segunda-feira, maio 31, 2021

Língua Afiada - Vereador negacionista.

 


Vereador Negacionista

O ilustre vereador de Paulo Afonso, Marconi Daniel, autor da lei que torna as academias de 

ginástica serviço essencial, quando o que é essencial de verdade é a prática esportiva e não

 o ambiente onde o esporte é praticado, segundo áudio que circula na internet publicado

 por um suposto professor de educação física e dono de academia, estaria insuflando

 esse grupo de comerciantes a abrir as suas academias e descumprir o decreto do prefeito

 a ser publicado amanhã.

Em sendo verdadeiro o áudio em questão, o vereador está iludindo e induzindo ao erro

 os donos de academia da cidade, ao dizer que sua lei é superior hierarquicamente ao

 Decreto do prefeito Luiz de Deus, e que eles podem abrir os seus estabelecimentos pois a 

tal lei os protege.
O vereador parece desconhecer os artigos da lei que chama de sua, desconhece a constituição

 e ignora as decisões do supremo sobre o assunto.

Em todas as decisões sobre o tema o STF decidiu que quem tem o efetivo poder de determinar

 as medidas restritivas em suas respectivas áreas de competências são os prefeitos e os

 governadores.

O paragrafo segundo do artigo primeiro da “Lei das Academias” diz o seguinte:

“§2°. As restrições ao direito de praticar atividade física e exercício físico em

 estabelecimentos prestadores de serviços destinados a essa finalidade

 determinadas e em espaços públicos pelo Poder Público nas situações excepcionais

 referidas no caput do artigo 1°, deverão fundar-se nas normas sanitárias ou de segurança

 pública aplicáveis e serão precedidas de decisão administrativa fundamentada da

 autoridade competente, a qual deverá expressamente indicar a extensão, os

 motivos e critérios científicos e técnicos embaraçadores da medida extrema”

Ou seja, o prefeito municipal é a autoridade competente. E se não tivesse essa condição

 a lei seria inconstitucional. Amanhã o decreto, como vem sendo amplamente anunciado pela

prefeitura será publicado, com toda a fundamentação para a decisão.
Então esse colunista, tem a ousadia de sugerir aos donos de academia da cidade que

 não escutem o vereador, cumpram a lei e contribuam com o esforço para parar o vírus,

 que já matou mais de 140 pessoas em nossa cidade, número que vem crescendo rapidamente.

Em tempo: fizemos contato com o vereador Marconi Daniel através do zap na noite de ontem.

 O vereador gentilmente nos atendeu e disse o seguinte: “Falei com um professor de Educação

 física,
Não falei com dono de academia”
Perguntado se deu a orientação para abrir academias, respondeu assim “Irei explicar na

 sessão da câmara sobre esse áudio que não procede, não dei orientação até porque

 não tem nada oficial por minha pessoa nem nota, muito menos qualquer declaração.”

Perguntamos então: Podemos dizer que o senhor nega ter dado essa orientação e que não

 apoia esse procedimento?
Ao que respondeu o vereador: “Amanhã irei pronunciar na câmara de forma institucional,

 daí te encaminho minha fala”

Ps: Espero que a Câmara Municipal tenha trocado a palavra embaraçadores por

 embasadores no texto da lei em questão.

*José Ivandro é aprendiz de jornalista e colunista de politica do Tribuna Mulungu

** O texto acima não representa necessariamente a opinião do Portal Tribuna Mulungu

domingo, maio 30, 2021

Bolsonaro e Pazuello estão testando até onde vai a fidelidade dos comandantes militares


Charge do Quino (Arquivo Google)

Malu Gaspar
O Globo

O artigo 45 do estatuto militar é claro: “São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político.” E o que fez Pazuello no último domingo?

Foi ao Rio de Janeiro, embrenhou-se na multidão até chegar ao palanque de Jair Bolsonaro e subiu. Uma vez em cima do palco, tirou a máscara, colou-se ao presidente da Republica, que o apresentou como um “gordo do bem”, “ministro que conduziu com muita responsabilidade os últimos meses aí”, e lhe passou o microfone.

“FALA, GALERA!” – Entre risos, aplausos para o povo e sinais de positivo, Pazuello bradou em tom de animador de auditório. “Fala galera! Eu não ia perder esse passeio de moto de jeito nenhum. Tamo junto! Parabéns a vocês, parabéns a galera que tá aí prestigiando o PR (Presidente da República)! PR é gente de bem! Abraço galera!” A cena é fácil de achar em vídeos no Youtube.

Ainda assim, ao longo desta quinta-feira, brotou no bolsonarismo e foi sustentada pelo “PR” a tese de que o tal ato não era político. Pazuello inclusive sustentou nesse argumento sua defesa no procedimento disciplinar do Exército.

Não vale nem a pena gastar caracteres debatendo tamanha asneira. Mas, ainda que fosse verdade, não bastaria para resolver o problema de Pazuello com os comandantes militares.

INSUBORDINAÇÃO – Basta confrontar a regra para saber que o ato de insubordinação foi inequívoco.  Tanto o capitão Bolsonaro como o general de intendência Pazuello sabem disso. E não apenas sabem como ignoraram deliberadamente os códigos da caserna, para depois debochar deles como quem tem a certeza de que não haverá maiores consequências.

Afinal, o presidente da República é o comandante-em-chefe de todas as forças. Quem ousaria desautorizá-lo? Além disso, não seria a primeira vez que Bolsonaro testa o brio do generalato. E, entre crises e tensionamentos, ainda acumula um saldo positivo.

A aposta, porém, é arriscada. Os generais de quatro estrelas do Alto Comando do Exército estão indóceis desde que o episódio aconteceu, engolindo em seco os desaforos em série. Entre eles (e para interlocutores capazes de passar essa mensagem ao público), dizem que não há nenhuma chance de Pazuello não ser punido. “Bolsonaro quer semear a anarquia”, comentam, indignados.

HAVERÁ PUNIÇÃO – Deixar Pazuello sair dessa incólume significaria abrir o precedente para que militares de todo o Brasil vão às ruas ou subam em palanques nas próximas eleições, e depois saquem da manga uma desculpa furada que que estavam só num passeio de moto, numa feira livre ou num forró – mas não, imagine, nunca em um ato político.

Significaria, ainda, a humilhação pública do comandante da força e a desmoralização generalizada da noção de hierarquia, valor central do Exército.

Não é segredo para ninguém que isso é o que Bolsonaro sempre quis, desde os tempos de capitão. A questão agora é saber o tamanho da punição que os comandantes estão dispostos a aplicar. Será uma boa medida da humilhação que eles ainda são capazes de aguentar.

Renan diz que CPI tem provas de reuniões diárias de Bolsonaro com ‘gabinete paralelo’

Publicado em 30 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Renan insiste em “calcular” quantos teriam sobrevivido

Por G1

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid-19, disse neste domingo (30), em entrevista à GloboNews, que a comissão parlamentar de inquérito tem provas de que integrantes de um ‘gabinete paralelo’ da saúde se reuniam todos os dias com o presidente da República, Jair Bolsonaro. Esse “gabinete” teria indicado as diretrizes para o enfrentamento da pandemia, entre as quais a adoção do chamado tratamento precoce – comprovadamente ineficaz – da Covid.

Renan não deu detalhes, durante a entrevista, sobre estas provas, mas afirmou que a comissão de investigação já tem o números de reuniões feitas por este comitê informal com o presidente da República.

PEÇA-CHAVE – “Acho que já temos muita coisa comprovada com relação à existência do ‘gabinete paralelo’. Já temos até o número de reuniões que eles tiveram. Estamos com vários integrantes dessa consultoria paralela, especialíssima, porque despachava todos os dias com o presidente da República”, disse Renan.

O senador defendeu durante a entrevista a convocação do médico e deputado Osmar Terra (MDB-RS), considerado por membros da CPI da Covid como “peça-chave” deste gabinete.

Terra é contrário a medidas de isolamento como forma de conter a expansão da doença. Ele foi uma das primeiras autoridades a lançar a tese da chamada “imunidade de rebanho”, ou seja, a contaminação generalizada como forma de se alcançar a imunização coletiva.

ALTER EGO DO GOVERNO – “Ele é deputado, exerce mandato pelo MDB, o meu partido, mas eu sou uma das pessoas que defendem sua convocação, porque ele funcionou o tempo todo como uma espécie de alter ego do governo e como alguém que iria ocupar o ministério da Saúde exatamente para fazer tudo aquilo que o presidente da República imaginava fazer”, afirmou o senador.

“Ele, mais do que qualquer um, como integrante desse governo paralelo, ele precisa depor à CPI sim. Acho muito importante o depoimento dele”, acrescentou Renan.

O G1/TV Globo entrou em contato com o governo. O Palácio do Planalto respondeu que, “enquanto Instituição, não comenta as manifestações de integrantes de outros Poderes”. Terra foi questionado, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.

MANIFESTAÇÕES – O senador defendeu as manifestações realizadas neste final de semana contra o governo, apesar das aglomerações provocadas.

“As pessoas fizeram essas manifestações no Brasil todo, sobretudo pelo clamor, pela indignação, pela maneira como contrariam essa pulsão do Presidente da República de morte. As pessoas não aguentam mais”, afirmou.

Segundo Renan, os manifestantes estavam de máscara e guardaram distância recomendável uns dos outros, diferentemente dos apoiadores de Bolsonaro. “Acho que ela [a manifestação] não foi feita para aglomerar, ela tem outro significado, é uma passeata a favor da vida, contra a morte, diferentemente do que aquelas que são levadas pelo presidente da República e seus adeptos”, comparou o senador.

NÚMERO DE MORTOS – Durante a entrevista, o relator também mencionou que a CPI vai receber um estudo que pretende quantificar o número de mortes que poderiam ter sido evitadas caso o governo tivesse tomado medidas para combater o vírus e inIciasse a vacinação da população mais cedo.

“A CPI encomendou um estudo ao Movimento Alerta, que é um movimento composto por entidades respeitadas na vida nacional, que irão, provavelmente, no dia 24 à CPI, apresentar esse estudo, um estudo criteriosos, quantificando quantas mortes poderiam ter sido evitadas, quantas vida poderiam ter sido salvas”, declarou Renan.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sinceramente, o relator está cometendo um erro desnecessário. Sabe-se que testes prematuros e vacinação em massa teriam reduzido enormemente o número de mortos. No entanto, não há a menor condição de se calcular esse número. (C.N.)

Supremo vai decidir que governadores não podem ser convocados por CPIs no Congresso


Barroso poderá até impor uma multa a Bolsonaro

Jorge Béja

Governadores e prefeitos não estão sujeito à CPI da Covid, nem a qualquer outra, seja na Câmara dos Deputados, seja no Senado Federal, ou mesmo CPI mista das duas casas, não porque o Regimento Interno de uma ou de ambas Casas Legislativas não permite.

Governadores e prefeitos não estão sujeitos porque o artigo 50 da Constituição Federal estabelece os limites de atuação das comissões que venham ser constituídos. E nele, no artigo 50, não estão incluídos autoridades estaduais e/ou municipais.

DIZ A LEI – Confira o artigo 50 – “A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República, para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando em crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada“.

Se vê que os Constituintes impuseram limites aos personagens públicos que podem ser convocados por CPI da Câmara e/ou do Senado. E no artigo 50 da CF não se lê prefeitos e governadores. E onde o constituinte não fez inserir, não cabe ao intérprete alterar.

Assim, os pleitos dos governadores dirigidos ao Supremo Tribunal Federal, para lhes garantir a imunidade à circunscrição desta CPI (ou de qualquer outra), serão deferidos pelo STF.

PAGAR INDENIZAÇÃO – De igual forma, o ministro Luis Roberto Barroso, sorteado para ser o relator da ação de Bolsonaro para impor diretrizes contra a Covid nos Estados e Municípios, deve indeferir de plano a ação de Bolsonaro, que pode até ser condenado, de plano (desde logo) a pagar indenização por litigar com falta de boa-fé.

Ao improbo litigador, ou seja, àquele que litiga por propósito de emulação, a lei processual civil determina o apenamento pecuniário por ter proposto a demanda. É uma ação sem fundamentação constitucional. Aliás, fundamentação inconstitucional, visto que o pleito implica numa espécie de intervenção federal, caso fosse aceito pelo STF.

Pazuello foi investigado por obrigar soldado negro a puxar uma carroça de cavalo


Imagem

Pazuello humilhou um soldado negro de 19 anos

Marcelo Godoy
Estadão

Eduardo Pazuello comandava havia quatro meses o quartel do Depósito Central de Munições do Exército, em Paracambi, a 70 km do Rio, quando viu dois soldados passarem em uma carroça. Julgou que estavam velozes demais, que maltratavam o equino, e quis lhes dar uma lição. Mandou parar, desatrelar o animal, e determinou que o recruta Carlos Vítor de Souza Chagas, um jovem negro e evangélico de 19 anos, substituísse o cavalo.

O soldado teve de puxar a carroça com o outro soldado em cima, enquanto o quartel assistia à cena, às gargalhadas. Depois de 16 anos, o antigo soldado ainda se lembra de tudo naquele 11 de janeiro de 2005.

O RELATO – Chagas fora escolhido por um tenente para ajudar um colega a carregar uma banheira na carroça. “Ele não tinha como pegar sozinho.” Foi quando Pazuello apareceu. “Eu não estava pilotando o cavalo, estava na carroça. Quem estava era o outro garoto.” Mas foi ele o escolhido para o castigo pelo então tenente-coronel.

Ao ser questionado por que Pazuello tomou essa decisão, o ex-soldado disse acreditar em racismo. “Pelo meu tio eu botava para frente (na Justiça), mas eu dei mais ouvido ao meu pai, que é evangélico, por medo de represália. Isso aí agora está nas mãos de Deus, Ele é o Senhor de todas as coisas.”

A história do dia em que Pazuello mandou um jovem puxar carroça no quartel faz parte da carreira militar do homem que está no centro de uma das tantas crises do governo de Jair Bolsonaro: a presença do general de divisão da ativa no palanque montado pelo presidente na República para um ato no domingo, dia 23, no Aterro do Flamengo, no Rio, em apoio ao homem que busca a reeleição em 2022.

NO COLÉGIO MILITAR – Filho de um comerciante de família sefardita estabelecida na Amazônia com uma gaúcha da fronteira, Pazuello considera ter entrado para a vida militar quando tinha 10 anos. Foi quando seu pai o matriculou no Colégio Militar de Manaus.

A empresa de navegação da família foi a inspiração para que o cadete da Academia Militar da Agulhas Negras escolhesse o Serviço de Intendência do Exército para seguir a carreira. O futuro ministro se formaria na turma de 1984 e logo pegou um atalho, que teria um grande impacto em sua carreira.

O jovem oficial decidiu parar na Brigada Paraquedista e fez o curso de operações especiais, tornando-se ele mesmo um Força Especial (FE), o que garantiu um lugar em uma das mais exclusivas igrejas do Exército.

“FORÇA ESPECIAL” – Foi entre os FEs, a turma da “faca na caveira”, que Pazuello encontraria companheiros que o seguiram até o Ministério da Saúde. São homens como os coronéis Élcio Franco, que se tornaria o secretário executivo da pasta e carregava o broche de FE no terno, e George Divério, o superintendente da Saúde no Rio nomeado por Pazuello e defenestrado após tentar contratar sem licitação empresas para reformar prédios.

Foi ainda na Brigada e entre os FEs que Pazuello conheceu o atual ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, outro Força Especial.

Na Brigada, o general conheceu ainda o futuro presidente da República, o capitão Jair Bolsonaro, o homem que 35 anos depois fez dele ministro na maior crise sanitária do século e o demitiu quando o número de mortos atingiu 279 mil, para depois chamá-lo de “nosso gordinho” no palanque no Rio.

“DURÃO” INVESTIGADO – Ganhou fama de duro entre os subordinados quando estava na 1ª Região Militar. E, no Depósito de Munições, se viu às voltas com uma investigação sobre o desvio de munição excedente do local para ser vendida como sucata. Foi na mesma época em que o futuro ministro conheceu o recruta Chagas.

Na época, a 1ª Região Militar resolveu pela abertura do Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta do oficial. O Estadão encontrou o recruta ainda com medo. Não queria falar por telefone, mas tinha consciência de que a situação que colocava Pazuello em evidência também o levaria a ser procurado por jornalistas.

“É sobre o general Pazuello?”, questionou Chagas ao atender ao telefonema. Ele tinha receio de contar pelo telefone o que lhe acontecera no quartel há tanto tempo.

OMBRO MACHUCADO – Naquele dia, ele estava na carroça com o também soldado Celso Tiago da Silva Gonçalves. No Inquérito Policial Militar do caso, o soldado disse que estava com o ombro machucado e por isso “não poderia cumprir a ordem de puxar a carroça”. “Foi prontamente atendido pelo tenente-coronel”, conforme registrou a procuradora-geral militar Maria Ester Henrique Tavares, que decidiu arquivar o caso.

O episódio seria um ponto fora da curva na carreira do oficial? O Estadão procurou sua defesa e antigos colegas. Poucos se dispuseram a falar – seu advogado, Zoser Hardman, não respondeu à reportagem. Dois oficiais – um colega de turma e outro que foi seu colega na Brigada – demonstraram restrições à narrativa do “especialista em logística” que levou o oficial à Saúde.

Disseram que ele tinha uma fama imerecida, que, se não fosse a “Igreja FE”, não teria recebido o comando da 12ª Região Militar (Manaus), cargo normalmente reservado aos integrantes das Armas, como infantes e artilheiros, e não a intendentes, como Pazuello.

SUA CARREIRA – As alegadas humilhações ao soldado não impediram Pazuello de seguir sua carreira. Após o depósito, ele comandou o 20º Batalhão Logístico da Brigada Paraquedista. E seria mandado à Amazônia para coordenar a Operação Acolhida dos imigrantes venezuelanos.

No governo de Jair Bolsonaro viraria ministro da Saúde. A exposição pública poderia lhe garantir a candidatura a um governo estadual ou ao Senado.

É que ninguém mais se lembrava do argumento usado pelo tenente-coronel para se livrar do IPM da carroça. Além de dizer que ele tratava os subordinados com “seriedade e dignidade”, a defesa usou depoimentos de outros militares para atestar que Pazuello não quisera impor maus-tratos ao recruta. “Há aspectos pessoais da vida de Pazuello que demonstram sua familiaridade e, sobretudo, amor aos equinos.”

SÓ “ORIENTAÇÃO” – Tudo se resolveu assim. Pazuello não quis humilhar o soldado; só orientá-lo “para a preservação da boa saúde dos cavalos de tração utilizados na OM (organização militar)”. Quinze anos depois, promovido a general de divisão, Pazuello se viu de novo diante dos limites da disciplina. O afeto e a obediência a Bolsonaro – “É simples assim: um manda e o outro obedece, mas a gente tem um carinho” – o transformaram em alvo da CPI da Covid.

Um mês antes de comparecer ao comício de Jair Bolsonaro no Aterro do Flamengo, no Rio, o general de divisão Eduardo Pazuello participou de evento político do governo, em Manaus, que foi encerrado pelo presidente com seu slogan da campanha eleitoral de 2018: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

DESAGRAVO A PAZUELLO – Tratava-se da inauguração do Centro de Convenções do Amazonas, que se transformou em ato de desagravo a Pazuello e à política do governo na pandemia nas vésperas da abertura da CPI da Covid, no Senado.

O ministro do Turismo, Gilson Machado, abriu a cerimônia. Saudou os colegas ministros presentes, como general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), deputados federais e os comandantes militares. Em seguida, disse: “Eu quero fazer uma saudação especial. Cadê o general Pazuello? Cadê ele? Venha cá”. A claque bolsonarista interrompeu Machado aos gritos: “Pazuello! Pazuello!”

O ex-ministro da Saúde havia voltado ao Exército e estava à disposição do Comando Militar da Amazônia – naquele dia seria transferido para a Diretoria-Geral de Pessoal, em Brasília. Já havia, portanto, sido revertido à ativa e, como militar da ativa, não poderia participar de atos político-partidários. Trajando roupas civis, Pazuello foi abraçado por Bolsonaro, que acenava ao público como uma celebridade.

HOMENAGEADO – Machado continuou: “Fui testemunha da luta desse homem pela erradicação da doença em nosso país”. Pazuello agradeceu. “Obrigado.” E voltou para seu lugar no palanque. Machado prosseguiu com a defesa da ação do governo na pandemia. Depois, Bolsonaro agradeceu o trabalho de Pazuello no ministério. O evento durou pouco mais de 50 minutos e foi encerrado por Bolsonaro com o slogan da campanha de 2018.

Para o ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), tenente-brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, a presença de Pazuello no Aterro do Flamengo não foi a única vez que o militar comparecera a evento político. “Essa não foi a primeira vez.”

O caso está nas mãos do Comando de Exército, que decidirá se pune o general por infringir o Regulamento Disciplinar do Exército. O comportamento de Pazuello, como sua presença no evento em Manaus, será levado em consideração.


Imprensa internacional divulga os protestos contra Bolsonaro, realizados neste sábado

Publicado em 30 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Manifestação contra Bolsonaro no Rio de Janeiro

BBC mostrou o enorme protesto no centro do Rio

Deu no Correio Braziliense

Os protestos promovidos neste sábado, 29, em diversas cidades do Brasil em oposição ao governo federal têm repercutido na mídia internacional. “Dezenas de milhares de brasileiros marcharam para exigir o impeachament de Bolsonaro”, destaca a manchete do site do jornal britânico The Guardian, por exemplo.

No texto, o veículo informa que as manifestações aconteceram em mais de 200 cidades do País e são motivadas pela forma como o governo tem administrado a pandemia de covid-19. A matéria classifica como “desastrosa” a resposta de Jair Bolsonaro à crise sanitária que acarretou na morte de mais de 450 mil brasileiros até o momento.

PIOR MOMENTO – “As manifestações de sábado, promovidas nas principais cidades do País, ocorrem no pior momento para Bolsonaro desde que assumiu o cargo em janeiro de 2019. As pesquisas sugerem uma raiva crescente com a forma como o populista de direita tem administrado a pandemia, com 57% da população apoiando seu impeachment”, afirma a publicação.

Na mesma linha, o argentino La Nación, também noticia os protestos. Segundo o jornal, várias entidades de esquerda e movimentos estudantis, responsáveis pela mobilização, marcharam gritando palavras de ordem como “Fora Bolsonaro, “Bolsonaro genocida”, “Vacina já” e “Fora Bolsovírus”.

O texto do veículo do país vizinho ressalta que desde o início da pandemia, que chegou a ser chamada de “gripezinha” por Bolsonaro, o mandatário tem criticado medidas de isolamento, promovido uso de medicamentos sem eficiência comprovada.

REUTERS E ALL JAZEERA – A agência de notícias Reuters foi mais um veículo a abordar as manifestações deste sábado. O texto destaca que os movimentos ocorrem majoritariamente de forma pacífica. No entanto, no Recife, a polícia interveio por meio do uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

“A maioria dos manifestantes usava máscaras e tentava respeitar os protocolos de distanciamento, mas nem sempre com sucesso, enquanto pediam por uma vacinação mais rápida em todo o País”, publicou a Reuters. Além disso, relatou que em alguns protestos, como o do Rio de Janeiro, foram vistas imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vestindo a faixa presidencial.

Ainda em relação à mobilização na capital fluminense, a agência Al Jazeera informou, por meio de uma correspondente, que muitos manifestantes compareceram, apesar das preocupações anteriores sobre a realização de grandes protestos públicos durante a pandemia. “O presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, está enfrentando uma investigação do Senado sobre a forma como seu governo está lidando com a pandemia”, diz a publicação.

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