quinta-feira, janeiro 13, 2022

Polarização entre Lula e Bolsonaro prejudicará economia em 2022, diz Moro

 




O pré-candidato à Presidência da República Sergio Moro (Podemos) classificou o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como duas alternativas eleitorais "muito ruins" e que podem agravar o cenário econômico do País neste ano. Segundo ele, a polarização do pleito presidencial entre os dois, algo que se desenha nas pesquisas de intenção de voto, pode fazer o mercado perder a confiança na recuperação do crescimento, o que aprofundará ainda mais a crise.

"Temos duas alternativas que são ruins. A primeira é a continuidade deste governo, que não tem projeto para o País, não tem rumo, e agora contraria as promessas de responsabilidade fiscal e de redução da dívida pública. A outra é a do ex-presidente Lula, e a gente lembra que esse governo não acabou bem. Ao fim desse governo, tivemos a maior recessão da história entre 2014 e 2016", afirmou nesta terça-feira, 11, Moro em palestra no evento "Money Week - Cenários 2022".

O ex-juiz federal criticou a política econômica do governo Bolsonaro e disse que houve perda de credibilidade da gestão nessa área devido a medidas como a PEC dos Precatórios, o que levou, para ele, ao fim do teto de gastos.

"PEC dos Precatórios tem aspecto muito positivo, que é a expansão do antigo Bolsa Família, que é necessária. Juntamente com a PEC, são aumentadas outras receitas, de duvidosa necessidade neste momento. Uma é o aumento das verbas para emendas de relator", disse o ex-ministro de Bolsonaro, que também atacou o orçamento secreto. "Isso gera pulverização do orçamento público. Em vez de concentrar a verba em investimento público, leva a aplicar a verba em investimentos que não são relevantes."

Moro também defendeu que é preciso uma "política fiscal responsável" para retomada do crescimento, mas não citou propostas concretas para a área, caso seja eleito presidente. Ao falar sobre o combate à pobreza, sugeriu a criação de uma agência governamental que reuniria diversos ministérios e estados na formulação de políticas para a questão.

Sem citar diretamente a terceira via, ele defendeu que outras alternativas eleitorais podem ajudar a tirar o País da crise. "Crescendo outras alternativas eleitorais, com políticas econômicas mais responsáveis, baseadas na ciência, evitando ideologias equivocadas, isso pode gerar um viés positivo para a economia brasileira", declarou o ex-juiz federal, que se apresentou como um "defensor da livre-iniciativa".

O símbolo da Operação Lava Jato defendeu as privatizações, mas disse que é necessário definir qual a melhor forma de realizá-las. Não apresentou, entretanto, nenhuma ideia para a área.

Corrupção

Ao falar sobre o combate à corrupção, Moro afirmou que, se eleito, vai colocar a questão "nos trilhos" e que fará uma gestão com diálogo com partidos políticos, mas sem "transigir na ética".

"Transigir com a ética não leva à governabilidade. Temos exemplos claros do passado. Durante o governo do PT, nos quais se teve mensalão e petrolão, o resultado foram as recessões de 2014 e 2016. O governo atual, sem projeto, tem alianças bastante controvertidas, está utilizando de um mecanismo que leva à pulverização do orçamento através das emendas de relator, e ele está entregando uma provável recessão em 2022."

Estadão / Dinheiro Rural

Eletrobras, Correios, Porto de Santos - e o PT




Algumas privatizações já estão nos trilhos e devem ser concluídas ao longo deste ano

Por Daniel Rittner (foto)

O governo Jair Bolsonaro ainda tem a expectativa de privatizar três grandes estatais: Eletrobras, Correios e Santos Port Authority (novo nome da antiga Companhia Docas do Estado de São Paulo). Faltam somente 11 meses de mandato e dois dos três processos não poderão mais ser completados. Mesmo se o Senado aprovar até março ou abril a nova lei dos serviços postais, o que parece improvável diante da resistência de vários partidos, seria possível apenas fazer o leilão dos Correios até o fim de 2022. A assinatura do contrato, que formaliza efetivamente a transferência do ativo para o novo controlador, ficaria para 2023. No caso de Santos, escorregões no calendário planejado pelo Ministério da Infraestrutura tornam até o leilão neste ano uma meta desafiadora. Firmar contrato está fora de cogitação e vai necessariamente para o ano que vem. A Eletrobras é a única com o cronograma folgado - sua capitalização, diluindo a fatia acionária da União, deve ocorrer no primeiro semestre.

Entra, portanto, um novo fator na equação privatista do governo Bolsonaro: Lula, que lidera todas as pesquisas com boa margem, completaria os processos dos Correios e do porto de Santos? De volta ao Palácio do Planalto, em 2023, assinaria contratos com quem tiver vencido leilões realizados apenas algumas semanas antes por seu antecessor? A resposta ouvida pela coluna em círculos importantes do PT: tudo indica que não. Ninguém quer falar por Lula, todos ressaltam que ele próprio é quem tomaria as decisões sensíveis de eventual novo governo petista, mas pessoas influentes no partido defendem que esses processos sejam interrompidos ou, no mínimo, bruscamente freados.

A intenção, diz uma fonte, é avaliar cuidadosamente todas as privatizações - e levantar, inclusive, qual é a viabilidade jurídica de reversão no caso de vendas consideradas “lesivas” aos interesses nacionais. Um exemplo é a própria Eletrobras: haveria a possibilidade de fazer um aporte do Tesouro Nacional e, assim, recuperar o controle acionário da União na empresa?

As concessões de aeroportos e de rodovias, no entanto, são consideradas bem-vindas pelo PT. Pode haver divergências de modelagem, aqui e acolá, mas não ressalvas maiores. Ou seja, nenhuma resistência em ceder para o setor privado terminais como Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ), as últimas duas joias da Infraero. Nessa área, petistas avaliam que o grande tabu foi quebrado por Dilma Rousseff ao desestatizar os primeiros aeroportos do país.

Quanto às autoridades portuárias, um ponto de inflexão será a venda da Codesa (ES), que administra os portos de Vitória e Barra do Riacho. O leilão está previsto para março.

A venda da Codesa sempre foi pensada nos governos Temer e Bolsonaro como espécie de teste, aprendizado, para algo maior: a privatização da SPA (ex- Codesp).

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e sua equipe vinham prometendo a abertura de consulta pública sobre Santos em outubro. Escorregou para novembro, depois dezembro, agora ficou para 20 de janeiro. Calculam-se mais ou menos os seguintes prazos: 45 dias de consulta pública, 30 dias para processar as contribuições e mandar os estudos ao Tribunal de Contas da União (TCU), 90 dias de análise pelo órgão de controle, 30 dias para fazer os ajustes às determinações do tribunal, 60 dias entre lançar o edital definitivo e concretizar o leilão. Por essa conta, e sem atrasos (que acontecem quase inevitavelmente em processos tão complexos), estaríamos em meados de outubro para ter o martelo batido na B3. Se houver imprevistos pelo caminho, nem leilão daria para fazer. Contrato, mesmo, ficaria só para 2023.

Um técnico do governo que está à frente das privatizações diz duvidar, apesar do discurso político, que o PT seria incapaz de não firmar esses contratos. Em Santos, a privatização prevê R$ 16 bilhões de investimentos em aprofundamento do canal, dragagem de manutenção, obras viárias e construção de um túnel para o Guarujá. Nos Correios, que parecem ter sua venda mais complicada, serão mais de R$ 2 bilhões anuais em investimentos pelo novo dono.

Nas palavras desse técnico, é dinheiro demais, que mobiliza usuários e empresários em geral contra a eventual decisão de paralisar processos tão adiantados - caso pelo menos os leilões já tenham ocorrido.

Novo papel

Algumas outras privatizações, como a da própria Codesa e a da CBTU em Belo Horizonte, estão nos trilhos e devem ser concluídas em 2022. A elas se somam ativos da Petrobras, como gasodutos, refinarias e a BR Distribuidora. Não é pouca coisa, mas faltaram as estatais mais simbólicas para quem só falava, na última campanha eleitoral, em trilhões de reais.

Digna de nota é a atuação do BNDES. Nos anos PT, foi um dos principais bancos de fomento do planeta, liberando mais recursos do que o alemão KfW e o coreano KDB. Em menos de uma década, mudou sua vocação e tornou-se um dos campeões mundiais em estruturação de projetos, o que inclui concessões e privatizações.

Além do saneamento, com sua primeira grande onda de capital privado, chama atenção o apoio do BNDES à venda de empresas estaduais. Somando os valores de compra, assunção de dívidas e investimentos obrigatórios, chega-se à marca de R$ 34,5 bilhões em capital mobilizado (como mostra o gráfico acima).

Valor Econômico

O escândalo das festas proibidas: Boris Johnson vai sair dessa?




Além de investigação interna, a polícia também pode entrar na história das reuniões com bebidas e salgadinhos quando o reino inteiro estava no isolamento. 

Por Vilma Gryzinski

“O primeiro-ministro tem plena confiança em Marty”, dizia uma declaração oficial do chefe do governo. Tradução: Martin Reynolds, diplomata que é secretário particular de Boris Johnson, vai rodar.

É insustentável que ele continue a sangrar no cargo depois que uma fonte passou para o canal de televisão ITN o e-mail datado de 20 de maio do ano passado em que convidava cerca de cem integrantes do governo a “aproveitar o clima ótimo” e tomar uns drinques no jardim dos fundos do sobrado número dez de Downing Street, o conglomerado onde os primeiros-ministros britânicos moram e trabalham desde 1735.

“Tragam sua própria bebida”, acrescentou Reynolds.

O detalhe arrasador é que, pelas regras obrigatórias então vigentes, nenhum cidadão da Inglaterra podia se encontrar, por qualquer motivo que fosse, fora os que continuavam indo aos locais de trabalho, com mais de uma pessoa não-residente no mesmo domicílio. Assim mesmo, o encontro a dois só podia ser ao ar livre e com distanciamento mínimo de dois metros.

Alegar que as festinhas depois do trabalho – no total, foram oito – eram na verdade reuniões de serviço, como já foi feito quando surgiram os primeiros vazamentos sobre vários desses encontros, não funciona mais. Até num país onde estrangeiros ainda se espantam quando deparam com reuniões de trabalho regadas a vinho, o argumento desmorona diante do e-mail de Martin Reynolds, que se refere explicitamente a um congraçamento destinado à descontração.

“Isso é para valer?”, chegou a perguntar um dos convidados. Entre trinta e quarenta pessoas aceitaram o convite e levaram bebidas para consumir com um nada sofisticado cardápio de batatinhas de pacote e enroladinho de salsicha. Boris foi com Carrie, a então companheira com quem depois se casou de papel passado. Menos de um mês antes ela havia tido o primeiro filho do casal, apenas uma semana depois de Boris sair do hospital onde tinha sido internado com um caso grave de Covid-19. Talvez os dois achassem que mereciam espairecer um pouco?

Boris Johnson, um astuto malabarista político que explora habilmente a imagem de bufão de cabelo despenteado, conseguirá tirar mais um truque da manga e escapar dessa? Um escândalo que já tem até nome, “partygate”, compromete-o irreversivelmente?

Hoje à tarde, na sessão semanal em que o primeiro-ministro comparece ao Parlamento e se enfrenta com o líder da oposição, ele vai ter que abordar o assunto de alguma maneira em que não fique tão mal na foto ou fazer um ato de contrição.

As reações que mais importam são as de integrantes de seu próprio Partido Conservador. Só eles, ou uma parte deles, podem usar as próprias engrenagens do partido e pedir um voto de confiança no primeiro-ministro – e só fazem isso com uma certeza razoável de que derrubarão um líder desmoralizado e em seu lugar colocarão outro que, num futuro voto popular, garanta a maioria que têm no momento.

No fim do ano, o prestígio de Boris estava mal com a ala mais conservadora do partido, indignada com a volta de restrições provocadas pela reincidência da epidemia de Covid-19 causada pela ômicron.

Além de receber em Downing Street e fazer os rapapés de praxe a parlamentares conservadores que não integram o governo, mas poderiam ser vozes importantes contra ele, Boris também desativou a oposição interna ao resistir aos apelos para que adotasse medidas mais restritivas do que a volta das máscaras a lugares fechados e a recomendação do trabalho remoto.

As previsões mais alarmistas não se concretizaram. Apesar da rápida disseminação da Covid-19 o governo já estava falando que o Reino Unido se tornaria o primeiro país a sair da pandemia, aprendendo a conviver com o vírus como um fenômeno endêmico, que não demanda mais restrições severas.

Durou pouco. Agora, Boris tem uma investigação ética interna, comandada por uma mulher com fama de durona, Sue Gray, e a possibilidade de que a Scotland Yard entre na história. O comando da polícia também “está em contato” com o governo sobre um outro rolo ético, o do financiamento da reforma da ala residencial de Downing Street, bancada por um simpatizante do partido. Esse escândalo também tem nome: “Wallpapergate”.

Como é praxe em momentos como o atual, o governo está dizendo que não vai se pronunciar sobre o assunto enquanto não tiver o resultado da investigação, o que provocou um comentário sarcástico de Gavin Barwell, parlamentar conservador nada simpático a Boris (era da turma de Theresa May, catapultada de Downing Street por ele).

“Não está nada claro por que o primeiro-ministro precisa esperar a publicação do relatório de Sue Gray para averiguar se ele esteve numa festa em seu próprio jardim”, tuitou.

Se integrantes do seu próprio partido o tratam assim, imaginem a oposição trabalhista. Isolado em casa pela sexta vez – duas por contrair o vírus e quatro por contatos próximos -, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, praticamente não precisa fazer nada para ver o adversário desmoronar.

Se a eleição fosse hoje, os trabalhistas, tão surrados nas urnas por Boris, teriam 39% dos votos e os conservadores, 34%, mais 11% para os liberais democratas.

Mas eleição será apenas em maio de 2024. Para tirar Boris do governo, só se uma reação muito, muito forte da opinião pública levar pelo menos 55 parlamentares a pedir a uma comissão interna do partido que leve a votação uma moção de não-confiança.

Mesmo que o voto não passe, o chão pode desaparecer sob os pés do chefe de governo. Foi o que aconteceu com Margaret Thatcher em 1990. Ela derrotou o voto de censura, mas viu que a maré tinha virado.

Chamou seu cabeleireiro às pressas a Downing Street para armar o capacete louro com que enfrentava mundo e foi fazer um discurso de despedida na Câmara. Formidável e freneticamente aplaudido pelos homens que haviam acabado de apunhalá-la pelas costas, incluindo Michael Heseltine, que se imaginava o substituto, e John Major, que acabou ganhando a disputa interna.

“O primeiro-ministro não está indo a lugar nenhum”, disse na Câmara um integrante do governo, Michael Ellis. “O primeiro-ministro conserva a confiança do povo desse país, como fez há dois anos, com a maior maioria em décadas”.

Tradução: a posição de Boris não é nada boa e tem um bocado de gente em cima do muro esperando para ver se é a hora de sacar os punhais e partir para o ritual do expurgo interno.

Pesquisa mais recente: 66% dos consultados acham que Boris deveria renunciar, 24% são contra.

Quase dá para ouvir os punhais sendo afiados.

Revista Veja

EUA registram inflação de 7% em 2021, a maior desde 1982



POR ROSANA HESSEL

A inflação está se espalhando pelo mundo e não é um privilégio do Brasil. Conforme dados divulgados nesta quarta-feira (12/10) pelo o Bureau of Labor Statistics, centro norte-americano de estatísticas, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), registrou alta de 0,5% em dezembro, com ajuste sazonal, desacelerando em relação a novembro, quando o indicador avançou 0,8%. No acumulado nos 12 meses de 2021, o indicador de preços para todos os preços ao consumidor urbano avançou 7%, antes do ajuste sazonal. Essa é a maior taxa registrada para o indicador do custo de vida desde junho de 1982, no governo Ronald Reagan, segundo a instituição.

De acordo com dados do órgão de estatísticas, os preços de todos os itens, menos alimentos e energia, subiram 5,5%, a maior variação em 12 meses desde fevereiro de 1991. A inflação dos custos de energia chegou a 29,3% no ano, impulsionada pelo salto de 49,6% nos preços da gasolina. Enquanto isso, os preços dos alimentos registraram aumento de 6,3% no acumulado em 12 meses, com elevação de 6,5%, para os custos da alimentação em casa , e de 6%, na alimentação fora de casa.

A confirmação dessa inflação persistente e elevada na maior economia do planeta, assim como vem ocorrendo nos países desenvolvidos, acende um alerta sobre os emergentes, como bem sinalizou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta semana, uma vez que a alta dos juros dos bancos centrais das economias desenvolvidas será inevitável, o que será péssimo para os países com endividamento elevado e com as contas públicas desequilibradas, como é o caso do Brasil.

Analistas não têm dúvidas de que uma das principais consequências será o dólar elevado, entre R$ 5,60 e R$ 5,70, o que ajudará a pressionar a inflação, que deverá continuar acima do teto da meta, deste ano, de 5%. Consequentemente, os juros aqui continuarão subindo, o que, provavelmente, vai ajudar a travar a economia e ainda agravar o quadro fiscal, elevando os custos da dívida pública.

Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou os dados da inflação oficial de 2021, que foi a maior desde 2015, acumulando alta de 10,06% em 12 meses. O dado ficou acima do teto da meta para o custo de vida, de 5,25%.

Correio Braziliense

Mais de dez mil soldados russos em manobras nas fronteiras com Ucrânia e Geórgia




Mais de dez mil soldados russos participam a partir desta quarta-feira em manobras táticas em campos militares próximos das fronteiras com a Ucrânia e a Geórgia, indicou o Distrito Militar do Sul.

Os campos situam-se em regiões como Rostov, limítrofe com as regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk (Donbass) e Krasnodar, separada da península da Crimeia pelo estreito de Kerch, refere o comunicado militar.

Realizar-se-ão também exercícios em perímetros militares das regiões separatistas georgianas da Abcásia e Ossétia do Sul, cuja independência foi reconhecida por Moscovo em 2008, bem como da Arménia, onde a Rússia conta com uma base militar.

Trata-se de divisões motorizadas que tomarão parte nas manobras táticas em mais de 20 campos militares, vários deles em repúblicas do Cáucaso, como a Tchetchénia.

O exército russo já tinha anunciado na terça-feira manobras de tiro em três regiões vizinhas da Ucrânia, com a participação de mais de 3.000 soldados, além de tanques e blindados.

Em resposta às críticas internacionais, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, assegurou em conferência de imprensa que a Rússia continuará a efetuar exercícios militares no seu território, incluindo perto da fronteira com a Ucrânia.

"Estamos a falar das nossas unidades, dos nossos distritos militares e do nosso território", disse o porta-voz na sua conferência de imprensa telefónica diária.

A Ucrânia e a NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte) denunciaram, nos últimos meses, a concentração de um grande número de tropas russas junto à fronteira ucraniana, o que consideram o prenúncio de uma invasão.

Por sua vez, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergei Riabkov negou na segunda-feira que tal tipo de manobras represente "uma escalada" da violência com a Ucrânia.

"Não temos qualquer plano, qualquer intenção de atacar a Ucrânia - e não podemos tê-los", garantiu o negociador russo, após as conversações sobre segurança com os Estados Unidos em Genebra.

Depois das consultas sobre segurança com a NATO em Bruxelas, o outro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexander Grushko, assegurou hoje que a condição para o apaziguamento na Ucrânia é o cumprimento por Kiev dos Acordos de Paz de Minsk e o fim do fornecimento de armamento por parte da Aliança Atlântica.

A equipa de investigação Conflict Intelligence Team (CIT) relatou hoje que a Rússia está a mover armamento pesado, incluindo tanques e lança-mísseis, por via-férrea do Extremo Oriente e da Sibéria oriental para a parte europeia do país.

Jornal de Notícias (PT)

América Latina e Caribe devem crescer 2,1% em 2022




Em 2021, a região cresceu 6,2%

Por Marieta Cazarré 

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) está prevendo para este ano um crescimento médio de 2,1% para a região, bem abaixo dos 6,2% registrados em 2021.

O relatório anual Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2021, divulgado hoje (12), além da previsão de desaceleração do crescimento este ano, ainda analisa questões como as assimetrias no acesso à vacinação, as altas taxas de desemprego, principalmente entre as mulheres, e a inflação.

O relatório da Cepal aponta como as estimativas de crescimento e outros indicadores econômicos refletem o impacto sofrido pelos países da região em decorrência da crise da covid-19. 

"A América Latina e o Caribe cresceram, em média, 6,2% (em 2021), mas quando vamos analisar América Central e México estamos em 6%, e quando vemos América Central sem o México estamos em 6,7%, um crescimento muito importante, tendo Panamá como uma das economias mais importantes. No caso da América do Sul, o Peru, com 13,5%; também Chile, com 11,8%; e Argentina, com 6,8%, crescimentos muito importantes nessas economias", explicou Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Regional das Nações Unidas. O Brasil apresentou um crescimento 4,7% no ano passado.

De acordo com a Cepal, o crescimento médio esperado de 2,1% para este ano reflete uma alta heterogeneidade entre países e sub-regiões: o Caribe crescerá 6,1% (excluindo a Guiana), a América Central crescerá 4,5%, enquanto a América do Sul crescerá 1,4%. “A desaceleração esperada na região em 2022, juntamente com os problemas estruturais de baixo investimento e produtividade, pobreza e desigualdade, requerem que o fortalecimento do crescimento seja um elemento central das políticas, ao mesmo tempo em que são consideradas as pressões inflacionárias e os riscos macrofinanceiros”, disse Bárcena.

Em relação ao acesso à vacinação, o relatório aponta que os 33 países da América Latina e Caribe têm 60,1% da população com esquema vacinal completo. O país mais adiantado é o Chile (86,6%), seguido de Cuba (85,9%), Uruguai (76,9%) e Argentina (73,2%). O Brasil aparece em sétimo no ranking, com 67,6% das pessoas com esquema de vacinação completo.

Inflação

De acordo com a Cepal, no ano passado foram registradas altas inflacionárias na maioria dos países da região, lideradas por aumentos nos alimentos e na energia (a inflação atingiu a média de 7,1% em novembro, excluindo a Argentina, Haiti, Suriname e Venezuela), e espera-se que essas altas persistam em 2022.

Em outro âmbito, o relatório aponta que o financiamento para o desenvolvimento também é fundamental para apoiar os espaços de política e de investimento. E que é necessário ampliar e redistribuir a liquidez desde os países desenvolvidos até os países em desenvolvimento; fortalecer os bancos de desenvolvimento; reformar a arquitetura da dívida internacional; proporcionar aos países um conjunto de instrumentos inovadores destinados a aumentar a capacidade de pagamento da dívida e evitar o endividamento excessivo.

Trabalho e Emprego

Em relação às ocupações, em 2021, a Cepal mostra que 30% dos empregos perdidos em 2020 não foram recuperados. Além disso, a desigualdade entre homens e mulheres se acentuou, o que reflete a sobrecarga do cuidado sobre as mulheres e o menor dinamismo de setores que concentram o emprego feminino, como os serviços.

"As mulheres realmente ficam de fora e em 2021 mais de 38% dos trabalhos ocupados por mulheres acabaram durante a crise e não se recuperam. No caso dos homens, este número é de 21%, que é, como vocês podem ver, uma cifra um pouco menor. Não é bom, mas é um número menor do que o das mulheres. E entre 2020 e 2021 a queda na participação laboral afetou mais as mulheres, que deixaram de buscar emprego e, com certeza, nos lares com menores de 5 anos, ocasionou mais impacto sobre os cuidados no caso das mulheres", ressaltou Bárcena.

Para 2022, a Cepal projeta uma taxa de desocupação de 11,5% para as mulheres - levemente inferior aos 11,8% registrados em 2021, mas ainda muito superior aos 9,5% existentes antes da pandemia em 2019 -, enquanto para os homens a desocupação seria de 8,0% este ano, quase igual à de 2021 (8,1%), mas ainda bem acima dos 6,8% registrados em 2019.

Agência Brasil

Maioria dos americanos teme o 'colapso' da democracia, indica pesquisa

 




A maioria dos americanos considera que a instabilidade política é a maior ameaça aos Estados Unidos, onde a democracia poderia entrar em "colapso", de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12) que confirma a divisão do país um ano após o ataque ao Capitólio.

Segundo uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac, 76% dos entrevistados acreditam que a instabilidade política é a ameaça mais grave ao país, em comparação com 19% que citam países estrangeiros hostis aos EUA.

Os mais preocupados são ativistas e simpatizantes democratas (83%, contra 66% dos republicanos) e indivíduos entre 18 e 34 anos (80%).

Além disso, 58% dos consultados temem um "colapso" da democracia, em comparação com 37% que a consideram forte o suficiente para superar as divisões da sociedade americana.

O presidente democrata Joe Biden, que prometeu em 20 de janeiro de 2021 "reconciliar" o país após o mandato de seu antecessor, o republicano Donald Trump, parece ter falhado em sua aposta, já que 53% dos americanos acreditam que essas divergências vão piorar no futuro, contra apenas 15% que preveem uma melhora.

"O medo de um inimigo interno, em vez de uma ameaça externa, ressalta a amarga percepção dos americanos sobre uma democracia em perigo e divisões políticas cada vez mais profundas", avaliou Tim Malloy, da Universidade de Quinnipiac.

A pesquisa, realizada com uma amostra de 1.313 adultos americanos entrevistados de 7 a 10 de janeiro (com margem de erro de 2,7 pontos percentuais), confirma outros estudos.

Dois terços dos americanos estimaram no início de janeiro que o ataque de apoiadores de Trump à sede do Congresso em 6 de janeiro de 2021 foi "o sinal de uma escalada da violência política" e que a democracia americana ainda está "sob ameaça" um ano depois , de acordo com uma pesquisa da CBS News.

No entanto, 44% dos que foram ouvidos por Quinnipiac minimizaram a importância da invasão do Capitólio. Em agosto de 2021, eles eram 38%.

Esta pesquisa também revela uma queda acentuada na popularidade de Joe Biden na opinião pública: apenas 33% se mostraram favoráveis ao presidente, contra 36% em novembro.

A maioria dos eleitores desaprova sua política de combate à covid-19, na economia ou na política externa.

Para 49% dos entrevistados, a política de seu governo divide o país, contra 42% que pensam que ela o une.

Os congressistas também receberam opiniões desfavoráveis: 62% para os republicanos e 59% para os democratas.

AFP / Estado de Minas

Otan oferece negociações com Rússia para evitar risco de conflito

 




Aliança atendeu a uma fração das demandas apresentadas pela Rússia

Por Robin Emmott e Sabine Siebold 

Buxelas - A Otan disse nesta quarta-feira (12) que está disposta a conversar com a Rússia sobre controle de armas e implantação de mísseis, mas não permitirá que Moscou vete a ambição da Ucrânia de se juntar à aliança, alertando para um risco real de uma nova guerra na Europa.

A oferta do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, atendeu apenas a uma fração das amplas demandas apresentadas pela Rússia, que levou o Ocidente à mesa de negociações ao reunir cerca de 100 mil soldados perto da fronteira com a Ucrânia.

Stoltenberg disse após quatro horas de conversas entre embaixadores da aliança e uma delegação russa em Bruxelas que a Otan não deixaria Moscou ditar arranjos de segurança para outros países e criar perigosas esferas de influência.

"Existe um risco real de novos conflitos armados na Europa", disse Stoltenberg em entrevista coletiva.

"Existem diferenças significativas entre os aliados da Otan e a Rússia", disse ele. "Nossas diferenças não serão fáceis de superar, mas é um sinal positivo que todos os aliados da Otan e a Rússia se sentaram em torno da mesma mesa e se engajaram em tópicos substantivos."

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, disse que Moscou está pronta para falar sobre armas e medidas de verificação, mas não permitirá que suas propostas sejam escolhidas a dedo.

"Vulnerabilidades"

Em uma longa entrevista coletiva, Grushko afirmou que a Rússia não pode levar a sério a afirmação da Otan de ser uma aliança defensiva que não representa ameaça a ela e disse que responderia simetricamente a qualquer tentativa de contê-la ou intimidá-la.

"Se houver uma busca por vulnerabilidades no sistema de defesa russo, também haverá uma busca por vulnerabilidades na Otan", declarou ele. "Esta não é nossa escolha, mas não haverá outro caminho se não conseguirmos reverter o atual curso muito perigoso dos eventos."

Grushko disse mais tarde que Moscou usaria meios militares para neutralizar ameaças à segurança se a diplomacia se mostrasse insuficiente.

De acordo com a agência de notícias Interfax, o vice-ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, afirmou que o fato de a Otan "ignorar" as propostas de segurança russas criou o risco de "incidentes e conflitos".

A Rússia nega planejar invadir a Ucrânia, mas diz que precisa de uma série de garantias para sua própria segurança, incluindo a suspensão de qualquer expansão da Otan e a retirada das forças da aliança das nações da Europa Central e Oriental que se juntaram a ela após a Guerra Fria.

A vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, que liderou a delegação dos EUA nas negociações com a Rússia em Genebra na segunda-feira, disse que era difícil entender por que uma Rússia com armas nucleares se sentiu ameaçada por seu vizinho muito menor e estava realizando exercícios de tiro real perto de sua fronteira.

"Do que se trata? Trata-se de invasão? Trata-se de intimidação? Trata-se de tentar ser subversivo? Não sei, mas não conduz a soluções diplomáticas", disse ela.

A Rússia não se comprometeu a diminuir a escalada, disse ela, mas também não disse que não o faria.

Stoltenberg disse que qualquer uso da força russa contra a Ucrânia seria um grave erro político pelo qual a Rússia pagaria um alto preço.

Reuters / Agência Brasil

A nova geração de ditadores na América Latina




Se no passado eles vestiam verde-oliva e recorriam a golpes e ao poderio militar, hoje déspotas latino-americanos ironicamente garantem sua sobrevivência por meio de mecanismos do sistema democrático, opina Johan Ramírez

Por Johan Ramírez* (foto)

"Ortega é uma prova viva de que, sem golpes de Estado e por meio de eleições também se pode ser um ditador"

Os ditadores latino-americanos aprenderam a se adaptar. Eles perceberam que, para sobreviver no século 21, precisavam se renovar, se maquiar, se disfarçar de mil maneiras e, acima de tudo, deixar de lado as revoltas de quartel. É por isso que os tiranos que hoje governam as nações mais pobres da região não vestem mais verde-oliva. Eles não impõem mais seus regimes com balas de fuzil, como em décadas passadas.

Desde o início do milênio, e por ironias da vida, eles têm usado mecanismos democráticos para construir seus totalitarismos modernos à vista de todos. Eles recorrem sobretudo a três instâncias: eleições, órgãos internacionais e processos regulamentados. Ao manipular esses mecanismos a seu bel-prazer, eles se fortaleceram sem resistência.

Democracia de faz de conta

Prova disso é o que estamos testemunhando na Nicarágua: no último domingo (09/01), uma Assembleia Nacional fraudulenta começou seus trabalhos, e no dia seguinte, o ditador Daniel Ortega tomou posse para um novo mandato de cinco anos. Mas, ao contrário das ditaduras clássicas que semearam o terror na América Latina nos anos 1970 e 80, Ortega e sua Assembleia assumem o poder por mandato das urnas.

É claro que foram urnas manipuladas, que em novembro disseram o que Ortega queria que elas dissessem. Porque ele usou as instituições do Estado para purgar as listas eleitorais, removendo da corrida aqueles que, em uma verdadeira democracia, teriam arrancado o poder dele graças ao voto popular.

Ele usou o Judiciário para colocar os adversários na cadeia, para perseguir jornalistas inconvenientes e para banir organizações civis que denunciavam seus abusos. E usou o direito democrático ao voto para criar um parlamento a seus moldes e para ser eleito para mais um mandato. Ortega é uma prova viva de que, sem golpes de Estado e por meio de eleições também se pode ser um ditador.

Apoio de fora

Mas manipular o sistema doméstico não seria suficiente. Os autocratas dos dias de hoje também aprenderam a usar organizações internacionais a seu favor. A Venezuela chavista deixou claro que, contanto que tenha dinheiro, pode comprar apoio em encontros de cúpula para bloquear processos que vão contra ela.

Afinal, muitas pequenas ilhas caribenhas precisam de alguém que lhes ajude a construir uma estrada, um hospital ou uma central elétrica. Chávez fez isso apresentando-se sempre como um humanista solidário, mas garantindo em troca que esses países, junto com alguns aliados ideológicos, vetassem repetidamente resoluções que de outra forma impediriam a consolidação de seu poder absoluto e, com ela, a transformação da antiga potência petrolífera num império da miséria.

Para fazer um contraponto a organizações históricas, inventaram a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e a Unasul, e depois uma dúzia de espaços e fóruns partidários nos quais disfarçam o despotismo para se reivindicarem como líderes dos "países não alinhados".

Enquanto isso, as democracias conservadoras e arcaicas, ainda acreditando nessas instâncias, convocam suas assembleias gerais para redigir declarações inúteis condenando crimes e abusos, textos longos e sonsos que não levam a lugar algum. 

Processos de fachada

As ditaduras modernas acrescentam um terceiro elemento aos dois anteriores: o dos processos regulamentados. Como os para investigar alegações de detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais dentro de suas forças de segurança. São investigações que podem levar uma vida inteira, mas isso não é culpa de ninguém: é o tempo que leva o devido processo. E enquanto os resultados não chegam, as vítimas voltam a ser vítimas.

E, para melhorar sua imagem, as ditaduras criam órgãos de direitos humanos, nomeiam ouvidorias e colaboram com o Tribunal Penal Internacional em Haia. Mas fazem tudo isso enquanto protegem os torturadores, zombam dos mortos e enchem suas prisões clandestinas com prisioneiros políticos.

Mesmo assim, as democracias continuam a dar uma chance aos déspotas, criando missões de observação e grupos de contato, como se os assassinos tivessem essa coisa nobre que chamamos de boa-fé.

Para sempre impunes

Ao manipular a democracia, os ditadores conseguiram se adaptar e sobreviver por tempo suficiente para Fidel morrer de velhice e Chávez de câncer; Raúl Castro simplesmente se aposentar; Maduro engordar no Palácio de Miraflores e para Ortega se enraizar na Nicarágua, prometendo nunca desistir do poder.

Ortega não precisa invadir prédios do governo ou usar tanques de guerra. Ele usa o que ditadores que outrora derrubaram revolucionários como ele temiam tanto: eleições.

Os novos ditadores vestem gravatas e participam de cúpulas internacionais, dando tempo ao tempo, convencidos de que serão intocáveis até o fim e de que, graças à democracia, esta geração de ditadores viverá para sempre impune.

*Johan Ramírez é jornalista da DW. 

Deutsche Welle

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