segunda-feira, abril 20, 2020

Maia repudia discurso de Bolsonaro em ato pró-intervenção militar: “Crueldade imperdoável”


“Temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo”, disse Maia
Fábio Fabrini
Folha
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), repudiou neste domingo, dia 19, as manifestações em apoio a uma intervenção militar no Brasil e a outras demandas inconstitucionais — uma delas, em Brasília, teve a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em Brasília.
Por meio de uma rede social, o deputado disse ser uma “crueldade imperdoável” pregar uma ruptura democrática em meio às mortes da pandemia da covid-19.
AUTORITARISMO – “O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos”, escreveu Mais. “Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição.”

Os atos em algumas cidades do país reuniram apoiadores do presidente, que defenderam o fim do isolamento social para todos os brasileiros, restringindo-o apenas aos grupos de risco.
AI-5 – Eles também reivindicavam o fechamento do Congresso e do Supremo, além da volta do ato institucional número 5 (AI-5), que marcou o aumento da repressão durante o regime militar no país.
Em Brasília, Bolsonaro subiu na caçamba de uma caminhonete e discursou perante manifestantes que se aglomeraram em frente ao quartel-general do Exército.
GOLPE – “Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia”, afirmou.
Maia disse que, para vencer a guerra contra o coronavírus, é necessário ter “ordem, disciplina democrática e solidariedade com o próximo”. “São, ao todo, 2462 mortes registradas no Brasil. Pregar uma ruptura democrática diante dessas mortes é uma crueldade imperdoável com as famílias das vítimas e um desprezo com doentes e desempregados. Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia”, afirmou.
PATIFARIA – Em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo, dia 19, que “acabou a época da patifaria” e gritou palavras de ordem como “agora é o povo no poder” e “não queremos negociar nada”.
“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil”, declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. “Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.”A fala de Bolsonaro e sua participação nesse ato em Brasília, no Dia do Exército, provocaram fortes reações no mundo jurídico e político.
CONTRA A DEMOCRACIA – O governador João Doria (PSDB) disse ser “lamentável” que o presidente “apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5”. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também chamou de “lamentável” a participação de Bolsonaro. “É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia.”
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, disse à coluna Mônica Bergamo, da Folha que “só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve”. Gilmar Mendes, também do STF, disse que “invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática”.
O presidente Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse que “a sorte da democracia brasileira está lançada” e que está é a “hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade”.

MInistro Paulo Guedes erra ao pretender vender as reservas monetárias do país

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TRIBUNA DA INTERNET | Deputados querem convocar Guedes para ...
Charge do Genildo (Arquivo Google)
Flávio José Bortolotto
O ministro da Economia, Paulo Guedes, novamente fala em vender parte das reservas monetárias do Brasil, que tem relativamente o dobro do montante recomendado pela prática, que seria o equivalente ao custo das importações em um ano. Como se sabe, em 2019 o Brasil exportou US$ 225 bilhões, importou US$ 179 bilhões, com superávit comercial de US$ 46 bilhões.
A venda de parte dessas reservas, sem dúvida, faz sentido econômico, mas é totalmente contraprodutiva devido a seu efeito psicológico.
RECESSÃO MUNDIAL – Numa guerra da Saúde contra a Covid-19, trazendo a consequente recessão (queda de aproximadamente 5% no PIB 2020 do Brasil), que será mundial, como acontece em toda guerra, o fator psicológico é de longe o mais importante.
Vender reservas agora dará a impressão de estarmos vendendo a prataria da família para tentar salvar a casa. Economia é uma ciência simples, mas que não é nada fácil, por ser composta de   90% em psicologia e 10% em economia.
BASTA TER HABILIDADE – Essa venda não é necessária, porque o Brasil tem seu Banco Central e esse pode criar todo o crédito que o brasil necessita nessa emergência de saúde sem grande inflação. Basta ter habilidade.
O mundo viveu com moeda metálica (ouro e prata), depois passou para a moeda papel (trocável por moedas de ouro se o dono da moeda papel quisesse), depois papel moeda, e felizmente hoje crédito via conta bancária e cartão magnético, com créditos e débitos em contas bancárias. O lastro desse crédito, é que ele é aceito para pagar os impostos, não é mais ouro nem prata.
UM BOM SERVIÇO – com isolamento social dos trabalhadores não essenciais, o Brasil está fazendo bom serviço na emergência do Covid-19, ainda conseguindo não colapsar o Sistema de Saúde, principalmente o importantíssimo SUS e passando pela crise com relativamente pequeno número de óbitos, e o pico está previsto para meados de maio, ainda faltam três semanas, que chegam rapidamente. Depois, evitando-se o colapso no Sistema de Saúde, é sair rápido da recessão e recuperar produção.
Nosso PIB 2019 em números redondos foi de R$ 8 trilhões (o oficial é um tanto subestimado), e caindo 5%, devemos perder R$ 400 bilhões. Como a carga tributária é 35% do PIB,  dá R$ 2,88 trilhões. Em 2020, o Ano da Crise, ela cai 30%, o que dá R$ 864 bilhões.
Deve o Banco Central injetar em 2020 cerca R$ 400 bilhões (queda do PIB), somados aos R$ R$ 864 bilhões (queda de arrecadação, num total de R$ 1,264 trilhão para sairmos bem da Recessão.
VAMOS CRIAR CRÉDITO – Tecnicamente não há nada que impeça de se criar esse crédito de R$ 1,264 trilhão. Vejam que o FED USA já injetou US$ 1,5 trilhão e o Senado norte-americano aprovou mais US$ 2 trilhões, num PIB USA 2019 de aproximadamente US$ 20 trilhões, e não parará por aí. A coisa é nessa proporção, cerca de 15% do PIB para estabilizar o barco norte-americano, mas depois o que não pode é deixar cair a produção e o consumo.
Quanto a congelar por dois anos o salário do funcionalismo, erra feio de novo no aspecto psicológico, porque antes disso deveria aumentar a alíquota do Imposto de Renda dos Funcionários que ganham mais do que R$ 20 mil por mês.

Imprensa internacional repercute participação de Bolsonaro em ato que pedia retorno do AI-5

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Bolsonaro disse que foi no ato porque acredita nas reivindicações
Deu no G1
Jornais pelo mundo repercutiram a participação neste domingo, dia 19, do presidente Jair Bolsonaro em protesto em Brasília que pedia intervenção militar e o retorno do AI-5, instrumento da ditadura militar que fechou poderes e instituiu a censura no Brasil.
O jornal norte-americano “The Washington Post” reproduziu material da agência Associated Press que relatava a presença de Bolsonaro no protesto. No primeiro parágrafo, a reportagem destaca que a participação do presidente gerou fortes críticas no meio político e que ele desrespeitou as recomendações do próprio Ministério da Saúde para manter o distanciamento social.
“POLÊMICO” – O argentino “Clarín” chamou Bolsonaro de “sempre polêmico” e deu destaque ao repúdio de juízes e governadores ao presidente pela participação aos “atos pró-ditadura”. Segundo o jornal argentino, o fato “intensificou a tensão institucional” no Brasil.
A reportagem do francês “Figaro” destaca que Bolsonaro discursou a manifestantes anti-confinamento que pediam intervenção militar e fechamento do Congresso. No texto, o jornal francês destacou a declaração do presidente de que não queria “negociar nada”.
O jornal português “Diário de Notícias” repercutiu a presença de Bolsonaro no protesto em Brasília e relembrou que a intervenção militar pedida por manifestantes é proibido por lei. Além disso, o “Díario” afirmou que o presidente contrariou recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde.

Após ato pró-intervenção militar, Bolsonaro defende Supremo e Congresso “abertos e transparentes”


Em uma simulação bipolar, Bolsonaro tenta consertar o que está quebrado
Guilherme Mazui
G1
Um dia após discursar em ato que pedia intervenção militar, o presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta segunda-feira, dia 20, o Supremo e o Congresso “abertos e transparentes”.
Bolsonaro deu a declaração na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada. Ele parou para falar com jornalistas sobre temas como a crise do coronavírus e sobre a participação no ato deste domingo.
FECHAMENTO DO STF – Nesse momento, um dos apoiadores do presidente, que acompanham a saída dele do palácio todas as manhãs, gritou uma frase a favor do fechamento do Supremo. Bolsonaro advertiu o apoiador: “Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, aqui é respeito à Constituição brasileira. E aqui é minha casa, é a tua casa. Então, peço por favor que não se fale isso aqui. Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente”, afirmou Bolsonaro
O presidente afirmou ainda que a pauta do ato do domingo era a volta ao trabalho e a ida do povo para a rua. Bolsonaro defende o relaxamento das medidas de isolamento social contra o coronavírus “O povo na rua, dia do Exército, volta ao trabalho. É isso”, disse.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Bolsonaro não muda a sua estratégia. Diante de milhares de pessoas fala uma coisa, rubrica um discurso de apoio a um protesto que tinha estampado em diversas faixas e ratificado pelos brados incessantes pela intervenção militar, e um dia depois nega tudo. Não tem credibilidade. Joga álcool para os incendiários brincarem e depois lava as mãos. Não é a primeira vez que em uma simulação de bipolaridade tenta consertar o que está quebrado. Enche a boca para dizer que é o presidente, o dono do poder (?), mas não age como tal. Em um período em que a população precisa de soluções para uma pandemia, em que o mundo todo parou, Bolsonaro faz questão de sair pela tangente, insuflar ainda mais uma multidão que parece viver à parte da realidade. Enquanto muitos lutam pela vida nos hospitais tentando sobreviver à doença, outros tantos se esfregam e se aglomeram torcendo para que a crise piore ainda mais.  Contra a falta de sanidade, não vai ter argumento que resolva. (Marcelo Copelli)

Bolsonaro intensifica ataque a Maia e compartilha entrevista de Roberto Jefferson, condenado por corrupção


Roberto Jefferson tem caído nas graças de aliados de Bolsonaro
André Ítalo Rocha e Pedro Venceslau
Estadão
Depois de participar de um ato que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro usou a internet para continuar os ataques ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na noite deste domingo, dia 19.
Ele fez uma transmissão ao vivo, em que aparece assistindo a uma entrevista do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) para blogueiros de direita. Na entrevista, Jefferson, que delatou o esquema do Mensalão e foi condenado a sete anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, diz que Maia fez um acordo com a esquerda para aprovar o impeachment do presidente.
PEDIDOS DE IMPEACHMENT – Desde que a crise do coronavírus estourou, ao menos três pedidos de impeachment contra Bolsonaro foram apresentados na Câmara dos Deputados. Como presidente da Casa, cabe a Maia aceitar ou negar os procedimentos. Por enquanto, ele não deu nenhum sinal de que pretende levar os processos adiante.
Na quinta-feira, dia 16, o presidente atacou Maia, ao dizer em entrevista à CNN que acha que a intenção do parlamentar é tirá-lo da Presidência. Em reação às críticas, Maia disse que não entraria numa disputa pública com Bolsonaro: “O presidente não vai ter ataques (de minha parte). Ele joga pedras e o Parlamento vai jogar flores”, completou.
“GOLPE” – Segundo Jefferson, que hoje preside o PTB, o “golpe” de Maia tem duas partes. A primeira é realizar o impeachment, que ocorreria após perda de governabilidade do presidente. A segunda parte seria mudar a legislação para permitir que Maia se reeleja como presidente da Câmara. O mandato de Maia termina em 31 de janeiro de 2021, e ele não pode mais se reeleger.
“Ele troca, com a esquerda, o impeachment pela reeleição. Ele dá à esquerda a admissibilidade do pedido de impeachment e depois eles votam a reeleição de Maia como presidente da Câmara”, disse Jefferson, na entrevista compartilhada por Bolsonaro.
ABSTINÊNCIA – Segundo Jefferson, Bolsonaro se negou a fazer um governo de “toma lá, dá cá” e por isso haveria uma “crise de abstinência” pela corrupção. O ex-parlamentar tem caído nas graças de aliados de Bolsonaro. Uma publicação de Jeffferson foi compartilhada por um dos filhos de presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos), neste domingo.
Na entrevista, feita pelo grupo bolsonarista República de Curitiba, Jefferson também fala sobre a entrevista concedida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao Estado publicada nesse domingo, na qual o tucano afirma que o Brasil vive hoje um parlamentarismo branco e que há um governo compartilhado entre STF e Congresso.
O grupo República de Curitiba era um dos que estavam por trás da convocação para ato de 15 de março que também pediu o fechamento do Supremo e do Congresso, como fizeram as manifestações deste domingo.
MENSALÃO – Jefferson ficou conhecido nacionalmente após delatar o esquema de compra de votos no Congresso Nacional no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, batizado pelo próprio Jefferson de “mensalão”.
Em 2012, Jefferson foi condenado a 7 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena dele foi perdoada em março deste ano pelo Supremo com base no decreto presidencial do indulto natalino.
Ainda na noite deste domingo, Bolsonaro compartilhou trecho de uma entrevista de Maia à CNN, em que o parlamentar responde aos ataques sofridos no dia 16, seguida do clip de um funk que diz: “Ele é mentiroso”.

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