quinta-feira, maio 26, 2011

CMI Brasil - Uma análise conceitual do Caso Palocci

CMI Brasil - Uma análise conceitual do Caso Palocci: "www.estrategiaeanalise.com.br

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CMI Brasil - A certeza da impunidade fabrica e encoraja novos corruptos.

CMI Brasil - A certeza da impunidade fabrica e encoraja novos corruptos.: "– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"

Manchetes dos jornais: Na crise, Lula toma rédeas, comanda líderes e dá pito em ministros

O GLOBO

Na primeira crise do governo Dilma... Lula toma rédeas, comanda líderes e dá pito em ministros
Menos de seis meses após deixar o Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula atua em Brasília, há dois dias, como se ainda ocupasse o cargo. Ontem, comandou reunião com líderes e presidentes dos partidos aliados, na casa do presidente do Senado, José Sarney, numa espécie de intervenção branca no governo Dilma. Na presença do vice-presidente, Michel Temer, Lula pediu que todos apresentassem as queixas contra o governo, prometendo encaminhá-las e convencer Planalto e ministros a receber parlamentares. Até já repreendeu o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, de quem cobrou mais atenção à base, justamente num momento em que o governo Dilma enfrenta sua pior crise, com as suspeitas que pesam sobre o aumento do patrimônio do ministro. Lula exigiu dos aliados ajuda a Palocci, mas ouviu muitas reclamações contra o governo. A intervenção de Lula surtiu efeito imediato: hoje, Dilma almoça com a bancada do PT no Senado e, semana que vem, com líderes dos demais partidos aliados. Palocci também procurou parlamentares para marcar jantares.(...)
Sua próxima missão é se reunir com ministros para cobrar deles mais atenção aos aliados. O que já fez com Palocci, no jantar de anteontem com Dilma no Palácio da Alvorada.
Segundo relatos dos participantes do café da manhã na casa de Sarney, ao pedir solidariedade e apoio para segurar o chefe da Casa Civil, Lula disse que Palocci estava "muito estressado", mas não podia ser desamparado porque dá uma contribuição enorme ao governo Dilma e ao Brasil. E contou, segundo um líder presente, como foi o puxão de orelhas no ministro:
- No jantar com o Palocci ontem à noite eu disse a ele: tome cuidado, porque sua situação no Congresso é péssima. Há uma imensa insatisfação com sua conduta. Você tem que se aproximar mais, atender as bancadas, marcar jantares políticos.
Na véspera, Lula se reuniu com senadores do PT, que desfiaram um rosário de queixas contra a falta de interlocução com o Planalto, inclusive com Palocci, que nunca atende ninguém. Nem nos momentos de crise.

Denúncia liga caso Palocci a campanha
O PSDB apresentou documentos ontem que, para os tucanos, levantam suspeitas de que o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, teria atuado junto à Receita para liberar restituição de impostos para a incorporadora WTorre. A empresa foi cliente de Palocci na consultoria Projeto. Segundo os tucanos, o ministro teria conseguido liberação de R$9,2 milhões. A WTorre doou R$2 milhões à campanha de Dilma Rousseff.
A acusação foi apresentada pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), delegado de Polícia Federal. Para o PSDB, houve tráfico de influência.
- Não quero dizer diretamente que houve envolvimento da campanha. Palocci era arrecadador. Dilma tem que dar ordem a Palocci (para se manifestar) antes que a sujeira chegue ao gabinete dela - disse.
O deputado disse que, em outubro de 2009 e agosto de 2010, a WTorre protocolou pedido para receber o saldo a que tinha direito na Receita, referentes aos anos-base de IR em 2007 e 2008. O pagamento dos R$9,2 milhões ocorreu em 7 de outubro de 2010, 44 dias após o segundo protocolo e quatro dias após o 1º turno das eleições presidenciais. Para Francischini, o tempo é recorde para esse serviço da Receita. Os tucanos denunciam que no mesmo dia do protocolo na Receita (24 de agosto de 2010) a empresa doou R$1 milhão à campanha de Dilma.

Kassab: 'Não houve vazamento'
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), voltou a negar ontem que a Secretaria de Finanças da prefeitura tenha vazado dados da empresa de consultoria Projeto, do ministro Antonio Palocci.
- A preocupação do ministro também é nossa. Ficaríamos também indignados se tivesse havido vazamento. Evidentemente que, se isso tivesse ocorrido, seriam acionadas medidas de punição - disse Kassab ontem, ao comentar as acusações do ministro Gilberto Carvalho, para quem o vazamento dos dados partiu da Secretaria municipal de Finanças de São Paulo.

O recuo do dia
Pressionada pela bancada evangélica, que ameaçava apoiar a convocação de Antonio Palocci a dar explicações no Congresso, a presidente Dilma Rousseff mandou os ministérios da Educação e da Saúde suspenderem a distribuição em escolas públicas de cartilhas e vídeos contra a homofobia.

Conjunto expõe mazelas que resultaram na denúncia contra o ministro Pimentel
Alvo de denúncias de superfaturamento e suspeita de desvio de recursos públicos para a campanha política do atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, o Residencial Águas Claras, antigo Conjunto Habitacional Jatobá, em Belo Horizonte, sente o peso de uma construção que ficou pela metade: 822 das 1,5 mil casas previstas não foram erguidas. De 1999 para cá, áreas no entorno foram invadidas por sem-teto e favelas surgiram.
- Há sete anos queremos saber da prefeitura por que não fizeram todas as casas. Falaram que iam colocar as famílias em outros conjuntos, mas tem gente daquela época que está até hoje na fila da casa própria - conta o carteiro e locutor da rádio do Residencial Águas Claras, Walace Paixão Gonçalves.

Código Florestal: Senado levará meses para votar
Derrotado na votação da Câmara dos Deputados que aprovou o novo Código Florestal, o governo terá trabalho para aprovar no Senado as mudanças que considera necessárias e assim evitar que a presidente Dilma Rousseff seja obrigada a vetar parte ou a totalidade da proposta. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), adiantou ontem que vai precisar de um prazo de 90 a 120 dias para costurar um acordo na Casa.
A escolha do relator do projeto já divide a base. O PMDB trabalha para que o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) seja o relator único da matéria, mas o PT não esconde sua preferência pelo nome do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Emenda ameaça cem milhões de hectares
O governo está preocupado com o impacto da nova redação do Código Florestal, aprovada ontem na Câmara, na conservação de áreas protegidas que se localizam dentro de propriedades privadas. Técnicos do Executivo estimam que a emenda do PMDB, aprovada ontem junto com o relatório de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), deixe desprotegidos cem milhões de hectares (1 milhão de quilômetros quadrados) nas margens de rios, em encostas e topos de morros. Na legislação atual, essas localidades são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs).
Atualmente, 40 milhões de hectares já teriam sido desmatados e teriam de ser reflorestados. A emenda 164 retira a previsão de reflorestamento e ainda abre brecha para que haja novos desmatamentos nessas áreas, ameaçando os 60 milhões de hectares que ainda estão preservados.

Derrota expôs fragilidade da aliança
A votação do Código Florestal, anteontem, expôs a fragilidade da articulação política do governo na Câmara. No item mais polêmico - a emenda do PMDB negociada com ruralistas que abre brecha para anistia de quem desmatou até 2008 -, os peemedebistas boicotaram praticamente em bloco a orientação do governo. Dos 73 deputados do partido que votaram, só o deputado Camilo Cola (ES) seguiu a diretriz governista.
Já no PT, 79 votaram para rejeitar a emenda e apenas o deputado Taumaturgo Lima (AC) a favor.
Entre os demais partidos da base, a aprovação da emenda peemedebista também dividiu aliados. O PCdoB trocou o governo pelo apoio ao relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP): dos 13 votos apenas um não endossou a emenda do PMDB. O próprio Aldo apoiou a modificação ao texto que havia acordado com o governo. O PR se dividiu: dos 32 que votaram anteontem, 16 seguiram a orientação do governo.O PSB foi mais fiel e, dos 29 que votaram, 22 seguiram a orientação do líder governista.

Dilma ficou incomodada com resultado, diz Carvalho
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse ontem que o governo não ficou satisfeito com o resultado da votação do Código Florestal na Câmara, mas não "jogou a toalha", e agora tentará mudar o texto no Senado. Na audiência com deputados da bancada religiosa, no Palácio do Planalto, o ministro afirmou que a presidente Dilma Rousseff ficou incomodada e chateada com a aprovação de dispositivos contrários aos interesses do Palácio do Planalto.
- É evidente que nós não ficamos satisfeitos com a votação final do Código, uma vez que gostaríamos que o acordo realizado anteriormente pudesse prevalecer, mas não jogamos a toalha - disse Carvalho.

Para Aldo Rebelo, Dilma está desinformada
Um dia depois da aprovação do Código Florestal, que rachou a base do governo, o relator da matéria na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse não acreditar que a presidente Dilma Rousseff vetará seu texto ou o da emenda 164, que permite a manutenção de áreas de agropecuária em locais reservados à preservação. Aldo disse acreditar que a presidente esteja desinformada e só conheça "um lado" da questão:
- Eu não acredito em veto. O que eu acredito é que a presidente está muito desinformada. Eu acredito que a presidente não tem informações suficientes sobre a matéria. Ela pode ter informação de só um dos lados, do lado que circulou muito no Palácio nos últimos dias, que foi o lobby ambientalista - disse.

Pimenta Neves: nem dois anos na prisão
Preso anteontem, o jornalista Pimenta Neves pode pedir progressão de regime e ficar na cadeia menos de dois anos, embora condenado a 15, por matar Sandra Gomide. O pai dela se disse animado por ver Pimenta na cadeia.

Combustível já está 18,9% mais barato
Os preços da gasolina e do álcool voltaram a cair nos postos. No Rio, as quedas acumulam 18,91% em maio, segundo pesquisa do GLOBO. No entanto, ainda não é vantagem abastecer o carro com álcool, pois ele custa mais que 70% do valor da gasolina.

Obama: Brasil e emergentes não ameaçam
Num recado direto ao Brasil e a países como Índia e China - citados explicitamente -, o presidente Barack Obama disse no Parlamento britânico que os emergentes não ameaçam a liderança dos EUA e da Europa no cenário mundial.

Polícia retomará casas vendidas por milicianos
A PM pretende retomar hoje 143 imóveis do programa Minha Casa Minha Vida, invadidos por milicianos que expulsaram moradores e passaram a vendê-los por até R$ 40 mil. Enquanto isso, 74 famílias com direito às casas estão morando numa favela em Realengo.

Itamar Franco está em tratamento contra leucemia em São Paulo
O ex-presidente Itamar Franco, que assumiu seu terceiro mandato como senador em fevereiro passado, foi diagnosticado com leucemia. O senador mineiro pelo PPS está internado desde o último dia 21 no Centro de Hematologia e Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein, onde receberá tratamento. Do hospital, ele fez questão de pedir ao companheiro de bancada, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que esclarecesse aos demais colegas do Senado, no plenário, sua situação. Itamar iniciou ontem período de licença médica de 30 dias.
Por meio de sua assessoria no Senado, foi divulgado um boletim médico assinado por Nelson Hamerschlak e Oscar Fernando Pavão dos Santos, que informaram que a doença foi diagnostica bem no seu início e que o paciente está com todas as suas funções vitais normais.


FOLHA DE S. PAULO

Após derrota, Dilma cede a aliados no Congresso
Em meio à sua primeira derrota no Congresso, com seu principal ministro enfraquecido e um clima de crescente rebelião na base aliada, a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a fazer concessões ao Legislativo.
Cedeu à bancada religiosa do Congresso e anunciou ontem a suspensão do kit anti-homofobia depois de deputados evangélicos e católicos protestarem contra o material didático que seria distribuído nas escolas pelo Ministério da Educação.
Os evangélicos ameaçavam obstruir a pauta e votar a favor da convocação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) para explicar a multiplicação de seu patrimônio, revelada pela Folha.
Além disso, Dilma foi convencida a agendar três reuniões com congressistas aliados. A primeira será hoje, quando almoçará com a bancada dos senadores petistas.
Na próxima semana, se reunirá com líderes dos partidos governistas. Depois, com senadores aliados.
A primeira derrota do governo ocorreu ontem de madrugada, na votação da reforma do Código Florestal. Uma emenda que anistia desmates feitos até 2008 foi aprovada e colocou PT e PMDB em lados opostos.

PSDB diz que Palocci pode ter ajudado WTorre junto à Receita
A liderança do PSDB na Câmara levantou ontem a suspeita de que pagamentos feitos pela Receita Federal no ano passado à incorporadora WTorre, no valor de R$ 9,2 milhões, estejam relacionados ao trabalho prestado à empresa pelo ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
A Folha revelou, na última sexta-feira, que a WTorre foi uma das clientes da empresa do ministro, a Projeto Consultoria Financeira, que teve um faturamento de R$ 20 milhões somente em 2010.
O serviço foi prestado à WTorre entre 2006 e 2010.
Deputados tucanos convocaram entrevista para levantar indícios de que Palocci fez tráfico de influência e cobrar a abertura de investigação.
Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentou à imprensa registros públicos do Siafi (o sistema de acompanhamento de gastos da União) e da Receita.

Oposição quer reabrir inquérito do caseiro
Os partidos da oposição decidiram pedir ao procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, a reabertura do inquérito sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Ontem, a Folha revelou que a Caixa Econômica Federal informou à Justiça que o vazamento dos dados bancários do caseiro para a imprensa, ocorrido em 2006, teria sido feito pelo gabinete do então ministro da Fazenda e hoje chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.
O PPS apresentou à Procuradoria requerimento para a reabertura do inquérito. O PSDB pretende enviar mais dados sobre o caso para o Ministério Público Federal.
"A revelação de que a própria Caixa atribuiu a quebra do sigilo ao gabinete de Palocci é de extrema relevância. Vamos pedir a reabertura do inquérito", disse o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP).

Planalto se queixa de silêncio de Palocci sobre empresa
Integrantes do Planalto têm se queixado da falta de explicações detalhadas por parte do ministro Antonio Palocci sobre as movimentações da Projeto, empresa criada por ele quando deputado federal.
Segundo relatos de três interlocutores, até a presidente Dilma teria comentado que não ouviu de seu principal ministro o tamanho do negócio, apenas sabia da existência da consultoria.
O faturamento bruto da empresa, de R$ 20 milhões em 2010, foi antecipado pela Folha. Só então o assunto teria chegado oficialmente ao gabinete presidencial.

Jânio de Freitas - O Lula que faz calúnia fácil volta agora para ajudar chefe da Casa Civil
O Lula que reaparece para "assumir a defesa" de Antonio Palocci, o qual já precisou afastar do governo por atitude delinquente e imoralidade administrativa, é um dos piores Lulas: o que faz calúnia fácil e desumana.
Atribuir segundas e outras intenções a jornalistas sérios atinge os profissionais que se esforçam por um jornalismo honesto.

PSDB deve se "nacionalizar" para vencer, diz Anastasia
O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, disse ontem que o PSDB só terá condições de voltar à Presidência quando "se fortalecer no Brasil todo" e se tornar um "partido nacional".
"Partido não pode ser de um Estado, de uma região ou de uma pessoa. Todos têm de se sentir pertencentes, para que ele tenha força", afirmou em entrevista no estúdio da TV Folha, em São Paulo.
O fortalecimento do PSDB fora de São Paulo tem sido o mote do grupo do senador Aécio Neves, aliado político do governador, e deve ser um dos temas da convenção do partido, no sábado.

Deputados aprovam medida com 52 temas
A Câmara aprovou ontem a Medida Provisória 517, que versa sobre 52 assuntos. Foi criada pelo ex-presidente Lula em dezembro com oito itens, mas cresceu devido às encomendas do Executivo e ganhou o apelido de "bonde do Planalto".
A MP foi criticada pela oposição por conter "contrabandos", que permitem incluir emendas sobre qualquer tema. O mecanismo autoriza a votação de temas de interesse dos congressistas e que, por vias convencionais, passariam antes por comissões de mérito.
Entre as decisões, está a renovação por mais 25 anos de um encargo que custa cerca de R$ 2 bilhões por ano na conta de luz dos brasileiros.
A MP trata ainda de assuntos como incentivo a energia nuclear, incentivo fiscal para informática e regulação do pagamento de juros no Fies (Programa de Financiamento Estudantil).

Consulta sobre divisão do PA avança no Senado
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou ontem a realização de plebiscito no Pará para a criação do Estado de Tapajós. O projeto ainda precisa passar pelo plenário da Casa para que a consulta popular seja realizada.
A Câmara já havia aprovado a realização dois plebiscitos para a criação dos Estados de Tapajós e Carajás -mas o primeiro ainda precisava do aval do Senado.

Promotoria pediu prisão de empresário amigo de Lula
O Ministério Público Estadual chegou a pedir a prisão do empresário José Carlos Bumlai, investigado por suspeita de participar do esquema de desvios da Prefeitura de Campinas, mas o juiz Nelson Augusto Bernardes solicitou mais informações para atender o pedido.
Bumlai é membro desde 2003 do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e tem um primo com ligações empresariais com os filhos de Lula.
O juiz que cuida do caso rebateu críticas do PT de que o Ministério Público teria politizado a investigação. "As pessoas respondem pelos seus atos e ficam preocupadas na medida de suas responsabilidades", disse.

Prefeitura usa número do PSDB para emplacar carros
Oito carros comprados pela Prefeitura de Candói (320 km de Curitiba) foram emplacados com a numeração 4545, repetição do número do PSDB, partido do prefeito da cidade, Elias Farah Neto.
O prefeito, que exerce o terceiro mandato, diz não ver irregularidades no emplacamento e afirma que o número 45 o persegue não só na vida pública, mas também em suas atividades privadas.
"Quando eu comprei o meu carro, ganhei do despachante [de veículos] a placa 4545", diz. "No ano passado, completei 45 anos de casamento. O número 45 só me traz alegria", afirma.

Para Peluso, caso Pimenta indica que lei tem de mudar
O presidente do STF, Cezar Peluso, avalia que a demora em cumprir a condenação de Antônio Pimenta Neves confirma que é preciso mudar as leis para agilizar a aplicação de penas. O jornalista disse que preferiria ter começado a cumprir pena logo. "Assim teria voltado a ser um homem normal."

Sem tributos
Fila em posto paulistano que vendeu o litro de gasolina a R$ 1,31 em protesto contra a carga tributária sobre combustíveis; preço normal é R$ 2,80.

Força dos Brics não ameaça influência dos EUA, diz Obama
No parlamento britânico, barack Obama disse que o crescimento de países como China, Índia e Brasil não significa queda da influência dos EUA e da Europa. "O tempo para a nossa liderança é agora."

Anvisa dá aval para vacina contra HPV para homens
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou vacina contra HPV (papilomavírus humano) para homens de 9 a 26 anos. A imunização previne verrugas genitais geradas, em especial, por dois tipos do vírus.
A Folha revelou ontem que cresceu no país o índice de casos de câncer de boca ligados a infecção por HPV via sexo oral.


O ESTADO DE S. PAULO

Lula adverte Palocci que aliados estão insatisfeitos
Preocupado com as ameaças da base governista, o ex-presidente Lula avisou ao ministro Antonio Palocci (Casa Civil) que ele tem de atender os parlamentares, do contrário até aliados poderiam endossar uma CPI no Senado para investigar a evolução de seu patrimônio. Lula relatou o diálogo que teve com Palocci durante café da manhã com líderes de partidos aliados do governo, ontem, na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O ex-presidente ouviu queixas e pediu um voto de confiança em Palocci, que telefonou para senadores pedindo apoio. Por outro lado, Lula cobrou da presidente Dilma Rousseff e do ministro mudanças urgentes na articulação política, dizendo que é preciso satisfazer os aliados na montagem do segundo escalão.
Preocupado com as insatisfações e ameaças da base governista no Congresso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem a senha da operação destinada a abafar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o patrimônio do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Em conversa reservada com Palocci, na terça-feira, Lula foi taxativo: avisou que ou o ministro atendia os parlamentares ou até aliados poderiam endossar uma CPI no Senado, encurralando o Planalto.
O ex-presidente relatou o diálogo que teve com Palocci durante café da manhã com dez líderes de partidos aliados do governo, ontem, na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Você tome cuidado porque sua situação no Congresso não é boa. Todo mundo está insatisfeito com sua conduta", disse Lula a Palocci, de acordo com relatos de senadores.
Na tentativa de evitar a CPI, Palocci passou a telefonar para os senadores e pedir apoio. Disse estar sendo vítima de uma "campanha de difamação" e se prontificou a marcar conversas privadas com os parlamentares, para esclarecer as denúncias que pesam contra ele.

Santander contratou consultoria
O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, prestou serviços para o Banco Santander no período em que era deputado federal. O contrato foi feito por meio da sua empresa Projeto Consultoria Econômica e Financeira para "análises econômicas e financeiras" a executivos do banco. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 25, ao Estado pelo próprio Santander. É a primeira instituição bancária a revelar publicamente a contratação de Palocci, que foi ministro da Fazenda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em nota enviada à reportagem, a assessoria do Santander informa que contratou Palocci para dar palestras sobre economia aos seus executivos. "O Santander Brasil informa que contrata eventualmente palestrantes para apresentar análises econômicas e financeiras, nacionais e internacionais, aos seus funcionários. Dentro deste contexto, o sr. Antonio Palocci, por meio da empresa Projeto, fez palestras para grupos de executivos da organização."

Kit anti-homofobia é suspenso para evitar CPI
Preocupada com a pressão dos parlamentares evangélicos, que ameaçaram endossar o pedido de CPI para investigar o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci; a presidente Dilma Rousseff telefonou na terça-feira à noite para o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e avisou que havia mandado suspender o kit anti-homofobia que estava sendo preparado pelo Ministério da Educação para distribuição nas escolas.
"Ela telefonou para mim e disse ter determinado ao ministro Fernando Haddad (Educação) a suspensão do material. Afirmou que não quer o ministério envolvido em assuntos que devem ser tratados pelas famílias", afirmou Crivella ontem.

Dora Kramer: Fratura exposta
A presidente encolheu e o papel do ex-presidente cresceu, numa informalidade institucional jamais vista no mundo civilizado.

PMDB mostra união também contra Dilma
O Código Florestal mostrou o poder de fogo do PMDB no Congresso. A votação praticamente unânime do partido contra a orientação da presidente Dilma Rousseff foi um recado claro para o governo: o PMDB tem seus próprios interesses, é parceiro e não aceita ser tratado como "empregado" do Palácio do Planalto. A rebelião peemedebista já se transferiu para o Senado.
Depois de derrotar o governo e o PT na Câmara, o PMDB do Senado decidiu enfrentar o Planalto e vai indicar o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) para relatar o Código Florestal em duas comissões e no plenário da Casa. Ex-governador de Santa Catarina e considerado alinhado com os ruralistas, Luiz Henrique anunciou ser favorável à emenda aprovada na Câmara que concede anistia a quem desmatou Áreas de Preservação Permanente (APPs) às margens dos rios e encostas até 2008, contrariando posição do governo.

Punição a produtor rural deve ser adiada
Para dar mais tempo para o Senado discutir o Código Florestal, a presidente Dilma Rousseff deve prorrogar por 120 dias o início da vigência das punições para os produtores rurais que não registraram a reserva legal em seus imóveis. O decreto com a moratória para os produtores que cometeram crimes ambientais termina em 11 de junho.
O adiamento das punições está sendo pleiteado pelos senadores, que querem um prazo maior para analisar e aprovar o Código. "Vamos solicitar a presidente Dilma a reedição do decreto. É praticamente impossível discutir e votar o Código até o dia 11", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Segundo, ele, o Código deve ser votado no "segundo semestre. "Nem admito ser o relator se precisar votar até 11 de junho. É, preciso tranquilidade em um tema complexo como esse”, afirmou o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que deverá ser o relator do Código na Comissão de Meio Ambiente.

Vice alegava dívida de campanha para cobrar propina
Demétrio Vilagra (PT), vice-prefeito de Campinas, foragido da Justiça desde sexta-feira sob acusação de integrar organização criminosa para fraudes em licitações, pediu propina a empresários da cidade alegando que o dinheiro seria destinado ao "pagamento de dívidas de campanha". A acusação consta de declaração formal à Polícia e ao Ministério Público, feita em audiência fechada, na terça-feira.
Alfredo Ferreira Antunes e seu filho, Augusto, donos da Global, empresa de jardinagem, reconstituíram como teria sido a abordagem do petista. "Em certa ocasião encontrei-me com o Demétrio num churrasco que estava sendo realizado no barracão da minha empresa e ele me pediu um dinheiro para pagamento de dívidas. Segundo o Demétrio eram dívidas de campanha", afirmou Alfredo.

Promotoria chegou a pedir buscas na casa de Bumlai
O Ministério Público Estadual chegou a pedir mandado de busca e apreensão nos endereços do empresário José Carlos Bumlai, amigo e anfitrião do ex-presidente Lula. Os promotores do Gaeco, grupo que investiga crime organizado e corrupção, estão convencidos de que Bumlai está envolvido no suposto esquema de fraudes em Campinas.
Ao decretar a prisão de 20 suspeitos, na sexta feira, o juiz Nelson Augusto Bernardes, da 3.ª Vara Criminal, pediu "maiores esclarecimentos" quanto à necessidade inclusive da detenção do empresário. "A sua situação precisa, então, ser melhor esclarecida para eventual decreto de sua prisão temporária. O mesmo raciocínio vale para a busca pretendida em sua casa."

Ala do PMDB ligada a Kassab já resiste a Chalita
A ala do PMDB paulistano ligada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, resiste a entregar o comando da legenda ao deputado federal Gabriel Chalita, que vai se filiar ao partido no próximo dia 4. O grupo, capitaneado pelo presidente licenciado do diretório municipal, Bebetto Haddad, se opõe a uma proposta feita pelos correligionários mais próximos do vice-presidente da República, Michel Temer, para que o diretório paulistano se dissolva.
Ao convidar Chalita a ingressar no PMDB-SP, Temer prometeu ao deputado a presidência do diretório municipal. No entanto, conforme o estatuto da legenda, um filiado só pode presidir uma instância da sigla se nela estiver há pelo menos seis meses.

Emergentes não ameaçam EUA, diz Obama
O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou em Londres que EUA e Grã-bretanha continuam sendo países "indispensáveis” para a paz e a estabilidade mundiais, pois atuam como os "principais catalisadores para a ação global" em tempos de guerra, terror e insegurança econômica. Ele disse que o crescimento de países como China, Índia e Brasil não significa fim da liderança americana e europeia.

José Serra: A indústria faz a diferença
Dobrar a renda no País depende de uma indústria dinâmica. Do contrário, não haverá aumento suficiente de bons empregos e de produtividade.

CORREIO BRAZILIENSE

Dilma dá zero para kit gay nas escolas
Para evitar desgaste político com as bancadas religiosas no Congresso,a presidente suspendeu a produção e o envio às escolas públicas do material anti-homofobia encomendado pelo Ministério da Educação (MEC).Na terça-feira, parlamentares evangélicos e católicos decidiram obstruir a tramitação de projetos e apoiar a criação de uma CPI para investigar o MEC caso a cartilha não fosse vetada pelo Palácio do Planalto. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no entanto, afirmou que Dilma Rousseff optou por proibir a distribuição do material após assistir a um dos vídeos e
considerá-lo inadequado. Entidades e lideranças homossexuais protestaram. Composto por um caderno, seis boletins, três vídeos, um cartaz e cartas de apresentação, o kit teria como objetivo desconstruir estereótipos sobre o homossexualismo entre os adolescentes.

Leucemia: Itamar é internado
O ex-presidente e atual senador pelo PPS-MG teve o diagnóstico da doença confirmado. Ele já começou o tratamento.

Código Florestal: Esperança no Senado
Estratégia é mudar o texto na próxima votação. Em caso de novo fracasso, Planalto vetará pontos polêmicos.

Justiça: Pensão terceirizada
CNJ manda investigar o caso de desembargador mineiro que ofereceu cargo à ex-esposa para não mais pagar o benefício.

Obama: Os velhos donos
Antes de fazer churrasco com o inglês Cameron, o presidente americano afirma que EUA e Europa ainda lideram o mundo.

Imposto menor para os games
Os jogos eletrônicos terão os mesmos incentivos fiscais anunciados para os tablets. O iPad 2 será vendido no Brasil a partir da meia-noite de hoje.

Classe C freia compras
Os preços e os juros em alta fazem as famílias com renda de até R$ 2,1 mil reduzirem em 2% o consumo nos supermercados.

VALOR ECONÔMICO

Bancos já preveem falta de recursos para imóveis
Podem faltar recursos para o financiamento de imóveis já no ano que vem, preveem os bancos que atuam no setor. Com o recente ciclo de alta do juro, o dinheiro da poupança, principal fonte de financiamento do setor, encolhe desde o início do ano. Até o dia 19, a captação foi negativa em quase R$ 2 bilhões, em comparação aos R$ 4,2 bilhões positivos do mesmo período de 2010. Já os desembolsos somavam R$ 22,2 bilhões no primeiro quadrimestre, 54,7% maiores que no mesmo período do ano passado e acima dos 40% estimados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A Caixa Econômica Federal, que detém 40,6% do financiamento à habitação, considerando-se apenas a fonte poupança, prevê uma situação crítica a partir do segundo trimestre de 2012. Santander e HSBC estão monitorando de perto o ritmo de captação, enquanto Bradesco e Itaú, com saldos mais robustos da aplicação, ainda trabalham com um cenário de disponibilidade até 2013.

Lula assume o papel de articulador do governo
Um dia após almoçar com senadores do PT e jantar com a presidente Dilma Rousseff e o ministro Antonio Palocci (Casa Civil), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou ontem sua atuação como articulador político de fato do governo. Em encontro com aliados no Senado, Lula disse que o episódio que levantou suspeitas sobre enriquecimento ilícito do ministro pode levar o governo a uma crise de dimensões imprevisíveis se não for bem administrado.
Lula ouviu queixas unânimes sobre a conduta de Palocci como interlocutor do Palácio do Planalto e críticas ao fato de Dilma ter descuidado da relação com o Congresso. Fez um apelo para que a base não abandone Palocci, ressaltando sua importância para o governo, mas relatou o alerta que lhe fez: "Tome cuidado. Sua situação no Congresso não é boa. Há imensa insatisfação com sua conduta”.

Palácio culpa Henrique Eduardo Alves por resultado
O governo ainda não digeriu a derrota sofrida na votação do Código Florestal na Câmara mas já escolheu um vilão para colocar a culpa pelo resultado adverso: o líder do PMDB na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN). Na avaliação de auxiliares da presidente Dilma Rousseff, Alves abandonou o papel de aliado do governo e legislou em causa própria, tentando pavimentar sua candidatura a presidente da Câmara em 2012. "Ele está queimado no Planalto, mas cresceu muito como líder aqui dentro", admitiu um articulador da bancada do PT na Câmara.
A relação de Henrique Alves com o Planalto já estava desgastada desde o ano passado, quando o líder do PMDB votou a favor da emenda Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que propõe a distribuição equânime dos royalties do petróleo independentemente se o Estado é produtor ou não. "Ele agora tornou-se reincidente e a presidente Dilma não gostou nada disso", disse um parlamentar do PT com bom trânsito no governo.

Câmara aprova MP que concede benefícios fiscais
A Câmara dos Deputados aprovou ontem a Medida Provisória 517, que concede benefícios fiscais a diversos setores econômicos, flexibiliza as regras da emissão de debêntures, estimula financiamentos privados para investimentos de longo prazo e regulamenta a compensação de dívidas federais de empresas por precatórios. A medida segue agora para o Senado.
Há ainda outros temas tratados no documento, que foi editado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no penúltimo dia de seu governo. A MP saiu do Palácio do Planalto com 20 artigos e ontem foi aprovada pelos parlamentares com 52 artigos.
O motivo é que o relator, João Carlos Bacelar (PR-BA), incluiu outros assuntos, a pedido de deputados e do governo, como alterações na Lei de Gás e a regulamentação dos precatórios. Além disso, ele também manteve no texto a prorrogação da Reserva Global de Reversão (RGR), encargo presente nas contas de energia elétrica desde os anos 50 e que terminaria de ser cobrado neste ano.
Quando editou a MP, Lula prorrogou a reserva por mais 25 anos. Os parlamentares organizaram audiências públicas para discutir essa prorrogação, mas a presidente Dilma Rousseff colocou ministros em campo para barrar o debate sobre isso. Em uma delas, estava confirmada a presença do presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau.
Algumas emendas que tentavam diminuir o prazo de extensão da RGR foram derrubadas pelo plenário, como a do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que pedia sua validade apenas até 2014. Uma outra, do PPS, previa sua duração até 2015. O PSDB, por sua vez, tentou eliminar qualquer prorrogação e derrubar o texto original da MP sobre a RGR.
A MP cria ainda um mecanismo que torna mais ágil a conversão de créditos do Fundo de Compensação de Variação Salariais (FCVS) em títulos CVS pelo governo, altera a forma de aproveitamento dos créditos presumidos do PIS/Pasep, institui regime especial de tributação para obras de infra-estrutura no setor de energia nuclear, reduz a alíquotas tributárias incidentes sobre modens e impõe a capitalização mensal sobre juros cobrados pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. Ela também estende, por mais um ano, dos benefícios do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

Infraestrutura para a Copa impulsiona negócios da Mills, diz Vazquez
Apesar das críticas às construtoras devido ao ritmo de construção e reforma dos estádios para a Copa do Mundo de 2014, a fornecedora de equipamentos e serviços de engenharia Mills já recebe receitas provenientes das obras nas arenas esportivas. Somado a outros projetos de infraestrutura relacionados ao evento, principalmente no setor de transportes, o Mundial é a principal oportunidade da empresa nos últimos anos. "A Copa é um ótimo negócio", resume o presidente Ramon Vazquez.
Só nos cinco estádios onde presta serviços às empreiteiras, a Mills espera faturar até R$ 100 milhões. "Temos uma participação expressiva nessas arenas, porque são obras que usam muito concreto e exigem um serviço de forma e escoramento de peças muito delicado", diz. São eles: Estádio Nacional (Brasília), Arena Pantanal (Cuiabá), Arena Amazônia (Manaus), Arena Fonte Nova (Salvador) e Maracanã (Rio de Janeiro). "Temos interesse em prestar nossos serviços nos outros sete estádios também", diz.

Petrobras corta o gás para Bertin
A Petrobras encerrou todos os contratos e termos de compromisso de fornecimento de gás natural que tinha com as cinco termelétricas do grupo Bertin. Juntas, essas usinas representavam garantia firme de energia ao sistema de 872 megawatts e receita anual para o grupo de R$ 575 milhões. Sem o combustível, a situação do grupo se complica, porque já deve quase R$ 1 bilhão em garantias por nove térmicas em atraso. O Bertin tem concessão de 32 térmicas que precisam entrar em operação até 2013. As cinco movidas a gás natural perderam os contratos com a Petrobras.

Adams critica MPF em Belo Monte
Advocacia Geral da União recorre ao Conselho Nacional do Ministério Público contra a atuação do Ministério Público Federal no Pará no licenciamento da usina de Belo Monte. Segundo o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, os procuradores têm coagido servidores.

Doenças do Trabalho
Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais mostra que mais de 40% dos juízes trabalhistas sofrem de depressão. Nos últimos 12 meses, um terço deles esteve em licença médica.

Lavoura gaúcha produz menos
Estudo mostra que o Rio Grande do Sul, embora lidere o ranking brasileiro de uso de sementes transgênicas de soja e milho, está atrasado em termos de produtividade nas duas lavouras. No caso da soja, está em último lugar entre 17 Estados produtores.

Capital rende mais nas S.A. abertas
As grandes companhias abertas do país remuneraram mais o capital em 2010 do que a média do setor empresarial. Levantamento feito pelo economista Marcelo D'Agosto com 106 empresas com ações em bolsa mostra que, na média, 36% do valor adicionado por essas companhias tiveram como destino a remuneração do capital - seja de credores ou acionistas. Segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB), na média do Brasil apenas 25% do valor adicionado remunerou o capital. Dos 36% do valor adicionado pelas grandes empresas abertas, 21 pontos percentuais foram para os acionistas - via retenção de lucros, distribuição de juros sobre capital ou dividendos.

OCDE alerta para risco de a China desaquecer
A China, principal parceira comercial do Brasil, pode ter desaceleração econômica mais forte do que se esperava. Foi o que disse ao Valor o economista-chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Pier Carlo Padoan, com o alerta de que essa possibilidade é um dos principais riscos para a economia mundial. Por sua alta dependência da China, o Brasil corre maior risco.
A OCDE observa que, no primeiro trimestre, o PIB chinês voltou à taxa de crescimento de 8,7%, seu nível mais baixo desde 2008. A demanda interna diminuiu, mas a inflação continuou alta - mais de 5% ao ano nos últimos meses. Padoan exclui, porém, o risco de aterrissagem forçada da economia chinesa, que tem sido fator de especulação nos mercados. Ele disse que a crise global não foi superada, elogiou as medidas macroprudenciais do Brasil, mas sugeriu que o Banco Central continue a elevar os juros.

Brasil depende mais da China
Aumentou a dependência brasileira da China na exportação de produtos básicos. Entre janeiro e abril, o país asiático comprou 29,14% do total de básicos vendidos pelo Brasil ao exterior, 26,3% mais do que no mesmo período do ano passado. No quadrimestre, os chineses compraram US$ 9,65 bilhões em produtos como minério de ferro, soja e petróleo, praticamente o mesmo valor das exportações desses produtos para os EUA e União Europeia juntos.
Para Rogério Cezar de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o aumento da participação da China nos embarques brasileiros de básicos explica também o avanço dessa classe de produtos nas exportações totais do Brasil. "Não há problema nenhum em exportar básicos. O problema é só exportar básicos e para poucos destinos", diz Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior.

Brasil fará nova proposta à Argentina
Em meio às malsucedidas negociações dos últimos dias para derrubar as barreiras protecionistas impostas entre os dois maiores sócios do Mercosul, o governo argentino se convenceu de que a medida brasileira de exigir licenças não automáticas a automóveis importados é um "tiro no próprio pé" e tem efeito apenas temporário. Por isso, a Argentina está disposta a endurecer nas discussões. O Brasil deve aceitar cotas para venda de produtos, mas exigirá a liberação de todos os produtos que já têm licença de importação na Argentina e estão retidos. E manterá as licenças não automáticas para veículos.

Antigo TRT vira moradia popular
O antigo prédio do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, na avenida Ipiranga, no centro, vai abrigar o primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida na cidade. Será reformado e transformado em prédio de apartamentos.

Frotas ampliadas
Empresas especializadas na gestão de frotas no país investem para aumentar o número de automóveis. A Arval, por exemplo, planeja investir cerca de R$ 820 milhões até o fim de 2013 para chegar a 25 mil veículos, ante os atuais 10 mil.

Amil compra a Lincx
Após um ano de negociações, a Amil fechou ontem a compra da totalidade do capital da Lincx, operadora de planos de saúde voltada para o público de alta renda, por R$ 170 milhões.

Fonte: Congressoemfoco

Dilma virou minoria em seu próprio governo

“Parece ter ficado uma lição sobre a base de sustentação imensa mas sem qualquer alinhamento ideológico da presidenta: paquidermes podem ser animais bem dóceis, até resolverem não ser”


A jabuticaba é coisa de Deus, que inventou de colocar a fruta pretinha que estoura na boca da gente só no Brasil. Talvez por não serem coisas de Deus, outras exclusividades que se inventam por aqui acabam ficando bem longe de serem agradáveis e perfeitas. Nossa última inovação aconteceu no campo da política. Durante a última terça-feira (24), no Congresso Nacional, inventamos a presidenta que não tem maioria dentro do seu próprio governo. Aquela que fica falando para as paredes no suntuoso gabinete do terceiro andar do Palácio do Planalto enquanto seus auxiliares e a sua base de mais de 70% da Câmara lhes enviam uma solene banana.

É comum acontecer, em países que, ao contrário daqui, não têm eleições para o Executivo e para o Legislativo casadas, os presidentes ficarem em minoria no Congresso. Mesmo aqui, quando a eleição de 1989 foi solteira – só para presidente -, Fernando Collor não tinha a maioria. Agora, nunca se viu um governante eleger uma base avassaladoramente grande, fazer a oposição entrar em parafuso, forjar a quase extinção de uma das suas legendas adversárias, e, mesmo assim, perder de forma vergonhosa. Na votação do Código Florestal, Dilma não foi derrotada por seus adversários. Ela foi derrotada pelos seus aliados. Ficou, assim, em minoria dentro do seu próprio governo.

Duas frases ditas durante a quarta-feira resumem com perfeição esse fenômeno. A primeira foi dita pelo líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN): “Eu também sou governo”. A segunda foi dita pela senadora Kátia Abreu, do Tocantins, líder ruralista que está trocando o DEM pelo PSD: “Se eles têm os ministros do Meio Ambiente, nós temos os ministros da Agricultura”.

Henrique Eduardo Alves orientou o PMDB a desafiar solenemente as orientações vindas do Palácio do Planalto. Quando questionado, disse que ele era tão governo quanto a presidenta! Ou seja: negou a Dilma o posto de chefe, colocou-a como mais uma. Que, naquele momento, devia enfiar a viola no saco porque estava em minoria. E Kátia, que não é governo, arrematou com uma constatação certeira: o governo é mesmo dividido com relação às questões ambientais, abriga ao mesmo tempo ambientalistas e representantes do agronegócio. A senadora, pelo menos, mostrou que, neste ponto, o conflito enfiado dentro do próprio governo não é uma exclusividade de Dilma.

Adotou-se no Brasil uma lógica de composição de maioria política que o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta certa vez apelidou de “partido-ônibus”: apertando, sempre cabe mais um. Não interessa saber como o político pensa, se tem alinhamento ideológico com os pensamentos que vão nortear a administração, nada disso. Se está disposto a votar com o governo, é bem vindo. E ganhará seu naco de poder. Assim, os governos brasileiros costumam ter gente ligada a toda e qualquer linha de pensamento que possa se reverter em votos nas eleições e nas votações no Congresso. Há o megaempresário e há o sindicalista. Há o religioso retrógrado e há o cientista arrojado. Há o moralista conservador e há o representante dos homossexuais. E há o ecologista e o empresário rural. Que tudo se resolva na base da queda de braço. E, Dilma viu agora, se o presidente ficar do lado menor, problema dele.

O que tornou a vida de Dilma ainda mais complicada na terça-feira é que sua orientação não partia exatamente de uma profunda convicção ambiental, mas de um cálculo político. Na estratégia de conter os avanços de Marina Silva na campanha presidencial, ela firmou compromissos com ambientalistas com relação ao Código Florestal que tentou cumprir. As brigas que teve com a própria Marina no governo Lula, que levaram a ex-senadora a deixar o Ministério do Meio Ambiente, já davam a Dilma a fama de alguém não muito preocupada com a questão ambiental. Assim, ela de forma alguma queria aparecer alinhada com aqueles que defendiam no caso do Código Florestal uma posição que punha em risco o meio ambiente.

Para evitar mais desgaste, o governo resolveu, inclusive, fazer um adiamento. Como o Congresso em Foco chegou a noticiar aqui na semana passada, já estava tudo acertado em reuniões que aconteceram na Casa Civil para que fosse liberada a licença ambiental da usina hidrelétrica de Belo Monte. Segurou-se a licença: imagine Dilma enfrentar ao mesmo tempo o desgaste da derrota no Código Florestal com a liberação para a construção da polêmica usina, alvo da fúria dos ambientalistas. Resolveu-se cozinhar Belo Monte em banho-maria mais um pouco.

Dilma está furiosa. Foi tratorada pelos seus aliados. Para quem tem fama de mandona, deve ter sido mesmo horrível ficar de espectadora na votação do Código Florestal. Parece ter ficado uma lição sobre a sua base de sustentação imensa mas sem qualquer alinhamento ideológico: paquidermes podem ser animais bem dóceis, até resolverem não ser.

*É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultaram na cassação do senador Luiz Estevão

Outros textos do colunista Rudolfo Lago*

Fonte: Congressoemfoco

A importância de fortalecer a Lei Maria da Penha

“Não precisamos de mudanças na lei. Seu texto já é bastante completo e consistente. A bancada feminina deve lutar para que a Lei Maria da Penha seja efetivamente implementada”

Iracema Portella*

Com cinco anos de existência, a Lei Maria da Penha ainda enfrenta resistências em alguns setores conservadores e machistas da sociedade. A Lei, considerada uma das três melhores do mundo pela ONU no que se refere ao combate à violência contra mulheres, infelizmente ainda não está sendo aplicada corretamente pelos operadores de Direito.

No âmbito do Poder Judiciário, observamos comportamentos díspares: alguns juízes e juízas são grandes aliados das mulheres, enquanto outros se recusam a aplicar a lei e continuam a classificar a violência doméstica como “crime de menor potencial ofensivo”. Essa negligência coloca a vida das mulheres em risco e desrespeita direitos assegurados.

A atuação do Superior Tribunal de Justiça tem oscilado entre decisões que reafirmam o conteúdo da lei e pronunciamentos que a deturpam. A resistência que a Lei Maria da Penha enfrenta em alguns tribunais tem motivado a apresentação de muitos projetos de lei no Congresso Nacional. O CFEMEA acompanha 23 projetos com esse teor que tramitam no parlamento. Produzidas às pressas após casos de grande repercussão ganharem a mídia, essas proposições, em sua maioria, são redundantes e não alterariam em nada o conteúdo da lei.

Não precisamos de mudanças na lei. Seu texto já é bastante completo e consistente. O que precisamos é fortalecer a Lei Maria da Penha, desenvolver campanhas educativas e informativas sobre seu conteúdo e batalhar para que a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência, formada por delegacias, varas e juizados especializados, seja consolidada e ampliada em todo o Brasil, principalmente no interior. A bancada feminina deve lutar para que a Lei Maria da Penha seja efetivamente implementada. Esse objetivo só será atingido com muita vontade política, aumento das dotações orçamentárias para essa área e expansão das políticas públicas voltadas para as mulheres. Nós, parlamentares da bancada feminina, temos que fechar questão em torno desses pontos.

*Deputada pelo PP do Piauí

Fonte: Congressoemfoco

As explicações do INSS sobre o ofício


Eduardo Militão

O Congresso em Foco perguntou à assessoria do INSS que resposta havia sido dada ao Procon a um pedido de punições a bancos com muitas reclamações sobre empréstimos consignados. Questionou ainda se o governo federal aplicou alguma penalidade aos bancos de 2006 pra cá.

As seis perguntas do Congresso em Foco:

1.) O ofício foi respondido? Quando?
2.) Qual a resposta?
3.) Os bancos foram punidos? Com que eventuais sanções?
4.) Qual a justificativa do INSS para punir ou não as instituições financeiras?
5.) Os bancos foram punidos em outras ocasiões, não motivadas pelo ofício do Procon? Por quê?
6.) Algum banco já teve a suspensão da concessão de crédito consignado motivada por reclamações dos aposentados ou descumprimento da legislação? Qual o motivo? Qual banco? Quando a suspensão aconteceu?

A primeira resposta do INSS, com uma única frase:

A IN 28/2008 prevê as situações e as formas de penalizações [sic] as instituições financeiras no crédito consignado.

O Congresso em Foco perguntou se o ministério gostaria de esclarecer melhor a questão e acrescentar informações já que as seis perguntas não foram respondidas.

Leia a segunda resposta do INSS:

Seguem as punições previstas na IN 28/2008.

DAS PENALIDADES

Art. 52. Constatadas irregularidades nas operações de consignação/retenção/RMC realizadas pelas instituições financeiras ou por correspondentes bancários a seu serviço, na veiculação, na ausência de respostas ou na prestação de informações falsas ou incorretas aos beneficiários, sem prejuízo das operações regulares, o INSS aplicará as seguintes penalidades:
I - suspensão do recebimento de novas consignações/retenções/RMC pelo prazo de cinco dias úteis a partir da data do recebimento pela DIRBEN, nos casos de:
a) reclamações ou recomendações oriundas de órgãos de fiscalização e/ou de defesa do consumidor, por prática lesiva ao beneficiário, referente à concessão de créditos; ou
b) sentenças judiciais transitadas em julgado em que a instituição financeira tenha sido condenada por prática lesiva ao beneficiário ou ao INSS;

II - suspensão do recebimento de novas consignações/retenções/RMC, pelo prazo mínimo de cinco dias e enquanto perdurar o motivo determinante, nos seguintes casos:
a) não atendimento ao disposto nos §§ 3º e 5° do art. 47, art. 48 e inciso I do parágrafo único do art. 49 desta Instrução Normativa; ou
b) descumprimento das cláusulas do convênio ou das instruções emanadas pelo INSS;

III - suspensão do recebimento de novas consignações/retenções/RMC por 45 dias corridos, a contar da comunicação, quando for confirmada a existência de ocorrência que contrarie o disposto no inciso II do art. 3º e inciso I do art. 15, independentemente dos procedimentos estabelecidos no art. 46 desta Instrução Normativa;

IV - suspensão do recebimento de novas consignações/retenções/RMC por um ano, na hipótese de reincidência da situação prevista no inciso III, a contar da notificação formal à instituição financeira; e

V - rescisão do convênio e proibição de realização de um novo convênio pelo prazo de cinco anos, contados da data da notificação:
a) na hipótese de reincidência na ocorrência de que trata o inciso III, após o cumprimento da suspensão prevista no inciso IV; e
b) na ocorrência de dez incidências consecutivas ou concomitantes no cometimento dos motivos ensejadores da suspensão de que trata a alínea “b” do inciso II, dentro do mesmo exercício financeiro.
§ 1º As suspensões a que se referem os incisos II, III e IV deste artigo serão mantidas, independentemente da expiração do prazo estabelecido, até a conclusão da análise da Dirben sobre a manifestação apresentada pela instituição financeira de cada situação que deu causa à sanção.
§ 2º A Dirben poderá, sempre que tomar ciência de atos lesivos ao beneficiário ou à imagem do INSS, inclusive com publicidade enganosa ou abusiva, suspender o recebimento de novas averbações da instituição financeira até que esta apresente as informações conclusivas que justifiquem ou contradigam tais atos. 16
§ 3º No caso de publicidade enganosa ou abusiva comprovada, a instituição financeira deverá se retratar ou corrigir a informação divulgada no mesmo veículo de comunicação então utilizado e, no mínimo, com igual espaço e destaque.

Governo não puniu bancos enrolados no consignado

Fonte: Congressoemfoco

Cooptar não resolve: oposição é indispensável ao governo

Pedro do Coutto

Na edição de terça-feira de O Estado de São Paulo, Dora Kramer, com o alto nível de sempre, ao analisar possíveis desdobramentos do processo Palocci, referiu-se à tentativa de cooptação, pelo Palácio do Planalto, de setores parlamentares, sindicais, classistas, como é o caso da bela adormecida UNE, no sentido de retirar de foco a questão ética em que se envolveu o ministro-chefe da Casa Civil.

Ao ler o texto, me veio à lembrança uma entrevista do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 61, na antiga TV Rio que não mais existe, na qual estavam os jornalistas Murilo Mello Filho, Wilson Figueiredo, Carlos Chagas e Villas Bôas Correa. Participei da entrevista. Jânio Quadros havia renunciado e João Goulart assumido. Jânio culpara as forças ocultas.

Então, Murilo Mello e Wilson Figueiredo perguntaram a JK, se ele, das eleições de 55 à passagem do poder em Janeiro de 61, também havia enfrentado as forças ocultas. Juscelino respondeu de pronto: “As forças ocultas e as aparentes também. Houve necessidade de dois movimentos militares, o 11 e o 21 de Novembro (de 55) para assegurar a minha posse e portanto a vontade das urnas. Entreguei democraticamente o governo em condições muito diferentes daqueles em que assumi. Mas confio no futuro e no país”.

Lembro como se fosse hoje. Perguntei então a ele como analisava a oposição a seu mandato. A oposição foi terrível. O líder era Carlos Lacerda. “Mas ela é indispensável” – acentuou – “a qualquer governante. Quem exerce o poder tem de ouvir e sentir todas as correntes de oposição. E fazer a análise sobre a média do pensamento popular. Cooptar, para quem tem as chaves do comando, é difícil. Mas não leva a nada. Descobrir a verdade na síntese á que é difícil. O grande desafio de governar reside neste ponto”.

Vejam os leitores como um fato, no caso um texto de Dora Kramer, conduz à memória, leva a que se encontrem exemplos do passado. JK enfrentou Lacerda, a UDN, a oposição forte de O Globo, de O Estado de São Paulo, do Correio da Manhã, do Jornal do Brasil, da Tribuna da Imprensa. A seu lado só o Diário Carioca e a Última Hora. O Globo se opôs até o início de 59, momento em que, por coincidência, recebeu a concessão para o canal de televisão que lidera amplamente a audiência desde 65, quando entrou no ar. O Correio da Manhã e o Jornal do Brasil noticiavam as realizações do governo (eram muitas, como se sabe hoje), mas atacavam JK nas páginas de opinião. O JB, então dirigido por Odilo Costa Filho, chegou a publicar na primeira página, em 58 ou 59, a famosa foto do “Me Dá Um Dinheiro” Aí, marchinha de sucesso no carnaval. O Secretário de Estado dos EUA, Foster Dulles, com um caderno na mão, anotando, e Juscelino com as mãos espalmadas convidando Dulles e Lucas Lopes, ministro da Fazenda, a sentarem. O New York Times publicou no dia seguinte editorial com o título: a foto infame.

Kubitschek enfrentou a oposição da corrente udenista da UNE e nunca tentou coptá-la. Ela inclusive foi às ruas contra JK no dia em que, no Rio, recebeu o presidente Eisenhower. Passaram pela Praia do Flamengo em carro aberto. No alto do prédio o cartaz: “We like Fidel Castro”. Juscelino apontou o cartaz. Eisenhower, o verdadeiro responsável pelo isolamento de Cuba que lançou Fidel nos braços da URSS de Kruchev, respondeu: “Nós também gostamos dele. Ele é que não gosta de nós.”

São fatos. JK poderia facilmente ter anestesiado a UNE, como ela hoje aliás se encontra. Mas seria negativo, para o governo e para o país. Nenhuma nação pode mergulhar numa verdade só. E um desastre. O processo da realidade tem várias faces. Assim como um cubo no lance de dados. Poema famoso de Mallarmé, escrito há maias de 200 anos.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Olhando a moldura, esquecem a pintura

Carlos Chagas

A denúncia foi formulada por um dos mais importantes ministros palacianos, o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho: teriam partido da prefeitura de São Paulo, quer dizer, do prefeito Gilberto Kassab, as informações sobre o aumento do patrimônio de Antônio Palocci. O fio da meada estaria na declaração do Imposto Sobre Serviços pago pela empresa do chefe da Casa Civil. O ISS é um imposto municipal e quem o administra é a Secretaria de Finanças do município.

Não deixa de ser inusitada a denúncia. Que interesse teria Kassab em atingir Palocci, precisamente quando tenta formar um novo partido retirado dos escombros da oposição, com a finalidade de apoiar o governo Dilma Rousseff?

Como no caso das consultas concedidas por Palocci, é preciso provar. Que evidências Gilberto Carvalho possui para fazer tão grave acusação? A quem interessa desconstituir o chefe da Casa Civil?

Já o ex-presidente Lula fulaniza a acusação, responsabilizando o secretário de Finanças, Mauro Ricardo. Também não poupa José Serra, a quem chama de cérebro de toda a operação.

Há quem opte por outro caminho, supondo que o verdadeiro algoz de Antônio Palocci tenha sido o ex-deputado José Dirceu, influência de peso no PT e interessado em desestabilizar o governo.

De tudo, uma conclusão: dedicam-se todos a examinar e a opinar sobre a moldura, esquecendo-se de olhar a pintura. Despreza-se o principal em favor do supérfluo. O importante nesse episódio é saber quais eram os clientes de Palocci, já que ele faturou pelo menos trinta milhões de reais em tempo recorde. É aqui que a vaca vai para o brejo, como tem ido desde que o Brasil foi descoberto. O poder econômico permanece à sombra, jamais exposto. Foram empresas, em especial as empreiteiras de obras públicas, que contribuíram para aumentar a conta bancária do ex-ministro da Fazenda? Quais são elas?

***
COMPRAR AÇÕES DE FRANKLIN?

Todo presidente da República, ao nomear seu ministério, dispõe de alternativas que guarda no fundo da gaveta. O próprio Lula, muito antes da demissão de Palocci, já tinha Guido Mantega como regra três. Ao perder José Dirceu, guardava Dilma Rousseff como opção. Trata-se de cautela adotada por todos os chefes de governo para não serem surpreendidos.

No palácio do Planalto não se cogita da substituição de Antônio Palocci na chefia da Casa Civil, mas se porventura acontecer, é bom comprar ações de Franklin Martins. São antigos os laços que unem o ex-ministro da Comunicação Social e a presidente Dilma Rousseff.

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OPOSIÇÕES COM SORTE

Apesar de amorfas, insossas e inodoras, as oposições andam com sorte. Caiu-lhes no colo a crise que envolve o ministro Antônio Palocci. Nada fizeram para cumprir seu papel, desde as eleições do ano passado.

Envolvidos em conflitos internos, tanto o PSDB quanto o DEM vinham navegando a reboque dos acontecimentos. De repente, deparam-se com um prato suculento, para o qual não contribuíram sequer com o caldeirão. Sabendo aproveitar as consequências, os oposicionistas poderão melhorar sua imagem e até pensar na conquista de prefeituras importantes, ano que vem.

***
A VOZ DO BRASIL

Houve tempo, quando se chamava a Hora do Brasil, em que era o programa mais ouvido pelo rádio em todo o território nacional. Na hora certa, sete da noite, chegava aos mais remotos rincões do país pelos poderosos transmissores da Rádio Nacional e todas as demais emissoras, em cadeia. Seu caráter obrigatório incomodava pouco, dados os índices de audiência.

O tempo passou e a televisão ocupou muitos espaços. A última vez em que a Voz do Brasil empolgou o país inteiro, no interior e nas grandes cidades, foi durante os sete meses do governo Jânio Quadros, quando o histriônico presidente mandava para o programa, com exclusividade, os seus “bilhetinhos” aos ministros. Anunciava projetos, passava reprimendas e compunha comissões de inquérito. Era obrigatório ouvir, até mais do que transmitir.

O Congresso acaba de flexibilizar a Voz do Brasil, mantendo-a obrigatória mas facultando às emissoras de rádio sua transmissão entre sete e dez da noite. Melhora um pouco o faturamento das empresas, assim como livra o ouvinte de receber em todos os canais, na mesma hora, um programa que certamente não o agrada. Enquanto não criarem a Voz de Brasil obrigatória na televisão, vai tudo bem.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Kassab cria um partido que não é de direita, nem de esquerda ou de centro. É apenas um Partido Frankenstein - disforme, mal costurado e assustador.

Carlos Newton

O novo Partido Social Democrático (PSD), que o prefeito de São Paulo está criando e liderando, com parceria e cumplicidade total do vice-governador paulista Afif Domingos, é uma espécie de Partido Frankenstein. Sua formação tem fatias do DEM, do PSDB e de várias outras legendas, compondo um organismo disforme, todo mal costurado, tão assustador quanto o personagem criado pela genialidade da escritora inglesa Mary Shelley.

Para disfarçar e maquiar a monstruosidade, Kassab diz que seu projeto é de “um partido-ônibus – aquele que não será de direita, nem de esquerda, nem de centro”. Francelino Pereira, que sempre foi de direita, certamente perguntaria: “Que partido é esse?” Mas é difícil responder. Não tem definição em termos de programas, metas ou ideologia.

Está sendo formado à imagem e semelhança de seu criador. Kassab surgiu na política sob a proteção de Celso Pitta e Paulo Maluf, uma dupla inacreditavelmente vampiresca. Depois filiou-se ao DEM e se projetou em aliança com os tucanos, via José Serra, que é outro Drácula da política. E agora Kassab se prepara para chupar o sangue da presidente Dilma Rousseff e fazer o jogo dos petistas para recolher vantagens mais adiante.

No trabalho de aliciamento de filiados em todo o Brasil, Kassab não tem limites na criatividade. A implantação da Secretaria Especial de Articulação para o Mundial, que Kassab entregou ao PCdoB, por exemplo, é uma de suas novidades. Por tabela, criou também a Secretaria de Articulações de Grandes Eventos, bolada especialmente para colher experiências da Olimpíada de Londres, em 2012, e importá-las para a capital paulista, embora os jogos olímpicos no Brasil estejam programados exclusivamente para o Rio de Janeiro, mas quem se importa com esse detalhe?

O ex-deputado federal Walter Feldman, um dos fundadores do PSDB, que debandou dos tucanos, foi nomeado para a pasta. É o primeiro secretário municipal brasileiro a despachar diretamente da capital britânica, onde já está morando. Para criar um cargo desses (Kassab) e também para aceitá-lo (Feldman), é preciso ter uma cara-de-pau verdadeiramente monstruosa, digna dos Frankensteins políticos.

Para atrair novos aliados, o prefeito usa outra excrescência rasteira e antiética – os cargos de conselheiro administrativo nas empresas municipais, com a remuneração de R$ 6 mil de jetom pela participação nas reuniões que são convocadas mensalmente.

Como se sabe, desde sempre, não apenas no âmbito municipal, mas também no estadual e no federal, os conselhos de administração das empresas estatais, para além de suas funções precípuas, têm servido para aumentar disfarçadamente os salários de ministros, secretários e altos funcionários. E Kassab usa essa arma com invulgar desfaçatez.

No caso da Prefeitura paulistana, estão à disposição do prefeito 75 cargos de conselheiros administrativos, cada um com jetom de R$ 6 mil. Dos 27 secretários municipais, 17 dele integram algum desses conselhos. Os outros 58 cargos de conselheiro podem ser usados por Kassab para barganhas políticas visando a fortalecer o PSD, que Deus nos proteja desse tipo de política. O país realmente não merece.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Dilma: “Isso é uma vergonha”. Lembranças e reminiscências da madrugada do Código Florestal. Os personagens que se destacaram. Dona Marina e Serra, silenciosos.

Hélcio Fernandes

Compareceram 450 deputados à votação que começou na terça-feira e entrou pela madrugada de ontem, quarta. Como não era nada definitivo, 82 por cento é um bom número de comparecimento. Houve muita hostilidade. Vejamos.

Dona Marina, presidenciável – Ficou o dia e a noite no plenário. Praticamente sem uma palavra, mas acompanhando tudo. Era chamada de “candidata para 2014”, e nos bastidores do PV isso era fato consumado. Parece mesmo. Mas Dona Marina se baseia em quê? Nos 20 milhões que em 2010, à ultima hora, “fugiram” para ela? Não tem uma possibilidade em 1 milhao de ganhar. De Dilma, Lula ou outro adventício.

“Grande Aldo” – Nunca imaginou que fosse tão aplaudido pelos mais reacionários dos ruralistas. Ficou tão empolgado que exagerou, hostilizou, agrediu, foi advertido, jeitosamente mas duramente, pelo presidente da Câmara. Se acomodou, reconheceu que se exaltou. Não respondeu mais a ninguém.

Marco Maia – Desde a Constituinte de 1946, conheci grandes presidentes da Câmara. O de hoje, que presidiu a votação do Código Florestal (ou do assim chamado) merecidamente fica entre os melhores. Presente, sério, compreensivo, duro, regendo tudo como um maestro no Scala de Milão. A sessão chegou ao fim por causa dele.

Chico Alencar-Ivan Valente – Foram os mais destacados, pelo menos do lado ambientalista. Falaram varias vezes para “encaminhar” a votação, denunciaram os interesses multinacionais, que “comandavam os ruralistas”, davam os nomes dessas multinacionais. Não tiveram a menor ilusão, sabiam que estavam perdendo, mas combateram até o final.

Ronaldo Caiado – Foi o grande artífice da vitória (momentânea) dos ruralistas. Estava em todos os lugares, discursando, convencendo. A colaboração de Aldo Rebelo foi teórica, a de Caiado, efetiva. Sendo conservador quase reacionário, grande vitorioso.

Alfredo Sirkis – Foi insistente, não desapareceu um minuto que fosse. Seu combate foi incessante, e fustigando os ruralistas de forma veemente. Chegou a falar como líder do PV, mostrou que essa bancada também está dividida. Na tribuna, o líder nominal do PV foi ao presidente e disse que ele é que devia falar. O que Marco Maia podia fazer? Deu a palavra a ele.

Henrique Eduardo Alves – Obedecendo às ordens de Michel Temer, desapareceu, ou melhor, não apareceu. Falou uma vez 40 segundos como líder (?), muito cumprimentado pelos ruralistas. Como é que aparecerá no Planalto? Nenhum constrangimento, será recebido por Palocci.

Candido Vaccarezza – Líder inexpressivo, ou melhor, sem expressão. Apenas pedia calma, não se destacou em qualquer momento, não é nenhuma personalidade, está longe de ser orador. Por que o governo “entroniza” um líder como esse? É a vocação da derrota. Paulo Teixeira, “líder do PT”, é muito melhor. Sem ser brilhante, é mais competente e até combatente.

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A EXPLOSÃO DA BASE

A grande derrota do governo Dilma, se deu em duas fazes. E não foi vitória dos ruralistas, e sim conspiração dos trânsfugas do PMDB e do próprio PT. Não era segredo que o governo perderia, como aconteceu na semana passada.

A aprovação do Código Florestal representou duas derrotas alarmantes (o Planalto entende que essa é a palavra?) na mesma noite. É realmente para preocupar. A primeira, acachapante, que palavra, levou o Planalto ao desespero. 410 deputados votaram contra o governo, aprovaram a alteração do Código. Era apenas o início.

Já se conhecia a insatisfação do PT e do PMDB. O partido do governo “se queixava” que o PMDB estava recebendo compensações exageradas. A cúpula do PMDB, através do próprio vice-presidente, reclamava: “O PT leva tudo, o PMDB fica assistindo”. Isso é o que chamam de “base”,

O PT fez tudo para parar na primeira votação, não conseguiu. Os que não queriam votar mais, não tinham comando ou liderança, mas não podiam se enganar. Sabiam que não venceriam e, mais grave, a base partidária explodiria, não sobraria coisa alguma. Foi o que aconteceu.

O PT e o PMDB, unidos, dariam a vitória ao Planalto. Mas tiveram que ir para o “sacrifício”. Aí o governo estava empenhadíssimo, a mobilização foi total. Os 63 do PT e PMDB que votaram contra a aprovação, passaram a 182, foram derrotados pelos 273 que apoiaram os ruralistas. Votando com o que haviam estabelecido, teriam ganho.

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DIVIDIR, DIMINUIR E TRAIR

Os 182 que votaram com o Planalto, com os outros 63 (que fugiram do compromisso), atingiriam o número de 245, mais do que suficiente para a derrota dos ruralistas. Estes, que tiveram 273 votos, recuariam para 210, se os 63 tivessem honrado os compromissos e as compensações que receberam.

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“ISSO É UMA VERGONHA”

O bordão de Casoy, usurpado por Dilma. Se a base tivesse votado de forma, digamos, homogênea, a presidente não precisaria utilizar o que o apresentador consagrou como chavão. Mas o que é que a presidente Dilma dizia que era uma vergonha?

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PLURIPARTIDARISMO E PARLAMENTARISMO

No pluripartidarismo não há certeza de vitoria, mesmo com a vasta distribuição de cargos. E ainda mais grave: o pluripartidarismo dentro do presidencialismo é uma excrescência. O presidencialismo só pode ser exercido com o sistema bipartidário.

Para um território maior e uma população bem mais alta (190 milhões na Filial e 300 milhões na Matriz), os representantes aqui, inacreditavelmente exagerados. São 513 e ainda querem aumentar esse número. Nos EUA são 425 deputados.

Na Itália, o maior exemplo desse sistema parlamentarista, o povo vota nos partidos, o presidente e o primeiro-ministro não são eleitos. O presidente (personagem idoso e notável) chama o líder do partido majoritário e “pede a ele que forme o Gabinete”. Ele então vai fazendo acordos com os diversos partidos, até conseguir maioria suficiente, que resista a “um voto de confiança”.

No pluripartidarismo parlamentarista, os acordos são feitos antes, abertamente, o povo acompanha, sabe que é assim mesmo. No pluripartidarismo brasileiro, os “acordos” são feitos depois, não escapam de identificação de CORRUPTOS, e são mesmo.

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PS – Agora o país terá que esperar um tempo enorme até que o projeto chegue ao Senado, seja discutido, votado, emendado, aprovado de qualquer maneira. Aí volta para a Câmara, dependerá das emendas feitas no Senado.

PS2 – Então vai para a presidente, que tem c-o-n-s-t-i-t-u-c-i-o-n-a-l-m-e-n-t-e o Poder de veto. Mas o que é que ela chama de VERGONHA? A traição dos “partidários” ou a ameaça, que o “líder” Vaccarezza transmitiu usando o nome dela?

Fonte: Tribuna da Imprensa

Em dez anos, haverá mais motocicletas do que carros

É o que aponta o estudo "A mobilidade Urbana no Brasil", do Ipea, divulgado nesta quarta-feira

25/05/2011 | 18:23 | Agência Estado

Em dez anos, haverá mais motocicletas nas vias brasileiras do que carros. É o que aponta o estudo "A mobilidade Urbana no Brasil", do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado hoje. A pesquisa mostra que a demanda por transporte público caiu 30% na última década. No mesmo período, a compra de carros cresceu em media 9% ao ano e a de motos, 19%. A previsão é de que a partir de 2012 a aquisição de motocicletas será maior do que a de automóveis.

"Em uma década seremos um país sobre duas rodas. Estamos seguindo um modelo asiático. Lá, as motos entopem as ruas. Isso é efeito de um transporte público ruim, pouco atrativo. A forma que o cidadão encontra para deixar o transporte público é ir para a motocicleta. Moto polui muito mais do que carro. Se comparar com transporte público, polui 40 vezes mais", afirma Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, coordenador do trabalho.

Ele alerta ainda para o fato de a moto matar muito mais do que o carro. Em 1997, houve 12.500 mortes de pedestres, 973 de motociclistas e 3.900 de pessoas em carros. Em 2007, depois que 7,6 milhões de motos entraram em trânsito, o número de mortes de motociclistas passou para 8.118, o de pedestres caiu para 9.657 e o de pessoas em carros, subiu para 8.273.

Carvalho cita o exemplo do Rio de Janeiro para mostrar as transformação das viagens urbanas no país. Em 1950, os bondes respondiam pela maioria dos deslocamentos (649 milhões de viagens por ano), seguidos de ônibus (216 milhões), trens (208 milhões) e carros (20 mil). Em 2005, automóveis fizeram 1,6 bilhão de deslocamentos urbanos e os ônibus, 1,5 bilhão. Trens e metrôs responderam por 259 milhões de viagens.

Financiamento

Segundo o pesquisador, esse fenômeno se explica, em parte, pelo crédito farto e longos prazos de financiamento de carros e motocicletas - no caso de motos, o valor da prestação se aproxima ao gasto mensal com a tarifa de transporte público. O alto custo das passagens também influenciou a mudança do comportamento - desde 1995, as tarifas dos ônibus urbanos aumentaram cerca de 60% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O crescimento do transporte individual tem forte impacto no trânsito. Em 1992, o tempo médio de deslocamento casa-trabalho do brasileiro era de 37,9 minutos. Em 2008, passou para 40, 3. E 19% das pessoas perdem mais de duas horas diárias nesse trajeto. "Se não houve políticas de melhorar no transporte público, como políticas efetivas para baratear tarifas do transporte público, investimentos em infraestrutura, a situação só vai se deteriorar com aumento de acidentes, de congestionamento e da poluição. Vai chegar a um ponto em que as cidades se tornarão inviáveis", afirma Carvalho.
Fonte: Gazeta do Povo

Senador Itamar Franco é diagnosticado com leucemia

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José Cruz/ABr / Integrante da Comissão da Reforma Política, o senador Itamar Franco foi voto vencido na sugestão de propor o fim do voto obrigatório

O ex-presidente da República está internado em seu centro de hematologia e oncologia, na unidade Morumbi, em São Paulo, desde o dia 21 de maio

25/05/2011 | 16:20 | Agência Estado

O senador e ex-presidente da República Itamar Franco (PPS-MG) informou, por meio de sua assessoria, que descobriu que tem leucemia. A assessoria distribuiu cópia de boletim médico do Hospital Albert Einstein, informando que o parlamentar está internado em seu centro de hematologia e oncologia, na unidade Morumbi, em São Paulo, desde o dia 21 de maio.

O hospital informa que "o senador realizará tratamento médico a fim de alcançar a cura para a leucemia". Diz ainda que a "doença foi diagnosticada bem no seu início, e o paciente está se sentindo muito bem, com todas suas funções vitais normais" e que "terá alta em breve". O Einstein informa que fornecerá boletins semanais à imprensa ou assim que haja alguma nova informação.

De acordo com a assessoria de Itamar, o incômodo que ele sentiu foi atribuído a uma gripe, provocada pelo ar-condicionado do plenário. E que só depois de fazer exames de sangue é que a leucemia foi diagnosticada.

Fonte: Gazeta do Povo

Ministro do STF diz que recursos de Pimenta Neves não foram abusivos

Jornalista condenado por matar ex-namorada foi preso nesta terça. Celso de Mello diz que Neves usou forma legítima sobre recursos à Justiça

25/05/2011 | 19:26 | G1/ Globo.com

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou nesta quarta-feira (25) que o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, condenado a 15 anos de cadeia pelo assassinato da ex-namorada Sandra Gomide, não usou de forma “abusiva” os recursos para adiar a prisão.

Assassino confesso, Pimenta Neves foi condenado em 2006 e, por meio de apelações judiciais, se manteve em liberdade até esta terça-feira (24), quando o STF negou o último recurso apresentado pela defesa e determinou a prisão do jornalista.

“Pimenta Neves exerceu de forma legítima todas as faculdades legais que o sistema processual brasileiro permite. Não agiu de maneira abusiva”, afirmou o ministro relator do caso no STF. Durante o julgamento desta terça, Celso de Mello chegou a citar que julgou vários recursos da defesa de Pimenta Neves, desde 2000.

Mas, de acordo com o ministro, o jornalista usou os direitos que a Justiça brasileira garante a qualquer réu. Para Mello, não havia motivo para a prisão preventiva do jornalista, uma vez que a Constituição brasileira privilegia a liberdade e o jornalista não apresentou comportamento que evidenciasse intenção de fugir ou destruir provas.

Em 20 de agosto deste ano, o assassinato de Sandra Gomide completou 11 anos. Pimenta Neves, que na época do crime era diretor de redação do “O Estado de S.Paulo”, tinha 63 anos e ela, 32. Os dois haviam rompido o namoro de quatro anos poucas semanas antes, quando Sandra contou estar apaixonada por outra pessoa. Sandra Gomide, que era ex-editora de economia do jornal “O Estado de S.Paulo”, foi assassinada com dois tiros, no Haras Setti, em Ibiúna, a 64 km de São Paulo.

Depois de se entregar à polícia nesta terça, Pimenta Neves passou a noite no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, na região central de São Paulo. No início da tarde desta quarta, ele foi levado à Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Fonte: Gazeta do Povo

1ª crise da era Dilma Código Florestal e caso Palocci fazem presidente ceder ao Congresso

Diógenes Santos/Ag. Câmara

Diógenes Santos/Ag. Câmara / Tensão: Henrique Alves (esq., de óculos), líder do PMDB, e Vaccarezza (dir.), líder do governo, discutem na sessão do Código Tensão: Henrique Alves (esq., de óculos), líder do PMDB, e Vaccarezza (dir.), líder do governo, discutem na sessão do Código
Relações institucionais

A base derreteu

Votação do Código Florestal expõe racha entre PT e PMDB

Publicado em 26/05/2011 | André Gonçalves, correspondente - Brasília

Menos de cinco meses após assumir a Presidência, Dilma Rousseff enfrenta a sua primeira grave crise com o Congresso. A derrota do Planalto na votação do Código Florestal sinalizou que a base aliada no Legislativo está desunida e não segue os comandos do governo, mas sim seus próprios interesses. Com o ministro Antonio Palocci abatido por denúncias sucessivas, Dilma convocou o ex-presidente Lula para assumir a coordenação política do governo, num claro sinal dos problemas que enfrenta. E, numa tentativa de reconquistar a base perdida, fez um afago à bancada evangélica no Congresso: suspendeu a distribuição nas escolas do kit anti-homofobia

Antes restrito a críticas e agressões veladas, o desentendimento entre PT e PMDB foi escancarado com a votação do novo Código Florestal na Câmara dos Depu­­tados, na noite de terça-feira. Uma emenda proposta pelos peemedebistas levou a presidente Dilma Rousseff à primeira derrota no Congresso Nacional. O clima pesado entre os “sócios” governistas terá reflexos nos próximos dias, em especial nos desdobramentos das denúncias sobre o crescimento patrimonial do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

Pontos de discórdia

Entenda quais são os trechos do novo Código Florestal que o Planalto pretende ou pode tentar mudar na votação no Senado:

Texto-base e emenda

A votação no plenário da Câmara teve duas fases. Na primeira foi aprovado o texto-base do Código. Na outra, foi aprovado um destaque feito pelo PMDB que amplia o poder dos estados na definição de quais zonas consolidadas em áreas de preservação permanente (APPs) poderão ser mantidas. O governo é contra a emenda peemedebista.

Isenção para pequenos agricultores

O texto-base define que imóveis com até quatro módulos fiscais (de 20 a 400 hectares) só precisarão recompor a reserva legal que possuíam em julho de 2008. Inicialmente, o governo queria que a isenção fosse limitada aos agricultores familiares, mas acabou cedendo e todos os produtores rurais encaixados nos quatro módulos fiscais serão anistiados. O tema deve voltar a ser discutido no Senado.

Cultivo em APPs

O texto-base permite o cultivo em regiões consolidadas em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) de encostas e topos de morro em alguns casos, como as plantações de maçã, uva e café. No caso das APPs de margens de rios, a emenda sugerida pelo PMDB determina que União e estados definam por meio dos Programas de Regularização Agrária (PRAs) quais culturas podem ser mantidas, a partir de critérios de utilidade pública, interesse social ou de baixo impacto ambiental. Para o governo, a emenda permite que estados criem brechas para anistiar produtores em APPs indiscriminadamente. A ideia é que a decisão fique por conta da União.

Anistia de multas

Pelo texto-base, todo produtor rural precisará se registrar no Cadastro Ambiental Rural e aderir ao PRA. Os produtores com histórico de multas por desmatamento terão de se adequar a um termo de ajuste de conduta estabelecido pelo PRA. Se houver comprometimento com a recuperação do passivo ambiental pelo qual foi autuado, as multas serão suspensas. Caso contrário, elas precisarão ser pagas. O governo quer regras mais duras, principalmente para punir os reincidentes. (AG)

Pouco antes da sessão de anteontem, Dilma ligou para o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e deu o tom de como avaliava a mudança sugerida pelo PMDB. “Sua Excelência [Dilma] considera que essa emenda é uma vergonha para o Brasil”, disse o petista em discurso, ao orientar que os governistas votassem contra a emenda. A declaração atingiu diretamente o líder do PMDB, Henrique Alves (RN).

Pouco antes, Alves fez um discurso inflamado e tentou rebater a tese de que os peemedebistas estavam traindo o governo. “Eu não sou aliado do governo Dilma. Sou o governo Dilma”, disse, referindo-se à eleição de Michel Temer (PMDB) como vice-presidente. E complementou: “Não aceito aqui [a alegação de] que está se derrotando o governo. Como, se a proposta é nossa?”.

A situação piorou com o encaminhamento do projeto do Código para o Senado, onde passa a tramitar a partir de agora. Há dois meses, o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), já havia manobrado para que o relator do texto fosse o colega de partido e ex-governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira. Idealizador do polêmico Código Florestal Estadual implantado em Santa Catarina, ele deve ser preterido por um nome mais “confiável” e que trabalhe pelas mudanças na proposta defendidas por Dilma. O nome dado como certo é o de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Deslize verbal

Vice-líder do governo na Câ­­mara, o deputado paranaense Osmar Serraglio (PMDB) admite que a situação é difícil. “Houve um deslize verbal quando foi dito que a proposta do PMDB é uma vergonha. Uma crítica objetiva, sobre o conteúdo da emenda, seria normal, mas do jeito que foi colocado ficou muito pessoal”, avaliou Serraglio.

Segundo o parlamentar, o “desencontro” será resolvido rapidamente. “Basta conversa”, sugeriu. O diálogo, porém, vai ter de passar pela lavagem de “roupa suja” do passado: os peemedebistas nunca esconderam o descontentamento com a distribuição de cargos promovida por Dilma.

Enquanto isso, o governo continuará a pressão por mudanças no Código. A presidente reiterou que é contra qualquer mudança que signifique anistia a desmatadores. Apesar dessas ressalvas, os petistas ajudaram a aprovar o texto-base do relator Aldo Rebello (PCdoB-SP), que teve 410 votos a favor e apenas 63 contra.

Já a emenda do PMDB teve 273 votos favoráveis e 182 contrários (78 de petistas). A alteração trata das regras para propriedades que exploram áreas de preservação permanente (APPs), que são zonas protegidas como morros e matas ciliares com a função de preservar recursos hídricos e a estabilidade geológica.

De acordo com o texto-base, a regulamentação das atividades que poderiam continuar em APPs nas margens de rios já desmatadas seria feita por decreto do governo federal, dentro de requisitos de utilidade pública, interesse social e baixo impacto ambiental. Além disso, o texto previa que a análise de manutenção dessas áreas seria feita por Programas de Regula­­­rização Ambiental (PRAs) elaborados por órgãos ambientais federais e estaduais. O destaque negociado pelos ruralistas retira o trecho que diz respeito ao decreto (o próprio texto do código regulamenta quais cultivos são mantidos). Isso dá mais força aos PRAs e, consequentemente, aos estados. Pela lei atual, os estados não tinham nenhuma responsabilidade sobre esse tipo de regulamentação ambiental.

Fonte: Gazeta do Povo

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