sábado, janeiro 08, 2022

De olho na presidência, Berlusconi volta à cena na Itália




Mesmo marcado por escândalos e condenação por evasão fiscal, ex-premiê está disposto a concorrer a cargo de influência decisiva em crises no país. Analistas veem poucas chances de Silvio Berlusconi virar presidente.

Por Bernd Riegert

Sério? Silvio Berlusconi? Sim, o ex-chefe de governo da Itália, com a carreira política maculada por diversos escândalos e processos jurídicos, quer tentar mais uma vez. Aos 85 anos, vai se candidatar ao posto mais alto do Executivo italiano: quer se tornar presidente do país. O primeiro turno das eleições foi marcado para 24 de janeiro.

"Creio que Silvio Berlusconi pode ser útil para o país", disse sobre si mesmo o veterano conservador, que na Itália é chamado de Il Cavaliere ("O Cavaleiro"): "Não desistirei e farei o que o meu país precisa." No início de dezembro de 2021, o político, que foi primeiro-ministro da Itália quatro vezes, enviou uma imagem de seu rosto esticado por plásticas aos deputados no Parlamento em Roma, acompanhada de uma coleção de seus mais belos discursos.

Na Itália, a ação foi interpretada como pontapé inicial para uma discreta campanha eleitoral pela presidência. Muitos observadores nos diversos programas de debate na TV italiana consideram que o Cavaliere, que chegou a ser condenado por sonegação fiscal, só tem chances mínimas.

Mas ele é apoiado pelos populistas de direita Matteo Salvini e Giorgia Meloni, líder da legenda nacionalista de direita Irmãos da Itália. Antes das festas de fim de ano, ela se posicionou claramente: "Queremos um patriota. Berlusconi é um. Draghi não é."

Draghi quer ou não ser presidente?

Ao citar Mario Draghi, Meloni fala do candidato que, provavelmente, tem mais chances de obter o posto. O atual primeiro-ministro, que chefia um governo tecnocrata bem-sucedido e surpreendentemente estável, tem prestígio tanto na Itália como na Europa.

O porém: ele ainda não se declarou candidato. Na Itália, se auticandidatar para a presidência é tabu, apenas Berlusconi não teve problemas com isso. As ambições à presidência de Draghi, de 74 anos, são conhecidas, mas o governo provavelmente implodiria em pouco tempo sem a liderança do ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE).

No Parlamento, o governo é sustentado por uma coalizão unificada nacional atípica, integrada por todos os partidos do país – com exceção dos Irmãos da Itália de Giorgia Meloni.

Essa maioria se desintegraria, acredita Lutz Klinkhammer, especialista em assuntos relacionados à Itália do Instituto Histórico Alemão em Roma. Segundo o estudioso, o governo está no poder principalmente para distribuir de maneira sensata os 200 bilhões de euros (cerca de R$ 1,3 trilhão) do fundo de reestruturação da pandemia de coronavírus concedido pela União Europeia ao país. "Sem o dinheiro de Bruxelas, essa grande coalizão não teria se formado. E, de fato, ela é capenga. Sabemos disso. Por isso vejo grandes dificuldades. Não acredito na estabilidade desse governo se Draghi for eleito presidente."

A consequência poderia ser a realização de novas eleições, que talvez resultem num governo populista de direita e eurocético. Mas, se a recuperação econômica da Itália fracassasse depois da pandemia, isso inevitavelmente afetaria os demais países-membros da UE.

"Eleições são mais que um ritual"

Por isso, Enrico Letta, líder dos social-democratas da Itália, acredita que é muito melhor Draghi continuar na chefia de governo até o fim da legislatura atual, no início de 2023, finalizando seu programa de reformas.

"A Itália continua sendo o membro mais fraco da zona do euro, o que significa que a política italiana e os tomadores de decisão por trás dela serão decisivos para a sobrevivência e o bem-estar da UE nos próximos anos", escreveram Nouriel Roubini, economista e consultor financeiro de Nova York, e Brunello Rosa, da Universidade de Economia Bocconi, de Milão, num artigo de opinião conjunto para a revista social-democrata

Project Syndicate, intitulado "Por que a eleição na Itália importa".

"Se partidos populistas voltarem ao poder devido às já altas dívidas e déficits, a filiação da Itália à zona do euro poderia ser questionada. Isso resultaria em todo tipo de abalo e distorção dos mercados", escrevem os especialistas, para quem a futura eleição presidencial italiana é tudo, menos um simples ritual sem maiores consequências.

'Atual premiê Mario Draghi é considerado candidato com mais chances'

Diferentemente do presidente na Alemanha, cujo papel é mais simbólico apesar da designação de chefe de Estado, o presidente da Itália tem influência decisiva durante crises políticas. Ele pode nomear o chefe de governo e é quem aprova os ministros. Além disso, tem o poder de dissolver o Parlamento.

Com esses direitos, o atual titular do posto, Sergio Mattarella, instaurou seu amigo Mario Draghi no cargo de primeiro-ministro há um ano, encerrando uma crise de governo.

Pode ser que Draghi queira ocupar esse posto como manipulador-mor nos próximos sete anos. Com um premiê que lhe agrade, ele poderia chefiar a Itália durante muito tempo.

Porém não está claro se o Parlamento que será eleito nos próximos meses participaria do jogo. Sobre o assunto, em coletiva de imprensa recente Draghi só comentou que é um criado experiente de seu Estado. "Meu próprio destino não importa."

"É como escolher o Papa"

Também não está claro como serão as relações de maiorias no grêmio de 1.009 delegados que em 24 de janeiro decide quem será o novo presidente. Devido às suas regras complexas, o especialista Klinkhammer compara o processo eleitoral do presidente italiano à eleição de outro cargo de destaque que acontece em Roma.

"É como na escolha do papa. A maioria dos representantes do povo precisa encontrar a pessoa mais digna para o cargo nesse conclave", explica o pesquisador do Instituto Histórico Alemão.

Não existem cédulas de votação com nomes impressos dos candidatos. Todo deputado, senador ou delegado de uma região precisa anotar um nome completo à mão. Teoricamente, portanto, qualquer nome pode ser escrito.

Se ninguém alcançar uma maioria de dois terços nos três primeiros turnos, os turnos seguintes podem ser vencidos simplesmente com maioria absoluta – ou seja, a metade dos votos, mais um.

O processo pode demorar. Em 1972, por exemplo, foram necessários 23 turnos para que o candidato Giovanni Leone obtivesse maioria. Há sete anos, Sergio Mattarella precisou de quatro turnos.

No primeiro fim de semana de janeiro, representantes do setor cultural exigiram publicamente o fim do semicorrupto troca-troca amigável de cargos entre políticos idosos, e indicaram duas candidatas: a ministra da Justiça Marta Cartabia e sua ex-colega Paola Severino.

Provavelmente, elas têm as mesmas chances mínimas de Silvio Berlusconi. Contudo, conforme escreveu a revista britânica The Economist sobre a política doméstica italiana: "É improvável. Mas já aconteceram coisas mais estranhas."

Deutsche Welle

Fed muda o tom e agora indica pressa em combater inflação - Editorial

 




O Fed navega até certo ponto em mares desconhecidos

As discussões na última reunião do Federal Reserve continham algo mais do que o que foi transmitido com um ar sereno por seu presidente, Jerome Powell, em entrevista, ou no comunicado emitido ao término do encontro. A ata de ontem mostra que houve praticamente consenso de que a inflação já foi longe demais e de que a meta do pleno emprego foi praticamente atingida. O Fed concluiu que é o momento de agir, ou seja, antecipar o início do ciclo de aumento dos juros e outras providências que comecem a reduzir a enorme liquidez extra criada pelas medidas destinadas a combater os estragos econômicos provocados pela pandemia.

Os mercados se inquietaram com o tom mais urgente e duro, ligeiramente diferente do de Powell ao fim da reunião. A iminência de o país atingir o pleno emprego e uma inflação generalizada e mais persistente do que se esperava levou o banco a determinar a redução mais drástica de sua compra de ativos, antecipando seu fim para a metade de março. As apostas do mercado dão dois terços de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual vir logo em seguida, seguidos de mais 2 antes do fim do ano - antes, estimava-se que o torniquete dos juros começaria a ser usado a partir do segundo semestre de 2022. No gráfico de pontos, a maioria dos membros do Fomc já sinalizava sua inclinação por levar a taxa a 1%.

Esta percepção formou-se pelo relato da ata na qual “os participantes notaram que, segundo suas perspectivas individuais para a economia, para o mercado de trabalho e para a inflação, pode se tornar justificável aumentar a taxa dos fed funds antes ou a um ritmo mais rápido do que eles próprios previam”.

Havia mais na ata, porém. O Fomc fez uma intensa discussão não apenas sobre antecipar o prazo de compras de ativos, mas também quando e de que forma iniciar a redução do balanço do banco, que hoje ultrapassa US$ 8 trilhões. A aparente pressa pode ter relação com o perigo inflacionário, ou não. Em um cenário em que o risco deflacionário era predominante, o Fed parou de adquirir ativos em 2014, subiu os juros e só começou a diminuir o seu balanço em outubro de 2017. Nada de muito relevante aconteceu.

Agora, a predisposição do Fed, sempre condicionada ao desempenho da economia, é tornar esse processo bem mais rápido, logo após o primeiro aumento de juros, possivelmente em junho, o que seria justificável pela diferença de condições das duas circunstâncias nas quais o Fed tomou essa iniciativa. “Os participantes ressaltaram, notadamente, que a perspectiva econômica atual é mais robusta, com inflação maior e um mercado de trabalho mais apertado que no início da normalização anterior”, menciona a ata, além do fato de que o balanço do Fed ser hoje muito maior em termos absolutos e relativos (como proporção do PIB).

Outra característica do balanço do Fed é particularmente importante: o prazo dos títulos em posse do banco é hoje menor, ou seja, segundo alguns participantes, dependendo do limite fixado para a redução do balanço ele pode encolher mais rápido do que na iniciativa anterior. E alguns membros do Fomc consideraram que seria apropriada uma redução significativa durante o período de normalização monetária, dada a “liquidez abundante” nos mercados monetários e o elevado uso das compras reversas no overnight.

A ata mostra concordância sobre o processo ter de ser previamente anunciado, detalhado, e com tetos fixados para a redução ao longo do tempo. Mas ao estabelecer como primeiro e principal instrumento de política monetária a taxa de juros, o Fed reconhece que há menos incertezas sobre os efeitos de mudanças nos juros do que no balanço do banco central.

Não é trivial reduzir um balanço dessa dimensão e o Fed navega até certo ponto em mares desconhecidos. Se der prioridade aos títulos curtos, sua taxa de juros tende a subir, reforçando a ação aperto monetário, mas achatando a curva já que os títulos de longo prazo não se moverão muito. Se quiser evitar isso, o Fed teria que atuar na ponta longa, ou seja, na prática, influir em toda a curva a termo das taxas de juros.

De qualquer forma, o Fed incluiu mais um instrumento para a normalização monetária que ainda não estava no radar dos investidores e sinalizou premência em agir contra a inflação, em um grau inexistente antes. Para o Fed, a taxa de juros de curto prazo só irá a 3% em 2024 - um ritmo mais que moderado. Não se sabe se a cadência prescrita já foi ultrapassada pelos acontecimentos - e por isso os investidores estão ficando nervosos.

Valor Econômico

Em política o que é, é.




Por Luiz Werneck Vianna* (foto)

A sociedade está entregue a si mesma, ao desamparo de partidos e de vozes que a representem e mesmo assim, por meio de suas instituições ou até por fora delas, tem-se demonstrado capaz de se defender da pandemia que nos infesta diante de um governo omisso e até conivente com ela por sua postura refratária às prescrições recomendadas pela ciência. Contudo, apesar dele, os brasileiros acorrem em massa aos postos de vacinação e ao uso de máscaras e se disseminam práticas de autodefesa nas periferias por meio de práticas solidárias, especialmente nos seus setores subalternos afligidos por uma situação de miséria crescente. O credo neoliberal vocalizado em tom triunfante por Margareth Thatcher de que essa coisa de sociedade não existe tem encontrado refutação eloquente na cena brasileira atual.

A constatação desse fato benévolo torna ainda mais gritante a ausência dos partidos políticos democráticos, principalmente os de esquerda, nos movimentos sociais, limitados às suas ações no âmbito parlamentar numa conjuntura onde ainda se fazem presentes ameaças reacionárias e fascistas. No mundo desertificado da política atual não se pode fazer ouvidos moucos a importante iniciativa de dois próceres da nossa política, Lula e Alkmin, de conceber uma ampla coalizão a fim de pela via eleitoral fechar as portas para o caminho de desgraças que acomete o país.

A esquerda é herdeira de uma rica história de alianças, às vezes celebradas em condições adversas como nas lutas contra o nazi-fascismo em que soube, nos interesses do bem comum, superar divergências e antagonismos. É verdade que no teatro das nações do mundo nosso país ocupa ainda uma posição secundária, embora estejamos situados bem perto do coração do país ainda hegemônico nas relações internacionais, hoje polarizado em torno dos projetos de Biden e de Trump, o primeiro empenhado em devolver seu país aos trilhos que lhe foram naturais, e o segundo claramente orientado por um neoliberalismo que o conduz a uma política isolacionista e imperial.

Estamos, desde já, envolvidos nessa disputa, basta ver os contatos frequentes entre o vértice do bolsonarismo e quadros dirigentes do Partido Republicano dos EUA, inevitável que as posições que resultarem das nossas próximas eleições vão interferir nesse tabuleiro, circunstância que empresta a elas, além da possibilidade de livrar o país do flagelo do governo Bolsonaro, uma maior significação no cenário internacional. 

É preciso impedir que o trumpismo estabeleça uma cabeça de ponte em nosso país e daí irradie sua influência para os demais países latino-americanos. O tamanho da encrenca exige o recurso a remédios heroicos como o que ora entra em linha de elaboração, a que o conjunto das forças e personalidades democráticas não pode ser indiferente. Ao contrário, deve proceder para melhor cimentar e alargar as vias ainda em esboço para uma ampla coalizão democrática. 

Em política o que é, é, não há uma terceira via no horizonte, salvo na fabulação de uns poucos. Não faz sentido, registre-se, conceber um juiz julgado pelos mais eminentes dos seus pares como parcial em sentenças que proferiu como alguém credenciado à postulação presidencial.

De fato, nas trajetórias dos dois personagens envolvidos na trama dessa auspiciosa negociação houve momentos erráticos, mas nada que os comprometa em suas adesões aos princípios da democracia política. São ambos confiáveis nesse quesito incontornável, e como detém currículos que atestam suas práticas de governança, podem e devem ser advertidos pelas forças e personalidades que a eles vierem se agregar para participarem da coalizão que lideram do que recusam em seus comportamentos pretéritos. No caso do PT, particularmente sua história pregressa de hegemonismo e sua nem sempre nítida percepção de que governo e Estado são dimensões separadas e dotadas de autonomia são temas a exigir manifestações autocríticas diante da opinião democrática.

Em negociações francas e abertas animadas pelo propósito de remover a política nefasta que a todos oprime, tal objetivo, certamente difícil, mas de nenhum modo impossível, pode descerrar o que ainda impede a construção da estrada real que nos livre dos males da hora presente. Igualmente não consiste em tarefa acima da escala humana encontrar soluções para os complexos ajustes entre as eleições presidenciais e as estaduais, com que contamos com o tirocínio de políticos experimentados capazes de dar nó em pingo d´água.

Não experimentar essa janela de oportunidade, cedendo, mais uma vez, espaço para que ambições pessoais por poder e patriotismos identitários ocupem o lugar que deve ser protegido em nome da defesa do interesse comum, é tudo o que desejam aqueles que atuam no sentido de reproduzir nas eleições o governo que aí está.

Não é preciso conhecer as lições de Maquiavel em A arte da Guerra a fim de ponderar o papel da correlação de forças políticas nos desfechos das disputas pelo poder. Grossos e poderosos interesses fazem parte das linhas de sustentação do governo Bolsonaro, que detém o poder da caneta, como se diz, e o controle da imensa e capilarizada malha com que o Estado recobre a sociedade, inclusive nos seus remotos rincões.

A experiência nesses já longos anos com a clique que se mantém no poder ensina que não se deve subestimar sua capacidade de manobrar no terreno da política. A rusticidade da sua aparência é enganadora, como restou demonstrado na bem-sucedida operação em que, num momento de fraqueza, recorreu a aliança com o Centrão afastando os riscos de um iminente impeachment e ganhando novo fôlego nas disputas eleitorais.

No passado as forças democráticas, em momentos decisivos, souberam inovar na construção de amplas coalizões políticas, essa experiência faz parte do seu repertório que nos cumpre agora reprisar.

*Luiz Werneck Vianna, Sociólogo, PUC-Rio 

Fundação Castrojildo

No embalo da pandemia




Assim como nos Estados Unidos, embora não seja o único tema, a covid-19 terá certamente um peso eleitoral no Brasil

Por Fernando Gabeira (foto)

O ano começa com um problema que não nos deixou: a pandemia. Embora não tenha condições científicas de afirmar, parece que uma nova onda de covid-19 se abate sobre o Brasil, trazida pela variante Ômicron. Baseio-me em observações pessoais, muitos conhecidos testando positivo e também pelo crescimento do número de testes nas farmácias.

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, afirma que no processo eleitoral a pandemia já estará esquecida. Naturalmente que a performance de Bolsonaro não o ajuda e os políticos que o apoiam querem passar uma borracha sobre o tema.

Mas o próprio Bolsonaro, se não bastasse a Ômicron, se dedica a prolongar a polêmica sobre a pandemia. No momento em que a imunização já avançava, ele investiu contra o passaporte sanitário. Na entrada do ano, o governo dedica-se a empurrar com a barriga a vacinação infantil, por orientação do próprio Bolsonaro.

Assim como nos Estados Unidos, embora não seja o único tema, a pandemia terá certamente um peso eleitoral. A resistência de Bolsonaro à vacinação infantil deve afastá-lo mais ainda do eleitorado feminino. Sem contar que muitas crianças voltam às aulas sem que o processo tenha sido realizado integralmente, aumentando os riscos.

O princípio de ano foi marcado, também, pelas consequências das grandes chuvas na Bahia. Bolsonaro foi incapaz de um gesto de empatia. Ao contrário, dedicou-se a passeios de jet-ski e visitas a um parque infantil no Sul do País.

Foram as maiores chuvas dos últimos 32 anos. Além da indispensável solidariedade, da reconstrução de estradas, casas e de cuidados médicos, a tempestade merecia uma reflexão que não aconteceu. Felizmente, houve avisos que podem ter atenuado os estragos.

Mas é evidente que as cidades brasileiras, com seus rios assoreados e suas construções precárias, não estão preparadas para os eventos extremos que virão na esteira do aquecimento global. É urgente um debate nacional sobre o tema, embora cada lugar seja um problema específico. Acredito que um plano de adaptação das cidades brasileiras é mais do que urgente. Definido como um plano de adaptação às mudanças climáticas, é possível até que se possa captar recursos no exterior.

Se Bolsonaro optou pelo jet-ski, é sinal de que não dá a mínima importância a esse tema, que, por sinal, ele nega como nega a importância da pandemia.

Numa campanha em que a fome e o desemprego serão temas principais, a única forma de introduzir o aquecimento global é precisamente como um instrumento de abertura de vagas de trabalho e aumento de renda. Assim como o próprio saneamento básico.

Meu trabalho é chamar a atenção para esses temas. Os prováveis vencedores das eleições de 2022 ainda não se manifestaram sobre eles. No meu caso, ainda estão envolvidos num processo de rancor, divulgando que votei em Bolsonaro e preciso me autocriticar. Não votei nem influenciei um mísero voto em Bolsonaro. No entanto, milhares, talvez milhões de pessoas tenham votado nele porque, naquele momento, temiam a vitória do PT. Minha última presença eleitoral foi ser candidato contra Sérgio Cabral, a quem apoiaram com entusiasmo.

Não será fácil, portanto, avançar alguns temas indispensáveis para colocar o Brasil na trilha moderna.

Felizmente, resta a esperança de que o rancor não se desloque da pessoa para os temas que defende.

Da mesma maneira, a instalação de uma infraestrutura digital é cada vez mais necessária para o País atravessar os tempos de agora.

No passado, tivemos de combater ideias como as de ônibus de inclusão digital, que resultaram, na verdade, em operações de superfaturamento, sem incluir quase ninguém.

A superação de Bolsonaro será um grande alívio na vida científica, cultural e na própria tensão sobre os principais ecossistemas do País.

No entanto, nem todos os problemas estarão resolvidos. Quem se expõe ao fogo cruzado dificilmente escapará dele. Duvido que escaparia, mesmo por meio de uma candidatura de centro. As condições de radicalização não só estão presentes no tecido social, como encontraram na internet a sua plataforma ideal.

Ainda assim, o importante não é tanto discutir sobre pessoas ou acontecimentos. Mas, sim, as ideias que podem mover o Brasil para alguma direção. Nesse sentido, a campanha eleitoral ainda não começou e é razoável que se saiba pouco. O único problema seria ver a campanha se desenrolar sem que apareçam as ideias mestras do processo e sobrevivam apenas ataques, fake news e ressentimento. Ficará difícil de encontrar um antídoto para tanto veneno.

O Brasil se atrasou muito neste período que se encerra em 2022. Será um esforço gigantesco para recuperar o passo. A primeira coisa a fazer é reconhecer o atraso e recuperar ao menos no plano subjetivo a noção da grandeza da tarefa. A alternativa é resignar-se com o atraso e dedicar-se aos velhos embates de um país irremediavelmente dividido. 

O Estado de São Paulo

Lula mira redes sociais para atrair evangélicos, e Bolsonaro busca fidelizar igrejas




A pouco menos de dez meses das eleições presidenciais, aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) elegeram os evangélicos como um dos principais focos de disputa.

Cada lado, porém, usará métodos diferentes para tentar ampliar a vantagem nesse eleitorado. Segundo petistas, o partido quer atrair esse segmento pela base, por meio do discurso voltado para a economia.

Já Bolsonaro, de acordo com aliados, mira a cúpula das igrejas em busca de fidelizá-las com o apelo da pauta de costumes.

Segundo dados da pesquisa Datafolha divulgada em 16 de dezembro, 39% dos evangélicos votariam em Lula contra 33% de Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, há empate técnico: 46% dos religiosos declaram intenção de eleger o petista, enquanto 44% escolheriam Bolsonaro.

Para o atual mandatário, esse eleitorado garante parte da marca conservadora que ele embute em seu governo, como a defesa da família e costumes.

Ainda que seja católico, Bolsonaro conta com a simpatia da cúpula das principais denominações do segmento. A indicação recente do ex-AGU André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal) foi uma promessa aos evangélicos.

Bolsonaro não retirou o nome do pastor apesar da resistência no Senado e até dentro do governo. Diante da pressão dos evangélicos, foi alertado do estrago que isso poderia causar com eles.

Para Bolsonaro, é importante fidelizar essa parcela do eleitorado, uma vez que representa aproximadamente um terço da população.

Em outra frente, dirigentes petistas avaliam que o grupo é relevante por representar segmentos que o partido visa atingir. Os evangélicos, segundo pesquisas analisadas pelo PT, são predominantemente pobres, negros e mulheres, em tese, o “público-alvo” do PT, em quem Lula mirou e teria de novo a intenção de beneficiar em programas sociais. Daí a relevância dessa faixa da população para os petistas.

Segundo aliados do ex-presidente, a ideia do PT é focar a base e chegar aos evangélicos na ponta, sem passar por pastores de grandes congregações que os lideram.

Os petistas têm um grupo setorial coordenado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que passará a ter espaço na programação da TV PT em 2022.

O objetivo é atingir essa população por meio das redes sociais e o trabalho corpo a corpo nas periferias.

Para isso, o PT planeja criar centenas de comitês populares para fazer brigadas digitais e pequenos comícios.

O discurso também será diferente daquele do atual mandatário. No lugar de focar na pauta de costumes, o PT quer convencer o evangélico a votar em Lula por meio do discurso da economia e da esperança.

A ideia é pedir para que as pessoas relembrem da vida no governo do PT. A briga, dizem dirigentes do partido, é política, não religiosa.

Bolsonaro, por sua vez, tem a estratégia de atingir os evangélicos pelos seus líderes, algo que ele já faz atualmente.

Além disso, intensificou a participação em eventos de grandes denominações com plateia de pastores e fiéis.

No caso do PT, a ideia de avançar sobre evangélicos se mistura com a estratégia de angariar votos nas regiões.

Petistas ouvidos pela reportagem dizem que pesquisas mostram que há grande predominância dos religiosos nas periferias de grandes cidades, sobretudo no Centro-Oeste.

A região é, segundo o Datafolha, onde Lula e Bolsonaro têm a menor diferença de intenção de votos.

O petista tem 41% das intenções no Centro-Oeste e o atual presidente, 32%. A briga promete ser forte no local.

Além disso, as regiões Sul-Sudeste também são palco de disputa acirrada entre ambos os presidenciáveis por concentrarem o maior eleitorado do país. No caso de Lula, são áreas onde ele registra os piores índices eleitorais e poderia avançar.

O petista já começou a concentrar esforços em uma das localidades em que registra o pior desempenho ao lado do Centro-Oeste, segundo pesquisas de opinião: o Sul.

De acordo com o Datafolha, Lula tem 41% de intenções de voto por lá contra 26% de Bolsonaro.

Nos últimos meses, ele deu uma série de entrevistas a rádios e veículos da região.

O desempenho piora em Santa Catarina, afirmam dirigentes petistas, que analisaram pesquisas internas.

No dia 15 de dezembro, Lula deu entrevista à Rádio Blumenau, especificamente no estado onde trava forte batalha com o presidente do turno. Antes, no final de novembro, o ex-presidente falou com a Rádio Gaúcha.

Por outro lado, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse ao jornal Folha de S.Paulo que o PT está mais focado no discurso nacional do que em priorizar uma região ou outra.

“Não estamos trabalhando com lógica de priorização de regiões, mas com o que vamos defender, que tem a centralidade na economia popular. Temos que gerar emprego, ter renda para o povo ter um estado indutor do desenvolvimento. E isso serve para todas as regiões, a centralidade e a prioridade é essa”, afirmou Gleisi.

Aliados do presidente se mostram confiantes com o voto no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste. A expectativa de interlocutores de Bolsonaro é que ele reedite, de certa forma, o que fez em 2018, ganhando nessas regiões para compensar o Nordeste.

Ainda que o governo tenha apresentado Bolsa Família reformulado com valor do tíquete mais alto (R$ 400), sob a alcunha de Auxílio Brasil, a expectativa é de que o programa apenas reduza a vantagem de Lula na região.

Nem auxiliares palacianos nem dirigentes partidários do centrão dizem acreditar que o presidente conseguirá votos no Nordeste com a medida, ainda que seja uma das principais bandeiras de campanha de Bolsonaro.

A estratégia desenhada até o momento tem sido focar esforços especialmente nos maiores colégios eleitorais, Minas Gerais e São Paulo. A leitura é de que é possível se reeleger se ele conseguir empatar nestes dois estados e diminuir a margem no Nordeste.

Bolsonaro quer lançar Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) em São Paulo. Ainda que ele nunca tenha concorrido a um cargo, tem se mostrado competitivo em pesquisas de intenção de voto e aliados acreditam que há potencial para crescer.

No último Datafolha, Lula aparece liderando nas intenções de voto. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o petista pontua 59% contra 30% de Bolsonaro.

O presidente ironizou o resultado da pesquisa em 17 de dezembro, no cercadinho do Palácio da Alvorada, a apoiadores. “Tem que ter Datapovo aí”, afirmou.

POR JULIA CHAIB E MARIANNA HOLANDA

Deutsche Welle

Caso Djokovic: por que tantos esportistas de elite recusam a vacina?

 




Vivendo, magnificamente bem, de seus corpos, alguns temem efeitos adversos e outros dão ouvidos a argumentos da turma antivacinação. 

Por Vilma Gryzinski

Novak Djokovic não é um dos esportistas mais queridos do mundo. Bem ao contrário, sua personalidade áspera e seu comportamento na quadra lhe valeram muitas antipatias, mesmo entre os que reconhecem que é um tenista impressionante.

A falta de simpatia está sendo particularmente sentida agora, com o tenista confinado a um hotel sem nenhuma estrela enquanto aguarda um apelo de seus advogados para que as autoridades australianas reconheçam que ele tem direito a isenção médica da vacinação contra a Covid-19 e participe assim do Aberto da Austrália.

Com todas as suas arestas, ou talvez por causa delas, Djokovic se tornou o maior garoto propaganda do movimento antivacinação. Apesar da seriedade do assunto, algumas manifestações de apoio chegam a ser engraçadas, como camisetas que fazem trocadilho com seu nome (“Novax”) e com sua teimosia (“Novak contra o mundo”).

A resistência de esportistas de elite a receber a vacina, com alguns bolsões ainda persistindo, principalmente nos Estados Unidos, está ligada, em princípio, às dúvidas sobre os efeitos, de curto e longo prazo, de uma imunização nova e aprovada sob o regime de emergência desencadeado pela pandemia.

Vivendo e ganhando fortunas com suas proezas atléticas, não é excepcional que tendam mais a se preocupar com reações prejudiciais.

No caso de Djokovic, ele é um adepto de inúmeras terapias alternativas, acredita em telepatia e telecinese, diz que já viu um copo d’água ficar verde sob o efeito de pensamentos negativos e chorou quando soube que só a medicina tradicional daria um jeito na lesão no seu cotovelo direito. Teve Covid em junho, quando patrocinou um torneio sem nenhuma restrição, inclusive na balada, na Sérvia.

Segundo um levantamento feito pela Forbes, treze dos 50 esportistas mais bem pagos do mundo rejeitam a vacina. Além de Djokovic, a lista inclui o golfista Tiger Woods, de volta aos campos depois de se recuperar de um grave acidente de carro; Kyrie Irving, estrela do Brooklyn Nets, onde ficou encostado e segregado durante treinamentos, e Paul Pogba, do Manchester United e da seleção francesa.

Em geral, os atletas antivacinação preferem dizer que não querem abrir sua privacidade e falar se foram ou não imunizados. A exceção é Conan McGregor, campeão de MMA. Fiel ao estilo brucutu, o irlandês já disse que “a vacinação forçada é um crime de guerra” e que “as vacinas não funcionam”. Depois, nada brilhantemente, apagou os tuítes.

Embora não esteja, por pouco, na lista dos mais bem pagos, Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, ocupa atualmente o centro da polêmica americana sobre o assunto. Tomou um lugar que já foi de Tom Brady, que desinflou a discussão, depois de um bom tempo de hesitação, quando o técnico do Tampa Bay Buccaneers disse que o índice de vacinação do time e demais integrantes da equipe era de 100%.

Mais articulado do que muitos colegas, Rodgers já disse que “se a ciência não pode ser contestada, não é mais ciência, é propaganda”. Numa entrevista de sua casa, declarou, ironicamente, que os livros ao fundo tinham “muita poesia francesa e A Revolta de Atlas, de Ayin Rand”.

O livro é um clássico da profetisa do ultraliberalismo e do autointeresse individual. Certamente ela rejeitaria a obrigatoriedade da vacinação.

Colegas menos intelectuais talvez tenham outras preocupações. O técnico da seleção da Irlanda, Stephen Kenny, deu uma pista sobre as conversas que rolam nos vestiários.

“Existem muitos mitos e muitas questões a respeito de virilidade que deixam as pessoas preocupadas”, disse ele à BBC.

Um dos principais assessores científicos do governo britânico, Jonathan van Tam, já foi pessoalmente vacinar integrantes de seu time, o Boston United, e fez uma reunião de esclarecimento para os capitães dos times da Premier League.

O caso de Novak Djokovic está impulsionando as discussões sobre esportistas e vacinas – além de patriotadas na esclarecida Austrália. A ideia de que ele tentou enganar o sistema, ao alegar um motivo inexistente para não ser vacinado, deixou fulos da vida muitos australianos, que continuam submetidos a um dos regimes de restrições mais severos do mundo para controlar a propagação do vírus.

“Ele está num hotel para imigrantes, cheio de pulgas e com comida horripilante”, apelou a mãe do tenista, Dijana. “Isso é puramente um ataque político contra Novak, para que ele não se torne o melhor de todos os tempos.” O pai disse que o filho estava sendo “crucificado”.

O governo da Sérvia, onde o tenista é obviamente um herói nacional, também está disparando declarações exorbitantes.

A situação dos maiores tenistas do mundo, todos já veteranos, atualmente é curiosa. Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal, têm exatamente o mesmo número de títulos do Grand Slam, vinte. O Aberto da Austrália poderia desempatar, mas a atual comoção impossibilita isso.

“Não gosto do que ele está passando, é claro. De certa maneira, tenho pena dele”, espetou Nadal, o elegante campeão espanhol, sem demonstrar nenhum sinal efetivo de comiseração. “Ao mesmo tempo, ele sabia há muitos meses exatamente quais eram as condições. Foi ele que tomou sua própria decisão”.

As raquetes não vão parar tão cedo de voar fora das quadras.

Revista Veja

Alemanha endurece restrições para conter covid-19




Vacinados ou recuperados precisarão fornecer teste negativo para frequentar restaurantes. Quem tiver tomado dose de reforço será dispensado de apresentar exame.

O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, e os governadores dos 16 estados do país concordaram nesta sexta-feira (07/01) com a imposição de novas regras e restrições para conter a propagação do coronavírus.

Scholz delineou novas regras para restaurantes e bares, além de encurtar os períodos de quarentena e autoisolamento.

Foi a primeira reunião do ano entre Scholz e os governadores para tratar do tema. As discussões ocorreram em um momento em que o novo governo alemão tenta dar novo impulso à campanha de vacinação de reforço e em meio a um aumento robusto de novos casos causados pela variante ômicron.

Quais são as novas medidas?

Regulamentos mais rigorosos serão aplicados a bares e restaurantes em todo o país.

O acesso aos restaurantes será limitado a pessoas totalmente vacinadas ou consideradas recuperadas que apresentem um teste negativo para covid-19. Já pessoas que tomaram uma dose de reforço poderão ser dispensadas de apresentar um teste negativo.

Clubes e discotecas foram forçados a fechar nacionalmente em 28 de dezembro.

De acordo com o jornal Tagesspiegel, a data em que as novas regras devem entrar em vigor ainda não foi determinada. No entanto, 15 de janeiro é a data que está sendo cogitada pelo governo no momento.

"É uma regra estrita, mas necessária que nos ajudará a controlar melhor as infecções [no futuro] do que é o caso atualmente", disse Scholz, defendendo a medida.

Scholz enfatizou o papel central que as doses de reforço desempenharão nas próximas semanas e meses. Ele disse que a "melhor proteção contra o ômicron é uma vacinação de reforço".

Os líderes federais e estaduais alemães também aprovaram a redução dos períodos de quarentena ou autoisolamento necessários, que atualmente são de 14 dias.

Em geral, os períodos de quarentena e autoisolamento serão limitados a dez dias. Esse período pode ser reduzido para sete se a pessoa não apresentar sintomas e receber um teste PCR negativo ou um teste rápido negativo.

Ainda de acordo com as novas regras, as pessoas que receberam uma dose de reforço não precisarão mais ficar em quarentena se entrarem em contato com alguém que testou positivo para covid-19.

Períodos de quarentena mais curtos também entrarão em vigor para trabalhadores "críticos", como policiais, membros de serviços de emergência e médicos.

A regra existente que permite reuniões privadas de pessoas vacinadas e recuperadas com um máximo de 10 pessoas permanecerá em vigor. Aqueles que não forem vacinados continuarão sujeitos a restrições estritas de contato.

Qual é a situação a covid-19 na Alemanha?

A Alemanha tem uma taxa de vacinação menor em comparação com alguns países europeus: 71,5% da população está totalmente vacinada e 40,9% receberam uma dose de reforço.

O governo Scholz estabeleceu uma meta de vacinação de 80% e espera administrar 30 milhões de doses de reforço até o final de janeiro.

Nesta sexta-feira, o país registrou 56.335 novas infecções por coronavírus, segundo o Instituto Robert Koch. Mais 264 pessoas morreram, elevando o total para 113.632 desde o início da pandemia.

Deutsche Welle

Moro sobre filhos de Bolsonaro: 'Já julguei bandidos mais perigosos'




Ex-ministro Sergio Moro

Declaração foi feita após o ex-juiz ser perguntado se teme atuação de filhos do presidente durante a campanha presidencial deste ano

Por Ana Mendonça

O pré-candidato à Presidência da República Sérgio Moro (Podemos) voltou a atacar seus opositores nas eleições, nesta sexta-feira (7/1). Pelas redes sociais, o ex-juiz declarou que não tem medo de “criminosos”.

Declaração foi feita após o ex-juiz ser perguntado se teme as ações que os filhos do presidente Jair Bolsonaro (PL) podem fazer durante a campanha presidencial.  

Carlos Bolsonaro, filho “02” do presidente, é apontado como chefe do “Gabinete do Ódio”, grupo de bolsonaristas que usa as redes sociais para difamar e atacar opositores e também compartilhar fake-news.

Em resposta, Moro afirmou ter trabalhado para combater criminosos muito mais perigosos do que os filhos do presidente. 

“Já julguei bandidos perigosos, inclusive traficantes internacionais. Se nunca tive medo de enfrentar criminosos, não serão ofensas ou ataques mentirosos que irão me assustar”, afirmou.
  
Moro ficou conhecido por comandar, entre março de 2014 a novembro de 2018, em primeira instância, os processos relacionados aos crimes identificados na Operação Lava-Jato, envolvendo grande número de políticos, empreiteiros e empresas.

Estadão / Estado de Minas

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