sexta-feira, abril 09, 2021

Pacheco critica negacionismo de Bolsonaro e diz que dará liberdade total à CPI da Pandemia


Presidente do Senado defende definição de mandato para ministros do STF -  Diário do Poder

Presidente do Senado condena os equívocos de Bolsonaro

Leandro Colon e Renato Machado
Folha

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirma que não mexerá “um milímetro” para impedir a atuação da CPI da Covid, embora diga ser contrário à sua instalação neste momento.​ “Uma vez instalada, vou permitir todas as condições que funcione bem e chegue as conclusões necessárias”, afirmou. “Aliás é muito importante que ela cumpra sua finalidade na apuração de responsabilidades”​, disse.​

Na entrevista, Pacheco disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro “não contribui” com seu discurso negacionista. “Para bom entendedor, um pingo é letra. Quando ele [Bolsonaro] prega qualquer tipo de negacionismo, eu vou criticar o negacionismo e consequentemente estou criticando a fala dele”, disse.

O senhor tem dito que a CPI é questão de conveniência e oportunidade. Mas é também instrumento de minoria, desde que tenham o fato determinado e as assinaturas mínimas. Com esses requisitos cumpridos, não era um dever do senhor instalá-la?
É um direito da minoria, não há dúvidas, mas há também por parte da presidência [do Senado] um juízo de oportunidade e conveniência neste momento do país e do Senado. No momento, de excepcionalidade, em que não funcionam os órgãos do Senado, uma CPI também em tese não poderia funcionar. Mas diante da decisão do STF, agora vou fazer todo o esforço para que tenha funcionamento pleno, com a garantia de saúde àqueles que participem e que consiga atingir seus resultados.

Na quinta-feira, o senhor falou que temos de olhar para frente e que a CPI olharia para o passado. Mas mais de 300 mil brasileiros morreram, em meio a uma clara omissão do governo federal. A CPI não existe justamente para que se busque os responsáveis?
Ela também deve cumprir esse papel. O fato é que estamos no ápice da pandemia e, infelizmente, nem todos os fatos que podem ser objetos de uma CPI ainda aconteceram. Seria mais inteligente, oportuno e conveniente que fosse instalada após a estabilização do país.

Quando o senhor assumiu a presidência do Senado, em 1º de fevereiro] eram cerca de 1.000 mortos por dia, 225 mil mortos no total no país. Hoje são 4.000 mortos por dia e mais de 300 mil no total. Vamos esperar chegar a 500 mil mortos para brecar essa omissão por parte das autoridades?
Estamos falando de vidas. Essa lógica sua serve para poder instar os órgãos públicos, as instituições para tomarem decisões eficientes para a busca de soluções. Não me parece que a CPI se proponha a buscar soluções para o número de mortos, para a ausência de leitos, para a ausência de oxigênio, para a falta de insumos e medicação. O que precisamos é de um comitê de acompanhamento da Covid, como o que existe no Senado, com uma análise técnica e profunda.

O senhor foi eleito com o apoio público do Planalto. Até que ponto isso contribui para a resistência que o senhor tem a uma CPI que o governo não quer?
Isso é absolutamente independente e nenhuma influência tem nas minhas decisões. Tanto não tem que fui também apoiado pela oposição. Então meu compromisso é com o Senado, com os senadores e todas as forças políticas.

 

Dá para confiar que a CPI vai funcionar? Ou vai ter uma ação da parte do senhor e de outros senadores para tentar retirar assinatura ou trabalhar contra a CPI?
Eu afirmo com toda a lisura, com toda a transparência, com toda a decência que é algo próprio do meu caráter: não vou trabalhar um milímetro para mitigar a CPI nem para que não seja instalada nem para que não funcione. Eu considero que a decisão judicial deve ser cumprida. Há um direito de minoria que reconhecia que, no momento certo, precisava ser garantido, mas houve a precipitação dessa instalação a partir da decisão judicial, que cumprirei. Então, uma vez instalada, vou permitir todas condições para se dar segurança àqueles que ali estarão, segurança de saúde, inclusive, e permitir que funcione bem e chegue às conclusões necessárias de uma CPI.

Embora seja instrumento de minoria, possivelmente vai ser controlada por uma base de governo, não?
Base de governo no Senado, isso depende da matéria. Por exemplo, para votar a PEC Emergencial, que era um desejo do governo, mas era também do Senado, foram 62 senadores a favor. Mas temos outras discussões aí que não necessariamente as ideias do governo encontram guarida e são derrubadas. Então isso é muito relativo, é difícil aferir qual vai ser o andamento em relação ao governo. Então teremos CPI. Teremos CPI instalada por conta de decisão judicial do Supremo, é importante essa premissa.

Quando isso deve ser feito?
Na primeira sessão do Senado, que deve ser terça (13).

O senhor disse que a CPI seria um ponto fora da curva. Mas não é um ponto fora da curva termos quatro mil mortos por dia e um governo negacionista?
Evidentemente, isso é além de um ponto fora da curva, isso é inaceitável, nós estarmos nessa situação crítica no Brasil, por conta de fato da mutação do vírus mas também de muitos erros que foram praticados.

Quais erros?
Atraso na vacinação, não termos contratado em tempo hábil as vacinas, programado os leitos de UTI um ano atrás. Podíamos ter hoje uma condição melhor de atendimento, inclusive através dos hospitais de campanha. Podíamos ter nos preparado com a produção de oxigênio, com o estabelecimento de uma rede de distribuição mais eficiente para atingir toda a população que esteja internada. E podíamos ter feito uma política externa melhor para garantir de maneira mais rápida os insumos da vacina e os medicamentos necessários.

Alguns senadores reagiram à decisão de Barroso, apontando projetos para restringir atuação do Supremo. O presidente Bolsonaro falou em impeachment de ministro. Há espaço para retaliar o Supremo nesse sentido, em termos de mudar regras de indicação, fazendo andar impeachment?
Um Senado da República não pode agir com revanchismo, muito menos com retaliação a quem quer seja, muito menos em relação a outro poder da República.

Mas, por exemplo, instituir mandato para ministro do Supremo, como o senhor vê isso?
Vejo com bons olhos. Mas vamos ter cuidado com isso, porque as minhas opiniões sobre o STF, o Judiciário brasileiro, são sempre muito respeitosas, são ideias que tenho ao longo do tempo, de vida inclusive como advogado, que são consonantes inclusive com muitos membros do Judiciário, são ideias de bem antes. Eu não queria tratar disso, nesse momento, para não parecer que estou dando ideias aqui de um caráter revanchista ao STF e não o é.

O senhor conversou com o ministro Barroso sobre a decisão? Não, nós conversamos na segunda-feira, depois ao telefone, participamos de um evento juntos da OAB, mas eu sabia apenas que havia um mandando de segurança com ele. Mas em momento nenhum pedi a ele, tampouco ele pediu alguma coisa a mim. Decisão judicial, aprendi uma coisa na vida: você não conversa com juiz antes. Você espera a decisão

Conversou depois?
Não.

O senhor mencionou o comitê do Senado, mas após a primeira reunião, Bolsonaro não foi e depois participou de um outro sem máscara e minimizando a questão do distanciamento social. Até que ponto podemos acreditar em um comitê cujo coordenador trabalha contra as principais políticas de combate à pandemia?
 Se não for por nenhum outro motivo de se acreditar nesse comitê, que se acredite nos demais membros, no ministro da Saúde, no presidente do Senado e no presidente da Câmara, que têm um discurso uniforme de enfrentamento com ações concretas. A fala do ministro da Saúde é a que precisa ser ouvida em relação ao distanciamento social, ao uso de máscara, higienização das mãos, vacinação. E o presidente tem suas convicções pessoais e quem sou eu para poder tirar dele o direito de dizê-lo. Mas não é uma recomendação de cunho científico, de base de medicina que deva a população se pautar.

O senhor já disse que o negacionismo é uma ‘brincadeira macabra’ e critica grupos que difundem essa linha, mas não individualmente. Estamos falando do presidente da República, que dialoga diretamente com milhões de seguidores nas redes sociais. Por que o senhor segue evitando criticá-lo?
Para bom entendedor, um pingo é letra. Quando digo que negacionismo virou no Brasil uma brincadeira de mau gosto, macabra, medieval, desumana, está claro que discuto ideias, propostas, e essas ideias de negacionismo são isso tudo que estou dizendo. Se o presidente as profere, isso vale para o presidente ou para um cidadão comum. Não preciso criticar o presidente. Posso criticar as ideias, quando ele prega qualquer tipo de negacionismo, eu vou criticar o negacionismo e consequentemente estou criticando a fala dele.

Mas o comportamento dele não atrapalha?
Não contribui. O comportamento que se prega o negacionismo de quem quer que seja no Brasil não contribui para o enfrentamento à pandemia. Eu prego tudo isso que o ministro da Saúde também está pregando, que temos que cumprir no enfrentamento à pandemia.

​Mas o senhor se frustra com isso, de sair de uma reunião com um grande debate técnico e o coordenador do comitê contrariar tudo o que foi discutido?
Não vou me dizer que me frustro. Eu discordo. Respeito a posição de todos e me apego ao que verdadeiramente me importa que é o discurso do Ministério da Saúde e do ministro da Saúde de agora, que defende aquilo que eu penso, pelo menos até aqui defende aquilo que eu penso e é nisso que eu tenho que me apegar e acreditar que a população brasileira depois de um ano de pandemia e com todo esse sofrimento que estamos vivenciando já tenha plena compreensão do que precisa ser feito.

O senhor também já se manifestou contra o impeachment. Quando será possível investigar e punir essas responsabilidades do negacionismo do governo em relação a pandemia? O Congresso não está sendo omisso?
O Congresso não está sendo omisso, tem trabalhado muito em projetos de lei, aprovação de medidas provisórias, de Emenda à Constituição. A nossa busca de consenso com o governo federal é uma sinalização muito positiva para poder cuidar de combater o coronavírus com ações que sejam efetivas e inteligentes.

Fala-se que o senhor e o presidente Arthur Lira [Câmara] não vão admitir vetos ao Orçamento.
Se o Congresso não concordar com o veto, que se derrube o veto. Mas eu não posso dizer que não admito veto. O ministro da Economia [Paulo Guedes] e sua equipe, a Secretaria de Governo, acompanharam o trabalho da comissão mista do orçamento. E aí tudo o que foi feito foi alinhado com o governo. Não pode depois de aprovado dizer que estava tudo errado. Isso não é um comportamento adequado. Mas isso não desnatura os bons propósitos, as boas ideias, os bons méritos da política da equipe econômica, que tem meu integral apoio.​

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Parece que está surgindo um político de verdade na presidência do Senado. Deu uma entrevista notável e veraz. Nem tudo está perdido, portanto(C.N.)

A AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL CONTRA O PREFEITO E VICE-PREFEITO DE JEREMOABO CONTINUA VIVO.

 

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STF cobra “espírito republicano” após Bolsonaro apontar “politicalha”


Barroso foi criticado por decisão

Ordenou criação da CPI da Covid

O ministro Luís Roberto Barroso (dir.) determinou a abertura da CPI da Covid-19 no Senado, que deve investigar omissões do governo de Jair BolsonaroSérgio Lima/Poder360


09.abr.2021 (sexta-feira) - 13h36

O STF (Supremo Tribunal Federal) cobrou “espírito republicano” depois de o presidente Jair Bolsonaro ter acusado o ministro Luís Roberto Barroso de praticar “politicalha” e “ativismo judicial”. Em nota, o Supremo disse que questionamentos a decisões da Corte “devem ser feitos nas vias recursais próprias”.

“O Supremo Tribunal Federal reitera que os ministros que compõem a Corte tomam decisões conforme a Constituição e as leis e que, dentro do Estado democrático de Direito, questionamentos a elas devem ser feitos nas vias recursais próprias, contribuindo para que o espírito republicano prevaleça em nosso país”, diz o texto.

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Nessa 5ª feira (8.abr.2021), Barroso concedeu liminar (decisão provisória) ordenando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a instalar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid.

A comissão irá investigar as responsabilidades por ações e possíveis omissões do governo de Jair Bolsonaro no combate à pandemia de coronavírus. A instalação do colegiado foi apoiada por 30 senadores que assinaram requerimento apresentado a Pacheco em 15 de janeiro. O presidente do Senado, no entanto, não levou o tema adiante. Barroso considerou que Pacheco não poderia se opor à criação da CPI por “conveniência e oportunidade políticas”.

Na manhã desta 6ª feira (9.abr.2021), o presidente protestou contra a decisão de Barroso. Disse que “falta coragem” ao ministro e sobra a ele “ativismo judicial”.

“Pelo que me parece, falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial”, disse o presidente. E completou: “Não é disso que o Brasil precisa. Vivendo um momento crítico de pandemia, pessoas morrem. E o ministro do Supremo Tribunal Federal faz politicalha junto ao Senado Federal”.

Para Bolsonaro, o que deveria ser apurado são os “desvios de recurso de governadores“. Ele criticou a decisão do ministro e disse que ele agiu em conjunto com a bancada de esquerda do Senado “para desgastar o governo“. Ainda de acordo com o presidente, os governadores e prefeitos desviaram “bilhões” de reais em verba pública destinada à pandemia.

O presidente disse ainda que o ministro Barroso não tem “coragem moral” de determinar a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. “Se tiver um pingo de moral, ministro Barroso, mande abrir os processos de impeachment contra alguns dos seus companheiros do Supremo Tribunal Federal“, disse Bolsonaro.

Barroso estava em aula na UERJ de 9 às 14h. Ao tomar conhecimento da fala do presidente, segundo sua assessoria, apenas disse: “Na minha decisão, limitei-me a aplicar o que está previsto na Constituição, na linha de pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, e após consultar todos os Ministros. Cumpro a Constituição e desempenho o meu papel com seriedade, educação e serenidade. Não penso em mudar”.

O Senado tem ao menos 10 pedidos de impeachment contra ministros do STF. O integrante mais visado da Corte é Alexandre de Moraes, desafeto de bolsonaristas. Há no Senado até mesmo um pedido para retirar todos os integrantes do Supremo. Não há nenhum pedido específico para o impeachment de Barroso.

AJUFE CRITICA BOLSONARO

Em nota (íntegra – 155 KB), a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), entidade nacional representativa de magistrados e magistradas federais do Brasil, manifestou repúdio às declarações de Bolsonaro contra Barroso. Segundo a associação, as falas do presidente são “incompatíveis com a independência judicial”.

“A Ajufe não admite qualquer tentativa de interferência na atuação do Poder Judiciário, que deve se pautar pela Constituição Federal e pelas leis do país. A postura do Presidente da República é, portanto, absolutamente incompatível com a independência judicial e com o respeito que deve sempre existir entre os representantes dos Poderes de Estado”, diz na nota.

“Eventuais insatisfações devem ser combatidas por meio dos instrumentos previstos nas leis processuais, não com vociferação de impropérios e ilações contra o julgador. Assim agindo, o Presidente da República apenas gera transtorno, desgaste e polêmica entre as instituições, agravando a crise que o Brasil e o mundo atravessam e dificultando, com isso, o retorno ao estado de normalidade”, completa.


Correção [9. abr.2021 – 14h35]A 1ª versão deste texto informava erroneamente que o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, havia cobrado “espírito republicano” do presidente Jair Bolsonaro. O posicionamento, na verdade, é do STF, que divulgou nota nesta 6ª feira (9.abr.2021).

Fraternos: Entre políticos e empresários, MPF apresenta denúncia contra 32 pessoas

Fraternos: Entre políticos e empresários, MPF apresenta denúncia contra 32 pessoas
Foto: Reprodução / Radar 64

O Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra 32 pessoas, incluindo políticos por participar de diversos "certames feitos pelas administrações", realizando fraudes para desviar rendas públicas de origem federal, estadual e municipal, para a contratação dos serviços licitados, incluindo merenda escolar, descoberto em 2017 (relembre aqui). De acordo com a acusação, os envolvidos teriam cometido diversos crimes entre 2009 e 2017, assinada pelo Procurador Regional da República Lauro Pinto Cardoso Neto. 

 

Segundo apuração do MPF, os líderes da organização criminosa seriam os ex-prefeitos de Eunápolis, Robério Oliveira (PSD), de Porto Seguro, Cláudia Oliveira (PSD). A estrutura da organização seria dividida entre núcleos: político, dos servidores, empresarial e executivo e pode ter desviado mais de R$ 200 milhões no período.

 

De acordo com a denúncia, a ação "abrangia corrupção de funcionários públicos – incluindo vereadores nos municípios geridos pelo 'casal Oliveira' – e simulações de processos licitatórios junto às prefeituras de Eunápolis e Porto Seguro, voltados à contratação de obras de infraestrutura nos municípios, à locação de máquinas e veículos, à aquisição de merenda escolar, à prestação de serviços de publicações oficiais e à realização de eventos culturais, para posteriormente desviar parcela dos recursos destinados à execução dos contratos administrativos em benefício direto e indireto de seus integrantes, mediante interpostas pessoas físicas e jurídicas, as quais cediam suas contas com o escopo de ocultar e dissimular a origem, a localização e a propriedade dos recursos". 

 

Em resumo, as empresas participantes pertencem a um só bloco empresarial, figurando como concorrentes tão somente para conferir uma aparência de legalidade na disputa por licitações. Então as empresas participantes pertenceriam a grupos empresariais distintos, porém as empresas vencidas são subcontratadas pelas empresas integrantes da organização criminosa, vencedoras dos certames. As participantes faziam parte também de grupos empresariais distintos, mas aquelas “perdedoras” recebem valores tão somente para apresentar “orçamentos de "cobertura” para participarem do certame.

 

Entre os crimes que os participantes da organização criminosa teriam cometido estão: concurso material, delitos licitatórios, de corrupção passiva, peculato e lavagem de capitais, culminando na fraude de dezenas de procedimentos licitatórios e no desvio de recursos de origem federal, estadual e municipal.

Bahia Notícias

Parlamentares cobram explicação de Ricardo Salles sobre manifestações em defesa de madeireiros


Charge do Duke (domtotal.com)

Camila Mattoso
Folha

Os deputados federais Bohn Gass (PT-RS) e Nilto Tatto (PT-SP) protocolaram nesta quinta-feira (8) um pedido em que solicitam informações a Ricardo Salles (Meio Ambiente) sobre suas manifestações em defesa de madeireiros alvos da Polícia Federal.

O ministro esteve duas vezes no Pará nas últimas semanas, onde foi realizada a maior apreensão de madeira da história do país. Salles tem criticado a condução do caso pela PF. A apreensão de 131 mil m³ de toras foi realizada em dezembro de 2020 e batizada de operação Handroanthus GLO. Depois, outras ações foram realizadas e há mais de 200 mil m³ armazenados pelas autoridades federais.

ENTREVISTA – O pedido de explicações tem como base a entrevista dada ao jornal Folha de S.Paulo pelo superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, em que ele defende a investigação e rebate as críticas do ministro.

“Nos chamou a atenção a contundente da postura do chefe da PF do Amazonas, Alexandre Saraiva, que em reação à atitude de Vossa Excelência reafirmou a licitude da operação, esclarecendo as razões legais que justificam plenamente a apreensão realizada”, diz trecho do pedido. Os deputados elencam no requerimento nove perguntas a serem respondidas por Salles. Eles perguntam, por exemplo, quais são os planos de manejo que autorizaram o corte das árvores.

Como justificativa para a solicitação de informações, os parlamentares afirmam ser “estranha” a posição adotada pelo titular do Meio Ambiente que, dizem eles, assumiu “o ponto de vista dos infratores”. “Afinal, um dos possíveis desfechos pode revelar ao país que a Amazônia está sendo devastada pelo crime ambiental com a conivência e inação das mais altas autoridades do país”, diz o pedido.


Após ataques a Barroso, ministros do STF rebatem e afirmam que Bolsonaro “passou dos limites”

Publicado em 9 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro disse que “falta coragem moral” a Barroso

Bela Megale
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, conversou com os demais ministros da Corte antes de emitir uma nota em resposta às ofensas que Jair Bolsonaro fez a Luís Roberto Barroso. A avaliação de magistrados da Corte é a de que o presidente da República “passou do limite” nos ataques que proferiu contra Barroso.

A nota seria um meio de encerrar a discussão. Em conversa com apoiadores nesta manhã, Bolsonaro acusou o ministro de fazer “ativismo judicial”, disse que “falta coragem moral” a Barroso e que o magistrado faz “politicalha”.

EM DEFESA DA DECISÃO – Na manifestação emitida pelo STF após o ataque, o tribunal defende a decisão de Barroso de determinar a abertura da CPI da Pandemia pelo Senado e afirma que os ministros seguem a Constituição.

O foco dos ministros do STF de agora em diante é a análise do caso no plenário virtual, que deve confirmar a decisão de Barroso. A votação está marcada para começar na próxima sexta-feira (16). A avaliação de magistrados é que seria difícil adiantar esse cronograma, porque já há recursos do ex-presidente Lula que também serão analisados pela Corte na próxima semana.

CRÍTICAS –  O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta sexta-feira o ministro Luís Roberto Barroso, pela decisão de mandar o Senado instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investigar a atuação do governo federal na pandemia de Covid-19. Bolsonaro afirmou que Barroso faz “politicalha” e “ativismo judicial”.

Bolsonaro também afirmou que Barroso não tem “coragem moral” para determinar também que o Senado analise pedidos de impeachment contra ministros do STF. Diversos pedidos de impeachment contra membros da Corte foram apresentados nos últimos anos, mas nenhum teve andamento.

“Pelo que me parece, falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial. Não é disso que o Brasil precisa. Vivemos um momento crítico de pandemia, pessoas morrem, e o ministro do Supremo Tribunal Federal faz politicalha junto ao Senado Federal”, disse o presidente, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

MILITÂNCIA POLÍTICA – Bolsonaro publicou um trecho da conversa com apoiadores em suas redes sociais e escreveu que para Barroso “falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”.


A decisão de Barroso foi tomada na quinta-feira. A oposição conseguiu as assinaturas necessárias para que a comissão funcionasse, mas o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vinha resistindo em instalá-la. O objetivo da CPI é investigar se o governo cometeu omissões no combate à pandemia do novo coronavírus.

GOVERNADORES E PREFEITOS – Na conversa com apoiadores, Bolsonaro criticou o escopo da CPI, por não investigar também governadores e prefeitos, e disse que Barroso fez uma “jogadinha casada” com senadores de esquerda para “desgastar o governo”. A decisão do ministro atendeu a um pedido dos senadores Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

“A CPI não é para apurar desvio de recursos de governadores. É para apurar, segundo está lá na ementa do pedido de CPI, omissões do governo federal. Ou seja, uma jogadinha casada, Barroso (e) bancada de esquerda do Senado para desgastar o governo. Eles não querem saber o que aconteceu com os bilhões desviados por alguns governadores e alguns poucos prefeitos também”, disse.

CESARE BATTISTI – O presidente também criticou Barroso por ter atuado como advogado do ex-ativista italiano Cesare Battisti, que cumpre pena de prisão perpétua pela participação em quatro homicídios no fim dos anos 1970.

“Barroso, nós conhecemos teu passado, tua vida, o que você sempre defendeu, como chegou ao Supremo Tribunal Federal, inclusive defendendo terrorista Cesare Battisti. Então, use sua caneta para boas ações em defesa da vida e do povo brasileiro, e não para fazer politicalha dentro do Senado Federal. Se tiver moral, se tiver moral, um pingo de moral, mande abrir processo de impeachment contra alguns dos seus companheiros no Senado Federal”, finalizou.

Um plano para ‘socializar’ o capitalismo nos EUA, na visão modernizadora de Biden

Publicado em 9 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Is the Biden Campaign Trying to Hide the Real Joe Biden? | Vanity Fair

Joe Biden tentará reduzir rapidamente a miséria nos EUA

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Winston Churchill dizia que a democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras. O presidente da China, Xi Jinping, acredita que o “modelo chinês” atual é a prova de que há algo superior à democracia ocidental. Promove crescimento acelerado e todo ano tira milhões de pessoas da pobreza.

Já o presidente Joe Biden está lançando um enorme programa social-democrata — investimentos públicos financiados com aumento de impostos — para provar que é possível combinar crescimento e justiça social em ambiente democrático.

POLÍTICA E ECONOMIA – O leitor terá notado que há aqui alguma confusão entre política e economia. É que, na época de Churchill, se entendia que democracia só combinava com capitalismo, com sua liberdade de empreender. E, claro, socialismo só podia combinar com ditadura.

Tem outra frase de Churchill sobre isso: “O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesses; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias”.

Acontece que a China está ficando rica, sendo uma ditadura política, com uma economia meio estatal (socialista), meio privada. Na verdade, hoje, a maior parte do PIB chinês é produzida pelo setor privado. Enquanto isso, no Ocidente das últimas décadas houve experiência no sentido contrário: ditaduras de direita com capitalismo, como a promovida pelo golpe de 64 entre nós.

SOCIAL-DEMOCRACIA – A Europa desenvolveu a social-democracia, uma combinação de capitalismo com forte intervenção do Estado nas questões sociais (saúde, educação, previdência) e em negócios considerados estratégicos.

Tudo considerado, Biden dividiu as coisas assim: a autocracia chinesa versus a democracia americana em novo modelo. Para Biden, o capitalismo americano liberal, praticado nas últimas décadas, gerou muita riqueza, mas com clara desigualdade de oportunidades e renda. Resumindo, os ricos ficando mais ricos, e as classes médias e pobres, estagnadas ou piorando.

Esta é a virada que ele quer fazer: manter um capitalismo pujante e empreendedor, com melhor distribuição de oportunidades por meio da intervenção do Estado.

US$ 3 TRILHÕES – Biden pretende gastar, em oito anos, nada menos que US$ 3 trilhões em obras de infraestrutura, pesquisas de ciência e tecnologia e “apoio às famílias”. Essa última parte ainda não foi especificada, mas se supõe que seja apoio à saúde e à educação dos mais pobres.

O dinheiro deverá vir de aumentos no IR das empresas e das pessoas mais ricas. Acredita que, em 15 anos, todos os três trilhões estarão pagos, sem aumento da dívida pública. O obstáculo que enfrenta é justamente aquilo que os autocratas definem como o “defeito” das democracias: a definição de consensos. Ou seja, o programa tem que ser aprovado no Congresso e já conta com forte oposição do Partido Republicano.

Aliás, Churchill tem um comentário sobre isso: “O que eu espero, senhores, é que, depois de um razoável período de discussão, todo mundo concorde comigo”.

IMPORTANTE EXPERIÊNCIA – Como não é assim que funciona, Biden está de fato iniciando uma importante experiência. E por que estamos tratando disso aqui, neste momento? Porque, primeiro, tem sido quase impossível formar consensos, mesmo em questões de ciência; segundo, toda vez que o Estado aumenta gastos, acaba gastando mal e com dívida; terceiro, temos uma democracia que não gera bons governos; e, quarto, fizemos um capitalismo de compadres — de ladrões mesmo.

É por isso que as ideias autoritárias ou autocráticas, de direita ou esquerda, ganham espaço. Em compensação, surge também algo que alguns chamam de “liberalismo social”. Assim: o capitalismo é superior ao socialismo na geração de riquezas, mas o Estado deve intervir para igualar as oportunidades (escola pública e saúde pública boa para todo mundo) e distribuir renda por meio de programas sociais (Bolsa Família) e um sistema tributário mais justo.

Vamos prestar atenção no programa Biden.

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