sábado, setembro 11, 2021

Ao sequestrar o Sete de Setembro, Bolsonaro conseguiu desagradar as Forças Armadas

Publicado em 11 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

As ameaças de Bolsonaro em discursos no 7 de Setembro - BBC News Brasil

Bolsonaro usou, oportunisticamente, a grande data nacional

Ricardo Bruno
O Globo

Após se apropriar do verde e amarelo e da bandeira nacional, Jair Bolsonaro conseguiu ofuscar as comemorações da Independência brasileira. Reduziu o Sete de Setembro a um espetáculo grotesco, beligerante, um revide público às instituições com viés profundamente antidemocrático.

 E o fez movido exclusivamente por interesses pessoais, num movimento em que sobrepôs as questões que o afligem — entre elas a possibilidade de prisão — aos valores de bravura e coragem historicamente evocados nesse dia pelas Forças Armadas.

DISSE SANTOS CRUZ – A irresponsável subordinação dos grandes temas nacionais à pauta estreita do bolsonarismo certamente não agradou aos comandantes das tropas. A fala do general Carlos Alberto Santos Cruz de que o 7 de Setembro foi sequestrado por interesses políticos não foi fortuita, fruto de um arroubo verbal disparado ao acaso. Ao contrário, representa com clareza a posição de setores importantes da caserna.

Em 199 anos de independência, pela primeira vez um presidente da República — logo um ex-oficial do Exército Brasileiro — se coloca acima da nação. Trata as questões penais que o atormentam com mais importância do que o conjunto de valores que dignificam a história das Forças Armadas e, de resto, do povo brasileiro.

Historicamente, o Sete de Setembro é o momento em que as Forças Armadas exaltam a essência do patriotismo dos brasileiros, dada a importância do fato para a construção da identidade nacional.

ACHINCALHES AO STF – Os conceitos que fundamentam a Independência constituem a base de nossa formação cívica. Na terça-feira, contudo, os compromissos inarredáveis de devoção pública à pátria e a seus símbolos foram substituídos por achincalhes do presidente da República à Suprema Corte. 

Assim, valores cívicos basilares da nação, os quais as Forças Armadas tradicionalmente exaltam e dos quais se orgulham em datas simbólicas, foram obnubilados pela fanfarronice presidencial.

Ressalvadas as diferenças ideológicas e de caráter de seus protagonistas, a mobilização de Jair Bolsonaro para o Sete Setembro poderia ensejar a apresentação de medidas estruturais para a transformação do país, a exemplo do que fizera João Goulart com as reformas de base no comício da Central do Brasil.

SEM PROJETOS – Ao juntar em praça pública a sua base de sustentação política, Bolsonaro poderia estar criando, hipoteticamente, as condições objetivas para apresentação de um conjunto de metas e diretrizes governamentais num ato altissonante em que supostamente obteria o aval popular para seus planos. Ainda que se discordasse de tudo que ele propusesse, seria inegavelmente um momento afirmativo do governo.

 Nada disso aconteceu. É esperar demais de Bolsonaro. Minúsculo em tudo o que faz, ele se ocupou apenas de uma contraofensiva retórica às investigações do STF que podem eventualmente levá-lo à cadeia.

Capturou o sentimento pátrio do Sete de Setembro para promover uma patuscada cívica. Sequestrou valores nobres num movimento que, por baixo, malbaratou a história de bravura e coragem das tropas na construção da identidade nacional.

Procuradores que quebraram sigilo de senadores podem ser punidos ou demitidos pelo Conselho

Publicado em 11 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Saul Tourinho Leal reforça o quadro societário do Ayres Britto Consultoria Jurídica e Advocacia | Análise Editorial

Tourinho Leal faz a defesa dos onze procuradores

Carlos Newton

O Conselho Nacional do Ministério Público coloca em pauta nesta segunda-feira, dia 13, o caso que envolve o maior absurdo jurídico já praticado no âmbito da Lava Jato. É o julgamento do processo contra onze procuradores do Rio de Janeiro, acusados de quebra de sigilo na investigação sobre participação dos ex-senadores Romero Jucá e Edison Lobão em suposto esquema de propinas na usina nuclear de Angra 3.

O relator desse processo contra os procuradores da Lava Jato é o corregedor nacional do Ministério Público, Rinaldo Reis Lima, que está pedindo a demissão dos onze envolvidos.

DENUNCIADOS – Os procuradores da Lava Jato do Rio implicados no caso são Eduardo El Hage, Fabiana Schneider, Marisa Ferrari, José Vagos, Gabriela Câmara, Sérgio Pinel, Rodrigo Silva, Stanley Silva, Felipe Leite, Renata Baptista e Tiago Martins.

Para se defender, encomendaram um parecer ao escritório de Ayres Britto, mas o ministro aposentado do STF não quis assiná-lo e a defesa então ficou a cargo de Saul Tourinho Leal, advogado que tem formação ligada à África do Sul e fez o doutorado com tese sobre “O Direito à felicidade”.

Tudo se encaixa, esses procuradores da República podem até estar em busca do direito à felicidade, mas o fato concreto é que ultrapassaram seus limites e não estão conseguindo sólidos argumentos de defesa para justificar a quebra de sigilo.

TESE ABSURDA – Uma das teses mais absurdas sustentadas pela defesa é de que as informações sigilosas, veiculadas no site do Ministério Público, não foram extraídas dos autos do inquérito. O argumento chega a ser ridículo, porque todas as medidas investigativas estavam cobertas por decisões judiciais que impediam a divulgação. E a regra é clara, diria Arnaldo Cesar Coelho: quando há segredo de Justiça, nenhuma autoridade pode quebrá-lo.

Mesmo assim, os procuradores da República insistiram em oferecer denúncia sem o levantamento do sigilo, conforme consta da reclamação disciplinar protocolada junto ao Conselho Nacional.

E a notícia sobre o caso dos senadores foi veiculada no próprio site do Ministério Público. Ou seja, para fazer a denúncia, os procuradores não somente se utilizaram de informações protegidas por segredo de Justiça, como também se orgulharam de torná-las públicas no site da própria instituição a que pertencem.

TRANCAMENTO DA AÇÃO – A vingar uma das teses do parecer, segundo a qual o conteúdo da denúncia não foi retirado dos autos da investigação sigilosa, a ação penal promovida contra os ex-senadores Jucá e Lobão terá de ser trancada imediatamente no Tribunal Regional Federal-2 e nos tribunais superiores.

Afinal, se o conteúdo da denúncia não foi retirado dos autos, como alega a defesa, terá sido fruto da pura imaginação dos procuradores da República e não pode embasar acusação contra quem quer que seja. É evidente que a denúncia retirou seu conteúdo das informações cobertas por sigilo judicial. 

A defesa dos procuradores, no entanto, insiste em abordar jurisprudência sobre o nível da honra, da intimidade e da imagem de políticos e homens públicos, como se estes tivessem o direito fundamental menos denso do que as pessoas comuns.

Lamentavelmente, confundem-se os tópicos que serão abordados pelo Conselho Nacional. Não se trata de avaliar, naquele colegiado, a discussão sobre a densidade do direito à honra, mas, sim, as consequências jurídicas da quebra do segredo de justiça, norma constitucional que foi violada pelos chamados “fiscais da lei” e que, uma vez rompida, gera consequências de direito administrativo, civil e penal. Em realidade, além de infração disciplinar, os procuradores podem  responder ainda por crimes e improbidade administrativa. 

LOBBY NA MÍDIA – Agora, os procuradores estão espalhando esse parecer por Whatsapp e mídias sociais, principalmente junto a jornalistas, para tentar desvirtuar o que realmente está em debate.

O corregedor nacional Rinaldo Reis Lima, como relator da questão, ficou tão estarrecido com a queda de sigilo que propôs o pedido de demissão dos onze procuradores da República. Isso não significa que sejam efetivamente demitidos. Com certeza, a pena mais proporcional é a suspensão das funções, o que deverá ser avaliado cuidadosamente pelo plenário do Conselho, de forma individual para cada acusado. No entanto, para abertura de processo administrativo, o corregedor é obrigado a estabelecer como parâmetro a pena máxima prevista em Lei.

Na verdade, os procuradores deviam assumir seus atos e pedir desculpas ao povo brasileiro. Mas a vaidade, arrogância e prepotência impedem que assumam os próprios erros, e o corporativismo impulsiona uma estratégia de defesa absolutamente equivocada. 

Nota da redação deste Blog - Aqui estamos diante de mais um caso verdadeiro do que sempre falo, ninguém está acima da lei; agora se o prejudicado não tem coragem de lutar por seus direitos, que arque pelas consequências da omissão e da covardia.|
É para resolver injustiças que existe CNJ, Conselho Nacional do Ministério Público, corregedorias.

Piada do Ano! Bolsonaro diz que Poderes devem ser respeitados e que povo não aceita ‘retrocessos’

Publicado em 11 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro no Rio Grande do Sul

Bolsonaro discursa como se respeitasse os Três Podeses

Daniel Weterman, Cícero Cotrim e Eduardo Amaral
Estadão,

Em sua primeira viagem após os atos de 7 de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os Três Poderes devem ser respeitados. Durante discurso para integrantes do agronegócio no Rio Grande do Sul, o chefe do Planalto citou o ex-presidente da ditadura militar Emílio Garrastazu Médici e declarou que o povo não aceita retrocessos na luta pela liberdade.

Bolsonaro recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, em Esteio (RS), durante uma feira do agronegócio. Ele chegou ao evento por volta das 11h, sem máscara, acompanhado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Cumprimentou apoiadores e não respondeu a perguntas de jornalistas.

RESPEITO AOS PODERES – “Temos Três Poderes, têm que ser respeitados, e buscar sempre a melhor maneira de nos entendermos para que o produto do nosso trabalho seja estendido aos seus 210 milhões de habitantes”, disse Bolsonaro, afirmando que o Brasil, aos poucos, “vai mudando”.

Na última semana, após ameaçar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e defender desobediência a decisões judiciais nas manifestações, Bolsonaro se reuniu com o ex-presidente Michel Temer e divulgou uma carta, escrita por Temer e apenas assinada por ele, falando em conciliação.

Aos apoiadores, o chefe do Planalto destacou que, em primeiro lugar, as pessoas foram às ruas no 7 de Setembro contra retrocessos. “Temos uma Constituição que, entendemos, deve ser respeitada a qualquer custo, em especial os incisos do artigo 5º da nossa Constituição”, afirmou o presidente. Ele disse ser “apenas um na multidão” das manifestações.

QUAIS RETROCESSOS? – O presidente não disse o que seriam os “retrocessos” e também desconsiderou que a agenda golpista dos atos de 7 de Setembro partiu dele próprio. As manifestações foram convocadas para defender a destituição dos ministros do Supremo, o que é inconstitucional.

“Senti os reais motivos para esse povo ir às ruas. Em primeiro lugar, foi para dizer que não aceita retrocessos. O povo quer respeito à Constituição por parte de todos e acima de tudo eles sabem que não podem deixar de lado sempre a defesa e a luta pela nossa liberdade.”

Aos agricultores, o presidente citou o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, um dos governantes do regime militar, e disse que lá começou a “revolução” do agronegócio.

SEGURANÇA NO CAMPO – O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul  (Farsul), Gedeão Silveira Pereira, disse que Bolsonaro tem “100% de aprovação” na classe rural. “Para nós, ele representa segurança no campo”, disse.

Bolsonaro afirmou que o voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, contrário à aplicação da tese do “marco temporal” na demarcação de terras indígenas, resultaria no “fim do agronegócio” no Brasil, caso seja acatada pela Suprema Corte.

“Se a proposta do ministro Fachin vingar, será proposta a demarcação de novas áreas indígenas que equivalem a uma região Sudeste toda. Ou seja, é o fim do agronegócio, simplesmente isso e nada mais do que isso”, disse Bolsonaro.

CAMPO LIVRE – O presidente afirmou que o seu governo tem deixado o campo “completamente livre” e foi aplaudido ao lembrar da escolha da ministra Tereza Cristina para comandar a Agricultura. “Faz um trabalho excepcional, quero elogiá-la mas também dizer que, com a escolha de ministros pelo critério técnico e sem pressões políticas, todos ganharam com isso”, disse.

O governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), não participou da cerimônia com Bolsonaro. O tucano visitou a feira do agronegócio durante a semana — em um vídeo que circula nas redes sociais, ele é questionado por um visitante sobre o preço da gasolina, ao que Leite responde que o tema tem que ser cobrado do presidente. 

Durante o discurso neste domingo, Bolsonaro fez uma crítica indireta ao governador ao questionar medidas de restrição de circulação como forma de combate à covid-19. “Algumas coisas foram feitas de forma equivocada, não pelo nosso governo, no tratamento da pandemia”, disse Bolsonaro. “Nunca apoiamos lockdown, medidas restritivas, medidas como toque de recolher, entre outros. A população tinha que trabalhar.”

Alvo de Moraes, senador Otoni de Paulo critica Bolsonaro: “Leão que não ruge vira gatinho”

Publicado em 11 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Deputado Otoni de Paula é condenado a indenizar Alexandre de Moraes em R$  70 mil

Investigado pelo Supremo, senador ataca Moraes de novo

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

Um dos apoiadores mais ferrenhos do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) não poupou o chefe do Executivo de críticas pela nota publicada na quinta-feira (9/9) em que o mandatário se desculpou pelas ofensas feitas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pelos ataques contra a Corte durante o feriado da Independência.

Recentemente, Otoni foi alvo de uma operação da Polícia Federal, autorizada por Moraes. A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do parlamentar e apreendeu aparelhos eletrônicos dele. Otoni teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico derrubados.

SUSPEITAS – A decisão do ministro contra o deputado foi devido às suspeitas de que o congressista teria financiado as manifestações do 7 de Setembro.

Durante a sessão plenária da Câmara na quinta-feira (9), Otoni se disse entristecido com o texto publicado por Bolsonaro e reclamou que o presidente virou as costas para os apoiadores. Segundo ele, “infelizmente, os conselheiros do presidente Bolsonaro o tornaram pequeno”. “Leão que não ruge vira gatinho. É nisso que estão tentando transformar o grande leão desta República, Jair Messias Bolsonaro”, ponderou.

“Daniel Silveira está preso. Roberto Jefferson está preso. Zé Trovão está preso. Wellington Macedo está preso. Oswaldo Eustáquio está preso. Não é tempo de paz quando o inimigo não quer paz, quando o adversário só quer guerra. Lamento, presidente, o senhor ficou pequeno”, acrescentou Otoni.

NOTA CONJUNTA – O parlamentar comentou que não é contra a pacificação, mas destacou que gostaria de ver Moraes tomando uma atitude semelhante à de Bolsonaro. “Eu sou contra é a que essa pacificação mais uma vez venha de um lado só. Ora, por que não se mostrou a intenção da nota do governo federal e, concomitantemente, uma nota do STF, uma nota conjunta, pelo bem do país?”, questionou.

O deputado ainda repreendeu Bolsonaro por ele ter convocado o ex-presidente Michel Temer para pedir ajuda em meio à crise com o STF. Moraes foi indicado para ocupar uma vaga no Supremo justamente durante a gestão do emedebista à frente do Palácio do Planalto.

“Esta nota partiu de uma redação feita pelo ex-presidente Michel Temer, responsável pela estadia do déspota Alexandre de Moraes em uma das cadeiras do pleno do STF. Sim, o presidente da República assina a nota do pai do déspota. Sim, o presidente da República permite que a redação seja do pai, daquele que colocou o ditador da toga naquela cadeira”, reclamou.

 


Militares questionam ganhos acima de R$ 200 mil mensais de general que comanda Petrobras

por Catia Seabra | Folhapress

Militares questionam ganhos acima de R$ 200 mil mensais de general que comanda Petrobras
Foto: Alan Santos/ PR

Em meio à alta nos preços do gás e da gasolina, a remuneração acima de R$ 200 mil mensais do presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, é alvo de críticas entre militares.
 

Publicação especializada em Forças Armadas, a Revista Sociedade Militar questiona em artigo desta sexta-feira (10) "a necessidade e se é realmente ético se pagar um salário tão alto a um funcionário de uma empresa que pertence à sociedade".
 

"O salário mensal do oficial atualmente equivale ao que é pago pela mão de obra de mais de 230 trabalhadores juntos", afirma o texto.
 

A revista online reproduz trecho da reportagem do jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual militares que atuam no comando de estatais acumulam salários e ganham entre R$ 43 mil e R$ 260 mil por mês.
 

As remunerações mais expressivas são pagas ao presidente da Petrobras. O general Silva e Luna assumiu o cargo em abril de 2021, após uma intervenção direta de Bolsonaro no comando da estatal.
 

A revista destaca trecho da Folha de S.Paulo informando que, por estar na reserva, no topo da hierarquia militar, Silva e Luna recebe R$ 32,2 mil brutos. Já na Petrobras, conforme o formulário de referência divulgado pela estatal aos investidores, a remuneração média mensal chega a R$ 228,2 mil, levando em conta ganhos fixos e variáveis referentes ao ano de 2020.
 

Com mais de 54 mil curtidas no facebook e 19 mil seguidores no twitter, incluindo deputados federais --entre eles, o ex-ministro Osmar Terra (MDB-RS) e os generais Roberto Sebastião Peternelli Jr (PSL-SP) e Girão Monteiro (PSL-RN)-- a revista diz que Silva e Luna "não é capaz de conduzir Petrobras a impedir altas nos preços do gás de cozinha e gasolina".
 

"Entregues para oficiais generais, funções como a chefia da Petrobras, conferem a seus detentores salários de mais de 200 mil reais mensais. Infelizmente, sob o comando dos fardados a estatal não tem prosperado em sua função de servir à sociedade".
 

O governo Bolsonaro tenta dividir com governadores a responsabilidade pelo preço da gasolina e do botijão de gás. Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo e no site da estatal, na primeira semana de setembro, Silva e Luna afirma que a sucessão de esforços da Petrobras para entregar nas refinarias combustível de qualidade é compensada, no caso da gasolina, com apenas R$ 2, dos cerca de R$ 6 que o consumidor paga ao abastecer.
 

Outro argumento do presidente da estatal é que "a devida remuneração das atividades da Petrobras, originada, em grande parte, pela parcela a que tem direito no preço nas bombas, gera ganhos para toda a sociedade".
 

A assessoria da Petrobras afirma que o artigo de Luna e Silva não é uma resposta a críticas no meio militar, mas uma tentativa de explicar ao consumidor a composição do preço dos combustíveis.
 

Antes de assumir a presidência da Petrobras, Luna ocupava a diretoria-geral de Itaipu. Sob seu comando, Itaipu mudou regras de indenização, o que acabou beneficiando diretores com pagamentos que beiravam R$ 150 mil.
 

Em 2019, Itaipu ampliou o bônus concedido aos funcionários, graças ao qual Luna recebeu R$ 221 mil.

Bahia Notícias

TSE declara que rachadinha causa lesão aos cofres públicos em ação de inelegibilidade

TSE declara que rachadinha causa lesão aos cofres públicos  em ação de inelegibilidade
Foto: Divulgação

Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que a prática de rachadinha causa danos ao erário. A Corte chegou ao entendimento ao analisar um recurso do Ministério Público eleitoral para tornar inelegível Maria Helena Pereira Fontes (PSL), que concorreu ao cargo de vereadora por São Paulo em 2020. O acórdão foi publicado na quinta-feira (9).

 

A candidatura foi impugnada por uma condenação por prática de rachadinha vereadora da capital. O caso transitou em julgado em 2011 e culminou em pena de devolução de R$ 146,3 mil ao município. Para o MP, à situação dela se aplica a inelegibilidade de 8 anos prevista no artigo 1º, inciso I, alínea "L" da Lei Complementar 64/1990. A norma trata dos condenados por improbidade que importe não apenas enriquecimento ilícito, mas também lesão ao patrimônio público.

 

Antes de chegar ao TSE, o caso foi analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) . Na Corte Regional, ficou entendido que a rachadinha não era uma lesão ao erário. Atualmente, o caso está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), com vista ao ministro Nunes Marques. O caso é uma ação penal contra o deputado federal Silas Câmara por prática de rachadinha. No TSE, o entendimento é que ocorre inelegibilidade somente quando existe enriquecimento ilícito e lesão ao patrimônio público. 

 

O caso da vereadora começou a ser julgado no TSE em abril deste ano, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. "Se não houvesse a 'rachadinha', haveria uma 'sobra' da verba de gabinete, cujo dispêndio não era obrigatório e somente ocorreu para viabilizar o locupletamento ilícito, tanto assim que a candidata foi condenada ao perdimento da quantia de R$ 146.311,67. Trata-se de penalidade de natureza de ressarcimento, cujo objetivo é de restaurar a situação anterior em que se encontrava a administração pública. Desse modo, indubitável a caracterização do dano ao erário", concluiu o ministro. O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, disse que "rachadinha é um eufemismo para desvio de dinheiro público, para peculato e acho que nem faz diferença se é uma soma global ou se é uma divisão dos valores alocados fixamente a cargos, em última análise é o erário que é lesado".

Bahia Notícias

Temos de acreditar na boa-fé de Bolsonaro, diz Gilmar Mendes

por Julia Chaib e Marcelo Rocha | Folhapress

Temos de acreditar na boa-fé de Bolsonaro, diz Gilmar Mendes
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Decano do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes disse ao jornal Folha de S.Paulo que é preciso acreditar na boa-fé do presidente Jair Bolsonaro ao divulgar uma nota na qual afirma que os ataques feitos à corte no dia 7 de Setembro resultaram do "calor do momento".
 

Na Declaração à Nação, Bolsonaro disse não ter tido "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes". Gilmar concedeu entrevista nesta sexta (10), dia seguinte à divulgação do texto pelo Palácio do Planalto.
 

A mudança no tom do mandatário ocorreu após seguidos xingamentos a integrantes do Supremo. No Dia da Independência, Bolsonaro chegou a chamar Alexandre de Moraes de canalha e falou que não cumpriria decisões do ministro.
 

Para Gilmar, os apoiadores do presidente vivem uma ilusão de que o STF ameaça a governabilidade de Bolsonaro e até integrantes do governo dizem acreditar em notícias falsas a respeito da corte.
 

"Não cumprimos a meta de vacinação e estamos a praticar esse novo esporte de agressões contínuas e alguns delírios", afirmou.
 

Gilmar ainda defendeu o inquérito das fake news e afirmou que, se não houvesse a investigação, o Brasil teria "derrapado para um modelo de perfil muito autoritário".
 


 

PERGUNTA - Há poucos dias, no 7 de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro fez discursos em protestos de apoiadores em que proferiu ataques ao STF, sobretudo aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. O sr. acha que o presidente se excedeu em críticas à corte e antes também?
 

GILMAR MENDES - É notório que isto tem sido excessivo. E mais do que isso, é inútil. Tira o foco do que realmente a gente precisa fazer.
 

Estamos vivendo um quadro inflacionário que há muito não tínhamos. E por quê? Também por causa dessa conflituosidade. O dólar sobe e afeta o preço do petróleo. Está se pagando R$ 7 ou mais pela gasolina. Isso está afetando a vida das pessoas.
 

É isso que queremos? Vamos ficar nos debatendo sobre isso, agravando a vida das pessoas, que já está muito afetada. Nós estamos falando de quase 600 mil mortos.
 

Em qualquer lugar nós temos uma família enlutada. Nós perdemos amigos, entes queridos e tudo mais e estamos desafiados a reconstruir. A Europa está discutindo a sua reconstrução econômica. Nos Estados Unidos, veja o programa Biden de reconstrução econômica. E nós?
 


 

Discutimos o receio de haver um golpe.
 

GM - É. E, a partir de fantasmagoria, de que o Judiciário está impedindo a governabilidade, quando nada disso se cuida. Pelo contrário, se nós tirarmos a ação do Supremo neste processo da pandemia, certamente, eu não consigo projetar, nós teríamos muito mais milhares de mortos.
 

O Supremo atuou exatamente neste sentido: fortalecendo o isolamento social, fortalecendo a vacinação, fortalecendo as hospitalizações, a ampliação de vagas nas UTIs. E não o seu contrário.
 


 

O sr. acha que o presidente tem uma postura diversionista, então?
 

GM - De novo, não quero fulanizar. Mas se tem esse ambiente e a busca de bodes expiatórios. E o tribunal é um vistoso bode expiatório, não é?
 


 

As instituições podem dar credibilidade à nota do presidente?
 

GM - Vamos aguardar. Temos de acreditar na boa-fé da manifestação e vamos aguardar os desdobramentos.
 

Eu tenho a impressão de que foi a forma que se concebeu de se fazer uma revisão em relação a isso [aos ataques do presidente]. Eu não vou fazer questionamentos a propósito de estratégias políticas ou estratégias político-eleitorais. Cada qual terá a sua.
 

E é notório também, não vamos ser ingênuos, que de alguma forma antecipamos o processo eleitoral. O que deveríamos estar discutindo em 2022 nós já estamos discutindo em 2021.
 

Eu só quero deixar claro que nós estamos cumprindo rigorosamente o nosso papel. Nós nos dedicamos às coisas que, de fato, valem a pena e que podem ter resultados animadores até do ponto de vista eleitoral.
 

Então, precisamos de diálogo e precisamos verter nossa energia para esse imenso desafio de reconstrução nacional, de superação desse estado de coisa. Não cumprimos a meta de vacinação e estamos a praticar esse novo esporte de agressões contínuas e alguns delírios.
 


 

Que delírios?
 

GM - É como se fôssemos fazer um "happening" no dia 7 de Setembro e no dia 8 não haverá mais Supremo, não haverá mais Congresso, o mundo estará em outra dimensão.
 


 

Delírios por parte dos apoiadores do presidente?
 

GM - Parece que há esse tipo de percepção da realidade ou de um mundo paralelo. É como se o mundo ficasse mais fácil a partir disso. Nós temos de saber que depois do dia 7, vem o dia 8, o dia 9, continuamos a ter contas para pagar, que a inflação está aí.
 


 

O sr. fala em delírios dos apoiadores, mas o próprio presidente não delira em declarações?
 

GM - Eu não vou fulanizar. Temos mais de 30 anos de práticas democráticas contínuas.
 

Nós não podemos imaginar que amanhã as instituições vão se dissolver porque nós vamos reunir 10, 15, 20 mil pessoas em Brasília, São Paulo, seja aonde for.
 

As instituições têm mecanismos de funcionamento. É legítimo o protesto, importante que haja debates e propostas de mudança.
 

Por outro lado, a mim me parece que há um estado de tal confusão e desorganização intelectual, mental até, que leva a gente a uma grande perplexidade.
 

Protesta-se contra o quê? O Supremo está impedindo o Executivo de governar? Em que ponto? Quais são as decisões do Supremo que impediram o governo de governar?
 

Não me parece que essas queixas são justificáveis. Me parece que estamos mais desenhando um fantasma e contra ele nós vamos lutar. São esses falsos quixotes que estão aí a ver dragões em moinhos de vento.
 

Onde há ameaça à governabilidade? O governo tem suas dificuldades. A mim me parece que nós temos que ser precisos e cuidarmos das questões que são de fato relevantes e dedicarmos todas as nossas energias a tirarmos o país dessa crise.
 


 

Dá para acreditar em um presidente que fala que não vai cumprir decisões judiciais de um determinado ministro e chama um colega do sr. de canalha? O sr. considera golpista essa declaração?
 

GM - Não vou fazer ligação sobre isso. Você trouxe a questão da nota em que essas considerações foram retiradas. Portanto, eu vou ficar com a nota.
 


 

A respeito dessa relação Supremo e governo, o presidente e os apoiadores reclamam dessas medidas nos inquéritos polêmicos, como a prisão do Roberto Jefferson e do Daniel Silveira. E há também juristas que questionam as decisões. Não houve excesso por parte do Judiciário nas ações? Ou foram inoportunas?
 

GM - Os casos específicos não quero ficar fazendo exames até porque nós vamos ter de emitir juízo concreto sobre alguns casos, mas, se alguém vai às redes e diz que vai atacar um dado ministro e diz que vai dar uma surra, isso não tem nada a ver com liberdade de expressão.
 

Esses casos estão em outro patamar que nada tem a ver com liberdade de expressão nem com exercício do mandato parlamentar.
 


 

O inquérito das fake news é justamente um dos alvos de críticas do presidente e de apoiadores. Não é uma anomalia a abertura do inquérito e há tanto tempo?
 

GM - Não tenho dúvida sobre a juridicidade e legitimidade e foi por ampla maioria a aprovação do inquérito no Supremo.
 

Não fosse o inquérito das fake news, nós provavelmente já teríamos derrapado para um modelo de perfil muito autoritário, porque nós estávamos vivendo um quadro de crescente crise, ameaça de invasão do próprio tribunal a partir de fundamentos falsos. Atribuem ao tribunal feitos dos quais ele não participou.
 

Me parece que entre os próceres do presidente há essa ideia de que tudo compõe esse âmbito de proteção de liberdade de expressão, quando nós sabemos que não é assim.
 

Não quero exagerar, não quero agora eu ser o porta-voz de uma teoria conspiratória, mas poderíamos daqui a pouco ter grupos paramilitares nessas ações políticas. Acho que o inquérito evitou isso.
 


 

A que o sr. atribui os ataques que são disparados pelo presidente?
 

GM - Por conversas que já tive com o presidente e interlocutores importantes do governo, eu imagino e percebo, a partir de fatos, que o governo é muito suscetível, ele acaba sendo vítima, para usar uma ironia, de suas próprias fake news ou das fake news que são engendradas.
 

Tanto que aí há atores que levam informações, falam "ah, existem setores de informação", uma Abin do B e coisas do tipo.
 

E eu já ouvi uma série de fatos, a propósito disso, que o TSE estava preparando a cassação da chapa, em algum momento se falou isso, lá atrás, ou cassava a cabeça de chapa e deixava o vice e coisas do tipo. Considerações fantasiosas. Ou que o ministro Alexandre estava prestes a decretar a prisão do Carlos Bolsonaro. Isso eu ouvi de próceres governamentais importantes.
 

Cria-se uma rede de intriga e passa-se a operar a partir dela e reagir a fatos.
 

Por isso eu disse [ao presidente] que é fundamental que se busque as fontes primárias, que tenhamos canais e possamos conversar para não criarmos uma guerra a partir desses fantasmas que passamos a construir. A partir daí cria-se uma caricatura do Supremo.
 

Os próprios militantes passam a ver o Supremo como uma fantasmagoria e a partir daí passam a reagir ao Supremo. "Supremo decidiu isso, aquilo." Supremo não decidiu nada.
 

Se pegar a pandemia, o Supremo agiu de maneira muito responsável. Supremo exigiu imunização, quando o governo batia cabeça nessa questão das vacinas. O tribunal ajudou muitíssimo o governo a resolver problemas.
 


 

O sr. falou sobre a importância do diálogo. O governo tentou construir uma saída para os precatórios que passava pelo STF e pelo CNJ. Com os ataques do presidente ao STF, o sr. vê essa saída como plausível, essa reconstrução via CNJ e via STF?
 

GM - Em algum momento, seja isso formulado pelo Congresso, seja isso formulado pelo governo, isto acabará sendo questionado e virá aqui, para que nós deliberemos. Então, não me parece que sejamos nós o "locus" desse tipo de questão, de maneira inicial.
 


 

O ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), estiveram com o sr. nesta semana, certo? Eles vieram aqui tentar restaurar essa interlocução entre os Poderes? Fizeram um apelo para que o sr. conversasse com o presidente?
 

GM - Conversamos de maneira geral. Conversamos, inclusive, com o ministro Alexandre. E foi o espírito de fazer, primeiro, uma avaliação do cenário, das situações. Depois, de ver como nós seríamos capazes de encaminhar a solução.
 

Eu sou um admirador da atividade política. Eu acredito nisso. Não acho que haja solução fora da atividade política. Os operários da democracia são os políticos.
 

Nós podemos ter juízos os mais diversos sobre os políticos, mas nós vemos que, quando eles faltam, o processo normalmente deteriora-se.
 

Se nós olharmos, por exemplo, esse episódio agora da participação do presidente [Michel] Temer nesta questão da nota, a gente vai entender o significado dos políticos.
 


 

Gilmar Mendes, 65
 

Ministro do STF desde 2002, foi advogado-geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando também foi assessor nos Ministérios da Justiça e da Casa Civil. Antes, foi procurador da República e consultor da Presidência no governo Fernando Collor. Formado em direito pela Universidade de Brasília, concluiu mestrado e doutorado pela Westfälische Wilhelms - Universität zu Münster.

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