quarta-feira, fevereiro 19, 2020

“Se não quer me ajudar, pelo menos me permita governar em paz”, diz Rui Costa sobre governo federal


Costa e Bolsonaro trocaram acusações no fim de semana
Pedro Caramuru e Gregory Prudenciano
Estadão
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), publicou em sua conta do Twitter nesta segunda-feira, dia 17, que quer “governar em paz, mesmo sem apoio do Governo Federal”. “Se não vai ajudar, pelo menos me deixe trabalhar em paz”, escreveu o governador. A frase também foi dita pelo petista durante a transmissão semanal ao vivo do programa Papo Correria no YouTube.
Durante o programa, Rui Costa disse: “Eu falo ‘se não quer ajudar’ porque o governo federal deve a Bahia mais de R$ 450 milhões. Não está credenciando hospitais novos que eu fiz. Só no ano passado a Bahia deixou de receber mais de R$ 200 milhões em recursos que iriam para a Saúde. Se quer perseguir a Bahia, se não quer me ajudar, pelo menos me permita governar em paz”. “Chega de agressão”, pediu.
ATAQUE – Os atritos entre o governador baiano o presidente da República, Jair Bolsonaro, ganharam novos contornos no último fim de semana, quando Bolsonaro disse que governo da Bahia “mantém fortíssimos laços” com bandidos e que a “PM da Bahia, do PT” era responsável pela morte do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega.
Rui Costa é um dos vinte governadores que publicaram uma carta criticando o presidente Jair Bolsonaro por declarações que “não contribuem para a evolução da democracia no Brasil”. “Não queremos ser agredidos de forma permanente e regular pela Presidência da República”, disse Costa durante o programa.

AGU contraria ministro Sergio Moro e diz que juiz de garantias traz “maior isenção e imparcialidade”


Charge do Roque Sponholz (humorpolitico.com.br)
Pedro Prata
Estadão
A Advocacia-Geral da União cravou que a instituição do juiz de garantias visa ‘maior isenção e imparcialidade’ e ‘preservação de um maior patamar de neutralidade cognitiva do juiz sentenciante’. Em manifestação ao Supremo, a AGU fustigou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 6300, proposta pelo PSL, contra os seis artigos da Lei nº 13.964 que instituem o juiz de garantias.
O parecer vai contra posicionamento do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e frustra o ex-juiz da Operação Lava Jato, que já declarou publicamente ser contra o magistrado de garantias.
“GARANTIA CONSTITUCIONAL” – O documento é assinado pelo Advogado-Geral da União, André de Mendonça, pela secretária-geral de Contencioso, Izabel Vinchon Nogueira de Andrade, e a advogada da União Carolina Sausmikat Bruno de Vasconcelos. Para a AGU, a instituição da figura do juiz é uma ‘garantia constitucional’.
O parecer diz: “O modelo de juiz das garantias instituído no Brasil, de modo sucinto, visa a estabelecer uma nítida separação entre a fase investigativa e a fase efetivamente processual do processo penal, distinguindo os magistrados que atuarão em cada uma delas, de modo a assegurar que o juiz encarregado do julgamento do acusado não tenha previamente participado da fase de produção de provas.”
INSUBSISTÊNCIA – O documento destaca que a figura do juiz de garantias ‘não se trata de um transplante descontextualizado, acrítico ou metodologicamente insatisfatório de soluções estrangeiras’. Na visão da AGU, as ‘pretensões formuladas pelo autor mostram-se insubsistentes’.
“A sistemática do juiz das garantias, introduzida pelo acréscimo dos artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3º-E e 3º-F ao texto do Código de Processo Penal, cumpre o objetivo de permeabilizar a legislação processual penal brasileira ao ideal acusatório agenciado pela Constituição Federal, por meio da otimização dos padrões de imparcialidade na rotina judiciária.”
ARGUMENTAÇÃO – O PSL afirma que a Lei nº 13.964 viola o princípio da isonomia e a simetria em relação às autoridades com foro privilegiado, ‘eis que o juiz das garantias somente encontra previsão para os crimes apurados em primeira instância e, portanto, aquelas autoridades públicas que possuem o foro por prerrogativa de função continuarão tendo o mesmo relator, na fase inquisitorial e na ação penal, tratamento diverso àquele que será dado a todas as demais pessoas nas exatas mesmas condições’.
O partido sustenta que não houve estudo dos impactos econômicos e orçamentários para implementação do juiz de garantias e que poderia haver violação da autonomia financeira do Poder Judiciário e do pacto federativo, uma vez que os Estados ‘seriam obrigados a abrirem créditos suplementares’.
Ainda, considera o tempo para implementação muito curto e que ‘a matéria disciplinada nas disposições atacadas se inseriria na esfera de iniciativa exclusiva do Poder Judiciário’.
CONTEXTO –  A ADI 6300 foi distribuída ao ministro Luiz Fux. Contudo, durante o recesso do Judiciário, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, deferiu parcialmente a medida cautelar ao restringir o seu alcance, decidir regrade transição para processos atuais e adiar a implementação por seis meses.
Uma semana depois, Fux derrubou a determinação de Toffoli e suspendeu, por tempo indeterminado, a criação do juiz de garantias. Ele apontou ‘vícios de inconstitucionalidade’ na lei.
AUDIÊNCIAS – O Supremo promoverá duas audiências públicas sobre a criação do juiz de garantias nos dias 16 e 30 de março. Segundo o Estado apurou, Fux pretende liberar as quatro ações sobre o tema para julgamento ainda neste semestre. Conforme antecipou o Broadcast/Estadão em dezembro, a maioria do STF é a favor do juiz de garantias.

Era só o que faltava! Deputados manobram para ampliar desmatamento na Amazônia


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Edio Lopes, relator, é um dos incentivadores do desmatamento
Carlos Newton
Justamente num momento em que o governo brasileiro está enfrentando uma campanha mundial em defesa da preservação da Amazônia, aparecem dois deputados verdadeiramente idiotas e incluem no parecer de Medida Provisória uma emenda que permite ampliar o desmatamento em Roraima e no Amapá. Como dizia o humorista Barão de Itararé, era só que faltava!
Um dos parlamentares chama-se Edio Lopes, eleito pelo PL de Roraima, que foi escolhido para ser relator da Medida Provisória 901, publicada em outubro de 2019, que trata da transferência para Roraima e Amapá de terras atualmente pertencentes à União.
EMENDA INDEVIDA – Enviado ao Congresso pelo Executivo, o texto original não fazia nenhuma referência sobre a redução da cobertura nativa em imóveis rurais. Mas uma emenda introduzida na medida provisória pelo relator permite que proprietários rurais em Roraima e Amapá reduzam a área de cobertura nativa de suas fazendas, de 80% para 50% da área total.
Acolhida pelo relator, essa emenda foi proposta pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). É uma excrescência jurídica que mutila a melhor legislação ambiental do mundo, o Código Florestal brasileiro, que destina 20% da área das propriedades rurais para reservas ambientais, com aumento para 35% quando a fazenda for na região do Cerrado e para 80% na Amazônia.
Agora, a dupla sertaneja Edio e Mecias quer bagunçar o Código Florestal, para ampliar o desmatamento em Roraima e no Amapá, dois Estados que já têm gravíssimos problemas ambientais devido à agricultura e à exploração mineral.
EXCRESCÊNCIA JURÍDICA – Espera-se que essa excrescência jurídica seja extirpada do parecer, para que o Código Florestal continue garantindo a preservação da maior floresta do mundo, porque no Brasil as leis já existem, o que falta é vontade política para punir os infratores, que podem pegar cadeia e ter de pagar as multas milionárias aplicadas pelo Ibama e outras instituições.
Conforme já assinalamos aqui na Tribuna da Internet, citando importante reportagem de Alceu Luís Castilho e Leonardo Fuhrmann, o maior desmatador da Amazônia é o banqueiro Daniel Dantas, através da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa dos fundos de investimentos geridos pelo banco Opportunity. A empresa, comandada pelo ex-cunhado de Dantas, Carlos Rodenburg, acumula multas de mais de R$ 325 milhões.
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P.S.
 – Em tradução simultânea, basta cumprir a lei, que pune os desmatadores com multa e reclusão progressiva em relação à área devastada. Se o governo tiver vontade política, podemos contar que a Amazônia será preservada. Além disso, teremos mais 35% do Cerrado e 20% das outras regiões do país que estão sendo replantadas pelos produtores rurais. Em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, é impressionante a extensão que já foi reflorestada. (C.N.)

Janaina Paschoal diz que declaração de Bolsonaro sobre repórter da Folha foi “um ato de inegável grosseria”


Deputada diz que seria prudente Bolsonaro “”se policiar”
Mônica Bergamo
Folha
A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), coautora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), avalia que o insulto do presidente Jair Bolsonaro à repórter da Folha Patrícia Campos Mello foi “um ato de inegável grosseria” e que “todo ser humano pode se esforçar para melhorar”.
“Seria prudente o presidente se policiar e seus auxiliares não o instigarem. Essas situações não ajudam ninguém. Por mais que ele tenha sido eleito com esse estilo, todo ser humano pode se esforçar para melhorar”, afirma Janaina. Para ela, porém, a fala de Bolsonaro “não parece suficiente para um impeachment”.
CRÍTICAS  – Eleita com recorde de votos pelo PSL, partido que elegeu o presidente, Janaina foi umas das principais apoiadoras de Bolsonaro durante a campanha, mas tem feito críticas pontuais à sua administração desde então.
“Ele tem esse jeitão, não se policia, reitera na prática das grosserias”, disse ela em entrevista à BBC News Brasil. A deputada, no entanto, afirma que não vê ofensa de Bolsonaro à jornalista Patrícia Campos Mello como ataque à imprensa, mas como “algo pontual”.
ALVO – Janaina Paschoal também já foi alvo de ataques nas redes sociais, tanto por ser a autora do pedido de impeachment de Dilma quanto por criticar Bolsonaro em 2019.
“Eu não gosto desse discurso meio vitimista do machismo. Eu sou atacada por me manifestar livre e claramente e por não me submeter a ninguém. Não descarto que haja uma indignação maior por eu ser mulher. Mas creio que o que incomoda mais é a independência. Na luta entre gangues, apanha mais quem anda sozinho.”
“CARONA” – Diversos apoiadores de Bolsonaro têm acusado a deputada de “ter pego carona” na popularidade de Bolsonaro e agora abandoná-lo. “Ontem (segunda-feira), fiz uma postagem crítica ao bolsonarismo e apanhei o dia todo. Eles não entendem que não nos ajudam a ajudar”, diz a deputada. No Twitter, ela disse que quem a acusa de traidora “ou não tem memória, ou tem problema de cognição”.
“Na convenção do PSL, eu disse, olhando nos olhos do então candidato à Presidência, ser fiel ao Brasil e não a ele pessoalmente. Disse que o apoiaria em razão de, naquele momento, ele ser o único com condições de vencer o PT. Se os bolsonaristas fossem inteligentes, não atacariam quem apoiou e apoia o presidente deles.”
“FURO” – Na manhã desta terça-feira, dia 18, Bolsonaro insultou a jornalista Patrícia Campos Mello com insinuação sexual. “Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim [risos dele e dos demais]”, disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada.
A declaração do presidente foi uma referência ao depoimento de um ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, dado na semana passada à CPMI das Fake News no Congresso.
O depoimento à comissão foi de Hans River do Rio Nascimento, que trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018.
FRAUDE – Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha, baseada em documentos da Justiça do Trabalho e em relatos do depoente Hans, mostrou que uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nome e CPFs de idosos para registrar chips de celular e garantir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.
Já na CPMI, diante de deputados e senadores, ele deu informações falsas e insultou Patrícia, uma das autoras de reportagem sobre o uso fraudulento de nomes e CPFs para permitir o disparo de mensagens.

Euforia com o crescimento da economia esmorece antes da Quarta-Feira de Cinzas

Euforia com o crescimento da economia esmorece antes da Quarta-Feira de Cinzas

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)
Vera MagalhãesEstadão
A felicidade do pobre parece/ A grande ilusão do carnaval/ A gente trabalha o ano inteiro/ Por um momento de sonho/ Pra fazer a fantasia/ De rei ou de pirata ou jardineira/ E tudo se acabar na Quarta-Feira.” – esses versos acima são da pungente A “Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e me voltaram à mente de forma recorrente depois da fala de Paulo Guedes a respeito dos malefícios do real sobrevalorizado.
O ministro da Economia atravessou o samba e acabou por contribuir com uma fantasia candidata a hit do carnaval de 2020: além de reis, piratas e jardineiras, vem aí uma legião de
ALGO INIMAGINÁVEL – Porque a tal “festa” das domésticas no exterior só é imaginável em blocos e carros alegóricos, uma vez que, ainda que o real estivesse na base do “um para um” com o dólar, não sobra dinheiro para a grande maioria dos empregados domésticos viajar.
Então, por que raios o homem mais importante do governo, aquele em quem o “deus mercado” aposta todas as fichas, a ponto de tapar o nariz para os despautérios do presidente e a incompetência gerencial em quase todas as outras áreas, se põe a fazer perorações sem nexo dia sim, outro também?
Talvez Guedes esteja percebendo que a pauta que idealizou para 2020 vai deslizando como a felicidade do pobre, e que a euforia com o “boom” da economia brasileira neste ano 2 da gestão Bolsonaro já passou antes mesmo da Quarta-Feira de Cinzas que anuncia a tristeza sem fim do clássico da bossa nova.
VIAJA NA MAIONESE – Diante das dificuldades, o ministro viaja na maionese ao tentar fazer o jogo do contente da Pollyana. Sim, existem várias razões de teoria econômica para defender o dólar apreciado sobre o real. E nenhuma delas passa nem perto da fictícia festa das domésticas na Disney. Guedes sabe disso, percebeu por onde estava indo quando já era tarde demais e, em vez de encerrar a fala ali, se pôs a tentar emendá-la.
Não pode ser atribuída só à falta de tato retórico a reiteração de declarações atravessadas do ministro: ele está claramente pressionado e desgostoso com o ritmo dos seus projetos, e não pode culpar quem deveria.
Guedes imaginou que a tal linha de produção de reformas estaria mais azeitada neste ano. Depois de segurar a reforma administrativa, Bolsonaro começou 2020 enaltecendo sua urgência. Para, logo em seguida, engavetá-la de novo.
GANHADOR DO OSCAR – E que aqui ninguém tente culpar sua fala comparando servidores a “parasitas”, outro meme instantâneo pela referência ao grande ganhador do Oscar deste ano. A má vontade com a reforma já havia sido replantada na cabeça do inseguro presidente pelos seus assessores palacianos, com os quais o titular da Economia vem se estranhando não é de hoje.
Sem poder mandar ao Congresso a reforma tributária que gostaria, com a administrativa engavetada, tendo de apagar incêndio de Bolsonaro com os governadores depois do ridículo “desafio” de zerar o ICMS dos combustíveis, tendo sido bucha de canhão em Davos para ouvir as críticas que deveriam ser destinadas ao colega do Meio Ambiente, Ricardo Salles, há de se convir que o Posto Ipiranga está numa fase “tristeza não tem fim”.
TUDO DANDO ERRADO – O duro é que a conjuntura internacional, com um surto do novo coronavírus cujos alcance e duração não são possíveis de estimar, e o calendário local, com eleições logo ali, não prenunciam que as coisas vão melhorar depois da Quarta-Feira. Dependerá da articulação política, que, por ser naturalmente desconjuntada, precisa da atuação direta de Guedes.
Se ele não sair dessa maré braba, e rápido, a euforia da virada de ano terá sido como a felicidade do pobre. Ou das domésticas, que não conseguem viajar nem para Cachoeiro do Itapemirim, quem dirá para a Disney.

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