sexta-feira, janeiro 14, 2022

Economia tem pouco a comemorar no Bicentenário




"Brasil cresceu em apenas 50 dos 200 anos transcorridos desde sua independência"

O Brasil teve forte crescimento em apenas 50 dos 200 anos que passaram desde que se declarou independente de Portugal. No resto do tempo, a economia ou estagnou, ou encolheu. Qual é o motivo para esse desempenho fraco?

Por Alexander Busch* (foto)  

Este ano, em 7 de setembro, o Brasil comemora os 200 anos de sua independência. Do ponto de vista econômico, o balanço desses dois séculos é modesto. Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, demonstrou recentemente esse fato com uma análise estatística, segundo a qual o Produto Interno Bruto da população brasileira, de cerca de 5 milhões de pessoas em 1822, equivalia mais ou menos à metade do PIB dos americanos no mesmo ano. Um terço do povo brasileiro era escravizado.

Cem anos depois, a população cresceu para cerca de 30 milhões de pessoas. Com o café e a borracha, o Brasil viveu um boom de exportações. Mas a produção econômica havia encolhido para parcos 18% do PIB americano.

A partir de 1930, com o início da industrialização, começou a fase de crescimento mais longeva do Brasil até hoje. O país foi industrializado, aberto para a infraestrutura, cidades brotaram, também no interior. O Estado investiu maciçamente em megaprojetos como a Usina de Itaipu ou a fabricante de aeronaves Embraer. Alguns desses projetos tiveram sucesso. Muitos fracassaram.

Essa fase de crescimento durou meio século, até 1980, ano no qual foi registrado o pico do rendimento dos brasileiros em comparação com o dos americanos. Mesquita estima que o PIB per capita dos brasileiros era de 30 a 40% em comparação com o dos americanos. Desde então – principalmente nos últimos dez anos –, voltou a encolher para cerca de 25% do PIB americano.

O economista-chefe do Itaú Unibanco vê a abertura inexistente do país e o consequente protecionismo como motivo decisivo para o fraco desempenho do Brasil no contexto internacional.

No jornal Valor Econômico, Mesquita escreve que "o modelo de crescimento acelerado baseado em substituição de importações e liderado pelo Estado, que selecionava, protegia e financiava os chamados 'campeões nacionais'" é a razão para a estagnação econômica.

Eu vejo as coisas de maneira um pouco diferente.

Certamente, o isolamento de sua economia e a subvenção de empresas individuais é um motivo importante para explicar a falta de dinâmica na economia brasileira. Mas não é o motivo decisivo.

É que modelos similares já funcionaram relativamente bem na Ásia, a exemplo da Coreia do Sul. Com incentivos estatais direcionados a "campeões nacionais" e longos anos de substituição de importações, Seul criou uma indústria com capacidade para alto desempenho. O PIB per capita no país deixou o brasileiro para trás.

Mais decisivo, na minha visão, é que o Brasil sempre só incluiu uma pequena parte da população em sua economia. Isso começou nos tempos coloniais, com a escravidão. Até hoje, porém, a maioria da população é excluída ou participa da economia apenas marginalmente.

Há poucas possibilidades de ascensão para a maior parte dos brasileiros: a má qualidade do ensino público e do sistema de saúde, a segurança pública ausente e a infraestrutura fraca impedem que a maioria da população tenha chance de se integrar na produção econômica.

Isso vale principalmente para a grande fatia afrodescendente da população (56%) e também para os 30 milhões de brasileiros que têm apenas até um salário-mínimo à sua disposição. Quem não consegue obter uma educação também ganhará pouco dinheiro e nunca conseguirá consumir de forma a catalisar um salto de desenvolvimento na economia.

Enquanto a elite brasileira – ou seja, as classes média e alta – dividir entre si os cargos públicos administrativos e nas empresas estatais, além dos postos nos conselhos administrativos e cargos de diretoria nas empresas privadas, o Brasil continuará crescendo abaixo de seu potencial.

Apesar de todos os avanços e tentativas das últimas duas décadas, o Brasil está cada vez menos preparado para a transformação digital da sociedade e da economia que acontece atualmente no mundo todo.

Há pouco a comemorar nas celebrações do bicentenário da Independência.

*Há mais de 25 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

Deutsche Welle

PIB global deve crescer 4,0% em 2022 e 3,5% em 2023, diz relatório da ONU




Para a economia brasileira, a projeção é de crescimento de 0,5% em 2022 e de 1,9% em 2023

O Produto Interno Bruto (PIB) global deve crescer 4,0% neste ano e 3,5% em 2023, de acordo com o relatório Situação Econômica Global e Perspectivas (WESP, na sigla em inglês), publicado nesta quinta-feira, 13, pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento adverte para o fato de que a retomada mundial enfrenta “ventos contrários significativos”, em meio a novas ondas da covid-19, “desafios persistentes no mercado de trabalho, desafios duradouros nas cadeias de suprimento e crescentes pressões inflacionárias”.

Em 2021, o PIB global avançou 5,5%, estima ainda o relatório.

No caso dos EUA, a expectativa é de crescimento econômico de 3,5% em 2022 e de 2,4% em 2023. Para a zona do euro, ela é de avanço de 3,9% neste ano e de 2,6% no seguinte.

Para a China, é de altas de 5,2% e 5,5%, respectivamente.

Já para a economia brasileira, a projeção é de crescimento de 0,5% em 2022 e de 1,9% em 2023.

A ONU projeta que, no caso da Argentina, a economia registre crescimento de 2,2% no ano atual e de 2,6% em 2023. Para o México, espera avanços de 2,9% e 2,2%, respectivamente.

A ONU destaca o impacto global da onda recente de casos da covid-19, com a variante Ômicron, e projeta que o custo humano e econômico da doença deve aumentar de novo.

A entidade pede uma resposta coordenada e sustentada para conter a pandemia, que inclua o acesso universal a vacinas, e destaca o risco da pandemia para uma recuperação inclusiva e sustentável. Para a ONU, a pandemia deixa como uma “cicatriz de longo prazo” uma maior desigualdade.

O relatório ainda adverte que, no contexto atual, países emergentes correm o risco de enfrentar fraqueza de longo prazo em seus mercados de trabalho.

Estadão / InfoMoney

PIB global deve crescer 4,0% em 2022 e 3,5% em 2023, diz relatório da ONU

 




Para a economia brasileira, a projeção é de crescimento de 0,5% em 2022 e de 1,9% em 2023

O Produto Interno Bruto (PIB) global deve crescer 4,0% neste ano e 3,5% em 2023, de acordo com o relatório Situação Econômica Global e Perspectivas (WESP, na sigla em inglês), publicado nesta quinta-feira, 13, pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento adverte para o fato de que a retomada mundial enfrenta “ventos contrários significativos”, em meio a novas ondas da covid-19, “desafios persistentes no mercado de trabalho, desafios duradouros nas cadeias de suprimento e crescentes pressões inflacionárias”.

Em 2021, o PIB global avançou 5,5%, estima ainda o relatório.

No caso dos EUA, a expectativa é de crescimento econômico de 3,5% em 2022 e de 2,4% em 2023. Para a zona do euro, ela é de avanço de 3,9% neste ano e de 2,6% no seguinte.

Para a China, é de altas de 5,2% e 5,5%, respectivamente.

Já para a economia brasileira, a projeção é de crescimento de 0,5% em 2022 e de 1,9% em 2023.

A ONU projeta que, no caso da Argentina, a economia registre crescimento de 2,2% no ano atual e de 2,6% em 2023. Para o México, espera avanços de 2,9% e 2,2%, respectivamente.

A ONU destaca o impacto global da onda recente de casos da covid-19, com a variante Ômicron, e projeta que o custo humano e econômico da doença deve aumentar de novo.

A entidade pede uma resposta coordenada e sustentada para conter a pandemia, que inclua o acesso universal a vacinas, e destaca o risco da pandemia para uma recuperação inclusiva e sustentável. Para a ONU, a pandemia deixa como uma “cicatriz de longo prazo” uma maior desigualdade.

O relatório ainda adverte que, no contexto atual, países emergentes correm o risco de enfrentar fraqueza de longo prazo em seus mercados de trabalho.

Estadão / InfoMoney

Sob pressão, Twitter diz remover 7 posts de desinformação de covid por hora; 'É pouco', dizem especialistas




Redes sociais como o Twitter estão sob pressão por medidas contra desinformação

Por  Rafael Barifouse, em São Paulo

Sob pressão de usuários e da Justiça para combater a desinformação sobre a covid-19, o Twitter diz ter removido 63.876 posts por violarem sua política contra fake news sobre a pandemia no último ano, o que equivale a sete tuítes por hora, em média.

A rede social suspendeu por esse motivo na última semana as contas de dois de seus usuários mais influentes no Brasil.

O pastor Silas Malafaia disse que que a vacinação de crianças contra a covid-19 seria um "infanticídio" e foi obrigado a apagar essa e outras mensagens consideradas "gravemente nocivas".

Seu perfil ficou fora do ar temporariamente por causa disso.

O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, também foi suspenso. O Twitter disse que fez isso por causa de uma ordem judicial.

Hang esclareceu que o motivo teria sido um vídeo que ele compartilhou, em que um neurocirurgião que é contra a vacinação infantil para covid-19 falava sobre o assunto.

Hang e Malafaia criticaram o Twitter. Disseram que suas suspensões foram injustas e atentam contra sua liberdade de expressão.

O Twitter tem desde março de 2020 uma política específica para combater a divulgação de informações falsas e enganosas sobre covid-19.

Questionada pela BBC News Brasil sobre os resultados obtidos até agora, a empresa apresentou dados que apontam que, em 2021, foram tirados do ar em todo o mundo sete tuítes por hora por causa deste motivo.

O Twitter não divulga o número de postagens publicadas em sua plataforma, mas o site Internet Live Stats aponta que seriam cerca de 500 milhões por dia, ou 20,8 milhões por hora.

Ao todo, no último ano, foram removidos 63.876 tuítes por desinformação sobre covid-19.

Para Raquel Recuero, coordenadora do Laboratório de Mídia, Discurso e Análise de Redes Sociais (Midiars) da Universidade Federal de Pelotas, o número é insuficiente.

"É pouco. É um número muito pequeno para a escala de desinformação que tem hoje só Brasil", avalia Recuero.

Como o Facebook mudou a internet, o comércio e até a política

Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio), concorda.

"Tirar do ar sete posts por hora parece pouco. considerando que o Twitter se tornou umas das principais ferramentas de mobilização e construção de mensagens que são ligadas a conteúdos desinformativos, que vão desde questionar as urnas até duvidar das vacinas", diz Souza.

Os dados do Twitter mostram ainda que, em 2021, foram suspensas 3.455 contas por violarem as regras de desinformação sobre covid-19.

Atualmente, a rede social tem no mundo 211 milhões de usuários ativos (que acessam diariamente o serviço), de acordo com a própria empresa.

O Twitter não quis comentar a avaliação dos especialistas entrevistados pela BBC News Brasil.

A rede social afirmou, no entanto, que vem aprimorando ao longos dos últimos quase dois anos sua política de combate à desinformação sobre a covid-19.

A empresa disse que a remoção de conteúdo e a suspensão de contas são atualmente apenas duas das medidas previstas.

Um tuíte pode, por exemplo, ser sinalizado por conter "informações enganosas e potencialmente prejudiciais". A rede social também pode atrelar um link à publicação para informar melhor o usuário sobre o assunto.

Recuero diz que o Twitter tem sofrido, especialmente nas últimas semanas, críticas e cobranças em relação à sua política de desinformação.

"Acredito que tenha a ver com a vacinação infantil, que provocou essa reação. Mas me parece que o Twitter tem permitido muita desinformação. Tem desinformação até na lista de assuntos mais comentados."

A pesquisadora ressalta ainda que, mesmo quando o conteúdo é removido, o tempo de reação pode comprometer todo o esforço.

"O objetivo dos posts desinformativos é viralizar e, quando viralizam, eles têm uma quantidade absurda de retuítes. Se a plataforma demora para excluir o tuíte original, ele já vai ter sido muito replicado, e a remoção do primeiro post acaba sendo ineficaz."

Isso é especialmente preocupante, segundo Souza, quando as mensagens falsas ou enganosas são publicadas por pessoas que têm muitos seguidores, como Hang e Malafaia.

"As postagens ganham uma visibilidade e repercussão ainda maior", avalia.

O que aconteceu?

'Conta do empresário Luciano Hang foi suspensa'

O empresário Luciano Hang tinha mais de 250 mil seguidores, por exemplo, em sua conta no Twitter que foi suspensa na quarta-feira (12/1).

Este era seu segundo perfil na rede social e foi criado após o primeiro ter sido tirado do ar por ordem do STF ainda em 2020.

O Twitter informou que a nova medida também foi tomada por ordem da Justiça, mas não deu mais detalhes.

O empresário explicou, em nota enviada à imprensa, que o motivo teria sido o compartilhamento de um vídeo em que o médico José Augusto Nasser fala sobre a vacinação infantil.

Nasser foi um dos convidados pela deputada federal Bia Kicis (PSL/DF) para falar na audiência pública promovida pelo Ministério da Saúde sobre o tema.

Na ocasião, ele se manifestou contra a imunização de crianças para covid-19.

Em reação à sua suspensão, Hang disse que a medida viola seu direito à liberdade de pensamento e de expressão.

"Um absurdo! Não é possível que se tenha uma única verdade e que você não possa questioná-la. Agora não podemos mais compartilhar informações para as pessoas tomarem suas próprias decisões?", questionou Hang.

Silas Malafaia também teve sua conta - onde tem 1,4 milhão de seguidores - suspensa nesta semana.

O pastor evangélico foi alvo da campanha #DerrubaMalafaia para que ele fosse banido.

O estopim foi uma postagem em que o pastor disse que a vacinação de crianças contra a covid-19 seria um "infanticidio", embora estudos atestem que a imunização é segura.

Os eventos adversos graves são considerados muito raros e não foram detectados até agora nas milhões de doses já aplicadas em crianças de alguns países, de acordo com especialistas.

'Conta do pastor Silas Malafaia foi suspensa por 12 horas por violar regras do Twitter'

Malafaia disse ainda que "os números provam que não há necessidade [de vacinar crianças]", sem apresentar dados na ocasião.

Isso contraria as posições apresentadas até agora por autoridades em saúde do mundo, que indicam a importância da vacinação de crianças para proteção individual e coletiva no combate à pandemia.

"As vacinas que receberam autorização de autoridades regulatórias rigorosas para a indicação de idade de crianças e adolescentes são seguras e eficazes na redução da carga de doenças nessas faixas etárias", disse a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"A redução da transmissão intergeracional é um importante objetivo adicional de saúde pública ao vacinar crianças e adolescentes", prosseguiu.

"A vacinação de crianças e adolescentes também pode ajudar a promover outros objetivos sociais altamente valorizados. Manter a educação para todas as crianças em idade escolar deve ser uma prioridade importante durante esta pandemia", afirmou a OMS.

Além disso, o Brasil é destaque negativo no mundo por morte de crianças por covid-19. Os dados oficiais mostram que houve no país até agora 1.449 óbitos de meninos e meninas de até 11 anos.

Os usuários cobraram o Twitter, que divulgou na terça-feira (11/1) que "alguns" tuítes de Malafaia violaram sua política.

A rede social exigiu que o pastor apagasse os posts problemáticos e restringiu as atividades na sua conta por 12 horas.

À BBC News Brasil, Malafaia disse que não inventou nem manipulou dados.

Ele afirmou ter se baseado em números do Ministério da Saúde divulgados em um artigo científico sobre vacina contra covid-19 para crianças e adolescentes, assinado pelos médicos Eduardo Jorge da Fonseca Lima, Sônia Maria de Faria e Renato de Ávila Kfouri.

O texto aponta que, em 2021, até 18 de setembro, 1,6% dos casos de síndrome respiratória aguda grave - doença usada como parâmetro para os números de caso de covid-19 no país - tinham ocorrido em pessoas de até 19 anos. A mesma faixa etária respondeu por 0,4% dos óbitos.

"Qual é a pressa de vacinar crianças?", questionou Malafaia. O pastor criticou o Twitter pela remoção dos seus tuítes.

"O sistema é ridículo. Um monte de gente começa a pressionar, agindo ideologicamente, e eles mandam tirar do ar senão o Twitter não volta a funcionar, quando o certo seria, se há uma acusação, que você possa se defender e então analisem se está certo ou errado", diz Malafaia.

"Um instrumento basilar da liberdade de expressão é a livre manifestação do pensamento, por mais esdrúxulo que seja. O Estado democrático de direito está sendo violado na maior cara de pau, e as pessoas estão assistindo e batendo palmas."

'Twitter pode fazer melhor', diz pesquisadora

'Vacinação de crianças contra covid-19 é alvo de intensa campanha de desinformação'

Os dois casos são um um exemplo dos problemas enfrentados pelas redes sociais para controlar a circulação de desinformação e que se tornaram mais agudos com a pandemia.

Essas empresas foram intensamente cobradas por medidas e divulgaram nos últimos dois anos medidas para coibir a propagação de informações falsas e enganosas.

Mas Raquel Recuero avalia que o trabalho do Twitter no Brasil a esse respeito deixa a desejar em comparação com o que acontece na própria rede social em inglês e com seu principal rival, o Facebook.

Em meio a um estudo sobre o engajamento provocado por posts de desinformação, os pesquisadores do Midiars buscaram os 250 posts sobre vacina mais compartilhados em fóruns públicos no Facebook e no Twitter no segundo semestre de 2020.

Foi considerado desinformação todo conteúdo atestado como falso pela rede de checagem International Fact-Checking Network.

O objetivo era criar uma amostra de posts para o estudo, mas o levantamento trouxe outros dados relevantes.

Os pesquisadores do Midiars notaram que a absoluta maioria dos posts publicados originalmente no Twitter ainda estavam no ar. "E nas fontes originais", ressalta Recuero. "Ou seja, eles nunca foram apagados."

O resultado foi diferente com o levantamento no Facebook."Não conseguimos recuperar um número bem grande de publicações originais. Elas não estavam mais no ar", diz Recuero.

Uma análise dos pesquisadores também mostrou que posts equivalentes na rede social em inglês haviam sido excluídos.

"Quando as mesmas teorias conspiratórias e desinformação circularam em inglês, foram tiradas do ar. Em português, ficou."

Ao final, entre os 250 posts mais compartilhados (que ainda permaneciam no ar), 51% continham desinformação sobre vacina no Facebook. O índice foi de 70% no Twitter.

"Por isso, me parece que o Facebook tem sido mais eficiente no monitoramento da desinformação", avalia Recuero.

O Twitter disse à BBC News Brasil que "aguarda o acesso aos dados completos da pesquisa, bem como os links dos conteúdos considerados como desinformação, para fazer sua análise e, assim, estar apto a comentar as conclusões".

Os desafios do controle da desinformação

O controle da desinformação é delicado, porque transita em meio à linha tênue entre opinião e informação.

Opiniões vêm acompanhadas me muitos casos de argumentos supostamente científicos que podem ter sido distorcidos ou já terem sido refutados.

A situação fica mais difícil porque a polarização política contaminou o debate sobre a pandemia, que também se radicalizou em extremos opostos.

Em uma rede social como o Twitter, fazer esse controle da desinformação é ainda mais complicado por causa da forma como a rede social funciona, explica Carlos Affonso Souza, do ITS-Rio.

Trata-se de um serviço construído em torno da ideia de conversas públicas, sobre temas de interesse público, em que são debatidas opiniões e pontos de vista.

"Por isso, tem um olhar sobre a liberdade de expressão no sentido de não prejudicar esse debate e deixar certas posições no ar para que elas sejam desacreditadas e contraditadas pelos próprios usuários", afirma Souza.

O problema é que nem todos que participam dessa conversa têm o mesmo peso ou influência.

"Não é uma conversa entre iguais", diz Souza. "No final, vira um palanque para quem consegue falar mais alto, um lugar para promover discursos enganosos."

São justamente nomes influentes que mais contribuem para propagar a desinformação sobre a covid-19.

"Autoridades emprestam sua credibilidade para essa informação, que acaba sendo republicada milhares de vezes. Elas precisam ser responsabilizadas pelo que dizem publicamente, porque o que elas publicam viraliza, tem muita força e impacto", diz Recuero.

Mas a pesquisadora faz um alerta: "Se você fizer uma pesquisa sobre vacina e infanticídio no Twitter, vai ver a quantidade de tuítes que tem parecidos ao que foi excluído".

"Não foi só ele que falou isso, então, não adianta tirar só o post dele do ar."

BBC Brasil

14 Mundo registra 3,6 milhões de casos de Covid em 24 h e bate novo recorde

 



Em meio à disseminação da variante ômicron, o mundo registrou um novo recorde de casos de Covid-19 em 24 horas, com 3,67 milhões de infecções contabilizadas. Os dados foram divulgados pelo Our World in Data, projeto ligado à Universidade de Oxford, nesta quinta-feira (13) e dizem respeito ao dia anterior. É o quinto recorde diário de novos infectados nos últimos dez dias.

Os Estados Unidos lideram o ranking, com 894,9 mil casos registrados. Na sequência, aparece a Índia, com 442,1 mil infecções -o recorde de casos do país até então era de 414.188 registrados em 6 de maio de 2021, em meio à proliferação da variante delta.

Anthony Fauci, principal assessor-médico do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, previu na quarta (12) que “a ômicron, com seu grau extraordinário e sem precedentes de eficiência em transmissibilidade, acabará por pegar quase todos”.

Mas acrescentou que depois que o país emergir de sua onda atual, fará a transição para um futuro de convivência com o vírus, com vacinas que devem reduzir a doença grave para a maioria e tratamentos eficazes disponíveis para os mais vulneráveis.

As hospitalizações por Covid-19 no país cresceram em cerca de 33%, e as mortes tiveram alta de aproximadamente 40% em relação a uma semana antes, afirmou a diretora do CDC (Centro de Controle e Prevenção), Rochelle Walenksy, na quarta.

Walenksy disse que os casos de Covid-19 nos EUA, impulsionados pela variante ômicron, de rápida propagação, devem chegar a um pico nas próximas semanas. O aumento recente de mortes por Covid-19 é provavelmente um efeito tardio da variante delta, que estava em alta antes da ômicron tomar os Estados Unidos em dezembro, disse a diretora do CDC.

O Brasil voltou a aparecer entre os dez países com mais infectados, mesmo com o apagão de dados e instabilidade nos sistemas do Ministério da Saúde. A plataforma registrou mais de 87 mil casos no país.

O número é um pouco inferior ao contabilizado pelo consórcio de imprensa formado por Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1- foram 88.464 exames positivos conhecidos para a doença. O número é o mais alto já registrado desde 2 de julho, há seis meses.

Apesar da explosão no número de infectados devido à variante ômicron, o número de mortes não cresce na mesma proporção. Nas últimas 24 horas foram registrados oficialmente 9,1 mil óbitos. O recorde de mortes em 24 horas no mundo segue sendo de 20 de janeiro de 2021: 18.062.

A média de óbitos nos últimos sete dias é de 6,7 mil óbitos, abaixo da primeira onda da pandemia, em abril de 2020, quando chegou a um pico de 7,1 mil.

FolhaPress / Daynews

O único debate: um projeto de sociedade.




O liberalismo e a social-democracia partilham um universo comum, constituindo-se como pontos de vista diversos sobre esse universo. O socialismo representa, pelo seu lado, um outro universo. 

Por Paulo Tunhas (foto)

De todos os debates para as legislativas que vi, só num, que tenha reparado, foram verdadeiramente discutidos projectos de sociedade: o debate entre Rui Rio e João Cotrim Figueiredo. Mais exactamente, sem obviamente navegar num plano teórico elevado, que seria despropositado no contexto, a discussão mostrou as diferenças e as afinidades entre a concepção liberal e a concepção social-democrata da sociedade, duas possibilidades no interior da direita, se usarmos, como devemos, “direita” numa acepção ampla, abarcando um pouco do centro-esquerda. Não são apenas concepções políticas entre outras: representam provavelmente as duas mais significativas tradições do pensamento político das democracias ocidentais contemporâneas.

Social-democracia e liberalismo correspondem a duas atitudes diversas face ao problema da justiça social, e é natural que entrem em conflito. Mas, sendo a sociedade o que é – uma coisa largamente indeterminada e indeterminável que não pode ser objecto de uma teoria única -, as duas atitudes estão destinadas a comporem-se uma com a outra em graus diversos, consoante os momentos e as necessidades da sociedade. O mesmo indivíduo pode, de resto, oscilar ao longo da vida entre as duas posições, sem esquizofrenia alguma. Diria até que é bom que o faça.

Em contrapartida, o socialismo, quaisquer que sejam os seus laços históricos com a social-democracia tal como hoje a entendemos, é insusceptível de composição real com o liberalismo. Não se trata de um simples conflito, mas de uma oposição radical. O liberalismo e a social-democracia partilham um universo comum, constituindo-se como pontos de vista diversos sobre esse universo. O socialismo representa, pelo seu lado, um outro universo. Vejam o horror com que um socialista típico se refere ao liberalismo – e não é preciso ir a Pedro Nuno Santos. Do comunismo não vale a pena falar.

Isso explica em parte como os debates com a esquerda e entre a esquerda, sendo obviamente debates políticos, no sentido em que lidam com o modo como a sociedade se deve organizar, contêm sempre em si uma estranha irrealidade. Há sempre, mesmo no discurso do PS, um sentido que escapa ao sentido comum que é partilhado por social-democratas e liberais, por mais conflitos que entre eles existam. E esse sentido exprime-se, na sua dimensão mais aparente, sob a forma da afirmação de uma superioridade moral.

Não quer dizer isto que entre esquerda e direita, numa acepção ampla, o debate seja impossível. Claro que é possível em muitos pontos importantes e em questões que relevam da pura luta pelo poder, que, se exercida livremente, é a condição política da democracia. Mas há uma assimetria de base que não é nunca eliminável, mesmo quando a esquerda adopta vestes pragmáticas. A direita pode procurar reformar a sociedade das democracias liberais, mas não põe em questão a legitimidade destas. A esquerda não pode existir sem a íntima suposição da sua intrínseca ilegitimidade (o que, é claro, é tudo menos incompatível com a tentação de obter o máximo de poder sobre essa sociedade). Foi assim no princípio e assim continua a ser. O que é explícito no PC e no BE é implícito em muito do PS.

Como disse, o mais aparente sinal disso é o preconceito da superioridade moral. E esse preconceito manifesta-se no que convém chamar o seu ufanismo. Vejam um qualquer debate com Catarina Martins, por exemplo. O seu discurso, mesmo que sob um modo calmo, contido e não agressivo que seria inimaginável em Louçã, e que vale muitos votos ao Bloco, não contém um momento que não transpire de moralização, de pretensão à educação das massas e de amor desmesurado à própria ideia de esquerda. Catarina ufana-se de ser de esquerda e mostra-o a todo o tempo.

Costa, por razões simultaneamente ideológicas e pessoais, é mais contido. Mas, quando passa ao ataque, não resiste ao mesmo ufanismo – ao regozijo ilimitado por pertencer à gloriosa família da esquerda, com toda a superioridade moral que a coisa comporta. Lembrem-se daquele vídeo em que, a propósito de uma aparente transigência de Rio com Ventura, logo nos esclareceu: “Quero ser muito claro: em circunstância alguma podemos ceder nos princípios ou nos valores. O combate ao populismo exige linhas vermelhas inultrapassáveis. Os valores do humanismo que inspiram a nossa sociedade não são transacionáveis. Um político responsável tem sempre os seus princípios e os nossos valores no centro”. Eis um perfeito ufanista de esquerda a dar-nos lições do alto da sua elevada estatura moral. Vamos ter mais disto, aposto, no debate de hoje à noite com Rio. Costa não resistirá a ufanar-se dos seus “princípios” e dos seus “valores” de proprietário da sociedade.

Em contrapartida, a direita, desde os primórdios da democracia, é tudo menos ufanista. Ventura é talvez uma excepção, mas Ventura copia a esquerda, como devia ser óbvio para todos, e, de resto, o seu ufanismo é um simples expediente. A direita, no seu conjunto, não se ufana de nada, o que é incontestavelmente um ponto a seu favor, quaisquer que sejam os seus defeitos. As lições de moral vêm-nos invariavelmente da esquerda, com aquele contentamento seráfico típico dos bem-aventurados, e são sistematicamente proferidas a partir de um ponto de vista que é o da superioridade de um mundo – o da esquerda – sobre o outro – o da, no fundo ilegítima, direita.

Mas tudo isto – ou, pelo menos, uma boa parte disto – é consequência da concepção que se tem da sociedade. Porque se a discussão é difícil com a esquerda é porque o seu projecto de sociedade é, muito genericamente, assente na ideia de uma ilegitimidade última da sociedade presente, que deve dar lugar a uma outra sociedade mais justa. O resto decorre daí. Enquanto que a conversa entre liberais e social-democratas é, quase por definição, feita de acomodações recíprocas.

Não se deduz de nada que se disse que a posição de esquerda seja ilegítima, o que seria replicar a atitude da esquerda face à direita. Há até um interesse particular à posição da esquerda, sobretudo da extrema-esquerda: o ela colocar, de um modo que a direita não coloca, ou pelo menos não coloca com idêntico vigor, a questão dos fundamentos da sociedade, a ideia da sociedade como uma criação humana, embora cada vez mais numa linguagem que torna essa mesma questão dificilmente compreensível, ocultando-a no próprio gesto que a enuncia. Quis apenas dizer que a viabilidade e a possibilidade de desenvolvimento da sociedade actual só pode ser assegurada pelo conflito das posições liberais e social-democratas (que extravasam de longe os partidos com esses nomes – o CDS, por exemplo, cabe perfeitamente aqui) e pelas negociações que o conflito permita.

Se as pessoas vão ter isso em conta no dia de votar é uma questão completamente diferente. Era bom que tivessem, mas isso é tudo menos seguro. A esquerda criou, com método e sábia premeditação, clientelas tão numerosas que o voto mais provável é um voto na estagnação, retoricamente disfarçada com a promessa de uma sociedade mais justa.

Observador (PT)

Sanções dificultam a ajuda ao Afeganistão




Nações Unidas apelam por ajuda urgente contra a grave crise de fome no país asiático. As sanções internacionais agravam significativamente as dificuldades já enfrentadas pela população afegã.

Por Christoph Hasselbach

"Um enorme desastre humanitário se aproxima", adverte Martin Griffiths, coordenador de ajuda de emergência das Nações Unidas. Segundo ele, 22 milhões de habitantes precisam de ajuda no Afeganistão, e quase 6 milhões de afegãos deslocados nos países vizinhos necessitam urgentemente de apoio. De acordo com dados da ONU, são necessários pelo menos 4,5 bilhões de euros para esse fim, o maior apelo de ajuda já lançado pelas Nações Unidas.

O comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, adverte que uma catástrofe no país também acarretará mais deslocamentos, com consequências para toda a região, e "esse movimento de refugiados será difícil de controlar". O fato também está sendo sentido na Alemanha: o número de requerentes de asilo do Afeganistão aumentou significativamente desde que o Talibã tomou o poder.

Quase nada funciona sem ajuda estrangeira

Mas as razões para a grande crise não são apenas a grave seca e o fato de o Talibã ter restringido severamente as oportunidades de ganho das mulheres. Depois que o Talibã conquistou o país inteiro, em agosto de 2021, muitos governos de todo o mundo suspenderam ou reduziram significativamente a ajuda ao Afeganistão e congelaram as reservas do banco central afegão no exterior.

O país já era muito pobre. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), cerca da metade da população afegã vivia na pobreza antes de o Talibã tomar o poder. Em meados de 2022, o PNUD estima que esse número possa subir para 97%.

'Muitos governos suspenderam ajuda após ascensão dos talibãs ao poder'

Muitos agricultores, professores, policiais e empregados da área da saúde e administrativa não têm renda desde o início das sanções, porque eram pagos pela comunidade internacional. Até agosto de 2021, a ajuda externa respondia por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e até mesmo cerca de 75% dos gastos do governo afegão. Isso significa que, da importação de energia aos salários dos professores, de longe a maior parte era coberta pela ajuda externa.

"A fome mata mais do que a guerra civil"

Quando os talibãs assumiram o poder, a comunidade internacional não quis deixar fundos para os novos governantes. Praticamente da noite para o dia os bancos ficaram sem capital, milhões de cidadãos perderam o emprego ou o salário, a moeda perdeu valor drasticamente e os preços subiram acentuadamente.

Mathias Mogge, secretário geral da Ação Agrária Alemã (Welthungerhilfe), confirma que a "economia está em queda livre". Quase ninguém tem trabalho, o dinheiro é extremamente escasso, o sistema bancário entrou em colapso", assim como os sistemas de saúde e educação.

Pelo menos a ajuda humanitária continuou sendo paga pela comunidade internacional. A ONU registra que em 2021 seu valor atingiu cerca de 1,5 bilhão de euros. A soma ainda é significativamente maior do que em anos anteriores, porém não basta para compensar a perda de outras fontes de auxílio.

A organização International Crisis Group (ICG), com sede em Bruxelas, adverte que a fome e a miséria provavelmente matarão "mais afegãos do que todas as bombas e balas nos últimos 20 anos". E o "principal culpado" seria o fato de os doadores estrangeiros terem suspenso todo apoio, exceto a ajuda humanitária.

Talibãs são considerados organização terrorista

Para a comunidade internacional, o Talibã continua sendo uma organização terrorista, portanto as sanções contra o grupo dificultam a ajuda rápida. Em dezembro, o Conselho de Segurança da ONU havia dado luz verde às organizações de ajuda para aumentarem seu apoio, a fim de salvar vidas, sem que isso fosse considerado violação das sanções. Mas muitos observadores consideram a medida insuficiente, pois as verbas precisariam fluir de volta para a economia afegã.

É a primeira vez que um grupo considerado ilegal e sob sanções internacionais toma o poder num país. Isso representa um dilema para governos e organizações de ajuda: como apoiar a população que sofre sem que essa ajuda beneficie os talibãs, que são culpados pelas mais graves violações dos direitos humanos?

'Maioria dos bancos não tem dinheiro'

Como saída, os trabalhadores humanitários estrangeiros tentam contornar as autoridades talibãs. No final de 2021, o Banco Mundial liberou parte do Fundo para a Reconstrução do Afeganistão, no valor de US$ 1,5 bilhão, para o Programa Mundial de Alimentos e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, que era a maior fonte de financiamento do governo afegão anterior, apoiado pelo Ocidente.

A ONU também pagou os salários de milhares de funcionários de saúde afegãos, contornando o Ministério da Saúde do país, e criou um fundo de empréstimo para pequenas empresas e para projetos de infraestrutura. Mas ists não trouxe uma melhoria substancial.

Agências de ajuda: negociar com o Talibã

O Grupo Internacional de Crise está apelando para a comunidade internacional liberar os bens congelados do Afeganistão no exterior, aliviar as sanções e negociar com os talibãs a fim de restaurar os serviços básicos à população. "Preparamos a maior operação de ajuda do mundo, mas ao mesmo tempo mantemos as restrições econômicas, que pioram a situação a cada dia", diz Graeme Smith, da ICG. "Isto é contraproducente".

Mathias Mogge, da Ação Agrária Alemã, diz que os próprios talibãs estão "batendo à nossa porta, dizendo 'façam algo, ajudem o nosso povo'", mas "Isso nem de longe significa que é preciso reconhecer o regime talibã". O apelo de Mogge se dirige também ao governo da Alemanha, para "encontrar formas de negociar com o talibã, a fim de que os serviços básicos possam ser restaurados".

Sem um aumento substancial da ajuda, "não há futuro", adverte Griffiths, pois a população perderia a esperança. Mas, se a ajuda vier, "o Afeganistão terá uma chance de finalmente desfrutar de alguma segurança". 

Deutsche Welle

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