quinta-feira, setembro 16, 2021

Ex-ministro diz que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e foi cúmplice do vírus

por Renato Machado | Folhapress

Ex-ministro diz que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e foi cúmplice do vírus
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior afirmou nesta quarta-feira (15) que está claramente configurado o crime de responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia de Covid- 19 e que ele se tornou um "cúmplice do vírus".
 

Reale coordenou um grupo de juristas que apresentou um parecer com sugestões de tipificações para os crimes que foram apurados pela CPI da Covid. Senadores da comissão participaram de reunião virtual com o grupo, para debater os possíveis crimes cometidos.
 

Em sua fala inicial, Reale afirmou que o enfrentamento da pandemia evidenciou um "desrespeito afrontoso aos direitos individuais e sociais" e que isso configura um crime de responsabilidade, que poderia embasar um processo de impeachment.
 

"Saúde e proteção à vida são deveres do Estado e que devem ser assumidos pelo presidente. Mas o que se viu foi que a Presidência se transformou em cúmplice do vírus, sem preocupação nenhuma com medidas de contenção."
 

Reale afirmou que o grupo analisou as provas obtidas pela CPI da Covid até o mês de agosto e considerou o quadro desolador.
 

"Se nós formos olhar o impeachment, este é de uma gravidade grande, um crime de responsabilidade exponencialmente [grande] porque colocou em risco um número indeterminado de brasileiros com a mais absoluta indiferença, frieza, na expectativa de salvar a economia para poder garantir processo eleitoral futuro. Esse é o quadro que conseguimos constatar", completou.
 

Também afirmou que o comportamento do governo do presidente Bolsonaro não pode ser considerado como descaso ou negligência. Ele disse, por outro lado, que houve uma ação deliberada para não conter a pandemia, caracterizada na busca da "imunidade de rebanho".
 

Reale acrescentou que o Legislativo respondeu com rapidez à pandemia, oferecendo mecanismos para o enfrentamento da pandemia. No entanto, disse que houve um "desfazimento" das políticas públicas, uma "desconstrução da estrutura", tanto jurídica como operacional.
 

"O que se viu foi uma política de Estado de negacionismo, de negar as medidas de precaução", afirmou, citando como exemplo as falas de Bolsonaro contra máscaras e aglomerações.
 

O parece entregue pelos juristas foi assinado por Reale, pela ex-juíza do TPI (Tribunal Penal Internacional) Sylvia H. Steiner, por Alexandre Wunderlich e por Helena Regina Lobo da Costa.
 

O parecer afirma que o chefe do Executivo prejudicou e retardou o acesso à saúde pública. "O que restou evidente até o momento da conclusão dos trabalhos da comissão de especialistas é a ocorrência de uma gestão governamental deliberadamente irresponsável e que infringe a lei penal, devendo haver pronta responsabilização."
 

O documento lista uma série de crimes comuns e de responsabilidade que teriam sido cometidos pelo governo federal. Em relação a crimes contra a saúde pública, os juristas apontaram que foram cometidos os crimes de epidemia, de infração de medida sanitária e de charlatanismo.
 

"Teve o crime de epidemia, que é causar epidemia pela disseminação dos germes. Não é só dar início, é agravar o risco já existente", disse Reale, que fez um paralelo com a jurisprudência ambiental, na qual a continuidade dos danos configura o crime e não apenas o início.
 

Reale também ressaltou o crime de charlatanismo, que a equipe do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), já cogitava incluir.
 

"Crime de charlatanismo também, porque através da cloroquina e da propaganda da cloroquina estava a se receituar um método infalível de cura. [Dizia-se] 'tome cloroquina e tenha vida normal'", completou.
 

O documento também cita crimes contra a administração, incluindo corrupção passiva, e crime contra a humanidade. Nesse ponto, os autores mencionaram o colapso do sistema público de saúde de Manaus, durante a segunda onda da pandemia.
 

Na avaliação dos juristas, os fatos apurados pela comissão demonstram que há elementos suficientes para um pedido de impeachment.

Bahia Notícias

Entidades da sociedade civil e personalidades lançam manifesto em defesa da democracia

Publicado em 15 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Ilona Szabó: "Segurança pública é tarefa de todos" - Instituto Igarapé

Ilona Szabó diz que a segurança pública é tarefa de todos

Deu em O Globo

Para marcar o Dia Internacional da Democracia, celebrado nesta quarta-feira, um grupo de 29 organizações da sociedade civil e dezenas de personalidades se uniu para lançar uma campanha em prol da democracia brasileira. Promovida pelo Instituto Igarapé, a iniciativa “O espaço cívico é o nosso espaço” inclui uma agenda com propostas que podem ser utilizadas na defesa da democracia.

Também faz parte da iniciativa um vídeo onde personalidades de destaque falam sobre ataques que sofreram recentemente por conta de sua atuação profissional e posicionamentos políticos.

ERA DE RESTRIÇÕES -Com depoimentos de nomes como Debora Diniz, Felipe Neto, Pedro Hallal, Ricardo Galvão e Zezé Motta, a peça mostra que o ambiente de ataques à democracia inclui tentativas de censura, perseguição, ameaças virtuais e até mesmo físicas.

No texto de apresentação da campanha, a presidente do Instituto Igarapé, Ilona Szabó, afirma que o país atravessa uma situação dramática de restrição das liberdades de expressão, de participação, de associação, do exercício da liberdade de imprensa, de reunião e das atividades acadêmicas.

EXERCÍCIO DIÁRIO – “A defesa da democracia é um exercício diário e rotineiro, em especial em países como o Brasil onde a democracia é jovem e está longe de ser consolidada. O fechamento do espaço cívico representa um ataque direto à democracia, já que se trata da esfera pública onde cidadãs e cidadãos se organizam, debatem e agem para influenciar as políticas públicas e os rumos de nosso país”, diz Szabó no comunicado.

Entre as organizações que participam da campanha estão a 342 Amazônia, Aliança Nacional LGBTI+, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Por que os brasileiros não se incomodam com a existência de 12 milhões de adultos analfabetos no país

Publicado em 15 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Pin em Direitos humanos

Charge do Miguel Paiva


Cristovam Buarque
Correio Braziliense

Durante 350 anos, os estrangeiros se espantaram com a escravidão e com o fato de os brasileiros não se espantarem com o tratamento dado aos escravos. Se um visitante comentasse o assunto, o brasileiro branco diria: “São negros”. Passados 133 anos da abolição, se algum estrangeiro comenta a má educação recebida por alunos das escolas públicas, ouve como resposta: “São pobres”.

Espanta os turistas como em nossas praias convivem banhistas ao lado de trabalhadores servindo sob o sol e sobre a areia, vendendo o que a moderna indústria oferece. Se o visitante estrangeiro disser “vocês ainda mantém privilégios do tempo da escravidão”, os brasileiros respondem: “Mas precisam desse trabalho para sobreviver”. Os escravos também.

ALGEMAS INVISÍVEIS – Ao voltar do século 19 ao século 21, o visitante pensaria que a escravidão continua como se as algemas fossem invisíveis.

A ideia de que a escola deve ter a mesma qualidade, independentemente da renda e do endereço da criança, espanta tanto quanto no século 19 espantava a ideia de negros e brancos terem os mesmos direitos. Espantaria quem dissesse que os resquícios da escravidão decorrem da desigualdade no acesso à educação.

Nós, brasileiros, não nos espantamos que os republicanos tenham escrito lema na bandeira que desenharam, sabendo que naquela época 6,5 milhões de adultos, 65% da população, não sabiam ler, nem mesmo o “Ordem e Progresso”. Aos estrangeiros, causa espanto que, 132 anos depois, temos 12 milhões de adultos que não sabem ler a própria bandeira.

ALGO ESTRANHO – O espanto só chega para quem tem olhos para vê-lo, percepção para senti-lo como algo estranho. Qualquer pessoa, salvo os próprios brasileiros, se espantaria ao ver a notícia de que o Brasil é o maior exportador de alimentos do mundo, seguida da informação de que dezenas de milhões passam fome todos os dias.

Ainda mais ao ver, no mesmo noticiário da televisão, ao lado de famílias com fome, publicidade de competições entre candidatos a chefes de cozinha. Espanta que, apesar de milhões de desempregados sem salários, os empregados e funcionários públicos com altos salários recebem vales para pagar alimentação nos mais caros restaurantes, com dinheiro de impostos que os desempregados também pagam.

Os estrangeiros se espantam quando sabem que os encarregados de zelar pelos interesses do povo — parlamentares, governantes, juízes, inclusive servidores da rede pública — usam seguro de saúde privada pago pelo setor público como forma de se proteger da má qualidade dos serviços que oferecem ao público.

INJUSTIÇA FLAGRANTE – Percebemos a injustiça de jovens que fazem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em condições precárias por falta de aulas durante a pandemia, mas espanta a falta de espanto diante de pelo menos 80 milhões de brasileiros impedidos de se inscrever, porque ficaram para trás, sem um ensino médio minimamente satisfatório.

Espanta a preocupação maior para entrar na universidade do que para abolir o analfabetismo. O Brasil que espantava por não se espantar com a escravidão, agora espanta por não se espantar com a imensa maioria de sua população analfabeta para o mundo contemporâneo: sem falar um idioma estrangeiro, sem saber as bases da ciência, da matemática, conhecer os problemas do mundo contemporâneo e sem um ofício que lhe permita emprego e renda.

ESTRANHA DEMOCRACIA – Os estrangeiros se espantam que o Brasil seja capaz de contabilizar 100 milhões de votos em poucas horas, e esses votos elejam presidente contrário à democracia que o elegeu. Espanta que o espetáculo tecnológico da contagem eletrônica dos votos não garanta a posse do eleito, se militares e milícias não estiverem de acordo com o resultado; também que o pagamento de contas pelo sistema Pix fique prejudicado pelo clima de violência e criminalidade.

Parece que é permanente e ilimitada a capacidade brasileira de espantar ao mundo, sem se espantar aqui dentro. Nesta semana, os brasileiros comemoram o último 7 de Setembro de seu segundo centenário espantando o mundo pelas realizações de nosso desenvolvimento e por nossa negação em distribuir os resultados do que realizamos, caindo em um abismo histórico.

Por falta de espanto com a concentração e privilégios, não fazemos a distribuição necessária para construir um futuro com coesão e rumo, vitalidade nacional e inclusão social.

Omar Aziz, presidente da CPI, sinaliza que será pedido o impeachment de Bolsonaro

Gilmar Fraga: CPI | GZH

Charge do Gilmar (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

“A justiça será feita”, é o significativo título da vigorosa entrevista do presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, para as páginas amarelas da revista “Veja”. Segundo Aziz (PSD-AM), “a política do governo nunca esteve voltada para a imunização, mas sim para alguns programas tirados em gabinete paralelo, de ‘ouvir dizer’, e isso levou ao caos”.

Na opinião do ex-governador do Amazonas, o dia mais tenso na CPI foi quando teve de prender o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. “Ele mentiu muito. Não tem adjetivo para esse cara. E não tem adjetivo também para o empresário Carlos Wizard”, enfatizou Aziz.

UM GENERAL FRACO – Já o depoimento mais frustrante, de acordo com o presidente do CPI, foi o do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “Omitiu e faltou com a verdade várias vezes. Um general poderia ter sido mais firme. Ele tem uma história no Exército”, lamentou Omar Aziz.

O senador é enfático em afirmar “que aqueles que foram omissos em relação à doença terão de ser responsabilizados pelos seus atos. Se os indícios forem contra o presidente Bolsonaro, não tenha dúvida que ele estará no relatório final”.

Traduzindo: a CPI vai pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, com provas demolidoras.

APLAUSO INDEVIDO – Em artigo aqui na Tribuna da Internet, do dia 11, eu aplaudi o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, por pretender devolver ao Palácio do Planalto, àquela altura, a medonha Medita Provisória alterando o Marco da Internet. Pacheco obrou bem, devolvendo o monstrengo no dia 14.

Nessa linha, como um assunto puxa outro, lamento que Pacheco não tenha mostrado semelhante firmeza e sensibilidade política, por ocasião das discussões envolvendo alterações no Plano de Saúde dos servidores da Senado. Lavou as mãos e se omitiu completamente.

Deplorável que, como presidente do Senado. Rodrigo Pacheco não tenha se posicionado contrário as alterações que sabujos engravatados fizeram no plano dos funcionários.

PREJUÍZOS FINANCEIROS – Alterações que trouxeram prejuízos financeiros aos servidores, especialmente para os aposentados e idosos, que frequentemente precisam de atendimento médico. O duro golpe causou grande impacto no orçamento da valorosa categoria.

Os servidores, já sem aumento salarial há 4 anos,tiveram suas vidas abaladas com a pandemia. Enquanto isso, senadores e senadoras continuam desfrutando de plano de saúde vitalício e com todas as mordomias. Inclusive UTI aérea.

Céu de brigadeiro para os impolutos representantes do povo. Para os servidores e familiares, as profundezas do inferno. Por fim, percebo que o grandalhão Pacheco anda sonhando com a presidência da República, mas jamais terá meu voto.

JUSTIÇA APODRECIDA – Ao contrário do que diz o velho ditado, no Brasil a Justiça não só tarda, como também falha, revolta e debocha do bom senso. Continua a prender negros pobres injustamente, a diferença é que agora a TV exibe, mas ninguém toma providências.

O mal e a humilhação marcam as vítimas pelo resto da vida. O Estado é vergonhoso. Não tem grandeza nem para pedir desculpas pelo buraco que fazem na honra das pessoas. Pobres e desempregados são tratados como cidadãos de segunda classe. 

Nessa linha das leis absurdas, únicas em um Brasil que se diz civilizado e justo, existe as inacreditáveis “saidinhas temporárias” para presos. Estão soltas, maravilhosas, flanando pelas ruas, por exemplo, Suzane, Anna e Elise. Um Trio Ternura às avessas. As coitadas mataram, pela ordem, os pais, a enteada e o marido. Tenho ânsia de vômito.

SALVE ZIZINHO –  O canal ESPN fez excelente documentário lembrando e saudando os 100 anos do Mestre Ziza. Atleta fora de série. Meu pai garantia que jogou mais do que Pelé. O próprio Rei Pelé nunca negou, pelo contrário, que era admirador de Zizinho e aprendeu muito com ele. Bons depoimentos sobre Zizinho, que encantou estádios. O mais significativo, marcante e carinhoso, a meu ver, foi de Gerson, o eterno e extraordinário canhotinha de ouro”. Ambos moradores de Niterói.

Quando indagado se realmente foi craque, Zizinho preferia responder, com admirável sabedoria, “não arranhava a bola. Era meu brinquedo predileto”. Todos lamentaram, com razão, que o valor profissional de Zizinho jamais foi reconhecido como merecia, pelas autoridades e dirigentes esportivos. Não seria exagero dizer, na verdade, que mestre Ziza teria que ter uma estátua em todos os estádios brasileiros.

Gerson, com a lucidez habitual, observou que Zizinho, ainda entre nós, não gostaria nada do Brasil atual. Muito menos do pouco caso, ingratidão, indiferença e quase nenhum reconhecimento diante das grandes figuras nacionais, como ele próprio, o mestre Ziza.

Elena Landau defende a terceira via: “Temos de encontrar convergências diante do descalabro”

Publicado em 16 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Arquivos Elena Landau - Instituto Millenium

Elena Landau está coordenando seminário sobre economia

Pedro Venceslau
Estadão

Uma das integrantes da linha de frente do grupo ‘Derrubando Muros’, a economista e colunista do Estadão Elena Landau comandou nesta terça-feira, um seminário sobre reforma do Estado do qual também participaram ou participarão outros expoentes de sua geração da PUC-Rio: Armínio Fraga, Pérsio Arida e André Lara Resende.

Autointitulado uma “iniciativa cívica”, o movimento tem 92 integrantes, entre empresários, banqueiros, políticos, economistas e intelectuais de várias áreas. O objetivo é buscar pontos de convergência e criar pontes em torno de um objetivo comum: combater o presidente Jair Bolsonaro.       

CRÍTICAS A GUEDES – Elena Landau ganhou notoriedade nos anos 1990, por colaborar com o Programa Nacional de Desestatização. Em 1994, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, ela se tornou diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Ali permaneceu até 1996. Também passou pelo conselho administrativo da Eletrobrás.

Nessa entrevista ao Estadão, a economista fala sobre os pontos que podem unir a terceira via. Ela critica duramente o ministro da Economia, Paulo Guedes, que considera “sem noção de realidade”.

Quais propostas econômicas unem a terceira via que vai de Ciro Gomes a João Amoêdo?
O Estado que a gente pensa é progressista, liberal, inclusivo e sustentável. Isso é fácil de a gente discutir. O grande problema é chegarmos a uma convergência sobre os meios de chegar lá. Esse é o desafio do seminário: um mínimo de convergência, não só na economia, mas na política também. A minha visão de Estado vai ser diferente da do Ciro, evidentemente. Um é mais intervencionista, eu sou mais liberal. Temos que achar algum tom de convergência. A ideia (de criar o grupo ‘Derrubando Muros’) é mais política e institucional diante desse descalabro que estamos vivendo.

É possível encontrar pontos de convergência na economia com o PT e estar ao lado do partido se o adversário for Borsonaro no segundo turno?
É muito cedo para pensar nesse tipo de coisa. O Derrubando Muros é uma tentativa de construir uma terceira via. Não vou antecipar o segundo turno neste momento. A gente está trabalhando, quando chegar a hora vamos decidir o voto.   

Como avalia a estratégia de privatizações do governo Bolsonaro? Até onde devem ir as privatizações?
Este governo não está fazendo privatização nenhuma por enquanto. Ele conseguiu autorização do Congresso Nacional para a privatização da Eletrobrás, que saiu muito ruim, e tem outro projeto para os Correios. A minha visão é que se deve privatizar tudo aquilo que o setor privado pode assumir, incluindo os Correios. Sou radicalmente a favor das privatizações, mas o que deve ser um pressuposto de todos no grupo é a responsabilidade fiscal. Prometer responsabilidade fiscal é o mesmo que prometer ser honesto: isso é pressuposto. Sem ele não há responsabilidade social. Não dá para dissociar uma coisa da outra.

Qual deve ser o papel do Estado na recuperação e no crescimento da economia?
O Estado deve permitir que o setor privado floresça. Tem que dar segurança jurídica, uma boa regulação, fiscalização e respeitar os contratos. Uma coisa importante para ser discutida no grupo são evidências em políticas públicas. Sair do desejo e ver o que deu certo e o que deu errado no Brasil. Todas as políticas de grande intervenção geraram inflação e desemprego.  Temos que ver também o que deu errado: intervenção em juros e no câmbio não dá certo. O Brasil melhorou com o tripé econômico, a flutuação do câmbio e o Banco Central independente. Essas coisas devem ser defendidas, pois passaram por vários governos, independente da ideologia. Imagine se o Banco Central não fosse independente nesse momento?

Vários empresários, banqueiros e pessoas do mercado financeiro estiveram na Avenida Paulista no domingo na manifestação contra Bolsonaro. A ficha caiu?
Não faço parte do mercado financeiro, mas alguns apoiaram Bolsonaro no passado porque eram anti-PT ou caíram no conto do Paulo Guedes. Não é só a questão econômica que importa. Há uma crise institucional muito grave. A defesa das instituições democráticas é a pauta mais importante do Brasil. Isso está unindo os empresários de consciência. Sem democracia não tem mercado nem economia.

Qual a sua avaliação sobre o desempenho do Paulo Guedes?
É a mesma avaliação de sempre, de 30 anos atrás, 2018 e hoje. Ele é uma pessoa completamente inábil e sem nenhuma noção da realidade. É um economista de palestra. Nada do que está acontecendo me surpreendeu.       

Armar um golpe militar dá muito trabalho, e Jair Bolsonaro não gosta nada de trabalhar

Publicado em 16 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Elio Gaspari: funcionário do Planalto pediu à claque de Bolsonaro que  deixasse os jornalistas em paz

Bolsonaro gosta mesmo é de conversa fiada no “cercadinho”

Vera Magalhães
O Globo

O pastiche que se seguiu às sérias e graves ameaças proferidas por Jair Bolsonaro em cima de dois palanques no 7 de Setembro não permite que analistas e tomadores de decisões se equivoquem quanto à natureza golpista do presidente brasileiro, mas é um exemplo lapidar da ojeriza que ele tem a trabalho, planejamento, estudo e articulação.

Dar um golpe exige afinco, obstinação e capacidade gerencial. Qualquer que seja a natureza da virada de mesa que fazem postulantes autoritários de qualquer cepa política, de Putin a Maduro, para ficar nos atuais, requer que se tenha um plano com começo, meio e fim e um grupo — militares, políticos, burocratas, ou de preferência todos esses alinhados — a lhe dar apoio e seguimento.

FUX SENTIU O DRAMA – A quartelada desastrosa de Bolsonaro não tinha nada disso. Quando Luiz Fux chamou o comandante militar do Planalto à fala diante da investida de caminhoneiros e outros arruaceiros bolsonaristas em direção à Praça dos Três Poderes, na noite da véspera das manifestações, já saiu da conversa com a constatação de que as Forças Armadas não estavam embarcadas em nenhum roteiro golpista minimamente esquadrinhado. E não estavam dispostas a avançar aquele sinal.

Da mesma forma, as Polícias Militares, que estão sendo cevadas pelo bolsolavismo à base de lavagem cerebral e promessa de casa própria, também não tinham, àquela altura, um grau de adesão suficiente para fazer com que alguns ou muitos motins estourassem Brasil afora num sinal de alerta para os governadores.

Um antigo aliado que hoje acompanha de longe os passos claudicantes do governo do capitão é testemunha do completo desinteresse de Bolsonaro por tudo o que exija um mínimo de trabalho.

NÃO TEM INTERESSE – Lembra que, na campanha, Paulo Guedes preparava extensos calhamaços de material sobre economia para ele, que Bolsonaro largava displicentemente em cima da mesa onde estivesse e ia embora fazendo alguma piada de tio do pavê. Essa rotina segue no governo, vivida por ministros que tentam, em vão, despachar temas complexos com o chefe.

O presidente do Brasil ocupa sua mente com o lixo da internet, que tenta proteger revogando marcos legais que impedem sua propagação e sua monetização, com as obsessões de sempre e com a campanha de 2022. Toda a agenda do governo orbita em torno dessa pauta pobre, que condena o país à estagnação geral que atravessa, da economia à educação, da saúde às artes.

Graças à aversão do mito por fazer aquilo para o que foi eleito em 2018 — ou seja, administrar o país —, mais de 200 milhões de pessoas atravessam dias, semanas, meses atadas a uma discussão insana de problemas inexistentes enquanto os reais não são encaminhados.

AGENDA REVELADORA – Uma análise acurada da agenda diária de Bolsonaro dá conta de sua completa inapetência pelas questões de Estado e do dia a dia do Executivo.

Sai do Alvorada calmamente para conversar com os desocupados que vão lhe puxar o saco no cercadinho, concede entrevistas a emissoras de rádio sobre os temas distópicos que dominam sua cabeça, despacha com um ou dois ministros e cedo já volta para casa.

A coisa muda de figura quando pinta alguma viagem para inaugurar obra ou pelo menos lançar uma placa de obras vindouras, eventos que o presidente brasileiro gosta de promover para dar a falsa ideia de que sua gestão tem entregas a fazer.

LIVE DA QUINTA-FEIRA – Não nos esqueçamos, claro, de seu compromisso mais frequente como presidente. Reuniões ministeriais? Encontros com a base aliada? Não, não. É a tradicional live das quintas-feiras, com direito a sanfoneiro cafona e muita mentira, com uso de recursos públicos (servidores, equipamentos, palácio e o que mais vier) para fazer campanha antecipada.

Alguém assim, avesso ao batente, só poderia achar que bastava subir num caminhão de som para o golpe acontecer. Não foi assim. Mas que os que tiram sarro dele não se enganem: a incompetência não fará Bolsonaro desistir do intento golpista. Ele é da sua natureza, assim como a aversão ao trabalho.

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