segunda-feira, dezembro 05, 2016

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Artigo publicado na Tribuna da Bahia em 01/12/16

Fidel Castro, um Pirro inconsequente

A conhecida expressão Vitória Pírrica ou Vitória de Pirro significa uma conquista tão onerosa que não valeu a pena. Ela advém do general grego Pirro(318A.C. – 272A.C.), de biografia rocambolesca, dotado de grandes méritos estratégicos, a ponto de haver levado Aníbal, considerado por muitos como o maior guerreiro de todos os tempos, a dizer que apenas Alexandre Magno o superava. Ao ser parabenizado por sua vitória na batalha de Ásculo, quando parcela substancial do seu exército pereceu, Pirro respondeu: -Mais uma vitória como esta, estarei perdido!
Fidel Castro foi uma das personalidades mais marcantes de nosso tempo, ainda que seus feitos originais, aplaudidos por gregos e troianos, ao expulsar um presidente corrupto, o tenham transformado no mais implacável e personalista ditador da história do Continente Americano, quando todo um povo foi usado como massa de satisfação dos interesses personalíssimos de sua megalomania, destituída de qualquer sentimento de piedade e do compromisso mínimo com os valores da democracia e da liberdade. Sua excepcional popularidade, mundo afora, comprova a afirmação de Victor Hugo segundo a qual “Uma ideia ajustada ao seu tempo é mais poderosa do que todos os exércitos do mundo”, e Fidel Castro popularizou-se ao encarnar os ressentimentos dos que vêem os Estados Unidos como a expressão máxima da opressão sofrida pelos pobres sob o guante dos poderosos. Uma percepção de infantilismo político que não resiste à análise racional das evidências.
Em 1959, Cuba era um próspero país semi-industrializado, beneficiário de intenso turismo, proporcionado por magníficos cassinos e belas praias, accessíveis, pela proximidade, ao imenso público norte-americano, ainda que com grandes desigualdades econômico-sociais, como no Brasil de nossos dias. Sob a tutela da União Soviética, que lhe subsidiava no intercâmbio comercial, Cuba sempre encontrou tenaz resistência do seu novo parceiro e senhor para aumentar sua incipiente industrialização. Negando as previsões de Karl Marx, que pensou serem as nações industrializadas o ambiente ideal para a expansão do socialismo, Cuba alinhava-se com a própria Rússia, a China e a Coréia do Norte como mais um país semi-industrializado a abraçar o comunismo.
Com a implosão do Império Soviético, em 1989-91, Cuba foi salva do colapso total pelos petrodólares da Venezuela, sob o domínio do fronteiriço Hugo Chávez, movido pelo delírio populista do bolivarianismo que empolgou os próceres da velha e ultrapassada esquerda da América Latina. Barack Obama, em recente gesto apaziguador, fez o resto, sob as bênçãos do Papa Francisco e do Mundo. A negativa, a um só tempo, arrogante e covarde, de Fidel em receber o Presidente americano, em sua visita a Cuba, apenas, comprova o insuperável farsante em que se transformou o cavaleiro andante de minha juventude.
A destruição do acervo social, cultural, político e econômico de Cuba pela ditadura dos irmãos Castro não tem precedentes no tempo e no espaço. Senão, vejamos, à vol d`oiseaux: 1 - Cuba foi a primeira nação latina, incluindo Portugal e Espanha, a utilizar máquinas e embarcações a vapor, na primeira metade do Século XIX. Foi, também, a terceira nação, depois de Inglaterra e Estados Unidos, a dispor de uma ferrovia. Foi um cubano o primeiro a aplicar anestesia na América Latina. Igualmente, foi um médico cubano, Carlos Finlay, quem descobriu o mosquito transmissor da febre amarela, a prevenção e o tratamento da doença. A primeira fábrica movida por eletricidade na América Latina instalou-se em Cuba, além do primeiro sistema de iluminação elétrica, ainda no Século XIX. Como a demonstrar que o progresso material e o espiritual podem andar de mãos dadas, cem anos antes, em fins do Século XVIII, Cuba aboliu as touradas, por “impopulares, sanguinárias e abusivas com os animais”. Foi em Havana que circularam o primeiro bonde e o primeiro automóvel na América Latina, em 1900. 2 - Havana foi também a primeira cidade do MUNDO a dispor de telefonia direta sem ajuda de telefonista, em 1906. Aí também foi montado o primeiro aparelho de Raios-X, na América Latina, como foram cubanos os primeiros pilotos latino-americanos a fazer um vôo internacional, entre Cuba e Estados Unidos. Cuba foi o segundo país a inaugurar uma estação de rádio e o primeiro a transmitir um concerto de música e a apresentar noticiário radiofônico. Esther de La Torre, cubana, foi a primeira locutora do Universo. 3 - Trinta anos antes de Fidel chegar ao poder, Cuba era a quarta nação em número de estações de rádio, abaixo dos Estados Unidos, Canadá e União Soviética. Em 1950, Cuba foi o segundo país a emitir um programa televisivo. O Hotel Riviera, em 1951, foi o primeiro do MUNDO a ser equipado com ar condicionado, bem como o Focsa foi o primeiro edifício construído em concreto armado, em 1952. Nesse tempo, Cuba dispunha de uma cabeça de gado bovino por habitante, sendo o terceiro consumidor de carne per capita, abaixo, apenas, de Uruguai e Argentina. Compreende-se porque detinha a segunda melhor marca em mortalidade infantil, 33,4 por mil nascimentos. Enquanto isso, a ONU lhe conferia a liderança na América Latina em alfabetização, com 23,4% de analfabetos, e a liderança na disponibilidade de médicos por mil habitantes, taxa residencial de iluminação e ingestão de calorias. Foi o cubano José Raul Capablanca, campeão mundial de 1921-27, o primeiro latino-americano a ganhar um campeonato mundial de xadrez. 4 - Cuba foi o primeiro país latino a introduzir o divórcio, em 1918, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, inclusive o direito de votar e de trabalhar para as mulheres. Só décadas mais tarde, a Espanha seguiria esse exemplo. Igualmente, foi o primeiro país a adotar a jornada de 8 horas de trabalho, em 1937, o salário mínimo e a autonomia universitária. Em 1940, Cuba foi o primeiro país latino-americano a eleger um negro para a presidência, quando promulgou uma constituição que foi considerada a melhor do seu tempo. 5 - Quando os Castro desceram a Sierra Maestra, Cuba dispunha da segunda maior renda per capita da América Latina. Hoje só está melhor do que o Haiti, um dos mais miseráveis países do Planeta. Cuba liderava a América Latina na disponibilidade per capita de eletrodomésticos, automóveis, aparelhos de rádio e quilometragem de rede ferroviária. Em vagas hospitalares, tinha mais do que a Itália e o dobro da Espanha. Com apenas 6,5 milhões de habitantes, era a 29ª economia mundial, com Havana liderando em disponibilidade de salas de cinema, acima de Nova Iorque e Paris. Hoje, o PIB cubano mal figura entre os cem primeiros. Enquanto a produtividade da cana-de-açúcar era, em Cuba, de 55,2ton/ha e, no Brasil, 22,6ton/ha, hoje, a produtividade brasileira subiu para 70ton/ha e a cubana caiu para 30ton/ha.
Fidel Castro não teve a grandeza de Pirro, ao reconhecer a magnitude dos seus erros e, por isso, continuou a jogar fora a água suja junto com a criança. A universalização do acesso a uma educação meramente beletrista e divorciada das necessidades modernas, ao lado de uma correta medicina social de baixo custo, proporcionada ao povo cubano, com o desiderato indisfarçável de amestrá-lo, como animais retidos num zoológico, é muito pouco para salvar Fidel Castro do severo julgamento da posteridade, como o mais perverso tirano, em toda a história do Novo Mundo.
Defendê-lo é piada de mau gosto, fundamentalismo bolivariano ou ignorância crassa.
Joaci Góes

Lula e o PT maquinam nas sombras junto do Coroné Renan para afastar Moro depois de aprovado o PLS 280. O projeto vai ser votado amanhã 6/12.
FOLHACENTROSUL.COM.BR
Isso aqui é um pouquinho de Brasil.
Roberto Requião estaria recebendo 36% acima do limita, já reduzidos os descontos obrigatórios
IMPLICANTE.ORG
FCS Brasil
2 h
Temer não tem coragem de contrariar coroné Renan, por quê?
FOLHACENTROSUL.COM.BR

5 PROTESTOS

 
Daniel Teixeira/Estadão











COLUNAAUGUSTO NUNES

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

SOBRE

Colunista de VEJA.com, colaborador da edição impressa e apresentador do Roda Viva. Foi redator-chefe de VEJA e diretor de redação das revistas Época e Forbes e dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora. Autor do livro 'Minha Razão de Viver - Memórias de Samuel Wainer'.
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