segunda-feira, maio 17, 2021

Fachin autorizou PF a buscar provas contra Toffoli por venda de sentenças


Ministro Edson Fachin durante sessão do STF

Fachin abriu a investigação, mas Aras logo fechou

Fabio Serapião e Camila Mattoso
Folha

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a usar dados de duas operações relacionadas à Lava Jato do Rio em uma apuração preliminar que resultou no pedido de inquérito contra Dias Toffoli. As informações foram utilizadas para embasar relatório em que a PF diz que é preciso apurar suposto crime de corrupção do ministro em venda de decisões judiciais. A solicitação de investigação foi revelada pelo Painel na última terça (11).

​Antes da permissão dada por Fachin, o juiz Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, negou o compartilhamento por envolver pessoas com foro, e o procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifestou contra porque a PF não indicou quem eram os investigados.

MATERIAL FOI UTILIZADO – Fachin concordou com o argumento da Polícia Federal de que o acordo de colaboração de Sérgio Cabral tem uma cláusula que prevê o uso de informações coletadas nas operações Calicute e Boca de Lobo —a primeira prendeu o ex-governador, em 2016, e a outra, seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, em 2018.

O material então foi utilizado nos pedidos de 20 inquéritos para apurar possíveis crimes praticados por pessoas com foro nas cortes superiores. ​

No caso de Toffoli, três dias depois da decisão de Fachin, em 26 de abril, a PF produziu um relatório em que elenca documentos da Calicute e Boca de Lobo que, na visão dos delegados, corroboram a acusação de Cabral sobre o ministro ter recebido R$ 3 milhões para beneficiar o prefeito de Volta Redonda (RJ), Antônio Francisco Neto (MDB).

VÁRIAS REUNIÕES – A PF usa, por exemplo, e-mails apreendidos na Calicute para mostrar que o ex-secretário de Obras do Rio Hudson Braga se reuniu várias vezes com José Luiz Solheiro.

Braga, diz Cabral, foi responsável por operacionalizar os pagamentos a Toffoli, e Solheiro teria intermediado o contato entre o ex-governador e o ministro, por meio de sua mulher, a advogada Roberta Rangel.

A PF também se vale de conversas por aplicativo de celular entre Braga e Solheiro. Da operação Boca de Lobo, investigadores utilizam os registros no celular de encontros do ex-governador Luiz Fernando Pezão para mostrar seus vínculos com Solheiro e com o advogado Bruno Calfat, que defendia o prefeito de Volta Redonda no processo de cassação.

OUTRO RELATÓRIO – Os registros também mostram encontros de Pezão e Toffoli. Na delação, Cabral afirma que seu sucessor era próximo do prefeito.

Em 27 de abril, a PF elaborou outro relatório em que usa mais informações cujo acesso foi autorizado por Fachin. Dessa vez, o material teria relação com suposta venda de uma decisão por Dias Toffoli, pelo valor de R$ 1 milhão, que suspendeu a cassação da então prefeita de Bom Jesus de Itabapoana, Branca Motta (MDB).

Uma das supostas provas é um e-mail enviado em 18 de novembro de 2015 em que Branca Motta pede apoio a Cabral para a fase final do seu processo no TSE. Um ano antes, Toffoli havia concedido uma liminar de suspensão da cassação imposta pela Justiça Eleitoral do Rio, mas o processo ainda estava em andamento.

SÓCIA DA MULHER DE TOFFOLI – Na mensagem por e-mail, ela diz que seu advogado em Brasília é Daniane Mângia Furtado, ex-sócio de Roberta Rangel, e que seus adversários políticos estariam se organizando em Brasília para prejudicá-la.

Do material compartilhado, a PF usou ainda um arquivo que mostra os contatos de Branca Motta na agenda de Cabral e uma anotação apreendida em sua casa sobre “pendências” atreladas ao nome da ex-prefeita.

Desde que o Painel revelou o pedido da PF para investigá-lo, Toffoli tem dito não ter conhecimento dos fatos mencionados e que jamais recebeu os supostos valores ilegais.

FACHIN MORDE E ASSOPRA – Na sexta (14), como antecipou a coluna Mônica Bergamo, da Folha, Fachin acatou a posição da PGR e proibiu a PF de investigar Dias Toffoli, mas durante a apuração preliminar ele rechaçou a manifestação contrária da PGR e liberou o uso material no âmbito do acordo de Cabral.

A busca pelas provas utilizadas contra Toffoli e os outros alvos dos inquéritos da PF começaram em janeiro — nesse período, o diretor-geral do órgão ainda era Rolando de Souza.

No dia 25 de janeiro, o juiz Marcelo Bretas aceitou o pedido da PF e deu acesso aos dados da Boca de Lobo, mas explicou que a ação penal da Calicute estava no TRF-2.

ESCLARECIMENTOS – Como o desembargador Abel Gomes estava em férias, em 29 de janeiro, o juiz Gustavo Arruda Macedo, convocado para substituí-lo, pediu esclarecimentos sobre o “contexto dos fatos e possíveis crimes apurados” para entender qual o “nexo de causalidade e correlação” com as provas a serem acessadas.

No dia 1º de fevereiro a PF insistiu no pedido e explicou, sem citar nomes, que as informações seriam utilizadas na “instrução dos relatos apresentados” por Cabral relacionados a autoridades com foro no STF e STJ.

A citação a pessoas com foro nas cortes superiores acendeu o alerta no gabinete do TRF-2. Gomes interrompeu as férias e despachou sobre o tema em 19 de fevereiro.

AVALIAÇÃO CAUTELOSO – Contra o compartilhamento, ele argumentou ser necessária “avaliação cautelosa”, uma vez que a jurisprudência do STF indica que somente os ministros podem decidir em casos de investigados detentores de foro.

A PF, em 26 de fevereiro, pediu pela primeira vez a Fachin o acesso às provas, e o ministro encaminhou para manifestação da PGR. Augusto Aras alegou que o pedido de compartilhamento não fazia menção a pessoas com foro no STF e foi contra a medida.

A polícia rebateu a posição da PGR e, em novo pedido a Fachin, disse que o material seria utilizado nos inquéritos abertos em 2020 com a primeira leva de depoimentos de Cabral, em dois casos que tramitam no STJ e na “apuração preliminar dos relatos complementares que vêm sendo apresentados pelo colaborador”.

SUBSIDIAR CASOS – Em 23 de abril, Fachin expediu sua decisão em que aceitava parte do pedido da PF. Segundo o ministro, a PF poderia utilizar as provas “com o fim de subsidiar os casos criminais novos de competência” do STF.

Sobre os casos arquivados e os do STJ, Fachin indicou à PF que procurasse os ministros relatores de cada inquérito.

Na prática, o ministro liberou o compartilhamento e uso das informações das duas operações nas 20 apurações preliminares nas quais a PF trabalhava à época com base nos relatos da delação de Cabral.

OUTRA DELAÇÃO PREMIADA – A Folha procurou Fachin para comentar a respeito da autorização que deu. Ele respondeu, por meio da assessoria do Supremo, que “encontra-se pautado para julgamento em plenário virtual agravo regimental que abarcará as questões suscitadas”.

O ministro também afirmou que há pedido expresso da PGR a ser dirimido com revisitação da possibilidade da PF firmar acordo de colaboração premiada.

Sobre ter arquivado os inquéritos, seguindo a Procuradoria, ele disse que “quando na visão da PGR o conjunto de elementos são inidôneos para instaurar há pronunciamento peremptório do titular da ação penal. E o juiz não deve acusar nem defender.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  
– A Tribuna da Internet só acredita na inocência do ministro Dias Toffoli quando ele explicar por que recebia “mesada” de R$ 100 mil de sua mulher e por que ela foi apanhada na malha fina da Receita Federal, junto com Gilmar Mendes e a mulher dele, Guiomar Feitosa. Como se sabe, todos os quatro são suspeitos de lavagem de dinheiro. (C.N.)

Sintomas de doenças ligadas ao Aedes exigem atendimento médico

 em 17 maio, 2021 8:11

Esse é um período do ano propício para a proliferação do mosquito (Foto: André Moreira)

O período de sazonalidade do Aedes aegypti, momento em que o mosquito se prolifera com maior facilidade e, consequentemente, há mais incidência das doenças relacionadas a ele (dengue, zika, chikungunya), somado à pandemia do novo coronavírus, acende o alerta para os sintomas associados às doenças transmitidas pelo mosquito e à covid-19 que, por apresentarem semelhanças, podem confundir, o que demanda a procura por atendimento médico precoce.

Segundo a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Fabrízia Tavares, esse é um período do ano propício para a proliferação do mosquito, já que, com a chuva, pode haver o acúmulo de água e, com o calor do sol, o mosquito se desenvolve mais rapidamente. “Vale lembrar que, como a experiência da epidemia de 2008 nos ensinou, a dengue é uma doença que pode matar”, frisa a especialista.

A especialista chama a atenção para a semelhança de alguns sintomas que tanto as doenças transmitidas pelo mosquito, bem como a covid-19 possuem. “Em relação à covid, a diferença básica, de forma bem grosseira, é que é uma doença que tem um maior acometimento respiratório, ou seja, você encontra na grande maioria dos casos de covid, sintomas respiratórios como dor de garganta, tosse, espirro, coriza, congestão nasal, associados a outros sintomas como dor de cabeça, febre, dor pelo corpo, falta de apetite, falta de paladar, falta de olfato, mas, eminentemente, os sintomas respiratórios representam a grande maioria dos casos de covid”, detalha Fabrízia.

Independente da semelhança entre os sintomas das doenças, Fabrízia orienta que, caso a pessoa apresente qualquer um desses deve procurar atendimento médico precoce, pois ele pode ser decisivo.

“Esse atendimento é indispensável para que seja solicitado um exame específico e seja manejado de forma mais adequada, de acordo com o diagnóstico, sobretudo se for covid para ser feito o isolamento a partir do primeiro dia de sintoma, para diminuir a transmissão. E se for uma doença relacionada ao mosquito, a preocupação se dá para que seja feito um acompanhamento de perto e, assim, evitar um agravamento”, salienta.

Nos casos de dengue, zika e chikungunya não há sintomas de via aérea superior. “Em contrapartida, encontramos sintomas semelhantes, que a gente chama de inespecíficos, que encontramos tanto nessas arboviroses (doenças causadas por mosquitos), quanto na covid, como a dor de cabeça e a febre. No entanto, outra diferença é que a febre dessas arbovirores são muito mais altas, chegando a 39°C, 39,5°C e são mais persistentes. A febre da covid não é uma febre alta, ela chega a 38°C. Quando é uma febre alta, no caso de covid, a gente já suspeita de uma síndrome inflamatória sistêmica que é o quadro mais grave da doença, ou quando tem uma infecção bacteriana”, esclarece a infectologista.

“Além disso, estamos em meio à pandemia do coronavírus que, como também já sabemos, a covid-19 tem um alto grau de letalidade. Nossa preocupação é que as pessoas fiquem ainda mais atentas a possíveis sintomas que venham apresentar e que devem procurar atendimento médico o quanto antes, para que se possa fazer o diagnóstico de qual doença acomete, de fato”, destaca Fabrízia.

Para ambos os casos, a prevenção e os cuidados continuam sendo a forma mais sensata e consciente para lidar com o período. “Por isso a gente pede que as pessoas continuem se cuidado, usem máscara, mantenham distanciamento, evitem aglomerações, higienizem as mãos, bem como evite a água parada em casa, que observem se têm locais na vizinhança que aumentam o risco da proliferação do mosquito. Precisamos estar vigilantes com relação a essas doenças e todo o cuidado é pouco quando se trata de preservar vidas”, reforça a especialista.

Fonte: PMA

INFONET

Antes de proibir investigação, Fachin autorizou PF a buscar provas contra Toffoli


Antes de proibir investigação, Fachin autorizou PF a buscar provas contra Toffoli
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin autorizou a Polícia Federal (PF) a usar dados de duas operações em uma apuração preliminar que deu origem ao pedido de inquérito contra o também ministro Dias Toffoli. A PF quer apurar o suposto crime de corrupção com a venda de decisões judiciais por parte do ex-presidente da Corte Suprema.

 

Segundo a Folha de S. Paulo, antes de Fachin autorizar a medida, o juiz Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, negou o compartilhamento dos dados por envolver pessoas com foro. O procurador-geral da República, Augusto Aras, também havia se manifestado contra porque a PF não indicou quem eram os investigados.

 

Já Fachin concordou com o argumento da corporação de que o acordo de colaboração do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tem uma cláusula que prevê o uso de informações coletadas nas operações Calicute e Boca de Lobo. Com isso, o material serviu de base para solicitar 20 inquéritos com o objetivo de apurar crimes praticados por pessoas com foro nas cortes superiores.

 

Em meio a isso, a PF produziu relatório com documentos que, para a corporação, corroboram com a acusação de Cabral de que Toffoli teria recebido R$ 3 milhões para beneficiar o prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (MDB). 

 

Como exemplo, a PF elenca e-mails apreendidos na Calicute para mostrar que o ex-secretário de Obras do Rio, Hudson Braga, se reuniu diversas vezes com José Luiz Solheiro. Segundo a delação de Cabral, Braga teria sido o responsável por operacionalizar a propina a Toffoli, enquanto Solheiro teria intermediado o contato entre o ex-governador e o ministro, por meio da esposa de Toffoli, a advogada Roberta Rangel.

 

Já da Boca de Lobo, os investigadores aproveitaram registros de encontros do ex-governador Luiz Fernando Pezão para mostrar seus vínculos com Solheiro e com o advogado Bruno Calfat, que defendia o prefeito Francisco Neto no processo de cassação. Outros registros também mostram encontros entre Pezão e Toffoli.

 

Além disso, a PF elaborou outro relatório com mais informações. Neste caso, o material aponta relação com a suposta venda de uma decisão feita por Toffoli por R$ 1 milhão. A sentença em questão suspendeu a cassação da então prefeita de Bom Jesus de Itabapoana, Branca Motta (MDB).

 

A publicação indica que uma das supostas provas é um email enviado por Bianca, pedindo apoio de Cabral para a fase final de seu processo no TSE. Na mensagem, ela diz que seu advogado é Daniane Mângia Furtado, ex-sócio da esposa de Toffoli.

 

Com a exposição do caso, o ministro diz não ter conhecimento dos fatos mencionados, além de reforçar que jamais recebeu propina.

 

Na sexta, Fachin acatou a manifestação da PGR e proibiu a PF de investigar Toffoli, mas durante a apuração preliminar, ele rechaçou a posição da Procuradoria e liberou o uso das informações obtidas com o acordo de Cabral.

Bahia Notícias

Renan diz que o direito ao silêncio na CPI não impedirá esclarecimentos de Pazuello

Publicado em 17 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello após entrevista coletiva em Brasília — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Pazuello pode esclarecer muita coisa, afirma Renan

Ana Flor
G1 Brasília

Para o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o habeas corpus concedido ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello não irá impedir o esclarecimento de informações importantes do mais longevo ocupante da pasta ao longo da pandemia.

Renan ressalva que nesta sexta-feira (14), o que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, deu ao general do Exército foi o direito de ficar em silêncio durante depoimento à comissão apenas quando Pazuello entender que as perguntas possam levá-lo ao risco de produzir prova contra si.

O magistrado tomou a decisão após pedido feito pela Advocacia-Geral da União.

SERVIRÁ DE EXEMPLO – Além disso, Renan afirmou ao blog que a decisão terá efeito para que futuros depoentes não faltem com a verdade na comissão, como considera que ocorreu nos depoimentos de Fabio Wajgarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, e até do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

“Isto [o habeas corpus] dá segurança jurídica para outros depoentes, que também não poderão faltar com a verdade”, disse ele ao blog.

Segundo o relator, Lewandowski também garantiu que Pazuello precisa responder as outras perguntas. “Somente tem o direito de permanecer em silêncio sobre declarações que possam incriminá-lo”, repetiu Renan.

DEVER DE CASA – Renan ficou trabalhando ao longo do final de semana nos pontos que acha necessário que sejam esclarecidos por Pazuello.

“Eu sempre tive grande expectativa sobre a presença de Pazuello na CPI, que esteve no Ministério da Saúde nos momentos mais críticos da pandemia”, diz.

Pazuello assumiu ainda em abril de 2020 como secretário executivo da pasta, quando Nelson Teich foi ministro. Depois ficou como interino, até ser efetivado ministro. Ele saiu da pasta em março deste ano, quando o número de mortos por Covid-19 no Brasil já havia ultrapassado a casa dos 300 mil.

Com o avanço da CPI, surge no horizonte a hipótese de segundo turno sem Bolsonaro.

Publicado em 17 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Obra tenta formular caminhos para PSDB se distinguir da extrema-direita brasileira

FHC acredita que ainda há espaço para terceira via

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

É verdade que o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, tem pegado pesado contra o governo Bolsonaro. Até tentou prender Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação e bolsonarista de raiz. Isso bastou para que Bolsonaro pai e o filho Flávio considerassem a CPI um circo onde “vagabundos” estão inquirindo “homens de bem”.

O “vagabundo”, claro, vai para Renan. Logo, deve-se supor que “homens de bem” são todos os inquiridos, já que os Bolsonaros não especificaram alguém em especial.

DENÚNCIA IGUAIS – Ocorre que todos os inquiridos contaram histórias que comprometem o governo e exibem o modo desastroso como administra o combate à pandemia. Mesmo o aliado Wajngarten entregou farto material à CPI, ao revelar que a Pfizer oferecera vacinas para um governo que nem sequer respondera à farmacêutica.

O homem de bem que testemunhou no dia seguinte, o executivo da Pfizer Carlos Murillo, acrescentou os detalhes. Se o governo Bolsonaro tivesse ouvido e assinado a proposta feita pela empresa em agosto do ano passado, o Brasil teria 18,5 milhões de doses entre dezembro de 2020 e o atual trimestre.

Isso daria para vacinar 9,25 milhões de pessoas, equivalente a 50% dos que receberam as duas doses da CoronaVac e Oxford/AstraZeneca até aqui. Quantos doentes e quantas mortes teriam sido evitadas? Quantas pessoas, imunizadas, não teriam podido voltar ao trabalho presencial, ajudando a animar a atividade econômica?

OS HOMENS DE BEM – A CPI está, de fato, emparedando Bolsonaro, mas não por causa dos “vagabundos”, e sim graças às revelações dos “homens de bem”, as testemunhas.

Tanto é verdade, que o governo está fazendo o possível para evitar o testemunho de outro homem que considera “de bem”, o general Pazuello. Aliás, situação difícil para o general: se calar, confessa que fez coisas de que não pode falar; se falar, entrega o chefe.

Acrescente a isso as pesquisas da semana passada mostrando que: a população apoia a CPI; acha que o combate à pandemia é ruim; desaprova Bolsonaro; e prefere Lula ao atual presidente. Resultou uma das piores semanas para Bolsonaro.

RADICALIZAÇÃO – Sua reação: foi a Alagoas atacar os vagabundos, deu uma de Trump ao dizer que ele, Bolsonaro, só perde se houver fraude e… de novo, gente, defendeu a cloroquina.

Se ele ouve alguém, só pode ser o gabinete paralelo, a sua turma, de uma incompetência assustadora. Exemplo: Wajngarten levou para uma reunião com uma executiva da Pfizer o filho vereador, Carlos Bolsonaro, e o assessor Filipe Martins. O que eles entendem de vacinas ou de negociações internacionais?

Alguns bolsonaristas dizem que o chefe fez bem em adiar as compras até ter a certeza de que a vacina é boa. Outro equívoco.

DEIXOU DE COMPRAR – Quando a Pfizer começou a oferecer a vacina que ainda estava em testes, os especialistas já sabiam que era enorme a chance de sucesso. A companhia alemã BioNTech já desenvolvera a nova tecnologia e era provável que obtivesse sucesso com o coronavírus.

Por isso, os governos minimamente informados compraram as vacinas antes da conclusão dos testes. A verdade é que Bolsonaro não se interessou e zombou da Pfizer. Então, por que agora está comprando? Para tirar a vacina do governador Doria.

Pode conseguir algo com isso. Se confirmada a entrega de 200 milhões de doses da Pfizer, o país chegará ao início de 2022 com a maior parte da população vacinada, incluindo as doses da CoronaVac e da AstraZeneca.

LULA E BOLSONARO – Aí teremos uma batalha de narrativas. Não será difícil mostrar o desastre do governo Bolsonaro, o atraso no combate à pandemia e quanto isso custou em vidas e atividade econômica. Ocorre que, no momento, há apenas duas narrativas políticas fortes, a de Lula e a de Bolsonaro, ainda que em viés de baixa.

Como diz Fernando Henrique Cardoso, há espaço para uma terceira via. Mas falta o nome, a pessoa.

De todo modo, com o avanço da CPI, nesses termos, surge no horizonte a hipótese de um segundo turno sem Bolsonaro.

Agressividade e ausência de projeto de governo atingem a popularidade de Bolsonaro


Charge do Sinfrônio (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Na minha opinião, a linguagem agressiva de Bolsonaro recorrendo às seguidas ofensas contra adversários e  jornalistas, somada a ausência absoluta de um projeto definido de governo, tanto na área econômica quanto na área social, são os fatores que causam o declínio da sua popularidade

Ontem, domingo, o Datafolha publicou duas pesquisas na Folha de São Paulo, focalizando resultados contrários ao projeto do presidente de se reeleger em 2022. No sábado, em um ato que ruralistas de Brasília realizaram em apoio a Bolsonaro, este atacou fortemente Lula da Silva, chamando-o de canalha e bandido em consequência da suspensão das condenações que pesavam sobre o petista.

ATAQUES – O presidente da República não percebeu que o eleitorado brasileiro não reage favoravelmente a esta linguagem. Ataques permanentes, palavrões e ameaças, como por exemplo fez em relação à hipótese de o Congresso não aprovar o projeto que substitui as urnas eletrônicas pelo voto impresso. As urnas são adotadas desde 1996 e o bloqueio que o sistema representa à possibilidade de fraude é, segundo o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, comprovado pela falta de reclamações consistentes.

Bolsonaro, montado a cavalo na Esplanada dos Ministérios, disse aos ruralistas que Lula da Silva só poderá vencer as eleições porque armou um esquema de fraude. De outro lado, reportagem de Joelmir Tavares, também na Folha de São Paulo, ressalta que o levantamento do Datafolha mostra que 50% do eleitorado nunca confiam nas falas de Bolsonaro e os que acreditam sempre são 14%. Muito pouco.

OSCILAÇÃO – A faixa de 34% afirma acreditar às vezes. Portanto não é um pensamento permanente, oscila de acordo com as situações. Os 14% que acreditam em Bolsonaro de qualquer forma representam uma posição extremada que não deseja analisar os fatos e é irredutível ao lado do chefe do Executivo.

A taxa de confiança plena é a menor desde o início desde que as pesquisas começaram a ser realizadas a partir de 2019. Um declínio cristalinamente posto que dá a oportunidade a Bolsonaro de, se puder ou desejar, assumir uma comunicação menos chocante, menos agressiva.

Além disso, Bolsonaro está há mais de um ano sem filiação partidária, o que representa uma vacilação no que se refere à ideia de um programa que se ajuste à legenda que venha a ser escolhida. Pela lei eleitoral ele tem prazo para decidir até outubro deste ano.

SEM PROJETO – O atual governo se ressente da ausência de qualquer projeto econômico e social. Não é possível apontar-se um que tenha sido objeto de definição clara. Nem na pandemia evidenciou-se uma ideia objetiva do combate ao coronavírus. O número de óbitos superou 420 mil. A contaminação diária supera 60 mil casos, mas o ministro Marcelo Queiroga não conseguiu ainda colocar o pé no freio.

O impulso que ele possa ter para agir de forma construtiva, que acho ser pouco, não conta sequer com o apoio declarado do presidente da República. O lado social do governo é um desastre completo. Não existe até o momento, portanto até este mês de maio, uma iniciativa sequer nesse sentido.

ALTA DOS PREÇOS – Os preços sobem sem parar, os jornais publicam diariamente a realidade, porém o Planalto aceita sem discutir uma taxa inflacionária que o IBGE encontrou de 0,3% para o mês de abril.

A pergunta que se faz, no fundo, e que está no consciente de todos os brasileiros, é como poderão pagar eles as suas contas mensais, porque a cada 30 dias o poder aquisitivo diminuiu. O impasse colocado à frente da população brasileira situa-se no mesmo nível e na mesma dimensão do impasse que Bolsonaro constrói para consigo mesmo. Tal realidade representa um fator de queda negativo para o Planalto.

domingo, maio 16, 2021

Prefeitura do Rio multa Copacabana Palace em R$ 15 mil por festa com aglomeração

 

Prefeitura do Rio multa Copacabana Palace em R$ 15 mil por festa com aglomeração
Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O hotel Copacabana Palace foi multado em R$15.466,81 pela prefeitura do Rio de Janeiro, pela realização de uma festa sem autorização, de acordo com reportagem da Agência Brasil. A gestão municipal justificou que a multa se deu por infração sanitária gravíssima devido à constatação de aglomeração em festa ocorrida na noite da última sexta-feira (14).

 

Também foi determinada a interdição para realização de festas no hotel, localizado na orla de Copacabana, por um período de 10 dias a contar do sábado (15).

 

Segundo a reportagem, na noite de sexta-feira, a Secretaria de Ordem Pública e a vigilância sanitária realizaram fiscalização no Copacabana Palace, mas não identificaram nenhuma infração durante a permanência dos agentes municipais.

 

No entanto, uma nota divulgada pela gestão municipal informa que, no sábado, após análise de imagens divulgadas pela imprensa e pelas redes sociais, a vigilância sanitária constatou desobediência às medidas determinadas por decreto municipal de enfrentamento à pandemia da Covid-19, em vigor até 20 de maio.

 

“Nas referidas imagens, foi constatada aglomeração generalizada em frente à apresentação musical, caracterizando pista de dança. Os convidados não usavam máscara facial e não respeitavam o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os participantes. Na entrada do estabelecimento, as imagens também evidenciaram aglomeração em fila de espera e acesso desordenado ao local”, informou a pasta.

 

A Agência Brasil destaca que procurou o Copacabana Palace, mas não teve retorno.

Bahia Notícias

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