'

"Sabemos agora que Trump teve um caso bastante grave de covid-19, o que pode ter mudado sua perspectiva sobre a gravidade da doença", afirmou o cientista político Michael Traugott, especialista em comunicação política da Universidade de Michigan (EUA). Traugott menciona as revelações recentes feitas em livro pelo então chefe de gabinete de Trump Mark Meadows. "Seus níveis de oxigênio caíram para cerca de 86%, um patamar perigosamente baixo para alguém de sua idade", escreveu Meadows em seu livro "The Chief's Chief", lançado em dezembro e sem tradução no Brasil. Em geral, o mínimo de oxigenação sanguínea considerada normal é de 95%.

A resistência à vacina entre o eleitorado republicano, em um país com o maior número absoluto de mortes (quase 850 mil), tem levado economistas e estatísticos a tentar descobrir se a covid-19 tem matado mais esse grupo do que democratas, o que poderia, em última análise, ter impacto no resultado de uma eleição apertada como costuma ocorrer nos EUA.

De acordo com os cálculos do economista da Universidade de Zurique, David Yanagizawa-Drott , com mais de 700 dias desde o início da pandemia, a taxa de mortalidade em condados americanos com maioria republicana é 28% maior do que em condados de maioria democrata. "E a distância (das linhas de mortalidade entre democratas e republicanos) segue aumentando", notou Yanagizawa-Drott em um post de 3 de janeiro no Twitter.

Procurado pela BBC News Brasil para comentar as implicações eleitorais desses dados, Yanagizawa-Drott preferiu não opinar.

Mas o economista brasileiro Bernardo Guimarães, da Fundação Getulio Vargas (FGV), tentou aprofundar a investigação e calculou que um acúmulo de 250 mil mortes a mais para um lado poderia, por exemplo, implicar na perda de um assento no Congresso para o partido com mais baixas. "É claro que o sistema americano, com o colégio eleitoral, é complexo, há áreas em que uma perda grande de votos para um lado ou para o outro não faria qualquer diferença. Mas é plausível do ponto de vista matemático que as fatalidades da pandemia possam afetar diretamente o resultado ao eliminar massas de eleitores", afirmou Guimarães à BBC News Brasil.

É possível que as motivações de Trump para a mudança de rumo em relação às vacinas nunca sejam completamente esclarecidas. Mas um dado evidente é o quão seguro ele parece estar de sua nova posição. Diante da plateia de republicanos que o vaiavam, no fim de dezembro, ele fez um gesto impaciente com a mão e afirmou: "Podem parar, podem parar. É só um pequeno grupo de pessoas, bem ali."

BBC Brasil

Com muitos candidatos, “terceira via” é um fracasso anunciado




Moro, Ciro, Doria e Tebet não parecem dispostos a um entendimento, embora, isoladamente, não consigam romper a polarização Lula (PT) x Bolsonaro (PL)

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Cerca de dois anos e meio após o golpe de Estado de 1964, que destituiu o presidente João Goulart, o político que havia defendido aquela intervenção militar desde a eleição do presidente Getúlio Vargas, em 1950, o ex-governador da então Guanabara Carlos Lacerda fez uma surpreendente autocrítica e convocou seus antigos inimigos a se unirem contra os militares. Lançada em 28 de outubro de 1966, a Frente Ampla reuniria também os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, para restaurar a democracia.

Lacerda havia sido alijado do centro das decisões do governo do marechal Castelo Branco. Tentou, sem êxito, estruturar um novo partido, uma vez que a grande maioria da sua legenda, a União Democrática Nacional (UDN), principal base de apoio do governo no Congresso, ingressou no novo partido situacionista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Os deputados da Guanabara fiéis à orientação de Lacerda, entretanto, ingressaram no oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em julho de 1966. As negociações de Lacerda com Juscelino, cassado em junho de 1964 e exilado em Lisboa, avançaram com relativa facilidade, pois ambos haviam apoiado o golpe de Estado; porém, com o ex-presidente Goulart, foram mais difíceis.

A tensão entre os militares e os principais líderes políticos que apoiaram o golpe crescia. Em 3 de outubro, o Congresso elegera o marechal Artur da Costa e Silva à Presidência da República, que, nove dias depois, cassaria os mandatos de seis parlamentares, entre eles Doutel de Andrade, um dos articuladores da Frente Ampla. O arenista Adauto Lúcio Cardoso, presidente da Câmara dos Deputados, reagiu, afirmando que a decisão sobre as cassações de mandatos era competência da Câmara. Em resposta, no dia 21, o governo prendeu Doutel e fechou o Congresso.

A Frente Ampla foi finalmente lançada por Lacerda, em 28 de outubro de 1966, por meio de um manifesto dirigido ao povo brasileiro e publicado no jornal carioca Tribuna da Imprensa. Em 19 de novembro de 1966, na Declaração de Lisboa, Lacerda e Kubitschek anunciaram que suas divergências estavam superadas e integrariam uma frente ampla de oposição ao regime. Dez meses depois, Lacerda firmou, em Montevidéu, uma nota conjunta com Goulart, na qual a Frente Ampla era caracterizada como um “instrumento capaz de atender… ao anseio popular pela restauração das liberdades públicas e individuais”.

Comícios foram realizados em São Paulo (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), em dezembro de 1967, e no Paraná (Londrina e Maringá), no início de abril de 1968. Simultaneamente, houve grandes manifestações estudantis em todo o país, em protesto contra a violência policial que, em fins de março, no Rio de Janeiro, resultara na morte do estudante Edson Luís de Lima Souto. As atividades da Frente Ampla, porém, foram proibidas, em 5 de abril, por intermédio da Portaria nº 117 do Ministério da Justiça. Em 13 de dezembro, com a edição do Ato Institucional nº 5, houve o definitivo fechamento do regime.

Ambições solitárias

A Frente Ampla defendida por Lacerda, Juscelino e Jango viria a se materializar muito mais tarde, na eleição de Tancredo Neves, no colégio eleitoral, em 1985, que morreu antes de tomar posse. Recebera o apoio de líderes que até então apoiavam o regime militar, como José Sarney (o vice que assumiria a Presidência), Antônio Carlos Magalhães, Marco Maciel e José Agripino. Velhos adversários foram capazes de deixar as diferenças de lado quando a necessidade os obrigou a se unirem. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin, adversários em São Paulo desde as eleições de 1982, sinalizam uma aliança nessa linha.

Entretanto, os candidatos que defendem a chamada terceira via, até agora, não parecem dispostos a um entendimento, mantendo candidaturas que, isoladamente, não estão sendo capazes de romper a polarização existente entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é franco favorito, e o presidente Jair Bolsonaro (PL), até agora com lugar cativo no segundo turno. Se as eleições fossem hoje, Lula venceria no primeiro turno, com 45% dos votos, segundo Pesquisa Genial Quaest, divulgada ontem. Bolsonaro (PL) teria 23% dos votos e Sergio Moro (Podemos), 9%. O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) ficaria com 5% e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), 3%. A senadora Simone Tebet (MDB) teria 1%. Nas respostas espontâneas, embora Lula registre 27% e Bolsonaro, 16%, o nível de indecisos ainda é elevado: 52%.

Correio Braziliense

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