quinta-feira, janeiro 13, 2022

Os rótulos enganam, com estereótipos de esquerda e de direita camuflando o debate político

Publicado em 13 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva: de direita ou de esquerda? | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Marcos Lisboa
Folha

Redução da desigualdade e retomada do crescimento são temas consensuais nos discursos dos candidatos à Presidência. Existem controvérsias sobre as políticas que deveriam ser adotadas, mas elas parecem estar embaralhadas por interpretações divergentes a respeito de termos corriqueiramente usados no debate.

Dependendo do interlocutor, direita e esquerda são considerados sinônimos de projetos autoritários. Liberal pode ser usado para defender a liberdade de expressão e as escolhas individuais, mas também como manifestação de uma agenda que traz de contrabando uma maior desigualdade social.

CONTRADIÇÕES – A redução das políticas de apoio ao setor privado ora é defendida como uma medida de erradicação dos subsídios e de combate à desigualdade (interpretada como de esquerda), ora como projeto liberal de redução do papel do Estado na economia, na contramão do desenvolvimentismo.

Em 2003, a proposta de unificar os programas de transferência de renda e focalizar os recursos nos mais pobres, que resultou no Bolsa Família, foi criticada por economistas autoproclamados de esquerda como uma política liberal.

Muitos analistas apontam a semelhança das propostas de intervenção do Estado na economia defendida por economistas de esquerda com o II Plano Nacional de Desenvolvimento, implementado pelo governo Geisel durante a ditadura militar. Propostas que se dizem de esquerda, a exemplo da desoneração de setores produtivos, como a indústria química, podem reduzir os recursos para programas sociais.

IMPLICAÇÕES INESPERADAS – Proponho três contrapontos para distinguir adjetivos frequentes no debate atual: liberal vs. intervencionista; conservador vs. progressista; e esquerda vs. direita. De forma alguma, pretendo que essas definições sejam as mais adequadas. Apenas procuro exemplificar como rótulos usuais no debate público podem acobertar agendas de política pública com implicações inesperadas.

Liberal vs. intervencionista. Liberal é defender a liberdade de cidadãos ou empresas para fazer suas escolhas, intervencionista é o poder público proclamar o que é melhor para o indivíduo.

Conservador vs. progressista. Conservador, na tradição de Edmund Burke, é defender as regras do jogo inclusive para implementar mudanças. Progressistas argumentam que protocolos podem ser rompidos quando um bem maior está em questão.

Esquerda vs. direita. Essa talvez seja a distinção mais difícil. Sigo Norberto Bobbio que propôs como critério a ênfase no combate à desigualdade. Diante de um dilema de curto prazo entre maior crescimento econômico ou menor desigualdade de renda, direita é defender crescimento, esquerda é optar pela queda da desigualdade.

PROGRAMAS SOCIAIS – O Orçamento do governo federal deve priorizar políticas de seguridade social ou estimular o investimento público e privado para promover o crescimento? Pela definição proposta, de um lado está a esquerda, de outro, a direita.

O programa Bolsa Família seria liberal, como apontaram diversos economistas de esquerda, pois o governo transferia renda e a família gastava os recursos recebidos como achasse mais adequado. Medidas como o vale gás, subsídio para quem compra botijões, seriam intervencionistas.

Políticas públicas horizontais para estimular investimentos concorrentes em inovação tecnológica seriam liberais. Subsídios para fomentar setores selecionados pelo governo federal, como a indústria naval, seriam intervencionistas. Ambas são políticas para estimular o crescimento econômico, mas cabe avaliar o seu resultado relativo. Os instrumentos de incentivo ao investimento no Brasil adotados na última década foram bem-sucedidos?

OUTRAS QUESTÕES – No caso da Lava Jato, há bons argumentos de que protocolos do Estado de Direito foram violados. Acreditar que malfeitos foram cometidos não deveria justificar violar o processo legal, segundo os conservadores. Progressistas, por outro lado, apontam que o nosso conservadorismo resultou na trágica lentidão em abolir a escravidão no século 19.

Maior participação do Estado não significa uma opção pela esquerda ou pela direita. Nos países emergentes da Ásia, há célebres casos de intervenção estatal para favorecer o investimento das empresas, porém pouca política de seguridade social. Esses seriam aspectos de uma agenda de direita. Vale comparar os gastos sociais do setor público na China e no Brasil.

Em alguns casos, a intervenção do governo pode conciliar mais crescimento econômico e maior igualdade de oportunidades no longo prazo, como ao garantir o aprendizado dos estudantes no ensino básico.

NO PRIMEIRO MUNDO – A social-democracia europeia defende políticas de redistribuição de renda, mas também é conservadora (as mudanças devem respeitar as regras do Estado de Direito). Recentemente, líderes do Partido Republicano nos EUA defenderam políticas de proteção à indústria local e a invasão do Capitólio. Quem está à esquerda ou à direita em cada um desses casos?

Economistas no Brasil, associados à esquerda, propõem desvalorizar a taxa de câmbio para proteger a indústria local. Essa medida, de eficácia duvidosa, implica reduzir o salário real. Isso significa privilegiar o crescimento econômico tendo como contrapartida o aumento da desigualdade de renda. Não se trata, portanto, de uma proposta à direita?

O uso de rótulos requer cuidado. Melhor ler a bula com atenção.

O Cafezinho

 

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Bolsonaro tira poderes de Guedes e delega à Casa Civil o principal controle do Orçamento

Publicado em 13 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

O ministro Ciro Nogueira com o presidente Jair Bolsonaro em evento no Palácio do Planalto

Ciro Nogueira, comandante do Centrão, ganha mais poderes

Cristiane Noberto
Correio Braziliense

Em mais um movimento eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro decidiu dar mais poderes ao ministro Ciro Nogueira (PP-PI). Em um decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (13/1), o chefe do Executivo determinou que todas as ações do Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, relacionadas ao Orçamento deverão passar antes pela Casa Civil.

O documento estabelece as atribuições do ministro de Estado da Economia às competências para a abertura dos créditos autorizados na Lei Orçamentária de 2022, além da prática de outros atos de alterações orçamentárias previstas na própria LDO-2022.

APROVAÇÃO PRÉVIA – No meio do texto, Bolsonaro destacou, no entanto, que o ato de abrir créditos “está condicionado à manifestação prévia favorável do ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República”. É a primeira vez que aparece tal determinação.

A movimentação do Orçamento é naturalmente administrada pelos dois ministérios, por meio da Junta Orçamentária, que define limite, remanejamentos, entre outros. Porém, a execução era realizada por portarias publicadas pela pasta da Economia.

Ciro Nogueira é senador licenciado e atual presidente do Partido Progressista, principal legenda do Centrão. Até se desincompatibilizar, em abril, estará comandando o espetáculo.

 

“A terceira via deve se unir já no primeiro turno”, prevê o analista Marco Antonio Villa

Publicado em 13 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Marco Antonio Villa

Villa diz que a terceira via pode se unir, mas sem Ciro Gomes

José Fucs
Estadão

O historiador e comentarista político Marco Antonio Villa é o que se poderia chamar de um “radical de centro”. Crítico implacável do presidente Jair Bolsonaro e também do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, Villa ganhou popularidade com as análises inflamadas que faz na mídia e fora dela contra os seus desafetos na política.

Nesta entrevista ao Estadão, ele diz que a tendência é de os candidatos à Presidência da chamada “terceira via”, à exceção de Ciro Gomes, do PDT, se unirem ainda para a disputa do 1º turno das eleições, em 2 de outubro. “Se houver um candidato da terceira via com dois dígitos nas pesquisas e os demais estiverem com um dígito só, em torno de 5%, é provável que eles resolvam abandonar as suas candidaturas para apoiar quem estiver na frente.”

O Brasil vive um quadro complicado tanto na economia quanto na política. Neste cenário, como o sr. vê as eleições de 2022?
Eu estou muito preocupado, porque tudo indica que as grandes questões nacionais não serão o centro das atenções, mas as ações violentas por parte de Bolsonaro e de seus aliados tentando desqualificar o processo eleitoral, as urnas eletrônicas, o Tribunal Superior Eleitoral e as decisões do Supremo, ameaçando jornalistas, coagindo opositores e promovendo até – pode ser que ocorra, espero que não – ataques físicos a adversários.

O sr. não está exagerando? Será que vai ser por aí mesmo?
O cenário é muito preocupante, porque teremos um presidente candidato à reeleição que vai usar toda a estrutura de Estado na sua campanha. Não estou falando só de inaugurações e liberações de verbas, como em outras campanhas, mas do uso da estrutura policial de Estado – a Agência Brasileira de Inteligência, o Gabinete de Segurança Institucional, a Polícia Federal. Além disso, as fake news vão ser um dos principais elementos da campanha. Teremos as “fake pesquisas” também. Vai aparecer instituto de pesquisa do qual a gente nunca ouviu falar e isso vai criar uma confusão na cabeça do eleitor, dificultando a escolha de candidatos, se é que teremos debate eleitoral, que é uma outra questão.

Considerando tudo isso, o sr. acredita, então, que a polarização, que já marcou as últimas eleições, vai se manter no pleito deste ano?
Infelizmente. Ela será exacerbada ao limite. Isso estará muito presente já no primeiro turno, em 2 de outubro. Pela primeira vez na história, pode acontecer de um presidente da República candidato à reeleição não chegar ao segundo turno. Pode ocorrer. Vai ser um bom teste para as instituições.

O sr. falou muito de um lado. E o outro lado dessa polarização, o lado do PT, do Lula, da esquerda, como vai se portar na campanha?
Acredito que o Lula já se considera presidente da República antes da abertura das urnas. O que normalmente não dá certo no Brasil.  As coisas não são tão simples assim. Até agora, o Lula está navegando sem opositores. Quando começar a campanha para valer, o petrolão, o mensalão e as acusações de corrupção vão inundar a discussão. Essa facilidade que ele tem hoje não terá mais, porque tudo isso virá à tona. Inclusive porque um de seus opositores, o (ex-juiz Sérgio) Moro (pré-candidato pelo Podemos), foi quem apresentou parte das denúncias contra ele na Justiça e o julgou. O Lula vai ter de responder a essas acusações e vai ser duro ele negar. Como é que o Lula vai negar que houve o petrolão? Uma coisa é negar numa entrevista. Outra é negar numa campanha eleitoral, num debate eleitoral.

Como o sr. avalia a possível aliança do Lula com o Alckmin e a possibilidade de o ex-governador paulista ser o seu vice?
O Lula está buscando alianças no centro-direita, que lhe possibilitem até vencer as eleições no primeiro turno, que é o sonho dele, mas não se sabe se vai conseguir ou não. Nos Estados, é provável que ele consiga, com o Centrão e seus aliados. Afinal, o PT ficou 13 anos no governo e ganhou quatro eleições consecutivas, o que convenhamos não é pouco. Agora, em relação a uma possível aliança na esfera federal com o Alckmin, é preciso ver como ela vai ser, se é que vai existir. Se der certo, vai dar uma chacoalhada e tanto. Do lado do Lula, até entendo o interesse nessa aliança. Do lado do Alckmin, não. Como é que o Alckmin vai entrar nessa?

Se a aliança com o Alckmin sair, como o Lula vai lidar com a militância do PT? Será que a turma vai aceitar isso?
A tendência é o Lula segurar seus radicais, vamos chamar assim, que não são poucos dentro do PT. O Lula vai tentar se mostrar o mais confiável possível. Mas essa história de que, vinte anos depois, o Lula vai voltar ao poder e pegar um país com uma economia relativamente equilibrada e boom de commodities, como pegou em 2003, é uma ilusão. Ele vai encontrar outro país, com crise econômica, sucessivas recessões nos últimos dez anos e um cenário internacional provavelmente ainda marcado pela pandemia.

Como o sr. está vendo essa profusão de candidatos da terceira via e a perspectiva de um deles chegar ao segundo turno?
A política é muito volátil no Brasil. Olhando o quadro hoje, é possível que o Moro consiga se construir como a terceira via e não o Ciro Gomes, que poderá ser rifado pelo PDT, por causa das alianças estaduais. Em relação à candidatura do governador João Doria, vamos ver se ele consegue, no mínimo, unir o PSDB, o que não será fácil. Em Minas e no Rio Grande do Sul, parece que ele vai ter dificuldade. Agora, tem de ver se a candidatura do Moro vai ser sólida até o início do processo eleitoral. Pode ser que ele não seja um tsunami eleitoral e se revele uma marolinha. As primeiras semanas depois que o Moro se lançou como pré-candidato foram muitos boas para ele. Agora, se o Moro deslanchar, teremos uma eleição interessante, disputada por um ex-juiz que mandou prender o seu opositor. Não conheço no mundo ocidental uma eleição recente deste tipo. Vai ser uma coisa única.

O sr. vê a possibilidade de uma aliança entre os candidatos de terceira via já no primeiro turno?
É provável. Se, efetivamente, houver um candidato de terceira via com dois dígitos nas pesquisas e os demais estiverem com um dígito só, em torno de 5%, pode ser que eles resolvam abandonar as suas candidaturas para apoiar quem estiver na frente. Agora, o Ciro não fará isso. Pode tirar o cavalo da chuva. O Doria poderá fazê-lo. No caso do MDB, não sei se a senadora Simone Tebet será mesmo candidata. As peças estão se movimentando, mas como é um cenário muito complexo e ainda estamos um pouco longe da definição das candidaturas, é difícil ter uma ideia mais clara de como vai ficar o xadrez eleitoral. No Brasil, três ou quatro meses são uma eternidade.

Moro desmente Bolsonaro e diz que ele cometeu um ”estelionato eleitoral’ em 2018

Publicado em 13 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Moro rebate fala do presidente: 'Assim como Lula, Bolsonaro mente' |  Política | iG

Moro volta a refrescar a memória do presidente Bolsonaro

João Vitor Tavarez
Correio Braziliense

Após o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), negar que tenha dito, nas eleições de 2018, ser a favor da Operação Lava Jato e do combate à corrupção, o pré-candidato ao Palácio do Planalto, Sergio Moro (Podemos), declarou que o ex-aliado cometeu ‘estelionato eleitoral’ naquele ano. 

“Bolsonaro enfim admitiu ontem que nunca defendeu o combate à corrupção e a Lava Jato. Era só mais um discurso do seu estelionato eleitoral”, declarou o ex-juiz, no Twitter, nesta quarta-feira (12/1/22).

DISSE BOLSONARO – A afirmação de Moro é uma reação à entrevista concedida pelo presidente da República a um site bolsonarista, e reproduzida pelo portal O Antagonista.

“Eu não apareci em 2018 e falei que sou a favor da Lava Jato e que vou combater a corrupção. Não foi isso. Minha história começa há muito tempo. Eu estou com 66 anos de idade. São 28 anos no Parlamento e nenhum problema sobre acusações de coisa errada”, disse Bolsonaro, que hoje é antilavajatismo.

POSTAGEM DESMENTE – No entanto, essa declaração de Bolsonaro é contestada por uma publicação dele no Twitter em 11 de setembro de 2018, quando o então candidato à Presidência defendeu publicamente a operação de combate à corrupção no país. 

“Apoiar a Lava Jato é fundamental no combate à corrupção no Brasil. O fim da impunidade é uma das frentes que estanca o problema, outra é atacar a corrupção na sua raiz, pondo fim nas indicações políticas do governo em troca de apoio. Nós temos a independência necessária para tal!” – diz a postagem, feita às 07h21m, na reta final da campanha de 2018.

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