sexta-feira, setembro 10, 2021

Rosa Weber vai relatar ações contra MP de Bolsonaro que blinda o “Gabinete do Ódio”

Publicado em 10 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Ministra Rosa Weber é eleita vice-presidente do STF

Ministra Rosa Weber pegou seis ações de um só vez

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
TV Globo — Brasília

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber foi definida nesta quarta-feira (8) relatora das ações protocoladas contra a medida provisória que, na prática, limita o bloqueio de conteúdos publicados em redes sociais.

Em sete ações, seis partidos (PT, PSB, PSDB, Novo, PDT e Solidariedade) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pediram à Corte a suspensão dos efeitos da medida, publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta segunda (6).As legendas e o parlamentar dizem considerar que a MP não atende os requisitos constitucionais de relevância e urgência.

MESMO ASSUNTO – A ministra ficou com a relatoria porque já está sob sua responsabilidade uma ação na Corte que discute se decisões judiciais podem autorizar o bloqueio de serviços de aplicativos de mensagens pela internet, como prevê o marco civil.

No âmbito dos processos, o relator pode fazer pedidos de informações a autoridades relacionadas à medida. Também pode tomar uma decisão individual, atendendo ou não o pedido de suspensão do texto. Outra possibilidade é enviar o tema para análise diretamente no plenário (virtual ou por videoconferência).

BLINDAGEM CLARA – A MP, que tem força de lei, altera o Marco Civil da Internet, que regulamenta o uso da rede de computadores no Brasil.

O texto estabelece “direitos e garantias” aos usuários de redes sociais e cria empecilhos para a moderação de conteúdos nas redes sociais. Pela norma, é necessário haver uma “justa causa” e “motivação” nos casos de “cancelamento ou suspensão de funcionalidades de contas ou perfis mantidos pelos usuários de redes sociais”.

Ainda conforme a MP, cabe ao usuário o direito ao “contraditório, ampla defesa e recurso” nos casos de moderação de conteúdo, sendo que o provedor de redes sociais terá de oferecer um canal eletrônico dedicado à aplicação desses direitos.

MODERAÇÃO INDEVIDA – O texto também prevê o direito de “restituição do conteúdo” publicado pelo usuário – entre os quais, textos e imagens, quando houver requerimento, – e o restabelecimento da conta, do perfil ou do conteúdo original em caso de “moderação indevida”.

Facebook, Google e Twitter criticam  a MP,  assinada por Bolsonaro nesta segunda, que ainda proíbe aos provedores de redes sociais “a adoção de critérios de moderação ou limitação do alcance da divulgação de conteúdo que impliquem censura de ordem política, ideológica, científica, artística ou religiosa”.

“Em observância à liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, a exclusão, o cancelamento ou a suspensão, total ou parcial, dos serviços e das funcionalidades da conta ou do perfil de usuário de redes sociais somente poderá ser realizado com justa causa e motivação”, determina a MP.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, o que se pretende e evitar que as redes sociais possam deletar fake news e outras postagens do chamado “Gabinete do Ódio”, que ajudou a eleger Bolsonaro em 2018. Na nossa Matriz USA, até postagens do então presidente Donald Trump foram removidas, sem problemas pelo Facebook, Twitter, Instagram etc. É por isso que, na Filial Brazil, haja tanto interesse em blindar essas maluquices. Mas o Supremo está de olho nas manobras do terceiro andar do Planalto, é lá onde mora o perigo. (C.N.)

Ministro Barroso, os espíritos formam um reino inalcançável e não sofrem derrota nem vitória

Publicado em 10 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

CHARGE: Mais fácil aprender Javanês em braile… - Se Liga na InformaçãoJorge Béja   /    Charge do Kacio (Metrópoles)

Luis Roberto Barroso, aqui sou eu, Jorge Béja. Nos conhecemos de longa data. Já nos enfrentamos num rumoroso processo na Justiça do Rio. Você (advogado), em defesa da Souza Cruz, fabricante de cigarro. Eu (advogado, também), na defesa de crianças que ficaram órfãs, de viúva que ficou sem o marido e de pais que ficaram sem o filho, que morreu por causa do “tabagismo pesado”, conforme atestou o médico e consta na certidão de óbito do vitimado.

Poderia tratá-lo de Você. Mas prefiro Ministro, cargo que ocupa no Supremo Tribunal Federal.

SEM GROSSERIAS – Ministro Barroso, sua cultura jurídica é indiscutível. O ministro Barroso pode carregar nas palavras, nas orações, na retórica… Pode dizer tudo que lhe vem à mente, porque é certo que nenhuma palavra, nenhuma frase terá sentido grosseiro. Mesmo porque o ministro é delicadíssimo no trato com as pessoas.

É compreensível que defenda a Corte que integra e que defenda seus colegas de toga. Mas ministro, não enverede por um mundo que o ministro e nem ninguém conhece. Que nunca conheceu, que não conhece e que nunca irá conhecer. Não trate o ESPIRITO, que em cada ser humano habita, como  algo que possa ser palpável, dimensionável, corpóreo e sensível ao que é humano. Ao que é mundano, melhor dizendo.

A INCIVILIDADE – Na sua fala desta quinta-feira, sentado na cadeira presidencial do Tribunal Superior Eleitoral, é sua esta afirmação: “A INCIVILIDADE É UMA DERROTA DO ESPÍRITO”.

Ministro, ESPÍRITO é passível de sentir vitória ou derrota? Ministro, ESPÍRITO tem sentimento? ESPÍRITO tem começo, meio e fim no tocante à sua existência? ESPÍRITO tem categoria? O ministro tem intimidade com os ESPÍRITOS? É Porta-voz dos ESPÍRITOS?

Não, ministro Barroso. Este é um mundo impenetrável e que a mente humana não foi feita para entender, nem mesmo tatear. O senhor falou por falar. Falou por dizer, crendo que os ESPIRITOS, tais como nós, os humanos, são mortais. São sensivelmente frágeis. E que sua existência não é divina, mas humana, mesmo após deixar de habitar o mundo corpóreo.

MUITAS DÚVIDAS – Ministro, o mistério da vida e da morte, e do que acontece depois da morte, são indagações que não encontraram respostas nem os escritos sagrados de Israel, nem nos Vedas, nem nos escritos de Confúcio, nem na pregação de Tirtankara ou de Buda, nem nos poemas de Homero, nas tragédias de Eurípedes, de Sófocles, muito menos nos tratados filosóficos de Platão e Aristóteles.

E não será o ministro Barroso quem desvendará o mistério. Ainda assim, o senhor ousa dizer que a incivilidade “É UMA DERROTA DO ESPÍRITO”.

Ministro Barroso, julgue seus processos. Profira seus votos. Dê suas decisões sobre o que lhe chega às mãos sobre os conflitos entre os Humanos. Mas nunca mais fale pelos ESPÍRITOS. Porque todos Eles integram um Reino, um Mundo impenetrável, metafísico, misterioso e indesvendável.

Piada do Ano! O valentão Bolsonaro teve de pedir desculpas a Moraes pessoalmente

Publicado em 10 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET | Category | Geral | Page 5

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Deu em Globo

O recuo do presidente Jair Bolsonaro dois dias após atingir o ápice da radicalização desorientou a militância, gerou ironias de adversários e reações, espalhadas no meio político, entre a esperança de uma pacificação real e a prudência de quem já viu o chefe do Executivo desistir de outros acenos de moderação.

Na frase mais simbólica emanada da ala radical, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) rememorou, na tribuna da Câmara, outro episódio que provocou desânimo entre bolsonaristas: “A princípio, eu vou dizer que fiquei até um pouco frustrada. Frustrada da mesma forma da época em que o (Sergio Moro) pediu demissão (do Ministério da Justiçae Segurança Pública)”.

FALTA DE PERSONALIDADE – Boa parte do governo, incluindo o primeiro escalão, só soube da declaração do presidente no momento da divulgação. Integrantes criticaram o modo como o texto foi elaborado e apontaram falta de personalidade de Bolsonaro.

Nas redes sociais, muitos aliados optaram pelo silêncio —análise da consultoria Arquimedes sobre 95 mil tuítes após a publicação vir à tona mostra que 85% partiram da oposição —, mas aqueles que se pronunciaram fizeram questão de exibir a insatisfação.

“Continuo aliado, mas não alienado. Bolsonaro pode colocar a nota que quiser. Alexandre de Moraes continua a ser um ditador da toga que resgou a Constituição e prendeu gente inocente. Minhas convicções são inegociáveis”, escreveu o pastor Silas Malafaia, que mobilizou a participação de manifestantes nos atos de 7 de setembro.

NOTA “HORROSOSA” – Outro apoiador ferrenho de Bolsonaro, o blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre, disse que a nota de Bolsonaro foi “horrorosa” e uma “confissão de bravata”. No texto, o presidente, entre outros acenos, disse que os ataques contra o Supremo Tribunal Federal (STF) desferidos na terça-feira “decorreram do calor do momento”.

“Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, completa a nota.

Agora, o Palácio do Planalto espera que o ministro do STF Alexandre de Moraes, também faça um gesto pela pacificação. Antes da divulgação do texto, Bolsonaro chegou a conversar por telefone com Moraes, em uma ligação intermediada pelo ex-presidente Michel Temer.

SILÊNCIO REVELADOR – “O bolsonarismo ficou perdido. Não sabem como reagir à nota. O silêncio indica que aguardam alguma orientação para saber qual tom adotarão. Ainda assim, alguns perfis já se manifestaram em tom de desilusão e até revolta — destaca Pedro Bruzzi, da Arquimedes.

Em gestos com o intuito de estimular a tentativa de reposicionamento de Bolsonaro, os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reforçaram a defesa da harmonia entre os Poderes. Em tom mais cauteloso,

Pacheco disse que a nova manifestação do presidente está alinhada ao que a maioria da população deseja e ressaltou que o Brasil precisa da obediência à Constituição.

DISSE PACHECO – “A declaração à nação do presidente Jair Bolsonaro, afirmando inclusive que a ‘harmonia entre os Poderes é uma determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar’, vai ao encontro do que a maioria dos brasileiros espera”, escreveu Pacheco, em suas redes sociais. “Respeito entre os Poderes, obediência à Constituição e compromisso de trabalho árduo em favor do desenvolvimento do país. É disso que o Brasil precisa e que vamos continuar defendendo”, acrescentou o presidente do Senado.

Já Lira, que é aliado de Bolsonaro, disse que ele “serena os ânimos” com a declaração e afirmou esperar que essa seja uma oportunidade de recomeço na relação entre as instituições.

— De uma certa forma, eu não sei o que levou cada um às ruas, mas o presidente acertadamente serena os ânimos, recomeça o movimento em direção aos poderes porque o país é maior que qualquer uma instituição — declarou Lira ao apresentador José Luiz Datena — Não é momento para desarranjos institucionais e briga entre Poderes.

“LEÃO VIROU RATO” – Entre opositores, no entanto, o tom foi bem menos cordial. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o “leão virou um rato”.

Já o deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ), ex-presidente da Câmara, disse que os atos antidemocráticos representaram um “desastre” para Bolsonaro e que a divulgação da nota significava uma “humilhação” para o presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A política brasileira é mesmo surrealista e o que dá para rir também dá para chorar. Bolsonaro, o ex-imbroxável, ex-incomível e ex-imorrível, virou um bambi (ou bibam, como se diz atualmente). O mais incrível foi ter pedido arreglo pessoalmente a Moraes. Eu adoraria ter ouvido a performance de Bolsonaro nessa conversa. É a Piada do Ano, fácil, fácil. (C.N.)


Bolsonaro faz economia desabar e Barroso diz que falta de compostura envergonha o país

Publicado em 10 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Nas cordas, Bolsonaro agora tenta se agarrar ao fiapo de defesa que lhe resta

Pedro do Coutto

Os ataques que o presidente Jair Bolsonaro desfechou contra o ministro Alexandre de Moraes, contra o Supremo Tribunal Federal e a favor do não cumprimento de sentenças judiciais fizeram a economia desabar imediatamente no dia seguinte à data da Independência. A Bolsa de Valores recuou, o dólar subiu, a inflação acelerou e os preços dos alimentos, até nas feiras livres do Rio de Janeiro, aumentaram acentuadamente, inclusive como demonstrou a reportagem da TV Globo no início da tarde de ontem.

Também ontem, reportagem de Vitor da Costa, Stephani Tondo e João Sorima Neto, O Globo, assinala a falta de rumo no mercado em consequência do agravamento da crise política que atingiu o seu ponto máximo, aliás como escrevi ontem. Na Folha de S. Paulo, Daniele Madureira destaca a reação negativa do pronunciamento de Bolsonaro nas classes empresariais que sustentaram que o presidente da República deve se empenhar, isso sim, para a retomada econômica do Brasil e não perder o rumo político da situação nacional.

RUMOS DA DEMOCRACIA – Na minha opinião, o desabamento causado por Bolsonaro só não atingiu a extrema-direita, mas alcançou duramente os próprios setores conservadores que estão preocupados com os rumos da democracia e com as eleições de outubro de 2022. Na Folha de S. Paulo, o economista Sérgio Lazzarini, em entrevista ao repórter Douglas Gavras, assinala que as ameaças de Bolsonaro jogam fora as perspectivas de recuperação da economia brasileira em um quadro tumultuado em que investimentos importantes, com reflexo no mercado de empregos, terminam não se realizando.

Enquanto escrevo esse artigo, há a notícia de que Bolsonaro recuou e diz que tudo foi dito no calor do debate. No fim da tarde de ontem, o presidente da República divulgou texto recuando praticamente de forma total em relação às ofensas dirigidas ao ministro Alexandre de Moares, buscando retratar-se em relação a sua participação nas manifestações do dia 7 de setembro.

Bolsonaro atribuiu tudo ao calor do debate e o seu recuo foi assim total, um rendimento político às forças que se uniram contra ele que tenta, com isso, ganhar tempo para sobreviver. Se ele recuou é porque espera um período que julga suficiente para respirar e sair das cordas. Mas os ataques feitos ao Supremo continuam e o teste definitivo será, sem dúvida, quando Bolsonaro cumprir as decisões do ministro Alexandre de Moraes e do STF.  O presidente, na minha opinião, ficou sem espaço e como última tentativa deixa o ataque e passa para a defesa. Quanto tempo durará essa defesa é a pergunta que se pode fazer.

DURO DISCURSO – O pronunciamento de Luís Roberto Barroso, antes da declaração de Bolsonaro no fim da tarde de ontem, foi sem dúvida o mais duro e frontal feito por um magistrado contra a falta de rumo e de legitimidade de propósitos demonstrada pelo presidente da República, e que deveria ser o primeiro a defender as leis e as instituições.

Barroso atacou duramente o presidente Bolsonaro, acusando-o de falsificar fatos e manter um comportamento marcado pela falta de compostura, situação que está envergonhando o Brasil perante o mundo, acusando sem provas, repetindo seguidamente inverdades e não enfrentando os verdadeiros problemas nacionais, como o desemprego, a pandemia, a queda do poder de compra e a falta de perspectiva para a sociedade brasileira.

O desfecho da crise instaurada está gerando uma paralisia econômica e social, cujos reflexos são negativos. Na minha impressão, o país só retomará as suas atividades normais a partir do momento em que Jair Bolsonaro deixar a Presidência da República.

FLAMENGO NÃO JOGA SOZINHO – Atendendo pedido do Flamengo, a Prefeitura do Rio decidiu permitir que os jogos do time possam ter acesso de público pagando os seus ingressos. Dezenove clubes e a CBF estão recorrendo contra a decisão. Surpreendentemente, o prefeito Eduardo Paes não se pronunciou até o momento. É preciso considerar um fato que se sobrepõe a qualquer outra interpretação: o Flamengo não joga sozinho, por isso os seus adversários participam da receita decorrente dos ingressos.  

Mas como dividir essa receita se a Prefeitura se refere apenas ao Flamengo? No futebol não existe exibição sem adversário e sem competição. Não é possível assim atribuir-se um tratamento a um clube por mais popular que ele seja sem que tal decisão interfira no interesse dos demais. O futebol é um espetáculo para as multidões, seja pela TV ou pelo público presente. Mas em nenhuma situação pode se levar em conta o privilégio deste ou de outro time em relação às equipes que dão vida aos campeonatos.


Como Bolsonaro é estrambelhado demais, os bolsonaristas precisam achar alguém melhor

Publicado em 10 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Quem for frouxo na hora da tribulação é sinal de que não tem força" |  Política: Diario de Pernambuco

Para culminar, caminhoneiro chamou Bolsonaro de frouxo

Ruy Castro
Folha

Faixas abertas por seguidores de Jair Bolsonaro nas arruaças de 7 de setembro faziam ameaças aos seus inevitáveis desafetos: STF, TSE, CPI, TV Globo, petistas, governadores, jornalistas, intelectuais, artistas, cientistas, povos indígenas, ecologistas, feministas, negros, gays, usuários de máscara e demais comunistas.

Até aí nada demais, eles odeiam o mundo. O surpreendente foi a aparição em algumas faixas de dois nomes tachados de “cânceres”: o deputado Arthur Lira e o senador Rodrigo Pacheco, presidentes das casas do Congresso.

NÃO ERAM AMIGOS? – Mas como? Por quê? É assim que os bolsonaristas agradecem a quem tanto os ajuda — voltando-se contra eles?

Sim, assim como se voltaram contra Sergio Moro, que lhes deu numa bandeja a eleição de Bolsonaro, e contra todos os que por algum motivo desertaram da matilha. A diferença é que, até há pouco, esperavam pelo chefe para saber a quem odiar. Agora já escolhem por conta própria os inimigos a destruir. Era inevitável: de Adão aos robôs da ficção científica, a história está cheia de criaturas que se libertaram de seus criadores.

Nas manifestações em Brasília, eles atacaram uma equipe da TV Record —que mandamento do bolsonarismo ela terá desrespeitado?

ARAS E KASSIO – Augusto Aras, passador-de-pano-geral da República, ousou dizer no dia seguinte que a Constituição nunca poderá ser afrontada —por acaso saberá o que está fazendo? E o mocho ministro Kassio Marques que ouse votar com os liberais numa sessão do STF para ver o que lhe acontece.

Bolsonaro é destrambelhado e estúpido demais, e os bolsonaristas logo precisarão de alguém melhor. Um indício de que já começaram a se mover sozinhos é a classificação de “frouxo” dada publicamente a ele por um patético caubói caminhoneiro, por Bolsonaro ter ordenado a dissolução da greve da categoria.

Hoje sabemos que o bolsonarismo já existia antes de Bolsonaro. O trágico é descobrir que talvez sobreviva a ele.


Bolsonaro, o GPS e o biruta

 



Por Josilmar Cordenonssi Cia* (foto)

Quem está no mercado financeiro sabe que o cenário é desafiador para a economia mundial. Há gargalos nas cadeias produtivas, a inflação está acima da meta na maioria dos países, o desemprego ainda muito elevado (com poucas exceções) e a variante Delta mina a confiança de produtores, investidores e consumidores com relação à retomada econômica. Ou seja, mesmo fazendo tudo certo, com senso de responsabilidade, os desafios são grandes. Então, neste contexto, imagine um presidente que, em vez de atacar e buscar resolver os problemas reais que afetam a sua população e/ou economia, resolve combater problemas imaginários: a liberdade de expressão, ameaça comunista, risco de fraude na urna eletrônica, necessidade de armar a população etc. Bem-vindo ao Brasil!

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro insistia que não sabia de economia e delegaria toda a formulação de política econômica para o seu “Posto Ipiranga”. Paulo Guedes, economista com PhD em Chicago, com ligações com colegas que trabalharam na ditadura Pinochet, parecia um oásis liberal depois do deserto que foi a recessão de 2015-2016 do governo Dilma. Além disso, após a eleição, o poderoso juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, aceitou o convite para ser ministro da Justiça, tendo a promessa de também ter carta branca. Apesar de ter sido um político folclórico, para dizer o mínimo, Bolsonaro era percebido como uma pessoa sincera, sem escaramuças, que não tentava enrolar, e era direto. Ao mesmo tempo, ele indicava que sabia de suas limitações e que iria delegar as principais políticas aos seus (até então) superministros.

Logo no início do governo, foi revelada uma investigação de um esquema de “rachadinha” no gabinete do filho 01, Flávio Bolsonaro, quando ele era ainda deputado estadual. A partir daí, todas as decisões de Bolsonaro, no campo da justiça foram sendo minadas. Culminando na tentativa de intervenção na Polícia Federal (PF) e saída do próprio ministro Moro, passando pela indicação do Augusto Aras para a Procuradoria Geral da República (PGR), que o ex-juiz não aprovava, mas que se mostrou muito solícito ao presidente. Apesar da queda da bandeira da luta pela corrupção, o mercado reagia positivamente nos dias em que Bolsonaro se fortalecia.

Do lado econômico, bem ou mal, 2019 foi um ano excelente ao se aprovar a reforma da previdência. Entretanto, a reforma administrativa ficou emperrada. A Câmara dos Deputados e o Senado avançam com suas reformas tributárias, mas Paulo Guedes desconversa e tenta desenterrar uma CPMF que “não é CPMF”. Chega a pandemia e as reformas são deixadas de lado, o auxílio emergencial e outras medidas contra a crise ajudam a amortizar a queda da economia, mas o que destoa do resto do mundo é o discurso que a covid-19 era uma “gripezinha” e que todos deveriam voltar ao normal. Essa reação do presidente, aliada à demissão do elogiado ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez com que muitos investidores percebessem que tínhamos uma pessoa na presidência imprevisível, para não dizer irracional. O real sofreu muito com a início da pandemia, mas a maioria das moedas emergentes voltaram a um valor próximo ao nível do início de 2020. O real foi a moeda emergente que mais se desvalorizou contra o dólar.

Essa desvalorização do real potencializou o choque do preço das commodities na nossa inflação. O real que costumava se valorizar junto com as commodities, ficou para atrás, impactando a nossa inflação doméstica. Sem perspectivas políticas de se fazer reformas econômicas que controlassem os gastos públicos ou o sistema tributário, o Banco Central se viu obrigado a subir a taxa de juros para evitar que um maior repasse aos preços internos. E esses juros mais altos começaram a reduzir as expectativas de crescimento para esse ano e no próximo, que é ano de eleição.

O PIB vem demonstrando que o ritmo de crescimento caiu de +1,10% no primeiro trimestre desse ano para -0,10%. E o desemprego está teimosamente acima de 14%. E apesar de todos estes problemas reais, Bolsonaro decide reunir multidões pelo país para declarar que não cumprirá determinações judiciais do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que o investiga em vários processos.

Assim, a maioria dos agentes do mercado financeiro achava que o governo Bolsonaro fosse um moderno aparelho GPS (Sistema de Posicionamento Global, em português), mostrando claramente e racionalmente o caminho a ser trilhado. Porém, aos poucos, o mercado vem percebendo que o governo está mais próximo de um outro instrumento de navegação, aquele que detecta as variações do vento: o biruta.

*Josilmar Cordenonssi Cia é graduado em Economia, mestre e doutor em Administração de Empresas. É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Diário do Poder

Quem quer de verdade o impeachment de Bolsonaro?




Por Malu Gaspar (foto)

Fazia tempo que a palavra impeachment não aparecia com tanta frequência no noticiário. Depois do discurso golpista de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, virou assunto não só nos jornais, nas TVs e nas redes sociais, mas também nas conversas dos líderes políticos do Congresso, do Judiciário e do próprio governo. PSDB, PSD e DEM anunciaram a abertura de discussões internas sobre o impeachment, e o PDT apresentou uma notícia-crime contra o presidente por crime de responsabilidade. É a primeira vez que o tema ganha tal força, apesar do histórico de crises e de motivos para um impedimento desde o início do governo Bolsonaro.

A questão, portanto, não é se há razões para tirar Bolsonaro do poder. Fernando Collor perdeu o cargo por causa de um Fiat Elba, e Dilma Rousseff por pedaladas fiscais que a maior parte dos brasileiros não é capaz de entender até hoje. Já Lula passou incólume pelo mensalão, e Michel Temer pelo Joesley Gate. O que interessa saber, no fundo, é: quem quer de verdade Bolsonaro fora do Palácio do Planalto e o que está disposto a fazer para isso?

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), definitivamente não está entre essas pessoas. Com seu pronunciamento ensaboado de ontem, Lira deixou claro que ainda não está disposto a comprar uma briga com o bolsonarismo e abrir mão de seu largo quinhão na divisão de poder hoje em funcionamento.

Também não dá para incluir nesse rol o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que ontem criticou “arroubos autoritários” e defendeu a democracia, mas também sugeriu uma reunião de pacificação entre os Poderes. Depois da invasão da Esplanada por manifestantes, ele cancelou as sessões do Senado até a semana que vem, em nome da segurança. É um motivo válido, mas também tira da oposição a tribuna para aproveitar o momento e reforçar o discurso pró-impedimento. Joga água na fervura, como se diz lá nas Minas Gerais de Pacheco.

A reação mais enfática ao show golpista do presidente da República veio de Luiz Fux, para quem, se Bolsonaro cumprir a ameaça de não mais obedecer a ordens judiciais vindas do STF, estará cometendo “crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional”. Foi um discurso forte, mas desagradou aos mais indignados no próprio tribunal, para quem Fux deveria ter aberto logo de cara uma investigação contra o presidente da República.

Toda essa hesitação na Praça dos Três Poderes se explica pela constatação de que, apesar de estar cada vez mais isolado, Bolsonaro ainda tem o apoio entusiasmado de uma parcela da população. Não é forte o suficiente para superar a crise, nem fraco o bastante para cair.

E então chegamos aos oposicionistas. Por mais que digam publicamente que o 7 de Setembro de Bolsonaro flopou, nos bastidores muitos deles admitem que os atos foram grandes e que, para o impeachment decolar, é preciso pôr na rua contra o presidente mais gente do que foi se manifestar a favor.

A ocasião se oferece no próximo dia 12, para quando está marcado um protesto pelo Fora Bolsonaro, convocado pelo Movimento Brasil Livre, o MBL. A data foi anunciada em julho, logo depois da entrevista coletiva que anunciou um superpedido de impeachment, que reuniu de Joice Hasselmann (PSL) a Guilherme Boulos (PSOL), de Gleisi Hoffmann (PT) a Kim Kataguiri (DEM).

“Eu fico muito feliz de ver aqui que nós temos pessoas que estão acima de qualquer questão ideológica, mas que pensam no Brasil e que pensam na nação”, disse Joice, resumindo o teor das falas de vários outros. “Eu não titubeei em um único momento em assinar esse superpedido de impeachment. Marcelo Freixo [ex-PSOL, hoje PSB] chegou e falou para mim: ‘Joice, será que você assina?’ Eu falei: ‘agora, agora’.”

Hoje parece que a união ficou só na foto. Em vez de estar mobilizada para encher as ruas de gente, a oposição está rachada. Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Simone Tebet (MDB) confirmaram presença nos atos, mas Boulos, Freixo e Ciro Gomes (PDT) ainda estão avaliando, e os petistas dizem que não participarão de uma passeata da direita convocada por um movimento anti-Lula que defendeu o impeachment de Dilma.

Enquanto Kataguiri, fundador do MBL, se esfalfa para atrair mais gente para os atos, uma facção do movimento se recusa a abrir mão da ideia de inflar um enorme Pixuleco na Paulista. Nas redes sociais, petistas e direitistas anti-Bolsonaro se atacam, numa discussão estéril sobre de quem é a culpa pelo resultado da eleição de 2018 e qual seria a manifestação mais legítima contra o presidente da República.

A sensação que dá é que não aprenderam nada com três anos de bolsonarismo. Ou que talvez não queiram tanto assim ver Bolsonaro fora do Palácio do Planalto.

O Globo

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Com volta do recesso, oito bancadas da Câmara ainda não definiram seus líderes

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Lideranças serão definidas no próximo mês Victor...

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