segunda-feira, fevereiro 24, 2020

O maior aliado com que a oposição pode contar em 2022 é o próprio governo


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Charge do Lézio Junior (Diário da Região)
J. R. GuzzoEstadão
Ninguém, sinceramente, acha que vai derrotar o governo nas eleições de 2022 falando que o presidente Jair Bolsonaro é misógino, mesmo porque a maioria da população brasileira não tem a menor ideia do que possa ser isso. Também não vai dar para ganhar dele dizendo que é fascista. Aliás: ser “fascista”, para o eleitor, é ruim, bom ou não é nada? É inútil acusar o homem de praticar o genocídio de homossexuais, índios e negros, porque não houve, nem haverá, genocídio nenhum.
Racista? Não cola. Homofóbico? Também não – a menos que ele se deixe flagrar num delito desses, algo que toma muito cuidado para que não aconteça.
DEMOCRACIA PLENA – Acusar o presidente de liquidar a democracia no Brasil não é viável – não enquanto ele continuar obedecendo às sentenças do Judiciário, cumprindo as decisões do Congresso e respeitando a Constituição. Não há nenhum fato, até agora, capaz de comprovar censura à imprensa, repressão às liberdades públicas ou violação de direitos individuais.
O presidente tem, é verdade, as piores relações com a mídia – odeia a maioria dos veículos de comunicação e dos jornalistas e é detestado, com a mesma intensidade, por uns e por outros. Mas será que isso o prejudica realmente junto ao eleitorado? É duvidoso que sim.
Possivelmente, ao contrário, talvez até o ajude – o que dá para dizer de concreto é que nas eleições de 2018 a pauleira que levou da imprensa, durante toda a campanha, não o impediu de ganhar o segundo turno com quase 58 milhões de votos.
É MESMO DE DIREITA – Bolsonaro, sem dúvida nenhuma, é de direita. E quantos eleitores acham que isso é um defeito? Para muitos é virtude.
O presidente é evangélico. Fala em Deus, pátria e família. Está o tempo todo a favor da polícia e contra os bandidos. Sempre disse que educação sexual para crianças não é coisa para escola e, sim, para os pais. Gosta dos Estados Unidos. Não gosta de Cuba. Muito bem: qual o valor eleitoral que cada uma dessas atitudes pode ter para os adversários?
Outro problema enjoado para a oposição, ou para todos os que não suportam nem Bolsonaro nem o seu governo, é que não conseguem, muito simplesmente, dizer ao público o que fariam de diferente no lugar dele – descontando, é claro, tudo o que está dito acima e que não rende voto.
SEM PLATAFORMA – Qual o programa dos partidos oficialmente de oposição? Quais as suas propostas concretas? E as classes civilizadas, liberais e equilibradas – o que têm a sugerir como ação efetiva de governo, na vida real? Atenção: não adianta dizer que é preciso, por exemplo, “melhorar a educação” ou a “saúde”, e ficar nisso, sem plano de ação nenhum.
Resultado: se alguém exige outro governo, mas não é capaz de explicar por que, ou para o que, ou o que vai fazer de melhor no seu lugar, qual o motivo para se votar nele?
A esperança para os inimigos do governo, pelo que se pode ver até agora, seria um desastre na economia ou um impeachment com um mínimo de chances reais de ser aprovado. A primeira saída não parece fácil. Ninguém ganha voto acusando o governo por ter obtido, em janeiro, a menor taxa de inflação para um primeiro mês do ano – 0,2% – desde o início do Plano Real. Juros anuais de 4,25%, os menores da atual série histórica, também não levam a oposição a lugar nenhum.
OUTROS QUESITOS – Não houve nenhuma invasão de terra em 14 meses. O desemprego cai devagar – mas cai. O crescimento na economia, calculado em 2,5% para este ano, também está lento, mas se coloca na média mundial, e pouco acima dos Estados Unidos.
A Petrobrás teve em 2019 o maior lucro de sua história – R$ 40 bilhões.
Sobra o impeachment. Aí, o maior aliado com que a oposição pode contar é o próprio governo.

Negociação com Congresso foi avalizada por Bolsonaro e Guedes, afirma general Luiz Eduardo Ramos


Ramos nega acusação de ceder a reivindicações do Legislativo
Jussara Soares e Adriana Fernandes
Estadão
Alvo de críticas dentro do Executivo por estar à frente do acordo com o Congresso sobre o Orçamento impositivo, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, disse ao Estado que só se sentou à mesa de negociação com o aval do presidente Jair Bolsonaro e acompanhado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ou sua equipe. Nesta semana, Bolsonaro e Guedes se voltaram contra os termos do trato.
“Desde o início a negociação foi por ordem do presidente. O Paulo Guedes, o tempo todo, esteve ao meu lado. Em nenhum momento, sentei à mesa sem autorização do presidente ou sem o conhecimento do ministro Paulo Guedes. Não tem nada embaixo de panos e conchavos”, disse Ramos ao Estado.
ARTICULAÇÃO – É a primeira vez que ele fala publicamente sobre a polêmica. Colegas que compõem o primeiro escalão do governo questionam a atuação de Ramos, dizendo que o ministro, para se cacifar como articulador e se aproximar dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (AP), ambos do DEM, cedeu às reivindicações do Parlamento e prejudicou o governo.
“Está claro que o presidente tem me prestigiado e me apoiado, fruto de uma relação de amizade. Então começam a falar que estou articulando com Rodrigo Maia e o Alcolumbre contra planos do governo. Isso é só fofoca. Não tem nada. É ciumeira. Por isso digo que minha missão é difícil”, afirmou Ramos.
Bolsonaro, segundo interlocutores, demorou a se dar conta da “gravidade” que as restrições do Orçamento impositivo causariam ao governo. O presidente foi alertado de que viraria uma “rainha da Inglaterra” sem poder de execução nas mãos.
CRISE – A crise eclodiu quando o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, acusou o Legislativo de “chantagear” o governo por recursos. O Estado apurou que numa reunião com Bolsonaro ele chegou a falar em “golpe branco”.
O impasse em torno do acordo do Orçamento, que repassa para o controle do Congresso uma fatia maior de recursos públicos, fez estremecer a relação de Guedes e Ramos. Os dois chegaram a ter uma discussão acalorada, no Planalto. Ramos querendo dividir a responsabilidade do acordo com Guedes. E o ministro da Economia negando participação no acerto.
EMBATE – O embate entre os dois ministros acabou alimentando também questionamentos em torno da atuação de ambos no episódio. A permanência de Guedes no time do presidente chegou a ser especulada. Os ruídos trouxeram preocupação ao mercado. Guedes trata sua eventual saída como “fake news”.
A crise, porém, tem servido de cortina de fumaça para esconder o foco real da intriga: o racha do Congresso com Guedes. O ministro da Economia, que era o fiador do acordo, foi jogado contra a parede e cobrado por líderes partidários. O sentimento foi de quebra de promessa.
A impaciência do Parlamento com o chefe da economia foi exposta pelo presidente do Senado ao próprio Bolsonaro. Numa reunião com a presença de Ramos e Guedes, Alcolumbre disse que o maior problema que Bolsonaro enfrenta é lidar com “ministros que mentem para ele”.

O sonho da Bolsa de Valores acabou, agora é o dólar e só depois vêm os imóveis


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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)
Carlos Newton
Já comentamos aqui na Tribuna da Internet que a economia ainda está em estagnação, mas já se pode comemorar um grande feito do governo – a queda da taxa de juros, depois de décadas de uma política verdadeiramente irresponsável, oriunda do governo Fernando Henrique Cardoso.
Embora a inflação tenha sido contida, o resultado colateral dos juros excessivos foi arrasador, criando a dívida pública impagável e consagrando o “rentismo”, expressão criada por Karl Marx e Friedrich Engels cerca de 170 anos atrás, para denominar um fenômeno que ainda nem existia naquela época e que eles previam como uma fase futura do “capitalismo sem risco”, que renderia juros sem criar empresas e abrir empregos, explorando apenas o capital pelo capital.
EM ESTADO TERMINAL – Agora, com a mão firme de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central e maior revelação da economia brasileira, porque quem sai aos seus não degenera, o rentismo está quase acabando, embora os juros ainda sejam positivos, de 4,25% para uma inflação de 2,69% no IPCA.
Com a queda dos juros, os rentistas migraram dos fundos financeiros para a Bolsa de Valores, que passou a viver a melhor fase de sua história. Mas tudo tem limites e a Bolsa não poderia subir sem parar, até por que existe uma espécie de lei da gravidade econômica da qual ninguém consegue escapar.
Os investidores estrangeiros são os primeiros a sair fora. Pelos cálculos do BC, em janeiro deste ano, quase US$ 2 bilhões foram sacados do país, o que ajuda a explicar o baque que o Ibovespa vem sofrendo depois de ter atingido o recorde de 119 mil pontos.
E O DÓLAR SOBE.. – A Bolsa vai caindo e o dólar sobe, embora o Banco Central faça seguidas intervenções no mercado. Aliás, não adianta nada, porque os rentistas estão abandonando o mercado de ações e mergulhando de cabeça na moeda americana.
Com o dólar em alta, diminui o número de brasileiros que pretendem viajar para o exterior e aumenta a vinda de turistas estrangeiros. Ao mesmo, as exportações crescem e as importações são reduzidas, facilitando a recuperação da indústria nacional.
Mas toda receita tem contraindicações. O dólar alto influencia a inflação, com aumento dos preços dos importados, que incluem o pão nosso de cada dia, assim como o macarrão e os remédios. É por isso que daqui a pouco os rentistas terão de parar de comprar dólares. E a bola da vez passará a ser o mercado imobiliário, que já começou a subir e acaba de ganhar um belo incentivo da Caixa Econômica Federal, nas mãos de Roberto Campos Neto – os juros fixos.
POLÍTICA SUICIDA – É triste ver o Brasil nessa situação nebulosa. Os juros caíram ao seu menor patamar e a economia continua travada. Este é o resultado da política suicida que vinha desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso. A desculpa era de que os juros tinham de ser mantidos altos, para forçar a inflação a cair. Foi uma política verdadeiramente criminosa, que deixou evidente a influência que os grandes beneficiários – os banqueiros – sempre exerceram sobre os sucessivos governos.
Devido a essa política lesa-pátria, conseguiu-se inviabilizar um país que tinha – e ainda tem – o maior potencial de desenvolvimento, com as mais extensas terras agricultáveis, maior volume de água doce, ricas reservas minerais, grande mercado interno, indústria diversificada e autossuficiência em petróleo e geração de energia.
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P.S.
 – Ainda tenho esperanças de que o país se recupere, porque acredito no velho ditado de que “o Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar”. Por isso, a solução talvez seja entupi-los de Lexotan e Rivotril, para o país decolar mais rapidamente. (C.N.)

Após provocação nas redes sociais, Ciro Gomes chama Carlos Bolsonaro de “libélula deslumbrada”


Pedetista chamou clã Bolsonaro de família de “canalhas e milicianos”
Matheus Lara
Estadão
Candidato derrotado à Presidência em 2018, Ciro Gomes (PDT-CE) respondeu a uma provocação do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC) pelo Twitter, chamando-o “libélula deslumbrada” e escrevendo que a família do vereador, que é filho do presidente Jair Bolsonaro, tem “canalhas, milicianos e peculatários corruptos”.
“Libélula deslumbrada. Nós aqui no Ceará somos e seremos o pior pesadelo de sua família de canalhas, milicianos e peculatários corruptos”, escreveu Ciro neste domingo, dia 23. “Quanto dinheiro roubado o (Fabrício) Queiroz (ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, irmão de Carlos) depositou na conta da mulher de seu pai, o canalha maior?”, questionou.
RESPOSTA A TUÍTE – A publicação veio em resposta a um tuíte de Carlos publicado no sábado, dia 22, em que comenta um vídeo do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
No vídeo publicado por Carlos, Randolfe cita Ciro ao manifestar apoio ao irmão do pedetista e seu colega de Senado Cid Gomes (PDT-CE), baleado ao tentar romper com uma retroescavadeira um bloqueio de policiais amotinados em Sobral na quarta-feira, 19 – ele teve alta hospitalar neste domingo.
PROVOCAÇÃO – “‘Vambora’, Ciro. Já estou indo para Sobral, me espera aí!”, diz Randolfe no vídeo, em cima de um trator.” (Randolfe) quer passar por cima de crianças e mulheres com o pessoal do nariz nervoso e lambedor de beiço do Ceará”, comentou Carlos.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro também comentou a publicação do irmão. Ele promete assinar uma petição para denunciar Cid por tentativa de homicídio. Eduardo avisou também que está “estudando” medidas contra o irmão de Ciro e que quer até mesmo ver se ele estava “habilitado a dirigir um trator”.
REPERCUSSÃO – Raldolfe comentou a repercussão do vídeo. De acordo com ele, a gravação foi feita em “clima de carnaval” e para dar apoio a Cid. “A situação do Ceará é crítica e merece atenção redobrada. Em nenhum momento incitei a violência ou o desrespeitar às instituições. Policial merece respeito, miliciano cadeia. Greve reivindicativa tem meu apoio, motim armado não, é crime.”

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