quarta-feira, abril 21, 2021

ONGs apontam que Ricardo Salles quer formar milícia ambiental com dinheiro de países ricos


Malu Gaspar
O Globo

O principal projeto que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pretende financiar com o US$ 1 bilhão que está pedindo aos países ricos para combater o desmatamento na Amazônia é a formação do que ele chama de Força de Segurança Ambiental.

Nas reuniões prévias à Cúpula do Clima com representantes dos Estados Unidos e de antigos financiadores europeus de ações ambientais no Brasil, Salles apresentou essa força como uma patrulha armada que poderá substituir a ação da Polícia Federal e dos órgãos como o Ibama e ICMBio.

MILÍCIA AMBIENTAL –  Entidades de acompanhamento das questões climáticas que foram consultadas a respeito do projeto por representantes dos países que tiveram conversas com o ministro chamam a patrulha de milícia ambiental.

Eles consideram que o que Salles quer é controlar e direcionar as ações de combate ao desmatamento de acordo com objetivos políticos e não de estado, e deixaram claro aos interlocutores ligados aos países procurados pelo ministro que não aprovam a ideia da patrulha.

“Já existem órgãos capazes de realizar essa fiscalização, como Ibama e o ICMbio, que o ministério do Meio Ambiente vem desmontando. Só que esses órgãos priorizam o interesse público, e o que Salles quer de fato é ter uma milícia oficial que obedeça somente a ele”, diz Márcio Astrini, diretor  do Observatório do Clima.

CONFLITOS –  Desde o início de sua gestão, o ministro do Meio Ambiente vem acumulando conflitos com o Ibama e, mais recentemente, com a Polícia Federal. Além de contestar as ações desses órgãos, ele já trocou 25 dos 27 superintendentes do Ibama desde 2019 – quatro deles no início do mês.

Na semana passada, foi o superintendente da PF no Amazonas quem acabou  demitido pelo diretor-geral da Polícia Federal, depois de protocolar uma notícia-crime do STF acusando o ministro do Meio Ambiente de defender interesses de madeireiras clandestinas.

A ideia de montar um comando ambiental com poder de polícia para patrulhar a Amazônia é antiga. Havia inclusive um projeto de compra de equipamentos para essa patrulha aprovado pelo Fundo Amazônia, formado com dinheiro da Noruega e da Alemanha e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e que tem hoje 3 bilhões de reais parados, sem desembolso.

OBSTÁCULOS – Os entraves que impedem a liberação de recursos para novos projetos ajudam a explicar por que Salles está tentando obter dinheiro para sua força ambiental fora do Fundo Amazônia.

O fundo foi travado pelos financiadores depois que o governo brasileiro cancelou a  participação de entidades da sociedade civil no comitê que decidiria onde alocar o dinheiro. Para retomar os repasses, Noruega e Alemanha agora exigem que o Brasil reduza os índices de desmatamento de forma sustentável. As taxas de derrubada da floresta, porém, têm registrado altas históricas na gestão Bolsonaro.

FORÇA NACIONAL – Pode haver, ainda ,outro complicador. Esses fundos em geral preferem financiar projetos civis a militares. O projeto que tem um pedido parado no Fundo Amazônia prevê que o comando ambiental que o governo quer formar fique subordinado à Força Nacional, que hoje é composta por policiais militares de todos os estados.

O atual comandante da Força Nacional é o coronel da PM Aginaldo de Oliveira, marido da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Em 2019, a deputada apresentou no Congresso um projeto que integra os policiais militares ao Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). Isso possibilitaria a eles emitir multas e licenças ambientais, fiscalizar e embargar propriedades rurais, gerir unidades de conservação e controlar a poluição.

Vídeo de Bolsonaro defendendo cloroquina contra Covid-19 é removido pelo Youtube


Bolsonaro e cloroquina: ambos não têm eficácia comprovada

Marlen Couto
O Globo

O YouTube removeu nesta segunda-feira, dia 19, pela primeira vez um vídeo do canal do presidente Jair Bolsonaro na plataforma por violar suas regras ao difundir informação incorreta sobre a Covid-19. Trata-se de uma das lives semanais do presidente transmitida no dia 14 de janeiro, período em que Manaus vivia um colapso do sistema de saúde pelo aumento de casos de Covid-19.

No vídeo, Bolsonaro aparece ao lado do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e mais uma vez defendeu a existência de um “tratamento precoce contra a Covid-19”, apesar de autoridades de saúde e especialistas apontarem que não existe tratamento precoce contra a doença.

“DEU CERTO” – Em um determinado momento, o presidente chega a afirmar que o uso de hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e zinco “deu certo” para reduzir mortes. Os remédios não têm eficácia contra a doença ou estudos que comprovem que funcionam no tratamento.

O presidente também questionou o uso da máscara e medidas de isolamento social. Ambos são recomendados por especialistas para evitar a disseminação do vírus. O mesmo vídeo segue no ar em outras plataformas, como o Facebook.

A remoção da postagem de Bolsonaro foi revelada pela empresa Novelo Data, que monitora a plataforma. O YouTube informou, em nota, que expandiu suas políticas de desinformação médica sobre a Covid-19 e que passará a remover vídeos que “recomendam o uso de ivermectina ou hidroxicloroquina para o tratamento ou prevenção da Covid-19, fora dos ensaios clínicos, ou que afirmam que essas substâncias são eficazes e seguras no tratamento ou prevenção da doença”. Ainda segundo a plataforma, desde o início da pandemia, o YouTube já removeu mais de 850 mil vídeos por violarem políticas de conteúdo sobre o novo coronavírus.

DESINFORMAÇÃO – Antes da expansão de suas políticas, porém, o YouTube já incluía em suas diretrizes não ser permitido “o envio de conteúdo que dissemine informações médicas incorretas que contrariem as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou das autoridades locais de saúde” em temas como tratamento, prevenção, diagnóstico e transmissão do vírus, bem como sobre as diretrizes de distanciamento social e autoisolamento e relacionados à existência da Covid-19. Apesar disso, vídeos que pregam tratamento precoce sem eficácia contra a Covid-19, desestimulam o uso de máscaras e lançam suspeitas sobre as vacinas continuaram no ar na plataforma.

Não é a primeira vez que Bolsonaro é alvo de remoções de conteúdo de redes sociais. Em março do ano passado, Twitter, Facebook e Instagram removeram postagens do presidente com vídeos que registravam visitas a cidades satélites de Brasília e nas quais criticava medidas de isolamento social. Publicações do presidente com informações falsas sobre a pandemia também já receberam avisos e alertas de conteúdo com desinformação.

Piada do Ano ! CGU “justifica” gastos de R$ 2,3 milhões em viagem de férias e diz que Bolsonaro trabalhou na praia


Bolsonaro visitou as regiões litorais de São Paulo e de Santa Catarina

Ana Mendonça
Correio Braziliense / Estado de Minas

Após questionamentos, nas redes sociais, sobre a viagem de férias do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), onde ele teria gasto mais de R$ 2,3 milhões, o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário, afirmou nesta terça-feira, dia 20, que Bolsonaro trabalhou “fora do local costumeiro” e não estava de férias.

A declaração foi feita durante esclarecimento sobre a viagem de fim de ano na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

“NÃO ESTAVA DE FÉRIAS” – “O presidente da República despachou diariamente com todos os seus ministros e assessores. Só nesse período, assinou um decreto, sete medidas provisórias e sancionou seis projetos de lei. Então, só por aí a gente entende que o presidente da República não estava de férias. Ele estava a trabalho fora do local costumeiro, onde ele realiza suas atividade”, explicou o ministro.

Ainda na sua justificativa para os gastos, Rosário disse que Bolsonaro não passou o comando do país ao vice-presidente Hamilton Mourão. Rosário também afirmou que quem não estivesse satisfeito com a explicação, que tentasse aprovar uma lei no Congresso “proibindo” o presidente de sair do Palácio do Planalto.

GASTOS –  Bolsonaro gastou mais de R$ 2,3 milhões em férias no litoral do país, entre dezembro e janeiro, em plena pandemia. Documentos comprovam os gastos entre 18 de dezembro e 5 de janeiro. O presidente visitou as regiões litorais de São Paulo e de Santa Catarina.

De acordo com as informações da Secretaria-Geral da Presidência, foram gastos R$ 1,19 milhão em despesas com a hospedagem do mandatário, sua família, convidados e toda a equipe de profissionais, incluindo alimentação e bebidas para todos, entretenimento e locomoção terrestre ou aquática.

Bolsonaro diz a pastores que vai indicar André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal

Publicado em 21 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

O Presidente Jair Bolsonaro e o novo Ministro da Justiça e Segurança Pública André Mendonça durante sua cerimônia de posse, no Palácio do Planalto.

Mendonça bajula tanto que chega a constranger Bolsonaro

José Carlos Werneck

O presidente Jair Bolsonaro, infelizmente, parece que vai usar um critério heterodoxo para escolher o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal: o critério da religiosidade. Foi o que ele afirmou, nesta terça-feira, a líderes evangélicos, ao anunciar que o ministro da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, é o favorito para substituir Marco Aurélio Mello, que, em julho próximo, se aposenta cinco dias antes de atingir a idade limite.

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é exatamente um expert em assuntos jurídicos, está eufórico e disse não ser a primeira vez que Bolsonaro dá robustos sinais de que indicará  André Mendonça para o Supremo. 

DISSE MALAFAIA – “Ele já tinha falado comigo no dia 15 de março, quando estive (no Palácio do Planalto) para propor um jejum e estava com oito líderes. Ontem (segunda-feira), ele confirmou, mais uma vez. Isso já é uma verdade e o André é favoritíssimo. Não tem para ninguém”.

O presidente da República recebeu pastores evangélicos e deputados da bancada em audiências esta semana. Na primeira delas, Mendonça estava presente. Malafaia é um dos representantes religiosos que mais cobram a  indicação de um evangélico para o STF. 

“Por que o presidente vai se queimar? O maior grupo de apoio dele são os evangélicos. Lembre-se: não fomos nós que pedimos isso. Ele fala isso desde a campanha eleitoral”, disse o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Mendonça pertence a uma igreja nova, sem templo próprio e vista por algumas denominações como “mais progressista”, por divergir do pensamento dominante no meio evangélico, considerado mais conservado.

SEM TEMAS POLÍTICOS – A Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, onde Mendonça  atua como pastor, evita temas políticos. Ele já manifestou reserva a iniciativas de Bolsonaro, como a defesa de armas de fogo, e discute abertamente como “apoiar, capacitar e emancipar as mulheres em espiritualidade, liderança e serviço”.

A exótica promessa  de indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF foi feita pela primeira vez,pelo presidente, em julho de 2019, num evento com a bancada  temática no Congresso Nacional, ocasião em que afirmou:. 

“O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou, para plagiar minha querida Damares (Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos): nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal; um deles será terrivelmente evangélico”.

NUNES MARQUES – Um ano depois, indicou Kassio Nunes Marques para a primeira vaga aberta no tribunal,em seu mandato, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello. Nunes Marques não é evangélico e a escolha provocou muito descontentamento,entre os integrantes deste segmento religioso e muitos aliados do presidente foram às redes sociais para protestar, e isso só foi apaziguado com a promessa de indicar para a segunda vaga um evangélico.

Como se vê, além da pandemia, estamos vivendo momentos extremamente difíceis. Seria cômico, se não fosse trágico, e milhares de vidas não teriam sido perdidas se o presidente não fosse terrivelmente negacionista.

Mas tudo vai passar.

Quem autoriza o desmatamento é o próprio Bolsonaro e o ministro é apenas seu cúmplice


Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles Foto: NACHO DOCE / Reuters

Salles é apenas um fantoche manobrado por Bolsonaro

Camila Zarur
O Globo

Três medidas do governo de Jair Bolsonaro dificultaram a fiscalização da madeira ilegal no Brasil, desde a investigação da extração clandestina à exportação do material. Uma delas foi aprovada pelo presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, em 2019.

Essa regra impede que madeiras ilegais já comercializadas sejam apreendidas, caso o fiscal não consiga provar que o comprador tenha tido ciência da origem do produto ou tenha algum tipo de vínculo com a sua ilegalidade.

REGRA PERMISSIVA – Esse entendimento limita a capacidade de fiscalização, segundo a ex-presidente do Ibama Suely Araújo, pois os fiscais não têm as ferramentas para comprovar a ligação:

— Para comprovar esse vínculo, precisa de um processo judicial, de prova, de testemunha. O que a fiscalização assume é que a madeira ilegal precisa sair do mercado, e por isso deve ser apreendida.

Além disso, sem a apreensão do material, há uma dificuldade de a investigação chegar à origem da madeira ilegal, limitando a atuação contra a extração clandestina. A norma, ao não penalizar efetivamente o comércio da madeira ilegal, também não inibe o mercado.

LIBEROU GERAL – A segunda medida, adotada pelo Ibama em fevereiro do ano passado, afrouxou as regras para a exportação de madeira ao tirar a exigência da autorização especial concedida pelo instituto para enviar produtos florestais de origem nativa ao exterior.

A justificativa dada pelo órgão para a mudança é que outras autorizações para o transporte da madeira no país já eram suficientes para fazer o controle da ilegalidade.

A mudança, no entanto, contraria uma Instrução Normativa de 2011 e foi contra pereceres técnicos do Ibama.

IPÊ, ESPÉCIE AMEAÇADA – Já a terceira ação foi a retirada do pedido de inclusão do Ipê na lista internacional de espécies ameaçadas. Isso aconteceu no ano passado a pedido do Ministério do Meio Ambiente.

Em 2018, o Ibama havia feito uma solicitação à Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites, na sigla original) para que a árvore fosse classificada.

Hoje, o Ipê é o tipo de madeira mais valorizado e cobiçado no mercado. Sem a classificação, é comercializado sem um controle rigoroso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O ministro Ricardo Salles não tem autonomia para tomar essas decisões tão radicais e antiecológicas. Fica flagrante que a devastação do meio ambiente está sendo autorizada diretamente por Bolsonaro. É um assunto gravíssimo que também já merece uma CPI. (C.N.)

MPF consegue nova condenação por improbidade de ex-prefeito de Araçoiaba (PE)

 MPF consegue nova condenação por improbidade de ex-prefeito de Araçoiaba (PE)

Posted: 20 Apr 2021 05:47 AM PDT

Foto: Reprodução 

Severino Alexandre Sobrinho e Márcio Fernandes Marcolino foram condenados por irregularidades na gestão de recursos do PNATE

O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco (PE) conseguiu, na Justiça Federal, a condenação de Severino Alexandre Sobrinho, ex-prefeito de Araçoiaba, na Zona da Mata pernambucana, e de Márcio Fernandes Marcolino, ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação do município, por irregularidades na aplicação de recursos federais recebidos do Ministério da Educação, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE). O caso é de responsabilidade da procuradora da República Silvia Regina Pontes Lopes.

As apurações, decorrentes de inquérito civil público instaurado pelo MPF a partir de relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), indicaram ausência de comprovação de despesas com verba oriunda do PNATE, de 2007 a 2010, bem como o fracionamento indevido de despesas com contratação de transporte escolar, de 2007 a 2009, e irregularidades na realização de licitações e pagamentos com recursos do programa federal. O valor do prejuízo aos cofres públicos é de mais de R$ 240 mil, em valores de 2016.

A Justiça decretou a indisponibilidade dos bens de Severino Alexandre Sobrinho e Márcio Fernandes Marcolino, até a quantia de R$ 715 mil. O ex-gestor e o ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação também foram condenados à perda de função pública e à proibição de contratar com o poder público, respectivamente, por sete e cinco anos. A decisão judicial também os obriga ao pagamento de multa civil no valor de duas vezes o prejuízo causado, bem como ao ressarcimento ao erário.

Ações – Severino Alexandre Sobrinho responde ou já respondeu por 36 ações de improbidade, sendo seis na esfera federal e 30 na estadual, bem como por cinco ações penais na Justiça Federal e oito na Justiça Estadual. Márcio Marcolino, por sua vez, é réu em duas ações de improbidade e uma ação penal, ambas na Justiça Federal, bem como em sete de improbidade e cinco penais na Justiça Estadual. Além disso, o ex-prefeito foi afastado três vezes entre 2005 e 2012, em decorrência de ilícitos praticados durante sua gestão, já tendo sido condenado em seis processos na esfera federal.

Processo nº 0805487-09.2016.4.05.8300 – 6ª Vara Federal em Pernambuco


Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República em Pernambuco

Estudo confirma primeira morte por reinfecção de Covid-19 no Brasil


Estudo confirma primeira morte por reinfecção de Covid-19 no Brasil
Foto: Divulgação

Um estudo confirmou a primeira morte no Brasil por reinfecção da Covid-19. No caso, um homem de 39 anos era morador de Campo Bom, no Rio Grande do Sul. Ele foi reinfectado por uma das variantes da Covid-19 no intervalo de três meses e 11 dias. Na primeira infecção, o homem não teve sintomas, mas na segunda reinfecção, ele não resistiu e faleceu no dia 19 de março. 

 

O caso foi relatado em um artigo científico produzido por 15 pesquisadores brasileiros comandados pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale (RS), publicado ontem na plataforma Research Square em pré-impressão, ou seja, ainda em fase de revisão dos pares. "A análise genômica mostrou diferenças geneticamente significativas entre os vírus recuperados em ambas as infecções", explicam os pesquisadores no texto.

 

Segundo o artigo, o paciente era portador de doença cardiovascular crônica e diabetes. "Ele relatou dois episódios clínicos de covid-19. O primeiro foi em 30 de novembro de 2020, enquanto o segundo se deu em 11 de março de 2021", diz. O gaúcho foi infectado pela variante P.1 na primeira contaminação. Na segunda infecção, ele foi contaminado pela variante P.2. As duas cepas têm origem no Brasil. 

 

"Durante o primeiro caso de infecção, os sintomas e sinais clínicos do paciente não haviam sido relatados. No entanto, o paciente relatou ter tido contato com seu irmão, que testou positivo para SARS-CoV-2 anteriormente. Ele também visitou seu pai no hospital em um quarto compartilhado com outros pacientes com diagnóstico de covid-19. No segundo episódio, o paciente apresentou como sintomas dispneia [falta de ar], fadiga e dificuldade respiratória; e saturação menor que 95% como sinal clínico", completa o texto.

 

Ainda segundo o estudo, a segunda infecção evoluiu com complicações, "sendo o paciente encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e intubado devido à grave perda de capacidade pulmonar". Oficialmente, o primeiro caso de reinfecção registrado pelo Ministério da Saúde ocorreu em 23 de outubro de 2020 em uma médica do Rio Grande do Norte que não manifestou forma grave. No último boletim do Ministério da Saúde sobre o novo coronavírus, há o relato de 11 casos confirmados no Brasil, sendo seis deles nos estados de São Paulo e Amazonas, sem nenhuma morte indicada.

Bahia Notícias

Em reunião com empresários, Bolsonaro diz que “não teme” CPI da Covid e critica governadores


No evento, houve cobranças em relação ao tema meio ambiente

Pedro Venceslau
Estadão

Em mais um esforço para se aproximar do setor produtivo, o presidente Jair Bolsonaro convocou dez ministros nesta terça-feira, dia 20, para a sua primeira reunião do ano com empresários do ‘Diálogos pelo Brasil’, grupo criado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para mediar a relação do setor com o governo federal.

No último dia 7, Bolsonaro participou de um jantar em São Paulo com cerca de 20 empresários na casa do empresário Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil. O evento desta terça-feira, 20, foi realizado por videoconferência e contou com a presença de 40 grandes empresários e executivos do País. Entre eles estavam  Abílio Diniz (Península), André Bier Gerdau Johannpeter (Gerdau), André Esteves  (BTG Pactual), Wesley Batista Filho (JBS), Rubens Ometto (Cosan) e Luiz Carlos Trabuco (Bradesco).

CPI DA COVID – Segundo relatos de participantes, em sua fala o presidente fez uma crítica indireta aos governadores ao reclamar do “abre e fecha” do comércio, elogiou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e disse que “não teme” a CPI da Covid no Senado. Bolsonaro também exaltou as ações do governo federal contra a pandemia após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dizer que cerca de 900 mil kits para intubação de pacientes graves com covid-19 chegarão ainda nesta semana ao País, importados da Espanha.

O ministro da Saúde fez a fala mais longa da reunião. Queiroga  disse aos empresários que prevê “um horizonte melhor” de vacinação entre maio e junho e defendeu que é preciso encontrar uma solução para evitar aglomerações no transporte público – uma prerrogativa dos Estados e municípios. O ministro também pregou o distanciamento social e uso de máscaras, mas afirmou que um novo protocolo para uso de medicamentos do “kit covid” nos hospitais será anunciado em breve. Defendido por Bolsonaro, o tratamento precoce contra a covid não tem base científica.

“DEMANDAS” – Todos os ministros presentes fizeram uma pequena apresentação sobre suas pastas e Skaf foi o único a falar em nome dos empresários. O presidente da Fiesp apresentou uma lista com três “demandas” do setor, combinadas previamente em um grupo de WhatsApp: ampliação e aceleração da vacinação, reforma administrativa e um bom ambiente econômico.

No momento que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é alvo de notícia-crime do ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas Alexandre Saraiva, pelo suposto a madeireiros investigados pela PF, e na véspera do início da Cúpula do Clima nos EUA, o tema ambiental também foi uma preocupação dos empresários. Skaf pediu uma outra reunião nesta quarta-feira, 21, específica sobre o tema. Além de Salles, a ministra da Agricultura,  Tereza Cristina, e o embaixador Leonardo Athayde, negociador da agenda do clima, vão falar com os empresários.

RECORDES – Tereza Cristina, destacou que o Brasil vem batendo seguidos recordes em suas safras. “Teremos este ano o fechamento da safra com mais de 272 milhões de toneladas. E muito provavelmente o presidente Jair Bolsonaro vai chegar ao seu último ano de mandato bem próximo dos 300 milhões de toneladas”, afirmou a ministra da Agricultura.

O ministro Carlos França disse que está trabalhando pela modernização do Mercosul, ao reforçar a vertente econômica comercial do bloco, com impulso à negociação de acordos comerciais como o da União Europeia e com outros países ao redor do mundo. “Temos atuado no sentido de facilitar a compra de insumos para a vacina e o imunizante pronto, a fim de que possam estar disponíveis para atender a população brasileira o mais rápido possível”, afirmou.

Também participaram do encontro virtual o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, o ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos e o secretário de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha.

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