domingo, janeiro 09, 2022
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Bolsonaro recua, alega que o Exército “não exigiu vacinação” e dispensa esclarecimento
Publicado em 8 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro deu entrevista neste sábado e “explicou” seu recuo
Eduardo Rodrigues e Felipe Frazão
Estadão
O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado, dia 8, que o Comando do Exército não impôs a vacinação obrigatória aos militares para retorno das atividades presenciais e dispensou uma nota com explicações públicas. Para o presidente, o Exército fez apenas uma recomendação.
Na véspera, o Exército chegou a discutir os termos de um comunicado com esclarecimentos sobre uma diretriz editada com regras para retorno ao regime presencial. Houve pressão política do Palácio do Planalto e do Ministério da Defesa, mas a nota não chegou a ser publicada.
DISSE BOLSONARO – “Foi uma diretriz não do Exército, mas da Defesa, que dava dúvidas. Não houve exigência nenhuma. Eu sou democrata. Já tive notícia de duas estatais que queriam aplicar sanções aos funcionários que não se vacinaram. Se o Exército quiser esclarecer, tudo bem, mas está resolvido, não tem que dar explicação para ninguém. É uma questão de interpretação”, disse Bolsonaro, depois de participar da festa de aniversário do advogado-geral da União, Bruno Bianco, no Lago Sul, em Brasília.
A declaração do presidente acalma os ânimos na relação entre o Planalto e a Força Terrestre. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, interlocutor do presidente junto aos comandantes, cobrou informações durante um encontro com generais das três Forças Armadas. Após a reunião, o Exército foi compelido a preparar uma nota.
APAZIGUANDO… – Nos bastidores da caserna, oficiais da cúpula verde-oliva trabalharam para contornar o episódio. Eles passaram a noite dando explicações a autoridades do governo Jair Bolsonaro, e defenderam que não havia necessidade de esclarecer publicamente a diretriz do comandante-geral, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Assim, conseguiram postergar a publicação, considerada agora descartada por fontes com acesso ao caso.
Pesou na decisão para convencer Bolsonaro o fato de o Exército ter demonstrado que a nova diretriz do comandante, em vigor desde 3 de janeiro, apenas reproduzia ideias de uma portaria anterior, ainda mais restritiva, do próprio ministro Braga Netto. O ministro pediu que a volta ao regime presencial de servidores no Ministério da Defesa ocorresse após 15 dias da vacinação. O Censipam, ligado ao ministério, também fez a mesma exigência, que não existe no caso do funcionalismo civil da administração pública federal.
O tema vacina é considerado “sensível” na Defesa, por ter virado bandeira política do presidente. Reservadamente, oficiais comentam que o ministro da Defesa deu claros sinais de não querer melindrar Bolsonaro, no momento em que tenta se viabilizar como potencial candidato a vice-presidente nas eleições de 2022.
REGIME PRESENCIAL – Como o Estadão noticiou, a diretriz do comandante Paulo Sérgio orientou que oficiais em cargos de chefia avaliassem a volta ao regime presencial dos militares já vacinados, 15 dias após a imunização. Porém, a diretriz não continha um veto total ao retorno dos não vacinados.
O Exército seguiu a regra de Braga Netto, com uma diferença: abriu uma brecha para que os militares não vacinados completamente pudessem apresentar sua situação ao Departamento Geral do Pessoal, o DGP.
O órgão tem um comitê responsável pela gestão e prevenção de contaminação por covid-19 na caserna, e poderia liberar o retorno com exceções ou cuidados especiais dos não vacinados, o que, para oficiais ligados ao comandante, mostra que não havia uma obrigatoriedade semelhante ao “passaporte da vacina”.
MEDIDAS PREVENTIVAS – Além disso, o teor geral da nova diretriz do general Paulo Sérgio é de flexibilizar a realização de atividades e treinamentos na caserna, em vez de restringir. Ela recomenda, porém, a adoção de medidas de prevenção à contaminação e fala expressamente no “uso de máscaras, no distanciamento social e higienização de mãos”, medidas cuja eficácia Bolsonaro questiona, apesar das evidências científicas e das recomendações sanitárias.
O documento do comandante-geral reproduz uma ordem para que não haja difusão de notícias falsas sobre a pandemia do novo coronavírus na internet. Esse trecho da normativa também não é uma novidade, pois estava em vigor desde março de 2020, emitido pelo então comandante-geral, general Edson Leal Pujol.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Conforme a Tribuna tem noticiado, sempre com absoluta exclusividade, Bolsonaro já “entendeu” o que está acontecendo. Reparem que desde o dia 8 de setembro, quando levou o tranco do Estado Maior do Exército, nunca mais se jactou de ser “comandante-supremo das Forças Armadas”, como fazia quase diariamente. Assim, como indagava Machado de Assis, convém perguntar: Mudou o Natal, mudou Bolsonaro ou mudou o Exército? (C.N.)
Bolsonaro dá um péssimo exemplo à saúde pública, ao sabotar a imunização das crianças
Publicado em 8 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Kleber (Correio Braziliense)
Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por liberar a vacinação do público pediátrico de 5 a 11 anos. Chamou os cientistas e médicos que defendem a vacinação das crianças a partir dos cinco anos de “tarados da vacina” e reiterou que a sua filha, de 11 anos, não será vacinada.
Sua ofensiva contra a vacinação de crianças e pré-adolescentes ocorre num momento em que explodem os casos de influenza e de covid-19, inclusive com transmissão comunitária da variante ômicron. Pronto-socorros e ambulatórios estão lotados, houve aumento exponencial da procura por testes de covid-19.
QUARTA ONDA – Os números registrados nos Estados Unidos, Europa e Ásia revelam que a quarta onda da pandemia de covid-19 é uma realidade, com o registro de mais de 2,5 milhões de casos por dia. A interpretação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que o Brasil está fora dessa rota não corresponde à realidade.
Além disso, corrobora as suspeitas de que o apagão de dados do SUS pode ter sido provocado por hackers, mas a demora para resolver o problema faz parte da má vontade e das manobras protelatórias do governo federal contra a vacinação.
O ministro está incorrendo nos mesmos erros que o general Eduardo Pazuello cometeu à frente do Ministério da Saúde, ao se submeter aos caprichos do presidente da República e dar as costas à população em situação de risco sanitário.
INVENTOR DO XADREZ – Não custa nada lembrar a velha história do brâmane, que inventou o tabuleiro com 64 quadros, vermelhos e pretos, cuja peça mais importante era o rei (rajá) — a segunda peça, o próprio brâmane, foi substituída pela rainha com o passar dos anos.
Reza a lenda que rajá gostou tanto do jogo de xadrez, que pediu ao brâmane para determinar sua própria recompensa. Ele então pediu ao rajá que lhe fosse dado um único grão de trigo no primeiro quadrado, dois no segundo, quatro no terceiro e assim por diante, dobrando sempre as quantidades. O rei achou a recompensa insignificante e aceitou.
Entretanto, quando o administrador do celeiro real começou a contar os grãos, o rei teve uma surpresa muito desagradável. O número começou pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, 32 (…) e foi crescendo, 128, 256, 512, 1024… Quando chegou à última das 64 casas do tabuleiro, era de quase 18,5 quintilhões.
UM PESO DESCOMUNAL – Quanto pesa cada grão de trigo? Se cada um tiver um milímetro, pesariam 75 milhões de toneladas métricas, muito mais do que havia nos armazéns reais.
“Se o xadrez tivesse 100 quadrados (10 por 10), em vez de 64 a quantidade de grãos teria pesado o mesmo que a Terra”, comparou o físico Carl Sagan, em “Bilhões e Bilhões”.
Essa história é uma boa analogia com a tragédia de 620 mil mortos por covid-19 no Brasil, que parece não ser levada em conta pelo atual ministro da Saúde. Pazuello tinha a desculpa da disciplina militar (“ele manda, eu obedeço”). Queiroga, não. É um médico cujo juramento está sendo rasgado, porque se tornou apenas mais um áulico negacionista no alto escalão do governo.
Procura-se desesperadamente um plano para conseguir a redução da economia informal
Publicado em 9 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Iotti (Gáucha/Zero Hora)
Deu em O Globo
Entender por que a economia informal no Brasil parou de encolher na última década é parte crucial do debate sobre os objetivos de quem assumirá a Presidência em janeiro de 2023. Atacar esse problema será uma contribuição importante para melhorar a vida dos trabalhadores na base da pirâmide social e, em consequência, diminuir a desigualdade.
Será também chave para a busca por um ambiente de concorrência mais justa entre as empresas e, por fim, para a saúde das contas do governo (com destaque para a Previdência).
ESTRATÉGIA ABRANGENTE – As soluções exigem uma estratégia abrangente, que inclua reformas na área trabalhista, crescimento econômico, fiscalização e repressão, no caso de atividades como contrabando e pirataria.
Em 2011, o Índice de Economia Subterrânea, calculado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), era de 16,9% do PIB brasileiro.
O percentual de 2021, divulgado no final do ano passado, é quase idêntico: 16,8%. Isso equivale a um montante de R$ 1,3 trilhão circulando à margem do Fisco e das leis. Na década passada, o melhor ano foi 2014, quando o índice caiu para 16,1%, patamar mais baixo já registrado.
GRUPO HETEROGÊNEO – O termo economia informal engloba um grupo heterogêneo — e cada parte exige resposta distinta. Há donos de negócios que tentam escapar do Fisco e da regulamentação; empresários com empresas formais que mantêm parte ou todos os seus empregados sem registro; criminosos e seus funcionários; gente que decide ou é forçada pelas circunstâncias a trabalhar por conta própria e não vê vantagem ou não consegue abrir uma empresa; trabalhadores domésticos sem registro ou trabalhadores eventuais.
Como explicou Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Ibre/FGV, entre os fatores que contribuíram para a queda da economia informal até 2014 estão a ampliação da escolaridade, a expansão do mercado de crédito (incentivo à formalização) e o aumento na eficiência do Fisco.
MAIS INFORMALIDADE – Mas tais fatores estruturais não foram suficientes para sustentar a tendência.
Um dos efeitos do baixo crescimento da economia e das recessões (com exceção da que ocorreu em 2020 com a população em casa) é o aumento da informalidade, uma vez que mais gente é obrigada a abrir negócios próprios para se sustentar.
Além de se concentrar no crescimento econômico, o próximo presidente deveria tomar providências que ajudariam a endereçar a questão.
LEIS TRABALHISTAS – Uma das áreas que merecem atenção são as leis trabalhistas. Mesmo depois da reforma de 2017, elas continuam bizantinas e garantem direitos a apenas 59% da força de trabalho ocupada, deixando 41% sem direito algum.
O fato de o percentual de informais nunca ter ficado abaixo de 30%, mesmo nos momentos mais aquecidos do mercado de trabalho, deveria ser motivo de reflexão. Será mesmo que não há nada de errado com nossa legislação?
Reforma, é óbvio, não pode ser sinônimo de vale-tudo, como parecem pensar os que lutam contra a formalização dos que trabalham por meio de aplicativos. Entre os extremos, ainda há muito a avançar.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Muito importante o editorial de O Globo, mas não terá efeito algum. Para reduzir a economia informal, é preciso garantir ensino de qualidade a toda a população, incentivar a industrialização e facilitar ao máximo a criação de novas empresas, teses que precisam motivar os candidatos. Infelizmente, porém, os dois favoritos, Lula e Bolsonaro, não têm a menor ideia do que essas teses representam. (C.N.)
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