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Salvador divulga estratégia de vacinação de crianças contra a Covid-19; confira

por Nuno Krause

Salvador divulga estratégia de vacinação de crianças contra a Covid-19; confira
Foto: Jefferson Peixoto / Secom

A Prefeitura de Salvador divulgou, nesta segunda-feira (10), a estratégia de vacinação de crianças contra a Covid-19. Ao todo, a gestão municipal espera imunizar 149.214 inidvíduos na faixa etária de 5 a 11 anos. 

 

A vacina utilizada será a da Pfizer, e não será administrada junto com outras do calendário infantil, sendo recomendado, por precaução, um intervalo de 15 dias. 

 

As doses, de acordo com o prefeito Bruno Reis (DEM/UB), devem ser enviadas até o fim desta semana pelo Ministério da Saúde. "As doses chegando, de imediato vamos aplicar. Depois de um ano vacinando contra a Covid, temos equipes, estrutura, profissionais disponíveis", afirmou o gestor. 

 

Mais de 65 pontos estarão espalhados pela cidade para receber as crianças aptas à vacinação. O horário de aplicação das doses será de 8h às 18h. 

 

Para receber o imunizante, a criança deve ter o nome no site da Secretaria da Saúde. Os pais devem apresentar uma declaração autorizando a vacinação de seus filhos. 

 

Uma série de atrações está prevista para, segundo a prefeitura, "torar o momento de vacinação mais lúdico e atrativo para as crianças"

Bahia Notícias

Se recuar no aumento de servidores, Bolsonaro perde um milhão de votos, no mínimo


Bolsonaro afunda na desorientação e perde apoio que lhe resta

Pedro do Coutto

Nada pior em política do que prometer alguma melhoria, excitar expectativas e depois recuar, frustrando fortemente esperanças, no caso de Bolsonaro, que ele próprio despertou. Mais uma vez, o presidente da República age contra a sua própria reeleição. É melhor não prometer nada, do que prometer e depois recuar.

A mágoa se refletirá nas urnas de outubro. Reportagem de Bruno Góes, O Globo de domingo, destaca o posicionamento do chefe do Executivo diante da reação de servidores federais, como é o caso dos integrantes da Receita pelo fato dele, Bolsonaro, ter anunciado reposição inflacionária somente para as Polícias Federal, Rodoviária e Judiciária.  

APELO – Bolsonaro diz que apela para a sensibilidade dos funcionários e que não há espaço no orçamento para a elevação de salários. “Primeiramente – afirmou – não está garantido o reajuste para ninguém. Tenha a reserva de R$ 2 bilhões que poderia ser usada para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária, além dos integrantes do sistema prisional.  

Mas outras categorias viram isso e disseram: também queremos. E veio essa onda toda”. As declarações do presidente da República foram feitas a jornalistas no momento em que foi participar da festa de aniversário do advogado-geral da União, Bruno Bianco.

Na minha opinião, mais uma vez, prevalece a participação do ministro Paulo Guedes. Bolsonaro acrescentou que compreende a perda do poder aquisitivo, uma vez que não há reajuste desde 2017, e os alimentos e a energia elétrica subiram. “Mas não podemos simplesmente explodir o Brasil porque isso não resolve absolutamente nada”, disse.

REAÇÕES – O reflexo político da mudança de projeto de Jair Bolsonaro será dos maiores e dará margem a reações em cadeia. A começar pela própria Polícia Federal. Aliás, esta questão de aumento à Polícia Federal, Polícia Rodoviária e Polícia Judiciária foi colocada de maneira incompleta porque o governo prometeu reajuste, mas nunca disse a porcentagem a ser aplicada aos vencimentos dos servidores.

De qualquer forma, o desgaste será muito grande, adicionando mais um fator de distanciamento entre o presidente da República  e o candidato à reeleição.

AVISO A BOLSONARO  – Conforme escrevi ontem, a mensagem do general Paulo Sérgio Nogueira estabelecendo a obrigatoriedade de vacinação do Exército, além da imunização importante, representou um aviso ao presidente da República sobre a hipótese de conflito no dia das eleições, consequência da polarização.

Excelente reportagem de Marianna Holanda, Folha de S.Paulo de ontem, focaliza amplamente o quadro criado com Bolsonaro tentando concentrar o posicionamento do titular do Exército exclusivamente no caso da vacinação. No O Globo, o assunto também foi bem focalizado por Bruno Goés e Gabriel Shinohara, que ouviram o general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, que disse: “O presidente Jair Bolsonaro faz um show de besteiras todos os dias”.

PELA TANGENTE – Bolsonaro disse no sábado que não exigiu explicações do Ministério da Defesa sobre a mensagem do general Paulo Sérgio Nogueira. Apenas disse que não se vacinou e que (falta um pouco de nexo na frase) “não tem exigência nenhuma, não tem mudança e que pode esclerecer”, acentuou, dirigindo-se aos jornalistas.

“Hoje, tomei café com o general paulo Sérgio Nogueira e se ele quiser esclarecer o fato, tudo bem. E se não quiser, está resolvido. Não tenho que dar satisfação para ninguém. É uma questão de interpretação”, acrescentou.

Como se constata no texto irregular, o presidente da República partiu para deslocar  qualquer reflexo político maior das afirmações do ministro do Exército. Efetivamente, na minha opinião, não se consegue compreender exatamente o pensamento que gerou as palavras do presidente.

DIRETRIZ – Afinal de contas, a defesa da vacinação não é uma questão interpretativa. É uma diretriz. O mesmo se aplica à ameaça de punição dos militares que colocarem fake news nas redes da internet. Esta parte então é um recado absolutamente direto aos bolsonaristas identificados como os que operam na usina da desinformação que tanto prejudica o legítimo interesse coletivo da população.

Os reflexos negativos imaginários à vacina só podem partir dos que são contra a sua aplicação. É o caso típico do próprio Jair Bolsonaro que ainda recentemente revelou que não levará a sua filha Laura de 11 anos para que seja vacinada, embora a sua esposa, Michele Bolsonaro, tenha se vacinado em Nova York quando da instalação em setembro da Assembleia Geral da ONU de 2021.

DESAFIO DE BARRA TORRES –  Na noite de sábado, o Jornal Nacional da TV Globo revelou, na íntegra, a carta aberta do almirante Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa, ao presidente Jair Bolsonaro, desafiando-o a provar as acusações que fez à Anvisa quando insinuou que existia alguma coisa por trás da decisão da Agência em favor da vacinação de crianças de 5 a 11 anos.

Barra Torres exigiu uma investigação e que o presidente da República apresente provas concretas contra a sua idoneidade, lembrando de sua patente de oficial general (almirante) da Marinha brasileira com 32 anos de serviço.

“Se o presidente da República não encontrar provas capazes de sustentar a sua acusação que tenha a hombridade de vir a público e reconhecer o seu erro”, afirmou. Surpreendentemente, os jornais de domingo, pelo menos em suas edições impressas, não publicaram a matéria que merece destaque por sua importância e pelo tom de desafio lançado. O JN entrou no ar às 20h30, mas possivelmente, penso, a matéria deveria estar no sistema online da Globo e portanto também no online de O Globo.

TERCEIRA VIA – Fala-se agora na política brasileira em matéria de sucessão que há uma perspectiva de surgir uma terceira via entre Lula e Bolsonaro. Isso me faz lembrar iniciativas no Brasil e no mundo de se lançar terceiras forças ou terceiras vias, tentativas todas eles fracassadas. No plano internacional, aliás, foi objeto de um livro do jornalista e historiador Paulo de Castro, que foi do Diário de Notícias e do Correio da Manhã, focalizando o bloco surgido em decorrência da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, da terceira força.

O movimento foi liderado pelo marechal Josip Broz Tito da antiga Iugoslávia que resistiu ao nazismo e jamais se rendeu às tropas de Hitler. Tito lançou então uma terceira força no cenário mundial integrada por ele, pelo primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru que sucedeu a Gandhi em 1947. A terceira força reunia também o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, que fazia parte de um grupo de coronéis que havia derrubado o rei Faruk.

Tito enfrentou pressão de Stalin que cercou fronteiras iugoslavas, porém não se intimidou. Mas o movimento da terceira força não progrediu. Não havia base econômica sólida, a não ser o Canal de Suez, que na época era uma rota fundamental para os carregamentos de petróleo. Paulo de Castro teve sucesso em suas obras, mas o passar do tempo diminuiu a sua importância. Passou a ser apenas uma página da história.

O que é mais grave e realmente perigoso: ser tarado por vacina ou tarado contra vacina?

Publicado em 10 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

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Charge do Milton César (Midiamax)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Pense rápido: o que é pior, ser “tarado por vacina” ou tarado contra vacina? O presidente da República, Jair Bolsonaro, tenta insistentemente dividir o País entre os dois grupos, mas não dá certo, porque ele fala, fala, fala contra a imunização de adultos e agora de crianças, mas ninguém lhe dá ouvidos. Os brasileiros sabem que a questão não é ideológica, mas de vida ou morte.

“Ninguém” talvez seja exagero, porque há tarados que dão de ombros para a ciência e seguem tudo o que seu mestre, ou seu mito mandar. É triste, talvez doentio. Bolsonaro já proibiu a compra da Coronavac, a “vachina do Doria”, e disse que quem se vacina vira jacaré, as duas doses causam Aids na Inglaterra e que tão poucas crianças morrem de Covid… Pra que vacinar?

MUITAS VÍTIMAS – Perguntem aos pais, mães, avós, tios, irmãos, primos, amigos e médicos das 308 crianças mortas pela doença entre 5 e 11 anos e dos 2.500 abaixo dos 19 anos, que teriam sido salvos com vacinas. E dá um arrepio pensar em quantos ainda podem ser contaminados, internados e… até as doses chegarem.

Ao tentar dividir a população entre tarados pró e contra vacina, Bolsonaro também racha seu governo e sua base aliada. Enquanto ele ataca as vacinas, a nova propaganda oficial badala o índice de imunizados no Brasil e o Exército reforça suas diretrizes pró vacina e contra fake news na pandemia. Vale para o comandante em chefe?

Médicos criticam o estúpido negacionismo do presidente e pediram investigação do ministro Marcelo Queiroga no Conselho Federal de Medicina por desvios ético-profissionais, a Sociedade de Imunização também se rebela e a Sociedade de Pediatria diz em nota que desestimular os pais a imunizarem seus filhos é “lamentável e irresponsável e pode custar vidas”.

DADOS PESSOAIS – O que dizer da deputada Bia Kicis, que jogou no WhatsApp e dali para as matilhas bolsonaristas da internet dados pessoais e profissionais de três médicos que defenderam vacinas para crianças na tal audiência pública? Replicou Bolsonaro, que queria a lista dos técnicos da Anvisa que autorizaram a vacinação infantil. Certamente, para “ripar” a reputação deles, já que não pode demiti-los, como no Iphan, Inep, Inmetro, PF…

E é gravíssimo, além de indigno, o presidente acusar a Anvisa de ter “interesses por trás” ao tomar decisões em prol do Brasil, das crianças, das vacinas, do Butantã e da Fiocruz, que produz uma vacina 100% nacional. Ele não entende nada, nem a tara por vacinas que salvam de poliomielite, sarampo, tétano, coqueluche… e covid-19.

Parabéns, Fiocruz! Solidariedade, Anvisa e doutores tarados pela vida!

Silêncio de Bolsonaro sobre retratação à Anvisa mostra que há algo de podre no Planalto


Bolsonaro chama Moro de Judas e diz que ninguém dará um golpe em cima dele  - 02/05/2020 - Poder - Folha

Bolsonaro foi humilhado publicamente e não esboçou reação

Carlos Newton

Nunca se viu nada igual no Brasil nem no mundo. Não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, o atual presidente da República fez uma insinuação criminosa de que a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária estaria se portanto de maneira inadequada e recebeu, de pronto, uma resposta desconcertante e desmoralizadora.

Pagando com a mesma moeda a ofensa recebida, o diretor-presidente da Anvisa, contra-almirante Antonio Barra Torres, fez questão de responder publicamente às maledicências de Bolsonaro e lançou um torpedo diretamente no Palácio do Planalto, que atingiu em cheio o alvo, jogando pelos ares a suposta dignidade do diploma presidencial.

CONTRADIÇÕES – Neste episódio, o comportamento da grande imprensa foi contraditório. Enquanto o Jornal Nacional fazia o estardalhaço esperado para matéria de tamanha importância e repercussão, em que o presidente da República é frontalmente acusado de cometer crimes de injúria e difamação, ao divulgar falsas informações e classificar de “tarados por vacina” os técnicos altamente especializados da Anvisa, os sites dos maiores jornais do país tentaram esconder o vexame presidencial – acredite se quiser, diria o jornalista e ilustrador americano Robert Ripley.

Ficou parecendo que Folha, Globo e Estadão combinaram esconder a notícia, sem publicá-la no noticiário de Política, limitando-a às respectivas seções de Saúde, o que significa reduzir expressivamente a leitura e ocultar os fatos.

Jamais se viu nada igual. A explosiva notícia ficou mesmo confinada nas seções de Saúde, fazendo lembrar mais uma vez Machado de Assis: mudou o Natal, mudou o jornalismo ou mudou a política?

SILÊNCIO ABSURDO – Bem, isso ocorreu na sexta-feira à noite. Passou-se o sábado, depois lá se foi o domingo, sem que os jornalões levassem adiante o assunto, pareciam pretender sepultá-lo em cova rasa, sem choro nem vela, como dizia Noel Rosa.

E assim entramos na segunda-feira sem que o presidente da República se dignasse a defender a própria honra, emporcalhada pelas palavras duras e bem articuladas do dirigente da Anvisa, que falava em seu nome pessoal, mas representando a agência como um todo.

Ao exibir coragem e determinação, Barra Torres mostrou que ainda há chefes militares no Brasil, que sabem se comportar quando o chefe do governo se exibe de forma irresponsável e vergonhosa. E Barra Torres não é o único. As Forças Armadas já cansaram de aturar Bolsonaro.

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P.S.
 – Na mesma semana, Bolsonaro amargou duas derrotas terríveis no campo militar. Primeiro, tentou uma retratação do comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira, e recebeu um não como resposta. Depois, foi desafiado pelo comandante da Anvisa a provar suas denúncias ou se retratar, e ficou vexatoriamente inerte, incapaz e inútil. Deveria renunciar ao cargo, como Richard Nixon fez nos Estados Unidos, quando ficou provado que ele era um mentiroso no poder. (C.N.)  

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