quarta-feira, janeiro 12, 2022

O voto e o povo, o candidato e o presidente

Publicado em 12 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro – ótima matéria de Dimitrius Dantas, O Globo de terça-feira, procurou rebater as críticas sobre o seu alinhamento político e disse que os eleitores que o levaram à vitória em 2018 sabiam que ele fazia parte do bloco do Centrão. Não é exata a afirmação. Pelo contrário, Bolsonaro elegeu-se anunciando um posicionamento exatamente contrário à ideologia do Centrão, ou melhor,  à fisiologia do centrão, como algo nocivo ao país e à democracia.

As afirmações de agora colocam em destaque a divergência entre o candidato de 2018 e o presidente da República que assumiu em 2019 e repete a política que condenava no poder. Decepcionada, uma parte substancial de eleitores e eleitoras foram atingidos pela vontade de buscar o voto de volta. Mas é tarde. Urnas agora só as de outubro deste ano.

PROGRAMA IDÊNTICO – O fenômeno de arrependimento não é novo. Ocorreu com Dilma Rousseff ao conquistar o seu segundo mandato nas eleições de 2014. Ela acusou Aécio Neves de ter um programa economicamente liberal e contrário aos interesses populares. Entretanto, reeleita passou a colocar em prática programa absolutamente idêntico. Os eleitores também quiseram buscar o voto de volta. É o risco que envolve o povo e o voto.

O risco dos candidatos , uma vez vitoriosos, assumirem na Presidência o comportamento oposto ao anunciado nas campanhas eleitorais existe. O voto e o povo, por sinal, é título de um livro meu publicado em 1966, o qual focaliza a diferença de comportamento político entre os grupos de renda mais alta e os segmentos de renda menor. Mas essa é outra questão.

CAÇA AOS VOTOS – O fato é que temos que reconhecer que na propaganda política ou partidária, os candidatos têm que dizer aquilo que os eleitores e eleitoras querem ouvir. Afinal de contas, os candidatos estão pedindo votos e não se pode pedir alguma coisa quando na formulação que está solicitando contraria de antemão os que estão sendo solicitados a comparecer às urnas.

É um risco democrático, mas não há o que fazer. O caso, entretanto, é de sensibilidade para com os limites do possível já que a política em si é a arte do possível. Por isso, quando uma promessa é flagrantemente exagerada, os eleitores e eleitoras devem desconfiar.

Conforme escrevi recentemente, não foi o caso do ex-juiz Sergio Moro que recebeu o Ministério da Justiça livre de pressões partidárias, acumulando até no seu esquema de atuação o Coaf, ponto profundamente nevrálgico às articulações entre setores políticos, setores administrativos e setores empresariais. Era poder demais e por isso a promessa durou pouco. Moro deveria ter percebido. Mas não o fez.

ARREPENDIMENTO – O presidente Jair Bolsonaro parece ter se arrependido do veto total que aplicou ao projeto que financiava dívidas tributárias de pequenas e microempresas. É o que revela a reportagem de Daniel Giulliano, O Globo de ontem. Tanto assim, que primeiro Bolsonaro admitiu que o seu veto será derrubado. Um fato inédito.

O autor manifesta-se certo de que o Legislativo vai anulá-lo. Assim mostra que não tinha a menor certeza da repercussão de seu ato. O projeto que o governo tenta agora reviver ou aguardar a quebra do veto, permitia o parcelamento de R$ 50 bilhões de dívidas. A quantia é alta, mas a fração relativa ao orçamento é pequena.

VETO – Bolsonaro diz que não pode responder processo por crime de responsabilidade fiscal, e por isso vetou a matéria. Mas depois de conversar com o ministro Paulo Guedes, admitiu a edição de uma portaria para atender a 75% dos pequenos e microempresários. Surpreende o caminho de uma portaria capaz de mudar partes de uma lei.

Portaria é um ato ministerial, as leis e os decretos têm que ser sancionados pelo presidente da República. Só ele pode assinar decretos e reconhecer leis. O presidente da República não pode editar portarias. Trata-se, conforme disse há pouco, de outra escala na administração.

EXPLICAÇÕES DO BC –  O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, publicou na tarde de segunda-feira, a sexta edição de sua carta anual para explicar porque a inflação de 2021 atingiu praticamente o dobro da meta de 5%. Ele diz que o fenômeno inflacionário é mundial, mas esquece que os reajustes aplicados à Selic, que agora está na escala de 9,25% ao ano, voltaram-se para a expectativa de conter a inflação. A primeira meta inflacionária de 2020 para 2021 era de 3,75 %. Depois a meta passou para 5,2% e acabou em 10,6%.

As teorias no papel são uma coisa. Na prática são outras. O papel aceita tudo, agora as telas do computador também. Mas a realidade prevalece. As perspectivas inflacionárias são elevadas, basta dizer que hoje, quarta-feira, sobem novamente os preços da gasolina e do óleo diesel.

DÍVIDA INTERNA –  Os economistas Bruno Funchal e Jeferson Bittencourt, dois integrantes da equipe do ministro Paulo Guedes, em declarações a Manuel Ventura, O Globo de ontem, citaram a alta da dívida interna brasileira como um freio ao avanço do PIB. Eles manifestaram essa opinião no fórum de debates promovido pelo Instituto Millenium, identificando o crescimento da dívida como contrário à retomada econômica do país.

Frisaram que nos últimos dez anos a dívida interna que era de 62% do PIB chegou e hoje encontra-se na escala de 82%. O Produto Interno Bruto, digo, atinge a escala de R$ 6,6 trilhões. Sobre esses R$ 6,6 trilhões incide a taxa Selic de 9,25% ao ano.  O custo da rolagem do endividamento é de R$ 540 bilhões a cada 12 meses, segundo Funchal e Bittencourt.

Quando se fala em percentagem para termos a dimensão correta tem que especificar sobre que número absoluto incide. Era um dos pontos fundamentais defendidos pelo ministro Roberto Campos, avô do atual presidente do Banco Central.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL  – Daniela Amorim e Vinicius Neder, o Estado de S. Paulo de segunda-feira, destacam a retração verificada nos últimos 10 anos pela produção industrial brasileira. Trata-se, disseram, de uma década perdida, sobretudo porque com a inflação alta, a participação industrial no Produto Interno Bruto encolheu 33% e reduziu 800 mil empregos.  Os dados são do IBGE, comentados por André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

A retração industrial é uma consequência também, a meu ver, da queda do consumo, já que só se produz aquilo que se comercializa, e é assim absorvido pelo mercado nacional. O Estado de S. Paulo, segunda-feira, publica também reportagem de Adriana Fernandes sobre o pensamento de Bruno Funchal e Jeferson Bittencourt a respeito do endividamento interno do país.

DF tem que indenizar condutor que teve o carro danificado ao cair em buraco

 

O homem teve um prejuízo de mais de R$ 1 mil; após condenação o DF tentou recurso, mas não obteve êxito

Correio Braziliense
postado em 11/01/2022 08:22
 (crédito:   Crédito: Jessica Marschner/Esp.CB/D.A. Press. )
(crédito: Crédito: Jessica Marschner/Esp.CB/D.A. Press. )

Distrito Federal foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) a indenizar o proprietário de um automóvel após ele cair com o carro em um buraco em Águas Claras e ficar com o veículo danificado. O incidente foi em via no Areal, em dezembro de 2020.

3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais determinou que o DF pagasse R$ 1.230 de reparação material ao autor, mas o Distrito Federal interpôs recurso sob a alegação de insuficiência de provas. Segundo o recurso, a foto de um buraco, de um pneu furado e de uma localização no DF não têm o condão de comprovar o alegado acidente.

No entanto, a Turma concluiu que a responsabilidade civil do Estado, em caso de omissão, necessita da demonstração do dano, da ausência do serviço por culpa da Administração e do nexo de causalidade. Com isso, comprovados esses três requisitos, há o dever de indenizar.

Para o TJDFT, todos os requisitos se encontram suficientemente demonstrados nas provas documentais, por meio das fotos do buraco em via pública, dos danos causados aos pneus e da nota fiscal correspondente ao reparo do veículo. Segundo os magistrados, “evidencia o nexo de causalidade entre a omissão culposa do Distrito Federal”, que é a ausência de conservação da via e o dano material suportado pelo autor.

Por fim, o Distrito Federal não obteve êxito no recurso e o TJDFT concluiu que “a omissão culposa do Distrito Federal em não promover a manutenção das vias públicas em condições adequadas de uso e segurança, enseja sua responsabilidade pela reparação do dano, em atenção à teoria da culpa administrativa.”

Com informações do TJDFT.

Com informações do TJDFT.

Instabilidade persiste em 2022

 




O pior inimigo de Bolsonaro nas eleições será a inflação, que se junta às sandices relacionadas à pandemia

Por Maria Clara R. M. do Prado (foto)

No limiar de 2022, dois anos depois da humanidade ter sido assolada pelo coronavírus, o horizonte econômico mundial permanece instável. A variante ômicron jogou um balde de água fria nas previsões que contavam com a continuidade do processo de recuperação visível ao longo do ano passado.

Muitos acreditavam que apesar do rápido ressurgimento da inflação, o equilíbrio entre oferta e demanda tenderia a ser gradualmente restabelecido, na medida em que caísse o nível de contaminação da covid-19. No meio do caminho, porém, surgiu uma pedra, algo imprevisível como tem sido a gangorra do ora melhor, ora pior, prevalecente desde que o virulento “inimigo” começou a espalhar-se por todos os cantos.

Ontem, em seu relatório mensal, o Purchasing Managers’ Index (PMI) - ou Índice de Compras dos Gerentes de empresas, em tradução livre - atribuiu à ômicron os problemas que ainda comprometem as projeções. O setor de serviços, cuja trajetória no ano passado registrou uma retomada acima do crescimento do setor manufatureiro, voltou a ser impactado pela rápida contaminação da nova variante.

Já a indústria produtora de bens físicos deve continuar refém dos gargalos nas cadeias de fornecimento de insumos e matérias primas. Plástico, metais, semicondutores, madeira e produtos químicos são os mais afetados desde o início da pandemia. Não à toa, os fretes marítimos mantêm-se em altos níveis, o que agrega um elemento a mais de pressão para o aumento de preços, de modo geral.

Antes de continuar, vale esclarecer que o PMI é calculado pela empresa IHS Markit, com sede em Londres. Funciona como um proxy para o comportamento da economia. O índice é obtido a partir de informações prestadas por executivos de empresas privadas localizadas em mais de 40 países.

No relatório de ontem, o PMI mostra que o setor financeiro passou à primeira posição no ranking da produção global por setores em dezembro, enquanto que o de cuidados com a saúde ficou em segundo. O setor de bens de consumo subiu rapidamente para a terceira posição no mês passado, enquanto que o de serviços caiu vertiginosamente para o último lugar. O sub-setor de metais e mineração, seguido de telecomunicações e de turismo, aparecem na rabeira.

Não deve surpreender o fato de o setor financeiro ter tomado a frente na produção global. Por um lado, a significativa expansão observada no segmento imobiliário no mundo ajuda a puxar para cima o crédito bancário. Além disso, o Fed - o banco central dos Estados Unidos - já indicou que vai aumentar a taxa de juros de suas operações com o mercado ao longo deste ano. Significa menor liquidez no mercado, aumento nas taxas de longo prazo dos títulos do Tesouro americano e, consequentemente, resultado negativo entre entradas e saídas de capital estrangeiro nos países periféricos.

Isso, claro, contribui para pressionar ainda mais a taxa de câmbio nas economias em desenvolvimento, o que resulta em mais inflação. Para países como o Brasil já não há dúvida de que a trajetória ascendente dos juros será a única alternativa para lidar com a alta dos preços e trazer as expectativas para o nível da meta de inflação. A menos que o Banco Central queira fazer uso dos dólares da vasta reserva internacional do país com vistas a amenizar a pressão sobre o câmbio e dirimir assim o impacto da contração monetária sobre a atividade econômica.

“A ampla inflação salarial nos Estados Unidos ou a persistência dos gargalos na oferta podem impulsionar os preços para além do que foi antecipado e alimentar expectativas para uma inflação mais rápida. Em resposta, a aceleração do aumento da taxa de juros pelo Fed pode agitar os mercados financeiros e estreitar as condições de financiamento em termos globais. Isso tende a diminuir a demanda e o comércio nos Estados Unidos e eventualmente redundar em saída de capitais e depreciação da moeda nos países emergentes”, dizem analistas do FMI no artigo publicado ontem sob o título “Emerging Economies must prepare for Fed Policy Tightening” - As Economias Emergentes devem preparar-se para o aperto da política do Fed.

A alta dos salários nos EUA decorre da dificuldade de contratação de mão de obra que, junto ao auxílio distribuído às famílias na pandemia, tem sido forte foco de pressão sobre os preços. Isto tende a agravar-se com o reajuste de US$ 10,95 para US$ 15 do valor mínimo da hora para trabalhadores terceirizados do governo federal, com vigência a partir de abril.

Do ponto de vista político, o cenário não é nada alentador para quem está a cargo da chefia dos governos, em especial em ano eleitoral. Desde o Plano Cruzado, os brasileiros aprenderam a valorar a estabilidade como um bem maior a ser preservado. O pior inimigo de Bolsonaro nas eleições deste ano será sem dúvida a inflação que, na conjuntura vigente, se junta às sandices relacionadas à pandemia. O sucesso da política monetária não traria alívio, uma vez que viria ao custo de maior desemprego.

A nível global é possível vislumbrar uma luz no fim do túnel. Boa parte dos economistas prevê que até meados deste ano as cadeias de fornecimento terão voltado ao fluxo normal. O segundo semestre de 2022 marcaria a retomada de um processo contínuo de recuperação econômica em quadro de queda da inflação. Isso, obviamente, se nenhuma nova variante da covid-19 aparecer para embaralhar as perspectivas.

Valor Econômico

Guedes ‘veta’ reajuste e servidor reage




Na primeira reunião do ano com sua equipe, depois do período de férias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se manifestou nesta segunda, 10, contrário à concessão de aumento salarial para o funcionalismo federal em 2022. O ministro voltou a alertar o presidente Jair Bolsonaro para o fato de que conceder o reajuste apenas para uma categoria - no caso, a da segurança pública - vai aumentar a pressão em outros setores e que, por isso, o melhor é não aumentar os salários de nenhum servidor.

A possibilidade de não se mexer na folha de pagamento das polícias Federal e Rodoviária ganhou força nos últimos dias diante do risco de uma greve em cascata das demais carreiras de servidores descontentes por ficar de fora do reajuste prometido por Bolsonaro - que vai disputar a reeleição neste ano. Algumas categorias iniciaram protestos adotando operação-padrão, o que causou transtorno em portos e fronteiras.

Por sua vez, os agentes federais e rodoviários, que tinham uma promessa de aumento do presidente, reagiram a um possível recuo. Membros das corporações já falam em "traição", caso ele descumpra o compromisso firmado no ano passado. No fim de semana, o próprio presidente já indicava essa possibilidade. Em meio à adesão em massa dos servidores públicos federais ao movimento de operação-padrão e entrega de cargos comissionados no governo com ameaças de greve, Bolsonaro pediu "sensibilidade" ao funcionalismo e reafirmou que não há espaço no Orçamento.

Policiais federais, policiais rodoviários federais e líderes de associações que representam a categoria afirmaram reservadamente ao Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que um possível recuo de Bolsonaro pode fazer milhares de policiais irem às ruas para criticar uma "falta de compromisso" do presidente.

O Orçamento tem uma reserva de R$ 1,7 bilhão para atender a reajustes em 2022. O montante é insuficiente para atender até mesmo a reestruturação dos salários da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e agentes penitenciários, as três carreiras para as quais o presidente acenou com o reajuste.

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e um dos líderes da União de Policiais do Brasil, Dovercino Neto, afirmou que Bolsonaro "trairá" a categoria caso recue. Segundo ele, desde o primeiro ano do governo o presidente fala em reestruturação da Polícia Rodoviária Federal, mas não cumpre as promessas. "As falas do fim de semana são muito preocupantes", disse.

"O presidente firmou um compromisso com os policiais da esfera federal, que precisa ser honrado", afirmou a delegada federal Tania Prado, presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) e diretora da Associação Nacional dos Delegados da PF (ADPF), em São Paulo.

Estadão / Dinheiro Rural

'Processo político foi dominado por discursos de ódio, desinformação e teorias conspiratórias', diz Barroso

 




Luís Roberto Barroso é presidente do TSE

Em texto publicado no blog da Revista Internacional de Direito Constitucional em Espanhol, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso fala sobre a situação atual do processo político no Brasil.

Para Barroso, a política brasileira foi dominada pela costumeira prática bolsonarista das fake news e pelo negacionismo, que ele descreve como "discursos de ódio, desinformação e teorias conspiratórias".

"A ascensão das mídias sociais permitiu o aparecimento de verdadeiras milícias digitais, terroristas verbais", aponta o ministro do STF. "E, assim, saíram à luz do dia, sem cerimônia, os racistas, os fascistas, os homofóbicos, os misóginos, os desmatadores, os grileiros e supremacistas variados. É preciso enfrentá-los".

Barroso também comenta os desafios do Tribunal Superior Eleitoral nesse contexto durante as eleições de 2020. "Foi preciso convencer as pessoas a irem votar em plena pandemia, elaborar um mega plano de segurança sanitária, com distribuição de equipamentos de segurança e, muito particularmente, preparar um grande programa de enfrentamento à desinformação", escreve.

Jornal do Brasil

Robô voador é projetado para facilitar tarefas de emergência durante desastres naturais

 




Teste de um robô humanóide iRonCub capaz de voar em motores a jato

Desenvolvido pelo Instituto Italiano de Tecnologia, o robô humanoide denominado iRonCub foi inspirado no famoso super-herói da Marvel Comics o Homem de Ferro

Pesquisadores do Instituto Italiano de Tecnologia avançam no desenvolvimento do iRonCub, um robô humanoide voador autopropulsado, equipado com quatro motores a jato, que lembra o Homem de Ferro, projetado para facilitar tarefas de busca e resgate em áreas afetadas por desastres naturais.

Segundo os cientistas, apesar de nos filmes parecer uma coisa simples fazer um robô voar, a realidade é que calcular eficientemente a intensidade do impulso necessário para o dispositivo decolar, permanecer em voo de maneira estável e gerenciar o pouso, exige cálculos complicados com base nos dados obtidos de sensores de força especializados acoplados aos motores, razão pela qual, sem eles, foi desenvolvido um algoritmo de estimativa de empuxo que dispensa o uso da tecnologia.

Os cálculos desenvolvidos pelos engenheiros visam a dotar o iCub de locomoção aérea. Com locomoção terrestre bastante desenvolvida, o robô humanoide de pouco mais de um metro consegue engatinhar, andar e sentar, além de possuir um sofisticado par de mãos, com as quais manipula objetos com grande precisão.

Como detalharam os acadêmicos em suas pesquisas, recentemente publicadas na revista Robotics and Automation Letters do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), para desenvolver seu modelo foi necessário combinar as informações obtidas de dois processos, o que relaciona as ordens enviadas dos sistemas de controle ao motor a jato, com o empuxo resultante, e o que calcula a movimentação do robô.

Usando um valor amplamente reconhecido chamado "momento centroidal", os acadêmicos puderam controlar e estimar os movimentos do robô. Conforme detalham, quando usado corretamente, pode ser usado para relacionar as forças de empuxo a que um objeto é submetido com os efeitos que elas exercem sobre ele, com o que é possível, por exemplo, calcular a aceleração vertical necessária para decolar ou prever o movimento do objeto submetido ao empuxo.

"Lidar com robôs com motores a jato não é uma tarefa fácil, pois a temperatura do ar a jato pode chegar a 700 graus Celsius e a velocidade do ar pode ter características supersônicas, fluindo a cerca de 1.800 km/h", comentou o coautor da publicação Daniele Pucci para o Tech Xplore. "Nesse sentido, nossa equipe de pesquisa teve que superar vários problemas e questões que estão longe dos associados à pesquisa robótica clássica e mais próximos aos da aviônica", acrescentou.

O algoritmo desenvolvido pelos cientistas, detalhou Pucci, pode ser aplicado e usado nos controladores de voo de "qualquer robô voador", incluindo aqueles que podem mudar de forma ou configuração para realizar ações específicas. 

Sputnik News / Jornal do Brasil

Os prisioneiros eternos de Guantánamo




Vista aérea da base naval dos EUA na Baía de Guantánamo

A prisão militar americana na ilha de Cuba completa 20 anos. Apesar de várias denúncias de tortura e abusos aos direitos humanos, a situação no campo de prisioneiros permanece a mesma. Uma equipe da DW visitou o local.

Por Oliver Sallet

Um relato típico de Guantánamo é algo assim: Mohamedou Ould Slahi passou 14 anos atrás das grades. Ele foi torturado por 70 dias e interrogado 18 horas por dia durante três anos.

Ele morava na Alemanha antes de ser preso, e era suspeito de ser membro da rede Al Qaeda e de ter um papel central nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, apesar de não haver nenhuma prova contra ele.

Ele jamais foi indiciado ou condenado durante os 14 anos que passou em Guantánamo. O mauritano, agora com 50 anos, acabou sendo libertado, mas jamais foi compensado após sua parte de sua vida ter sido roubada.

A advogada Nancy Hollander considera este o seu caso mais notável. Uma história que deve chegar em breve às telas dos cinema.

O crime de Slahi foi ter participado de um campo de treinamento terrorista no Afeganistão e ter atendido uma chamada no telefone via satélite de Osama bin Laden. Isso, é claro, não contribui para sua imagem, diz a jurista, mas também não basta para que ele seja indiciado.

Guantánamo transformou os Estados Unidos em "um país que não respeita o Estado de direito”, afirma a advogada.

Ela fala em uma "situação catastrófica”, que não se aplica somente aos 13 detentos que estão presos sem serem formalmente acusados e que aguardam há anos sua libertação, mas também aos supostos autores dos atentados de 11 de setembro, os chamados "prisioneiros eternos”, que ainda aguardam julgamento, 20 anos após os ataques. 

Suspensão sistemática do Sistema legal

A ausência do Estado de direito não é algo acidental, senão um objetivo do governo americano sob a presidência de George W. Bush, afirma a especialista da Anistia Internacional (AI), Daphne Eviatar.

"O governo Bush criou uma prisão offshore precisamente para contornar as regras do sistema legal dos Estados Unidos”, conclui Eviatar. Ela denunciou extensivos abusos dos direitos humanos em Guantánamo em um relatório da AI que relata a detenção por tempo indeterminado de presos não indiciados, além da prática de tortura.

Apesar de não existirem evidências públicas que comprovem isso, Eviatar afirma que diversas investigações, incluindo uma do Comitê de Inteligência do Senado americano, documentam a tortura brutal de dezenas de homens em Guantánamo.

A base americana na Baía de Guantánamo, num enclave em Cuba, existe há mais de 100 anos. O local foi expandido para abrigar um centro de detenção em janeiro de 2002, poucos meses após os ataques de 11 de setembro e, desde então, ganhou uma notoriedade dúbia.

Anthony Natale, advogado de Abd al-Rahim al-Nashiri, suspeito de terrorismo e de ligação com a Al Qaeda, falou abertamente sobre sua decepção com Guantánamo. "Abandonamos tudo o que fazia deste um país livre, com direitos iguais para todos.”

Censura à imprensa

Qualquer um que queira ver Guantánamo com seus próprios olhos deve superar vários obstáculos. O primeiro destes é o espaço aéreo cubano, o qual os voos semanais de Washington não têm permissão para atravessar. Os aviões devem contornar o país pelo leste e não podem tomar o rumo da base militar até a aproximação final.

Do alto, se tem a primeira visão da base, de reputação contestada. No sopé de uma cadeia de montanhas está a Baía de Guantánamo; a oeste, o aeroporto, a leste, a base naval, o tribunal militar de Camp Justice e o campo de prisioneiros.

A permissão para visitar o local vem com pouca antecedência, após semanas de verificações de segurança. Antes da partida, deve-se assinar um termo concordando com as "regras básicas”. Estas estipulam o que os jornalistas devem esperar em Guantánamo: Nenhuma liberdade de movimento e, sobretudo, nenhuma liberdade de imprensa.

Não se pode nem mesmo ver a prisão do lado de fora. Todas as informações vindas de dentro estão sujeitas a um rígido sigilo, o que é inevitavelmente profundamente frustrante para os advogados dos detentos.

Nancy Hollander lutou durante sete anos nos tribunais para conseguir a permissão para a publicação do "Diário de Guantánamo”, escrito por seu cliente, Mohamedou Ould Slahi.

Vida à sombra da tortura

Quando se fala em Guantánamo, vêm à mente, em primeiro lugar, a tortura e os arames farpados. Na verdade, a prisão e o tribunal militar são apenas uma pequena parte do local. Na maior parte, a base naval se assemelha a uma cidade americana.

Eles nos mostram a nova escola com tecnologias de ponta, que custou 65 milhões de dólares e foi aberta recentemente, onde 220 crianças de todas as idades podem ter uma infância mais possivelmente próxima do normal.

Isso, apesar de o suposto autor dos atentados de 11 de setembro estar aguardando julgamento a apenas cinco quilômetros de distância. O diretor da escola, Emilio Garza, afirma que o campo de prisioneiros ainda não consta no currículo escolar. 

Há um supermercado e áreas residenciais que se assemelham a um idílico subúrbio americano, além da única lanchonete McDonalds em solo cubano. A rádio GTMO toca pop latino-americano. Em uma loja de souvenires os visitantes podem comprar camisetsa com os dizeres Rockin' in Fidel's backyard ("Agitando no quintal de Fidel”). Em Guantánamo, o ex-ditador cubano ainda assombra.

A apresentadora Annaliss Candelaria, de uniforme camuflado em frente ao microfone, apresenta o show matinal às 8h. Entretenimento, música e também temas mais sérios, como suicídio, são fazem parte do programa. Trata-se, acima de tudo, de "reforçar o moral dos soldados” diz Candelaria.

A rádio GTMO não informa sobre os interrogatórios em andamento antes dos julgamentos militares, e tampouco sobre a prisão, que, segundo Candelária, não é "parte da cultura” da base naval. De fato, todas as instalações da prisão são inacessíveis à maioria das 6 mil pessoas que vivem em Guantánamo. "Sabemos apenas o que lemos na imprensa”, afirma a apresentadora.

Planos, planos e mais planos

O dia 11 de janeiro marca o 20º aniversário do campo de prisioneiros de Guantánamo. Essa data traz à tona a questão sobre como a existência do local ainda é permitida hoje em dia, apesar das óbvias violações aos direitos humanos e ao Estado de direito e, sobretudo, após os EUA terem encerrado a guerra ao terror no Afeganistão e retirado suas tropas do país. Afinal, esta seria a justificativa primordial para a existência da prisão.

O primeiro plano para o fechamento do local veio com o fim do governo Bush. Seu sucessor, Barack Obama, prometeu diversas vezes fechar o campo de prisioneiros, mas acabou perdendo a maioria no Congresso para os Republicanos.

'Joe Biden prometeu fechar o campo de prisioneiros em Guantánamo'

Estes, por sua vez, introduziram uma lei que estabelecia que "nenhuma pessoa que esteve detida em Guantánamo poderá vir aos EUA por qualquer motivo”, explicou Nancy Hollander. Segundo a advogada, isso torna impossível transferir os presos para os Estados Unidos.

Transformar palavras em ações

A mudança de rumo veio com o ex-presidente Donald Trump, que anunciou que a prisão de Guantánamo permaneceria aberta. Os republicanos argumentam que o local continua protegendo o país de ataques terroristas, e que seria perigoso transferir os detentos para solo americano. Já os opositores de Guantánamo afirmam que a simples existência do local já serve para radicalizar mais jovens muçulmanos.

A mudança seguinte veio no governo do presidente Joe Biden, que, através de um porta-voz, anunciou após tomar posse que planejava fechar o campo de prisioneiros durante seu mandato.

'A advogada Nancy Hollander defende a libertação imediata de todos os prisioneiros em Guantánamo'

Mas, quando o Comitê de Inteligência do Senado se reuniu para discutir a questão, nenhum representante do governo Biden esteve presente. Para Nancy Hollander, isso demonstra quais são as prioridades do governo, que, até agora, "não fez nenhuma tentativa de transformar suas palavras em ações”.

Presos, apesar da falta de provas

O governo Biden considera ter problemas maiores com seu fracassado programa de reforma da infraestrutura do país, além da aproximação das eleições legislativas e da baixa popularidade nas pesquisas. O que o futuro trará para "Gitmo" é algo que está completamente em aberto. Alguns dos prisioneiros poderão ser libertados como planejado, enquanto outros poderão ser deportados para seus países de origem.

Daphne Eviatar, da AI, se diz otimista quanto ao futuro do local. "Quanto menor se tornar o número de detentos, mais absurda será [a existência da prisão]”, afirma. O que se sabe é que, além dos já bem conhecidos princípios morais em questão, cada prisioneiro custa por ano 13 milhões de dólares aos contribuintes americanos.  

Seria menos custoso mantê-los em prisões americanas, mas isso, mesmo não levando em conta os entraves legais, também não seria ideal, afirma Nancy Hollander. A advogada exige a liberação imediata de todos os detentos em Guantánamo.

"Não podemos prender pessoas por 20 anos sem qualquer acusação, somente porque, embora não haja provas suficientes para acusá-los, sabemos de alguma forma que são perigosos”.

A questão sobre o futuro de Guantánamo não pode mais ser respondida com argumentações racionais. Assim como tantas outras coisas nos EUA, o tema se tornou peça do jogo político americano, em cuja sombra os "prisioneiros eternos” há 20 anos aguardam julgamento.

Deutsche Welle

No berço do chavismo, a indigesta derrota de Maduro




Apoiadores do oposicionista Sergio Garrido comemoram a certificação de sua vitória na eleição para governador de Barinas

Por Sandra Cohen 

Vitória da oposição pela segunda vez encerra duas décadas de domínio da dinastia de ex-presidente venezuelano no estado de Barinas e dá novo fôlego aos adversários do regime.

Foi bastante dura e simbólica para Nicolás Maduro a segunda derrota eleitoral em dois meses no estado de Barinas, o berço do chavismo. Não apenas por ter encerrado ali duas décadas de domínio da dinastia Chávez, mas porque, desta vez, a máquina do Estado se mostrou ineficaz para arrebatar os votos necessários ao candidato oficial, o ex-ministro Jorge Arreaza.

    'Apesar da distribuição de eletrodomésticos, botijões de gás e carnês de alimentação aos eleitores, por parte do governo, o candidato opositor Sergio Garrido venceu com uma vantagem de 14 pontos sobre Arreaza, ex-genro de Chávez. No entender do economista Luis Vicente León, presidente do instituto Datanálisis, esta eleição deixa uma grande lição aos venezuelanos – a de recuperar a força do voto como instrumento da luta política'.

“O chavismo e o abstencionismo perderam em Barinas. De nada valeram o populismo, a mobilização oficial, o deslocamento militar, o controle institucional ou os ataques virulentos contra quem queria votar. O voto de mais da metade da população do estado matou vários pássaros com uma cajadada só”, observou o analista.

Em uma série de tuítes publicados após o resultado, León admitiu que a Venezuela ainda está longe de uma solução estável, mas ressaltou que a vitória da oposição em Barinas é um símbolo de apoio à participação eleitoral e à articulação em torno de uma campanha, embora em condições desvantajosas.

A oposição venceu também a primeira eleição, em 29 de novembro, anulada, após intervenção de Maduro e do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que inabilitaram a candidatura de Freddy Superlano sobre Argenis Chávez, irmão do ex-presidente.

    'Na repetição do pleito, mudaram também os concorrentes. Entraram Arreaza, do lado oficial, e Garrido, pela oposição. O primeiro caiu de paraquedas no estado, valendo-se do parentesco com Chávez. O segundo foi escolhido por exclusão, já que os demais opositores foram banidos'. 

Após a surpresa de novembro, o governo desembarcou em Barinas com um aparato de 25 mil militares para dar conta de 540 seções eleitorais, além de dezenas de ônibus de estatais, lotados de servidores.

A costumeira ação intimidatória não surtiu o efeito esperado. Arreaza não venceu nem em Sabaneta, a cidade onde nasceu Chávez. O triunfo em Barinas deixou a sensação de começo do fim e deu novo fôlego aos opositores para convocar este ano um referendo revogatório sobre o mandato de Maduro.

G1

Em destaque

Julgamento no TSE faz Alessandro Vieira passar de caçador a caça

Julgamento no TSE faz Alessandro Vieira passar de caçador a caça Senador se declarou pardo em 2022 e usou dinheiro do Fundo Partidário desti...

Mais visitadas