domingo, maio 01, 2011

Jornais: Psol tenta tirar presidente do Conselho de Ética

O ESTADO DE S. PAULO

Senado: PSOL tenta tirar presidente do Conselho de Ética
O PSOL pretende iniciar na próxima terça-feira, 3 de maio, no plenário do Senado um movimento para tentar retirar João Alberto (PMDB-MA) da presidência do Conselho de Ética da Casa em virtude das denúncias contra o senador. Nesta sexta-feira, 29, reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o senador maranhense assinou atos secretos para criar cargos e aumentar salários quando integrou a Mesa Diretora do Senado entre 2003 e 2007. João Alberto é homem de confiança do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O senador do PSOL Randolfe Rodrigues (AP) pretende procurar senadores de outros partidos para pedir a destituição do colega do cargo. "Para presidir o Conselho de Ética tem de ter precondições. A composição da comissão já não é adequada e a minha percepção é que podemos e devemos arguir sobre a suspeição do senador João Alberto presidir o Conselho devido ao seu histórico", disse Randolfe.

Ele afirmou que está consultando seus assessores para saber se existe no regimento alguma forma de pedir a destituição de João Alberto. "Nossa pretensão é entrar com um requerimento apontando essa suspeição, mas vamos ver corretamente o que o regimento permite fazer. O fato é que ele não tem condições de ser presidente porque para isso é preciso ter idoneidade."

A empolgação de Randolfe não contagia o veterano Pedro Simon (PMDB-RS). Adversário do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Simon diz que não há o que fazer em relação a João Alberto. "Eu não compareci à eleição do Conselho de Ética, foi o protesto que pude fazer. Esse Conselho é capaz de tudo, lamentavelmente".

Senado proíbe servidor efetivo de trabalhar em gabinete de senador
O primeiro-secretário do Senado, Cícero Lucena (PSDB-PB), baixou um ato nesta sexta-feira, 29, proibindo que servidores efetivos da Casa trabalhem nos gabinetes dos senadores, das lideranças e dos membros da Mesa Diretora. A regra vale apenas para novas contratações, não significando a devolução para a estrutura administrativa da Casa de quem já está nesta situação. A decisão foi publicada no Boletim Administrativo de Pessoal.

O objetivo da Casa é evitar que diante do deslocamento de servidores efetivos para atuar nos gabinetes a estrutura administrativa fique reduzida e, com isso, seja necessária a realização de novos concursos e contratações. Segundo dados do Portal da Transparência do Senado, dos 3.351 servidores efetivos da Casa, 486 prestam serviços nos gabinetes dos senadores, das lideranças ou de membros da Mesa. O próprio Cícero Lucena tem em seu gabinete pessoal quatro servidores efetivos e no da primeira-secretaria mais nove funcionários da estrutura da Casa.

Outro ato assinado pelo primeiro-secretário impede que servidores que ocupem algum cargo de chefia e recebam função comissionada possam realizar jornada de trabalho de seis horas. Atualmente, esta regra valia apenas para os chefes com funções mais altas. Todos eles, agora, terão de cumprir oito horas de jornada diária.

O Boletim traz ainda um ato da diretora-geral, Doris Peixoto, obrigando os servidores da Casa que viajam a trabalhar a entregar um relatório detalhados de suas atividades para posterior fiscalização. O chefe que autorizar a viagem terá de checar o relatório e verificar se os objetivos da saída foram atendidos.

Lula prevê vitória do PT em São Paulo e no Planalto diante de crise da oposição
Sem mandato, mas no papel de condottiere, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou a Brasília com um "grito de guerra" para o PT. Em conversas com a presidente Dilma Rousseff e líderes da legenda, Lula avaliou que a crise na oposição, com DEM e PSDB sob ataque especulativo do PSD, abriu uma janela de oportunidade para o PT e os aliados conquistarem a Prefeitura de São Paulo em 2012 com relativa "tranquilidade".

Para dar certo, ressaltou Lula nas conversas dos últimos dias, será necessário escolher um candidato que tenha trânsito entre os principais partidos da base aliada. A condição poderia afastar do radar alguns pretendentes com arestas locais e alto índice de rejeição nas pesquisas, como a senadora Marta Suplicy. Lula reforçou mais uma vez que está disposto a entrar fortemente na campanha à Prefeitura - principalmente se o PSDB lançar o ex-governador José Serra.

Por enquanto, o PT trabalha com quatro nomes para a sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD): Marta Suplicy, que agora se fortalece com a eleição de Rui Falcão para a presidência do PT, e os ministros Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Fernando Haddad (Educação) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

'Alckmin nos conduzirá à vitória no ano que vem' (entrevista com Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB)
O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), saiu em defesa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), atacando o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. "Alckmin tem liderança e comando comprovados e nos conduzirá à vitória na eleição municipal do ano que vem. O PSDB tem total confiança nele e não temos conhecimento de nenhuma crise ética no partido", disse Guerra em entrevista ao Estado.

A despeito de o partido ter perdido 6 dos 13 vereadores tucanos, ele nega que a regional paulista esteja encolhendo e defende a tese de que é natural que o grupo vencedor de uma eleição queira ter representação nos diretórios. "A ética discutível é a da formação de um partido - o PSD - que reúne frustrações, adesismo, conveniências em torno de projetos pessoais e mudança de lado."

Em nota divulgada ontem, Guerra nega a existência de uma crise tucana: "Neste momento, o PSDB promove convenções estaduais e municipais, como fazem todos os partidos. Em praticamente todas, há acordos. Em alguns casos, há negociações e até disputas. Nada disso indica crise".

O PSDB paulistano perdeu seis vereadores. O partido está encolhendo em São Paulo?
Não é verdade que estejamos encolhendo. O partido não perdeu nenhum deputado federal ou estadual e elegemos o senador mais votado de São Paulo - Aloysio Nunes - e o governador Geraldo Alckmin. Esses vereadores que estão deixando o PSDB foram eleitos na eleição passada. Vamos ver a repercussão disso na próxima eleição.

Para quem tinha 13 vereadores, ficar reduzido a 6 não é grave?
Não é bom, mas não é grave. A relação dos vereadores é com o prefeito e não com o governador do Estado. O ex-deputado Walter Feldman, um dos fundadores do PSDB, também saiu do partido e o ex-deputado estadual Ricardo Montoro deu declarações de que pode fazer o mesmo. Eu falo sobre a perda do Walter, nosso amigo, que já era dissidente há tempos. Essa perda que se consumou agora, na verdade, data da eleição de 2008, quando Alckmin e Kassab disputaram a Prefeitura.

Feldman admitiu que o problema teve origem na eleição de 2008, mas saiu falando em crise ética e responsabilizou o governador Geraldo Alckmin por ela.
O governador Alckmin foi eleito no primeiro turno, tem aprovação excelente, tem liderança e comando comprovados e nos conduzirá à vitória na eleição municipal do ano que vem. O PSDB tem total confiança nele e não temos conhecimento de nenhuma crise ética no partido. Somos referência neste tema. A ética discutível é a da formação de um partido, o PSD, que reúne frustrações, adesismo, conveniências em torno de projetos pessoais e mudança de lado.

Durval vê mobilização para constrangê-lo e desiste de depoimento ao Conselho
Por meio de carta enviada por seus advogados na noite desta sexta-feira, 29, o delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, comunicou ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que desistiu de depor no processo relativo a Jaqueline Roriz (PMN-DF). O depoimento estava marcado para a próxima quarta-feira. A deputada foi flagrada em vídeo de 2006, divulgado em primeira mão pelo estadão.com.br no mês passado, recebendo um pacote de dinheiro do delator do esquema.

Durval atribui a desistência a um possível complô para constrangê-lo e atrapalhar as investigações da Polícia Federal. Segundo a carta, parlamentares citados por ele de forma direta ou indireta “estariam se mobilizando para, de alguma forma, constranger o colaborador visando, de forma oblíqua, atingir o seio das diligências ainda em curso”. Ele baseia a suspeita em uma nota de jornal.

O delator do mensalão do DEM destaca ainda que foi aberta uma ação contra a deputada com base em sua delação e que o Conselho teve acesso aos autos. O documento destaca ainda a força das imagens da deputada recebendo dinheiro. “O vídeo apresentado pelo colaborador, que gerou a instauração de procedimento nesse Conselho de Ética, é autoexplicativo”.

Concessão de aeroportos pode atrasar
A concessão de aeroportos do País à iniciativa privada vai demorar mais tempo do que o previsto inicialmente pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil). A anunciada privatização de parte da infraestrutura aeroportuária ainda está longe de ter o modelo definido pelo governo, apurou o "Estado", e poderá não ficar restrita às obras e operação de terminais de passageiros. Uma das alternativas em estudo prevê a privatização de estrutura operada atualmente pela Infraero.

Os editais prometidos por Palocci para "os próximos dias" vão tratar inicialmente da contratação de consultores encarregados de preparar os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental dos novos negócios. O estudo é apenas uma preliminar da abertura dos novos aeroportos à iniciativa privada. Pronto os estudos, provavelmente a serem contratados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as propostas de edital para as futuras concessões passarão por aval no governo e serão submetidas à análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

Problema está em pistas, diz consultor
Na contramão do diagnóstico apresentado até aqui pelo governo nos investimentos previstos para a ampliação dos aeroportos para a Copa do Mundo de 2014, o brigadeiro Venâncio Grossi, consultor e ex-diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC), aponta que o problema está nos pátios e pistas dos aeroportos. Obras em pátios e pistas são parcela minoritária nos investimentos de mais de R$ 5 bilhões planejados pela Infraero, a estatal que administra os aeroportos nas 12 cidades-sede da Copa. A maior parte dos investimentos está concentrada em terminais de passageiros.

"O problema fundamental dos aeroportos brasileiros é pátio, é pista, não é terminal. Não adianta fazer puxadinho porque ele só vai servir para encher de gente ali sentada. Precisa de mais pátios, novas áreas de estacionamento e novas saídas rápidas", avaliou o brigadeiro. "O problema é ter lugar pra colocar o avião no chão, mesmo que não tenha finger (túnel)", completou. Para Grossi, 60% dos problemas dos aeroportos do País se resolveriam com investimentos em pistas e pátios.

Ocorre que esse tipo de obra não é tão atrativa aos futuros concessionários interessados na operação dos aeroportos. A maior parte do lucro vem da exploração de espaços comerciais instalados nos terminais de passageiros.

ANS muda regra para troca de plano
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou ontem norma alterando as regras de portabilidade de carência para beneficiários de planos de saúde. Segundo especialistas, o avanço foi parcial. A principal novidade foi a extensão do direito a portadores de planos coletivos por adesão. Os coletivos empresariais, que representam quase 60% do mercado, e os contratos anteriores a 1999 continuam sem o benefício.
Outro avanço importante foi em relação à abrangência geográfica do plano, que deixa de ser empecilho para a migração. Isso quer dizer, por exemplo, que um portador de contrato de abrangência municipal poderá optar por um plano de abrangência estadual ou nacional.

Além disso, o prazo para a mudança de contrato foi ampliado. Segundo a norma anterior, de 2009, a migração poderia ser feita no mês de aniversário do contrato ou no mês seguinte. Agora, os consumidores terão o mês de aniversário e os três seguintes para solicitar a mudança. As operadoras, por sua vez, ficaram obrigadas a informar no boleto de cobrança a data de início e término do prazo de migração.

Bancos aumentam o limite de saques noturnos de R$ 100 para R$ 300
Treze anos depois de os bancos limitarem a R$ 100 os saques das 22h às 6h, por questões de segurança, o valor foi atualizado para R$ 300. E vem sendo adotado nas últimas semanas por várias instituições. Santander, Banco do Brasil e Bradesco confirmam que elevaram o limite, seguindo orientação dada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) por circular - não se trata de uma obrigatoriedade. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, manteve o limite de R$ 100. Já o Itaú Unibanco não respondeu se ampliou o valor, alegando motivos de segurança. Para especialistas ouvidos pela reportagem do Estado, a alteração poderá motivar mais ações criminosas. Procurada, a Polícia Militar não se manifestou.

O saque na madrugada é feito especialmente em caixas 24 horas disponíveis em supermercados e postos de gasolina. A maioria dos caixas eletrônicos das agências fica disponível só até o início da noite. Em São Paulo, o acesso é, em geral, até as 22h. O limite de R$ 100 surgiu em 1998. Na época, o saque tinha valores diversos, dependendo da conta do cliente. Assaltos na saída de caixas eletrônicos e sequestros relâmpagos aumentaram. Em alguns casos, a vítima era dominada de dia e, após um primeiro saque, tinha de esperar até a noite para nova retirada.

O GLOBO

Governo prepara medidas para baratear energia
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou [ontem] que o governo está preparando uma série de medidas para baratear o custo da energia no Brasil. Ele reconheceu que a energia no país "é uma das mais caras do mundo", mas disse que a questão não pode ser tratada "com leviandade" porque impacta a arrecadação.

– Nossa energia é muito cara, uma das mais caras do mundo, se não for a mais cara. Boa parte desse custo se deve à tributação, e temos que reduzi-lo, mas não podemos fazer isso de uma hora para outra nem tratar o tema com leviandade, porque ele impacta fortemente a arrecadação federal e dos estados – disse Pimentel, ao participar do Fórum Mundial Econômico para a América Latina, no Rio.

Bovespa teve pior resultado entre as 10 maiores do mundo
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou em abril o pior desempenho entre as dez principais bolsas do mundo. A queda acumulada no mês pelo Ibovespa, referência do mercado brasileiro, foi de 0,48%, considerando a variação em dólar, segundo dados da Bloomberg. No ano, avança apenas 0,48% e só ganha do mercado de Tóquio, com recuo de 3,71%, puxado pela tragédia no Japão.

Entre os motivos que fizeram a Bovespa ir na direção contrária de outras bolsas em abril estão a preocupação com o avanço da inflação no Brasil e as incertezas em relação a possíveis novas medidas de restrição ao crédito e à elevação dos juros básicos. O debate entre Petrobras e governo por causa do reajuste da gasolina afetou fortemente as ações da estatal no mês e foi um fator determinante para o recuo. Segundo Hersz Ferman, gestor da Yield Capital, estrangeiros têm vendido ações em mercados emergentes que estejam enfrentando problemas com a alta do custo de vida para investir em países desenvolvidos que ensaiam recuperação econômica, sem pressão inflacionária.

Censo 2011: 60 mil casais gay com união estável
O Brasil possui hoje 60.002 casais homossexuais com união estável. É o que revela o resultado preliminar do Censo 2010 divulgado pelo IBGE na manhã desta sexta-feira. Pela primeira vez, a pesquisa incluiu uma amostra referente à relação de pessoas do mesmo sexo no país. Segundo o Censo, o número de relacionamentos gays representa 0,16% da população brasileira se for comparado aos 37.487.115 casamentos entre os heterossexuais.

A região Sudeste concentra mais da metade dos registros de casais homossexuais. Ao todo, o IBGE contabilizou 32.202 relacionamentos de pessoas do mesmo sexo. A maior parte está no estado de São Paulo, que registrou 16.872. Em seguida, aparece o Rio de Janeiro, com 10.170. Minas Gerais possui 4.098 e, o Espírito Santo, 1.062 relações. Dos 60.002 casais declarados gays, os estados do Nordeste agrupam 12.196. A Bahia lidera o ranking na região, com 3.029. Ceará e Pernambuco têm 2.620 e 2.571, consecutivamente. Depois, a lista segue com os estados do Rio Grande do Norte (982), Paraíba (885), Maranhão (717), Sergipe (440) e Piauí (312).

Censo 2011: 3,5 milhões de casas sem banheiro
Enquanto as discussões se concentram no acesso à rede de coleta de esgoto - que chega a apenas 55,5% dos lares brasileiros - uma parcela significativa desses domicílios sequer tem banheiro em casa para ser ligado a ela. São 3.562.671 domicílios sem banheiro no país, o que representa 6,2% das casas, de acordo com os números do Censo 2010, divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE.

O número fica ainda mais impressionante ao se constatar que 3.050.945 casas têm três banheiros, revelando pelo número de sanitários, a desigualdade que assola o país. Já no topo da pirâmide sanitária estão os 1,2 milhão de casas com quatro banheiros ou mais. A grande maioria das casas tem um banheiro. São 67,14% nessas condições. E a situação já foi pior. Em 2000, quando houve o último censo, eram 7,5 milhões de domicílios sem banheiro.

Censo 2011: Brasil tem quase 14 milhões de analfabetos
Em dez anos, o analfabetismo no país caiu só quatro pontos percentuais. Hoje, há ainda 13,9 milhões de brasileiros, com 15 anos ou mais, analfabetos, diz o Censo de 2010 divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE. É o equivalente a 9,63% da população nessa faixa etária - no Censo de 2000, esse percentual era de 13,64%. Apesar de ser uma das áreas do país com maior crescimento econômico e aumento de mercado consumidor, o Nordeste continua sendo a região com maior número de analfabetos.

Para pesquisadores, a queda na taxa de analfabetismo tem sido lenta. O próprio presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, afirma que essa taxa "não cai tão rápido". O principal motivo para isso, diz Nunes, é a dificuldade da alfabetização de pessoas mais velhas. Isso é apontado pelo fato de que, à medida que se avança na faixa etária, maior é o percentual de analfabetos. Na faixa de 60 anos ou mais, são 26,5% de analfabetos.

FOLHA DE S.PAULO

Contas do governo no trimestre têm recorde
Depois de um ano de 2010 no vermelho, Estados e municípios mostraram recuperação em seus resultados no primeiro trimestre e fecharam as contas com um saldo recorde para o período. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, somado ao bom desempenho da União, o resultado das contas públicas no primeiro trimestre alcançou 4,2% do PIB (Produto Interno Bruto), nível que não era atingido desde o período que antecedeu a crise de 2008.

No trimestre, os governos estaduais e municipais tiveram superavit primário – antes do pagamento dos juros da dívida – de R$ 13,6 bilhões. A economia supera em 48% a registrada em igual período de 2010. De acordo Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, a melhoria se deve a um aumento na arrecadação estimulada pela economia aquecida. Além disso, observa, a maioria dos governadores estão no primeiro ano de gestão, quando costumam "arrumar a casa":

"A hipótese é de que certamente há uma reorganização nas finanças do governo", afirma Maciel. Para o analista da consultoria LCA, Bráulio Borges, outro fator que influenciou foi o reajuste menor do salário mínimo neste ano. "O reajuste foi de praticamente zero. Isso ajuda nas finanças dos municípios", diz.

Aeroportos terão "prefeito" para cuidar de problemas do dia a dia
O governo decidiu criar uma autoridade aeroportuária para gerenciar os aeroportos do país e vai instalar em cada uma das 66 unidades da Infraero uma espécie de "prefeitura" para resolver problemas que afetam a vida de passageiros, como filas de atendimento e superlotação. O objetivo é fazer a gestão entre todos os órgãos envolvidos na operação dos aeroportos: Polícia Federal, Receita Federal, Anac (Agência Nacional de Aviação Civil); Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Departamento de Controle do Espaço Aéreo, além da própria Infraero. Hoje, essas entidades quase não se comunicam. Esses "prefeitos" serão representantes da Secretaria de Aviação Civil, ministério recém-criado pela presidente Dilma para resolver os gargalos de infraestrutura da aviação comercial brasileira.

Governo preserva 1/3 dos gastos não pagos e aprovados
Após pressão de congressistas, insatisfeitos com cortes no Orçamento, o governo decidiu manter cerca de um terço dos gastos previstos que seriam cancelados a partir de hoje. Decreto publicado ontem no "Diário Oficial da União" permite que verbas dos Orçamentos de 2007, 2008 e 2009 poderão continuar sendo usadas caso obras e serviços já tenham sido iniciados. O valor acumulado entre 2007 e 2009 dos chamados "restos a pagar" é de R$ 15 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda. Desse valor, o ministério estima que cerca R$ 10 bilhões serão cancelados, porque se referem a recursos destinados a obras que ainda não saíram do papel.

Petrobras prevê investir US$ 73 bi no pré-sal de Santos
A Petrobras informou ontem que a previsão dos investimentos para o desenvolvimento dos projetos do pré-sal da bacia de Santos até 2015 é de US$ 73 bilhões, sendo que 74% desse total será aportado diretamente pela estatal. A reavaliação do Plansal, plano instituído em 2008 para coordenar os investimentos nos reservatórios gigantes da bacia de Santos, foi feita em reunião do conselho de administração da estatal. Segundo o novo plano, em 2015 a área do pré-sal de Santos estará produzindo 613 mil barris diários de petróleo, referente à fatia da Petrobras nos campos, volume que representa um acréscimo de 108 mil barris diários em relação ao plano anterior.

Previsão de balança comercial será revisada pelo governo, diz ministro
O governo vai revisar para cima a previsão de superavit da balança comercial brasileira em 2011. A projeção atual é que o saldo fique entre US$ 12 bilhões e US$ 13 bilhões ao longo de 2011. O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) disse que os números serão apresentados depois de amanhã. Questionado se o número vai subir muito, disse que será "bem mais", se comparado aos atuais. "A balança está muito bem este ano, temos um superavit de US$ 4 bilhões", afirmou, durante a edição para a América Latina do Fórum Econômico Mundial, no Rio.

Novo presidente do PT recebeu doações de réus do mensalão
Ligado ao ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o novo presidente do PT, Rui Falcão, recebeu doações de outros dois réus do mensalão em sua campanha à reeleição como deputado estadual em São Paulo, no ano passado. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e o ex-deputado José Genoino (PT-SP) fizeram contribuições que somam pouco mais de R$ 16.500, segundo sua prestação de contas à Justiça Eleitoral. O deputado José Mentor (PT-SP), que também foi investigado pela CPI dos Correios por receber dinheiro do valerioduto, integra a lista com R$ 5.710 em doações.

Os valores são modestos diante dos R$ 2,55 milhões arrecadados por Falcão, mas demonstram sua proximidade de petistas envolvidos no escândalo e reabilitados recentemente pelo partido. Ele assumiu o comando do PT no dia em que a sigla aprovou a volta do ex-tesoureiro Delúbio Soares, acusado de operar o mensalão. Falcão teve a maior parte das despesas eleitorais bancada por empreiteiras e pela cúpula do PT. Nove construtoras doaram R$ 1,15 milhão (45% da receita total), e o partido, mais R$ 1,02 milhão.

As contribuições atribuídas à legenda caracterizam as chamadas doações ocultas: não é possível saber a origem real do dinheiro. O deputado estadual foi eleito para o quarto mandato com 174 mil votos. Controla a primeira-secretaria da Assembleia Legislativa, responsável pela administração e pelos contratos da Casa.

Alto escalão evita participar de encontro
Boa parte do alto escalão do PT faltou ontem à reunião que avaliou o pedido de refiliação do ex-tesoureiro Delúbio Soares. A começar de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do partido, estrelas petistas evitaram o desgaste de participar do encontro do Diretório Nacional. Titulares do órgão, ministros e senadores transferiram para seus suplentes a tarefa de aprovar o retorno de Delúbio.

Caberia em grande parte aos "bagrinhos" - classificação feita pelos próprios petistas - a tarefa de votar. Lula, embora estivesse em Brasília, não passou no partido. Segundo petistas, sua intenção foi evitar a associação de sua imagem como de principal avalista do renascimento político do ex-tesoureiro envolvido no mensalão. Ministros alegaram agenda oficial para não comparecer. José Eduardo Cardozo (Justiça), enviou uma mensagem de apoio a Dutra. Maria do Rosário (Direitos Humanos), afirmou que viajava em missão oficial. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, nem confirmou presença.

Falcão volta a negar acusação de vazar dossiê
Eleito ontem por unanimidade presidente do PT até 2013, o deputado estadual Rui Falcão (SP) foi obrigado a se defender em seu discurso de posse. Numa votação que representa a volta do poder para o PT de São Paulo, ele afirmou que sua missão é garantir apoio a Rousseff. Foi uma tentativa de aplacar rumores de que sua vitória afronta o governo federal. Falcão foi protagonista de um dos momentos mais delicados da disputa presidencial, em 2010, quando foi acusado de vazar dossiê produzido pela inteligência da pré-campanha de Dilma. Ele negou a acusação. "De nossa parte nunca existiu." Falcão descartou relação de sua eleição com o poder do ex-ministro José Dirceu.

Dilma vai à TV para reafirmar compromisso de combater inflação
Em um pronunciamento marcado pela reafirmação de compromissos de combate à pressão inflacionária, a presidente Dilma Rousseff batizou ontem o programa que ela pretende transformar em símbolo do seu governo para a erradicação da pobreza extrema: "Brasil sem Miséria". Em rede nacional, ontem à noite, Dilma não deu detalhes do programa, mas afirmou que ele será lançado "nas próximas semanas".

De acordo com a presidente, ele abarcará novos e antigos programas sociais -um deles deverá ser o Bolsa Família- e mobilizará "todos os setores da sociedade". Durante a campanha, a erradicação da miséria foi uma de suas maiores promessas. O pronunciamento teve como justificativa a celebração do Dia do Trabalho, amanhã, mas o destaque da fala presidencial foi a reafirmação do compromisso do governo com o combate à alta da inflação.

Para Temer, classe média deve ser foco do governo
Depois de a oposição se engalfinhar com a sugestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que é preciso priorizar a nova classe média, ontem foi a vez do vice-presidente Michel Temer (PMDB) dizer que esse segmento tem de ser uma prioridade para o governo. "Não se trata de esquecer os pobres, é claro. Mas eles já têm programas de assistência. Assim, identifico essa gente toda que ascendeu socialmente como um público a ser atendido, provavelmente com ainda maior incremento no ensino técnico", disse Temer à Folha em Roma, onde representa o Brasil na beatificação do papa João Paulo 2º amanhã.

Quando sugeriu em artigo a prioridade, FHC falou que a oposição teria de deixar o "povão" de lado. Embora explicasse que o "povão" era uma massa já cooptada pela rede assistencial ampliada no governo Lula, a expressão levou à interpretação de que FHC fora elitista. Temer afirmou que o governo já vê essa classe de forma mais coesa, "reivindicando socialmente".

Presidente do PSDB ataca Kassab e faz críticas a dissidentes
Num gesto de apoio ao governador Geraldo Alckmin, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), minimizou a crise no diretório paulistano do partido e atacou a legenda que será criada pelo prefeito Gilberto Kassab, o PSD. No texto, Guerra trata com naturalidade o fato de o partido ter perdido 6 dos 13 vereadores que tinha na Câmara Municipal da capital. Diz que os dissidentes estavam no PSDB mas não atuaram com o partido em 2008, quando Kassab se reelegeu derrotando Alckmin.

Na disputa, o prefeito contou com o apoio dos vereadores e do ex-governador José Serra. Com o texto, Guerra insinua que já não havia ligação entre os gestos dos dissidentes com as determinações da legenda.

Última governadora do DEM diz que não deixará a legenda
A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, afirma que não abandonará o DEM e diz que confia na "superação" da crise em seu partido, que acumula conflitos internos e deserções neste ano. Rosalba, 58, diz "não ter motivos" para uma desfiliação porque sempre foi "muito bem tratada". Ela faz um apelo aos colegas da oposição dizendo que "o Brasil não pode ter um lado só".

Ela será a única representante do partido entre os governadores caso Raimundo Colombo, de Santa Catarina, confirme sua migração para o PSD, que está sendo criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ex-DEM. "Temos de reconhecer que estamos em um momento difícil, houve essas defecções. Isso reduz a força do partido. Mas já passamos por outras crises. Acredito muito que vamos superar."

A governadora, que trocou o PDT pelo PFL (atual DEM) há 21 anos, considera o troca-troca entre partidos uma "acomodação natural da democracia pluripartidária". Questionada sobre o risco de extinção de seu partido, afirma que "são ondas que acontecem, mas depois a maré irá amansar".

Excesso de partidos dificulta a governabilidade, afirma tucano
Um dia após endossar a fusão do PSDB com o DEM e o PPS, e ver a sigla tucana sofrer desidratação com a criação do PSD, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu a diminuição do número de partidos. Ele afirmou que o excesso de legendas "dificulta a governabilidade". Questionado se a crítica era direcionada à criação da nova sigla do ex-aliado Gilberto Kassab, o governador disse se tratar de uma afirmação "genérica".

"Quando se tem mais de 30 partidos, não se tem mais de 30 ideologias. [...] Não tem democracia com 40 partidos, com essa fragmentação partidária", disse ele, durante a edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial. Ele disse não ser contrário à criação de partidos. Mas afirmou que o fim da coligação proporcional – feita para eleição de deputados e vereadores – eliminaria siglas com poucos votos.

Mãe de diretor da Assembleia era servidora-fantasma
O diretor administrativo da Assembleia Legislativa do Paraná, Altair Daru, foi demitido após a imprensa local revelar ontem que sua mãe era funcionária-fantasma no gabinete do presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), de 2003 a 2005. Ontem, reportagem do jornal "Gazeta do Povo" revelou que a mãe de Daru, Hellena Luiza Valle Daru, foi funcionária comissionada no gabinete de Rossoni. Os salários variavam de R$ 10 mil a R$ 25 mil. Hellena diz nunca ter trabalhado no local nem ter recebido nada da Assembleia. Rossoni afirma que demitiu o diretor de forma "preventiva". Daru nega participação no caso.

Fonte: Congressoemfoco

Manchetes das revistas: a guerra dos Suplicy

ISTOÉ

A guerra dos Suplicy
Os senadores Eduardo Suplicy e Marta Suplicy, do PT de São Paulo, formam um ex-casal incomum. De comportamento peculiar, ambos têm personalidade marcante, cada um a seu modo. Sexóloga de profissão, Marta é mais desembaraçada. Quando prefeita de São Paulo, ela substituiu a sisuda cadeira do gabinete por outra cor-de-rosa e adotou o hábito de visitar favelas em trajes finos e de salto alto, para espanto dos moradores da periferia. Eduardo Suplicy, por sua vez, é capaz de interpretar um rap dentro do Congresso, latindo e fingindo que levou um tiro. Também já cantou músicas de Bob Dylan no plenário e desfilou pelo Salão Azul com uma cueca vermelha sobre o terno para o programa de humor “Pânico”, o que quase lhe custou o mandato. Ela é considerada exibicionista. Ele aparenta timidez, embora seja um exímio criador de factoides. Apesar do exotismo, o ex-casal 20 da política paulista sempre se mostra unido em defesa dos interesses do PT e do governo. Mas a paz dos Suplicy está com os dias contados.

Tudo indica que, no próximo ano, Eduardo e Marta vão passar por uma situação inusitada, mesmo para seus padrões. Eles devem se enfrentar na disputa para sair candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PT. Hoje, há inúmeros pré-candidatos, como os deputados Cândido Vacarezza, Jilmar Tatto e Paulo Teixeira, e os ministros Fernando Haddad, José Eduardo Cardozo e Alexandre Padilha. Ninguém é favorito, mas Marta tem a preferência da cúpula petista. Eduardo Suplicy, por seu lado, faz questão de dizer que é o senador proporcionalmente mais votado da história de São Paulo. À ISTOÉ, o senador Eduardo Suplicy garantiu que, desta vez, não se submeterá aos desejos de Marta. Em 2010, ele foi obrigado a abrir mão de sua candidatura para o governo de São Paulo para que Marta concorresse ao Senado na chapa encabeçada por Aloizio Mercadante. “No ano passado, eu concordei. Mas agora não vou abrir mão. Eu e Marta estamos em pé de igualdade. O partido tomará sua decisão democrática nas prévias”, disse o senador.

Ao que tudo indica, Suplicy parece cansado de dar preferência aos planos da ex-mulher. Em 2001, Marta acabou com o casamento de 36 anos, deixando o senador para viver uma paixão com o franco-argentino Luis Favre. Mesmo arrasado, como fazia questão de não esconder, o senador participou ativamente da campanha de Marta para a prefeitura e o Senado. Ganhou muito pouco em troca. Há dois meses, Marta presidia a Mesa do Senado e cortou a palavra do ex-marido quando ele tentava ler uma carta de Cesare Battisti na tribuna. “Senador Suplicy, acabou seu tempo”, advertiu Marta. “Agora preciso obedecer à senhora presidente”, disse o constrangido petista. Mas Eduardo Suplicy está pronto para a guerra no campo político. Disse, em entrevista, que ainda iria consultar os filhos para que escolhessem a melhor candidatura: a do pai ou a da mãe. Para ISTOÉ, no entanto, esclareceu que estava “de brincadeira”. “Meus filhos nos amam. Mas desta vez não vou recuar. Vamos às prévias”, afirmou ele.

Marta prefere não entrar em polêmicas neste momento. Afirma que o seu nome foi colocado na mesa como “uma opção” para a Prefeitura de São Paulo. Quanto aos três filhos, que durante o divórcio acabaram do lado do pai, eles não parecem dispostos a se envolver com a briga política. André e João nem sequer falam sobre o assunto. O roqueiro e primogênito do casal, Eduardo Suplicy, o Supla, 45 anos, diz que “é a mesma coisa que perguntarem se você prefere o seu pai ou a sua mãe”. Para ele, “tanto um quanto outro tem condições de fazer um ótimo governo na cidade”. Mesmo em cima do muro, Supla não esconde o orgulho que sente dos pais. “O povo é um ótimo termômetro. Sinto um carinho muito grande da população por ambos. A história da minha mãe, como prefeita, ainda está muito viva, mas as pessoas sempre falam com muito respeito do meu pai.” Nenhum dos filhos é filiado ao PT e, portanto, não votarão nas prévias petistas. Pelo visto, Eduardo e Marta terão de travar o embate por conta própria.

Registro do terror
No momento em que se completam três décadas da explosão ocorrida no estacionamento do Riocentro, pavilhão localizado na zona oeste carioca, novas evidências confirmam: a apuração do caso não passou de uma farsa. Na noite de 30 de abril de 1981, em uma trapalhada histórica, o capitão Wilson Dias Ma¬chado e o sargento Gui¬lherme Pereira do Rosário transportaram bombas até o local, onde milhares de pessoas se aglomeravam para assistir a um show de músicos brasileiros em comemoração ao Dia do Trabalho e clamar pelo fim do regime militar. Seria um atentado contra a massa. Acidentalmente, um dos artefatos explodiu no colo de Rosário, que morreu na hora. Machado sobreviveu. A primeira apuração do caso, conduzida pelos próprios militares, não culpou ninguém e a segunda foi arquivada com base na Lei de Anistia.

Agora, 30 anos depois, surgem novas evidências de que provas im¬portantes ficaram de fora das duas investigações. O jornal “O Globo” teve acesso a uma agenda que pertenceria ao sargento Rosário. Nas anotações, nomes de autoridades do governo que faziam parte da repressão militar e passaram a usar seus conhecimentos em empresas privadas ao fim da ditadura. O documento não entrou no inquérito. “Eu não tive conhecimento dessa agenda, ela não estava nos autos”, confirmou à ISTOÉ o juiz Edmundo Franca de Oliveira, que conduziu o julgamento do primeiro Inquérito Policial Militar (IPM) a tratar do caso. “Houve fortes pressões da comunidade de informações e do ministro do Exército, general Walter Pires, para que fosse aceito o relatório do coronel Job Lorena de Sant’Anna, que presidiu o inquérito”, disse Oliveira.

Na época, a primeira atitude das Forças Armadas foi responsabilizar extremistas de esquerda pela explosão. Essa tese caiu por terra diante das evidências, mas a manipulação das investigações não permitiu caracterizar oficialmente a explosão no Riocentro como um ato de terrorismo de Estado. Além disso, a impunidade permitiu que o capitão Wilson Machado não tivesse sua culpa provada na Justiça, o que lhe permitiu nos últimos anos exercer cargos com remuneração oriunda do setor militar. Atualmente, ele trabalha como prestador de serviço no Instituto Militar de Engenharia e é responsável pela “análise funcional dos cargos de engenheiro militar” na instituição. “O arquivamento do processo, em 1981, foi um grande erro do Superior Tribunal Militar”, avalia o almirante Júlio Bierrenbach, ex-ministro do STM, único a votar contra na época. “No segundo IPM, os dois foram considerados culpados, mas acabaram indevidamente beneficiados pela Lei de Anistia, que tratava de crimes praticados apenas até 1979.” A cientista política Maria Celina D’Araujo, da PUC-RJ, avalia que há provas, hoje, de que o inquérito foi feito de maneira descuidada, sem levar em conta documentos importantes. “A intenção era acobertar os envolvidos”, analisa Maria Celina. “Para resgatar a imagem das Forças Armadas, é preciso que as autoridades militares reconheçam que erraram.”

0 fugitivo, o ministro e a PF
No início de fevereiro, a Polícia Federal deflagrou uma operação que desbaratou um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro na Prefeitura de Barra do Corda, no Maranhão. Como ISTOÉ revelou, a quadrilha, formada por membros da família do prefeito Manoel Mariano de Souza, o Nenzim, desviou R$ 50 milhões dos cofres públicos, boa parte dinheiro do Fundeb que deveria ser aplicado nas escolas. Agora, a PF está concluindo um novo inquérito sobre desvios milionários nas contas do Incra maranhense. As duas investigações, embora independentes, têm em comum um mesmo personagem: o lobista João Batista Magalhães, comerciante maranhense, conhecido de políticos e empresários, que nos últimos anos acumulou prestígio e riqueza, tornando-se figura carimbada nos gabinetes de Brasília. No início deste ano, Magalhães chegou a ser recebido pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em seu gabinete, na Esplanada dos Ministérios.

Apesar de não ser a figura central na nova série de escândalos maranhenses, João Batista Magalhães ocupa papel de destaque em cada um deles. Para a Polícia Federal, o lobista é peça importante para entender e desbaratar os esquemas de corrupção perpetrados por prefeitos do Estado. Por isso, ainda em fevereiro, pediu a prisão preventiva de Magalhães, que, mesmo diante de tantas denúncias, continuava na ponte aérea entre São Luís e Brasília. Foi na capital, aliás, que Magalhães se refugiou ao saber da ordem de prisão. Ao descobrir que poderia ser detido a qualquer momento, fez uso de sua rede de contatos no mundo político e conseguiu “asilo” na sede nacional do Partido dos Trabalhadores. Magalhães disparou telefonemas dali mesmo para advogados e amigos, um deles informante da PF. “Vimos no bina do telefone aquela sequência de três números 13. Quando pesquisamos, descobrimos que se tratava de uma linha do PT”, revela o delegado responsável pelo inquérito, Victor Mesquita.

A operação havia sido deflagrada no dia 3 de fevereiro, uma quinta-feira. O lobista, que estava hospedado no Hotel Kubitschek Plaza, deixou o local na manhã da sexta-feira. As pistas com base nos telefonemas voltaram a esquentar no sábado, mas a sede do PT não abre nos fins de semana. Como não tinham mandado judicial, os federais tentaram lançar mão de um ofício chamado “consentimento de busca”, pelo qual o responsável pela sede do PT autorizaria a entrada dos agentes. Quando parecia que finalmente conseguiriam prender Magalhães, uma ligação da sede da Polícia Federal em Brasília suspendeu a ação. “Mandaram abortar a missão”, afirma uma fonte ligada à investigação. O chefe da Divisão de Combate a Crimes Financeiros da PF, delegado Marcelo Oliveira, que comandou a busca, nega a versão. “O fato é que não conseguimos encontrá-lo em Brasília. A última informação foi que ele estava no Kubitschek Plaza”, afirma Oliveira.

Na segunda-feira 7, Magalhães foi beneficiado por habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça. O mesmo ato suspendeu a prisão preventiva do prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Souza, e de sua mulher, Francisca Teles, que também estavam foragidos. O secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas (PR), diz desconhecer o episódio e também o lobista. “Nunca ouvi falar desse sujeito. Mas posso garantir que o diretório não serve de abrigo para ninguém, nem para criminosos nem para inocentes”, disse à ISTOÉ. O inquérito sigiloso, obtido por ISTOÉ, indica que Magalhães movimentou em sua conta e na de sua empresa quase R$ 10 milhões, entre 2007 e 2010. “Aproximadamente 50% destes depósitos são oriundos de cheques da Prefeitura de Barra do Corda”, diz a PF.

Tombini, o domador da inflação
Banqueiros e operadores do mundo financeiro se habituaram a ver no comando do Banco Central estrelas do mercado. Basta lembrar dois exemplos recentes. Quando foi convidado para comandar o BC no final do governo FHC, Armínio Fraga era homem de confiança e gestor dos fundos do bilionário George Soros. O presidente do BC do governo Lula, Henrique Meirelles, também fez o nome nos Estados Unidos e foi presidente mundial do Bank of Boston. Mas Dilma Rousseff optou por seguir outra direção. Não por acaso, escolheu para o cargo o economista Alexandre Tombini, um funcionário de carreira do BC, típico servidor público, formado pela Universidade de Brasília. Ao contrário dos antecessores, Tombini é reservado e avesso a qualquer tipo de exposição. Talvez por isso mesmo, entrou na linha de tiro das velhas raposas do sistema financeiro. Tomando a timidez de Tombini por tibieza, analistas importantes decidiram elevar suas críticas à política de combate à inflação. Passaram a afirmar que o BC perdeu autonomia e dança conforme a música tocada pelo Ministério da Fazenda.

Não há sinais, porém, de que o low profile de Tombini prejudique seu desempenho à frente do Banco Central. Por isso, em resposta ao alarido que começou a surgir em setores do mercado financeiro, economistas experientes e com passagem pela vida pública passaram a se posicionar mais abertamente como fiadores da gestão Tombini. Eles asseguram que o BC está no caminho correto para impedir a escalada da inflação, sem provocar uma freada brusca no crescimento ou “sem matar a galinha dos ovos de ouro”, na imagem do ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Tombini está mais antenado com a moderna economia e com o que acontece no mundo do que os críticos que estão por aí. Não há nenhum país no mundo combatendo a inflação com os instrumentos que o Brasil está usando”, atesta o ex-ministro Delfim Netto. No mesmo tom, o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, tem repetido em seus artigos que se o BC, nas atuais condições, fosse comandado por uma “figura de proa” todo mundo estaria aplaudindo. “Mas o Banco Central de Tombini está fazendo um excelente trabalho. A diretoria é muito eficiente”, afirma Barros.

Os ataques à gestão Tombini ficaram mais agudos depois da última reunião do Copom. O mercado, sempre ávido por juros altos, queria mais do que o aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passou para 12% ao ano. Porta-vozes do mercado também criticaram o tom do comunicado, mais longo do que o habitual. O texto informou que o atual ciclo de aperto monetário vai prosseguir pelos próximos meses, mas de forma gradual, ao contrário do que esperavam algumas instituições financeiras. O ex-presidente do BC e economista-chefe da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, alinhado com o mercado, disse que Tombini e seu time estão assumindo riscos demais e se enganando nas previsões. “Ele está dando sinais de que está satisfeito com a atual trajetória da economia baseado num cenário complicado.” Menos contundente, o ex-diretor do BC e economista-chefe da CNC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, disse à ISTOÉ que “a decisão do Copom foi correta, mas há um problema de comunicação”. A penúltima nota do Copom, diz ele, dava a entender que o ciclo de alta de juros seria brusco, mas iria terminar rapidamente. Já a nota da última reunião passa a ideia de que o combate à inflação será de longa e sofrida duração. Isso explicaria o mau humor do mercado financeiro.

Delúbio está de volta ao PT
Delúbio está de volta ao PT Está de volta à cena política um dos principais operadores do PT. No fim de semana, mais de 2.000 dias depois de afastá-lo pelo envolvimento no escândalo do Mensalão, o Diretório Nacional da legenda aprovou o pedido de refiliação do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Considerado um arquivo vivo do momento mais crítico da história do partido, o “professor”, como é tratado por amigos mais próximos, refugiou-se no silêncio nos últimos cinco anos e seis meses e demonstrou rara lealdade aos chamados capas pretas do partido. “A palavra é prata, o silêncio é ouro”, diz Delúbio quando é abordado sobre os dias de “exílio”. Agora, de volta ao partido que ajudou a fundar, com as bênçãos do ex-presidente Lula, de quem nunca deixou de ser amigo pessoal, Delúbio trabalhará mais à vontade. A amigos, tem dito que a principal lição aprendida nos últimos anos foi a de assimilar a “virtude da discrição”. No entanto, a esses mesmos amigos, Delúbio assegura que irá retomar a influência que mantinha no partido e que em seu horizonte próximo estão as urnas. Pode ser já no ano que vem, na disputa municipal em Buriti Alegre (GO), onde nasceu, ou em 2014. “Seu projeto não descarta a possibilidade de disputar uma cadeira no Senado, caso consiga retomar musculatura no PT”, disse um dos principais aliados de Delúbio no partido na tarde da quarta-feira 27. “Muitos especulam que ele pensa em se candidatar a vereador no ano que vem, mas Delúbio quer voar mais alto.”

Na última semana, a reportagem de ISTOÉ ouviu amigos e pessoas do círculo íntimo do ex-tesoureiro. Esteve na residência de Delúbio em Goiânia e almoçou com companheiros de longa data em seu restaurante preferido, o Tucunaré na Chapa, localizado numa região central da cidade. De acordo com os relatos, o projeto de Delúbio é, de fato, ambicioso. Sustentado por uma base partidária composta pelos mais ilustres petistas, o ex-tesoureiro acalenta o desejo de ser eleito deputado federal nas eleições de 2014. E, se tudo correr como o planejado, quer se tornar senador quatro anos depois. “Ele está empolgado e diz que começa uma nova etapa na vida dele”, diz sua irmã, Delma. “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada”, costuma repetir Delúbio, citando pensamento da poetisa Cora Coralina.

O petista já cogitava concorrer à Câmara dos Deputados na eleição de 2010. No entanto, prevaleceu a avaliação de que em ano eleitoral aquele não seria o momento para o partido referendar a sua volta. Agora, o cenário é outro. O diretório do PT de Goiânia prepara uma grande festa nos próximos dias para comemorar o retorno do seu mais ilustre filiado. O evento, que marcará a reabilitação política do ex-tesoureiro, deve reunir mais de 500 pessoas, entre dirigentes nacionais e locais. “Goiânia vai entrar em júbilo pela volta de Delúbio. Mesmo que ele não queira, nós vamos organizar a festa”, afirma o ex-presidente do PT municipal, Ivanor Florêncio Mendonça.

Delúbio é identificado no meio político e empresarial como “o cara que segurou tudo”, no ápice da crise do Mensalão, entre 2005 e 2006. Esse respeito adquirido em razão da fidelidade encontra eco no PT nacional. Durante reunião da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) e um jantar na noite da quinta-feira 28, na residência em Brasília da senadora Marta Suplicy (PT-SP), Delúbio foi saudado como estrela de primeira grandeza. Dezenas de correligionários o aplaudiram de pé. Alguns se emocionaram. “O partido fez justiça a Delúbio. Ninguém erra individualmente. Os erros são coletivos”, comemorou Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador da CNB e membro da Comissão de Ética do PT. “Na nossa Constituição não há prisão perpétua. Por isso, apoiei a volta do Delúbio”, justificou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). “Ele já pagou um preço muito caro”, compadeceu-se o ex-presidente Lula em reunião com integrantes da tendência CNB.

O lobista espacial
O cônsul honorário da Bulgária no Brasil é gaúcho, dono de uma empresa que vende imagens de satélite, empreendedor interessado em construir estádios para a Copa do Mundo, ex-cartola de um time de futebol formado por refugiados palestinos e responsável pela viagem espacial do primeiro astronauta brasileiro. A sede do consulado fica no Rio de Janeiro, mas o cônsul, João Gilberto Vaz, despacha em Brasília, onde mora numa bela casa do Lago Sul. Na capital federal, apesar de tantas e tão variadas atividades, Vaz tem chamado mesmo a atenção é pelo seu controvertido trabalho como lobista.

João Gilberto Vaz gaba-se de ser o responsável por ter levado o astronauta Marcos Pontes à sua viagem turística à Estação Espacial Internacional, a ISS, na sigla em inglês. Na verdade, ele fez mais do que isso pelo programa espacial brasileiro. Sabe-se lá por quê, em 1997 o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) convocou Vaz, que ainda não era cônsul, para intermediar o malfadado acordo com a Nasa para a participação brasileira na ISS. O custo para o Brasil seria de US$ 330 milhões, incluindo o fornecimento de algumas peças para um módulo que opera na estação espacial. O negócio foi firmado no final do governo FHC, arrastou-se pelo primeiro mandato de Lula e acabou anulado pela própria Nasa, irritada com os atrasos do Brasil em cumprir o cronograma de construção de itens da ISS. Nesse meio tempo, a vida de Vaz foi melhorando.

Em função de contatos com a Academia de Ciências da Bulgária, que dividiria com os brasileiros experiências agrícolas na estação espacial, o lobista acabou convidado pela embaixada búlgara para integrar seu corpo consular. Além disso, ele recebeu ao menos US$ 10 milhões do Inpe pelo trabalho na aproximação com a agência espacial americana, apesar de existir uma ampla rede diplomática para tratar de assuntos como esses. Quando os acordos com a Nasa fracassaram, Vaz tratou de não deixar a Agência Espacial Brasileira (AEB) em uma situação vexatória. Foi ele quem intermediou com a Rússia a viagem do astronauta Marcos Pontes. Para essa missão, que custou R$ 30 milhões aos cofres públicos, Vaz teria ganhado mais alguns milhões de dólares, segundo afirmam seus detratores. Ele, no entanto, garante que tudo não passou da mais pura filantropia lobística. “Fiz um trabalho do mais alto nível. Mas não ganhei nem medalha.”

A atuação de Vaz na viagem de Pontes ao espaço ainda desperta desconfianças. Edmilson Costa Filho, coordenador de Programas e Projetos da AEB, conhece o lobista de longa data e é taxativo: “Pessoas como Vaz se aproveitam dos elos eticamente fracos do poder público. Se a AEB fosse uma agência forte e atuante, não precisaria de intermediários”, afirma. Já o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), relator da nova política espacial, nunca ouviu falar do cônsul da Bulgária, mas questiona a necessidade de mediação privada num acordo entre agências governamentais. “Em tese, deveria ser feito diretamente”, diz.

Depois das desventuras espaciais, Vaz se dedica agora a projetos mais terrenos. No momento, ele está de olho nas oportunidades abertas pela Copa do Mundo no Brasil. Na semana passada, promoveu em Salvador, São Paulo e Rio uma série de encontros para tentar emplacar sua consultoria, a Arena do Brasil Ltda. A meta de Vaz é conquistar alguns dos milionários contratos para a construção e operação de estádios da Copa de 2014. Ele não é um novato na área futebolística. Em 2007, comprou um time da terceira divisão do Distrito Federal e o batizou com o nome da empresa que vende imagens de satélite, seu xodó naquela época. O “Brazsat Futebol Clube” era formado por refugiados palestinos vindos do Iraque, por meio de um convênio que Vaz assinou com a Acnur, a agência da ONU para refugiados. A equipe chegou a ser tema de um documentário na rede de tevê árabe Al Jazeera e avançou para a segunda divisão. O cartola João Gilberto Vaz não conseguiu, contudo, levar o Brazsat para a primeira divisão e o time foi desfeito. Mas com essa experiência ele abriu canais com a CBF, que agora utiliza em sua nova área de negócios.

Sempre bonachão e muito bem relacionado, Vaz é figurinha carimbada nos círculos da elite brasiliense. Costuma participar dos seminários promovidos pelo Gabinete de Segurança Institucional, fala sobre cursos feitos na Escola Superior de Guerra e não perde coquetéis e festas da comunidade diplomática. Chegou a integrar comitivas especiais, se diz amigo do deputado federal Protógenes Queiroz (PSOL-SP), o polêmico delegado da Operação Satiagraha, e exibe fotos ao lado do ex-presidente Lula e do arquiteto Oscar Niemeyer.

Um topete contra Obama
O bilionário americano Donald Trump sempre foi conhecido por arranha-céus, casamentos tumultuados e um indefectível topete, que seus detratores garantem ser mais sólido do que concreto armado. Nos últimos anos, ele também ganhou status de estrela televisiva ao apresentar o reality show “O Aprendiz” e por seu prazer em proferir as palavras “Você Está Demitido”. Apesar de sempre ter opinião sobre tudo e todos, Trump nunca foi levado a sério quando o assunto fugia da esfera mulheres bonitas, mercado imobiliário ou tratamentos capilares. Agora, às vésperas de completar 65 anos, Trump quer provar aos americanos que não é apenas mais um playboy falastrão obcecado pelos holofotes e convencê-los de que ele é a melhor opção para substituir Barack Obama na Casa Branca nas eleições presidenciais de 2012.

Por enquanto, porém, a estratégia de Trump tem sido exatamente encarnar o papel de playboy falastrão obcecado por holofotes. Na quarta-feira 27, ele seguiu esse script à risca para comentar o fato de a Casa Branca ter divulgado a íntegra da certidão de nascimento de Barack Obama. Reuniu a imprensa em um hangar do aeroporto da cidade Dover, no estratégico Estado de New Hampshire, e chegou apoteótico em seu helicóptero negro para a entrevista coletiva. “Estou orgulhoso, consegui o que ninguém conseguiu, fazer Obama provar que não é africano”, disse, referindo-se às repetidas insinuações que fez durante as semanas anteriores de que Obama havia nascido na África, e não no Havaí. Obama, por sua vez, limitou-se a afirmar que tem coisas mais importantes a fazer do que mostrar sua certidão de nascimento.

Apesar de estar em campanha, Trump não declarou oficialmente que concorrerá à Presidência pelo Partido Republicano. Suas atuações, que mais têm parecido shows televisivos vespertinos do que encontros políticos, não têm sido levadas a sério nem mesmo por seus colegas de partido. Para muitos, Trump está apenas atrás de visibilidade na mídia. Mas parte do eleitorado conservador americano parece pensar diferente.

As últimas pesquisas de intenção de voto nas primárias republicanas realizadas pelo instituto Gallup mostram Trump como um dos principais candidatos do partido, com 16% da preferência dos eleitores, empatado em primeiro lugar com o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee. Outra pesquisa, realizada no dia 12 de abril, pela Public Policy Polling, deu a preferência a Trump, com 26% dos votos, seguido por Huckabee com 17%. Os números, é claro, animaram Trump, que já cogita a possibilidade de lançar-se candidato independente caso seja rejeitado pelos republicanos. Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos uma pessoa não precisa estar filiada a nenhum partido para concorrer à Presidência.

ÉPOCA

Antonio Carlos Magalhães Neto: “A oposição precisa perder o medo”
Em meio à rotina na câmara, o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, desabafa: “Todo mundo quer ser governo”. Desde o início do ano, ACM Neto vive um período difícil de sua vida política. A oposição, da qual ele é um dos líderes, emagreceu para menos de 100 entre 513 deputados federais. Seu partido, o DEM, está ameaçado de extinção por deserções em direção ao PSD. Mesmo assim, ACM Neto é um opositor ativo. Além das críticas na tribuna, ele lançou um site para acompanhar o cumprimento das promessas da presidente Dilma Rousseff. Nesta entrevista concedida em seu apartamento, ACM Neto afirma que a oposição tem de se organizar, elaborar um projeto para o país (hoje inexistente) e construir uma candidatura presidencial desde já. “A oposição precisa sair do Congresso e ir para as ruas”, afirma.

ÉPOCA – A oposição no Congresso tem seu menor contingente em mais de uma década. Por que ninguém quer ser oposição?
Antonio Carlos Magalhães Neto – A política brasileira vive a síndrome do adesismo. Muitos (políticos) se dirigem a mim envergonhados: “Olha, gosto de você, gosto dos meus amigos de partido, devo muito ao Democratas, no entanto eu só vou sobreviver se virar governo”. A gente tenta mostrar que pode ter um projeto futuro, mas boa parte dos políticos só enxerga o dia de amanhã. Os políticos acham que só sobrevivem nas barras da saia do governo.

ÉPOCA – O DEM, antes PFL, sempre foi governista. Seu avô, o senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), sempre foi governista. O senhor se elegeu em 2002, quando o DEM deixou o poder, e só foi da oposição. É tão ruim viver na oposição?
ACM Neto – (Ri) Eu não acho que seja tão ruim. Uma democracia forte não se sustenta sem uma oposição combativa, aguerrida, que tenha a clareza de seu papel. O PT viveu mais tempo na oposição do que está vivendo no governo. Em dado momento, o PT foi menor do que o DEM é hoje e, no entanto, teve um projeto claro, soube ir para as ruas e soube conquistar o poder.

ÉPOCA – A percepção da população é que o Brasil vive um bom momento. Qual discurso resta à oposição?
ACM Neto – O Brasil vivia um momento melhor em 2010. A situação econômica era mais tranquila, estávamos no auge da popularidade de Lula e, ainda assim, a oposição teve 44 milhões de votos. A oposição precisa sair dos corredores do Congresso e ir para as ruas. Tem de acabar com esse medo de ir para as universidades debater, medo de ir para os sindicatos debater, medo de ir para as fábricas discursar, medo de buscar os jovens. Esse ambiente do Congresso é um ambiente onde todo mundo está protegido. Tem de ter a coragem de ir para a rua. O Partido Conservador inglês conseguiu dar a virada. Quando Tony Blair (Partido Trabalhista) ganhou, muitos preconizavam que os conservadores estavam acabados. Mas os conservadores resistiram na oposição e venceram.

Três anos para sair da lama
A história da construção do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, município a 40 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, simboliza bem o estado atual da política aeroportuária brasileira. As ideias para o local, formuladas há cerca de 15 anos, são grandiosas. Planeja-se um complexo de cargas e passageiros capaz de suportar 11,4 milhões de pessoas por ano, o que o colocaria, hoje, como o quarto maior aeroporto do Brasil, atrás apenas de Guarulhos, Galeão e Congonhas. Em fevereiro de 2008, o governo encaminhou a operação para o Programa Nacional de Desestatização. Era a formalização da promessa de ter em Amarante o primeiro terminal brasileiro administradto pela iniciativa privada. Até hoje, porém, tudo o que há no local é o asfalto das pistas de pouso e decolagem colocado pelo Exército.

Enquanto as minutas de editais eram submetidas a diversas consultas públicas e análises técnicas, nem as vias de acesso à região foram providenciadas. A estrada ainda é de terra. Também não há notícia de empresa privada interessada em explorá-lo. Especula-se que nesta semana, finalmente, saia o edital definitivo com as regras da concessão. A empresa vencedora terá três anos para concluir as obras, em troca de 25 anos de direito de exploração. Na melhor das hipóteses, o terminal de Amarante começará a operar poucos dias antes do início da Copa de 2014. Um sufoco.

Na semana passada, durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, anunciou que o governo também pretende entregar à iniciativa privada as obras de ampliação e reforma de três dos mais importantes aeroportos do país: Guarulhos, Brasília e Campinas. Em troca, as empresas poderão explorar, por tempo determinado, os terminais ampliados. Mais duas concessões em estudo deverão ser anunciadas em breve: Galeão e Confins, em Minas Gerais. A ideia de abrir o setor aéreo para a iniciativa privada era discutida há tempos dentro do governo federal. Mas não foi levada adiante pela gestão do ex-presidente Lula por razões que misturam interesses eleitoreiros (a iniciativa poderia enfraquecer a estratégia petista de tachar o adversário tucano de privatista durante a campanha presidencial de 2010), reações corporativas (a falta de vontade da Infraero, a estatal responsável pela administração dos aeroportos, em ceder espaço) e resistências ideológicas de setores do governo, do PT e das Forças Armadas que adotam o discurso nacional estatista.

A medida de entregar à iniciativa privada as obras de ampliação e reforma dos aeroportos demorou tanto que não há nenhuma garantia de que ela vá surtir efeito até a Copa do Mundo de 2014, apesar do otimismo propalado pelo ministro Palocci, que prometeu os primeiros editais de concessão para maio. Nos próximos meses, o governo deverá tomar outra medida de impacto para o setor: a abertura de capital da Infraero, constantemente acusada de irregularidades, ineficiência e empreguismo. O ato, defendido pela presidente Dilma Rousseff desde a campanha de 2010, não chegou a ser mencionado por Palocci, mas é aguardado com ansiedade pelo mercado.

Com a estrela no bolso
Num dia ensolarado em setembro do ano passado, o petista Delúbio Soares encaminhou-se ao complexo empresarial Brasil XXI, no centro de Brasília, entrou pela garagem e se dirigiu à sala 320 do Bloco E. Lá, o grupo petista ligado ao ex-ministro José Dirceu mantém um discreto escritório, destinado a encontros políticos reservados e a negociações obscuras. Na portaria do prédio, uma placa informa que ali funciona a “Lobato Advocacia e Consultoria Jurídica”, do advogado Marthius Lobato. Ele presta serviços ao Fenadados, sindicato petista que reúne trabalhadores de empresas de informática. O Fenadados é chefiado pelo sindicalista Carlos Alberto Valadares, conhecido como Gandola, amigo de Delúbio.

A mesma sala 320 serve de sede oficial de outro escritório de advocacia, do petista e sindicalista Luiz Egami, também amigo de Delúbio e nome ligado a José Dirceu em Brasília. Lobato, Egami e Gandola são personagens desconhecidos do público, assim como Delúbio, companheiro de todos eles, uma vez foi. Nenhum deles tem cargo no governo, mas todos transitam pelos mesmos gabinetes do poder onde o setor do PT capitaneado por Dirceu reina há oito anos. A missão dessa equipe, assim como a de Delúbio sempre foi, é defender os interesses políticos e econômicos do PT. A sala 320 é um dos principais pontos de encontro do grupo.

O próprio Dirceu, o “chefe da organização criminosa” do mensalão, nos dizeres da Procuradoria-Geral da República, costuma frequentar as reuniões na sala 320. Desta vez, porém, ele não estava lá. Numa das salas do escritório, em volta de uma mesa quadrada de vidro, Delúbio e outros sete companheiros reuniram-se para discutir os rumos da campanha de Dilma Rousseff. Dois deles, que frequentam o local, aceitaram contar a ÉPOCA o que se passava ali. Naquela ocasião, a turma de Dirceu debatia formas de captar mais recursos para a campanha de Dilma. Também discutiam estratégias políticas, sobretudo ações em redes sociais como o Twitter, para enfraquecer a candidatura do tucano José Serra. Segundo petistas, políticos e lobistas ouvidos por ÉPOCA, Delúbio fez de tudo para ajudar na campanha presidencial de Dilma.

Ao final da reunião, Delúbio compartilhou com os amigos duas boas notícias. Primeiro, contou que sua vida financeira estava melhorando. “Passei momentos difíceis, mas eles estão me ajudando muito”, afirmou Delúbio, apontando com um aceno de cabeça três torres que se erguiam em frente à ampla janela da sala 320, construídas pela incorporadora Brookfield. Egami, seu amigo e lobista de empresas de informática, deu mais explicações: “Ele (Delúbio) está prestando consultorias para a Brookfield”. Um ano antes, em 2009, a Brookfield vendera duas das torres para a Previ, o bilionário fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A Previ não investia em novos imóveis havia nove anos. Valor do negócio: R$ 342 milhões.

O bullying do Senado (trecho de artigo de Ruth de Aquino)
Somos vítimas de bullying político, moral e cívico. E nada fazemos. O país parece anestesiado pela overdose real de William e Kate naquela ilha ao norte do Equador. Ao sul, em nossa república tropicalista, assistimos passivamente a uma das cerimônias mais vergonhosas do Senado. Renan Calheiros acaba de entrar para a Comissão de Ética. Roberto Requião arranca gravador de repórter para apagar sua própria entrevista. Tudo com o beneplácito do padrinho-mor José Sarney. Tapa na cara, bofetada na nação, cinismo institucional. Assim cientistas políticos e especialistas em ética classificaram as últimas ações do Senado. Roberto Romano, da Unicamp, declarou: “Se o Senado fechar amanhã, ninguém vai sentir falta, salvo os lobistas e os políticos que querem atingir o Tesouro Nacional por meio da troca de favores”. Claudio Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, foi além: “O Senado não precisa existir, não tem função. Não há nada que ele faça que a Câmara não possa fazer. Pode desaparecer sem prejuízo e seria até mais barato”.

Essas reações podem parecer destemperadas numa democracia que atribui seu equilíbrio à existência de duas Casas: a Câmara e o Senado. Mas respeito e credibilidade não são automáticos. Oito senadores indicados para a Comissão de Ética respondem a inquéritos ou processos no Supremo Tribunal Federal. A missão desse grupo “seleto” é vigiar e garantir o decoro dos 81 senadores. No novo conselho, muitos são amigos íntimos, alguns conterrâneos, do maranhense Sarney. O próprio Sarney esteve envolvido em 11 processos no ano passado – mas foi entronizado como “homem não comum” pelo ex-presidente Lula.

O presidente da Comissão de Ética, João Alberto, do PMDB, governou o Maranhão em 1990. Nesse ano, uma lei estadual doou um prédio histórico à família Sarney. Quem é João Alberto para ser o guardião do decoro do Senado? Quais são suas credenciais para o país acreditar em seu slogan “Vamos cortar na nossa própria carne”? Nas três vezes em que ocupou o mesmo cargo, João Alberto engavetou todos os processos abertos na Comissão de Ética. No Brasil de hoje, “formação de quadrilha” deixou de ser acusação. Mais escandaloso é o resgate do líder do PMDB, o alagoano Renan Calheiros. O conselho aprovou em 2007 sua cassação, rejeitada pelo plenário. Calheiros enfrentou denúncias de quebra de decoro, corrupção, desvio de dinheiro público, sonegação de bens, uso de laranjas. Renunciou à presidência do Senado e foi absolvido pelos pares.

(...)

Tudo o que Calheiros possa ter de “docinho”, seu colega de Senado Roberto Requião tem de truculento. Arrancou na segunda-feira um gravador das mãos de um repórter. Irritou-se com uma pergunta procedente: ele abriria mão da aposentadoria de R$ 24.117 que recebe como ex-governador do Paraná? Requião só devolveu o gravador após apagar a entrevista. Sarney o defendeu: “Requião é um cavalheiro”. Na tribuna, o senador disse ser vítima do “bullying de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável”.

Bullying é o que os senhores, senadores, resolveram praticar contra quem paga seus subsídios.

Obama, você está demitido!
Se assumisse o poder nos Estados Unidos, é provável que ele virasse para o presidente Barack Obama e, no melhor estilo de seu reality show, disparasse na lata o bordão com que elimina os participantes do programa: – You are fired! (Você está demitido!)

Aos 64 anos, Donald Trump, o excêntrico bilionário de cabelos tingidos e penteado, digamos, inimitável (leia o quadro abaixo) , se tornou a mais nova estrela na soporífera – questão fiscal, reforma da saúde, teto de endividamento, corte de gastos militares, zzz... – cena política americana. O megaempresário nova-iorquino do setor imobiliário, cuja fortuna só parece ser superada pelo tamanho de seu ego (ele chama de Trump a maioria de seus empreendimentos), decidirá neste mês se pretende disputar a Presidência contra Obama no ano que vem. “Obama tem sido o pior presidente da história. Este país virou motivo de chacota para o resto do mundo”, diz Trump.

Ele se tornou celebridade como apresentador do programa The apprentice (O aprendiz) , em que executivos lutam para ganhar uma vaga em uma de suas empresas – e ganhou uma versão brasileira. O balão de ensaio de sua candidatura ganhou altura quando saíram as primeiras pesquisas de opinião sobre os possíveis pretendentes à nomeação do Partido Republicano. Trump apareceu com cerca de 20% da preferência, em primeiro lugar ou dividindo o topo com Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas e nome forte dentro do partido. Entre os eleitores simpáticos ao Tea Party, a ala populista dos republicanos, Trump ganha ainda mais pontos. O motivo é ele ter abraçado a causa dos birthers, termo pelo qual são conhecidos os que não acreditam que Obama tenha nascido nos EUA. “Mostre-me sua certidão de nascimento que eu mostro meu patrimônio líquido”, disse Trump.

Só que The Donald, como Trump é conhecido nos EUA, não esperava que Obama aceitasse o desafio. Na semana passada, a Casa Branca divulgou na internet uma cópia da certidão. Com a assinatura de Stanley Ann Dunham Obama, mãe do presidente, o documento atesta que ele nasceu na maternidade do hospital Kapiolani, em Honolulu, capital do Havaí, no dia 4 de agosto de 1961. Obama disse que tinha “outras coisas para fazer” além de comprovar onde nasceu. Decidiu fazê-lo para que, segundo ele, os americanos não se distraiam com “animadores de circos” – sem citar Trump, o destinatário estava claro. Agora, cabe a Trump cumprir sua parte da promessa e tornar público o tamanho de sua riqueza. De acordo com a revista Forbes, ele tem US$ 2,7 bilhões e é o 420º homem mais rico do mundo. Mas Trump diz ter bem mais que isso.

CARTACAPITAL

O declínio da oposição
Com a vitória do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, em 1994, a embriaguês provocada pelo sucesso do Plano Real levou Sergio Motta, então ministro das Comunicações, a prever que o PSDB ficaria no poder por 20 anos (para isso não poupou forças e atropelou limites éticos). Preparou a emenda da reeleição de FHC e passou como um trator sobre a oposição ao catar votos a qualquer preço. Elogiado como operador político e financeiro das campanhas eleitorais tucanas, Motta falhou no papel de oráculo. O planejado império tucano durou oito anos. Empurrado para o papel de principal opositor do governo petista o PSDB e, mais ainda, seus aliados sofreram um impacto ameaçador ao longo dos oito anos do operário Lula no governo. A vitória de Dilma acelerou o processo e o DEM (ex-PFL), por exemplo, vive um perigoso minguante.

O que explica a erosão político-partidária da oposição?

Reflexões mais profundas levariam à conclusão de que, sem enraizamento social, ela perdeu-se ao deixar o poder. Mas há circunstâncias contingenciais. Os adversários do PT ficaram sem o norte, dizem em coro. É mais grave, porém, do que isso. Eles se desnortearam ao se apresentarem nas eleições tentando esconder o que fizeram: as privatizações que pressupunham a destruição das bases do “Estado brasileiro” para soerguimento de um “Estado mínimo”, globalizado e sem soberania.

O retrato desse amedrontado comportamento foi exibido no decorrer das três últimas campanhas presidenciais. Como opositores, são muitas as quimeras dos tucanos. Eles agora prenunciam uma “ditadura partidária” do PT que pode levar à situação ocorrida no México. Ou seja, o domínio, por 70 anos, do Partido Revolucionário Institucional (PRI). Essa nova tentativa de aterrorizar a sociedade entra, no entanto, em contradição com o devaneio de que são da oposição, ou ainda melhor, significam rejeição a Dilma, 43 milhões, 711 mil e 388 votos obtidos pelo candidato José Serra no 2º turno. Isso equivale a 43,95% dos votos válidos. Eis a tese:
“O papel da oposição, em larga medida, foi representado pela mídia”, escreveu com precisão, recentemente (em O Globo), o embaixador aposentado Rubens Barbosa, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, ao lamentar que a oposição tenha perdido o discurso. Mas foi impreciso o formulador tucano ao deduzir que “… 43 milhões rejeitaram o que o PT representa…”

A agonia dos tucanos
A oposição parece cada vez mais sem rumo. Após a debandada de seis vereadores da bancada do PSDB- na Câmara de São Paulo, um dos fundadores do partido, o ex-deputado Walter Feldman, anunciou que deixará a sigla. Não está certo o seu destino, embora o mais provável seja a migração para o recém-criado PSD, de Kassab. O ex-deputado Ricardo Montoro também sinalizou que pretende sair. Em meio à crise, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM. A CartaCapital, o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da FGV-SP, avalia que a estratégia interessa mais aos democratas que aos tucanos. E destaca a sobreposição dos interesses pessoais como uma das principais causas da conjuntura.

CartaCapital: O que explica essa debandada?
Cláudio Gonçalves Couto: É o reflexo de uma crise de liderança e projeto. Nenhum partido sobrevive sem um projeto de poder, o que implica a formação de consensos, a aceitação dos grupos minoritários e as compensações a eles. Mas, nessa guerra fratricida entre Serra e Alckmin, está difícil arrefecer as disputas internas.

CC: O que está em jogo?
CGC: A aliança entre Serra e Kassab para a eleição de 2008 impôs uma derrota vexatória para Alckmin, que, naturalmente, quer vir à forra. Além disso, o governador paulista tem pretensões de se reeleger em 2014. E novamente enfrentará Kassab. Tanto para Alckmin como para o seu aliado Aécio Neves, o ideal seria que Serra se candidatasse a prefeito de São Paulo. Mas o presidenciável derrotado nas últimas eleições se recusa a desempenhar um papel meramente regional.

CC: E a fusão do PSDB com o DEM, faz sentido?
CGC: Para o DEM, sim. A bancada do partido tem diminuído a cada eleição e, com a criação do PSD, eles perderam 11 deputados e uma senadora. Estão em decadência. O PSDB passa por um momento difícil, mas tem oito governadores, uma bancada forte. Essa fusão poderia desgastar os tucanos com o eleitorado de centro-esquerda.

CC: E como sobreviver?
CGC: O PSDB pode se assumir como um partido liberal do ponto de vista político. Até porque o PT já assumiu o papel de defesa da social-democracia. O PSDB precisa propor algo novo para se diferenciar. Não se trata de se afastar do povão, como disse FHC. É possível ser liberal e popular.

O poder da maioria
Vanessa Antonio, a garota da capa, é o novo alvo típico das pretensões eleitorais dos partidos hegemônicos no cenário político: PT e PSDB. E também de grande parte das empresas. Aos 20 anos, ela integra a porção jovem dos 31 milhões de brasileiros recém-instalados no meio da pirâmide social, com renda familiar mensal entre 1,5 mil e 5 mil reais. Vanessa e outros milhões de jovens das periferias começam a desempenhar o papel de principais formadores de opinião da chamada “nova classe média”. Os efeitos desse fenômeno ainda não foram totalmente medidos, mas os especialistas não têm dúvida: as mudanças na pirâmide social, com a consolidação da hegemonia da classe C, já começaram a alterar velhas tendências, do consumo e das eleições. A estimativa é de que, em 2014, esse estrato represente 57% do eleitorado obrigatório (de 18 a 69 anos), ou 71 milhões de votos. Desse total, 44% terão entre 18 e 34 anos e níveis de escolaridade e renda em rápida ascensão, o que aumentará a sua interlocução e influência nas comunidades.

Não foi à toa que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva travaram nos últimos dias uma guerra verbal acerca da conquista desse eleitorado. O PT e o PSDB têm gastado tempo e dinheiro em pesquisas, análises e projetos que os ajudem a entender melhor o que quer essa multidão emergente que acorda cedo para trabalhar, lota as faculdades à noite, come macarronada com
frango aos domingos ao som de Ivete Sangalo e ainda reserva uma parcela da renda para o dízimo, principalmente aquele cobrado por igrejas neopentecostais.

Como todo o novo estrato da classe C, Vanessa imprime e avalia a realidade de outros ângulos, sem imitar a tradicional classe média, e é muito mais pragmática. “Vamos fazer um voto de classe, nada ideológico. Lula nos ajudou a chegar aqui, mas temos de continuar a escalada para ficar mesmo na média. O PT tem grandes propostas e fez a nossa diferença, por isso a Dilma (Rousseff ) foi eleita. Agora, o PSDB é complicado, é mais elitista, mas também tem boas propostas e há também outras opções. Então, vamos escolher os candidatos que poderão fazer mais pela classe C, pela periferia, por nós”, avisa a estudante de Administração da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo.

Ministério Público denuncia 25 pessoas por fraude em marketing no Banrisul
A Justiça gaúcha aceitou, na quinta-feira 28, a denúncia do Ministério Público contra 25 pessoas supostamente envolvidas num esquema de superfaturamento em ações de marketing do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Entre os denunciados estão donos de grandes agências de publicidade e ex-altos quadros do banco. Segundo a operação, batizada de Mercari, o montante desviado está em torno de 5 milhões de reais.

Em setembro do ano passado, a investigação da Polícia Federal e dos Ministérios Públicos Estadual e de Contas apontaram para a existência de um esquema de desvio de dinheiro que operava dentro do setor de marketing do Banrisul. Na ocasião, o superintendente de marketing do banco, Walney Fehlberg, o representante da agência de publicidade SLM Gilson Stork e o diretor da agência DCS, Armando D’Elia Neto, foram presos em flagrante por não informarem a origem do dinheiro encontrado em suas casas – segundo a PF, mais de 3 milhões de reais em espécie.

Após receber a denúncia, a juíza Deborah Coleto de Moraes, da 6ª Vara Criminal de Porto Alegre, levantou o segredo de Justiça, e justificou: “A aplicação do segredo de justiça ao feito somente se justifica na fase investigatória, com a finalidade de possibilitar seu andamento e a integridade dos dados apurados”. A suposta organização criminosa superfaturava campanhas de marketing, feitas por empresas terceirizadas que recebiam valores muito abaixo daqueles pagos pelo banco. O dinheiro a mais seria, então, dividido entre quadros de agências de publicidade e assessores do banco. Os acusados têm dez dias para apresentar defesa.

Na cegueira da “Guerra ao Terror”
Os documentos secretos do Pentágono publicados recentemente pelo site WikiLeaks revelam que numerosos presos na Baía de Guantánamo, erroneamente catalogados como “uma ameaça mínima”, foram libertados, enquanto centenas de reclusos inocentes foram mantidos no centro de detenção. Além disso, a prisão em Guantánamo, estabelecida em janeiro de 2002 sob George W. Bush, não ajudou os Estados Unidos a desmantelar a rede Al-Qaeda. Centenas de detidos, inclusive
adolescentes e idosos de 89 anos a padecer de demência senil, permaneceram detidos anos a fio, sem ter qualquer conexão com organizações terroristas. Barack Obama, que em janeiro de 2009 prometeu fechar o centro de detenção em um ano, julgou infeliz a divulgação dos documentos secretos. Fez mais: defendeu a atuação “cuidadosa” e “diligente” de seus antecessores. Em março, o presidente norte-americano pôs fim ao congelamento de dois anos de processos militares em Guantánamo.

Michael Strauss, professor de Relações Internacionais do Centre d’Études Diplomatiques et Stratégiques de Paris e autor de The Leasing of Guantánamo Bay (Praeger, 2009), faz uma análise que transcende as repercussões dos documentos divulgados pelo WikiLeaks. Strauss aprofunda, entre outros temas, o debate sobre a legalidade dos julgamentos militares no contexto do arrendamento territorial entre Cuba e Estados Unidos. O acordo, assinado em 1903, deu aos EUA direitos jurídicos sobre Guantánamo. Strauss relembra como o governo Bush enganou o sistema legal dos Estados Unidos na sua “guerra contra o terror”.

CartaCapital: A prisão em Guantánamo é um fiasco?
Michael Strauss: Não creio que em si seja um fiasco, mas podemos chamar de fiasco a estrutura na qual ela supostamente deveria funcionar. As razões que levaram os Estados Unidos a estabelecer uma prisão em Guantánamo foram estas: deslocar o crime de terrorismo da esfera civil para a militar e deter os presos fora de seu território soberano. Esse esquema criou vários novos problemas legais, políticos e morais. Para os norteamericanos, ficou ainda mais difícil lidar com a questão do terrorismo com parceiros internacionais.

“Crimes contra a humanidade não podem ser anistiados”
Quando falou ao repórter sobre a Lei da Anistia, Marcia Poole, diretora de Informações e Comunicações da Anistia Internacional, foi taxativa: “existem crimes que são imprescritíveis e as famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que aconteceu com eles”, disse, ao ressaltar a importância que teria para o País a constituição da Comissão da Verdade. Depois de 10 anos sem um posto no Brasil, a entidade vai reabrir seu escritório aqui, só falta decidir a cidade, Rio de Janeiro ou em São Paulo. Os avanços no desenvolvimento econômico do País e o novo papel que passou a representar no âmbito internacional são as motivações apresentadas por Marcia Poole, que visitou nesta quinta-feira 28 a Redação de CartaCapital.

Na entrevista, ela se mostrou bastante motivada pelo novo desafio, que começa no momento em que a Anistia Internacional completa 50 anos de vida. Para preparar o lançamento do escritório brasileiro, que deve acontecer nos próximos meses, ela e o secretário-geral Salil Shetty cumprem extensa agenda de reuniões e encontros, que deve culminar com uma visita à presidenta Dilma Rousseff.

Para Marcia, as relações com o governo brasileiro são abertas e cordiais e a entidade constata um avanço no País em relação ao respeito aos direitos humanos nos últimos anos. Ela elogia os programas sociais criados no governo Lula e reconhece que atravessamos um período de diminuição das injustiças sociais. Porém, não faltam ressalvas. A Anistia deve concentrar seu olhar nos casos de violência contra a mulher, no tratamento dado às nações indígenas e nas condições de vida dos pobres e miseráveis. “A Segurança Pública também será nosso foco”, a diretora acrescenta, ao ressaltar que apoia iniciativas como as UPPs no Rio de Janeiro, mas as vê “ainda como pouco abrangentes”.

Atenta a tudo que acontece pelo mundo, ela não deixou de falar sobre os eventos da Líbia, Síria,Tunísia e Egito. Instada a se posicionar sobre as recentes denúncias do site WikiLeaks sobre as condições dos presos da base americana em Guantánamo, ela foi categórica: “a Anistia Internacional defende o fechamento da base e levou sua posição ao presidente Obama antes dele tomar posse”. A seguir, a entrevista que concedeu a CartaCapital (o Congresso em Foco registra as três primeiras perguntas):

CartaCapital: O que motiva a Anistia Internacional a montar seu escritório aqui no Brasil?
Marcia Poole: Basicamente, uma confluência de dois fatores: um ligado ao Brasil e outro ligado à Anistia. O Brasil está passando por um momento muito importante, a nível nacional e internacional. Nós estamos vendo um avanço da questão dos direitos humanos no Brasil. Mas com esses grandes eventos vindos para cá, as Olimpíadas e a Copa do Mundo, há, por um lado, uma oportunidade para o Brasil, se o País criar um modelo que beneficie os direitos humanos, mas, por outro, ainda há certas preocupações. A voz do Brasil tem um peso cada vez maior nos organismos internacionais como as Nações Unidas e os fóruns, como o G-20. O Brasil já tem um papel de liderança econômica e política, mas poderia ter uma governança mundial, criar um novo paradigma. A Anistia, em 28 de maio, completa 50 anos. Nesse momento, a nível global, está sendo revitalizada. 98% dos membros e simpatizantes da Anistia se encontram no chamado Norte global: Europa Ocidental, EUA e Canadá. Nós achamos que é preciso ter uma presença maior – a gente quer ser um movimento de fato global de direitos humanos – no Sul e, sobretudo nesses países que estão emergindo como líderes. Temos um projeto de expansão no Sul Global e nos chamados BRICS, porque a gente inclui o S de África do Sul.

CC: Como começou o trabalho de vocês aqui no País?
MP: Temos uma relação muito especial com o Brasil. Operamos de várias formas, mas tradicionalmente quando há gente correndo risco, defensores de direitos humanos, pessoas presas por motivos políticos, a Anistia mobiliza sua rede de membros e simpatizantes para escrever cartas, para pressionar as autoridades para defender a vida daquelas pessoas. A primeira ação urgente da nossa história foi no Brasil, em apoio ao Luiz Rossi, professor universitário que na época era preso político da ditadura. O nosso primeiro relatório global sobre a tortura foi no Brasil, o ex-presidente Lula foi um preso adotado e defendido pela Anistia, um preso de consciência da Anistia. Nós temos esse relacionamento com o Brasil que já vem lá do nosso começo, coincide nossa chegada aqui com o aniversário da Anistia. Não viemos para cá para comemorar a Anistia, mas para celebrar a luta pelos direitos humanos que temos feito pelo mundo. São três milhões de membros em todo o mundo e ainda tem muito a fazer. Queremos estar no Sul e esse é um momento muito importante para o Brasil também.

CC: Que estrutura vocês pretendem ter aqui?
MP: No Brasil, vamos começar com uma estrutura um pouquinho diferente. Na Europa Ocidental e nos Estados Unidos temos membros locais, como eu ou você, que se reúnem e elegem uma junta de governança, dependendo do número de membros varia o número da junta e a junta seleciona por sua vez o staff e o quadro de funcionários, a começar por um diretor ou diretora. Aqui vamos começar abrindo um escritório que seria mais ou menos uma filial do secretariado internacional. No nosso plano de implantação no Brasil há uma estratégia de 5 anos e esperamos que no final desse período tenhamos esse modelo aqui. Nós vamos começar pelo escritório, até para ir um pouco mais rápido, por assim dizer. Normalmente, no escritório da Anistia você tem um diretor. A espinha dorsal do nosso trabalho é a apuração e monitoramento da situação de direitos humanos, por isso temos pesquisadores. Nesse momento, a maioria de nossos pesquisadores se encontra em Londres e atuam para todos os países. Estamos fazendo um projeto de descentralização para estar mais perto de onde ocorrem as violações. Até porque, em um momento inicial, a razão de ter todo mundo em Londres era por uma questão de segurança, pois se você estivesse no país onde ocorriam os problemas você sofria mais ameaças. Por exemplo, ter um pesquisador sobre o Zimbábue no Zimbábue. Ou antigamente, na época da ditadura aqui no Brasil, você ter um pesquisador brasileiro baseado em Londres era mais seguro. Estamos agora fazendo um modelo para trazer essas pessoas para mais perto. Para começar, os pesquisadores sobre o Brasil estarão em Londres, mas daqui a dois anos vamos trazê-los para cá e contratar mais pesquisadores para podermos trabalhar ainda mais no Brasil. Vamos encontrar pesquisadores de direitos humanos, pessoas que fazem as campanhas de mobilização em cima do que a gente apura. Vamos ter um diretor de captação de recursos e a parte da comunicação, que é fundamental. Estamos pensando entre 12 e 15 pessoas, no Rio de Janeiro ou São Paulo. Vendo essas questões relativas às Olimpíadas e a Copa do Mundo, a gente está começando a considerar que num primeiro momento talvez seja melhor ter o escritório no Rio.
Fonte: Congressoemfoco

fumaça do bom direito ou a da maconha?

“Precisamos saber se a Dilma presidente é a da campanha eleitoral, uma fera contra o crime, ou a omissa do início de um governo que se recusa a começar”


O governo apostou que não resistiriam ao feriadão da Semana Santa os efeitos das declarações de seu líder na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira, defendendo o plantio e o uso de drogas. A ideia oficial era impedir os debates acerca da origem e da sede do Comitê Pró-Maconha. Mas o Brasil, assombrado com o tráfico e seus efeitos, não esqueceu. Apesar dos discursos da campanha e da desfaçatez pós-posse, acabaram-se as dúvidas de que a gênese e o celeiro dessas aleivosias são vizinhas do gabinete presidencial.

Se forem contados os contrários e os favoráveis, a bancada da erva é majoritária entre os próximos da presidente Dilma Rousseff, resultado inversamente proporcional à voz das ruas, que ecoam o drama dos viciados e seus familiares. O sofrimento das vítimas do uso e do tráfico de drogas não conta para os defensores da liberação de drogas. Teixeira, que agora diz não ser bem assim, aventou até a montagem de cooperativas de cultivadores da erva. Ficou implícito que parte das verbas da agricultura familiar iria para as lavouras de cannabis sativa.

O festival de absurdos se amplia por ter estrelas detentoras de altos cargos, como Teixeira e o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, além de políticos do nível de Fernando Henrique Cardoso. O alheamento dessas personalidades às consequências do uso de drogas é surpreendente. O eixo de seus argumentos é que a política atual não funciona, fracassou etc. Que política fracassou? A que eles próprios implantaram. Mas o fiasco de suas atuações não pode ser avalista de uma hecatombe. Se, em vez de investirem no tratamento dos viciados e no cerco aos traficantes, a maioria da equipe presidencial e astros da política querem liberar drogas, dias piores virão.

Bradam que a repressão não funciona. Que repressão? As drogas entram, circulam e são consumidas sem que as autoridades ajam de forma alguma. Repressão zero. Quem usa não pode ser preso, quem trafica raramente vai para a cadeia. A presidente se cala, como se continuasse a ser secretária do governo gaúcho. Não é com ela combater ou liberar droga, o país que ela dirige não tem problema algum com entorpecente, não há desfile de zumbis do crack, nenhum lar foi destruído pela cocaína, o líder de seu partido não participa de convescote de maconheiros. Não consegue nem unificar o discurso a cada tragédia.

Tragédia das drogas: hoje demite um secretário por defender liberação, amanhã o líder no Parlamento está no canal dos viciados oferecendo-lhes soluções legislativas.

Tragédia do bullying: hoje seu ministro da Justiça inicia campanha para recolher cápsulas já disparadas, amanhã sua bancada no Senado defende plebiscito ilegal e nunca se lembram de investir na causa, o acompanhamento individual dos alunos, nos âmbitos psicológico e social.

Tragédia da estrutura: hoje o presidente da Fifa diz que o Brasil vai descumprir os itens que lhe deram a Copa de 2014, amanhã o governo destina bilhões para fazer uma linha férrea que transportará aditivos e nada de prioridades.

Enfim, o governo parece sob efeito de uma substância letal ao desenvolvimento, a zorra administrativa. Quando se imagina que há luz no fim do túnel, é o líder da sigla com a turma do cigarro maldito ou o farol da ferrovia Campinas-RJ. É a nova gestão mostrando sua cara. E ela está com os olhos parados e o cheiro característico de quem acaba de consentir, por w.o., a balbúrdia institucionalizada.

Aguarda-se que a presidente responda ao País se seu mandato vai ser marcado por plantio e cooperativa de drogas ou pelo combate ao uso e tráfico delas. Se é mais importante a fumaça do bom direito ou a da maconha. E se a Dilma presidente é a da campanha eleitoral, uma fera contra o crime, ou a omissa do início de um governo que se recusa a começar.

* Procurador de Justiça e senador (DEM -GO).

Outros textos do colunista Demóstenes Torres*

Fonte: Congressoemfoco

“O mesmo mundo, a mesma dor”

"Um jovem egípcio levanta um cartaz que diz:'O Egito apoia os trabalhadores de Wisconsin'. Como num eco, um estudante estadounidense levanta o seu cartaz:'Fui ao Iraque e voltei à minha casa no Egito'"


A globalização trouxe uma externalidade, quer dizer, um efeito não desejado e incômodo para o sistema de poder imperante, fundado no individualismo: a conexão de todos com todos, de sorte que os problemas de um povo se tornam significativos para outros em sitação semelhante. Então, se estabelecem laços de solidariedade e surge uma comunidade de destino.

É o que está ocorrendo com os levantes populares, mormente animados por jovens universitários, seja no mundo árabe seja em nove estados do Meio Oeste norte-americano começando por Wisconsin. Esses levantes nos EUA quase não repercutiram em nossa imprensa, pois não interessa a ela mostrar a vulnerabilidade da potência central em franca decadência. Um jovem egípcio levanta um cartaz que diz:”O Egito apoia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor”. Como num eco, um estudante universitário estadounidense, voltando da guerra do Iraque levanta o seu cartaz com os dizeres:”Fui ao Iraque e voltei à minha casa no Egito”. Quer dizer, quer participar de manifestações nos EUA semelhantes àquelas no Egito, na Líbia, na Tunísia, na Síria e no Yemen.

Quem imaginaria que Madison, capital de Wisconsin, com 250.000 habitantes, conhecesse uma manifestação de 100 mil pessoas vindas de outras cidades norte-americanas para protestar contra medidas tomadas pela governador que atam as mãos dos sindicatos nas negociações, aumenta os impostos da saúde e diminui as pensões? O mesmo ocorreu em Michigan onde o governador conseguiu fazer aprovar pelo parlamento estadual uma esdrúxula lei que lhe permitiu nomear uma empresa ou um executivo com o poder de governar todo o aparato do governo estadual. Isentou em 86% o imposto das empresas e aumentou em 31% aquele dos contribuintes pessoais. Tudo isso porque os assaltantes de Wall Street, além de saquearam as pensões e as economias da população, quebraram os planejamentos financeiros dos estados. E a população mais vulnerável é obrigada a pagar as contas feitas por aqueles ladrões do mercado especulativo que mereciam estar na cadeia por falcatruas contra a economia mundial.

Conseguiram para eles uma concentração de riqueza como nunca vista antes. Segundo Michael Moore, o famoso cineasta, em seu discurso em apoio aos manifestantes em Wisconsin: atualmente 400 norte-americanos têm a mesma quantia de dinheiro que a metade da população dos EUA. Enquanto um sobre três trabalhadores ganha 8 dólares/hora (antes era 10/hora), os executivos das empresas ganham 11.000 dólares/hora, sem contar benefícios e gratificações. Há um despertar democrático nos EUA que vem de baixo. Já não se aceita esta vergonhosa disparidade. Condenam os custos das duas guerras, praticamente perdidas, contra o Iraque e o Afeganistão, que são tão altos a ponto de levarem ao sucateamento das escolas, dos hospitais, do transporte público e de outros serviços sociais. Há 50 milhões sem nenhum seguro de saúde e 45 mil morrem anualmente por não haver agenda para um diagnóstico ou tratamento.

O mundo árabe está vivendo uma modernidade tardia, aquela que sempre propugnou pelos direitos humanos, pela cidadania e pela democracia. Como a maioria dos países é riquísima em petróleo, o sangue que faz funcionar o sistema moderno, as potências ocidentais toleravam e até apoiavam os governos ditatoriais e tirânicos. O que interessava a elas não era o respeito à dignidade das pessoas e a busca de formas democráticas de participação. Mas pura e simplesmente o petróleo. Ocorre que os meios modernos de comunicação digital e o crescimento da consciência mundial, em parte favorecida e tornada visível pelos vários Forums Sociais Mundiais e Regionais, acenderam a chama da democracia e das liberdades. Uma vez despertada, a consciência da liberdade jamais poderá ser sufocada. Os tiranos podem fazer os súditos cantarem hinos à liberdade mas estes sabem o que querem. Querem eles mesmos buscar a liberdade que nunca é concedida mas sempre conquistada mediante um penoso processo de libertação. Agora é hora e a vez dos árabes.

* Doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique, nasceu em 1938. Foi um dos formuladores da “teologia da libertação”. Autor do livro Igreja: carisma e poder, de 1984, que sofreu um processo judicial no ex-Santo Oficio, em Roma, sob o cardeal Ratzinger. Participou da redação da Carta da Terra e é autor de mais de 80 livros nas várias áreas das ciências humanísticas.

Outros textos do colunista Leonardo Boff*

Fonte: Congressoemfoco

Bahia ganha novo roteiro turístico no Vale do São Francisco

Baianos e turistas ganharam mais uma opção de passeio turístico no estado, com a realização neste sábado (30) da primeira viagem do Vapor do Vinho. O novo roteiro, no Vale do São Francisco, leva os visitantes para conhecer a beleza do Lago do Sobradinho (segundo maior lago artificial do mundo) e a produção de vinhos da região.

Realizado numa embarcação típica do São Francisco, a Barca Rio dos Currais, o passeio começa em Juazeiro, de onde os turistas seguem por via rodoviária até o atracadouro, a dois quilômetros da represa de Sobradinho. Dali, navegam nas águas calmas do lago, aproveitando a bela vista e as apresentações de música regional.

Com cerca de duas horas e meia de duração, o passeio leva o turista até a Vinícola Ouro Verde, localizada no município de Casa Nova, onde é possível conhecer as plantações de uva e todas as etapas da produção de vinhos, espulmantes e brandy.

O governador Jaques Wagner, que participou do lançamento do roteiro do enoturismo, ressaltou a beleza da região e a importância da atividade na geração de emprego e renda. “É mais um passo que agente dá no sentido do desenvolvimento dessa região tão importante que é o São Francisco. Espero que isso aqui seja uma semente onde a gente colha mais turismo, mais emprego e mais riqueza pra nossa terra.”

Parceria

O Roteiro do Enoturismo foi desenvolvido em parceria entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Turismo e a Vinícola Ouro Verde. Segundo o secretário do Turismo, Domingos Leonelli, o novo passeio cumpre o papel de interiorizar o turismo baiano e se torna mais uma boa opção de passeio para quem visita a Bahia. “É um passeio lindo, o lago é deslumbrante e esse certamente será um roteiro turístico muito importante”.
Fonte: Tribuna da Bahia

Filho de Kadafi e 3 netos morrem em ofensiva da Otan

O ditador líbio, Muamar Kadafi, sobreviveu a um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) neste sábado

30/04/2011 | 21:13 | Agência Estado

Reuters

Reuters / Danos causados por ataque aéreo da coalizão à casa de  Saif Al-Arab Khadafi, filho do líder líbio Ampliar imagem

Danos causados por ataque aéreo da coalizão à casa de Saif Al-Arab Khadafi, filho do líder líbio

O ditador líbio, Muamar Kadafi, sobreviveu a um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) neste sábado, mas seu filho mais novo e três netos morreram, e parentes e amigos ficaram feridos, disse um porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim. Kadafi e sua mulher estavam em Trípoli, na casa de seu filho Saif al-Arab Kadafi, de 29 anos, quando o local foi atingido por pelo menos um míssil disparado por uma avião de guerra da Otan, de acordo com Ibrahim.

"O líder está em boas condições de saúde", disse o porta-voz, sobre Kadafi. "Ele não foi ferido. Sua esposa também está bem", acrescentou. "O ataque resultou no martírio de Saif al-Arab Kadafi, de 29 anos, e três netos do líder", disse Ibrahim, referindo-se ao filho de Kadafi como um estudante. A casa de um andar em um bairro residencial de Trípoli ficou bastante destruída.

Saif era o sexto filho de Kadafi. Ele passou boa parte de sua vida na Alemanha nos últimos anos. As informações são da Associated Press.

Fonte: Gazeta do Povo

O contra-ataque das oposições

Carlos Chagas

A crônica das guerras recentes ou antigas registra que após uma vitória, o exército vencedor deve esperar o contra-ataque do adversário. Depois de ocuparem um terço do território russo, os alemães cederam ao impacto do Exército Vermelho. Em seguida ao desembarque na Normandia, os aliados foram surpreendidos com a ofensiva nazista nas Ardenas, que quase devolveu ingleses e americanos ao mar.

Assim, não é de estranhar que progridam em ritmo bem mais avançado do que a mídia registra os entendimentos entre PSDB e DEM para uma próxima fusão ou incorporação dos dois partidos. Pode ser a forma de reação ao que seus dirigentes chamam de manobra solerte do palácio do Planalto ao estimular Gilberto Kassab e uns tantos trânsfugas da oposição para formar o PSD e aderirem ao governo.

Os obstáculos são grandes, até pouco parecia impossível a hipótese, mas de Fernando Henrique a José Agripino, a proposta do casamento é bem recebida como forma de recompor as combalidas esquadrilhas de tucanos e a infantaria dos democratas. Mais do que visar as eleições municipais do ano que vem, eles se voltam para as eleições de 2014, quando poderiam ampliar o número de governadores e disputar a sucessão presidencial.

***

DOAÇÃO DE 250 MIL VOLUMES

Ao longo de sua vida de economista, professor, ministro, embaixador e deputado, hoje entrando nos oitenta anos de idade, Delfim Netto conseguiu reunir 250 mil livros. E não apenas de economia e finanças, mas de política, História, filosofia e muita coisa a mais. Quando em Paris, ficou conhecido como o “rei dos sebos”, título que mantém até hoje em São Paulo.

Delfim tomou uma decisão: doar todos os volumes para a USP, em tempo recorde. Esse acervo formidável ficará à disposição de estudantes, de pesquisadores e dele mesmo, sempre que necessitar de alguma consulta. Exemplos como esse são raros, talvez apenas o saudoso dr. Mindlin tenha feito o mesmo.

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CABRAL REPELE A ACUSAÇÃO

Mais do que irritado, o governador Sérgio Cabral mostra-se decepcionado com a acusação de haver mandado preparar um golpe contra o senador Aécio Neves através da polícia de trânsito do Rio de Janeiro. Se o ex-governador mineiro foi parado numa blitz às três da madrugada, no Leblon, com a carteira de habilitação vencida, deveu-se o episódio à rotina de um policiamento digno de louvor, jamais a manobras de perseguição contra adversários políticos.

Até porque, seria inadmissível que o governo fluminense andasse vigiando as andanças de Aécio pela noite carioca. Ou, pior ainda, que ele, governador, estivesse estimulando esse tipo de ação, rotineira apenas nos tempos da ditadura. Quando se encontrarem, num evento qualquer, Cabral demonstrará o apreço que tem pelo talvez futuro concorrente à sucessão presidencial de 2014…

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PARA ATIRAR EM QUEM?

Brasília foi surpreendida, na tarde de quarta-feira, pela informação de estarem postados no teto do palácio do Planalto três atiradores de elite da Polícia Militar, com sofisticadas espingardas de visor telescópico e outras invenções. Apontavam para a Praça dos Três Poderes, onde se realizava pequena manifestação de ex-soldados da Aeronáutica pleiteando reintegração na força. Logo surgiram fotografias dos “rambos” em posição de tiro, felizmente sem que os manifestantes, lá em baixo, se dessem conta do papel de alvos.

Esses exageros geram o ridículo. Quem teria dado ordem para os soldados se posicionarem como se estivessem na guerra? O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito? Um de seus auxiliares? Por certo a presidente Dilma Rousseff não foi informada de tão desastrada proteção.

Certa vez armas de fogo, inclusive metralhadoras pesadas, foram posicionadas no telhado da sede do governo, mas eram os tempos bicudos da ditadura. O Serviço de Segurança do presidente Ernesto Geisel aventou a possibilidade de tropas do ministro demitido do Exército, general Silvio Frota, estarem preparando um assalto ao poder, que acabou não acontecendo. Mas por causa de ex-soldados da Aeronáutica reivindicando reintegração, não dá para aceitar…

Fonte: Tribuna da Imprensa

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