terça-feira, maio 18, 2021

Falta de vacinas e ausência de estratégia acentuam a desorientação do governo federal

Publicado em 18 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nando Motta (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

O governo Bolsonaro, na área crítica da Saúde e da pandemia, esqueceu que a vacinação exige dose dupla do imunizante, o que faz com que as encomendas tivessem que incluir no cálculo o dobro de cada unidade, uma vez que tanto a Coronavac, quanto a Pfizer e a AstraZeneca exigem dose dupla da vacina, sem a qual a imunização não está completa. Portanto, não resolve o desafio da pandemia.

Este ponto é fundamental, sobretudo para acentuar o erro do governo, rejeitando a primeira oferta de vacinas feitas pela Pfizer e hostilizando a Coronavac chinesa e a própria China, o que está causando um atraso muito grande para a aplicação da segunda dose.

SUCESSÃO DE ERROS – Reportagem de Leandro Prazeres, O Globo desta segunda-feira, revela mais um capítulo na sucessão de erros que marcaram a administração do general Eduardo Pazuello, cuja equipe encomendou um manual para tratamento precoce contra a Covid-19, e cujo conteúdo colide com pareceres científicos. Acrescenta a matéria que foi objeto de análise o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. Mas a encomenda custou recursos financeiros.

Sobre a questão da aquisição de vacinas, causou surpresa a entrevista do ministro Gilmar Mendes, do STF, a Bela Megale, Aguirre Talento e Thiago Bronzatto, O Globo de domingo, na qual informou ter sido procurado pelo menos duas vezes por Fabio Wajngarten , ex-chefe da Secom, para falar sobre compra e  entrega de vacinas contra a pandemia.

Francamente não vejo qualquer lógica  na iniciativa de Wajngarten ao procurar o ministro do Supremo Tribunal Federal. Antes do ex-chefe da Secom, também estiveram no gabinete de Gilmar Mendes o então ministro Eduardo Pazuello e o ex-ministro José Levi, que estava à frente da Advocacia Geral da União.

EXIGÊNCIAS – Pazuello tinha falado, destaca Gilmar Mendes, que havia no contrato proposto pela Pfizer exigências de arbitragem e exigência de que não fossem responsabilizados no Brasil na hipótese de reações contrárias. Fabio Wajngarten queixou-se da burocracia e, em uma das vezes que procurou Gilmar Mendes, passou a defender também a vacina russa Sputnik V.

Gilmar Mendes, no início da entrevista, disse que a gestão da Saúde no caso da pandemia foi péssima para o Brasil. Deixou claro que o general Pazuello não tinha conhecimento suficiente para levar a plano concreto o programa da vacinação.

A entrevista foi publicada com grande destaque e deixou claro que Pazuello estava com problema relativo à legalidade de contrato da Pfizer. Em uma conversa informal, o ministro do STF afirmou que vários países estavam fechando contrato com a farmacêutica e que não via grandes obstáculos para a negociação.

DESORIENTAÇÃO – Para mim, parece mais um episódio que acentua a desorientação do governo Jair Bolsonaro. A falta de vacinas comprova o que digo e destaca a ausência de uma estratégia a respeito dos acordos de cooperação e fornecimento.

A estratégia do Planalto falhou, pois não previu o que era simples: se você vai vacinar 100 milhões de brasileiros, pelo menos necessita de 200 milhões de doses. O cálculo é simples. Quanto maior o número de pessoas vacinadas, melhor. Não há problema algum, mas o governo não levou em consideração.

CPI DA PANDEMIA –  Hoje, terça-feira, prosseguem os trabalhos da CPI da Pandemia, ouvindo o ex-chanceler Ernesto Araújo, cujo comportamento preocupa o Palácio do Planalto, sobretudo pela falta de rumo lógico que demonstrou não possuir quando ocupou o Ministério das Relações Exteriores. Foi um desastre.

Ernesto Araújo foi o primeiro a sustentar que a China havia criado o coronavírus em laboratório como uma das bases de sua política de estender sua influência em todo o mundo. O que Araújo foi capaz de formular, infelizmente, para o Brasil e para os brasileiros, foi também observado pelo presidente Jair Bolsonaro. Mais de uma vez. Agora o país espera remessa de insumos para que o Butantan possa processar as vacinas. Como se vê, o governo Bolsonaro não consegue acertar.

Chega a surpreender a sua vocação para o que foge à lógica e aos limites naturais da compreensão humana. O Brasil paga um preço muito alto em decorrência de tal ausência praticamente absoluta de normas de governo.

MEIO AMBIENTE –  O Globo de ontem publicou uma reportagem de página inteira de Renato Ranielli focalizando o desmatamento, as queimadas de florestas verdes e, acima de tudo, o registro irregular de posse de terras em áreas protegidas pela lei.

Uma tabela comparativa acompanha o tema, deixando claro que a Amazônia sofre fortemente as consequências de ter Ricardo Salles à frente da pasta e que se choca com a preocupação internacional com a questão, uma vez que não sendo levada a sério contribui para o aquecimento global do planeta.

NA CONTRAMÃO – O governo Bolsonaro, ao manter Salles, está assumindo uma posição absolutamente oposta defendida pelos ambientalistas e pelos técnicos no assunto. Há duas semanas circula na imprensa a notícia, inclusive observada no Fantástico de domingo, da TV Globo, sobre a presença de garimpo ilegal em rios do Pará.

Os garimpeiros estão infringindo a lei sob os olhos do ministério que deveria ser do Meio Ambiente, comprovando mais um desastre da atual administração do país com reflexos tanto na imagem interna, quanto na imagem externa do Brasil para si mesmo e do Brasil para constelação de nações fortemente interessadas no problema e no futuro. Mas o presidente Bolsonaro não se preocupa nem com o futuro e nem com o presente.

Rui Costa, Luiz de Deus e prefeitos de mais 09 municípios se reúnem para discutir agravamento da Pandemia na 10ª Região

.Paulo Afonso, 18 de maio de 2021

ASCOM-PMPA

O prefeito Luiz de Deus e o Secretário de Saúde, Adonel Júnior, participaram de uma reunião virtual com o governador Rui Costa, o secretário de Estado da Saúde, Fábio Vilas Boas, e os prefeitos que fazem parte da 10ª Região de Saúde, na tarde desta segunda-feira (17). Na pauta, o número de casos positivos nos municípios e a ocupação dos leitos em Paulo Afonso, que recebe os pacientes das nove cidades que compõem a 10ª região.

A reunião tem como objetivo monitorar Paulo Afonso, que tem a ocupação de leitos quase em 100% nos últimos 15 dias e a partir daí estudar a possibilidade de algumas medidas para reduzir a proliferação. A equipe também observa o número de casos nas nove cidades, que tem sido crescente.

“Governador, nos ajude a conscientizar a população para que evite aglomeração e faça a sua parte. Estamos passando por um momento muito delicado e a população precisa compreender que esse vírus mata”, ressaltou o prefeito Luiz de Deus.

“O Estado se mostra preocupado com o número de casos na região e em Paulo Afonso, que recebe esses pacientes. O objetivo da reunião é trocar ideias e apresentar a realidade vivenciada pelos municípios para, a partir daí, o governo fazer uma avaliação para que sejam tomadas algumas medidas”, explica Adonel.
Foram colocadas ainda questões relacionadas aos insumos para atendimento aos pacientes com covid e vacinação, com relação ao envio de doses. Participaram da videoconferência prefeitos e representantes das cidades de Abaré, Macururé, Chorrochó, Glória, Jeremoabo, Pedro Alexandre, Rodelas e Santa Brígida.

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Nota da redação deste Blog - Depois que já morreu muita gente no município de Jeremoabo foi que o prefeito acordou para entender que o COVID-19 mata; muito embora tenha parabenizado os familiares dos mortos.

Devido a incompetência agora tem que correr contra o tempo e atrás do prejuizo.

A Gestão em Saúde, assim como a administração, é baseada nos princípios de planejamento, organização, direção e controle. Porém, para gerenciar uma instituição de saúde é necessário agregar um pouco mais de conhecimentos e habilidades no perfil profissional, infelizmente em Jeremoabo pensam que gerir a saúde é deixar dinheiro mofando no banco esperado terminar a pandemia, coisa que só Deus sabe.

De forma sucinta, a Gestão em Saúde significa administrar os recursos humanos, financeiros, sanitários e logísticos de estabelecimentos de saúde públicos ou privados, bem como gerenciar processos e analisar todas as necessidades e demandas de serviços para garantir a segurança, saúde e prestação de um serviço com qualidade para os pacientes.

Considerando que é uma área com algumas especificidades para ser gerida de forma eficaz e que tem no seu dia a dia a constância de problemas, a área da saúde requer tomadas de decisões muito rápidas. Desta forma exige a identificação sistemática de problemas e a proposta rápida de soluções. E essa função é o principal papel do Gestor de Saúde

9 dicas para ser um bom Gestor de Saúde

Para ser um bom Gestor de Saúde e ter sucesso nessa área, o profissional precisa ter as seguintes características:

1. Perfil Analítico: o Gestor de Saúde deve ser um profissional com o perfil analítico para saber lidar com informações, coletar e analisar dados qualitativos e quantitativos para tomar decisões assertivas, no momento certo, sempre utilizando as informações mais precisas possíveis. E também ser apto para identificar problemas e propor soluções bem-sucedidas.

2. Perfil técnico: outra característica muito importante é conhecer a área da saúde. Acompanhar o mercado e saber das especificidades do segmento em âmbito técnico, demográfico e epidemiológico. Além disso, é de suma importância que o profissional entenda de gestão, finanças, administração científica e tenha uma formação ou especialização na área de gestão em saúde. Para se especializar nessa área e ser um Gestor de Saúde capacitado para lidar com os desafios desse mercado, conheça o MBA Auditoria em Sistemas de Saúde.

3. Flexibilidade: Para lidar com pessoas, principalmente quando se trata de saúde, é essencial ter flexibilidade. O profissional precisa estar pronto para resolver qualquer problema e saber se relacionar bem com os funcionários e pacientes. É importante ainda manter o foco nas metas que devem ser cumpridas, mas sempre consciente de que o processo pode passar por alterações.

4. Proatividade: o profissional proativo consegue enxergar e pensar disruptivamente para se antecipar e dar a resposta mais rápida na solução de problemas. Ser um Gestor de Saúde requer proatividade diária.

5. Liderança: O gestor precisa ser um dos principais apoios dos funcionários e, sempre que necessário, deve auxiliá-los na resolução dos problemas que surgem com frequência em uma unidade de saúde. O líder também deve ter uma boa visão do que está acontecendo no local de trabalho, avaliar a demanda e o atendimento para gerar mais conforto e segurança aos pacientes. Além de exercer o papel de líder, o Gestor de Saúde deve saber escutar os que estão a sua volta para otimizar a execução do trabalho.

6. Organização: Além de saber cuidar da sua equipe, o bom líder também precisa estar atento aos demais departamentos que fazem parte do bom desempenho de uma clínica ou hospital, como os serviços de limpeza, transporte e fornecedores. A boa gestão de todo esse grupo permite que cada um realize a sua função de uma maneira mais qualificada e segura, além de organizar o processo de trabalho e muitas outras tarefas.

7. Empatia: é extremante importante que o líder saiba interagir em harmonia com todos os seus colaboradores. Isso promove a integração no trabalho e alimenta o espírito de equipe, facilitando a resolução de problemas que surgem a todo momento numa unidade de saúde. O gestor deve mostrar que está acessível e é aberto para escutar críticas e sugestões de sua equipe e saber trabalhar em grupo é uma característica que deve ser bem acentuada em seu perfil.

8. Inovação: a tecnologia está muito presente na rotina das pessoas, e na saúde não seria diferente. Com tantas pessoas para gerir, é importante ter programas para acompanhar os dados e os atendimentos de cada um, o que também facilita na hora de tomar decisões, reduzir custos de operação e melhorar a qualidade do serviço oferecido aos pacientes.

9. Inteligência emocional: desenvolver a inteligência emocional é tão importante quanto a capacidade técnica necessária para ser um bom Gestor de Saúde. É fundamental saber liderar com a razão e com a emoção, até porque, na sua jornada você lida diretamente com pessoas, e o resultado do trabalho da equipe impacta de forma muito significativa nos objetivos e metas que você precisa alcançar. Por isso, como gestor, você deve se preocupar com a sua equipe, trabalhar a positividade no grupo, gerenciar suas próprias emoções e sentir as necessidades emocionais dos que estão em volta. Procure sempre manter a calma para resolver problemas e tenha relacionamentos saudáveis com o seu grupo de trabalho.

Reforço aqui três aspectos que farão diferença em sua carreira:

Conhecimento: você deve buscar na administração científica;

Habilidades: aproveite para desenvolvê-las na prática da sua gestão;

Atitudes: desenvolva a cada dia a capacidade para identificar problemas, agir nesses problemas de forma proativa, propor e executar soluções assertivas e liderar equipes de forma a trazer os melhores resultados para o negócio;

Se você tiver essas características reunidas e colocá-las em prática na sua atuação, provavelmente será um bom Gestor de Saúde.

Quer aprender mais sobre Gestão na área da saúde?  Recomendo a leitura do artigo: Gestão nas unidades de saúde – saiba como se destacar nesse setor.

Atualizado em 05/07/2018.

https://blog.ipog.edu.br





 

segunda-feira, maio 17, 2021

PAUTA PARA A 44ª SESSÃO ORDINÁRIA POR MEIO ELETRÔNICO -ÀS 10:00H

 Relator - Cons. FERNANDO VITA


Processo nº 15155e20 - Recurso Ordinário referente à Denúncia nº 19708e19, relativa à Prefeitura Municipal de JEREMOABO. Interessado: Sr. Derisvaldo José dos Santos. Procuradores: Sr. Allan Oliveira Lima - OAB/BA nº 30276, Sr. Ramon William Mendes Brandão - OAB/BA nº 42056 e Sra. Jacqueline Carneiro Simões Guimarães – OAB/BA nº 59439.


Nota da redação deste Blog - Esse julgamento trata-se de um suposto crime de responsabilidade e improbidade administrativa onde no primeiro julgamento realizado no dia 17/09/2020 o prefeito de Jeremoabo foi condenado a pagar e multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais).

Promover representação ao Ministério Público Estadual, diante dos fortes indícios da prática de ato de improbidade administrativa de que trata o art. 11 da Lei Federal nº 8.429/92, devido a realização de publicidade em distonia com o regramento previsto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, violando, por via de consequência, os princípios da impessoalidade e da moralidade, diante da evidência de que as publicações realizadas tiveram por objetivo atender, também, a interesse pessoal do denunciado.

Para que os senhores entendem melhor, o prefeito de Jeremoabo usou dinheiro público, dinheiro do povo para se autopromover, fazer propaganda pessoal as custas do dinheiro do povo, portanto foi denunciado por suposto crime de responsabilidade e improbidade administrativa, onde se for condenado na Justiça poderá ter os direitos políticos suspensos por 08(oito) anos.

A denúncia foi considerada procedente no TCM-BA, e agora está recorrendo perante esse mesmo TCM.


Bolsonaro critica isolamento mais uma vez e diz ser “imorrível, imbrochável e incomível”


SOU IMORRÍVEL, IMBROCHÁVEL E TAMBÉM SOU INCOMÍVEL', DIZ BOLSONARO -  Questione-se

Bolsonaro realmente não tem a menor dignidade

Daniel Carvalho
Folha

Em conversa com apoiadores na manhã desta segunda-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro chamou de “idiotas” as pessoas que ficam em casa ao obedecer medidas restritivas para evitar a disseminação do coronavírus.

Bolsonaro também enalteceu o agronegócio, que o homenageou em um ato na Esplanada dos Ministérios no sábado (15). Ele disse que o homem do campo não parou durante a pandemia e, assim, garantiu alimentos para quem deixou de sair às ruas.

MORRENDO DE FOME – “O agro realmente não parou. Tem uns idiotas aí, o ‘fique em casa’. Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa. Se o campo tivesse ficado em casa, esse cara tinha morrido de fome, esse idiota tinha morrido de fome. Daí, ficam reclamando de tudo”, disse Bolsonaro.

O isolamento é considerada a medida mais efetiva para frear o avanço da Covid-19, uma vez que o coronavírus é transmitido quando se entra em contato com secreções de outras pessoas contaminadas, como espirros ou mesmo como partículas de saliva comuns quando outras pessoas falam.

Junto do isolamento, outra maneira eficiente de conter a doença é o uso de máscaras, que servem justamente como uma barreira para essas gotículas de saliva.

CERCADINHO DO ALVORADA – A fala desta segunda-feira ocorreu a apoiadores aglomerados em um cercadinho no jardim do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. A interação foi gravada e transmitida em vídeo editado por um canal bolsonarista.

O presidente da República também voltou nos últimos dias a colocar sob suspeita o sistema eleitoral brasileiro e a atribuir a Deus a exclusividade de poder tirá-lo do cargo. “Já falei que sou imorrível, já falei que sou imbrochável e também sou incomível”, disse aos apoiadores nesta segunda-feira.

Crítico de medidas restritivas, Bolsonaro se recusa a usar máscara, promove aglomerações e faz discurso em defesa de medicamentos que não têm comprovação científica contra a Covid, como a hidroxicloroquina.

NOTÍCIAS NEGATIVAS – A radicalização do discurso de Bolsonaro se tornou sinal de momentos em que se sente pressionado. Como a Folha mostrou neste domingo, a deterioração política agravada com a sucessão de notícias negativas da semana passada levou o presidente a escalar na agressividade retórica e escolher o senador Renan Calheiros (MDB), relator da CPI da Covid, como seu alvo prioritário.

O receituário de Bolsonaro quando se sente pressionado inclui ameaça de edição de decreto para enfrentar medidas restritivas de prefeitos e governadores, reiteradas menções ao que chama de “meu Exército” e outras insinuações que levantam dúvidas sobre a possibilidade de uma ruptura institucional.

Aliados, porém, dizem não passar de blefe, apenas um aceno para sua base popular mais radical. No Congresso, a estratégia de fazer cortina de fumaça para encobrir os reais problemas já se tornou conhecida.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O presidente da República não tem a menor educação nem o menor decoro, devia se proibido para menor de 60 anos. (C.N.)

Na CPI, ex-ministro do Exterior tem de explicar ataques à China nas negociações para comprar vacinas


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Charge do Duke (O Tempo)

Julia Lindner
O Globo

Em depoimento à CPI da Covid, nesta terça-feira, o ex-chanceler Ernesto Araújo deve ser questionado sobre a sua relação conflituosa com a China. O objetivo é verificar se as críticas de Ernesto ao país, principal parceiro comercial do Brasil, prejudicaram as tratativas para compra de vacinas e insumos contra o novo coronavírus.

O ex-ministro de Relações Exteriores também deve ter que falar sobre como a tese da imunidade de rebanho era tratada no governo e se existia um aconselhamento paralelo ao presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.

CASO DA CLOROQUINA – Além disso, parlamentares da oposição pretendem indagar Ernesto sobre o esforço feito no âmbito internacional para garantir a compra de medicamentos sem comprovação científica que seriam utilizados no tratamento precoce da Covid-19. O intuito, neste caso, é verificar se o Ministério de Relações Exteriores priorizou outras negociações em detrimento da aquisição de vacinas.

“Queremos saber das tratativas que foram feitas e também das que (eles) deixaram de fazer em relação às vacinas e também em relação à importação de insumos para o tratamento precoce… A relação com a China, de que forma isso impactou” — disse o relator Renan Calheiros (MDB-AL).

E acrescentou: “Tem também a questão da imunização de rebanho, porque ele acompanhou muitas conversas e, em tese, defendia isso. Por isso, a prioridade dada ao tratamento precoce e não à vacinação”.

COMPRA DE VACINAS – O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) considera que o principal foco será saber de que forma Ernesto atuou para ajudar o Brasil a comprar mais vacinas no exterior.

—- Ele tem que falar quais foram as intervenções do MRE para comprar vacina para o Brasil. O Brasil tem boa relação com todos esses países que produzem vacina. Ele deve ter se esforçado, né? — questionou, em tom irônico.

Para senadores da oposição e da ala independente, que compõem o grupo ‘G7’, uma possível omissão do Ministério de Relações Exteriores para a compra de vacinas representaria mais um indício de que o governo federal não se empenhou para adquirir os imunizantes no auge da crise sanitária.

FOCO NO CHANCELER – Os oposicionistas planejavam ouvir Ernesto desde antes da instalação da CPI. Na minuta do plano de trabalho do colegiado, constava como um dos focos a atuação do Brasil em âmbito internacional para verificar quais foram as ocasiões em que o ministério atuou para conseguir vacinas e insumos para o país e se “questões ideológicas provocaram o insucesso da empreitada”.

Apesar de críticas abertas e veladas ao governo chinês em sua gestão, Ernesto afirmou, após deixar a pasta, que construiu uma política “não de afastamento em relação à China, mas de objetividade e cautela”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não liguem para essa declaração de Ernesto Araújo sobre sua política em relação à China. Deve ser Piada do Ano. (C.N.)

 

Na CPI, o irritante acerto do Dr. Teich devia servir de exemplo aos demais depoimentos


Nelson Teich pede exoneração por discordâncias com Bolsonaro

Nelson Teixh apresentou uma coerência absoluta

Eurípedes Alcântara
O Globo

Os políticos exageram e mentem. Por pura sobrevivência. Para eles, a linguagem é uma moeda falsa, negociada tão naturalmente que esconde o abismo entre as palavras e o mundo real. Desde as primeiras publicações especializadas no século XVII, os cientistas, também por sobrevivência, estabeleceram com a linguagem uma relação bem mais fidedigna.

O depoimento dado à CPI da Covid pelo médico Nelson Teich foi um confronto fascinante entre essas duas maneiras tão contrastantes do uso da capacidade humana para a comunicação oral.

CONTRA A CLOROQUINA – O oncologista Teich foi ministro da Saúde do atual governo por apenas 29 dias, entre 17 de abril e 15 de maio de 2020. Pediu demissão, conforme explicou aos deputados e senadores que o inquiriram, por discordar do posicionamento intransigente do governo com relação à recomendação da cloroquina como remédio para tratar a Covid-19 em seus estágios iniciais.

Teich lembrou que, numa das reuniões de que participou, discutiu-se a cloroquina no governo com amparo de uma decisão favorável do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Teich disse que discordava da prescrição da hidroxicloroquina e da cloroquina para tratar a Covid-19 em qualquer estágio, mesmo antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmar, “em 5 de junho, que essas drogas não deveriam ser recomendadas”.

VACILAÇÃO DA OMS – A agência Lupa corrigiu o ex-ministro, lembrando que a OMS publicou uma recomendação contrária ao uso dessas drogas somente no dia 1º de março de 2021 — há menos de dois meses. Até recentemente, portanto, a OMS ficou em cima do muro a respeito da hidroxicloroquina e da cloroquina.

O Conselho Federal de Medicina insiste que não há consenso sobre o uso dessas drogas e se recusa a rever o aval dado a elas em abril do ano passado. CFM e OMS são hierarquias corporativas e não propriamente instituições científicas. Teich mostrou ter razões médicas para discordar dos pareceres oscilantes dessas duas burocracias.

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, tentou arrancar de Teich a afirmação de ser crime equivalente a dar “chumbinho”, veneno contra ratos, um médico ministrar cloroquina nebulizada, pois uma paciente havia morrido depois de submetida a essa terapia em seu estado.

USO ERRADO – Teich disse que não tinha os detalhes do caso nem conhecimento jurídico para afirmar se houve crime, mas adiantou que qualquer uso da cloroquina para tratar pacientes com Covid-19 era “errado” e demonstrava “incompetência do médico”.

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) buscou em vão sua concordância sobre serem provas inquestionáveis da eficiência da cloroquina uma série de planilhas exibidas no plenário com dados sobre doentes recuperados. Teich disse que, antes de dar sua opinião, precisava examinar as evidências e analisar a metodologia utilizada.

O ex-ministro irritou quem esperava saírem de sua boca manchetes condenatórias prontas de alta estridência contra o governo ou críticas demolidoras a quem condena a cloroquina.

SENADORES INSISTIRAM – Os parlamentares, como é do ofício, falaram com a ênfase de quem acha estar certo. O oncologista optou por afirmar somente aquilo que tinha certeza não estar errado. Nesse detalhe, reside a imensa diferença do uso da linguagem entre esses dois grupos de profissionais, os políticos e os cientistas.

Evitem me interpretar mal, concluindo que a ciência está sempre certa, e a política é uma atividade espúria por natureza. Longe disso. Minha análise se detém apenas na linguagem dessas duas atividades humanas vitais. A retórica política em seus momentos condoreiros tem a mesma força que os fatos. Infelizmente, esse dom eclode tanto para o bem quanto para o mal.

A linguagem científica é mais transparente. Como os mapas, suas palavras não refletem o mundo em todos os detalhes, mas foram colocadas no papel, ou se preferirem, nas telas, para orientar, demonstrar e até ser desafiadas por novas realidades — e nunca apenas para convencer.

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