segunda-feira, junho 10, 2019

Polícia apura invasão de celulares que deixa mal Sérgio Moro e procuradores


Resultado de imagem para moro + the interceptTeo Cury, Rafael Moraes Moura e Renata AgostiniEstadão
A Polícia Federal instaurou há cerca de um mês um inquérito para investigar ataques feitos por hackers aos celulares de procuradores da República que atuam nas forças-tarefas da Lava Jato em Curitiba, no Rio e em São Paulo, segundo apurou o Estado com uma fonte a par da investigação. Há 4 dias, outro inquérito foi aberto para apurar ataques ao celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro.
No domingo, o site The Intercept Brasil divulgou o suposto conteúdo de mensagens trocadas pelo então juiz federal Sergio Moro e por integrantes do Ministério Público Federal, como o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba.
ORIENTAÇÃO – As conversas supostamente mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram.
O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material. O The Intercept tem entre seus fundadores Glenn Greenwald, americano radicado no Brasil que é um dos autores da reportagem.
De acordo com o site, há conversas escritas e gravadas nas quais Moro sugeriu mudança da ordem de fases da Lava Jato, além de dar conselhos, fornecer pistas e antecipar uma decisão a Dallagnol.
CONVERSAS VIOLADAS – Os hackers miraram especialmente mensagens trocadas por meio do Telegram. As vítimas, que não haviam acionado a verificação em duas etapas, recurso que adiciona camada adicional de segurança às mensagens, tiveram suas conversas violadas pelos criminosos, segundo fonte a par da investigação.
Os procuradores notificaram a Polícia Federal após um deles desconfiar de mensagem recebida por meio do aplicativo. O ataque em massa foi descoberto e começou a ser apurado pela PF.
Um investigador que conversou com o Estado sob reserva diz que somente as vítimas do ataque poderão confirmar se o conteúdo das mensagens é verdadeiro. Isso porque é muito comum que hackers incluam passagens falsas no meio de conversas “roubadas” das vítimas.
IMPRUDÊNCIA – Um integrante da cúpula do Ministério Público Federal, que falou ao Estado sob reserva, disse que foi “imprudente” o uso do Telegram e não das vias oficiais, já que há uma rede oficial e segura do MPF para esse fim. O ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse que esse tipo de comunicação não deveria ocorrer por aplicativos.
“A troca de mensagens entre juiz e Estado acusador tem de ser no processo, com absoluta publicidade. A internet é sempre perigosa”, disse ao Estado. Ele não quis comentar, porém, o teor das conversas e eventual repercussão em casos em andamento.
A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirmou, em nota divulgada na noite deste domingo, que “não sabe exatamente ainda a extensão da invasão”, mas que “possivelmente” foram copiados “documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança” dos integrantes do grupo e de suas famílias.
AVANÇO DO CRIME – Disse ainda antecipar que os criminosos tentem usar o material roubado para constranger os integrantes da força-tarefa, falseando o conteúdo das conversas. “Uma vez ultrapassados todos os limites de respeito às instituições e às autoridades constituídas na República, é de se esperar que a atividade criminosa continue e avance para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto, falsificar integral ou parcialmente informações e disseminar ‘fake news’.”
Segundo a nota, os procuradores têm “tranquilidade” de que as mensagens “refletem atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial” e que não irão “se dobrar à invasão imoral e ilegal, à extorsão ou à tentativa de expor e deturpar suas vidas pessoais e profissionais”.
SENSACIONALISMO – Também por meio de nota, Sergio Moro afirmou que, nas mensagens em que é citado, “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. O ministro da Justiça disse lamentar “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores” e o “sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”.
Os ataques de hackers vêm sendo recorrentes e já eram motivo de preocupação dentro do MPF. Em maio, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinou instauração de procedimento administrativo para acompanhar a apuração de tentativas de ataques cibernéticos a membros do MPF.
Dodge determinou ainda que a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação da PGR adotasse providências para diagnosticar eventuais ataques e resolver o problema. À época, ela considerou os ataques graves e afirmou que eles poderiam comprometer diversas apurações em curso.
JANOT TAMBÉM – No final de abril, o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou que seu celular havia sido “clonado ou hackeado”. O relator do processo da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, Abel Gomes, também foi alvo de hacker, como mostrou a Coluna do Estadão no sábado.
Na semana passada, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, teve seu celular pessoal clonado. Ele cancelou a linha e determinou a abertura de investigações. O ministro desconfiou de uma ligação recebida por ele e, logo em seguida, bloqueou a linha. Procurados pela reportagem, a Polícia Federal, a Procuradoria-geral da República e Palácio do Planalto não comentaram.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os invasores não parecem ter falseado as mensagens. Se o tivessem feito, é claro que incluiriam direcionamentos e fatos mais graves, embora a simples troca de mensagens já seja considerada uma anormalidade infantil e inaceitável. É mais uma página triste na História do Brasil, mas não é tão grave quanto um ministro do Supremo (Dias Tofolli) não se considerar suspeito para libertar um amigo íntimo (José Dirceu), concedendo-lhe um habeas corpus que a defesa nem havia pedido. E não aconteceu nada a Toffoli, rigorosamente nada. (C.N.)

Revelações ampliam desgaste de Moro e comprometem indicação ao Supremo


Resultado de imagem para moro + the interceptDaniela LimaFolha/Painel
As reportagens do site The Intercept Brasil com bastidores da Lava Jato caíram como uma bomba em Brasília. Na véspera, ministros do STF souberam que haveria um “Wikileaks de Curitiba”, mas sem pistas do potencial das revelações. A aposta é de ampla repercussão internacional.
Membros do Supremo dizem que o conteúdo das revelações é forte e abre margem para questionar a atuação de Sergio Moro como juiz. Um pedido de suspeição do hoje titular do Ministério da Justiça foi rejeitado por Edson Fachin, mas segue sob análise da Segunda Turma. Dormita nas mãos de Gilmar Mendes, que pediu vista.
Integrantes do Judiciário dizem que, hoje, as chances de uma indicação de Moro ao STF vingar são próximas de zero. A indisposição de parte da corte com o titular da Justiça é evidente.
CAJADADA SÓ – Advogados do grupo Prerrogativas vão à OAB para que a entidade peça que a Procuradoria-Geral da República determine o desmonte da Lava Jato, e que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) transforme a aposentadoria de Moro em demissão, para que o ex-juiz perca o direito a vencimentos da magistratura.
Durante o périplo de Paulo Guedes (Economia) pelo STF, na semana passada, um ministro disse a ele que, “se o governo acabar amanhã, vocês já prestaram um grande serviço para o Brasil”. Concluiu explicando que se referia ao fato de Bolsonaro ter feito Moro largar a magistratura para atuar na política.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Caramba! Desta vez as fontes da excelente Daniela Lima exageraram para valer. Advogados simpatizantes do PT e que não temem o ridículo querem que o Conselho Nacional de Justiça revogue a aposentadoria de Moro e a transforme em demissão, como se isso fosse possível. Moro errou feio e até comprometeu a Lava Jato, não há dúvida, mas não se pode esquecer o bem que fez ao país.(C.N.)

Receita abre nesta segunda consulta a 1º lote de restituição do IR 2019

Cerca de 2,55 milhões de contribuintes que declararam Imposto de Renda neste ano vão receber dinheiro do Fisco
Publicado em 10/06/2019, às 07h20
Ao todo, serão desembolsados R$ 4,99 bilhões do lote deste ano / Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Ao todo, serão desembolsados R$ 4,99 bilhões do lote deste ano
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
ABr

A Receita Federal abre nesta segunda-feira (10) a consulta ao primeiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física 2019. Cerca de 2,55 milhões de contribuintes que declararam Imposto de Renda neste ano vão receber dinheiro do Fisco.
Ao todo, serão desembolsados R$ 4,99 bilhões do lote deste ano. A Receita também pagará R$ 109,6 milhões a 20.087 mil contribuintes que fizeram a declaração entre 2008 e 2018, mas estavam na malha fina. Considerando os lotes residuais e o pagamento de 2019, o total gasto com as restituições chegará a R$ 5,1 bilhões para 2.573.186 contribuintes.
A lista com os nomes estará disponível a partir das 9h no site da Receita na internet. A consulta também pode ser feita pelo Receitafone, no número 146. A Receita oferece ainda aplicativo para tablets e smartphones, que permite o acompanhamento das restituições.
O crédito bancário será feito em 17 de julho. As restituições terão correção de 1,54%, para o lote de 2019, a 109,82% para o lote de 2008. Em todos os casos, os índices têm como base a taxa Selic (juros básicos da economia) acumulada entre a data de entrega da declaração até este mês.

Buffet na prefeitura de Jeremoabo!!!

Resultado de imagem para frases nada como um dia após outro
Foto Divulgação

Lembro-me ainda quando pela primeira vez a ex-prefeita Anabel contratou uma das agraciadas de hoje para providenciar os banquetes (buffet)da prefeitura de Jeremoabo bancado com o dinheiro do povo.

Os " cabeças" que hoje são situação, procuraram este Blog para relatar o absurdo e a falta de respeito para com o cidadão Jeremoabense, principalmente porque segundo eles que também concordo em gênero, número e grau, o município como ainda acontece hoje, havia decretado estado de emergência, por enfrentar dificuldades.
O pior de tudo é que ontem um cidadão que hoje é oposição nos interpelou com a seguinte indagação: antes vocês criticavam e condenavam o nosso governo por causa dos gastos com " buffet" e agora esse seu Blog irá escrever o que?
A minha resposta é " quem pariu Mateus que balance", quem tem capacidade para praticar coisas erradas deverá também para assumir.
A dificuldade para assumir os próprios erros existe porque encontrar culpados se tornou um hábito do ser humano.
Para elaborar uma matéria a respeito do assunto " buffet" bastaria transcrever o que escrevi no ano de 2018 e trocar apenas o nome " interino" por Deri do Paloma com alguns acréscimos muitos graves, pois a atitude do " interino" comparando a hoje nesse caso, a disparidade é grande, seria até covardia.
Vamos relembrar parte do que foi dito com o interino em março de 2018:
"Alguém pode perguntar: mas eles não podem se divertir?
- Eu respondo: podem sim!
O prefeito pode se divertir como quiser e onde quiser, desde que primeiro cumpra no mínimo suas obrigações e pague ao povo, afinal o dinheiro não é dele, é nosso, oriundo dos nossos impostos. O prefeito não é o dono do dinheiro, ele apenas o administra, e muito mal diga-se de passagem.
E para encerrar a matéria, me veio a memória uma frase do filósofo Adam Smith: 
"A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza do governante."
É isso aí! "
Por Leandro de Souza" 

A disputa em Jeremoabo é quem pratica mais ilegalidades e com maior gravidade.
A ex- Anabel, o ex-interino no meu entender contratou "buffet" apenas  de forma imoral, isso porque o município como até hoje enfrenta dificuldades financeiras.
Já o atual prefeito contratou de forma imoral, e salvo melhor juízo também ilegal, doloso, beneficiando parentes de Secretários cujos nomes citamos em matéria anterior,  além do nepotismo, o que caracteriza-se improbidade administrativa.
"... qualquer cidadão ou instituição interessada poderá recorrer ao Judiciário para pedir a anulação de uma contratação que ofenda os princípios constitucionais da moralidade, impessoalidade, igualdade e eficiência.
Gladson Angeli, com agências"

A pergunta que não quer calar:
Porque Lourdinha de Peró não participa dessas " licitações" ?
Qual o motivo de só sair vitoriosos os parentes de Secretários da Prefeitura de Jeremoabo?

Será que não existem lanchonetes, hotéis, de cidadãos que não sejam empregados da prefeitura?

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Tiroteio deixa quatro mortos e cinco pessoas feridas em Coelho Neto

Tiroteio ocorreu na manhã deste domingo (9) e deixou cinco pessoas feridas, entre elas, uma criança de 10 anos foi baleada na cabeça.


Por G1 MA — São Luís
09/06/2019 18h33

Tiroteio ocorreu na manhã deste domingo (9) e cinco pessoas morreram.  — Foto: Divulgação
Tiroteio ocorreu na manhã deste domingo (9) e cinco pessoas morreram. — Foto: Divulgação
Quatro homens morreram durante um tiroteio na manhã deste domingo (9) em Coelho Neto, a 385 km de São Luís. Segundo informações da polícia, o caso ocorreu no Mercado Municipal por causa de um antigo desentendimento entre grupos de ciganos da região.
Um suspeito de envolvimento foi preso e baleado durante as operações de busca. De acordo com o delegado Armando Pacheco, entre as cinco pessoas que ficaram feridas, tem uma criança de 10 anos baleada na cabeça, uma mulher baleada na mão e dois homens baleados.
Mortes em Coelho Neto são investigadas pela polícia — Foto: Reprodução/ TV MiranteMortes em Coelho Neto são investigadas pela polícia — Foto: Reprodução/ TV Mirante
Mortes em Coelho Neto são investigadas pela polícia — Foto: Reprodução/ TV Mirante
Ainda segundo a polícia, todos os feridos foram encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Dos quatro mortos, um é do grupo envolvido no tiroteio. Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que a Polícia Civil está investigando o caso.

Leia a nota na íntegra:
Sobre a ocorrência em Coelho Neto, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informa que a Polícia Civil está investigando o caso. A segurança na região foi reforçada e as diligências para localizar os envolvidos estão sendo realizadas, com o apoio do Centro Tático Aéreo (CTA), Grupo de Operações Especiais (GOE), Força Tática de Caxias e equipes policiais de Duque Bacelar e Afonso Cunha e Coelho Neto. As forças de segurança já prenderam um suspeito de envolvimento na ocorrência, que foi baleado durante as operações de busca. De acordo com a apuração preliminar, o crime teria acontecido em decorrência de um antigo desentendimento entre grupos de ciganos da região. Os feridos foram encaminhados para cuidados médicos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caxias, cuja gestão é de competência municipal.

Mensagens mostram que Moro instruiu Deltan na Operação Lava Jato, diz site


por Folhapress
Mensagens mostram que Moro instruiu Deltan na Operação Lava Jato, diz site
Foto: Reprodução / Revista Fórum
Mensagens atribuídas ao ex-juiz Sergio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, do MPF (Ministério Público Federal), que foram divulgadas neste domingo (9) pelo site Intercept Brasil mostram que os dois trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Moro, que hoje é ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro (PSL), foi o juiz responsável pela operação em Curitiba (PR). Ele deixou a operação ao aceitar o convite para o cargo, em novembro.

O site informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Após a publicação das reportagens, a equipe de procuradores da operação divulgou nota chamando a revelação de mensagens de "ataque criminoso à Lava Jato" e disse que o caso põe em risco a segurança de seus integrantes.

Na troca de mensagens, membros da força-tarefa fazem referências a casos como o processo que culminou com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex de Guarujá.

Preso em decorrência da sentença de Moro, o petista foi impedido de concorrer à Presidência na eleição do ano passado.

A sentença de Moro foi confirmada em segunda instância pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). A condenação já foi chancelada também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que reduziu a pena para oito anos, 10 meses e 20 dias de prisão.

Segundo a reportagem, Moro sugeriu ao MPF trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. Especialistas em direito dizem que não haveria, a princípio, nenhuma ilegalidade, mas pode ter havido desvio ético.

"Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejada (sic)", escreveu Moro a Dallagnol em fevereiro 2016, referindo-se a fases da investigação. As mensagens foram reproduzidas da forma como o site as publicou, sem correções ou revisão gramatical.

Dallagnol disse que haveria problemas logísticos para acatar a sugestão. No dia seguinte, foi deflagrada a 23ª fase da Lava Jato, a Operação Acarajé.

Em agosto do mesmo ano, depois de decorrido o período de quase um mês sem novas operações da força-tarefa, o ex-magistrado perguntou: "Não é muito tempo sem operação?". A decisão, em tese, caberia aos investigadores, e não ao juiz do caso.

"É sim", respondeu Dallagnol, de acordo com o Intercept. A operação seguinte ocorreu três semanas depois do diálogo com o magistrado.

O material que veio a público traz também reações à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de soltar em 2015 Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht que se tornou delator. Os diálogos mostram os membros do MPF e do Judiciário debatendo passos que poderiam levar o delator de volta para a prisão.

"Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. [...] Seria possível apreciar hoje?", escreveu Dallagnol.

"Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia", respondeu Moro. Nove minutos depois, o então juiz acrescentou: "Teriam que ser fatos graves".

Depois de ouvir a sugestão, Dallagnol repassou a mensagem do juiz para o grupo de colegas de força-tarefa. "Falei com russo", explicou, usando o apelido que o ex-juiz tinha entre os procuradores.

Em outro episódio, Moro indicou ao procurador do MPF qual seria a tendência de uma decisão sua no processo de Lula. Em 2017, o ex-juiz cobrou os procuradores sobre uma tentativa de adiar o primeiro depoimento do petista com réu em Curitiba.

"Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando", escreveu Moro a Dallagnol. "Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem", continuou, questionando contestações que existiam à realização do interrogatório.

Dias depois, após trocas de esclarecimentos, o procurador buscou tranquilizar o magistrado: "De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia". Moro então falou a Dallagnol sobre como procederia diante de pedido da defesa de Lula para adiar o depoimento: "Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo".

Um outro episódio da Lava Jato abordado na troca de mensagens é o pedido de entrevista com o ex-presidente na prisão barrado na Justiça no ano passado. Segundo conversas reproduzidas pela reportagem, procuradores do MPF envolvidos na Lava Jato reagiram com indignação à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de autorizar o jornal Folha de S.Paulo a entrevistar Lula pouco antes do primeiro turno.

Derrubada no mesmo dia, a permissão só voltaria a ser concedida pela corte neste ano — o jornal entrevistou o petista em Curitiba em abril.

No dia da decisão favorável, em 2018, procuradora Laura Tessler escreveu no grupo de membros do MPF: "Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo [colunista da Folha de S.Paulo], pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas... e a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse..."

"Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!", respondeu a procuradora Isabel Groba.

Tessler, na sequência, afirmou: "Sei lá...mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad", referindo-se ao candidato que substituiu Lula na campanha do PT, Fernando Haddad.

Outro procurador, Athayde Ribeiro Costa, sugeriu que a Polícia Federal adotasse uma manobra para adiar a entrevista para depois da eleição, sem que tivesse de descumprir a decisão da Justiça.

"N tem data. So a pf agendar pra dps das eleicoes. Estara cumprindo a decisao. E se forcarem antes, desnuda ainda mais o carater eleitoreiro", afirmou Costa.

Em outra mensagem, de março de 2016, Dallagnol cumprimentou Moro pelo fato de o então juiz ter sido destaque em manifestações de rua pelo país que pediam a saída de Dilma.

"E parabéns pelo imenso apoio público hoje. [...] Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. [...]", escreveu o procurador ao juiz.

O magistrado afirmou que havia feito uma manifestação oficial sobre o tema. "Parabens a todos nós", acrescentou.

Na sequência, Moro emitiu opinião sobre o momento político do país: "Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos".

As conversas tornadas públicas sugerem ainda dúvidas de membros do MPF quanto à denúncia contra Lula no caso do tríplex de Guarujá, sentença que acabou levando o petista à prisão.

Quatro dias antes da apresentação da denúncia da Procuradoria, Dallagnol afirmou em um grupo que tinha receio sobre pontos da peça jurídica, como, por exemplo, a relação entre os desvios na Petrobras e a acusação de enriquecimento.

"Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis... então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto... São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua", escreveu o procurador.

Cerca de 24 horas depois, Dallagnol se expressou com entusiasmo ao tomar conhecimento de uma reportagem do jornal O Globo que poderia sustentar a acusação. Ele escreveu, às 22h45 de um sábado: "tesao demais essa matéria do O GLOBO de 2010. Vou dar um beijo em quem de Vcs achou isso".

Na véspera da denúncia contra Lula, o representante do MPF afirmou em um grupo: "A opinião pública é decisiva e é um caso construído com prova indireta e palavra de colaboradores contra um ícone que passou incolume pelo mensalão".

Dias depois, ele comentou em mensagem direta a Moro: "A denúncia é baseada em muita prova indireta de autoria, mas não caberia dizer isso na denúncia e na comunicação evitamos esse ponto".

Em outro dia, enquanto procuradores eram atacados por causa de pontos considerados frágeis na denúncia, o ex-juiz e hoje ministro enviou palavras de apoio a Dallagnol: "Definitivamente, as críticas à exposição de vcs são desproporcionais. Siga firme".

O material divulgado pelo Intercept permite também se ter uma ideia sobre o planejamento do célebre PowerPoint contra Lula que o procurador do MPF exibiu ao comentar a denúncia.

"Acho que o slide do apto tem que ser didático tb. Imagino o mesmo do lula, balões ao redor do balão central, ou seja, evidências ao redor da hipótese de que ele era o dono", escreveu Dallagnol em grupo de colegas, dias antes de apresentar a tela com o esquema.

SIGILO
O jornalista Glenn Greenwald, fundador e editor do Intercept Brasil, disse à reportagem que o site respeitará o direito ao sigilo da fonte que repassou as conversas e que, por isso, não pode detalhar a origem do material.

Ele afirmou, no entanto, ter "absoluto nível de confiança" na veracidade do conteúdo. "É um material tão vasto que seria impossível alguém falsificar." Greenwald afirmou que não teria como mensurar a extensão dos arquivos, mas relatou que o conjunto inclui mensagens de texto, áudios e vídeos.

"É um vazamento muito maior do que o do caso Snowden", relatou ele, que foi responsável por revelar em 2013 as mensagens até então sigilosas do governo americano. "Nunca vi algo tão extenso".

O site informou que tomou providências para proteger a íntegra do material, com cópias no Brasil e no exterior. Segundo o jornalista, o objetivo é evitar que qualquer autoridade brasileira tente impedir sua divulgação.

Greenwald disse ainda que a obtenção do material não tem nenhuma relação com a invasão, na terça-feira (4), ao celular de Moro. O próprio ministro afirmou que nenhuma informação foi roubada do aparelho.

"O arquivo que possuímos não tem nada a ver com esse episódio do hacker. Recebemos tudo semanas atrás. A fonte nos procurou há cerca de um mês", disse o editor.

OUTRO LADO
A força-tarefa da Lava Jato afirmou em nota que os procuradores "foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes".

"A violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação, expondo a vida dos seus membros e famílias a riscos pessoais", diz o texto.

A Procuradoria afirma ainda que não sabe a extensão da invasão e que não houve pedido de esclarecimento antes da publicação das reportagens. Sobre o teor dos diálogos, diz que as informações foram tiradas de contexto, o que pode gerar uma interpretação equivocada.

"Vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras. Muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas. A força-tarefa lamenta profundamente pelo desconforto daqueles que eventualmente tenham se sentido atingidos".

A reportagem procurou o ministro Sergio Moro, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

A defesa de Lula afirmou em nota que a reportagem do Intercept revela detalhes de uma trama, já denunciada pelos advogados, que envolve "uma atuação combinada entre os procuradores e o ex-juiz Sergio Moro, com o objetivo preestabelecido e com clara motivação política, de processar, condenar e retirar a liberdade do ex-presidente".

"A atuação ajustada dos procuradores e do ex-juiz da causa, com objetivos políticos, sujeitou Lula e sua família às mais diversas arbitrariedades. A esse cenário devem ser somadas diversas outras grosseiras ilegalidades", diz o comunicado.

Reportagem da Folha de S.Paulo na última quinta-feira (6) mostrou que a defesa de Lula argumentará no STF que a Lava Jato produziu relatórios sobre 14 horas de conversas gravadas entre advogados do ex-presidente, o que contraria a legislação.

Bahia Notícias

Rui classifica como 'muito grave' mensagens de Moro para Deltan: 'Chega de perseguir'

Segunda, 10 de Junho de 2019 - 08:20


por Rodrigo Daniel Silva
Rui classifica como 'muito grave' mensagens de Moro para Deltan: 'Chega de perseguir'
Foto: Reprodução / Facebook
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), classificou como "muito grave" as mensagens em que mostra o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, instruindo o procurador Deltan Dallagnol na Operação Lava Jato. "Chega de mentir e perseguir. É preciso retomar a credibilidade em nossas instituições", disse o petista.

Para Rui Costa, é preciso se apurar o caso para o país "saber toda a verdade". "O que o site The Intercept divulgou é muito grave. Provoca profunda indignação. É fundamental que todo o conteúdo seja esclarecido. O Brasil precisa saber toda a verdade. Caso contrário o país, continuará sem oferecer segurança jurídica Institucional, credibilidade e confiança. O Brasil precisa recuperar sua imagem no mundo", declarou o governador, em sua conta no Twitter.

Moro, que hoje é ministro do governo Jair Bolsonaro (PSL), foi o juiz responsável pela operação em Curitiba. Ele deixou a operação ao aceitar o convite para o cargo, em novembro. Segundo a reportagem, Moro sugeriu ao MPF trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. Especialistas em direito dizem que não haveria, a princípio, nenhuma ilegalidade, mas pode ter havido desvio ético (saiba mais aqui). 

 

Ministro do STF diz que conversas entre Moro e Dallagnol põem em xeque 'equidistância da Justiça'


Ministro do STF diz que conversas entre Moro e Dallagnol põem em xeque 'equidistância da Justiça'
Foto: Nelson Jr. / SCO / STF
A troca de mensagens entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol põe em xeque a equidistância da Justiça, segundo avaliação do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas evidenciam uma colaboração entre os dois, com Moro dando instruções e conselhos ao procurador do Ministério Público Federal (MPF) na condução da Operação Lava Jato.

"Apenas coloca em dúvida, principalmente ao olhar do leigo, a equidistância do órgão julgador, que tem que ser absoluta. Agora, as consequências, eu não sei. Temos que aguardar", declarou o magistrado à Folha de S. Paulo. Ele acrescenta que a relação entre juiz e acusação deve ser tratada "com ampla publicidade" no processo.

No entanto, o conteúdo divulgado pelo site Intercept Brasil, na noite desse domingo (9), expõe o contrário. Em trechos exibidos, Moro sugeriu que o MPF trocasse a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas a Dallagnol e ainda antecipou pelo menos uma decisão judicial ao órgão de investigação.

Com a publicação da reportagem, o ex-juiz, hoje ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PSL), disse que não há "qualquer anormalidade ou direcionamento" no material revelado. Já o MPF divulgou uma nota em que classifica a revelação das mensagens como um "ataque criminoso à Lava Jato" e disse que o caso põe em risco a segurança dos integrantes do órgão (saiba mais aqui).
Bahia Notícias

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