Eliane Cantanhêde
O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), foi cassado sob a acusação de distribuir 35 mil cheques nominais no ano em que disputava a reeleição.
Seu sucessor, José Maranhão (PMDB), responde a nada menos que 8 processos, sendo que 2 são por suspeita de compra de votos e podem dar em nova cassação. E o sucessor do sucessor no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB), também está sendo processado por corrupção na Justiça Federal. É uma teia sem fim.
Cunha Lima ainda tem duas chances de recurso, uma à presidência do próprio TSE e outra ao Supremo, mas Maranhão não perdeu tempo. Nem bem assumiu, já deu uma canetada botando para fora uns mil funcionários herdados do antecessor. Provavelmente, não por moralização, mas por retaliação -e para dividir a boquinha com a sua própria turma.
Já Cavalcanti não é bobo nem nada: ganhou o mandato de senador e, de brinde, o foro privilegiado. Entrou mudo para sair calado. Se sair. A depender da tradição do Supremo, ele pode ir ficando tranquilo, cumprindo o mandato que seria de Maranhão, que agora cumpre o mandato que seria de Cunha Lima, que... está a ver navios, mas já pode voltar a se candidatar.
Coitado do povo paraibano. Mas a Paraíba não está isolada, muito pelo contrário. Governador processado é o que não falta, e um deles está para ser encaçapado a qualquer momento: Jackson Lago (PDT), do Maranhão. Se cair, sobe Roseana Sarney (PMDB).
Ou seja: o PMDB já tem o maior número de governos, de prefeituras e de cadeiras no Congresso, acaba de ganhar as presidências da Câmara e do Senado e três comissões importantes na Câmara e deve ficar com mais dois Estados: a Paraíba, de Maranhão, e o Maranhão, de Roseana. Assim mesmo, complicado.
Mas o pior é que o partido não ganhou, mas está levando. E o eleitor não tem para onde correr.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
domingo, fevereiro 22, 2009
Sobra algum?
Clóvis Rossi
Um dia, o leitor acorda e vê o título: "Governador da Paraíba é cassado". Pensa: bom, depois de 509 anos, começa a ser combatida a corrupção na política.
Mal tem tempo de ser feliz, pois logo descobre que o substituto do governador cassado, o até então senador José Maranhão (PMDB), responde a oito processos no TSE. Para fechar o círculo, fica também sabendo que o substituto de Maranhão no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB), enfrenta pelo menos duas ações penais na Justiça, sob acusação de ter causado prejuízos aos cofres públicos.
Calma que, para fechar o círculo, ainda entram as duas grandes estrelas do tucanato no momento, Aécio Neves e José Serra. A reação de Serra seria hilária, não fosse ridícula. "Causa estranheza a celeridade do processo" [o que derrubou Cássio Cunha Lima], palpitou o governador paulista.
Celeridade, cara pálida? O rapaz cometeu, segundo a Justiça, um crime eleitoral em 2006, usufruiu durante dois anos e dois meses do produto de seu crime (o governo do Estado da Paraíba) e Serra ainda acha que o processo foi célere? Queria o quê? Que a Justiça tardasse mais dois anos antes de decidir cassá-lo, para que pudesse concluir o mandato na mansidão a que os políticos se habituaram, quaisquer que sejam as acusações e processos a que respondam?
Aécio não foi muito mais feliz. Sua frase: "Não conheço obviamente a profundidade das acusações que levaram à perda do seu mandato, mas eu conheço o trabalho e a correção do governador Cássio".
Se não conhece a "profundidade" das acusações, como pode jurar pela "correção" do correligionário cassado? Se o cassado fosse de outro partido, mereceria a mesma absolvição plena e irrecorrível? Depois ainda reclamam do descrédito dos políticos.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
Um dia, o leitor acorda e vê o título: "Governador da Paraíba é cassado". Pensa: bom, depois de 509 anos, começa a ser combatida a corrupção na política.
Mal tem tempo de ser feliz, pois logo descobre que o substituto do governador cassado, o até então senador José Maranhão (PMDB), responde a oito processos no TSE. Para fechar o círculo, fica também sabendo que o substituto de Maranhão no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB), enfrenta pelo menos duas ações penais na Justiça, sob acusação de ter causado prejuízos aos cofres públicos.
Calma que, para fechar o círculo, ainda entram as duas grandes estrelas do tucanato no momento, Aécio Neves e José Serra. A reação de Serra seria hilária, não fosse ridícula. "Causa estranheza a celeridade do processo" [o que derrubou Cássio Cunha Lima], palpitou o governador paulista.
Celeridade, cara pálida? O rapaz cometeu, segundo a Justiça, um crime eleitoral em 2006, usufruiu durante dois anos e dois meses do produto de seu crime (o governo do Estado da Paraíba) e Serra ainda acha que o processo foi célere? Queria o quê? Que a Justiça tardasse mais dois anos antes de decidir cassá-lo, para que pudesse concluir o mandato na mansidão a que os políticos se habituaram, quaisquer que sejam as acusações e processos a que respondam?
Aécio não foi muito mais feliz. Sua frase: "Não conheço obviamente a profundidade das acusações que levaram à perda do seu mandato, mas eu conheço o trabalho e a correção do governador Cássio".
Se não conhece a "profundidade" das acusações, como pode jurar pela "correção" do correligionário cassado? Se o cassado fosse de outro partido, mereceria a mesma absolvição plena e irrecorrível? Depois ainda reclamam do descrédito dos políticos.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
MIRIAM LEITÃO UMA MALA SEM ALÇA

Miriam Leitão uma FANÁTICA TUCANA está delirando. Seu comportamento na imprensa é de fazer dó. Miriam há muito tempo deixou de ser comentarista de economia para ser MILITANTE DO PSDB de Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Sua paixão partidária a deixou DESEQUILIBRADA EMOCIONALMENTE, ela não diz nada por nada, só enchendo linguiça para o PADRÃO da Família Marinho se alegrar com suas BABOSEIRA e GROSSERIA contra o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff. Nós, que fazemos o BLOG DA DILMA ROUSSEFF repudiamos MIRIAM LEITÃO por tudo de MAL que vem fazendo no Jornalismo Brasileiro. Leia abaixo matéria que ela escreveu no seu blog:
"O Brasil já teve todo tipo de chefe da Casa Civil. Técnico, intrometido, articulador, discreto, conspirador, totalitário. Desta vez temos um novo tipo: candidato. O presidente Lula diz que a inauguração de obras pela ministra Dilma Rousseff faz parte das funções de chefe da Casa Civil. Não faz. Gerente não inaugura, não sobe em palanque, não discursa: administra. Ela quer inaugurar obra inconclusa, cada etapa de cada projeto e até pedra fundamental; porque é candidata. Não fosse, faria visitas aos canteiros de obras para acompanhar, verificar, como gerente. Como é candidata, em qualquer visita é armado um palanque e convocada uma claque. Isso é campanha política. A inteligência alheia não deve ser agredida com tentativas de se provar o contrário. É legítima a aspiração da ministra Dilma Rousseff de concorrer à Presidência. Aqui neste espaço, escrevi, desde que ela foi nomeada, que a ministra não era um quadro técnico. Ela sempre foi uma militante e tem se esforçado para adquirir competências administrativas. Sua aspiração agora é, além de legítima, previsível, já que outros potenciais concorrentes se enfraqueceram. O que não é correto é usar a máquina pública para fazer campanha, dizendo que está em função governamental. A reunião dos prefeitos foi eleitoreira, seja o que for que o governo diga em contrário. Gastou-se dinheiro público, sete vezes mais do que o admitido, para reunir os possíveis cabos eleitorais de 2010."
Fonte: SARAIVA13
O preço da lentidão na Justiça
Catarina Alencastro
O gasto do Judiciário com a folha de pagamento de seus funcionários cresceu 31% em três anos. A conta aumentou de R$ 20,3 bilhões em 2004 para R$ 26,6 bilhões em 2007 - incluídas a Justiça do Trabalho, a Federal e a estadual. A elevação do gasto com funcionários e magistrados, no entanto, não ajudou a diminuir o congestionamento de processos nessas três instâncias.
Na Justiça estadual, que concentra 80% de todos os processos no Brasil, de cada cem ações em tramitação, 74 não tinham sido julgadas em 2007, data do levantamento feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pernambuco tem a maior taxa de congestionamento, 87,2% - ou seja: de todos os processos tramitando no estado em 2007, apenas 12,8 em cem foram julgados.
Os gastos aumentaram, mas o déficit de juízes continua. A falta de magistrados, porém, é um problema não necessariamente proporcional à morosidade dos processos. Com a maior quantidade de ações não julgadas, a Justiça estadual também tem o maior proporção de juízes: são seis magistrados para cada 100 mil habitantes. A Justiça Trabalhista tem 1,7 juiz por 100 mil, enquanto a Federal, 0,8 juiz para cada 100 mil habitantes.
Pelo levantamento do CNJ, na primeira instância da Justiça estadual há uma média de 5.102 processos por juiz. Nos juizados especiais, a proporção chega a nove mil ações. A média, considerando todas as instâncias da Justiça estadual, é de 4.929 processos por juiz.
Na Justiça estadual, a melhor relação de juízes por cidadão ocorre no Espírito Santo (12,8 por 100 mil), Amapá (11,6) e Distrito Federal (11,6). A situação mais crítica é no Pará (4) e em Alagoas (4,1). O Rio tem 5,8 magistrados para cada 100 mil habitantes.
Em segundo lugar na lista dos estados com a Justiça mais congestionada está o Maranhão, com 86,9% de processos sem julgamento, seguido de Alagoas, com 86,8%. O Rio tinha, em 2007, mais da metade de seus processos não julgados: 54,4%. O estado com melhor resultado foi Rondônia: 32,3% das ações sem solução.
No total, o Brasil tinha 67,7 milhões de processos em 2007, sendo 54,8 milhões na Justiça Estadual, 6,1 milhões na Federal e 6,6 milhões na do Trabalho.
"Há excesso de cargos de confiança"
Para o corregedor do CNJ, ministro Gilson Dipp, é necessário um "choque de gestão" no Judiciário: - Há inchaço nos tribunais, com excesso de cargos de confiança, em detrimento de concursos públicos. É preciso transparência na distribuição de processos. Os parcos recursos muitas vezes são mal administrados, em proveito de regalias de desembargadores e servidores, e com a construção de prédios desnecessários.
Para Dipp, o número de processos reforça a confiança da população no Judiciário. Ele acha que os tribunais não perceberam "que estão brincando com o desconforto e o descontentamento da população".
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, responsabilizou parcialmente os planoseconômicos da década de 80 pelo grande acúmulo de processos na Justiça. Segundo o ministro, o país vive uma "fase de transição".
- Estamos na fase de transição, ainda longa, mas vemos um futuro melhor. Esses números são muito típicos da nossa realidade. Estamos vindo de um modelo autoritário. Nos anos 80, as pessoas tinham medo de processar o Estado, talvez houvesse um estoque psicológico. Os planos econômicos causaram uma rebelião. Felizmente, não temos mais isso - disse Gilmar, citando as ações contra os planos Collor e Verão.
Gilmar disse que uma das metas do Judiciário, em 2009, é identificar e julgar todos os processos ajuizados até 31 de dezembro de 2005.
Fonte: O Globo (RJ)
O gasto do Judiciário com a folha de pagamento de seus funcionários cresceu 31% em três anos. A conta aumentou de R$ 20,3 bilhões em 2004 para R$ 26,6 bilhões em 2007 - incluídas a Justiça do Trabalho, a Federal e a estadual. A elevação do gasto com funcionários e magistrados, no entanto, não ajudou a diminuir o congestionamento de processos nessas três instâncias.
Na Justiça estadual, que concentra 80% de todos os processos no Brasil, de cada cem ações em tramitação, 74 não tinham sido julgadas em 2007, data do levantamento feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pernambuco tem a maior taxa de congestionamento, 87,2% - ou seja: de todos os processos tramitando no estado em 2007, apenas 12,8 em cem foram julgados.
Os gastos aumentaram, mas o déficit de juízes continua. A falta de magistrados, porém, é um problema não necessariamente proporcional à morosidade dos processos. Com a maior quantidade de ações não julgadas, a Justiça estadual também tem o maior proporção de juízes: são seis magistrados para cada 100 mil habitantes. A Justiça Trabalhista tem 1,7 juiz por 100 mil, enquanto a Federal, 0,8 juiz para cada 100 mil habitantes.
Pelo levantamento do CNJ, na primeira instância da Justiça estadual há uma média de 5.102 processos por juiz. Nos juizados especiais, a proporção chega a nove mil ações. A média, considerando todas as instâncias da Justiça estadual, é de 4.929 processos por juiz.
Na Justiça estadual, a melhor relação de juízes por cidadão ocorre no Espírito Santo (12,8 por 100 mil), Amapá (11,6) e Distrito Federal (11,6). A situação mais crítica é no Pará (4) e em Alagoas (4,1). O Rio tem 5,8 magistrados para cada 100 mil habitantes.
Em segundo lugar na lista dos estados com a Justiça mais congestionada está o Maranhão, com 86,9% de processos sem julgamento, seguido de Alagoas, com 86,8%. O Rio tinha, em 2007, mais da metade de seus processos não julgados: 54,4%. O estado com melhor resultado foi Rondônia: 32,3% das ações sem solução.
No total, o Brasil tinha 67,7 milhões de processos em 2007, sendo 54,8 milhões na Justiça Estadual, 6,1 milhões na Federal e 6,6 milhões na do Trabalho.
"Há excesso de cargos de confiança"
Para o corregedor do CNJ, ministro Gilson Dipp, é necessário um "choque de gestão" no Judiciário: - Há inchaço nos tribunais, com excesso de cargos de confiança, em detrimento de concursos públicos. É preciso transparência na distribuição de processos. Os parcos recursos muitas vezes são mal administrados, em proveito de regalias de desembargadores e servidores, e com a construção de prédios desnecessários.
Para Dipp, o número de processos reforça a confiança da população no Judiciário. Ele acha que os tribunais não perceberam "que estão brincando com o desconforto e o descontentamento da população".
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, responsabilizou parcialmente os planoseconômicos da década de 80 pelo grande acúmulo de processos na Justiça. Segundo o ministro, o país vive uma "fase de transição".
- Estamos na fase de transição, ainda longa, mas vemos um futuro melhor. Esses números são muito típicos da nossa realidade. Estamos vindo de um modelo autoritário. Nos anos 80, as pessoas tinham medo de processar o Estado, talvez houvesse um estoque psicológico. Os planos econômicos causaram uma rebelião. Felizmente, não temos mais isso - disse Gilmar, citando as ações contra os planos Collor e Verão.
Gilmar disse que uma das metas do Judiciário, em 2009, é identificar e julgar todos os processos ajuizados até 31 de dezembro de 2005.
Fonte: O Globo (RJ)
Um detalhe importantíssimo não mencionado

Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues*
O jornal "O Estado de S. Paulo" de 15/2/09, pág. A14, apresenta uma reportagem mencionando a insatisfação de boa parte da magistratura brasileira contra supostos — ou verdadeiros ? — excessos por parte do CNJ – Conselho Nacional de Justiça. Notadamente quanto à exigência de ser informado sobre grampos telefônicos e prisões provisórias ordenadas pelos juízes de primeira instância. Estes alegam que autorizar, ou não, a escuta de telefone, ou decretar prisões provisórias é matéria jurisdicional e que não tem sentido um órgão administrativo, o CNJ, criar um encargo burocrático a mais para os já sobrecarregados julgadores da primeira instância.
Na mesma reportagem foi ouvido o Min. Gilmar Mendes que, como todos sabem, acumula as presidência do STF e do CNJ. Gilmar Mendes sustentou a legalidade da exigência dizendo que o CNJ "quer apenas ser informado com finalidade de estatística e controle. Até porque o País precisa saber se de fato há excesso de grampos".
Para que a comunidade — não só jurídica mas de todos os cidadãos — possa saber "quem tem razão" nessa questão de informação de grampos e prisões provisórias, faltou à reportagem algo essencial: os juízes devem informar ao CNJ apenas uma cifra, isto é, quantas escutas ou prisões autorizou, ou devem mencionar também o nome do investigado?
Se a informação ao CNJ é apenas sobre a quantidade, não é abusiva a exigência. Trata-se de mera estatística, um retrato do comportamento global do funcionamento da nossa Justiça. Algo semelhante a se conhecer quantos réus foram absolvidos e quantos condenados na justiça penal, em tal ou qual ano. Mesmo assim, nenhum juiz pode deixar-se pressionar, por causa da estatística, a diminuir ou aumentar o número de grampos que autoriza, para "enquadrar-se" em tal ou qual média de autorizações. Pode acontecer que na Vara Criminal sob seu comando tenham ocorrido mais pedidos, que em outra.
Agora, se nesses relatórios dirigidos ao CNJ o juiz deve mencionar o nome do suspeito, ou indiciado, ou réu — no singular ou no plural —, ou o número do inquérito ou processo, aí tem toda razão a queixa dos magistrados. É que esse informe pode, em tese, chegar ao conhecimento dos suspeitos, indiciados ou réus. Sabendo do "grampo", os investigados mudariam o teor de suas conversas telefônicas; ou simplesmente deixariam de usar tal número. Ou fugiriam, no caso da prisão provisória.
Criminosos, com "colarinho" de qualquer cor — branco, azul ou cinza — estão permanentemente curiosos em saber se estão, ou não, sendo investigados e grampeados. Por mais que o CNJ — composto de quinze conselheiros íntegros e muitas dezenas de funcionários, igualmente íntegros — se empenhe, como seria sua obrigação, em manter sob total sigilo essa "lista de grampeados", não é impossível que algum funcionário, com acesso à preciosa lista, resolva — por chantagem, suborno, ou forte amizade — informar a um determinado suspeito que seu nome está na perigosa lista. Se até na Scotland Yard e no MI5 inglês, já ouve casos de vazamentos, não se pode presumir que somente o CNJ conseguirá a proeza de manter total segredo sobre o conteúdo de tais listas.
É interessante o detalhe, ou a omissão do detalhe, na reportagem do jornal, feita por um jornalista dos mais competentes. Talvez uma outra reportagem, em complemento, esclareça o ponto, importantíssimo para uma tomada de posição por parte da coletividade, interessada em uma justiça penal mais eficiente. Principalmente considerando que na explicação do Min. Gilmar Mendes, repita-se, ele mencionou que o CNJ quer "...apenas ser informado com finalidade estatística e de controle".
É o termo "controle" que, aparentemente, inquietou os magistrados descontentes com a nova exigência do CNJ. Os magistrados devem estar se perguntando: "Como esse órgão, de fiscalização externa, pode querer "controlar" — mandar, ordenar? — se posso ou não autorizar um determinado "grampo" ou prisão? Cada caso é um caso. Antes de autorizar, devo telefonar ao CNJ indagando o que ele me "recomenda", para escapar da pecha de "excesso"?
É de se presumir, pela lógica mais elementar, que nessa listas de grampeados figure o nome e o telefone dos investigados. Do contrário, a estatística teria pouca credibilidade, não atingindo seus propósitos. A menção dos nomes grampeados garantiria a veracidade da informação do juiz. Seria possível confirmá-la.
*Desembargador aposentado do TJ/SP e Associado Efetivo do IASP - Instituto dos Advogados de São Paulo
Fonte: Migalhas
sábado, fevereiro 21, 2009
Não sobra um, meu irmão
Eliane Cantanhêde
O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), foi cassado sob a acusação de distribuir 35 mil cheques nominais no ano em que disputava a reeleição.
Seu sucessor, José Maranhão (PMDB), responde a nada menos que 8 processos, sendo que 2 são por suspeita de compra de votos e podem dar em nova cassação. E o sucessor do sucessor no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB), também está sendo processado por corrupção na Justiça Federal. É uma teia sem fim.
Cunha Lima ainda tem duas chances de recurso, uma à presidência do próprio TSE e outra ao Supremo, mas Maranhão não perdeu tempo. Nem bem assumiu, já deu uma canetada botando para fora uns mil funcionários herdados do antecessor. Provavelmente, não por moralização, mas por retaliação -e para dividir a boquinha com a sua própria turma.
Já Cavalcanti não é bobo nem nada: ganhou o mandato de senador e, de brinde, o foro privilegiado. Entrou mudo para sair calado. Se sair. A depender da tradição do Supremo, ele pode ir ficando tranquilo, cumprindo o mandato que seria de Maranhão, que agora cumpre o mandato que seria de Cunha Lima, que... está a ver navios, mas já pode voltar a se candidatar.
Coitado do povo paraibano. Mas a Paraíba não está isolada, muito pelo contrário. Governador processado é o que não falta, e um deles está para ser encaçapado a qualquer momento: Jackson Lago (PDT), do Maranhão. Se cair, sobe Roseana Sarney (PMDB).
Ou seja: o PMDB já tem o maior número de governos, de prefeituras e de cadeiras no Congresso, acaba de ganhar as presidências da Câmara e do Senado e três comissões importantes na Câmara e deve ficar com mais dois Estados: a Paraíba, de Maranhão, e o Maranhão, de Roseana. Assim mesmo, complicado.
Mas o pior é que o partido não ganhou, mas está levando. E o eleitor não tem para onde correr.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), foi cassado sob a acusação de distribuir 35 mil cheques nominais no ano em que disputava a reeleição.
Seu sucessor, José Maranhão (PMDB), responde a nada menos que 8 processos, sendo que 2 são por suspeita de compra de votos e podem dar em nova cassação. E o sucessor do sucessor no Senado, Roberto Cavalcanti (PRB), também está sendo processado por corrupção na Justiça Federal. É uma teia sem fim.
Cunha Lima ainda tem duas chances de recurso, uma à presidência do próprio TSE e outra ao Supremo, mas Maranhão não perdeu tempo. Nem bem assumiu, já deu uma canetada botando para fora uns mil funcionários herdados do antecessor. Provavelmente, não por moralização, mas por retaliação -e para dividir a boquinha com a sua própria turma.
Já Cavalcanti não é bobo nem nada: ganhou o mandato de senador e, de brinde, o foro privilegiado. Entrou mudo para sair calado. Se sair. A depender da tradição do Supremo, ele pode ir ficando tranquilo, cumprindo o mandato que seria de Maranhão, que agora cumpre o mandato que seria de Cunha Lima, que... está a ver navios, mas já pode voltar a se candidatar.
Coitado do povo paraibano. Mas a Paraíba não está isolada, muito pelo contrário. Governador processado é o que não falta, e um deles está para ser encaçapado a qualquer momento: Jackson Lago (PDT), do Maranhão. Se cair, sobe Roseana Sarney (PMDB).
Ou seja: o PMDB já tem o maior número de governos, de prefeituras e de cadeiras no Congresso, acaba de ganhar as presidências da Câmara e do Senado e três comissões importantes na Câmara e deve ficar com mais dois Estados: a Paraíba, de Maranhão, e o Maranhão, de Roseana. Assim mesmo, complicado.
Mas o pior é que o partido não ganhou, mas está levando. E o eleitor não tem para onde correr.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
Corregedor vê regalias de juízes nos Estados
Mariângela Gallucci
O corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, cobrou ontem choque de gestão e vontade política para resolver problemas de administração do Judiciário que causam demora na tramitação dos processos. Segundo ele, os recursos "são insuficientes e acabam administrados para regalias de desembargadores e servidores e para prédios desnecessários".
Dipp observou que há tribunais com toda infraestrutura, enquanto a primeira instância enfrenta dificuldades para funcionamento. "Falta ação das corregedorias de Justiça dos Estados. Há tribunais perfeitamente aparelhados e não funcionando, enquanto a primeira instância está abandonada", ressaltou. "Os recursos são mal aplicados e mal distribuídos."
Para o corregedor, é necessário eleger prioridades. Ele disse que não estava fazendo críticas, mas apenas constatações. Recentemente, Dipp fez inspeções em vários Estados. Ele afirmou que existem gabinetes de desembargadores com excesso de servidores, enquanto juízes de primeira instância não têm funcionários e material para o trabalho. "Isso faz com que o juiz, que também deveria ser mais proativo, de certa forma se sinta mais descompromissado a ter uma atuação mais ágil em face das carências encontradas", observou. E acrescentou que há corporativismo.
Dipp deu as declarações numa entrevista coletiva concedida ontem pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e outros integrantes do CNJ. Na entrevista, Mendes falou sobre as metas do CNJ para este ano e apresentou os números do Judiciário relativos a 2007, os mais recentes em poder do conselho.
Conforme o levantamento, naquele ano havia uma média de 6 juízes para cada 100 mil habitantes. Ao todo, eram 15.623 juízes em 2007. Quanto aos processos, havia naquele ano 67,7 milhões de ações em tramitação na Justiça brasileira. Os gastos somaram R$ 29,2 bilhões, não contabilizado o que foi consumido com os tribunais superiores.
Mendes também informou que há uma grande taxa de congestionamento no Judiciário. Segundo o levantamento, 74% das ações que tramitavam na Justiça estadual em 2007 não foram julgadas. Ou seja, de cada 100 processos em tramitação, 74 não foram julgados no ano.
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
O corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, cobrou ontem choque de gestão e vontade política para resolver problemas de administração do Judiciário que causam demora na tramitação dos processos. Segundo ele, os recursos "são insuficientes e acabam administrados para regalias de desembargadores e servidores e para prédios desnecessários".
Dipp observou que há tribunais com toda infraestrutura, enquanto a primeira instância enfrenta dificuldades para funcionamento. "Falta ação das corregedorias de Justiça dos Estados. Há tribunais perfeitamente aparelhados e não funcionando, enquanto a primeira instância está abandonada", ressaltou. "Os recursos são mal aplicados e mal distribuídos."
Para o corregedor, é necessário eleger prioridades. Ele disse que não estava fazendo críticas, mas apenas constatações. Recentemente, Dipp fez inspeções em vários Estados. Ele afirmou que existem gabinetes de desembargadores com excesso de servidores, enquanto juízes de primeira instância não têm funcionários e material para o trabalho. "Isso faz com que o juiz, que também deveria ser mais proativo, de certa forma se sinta mais descompromissado a ter uma atuação mais ágil em face das carências encontradas", observou. E acrescentou que há corporativismo.
Dipp deu as declarações numa entrevista coletiva concedida ontem pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e outros integrantes do CNJ. Na entrevista, Mendes falou sobre as metas do CNJ para este ano e apresentou os números do Judiciário relativos a 2007, os mais recentes em poder do conselho.
Conforme o levantamento, naquele ano havia uma média de 6 juízes para cada 100 mil habitantes. Ao todo, eram 15.623 juízes em 2007. Quanto aos processos, havia naquele ano 67,7 milhões de ações em tramitação na Justiça brasileira. Os gastos somaram R$ 29,2 bilhões, não contabilizado o que foi consumido com os tribunais superiores.
Mendes também informou que há uma grande taxa de congestionamento no Judiciário. Segundo o levantamento, 74% das ações que tramitavam na Justiça estadual em 2007 não foram julgadas. Ou seja, de cada 100 processos em tramitação, 74 não foram julgados no ano.
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
De onde vem tanto dinheiro?
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - George W. Bush entregou perto de 800 bilhões de dólares às empresas quase falidas dos Estados Unidos, agora Barack Obama faz o mesmo para enfrentar a crise. Pelas contas do pessoal especializado, perto de dois trilhões estão sendo canalizados para a economia americana cobrir o rombo aberto pela incúria, a especulação e a ambição de suas elites empresariais.
Aqui, dentro de nossas proporções, acontece o mesmo. O presidente Lula autorizou o BNDES a liberar 100 bilhões de reais para bancos e empresas em dificuldades, na tentativa por enquanto malograda de evitar demissões em massa que, tanto quanto lá em cima, já começaram. O Banco Central acaba de disponibilizar 20 bilhões de dólares de nossas reservas lá fora para ajudar empresas brasileiras de exportação com falta de crédito.
Não se questionará o papel do poder público que, nessas horas, deve bancar o bombeiro, apagando fogueiras capazes de queimar quem nada teve a ver com a lambança.
A surpresa, porém, refere-se a esse imensurável monte de dinheiro que, da noite para o dia, vai aparecendo no planeta inteiro. Tirado de onde? Escondido em que cofre? Enterrado em que ilha deserta? Já existia e ninguém lembrou-se de utilizá-lo para resolver imensos problemas sociais? Aqui no Brasil, quantos empregos poderiam ter sido gerados antes da crise com essa fábula agora posta à disposição dos imprevidentes? Quantas escolas, hospitais, ferrovias e tudo o mais se materializariam com 100 bilhões de reais?
São dessas coisas que nós, leigos, não entendemos, apesar dos sorrisos de superioridade expostos nos lábios da tecnocracia posta a serviço das elites. .
Imprevidência
É claro que anda chovendo demais. São coisas da natureza, com as quais precisamos conviver. Se os rios avolumam-se e invadem as margens, haverá muito pouco que fazer senão esperar a volta das águas aos leitos naturais.
Não dá para aceitar, no entanto, que nas cidades grandes e pequenas aconteça o que vem acontecendo agora por imprevidência de seguidas administrações. Porque, de repente, verificamos que os sistemas de escoamento não funcionam. Pelo contrário, entupiram. Há quantas décadas não se investe em galerias pluviais no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e quantas outras capitais?
Nem ao menos foi preservado o que já existia, quanto mais se deixou de fazer o que deveria ser feito? O resultado aí está. Obras embaixo da terra não dão votos...
Vão matar os velhinhos?
Bastou o governo anunciar que no País, hoje, existem 14 milhões e 500 mil cidadãos com mais de sessenta e seis anos de idade para iniciar-se, em certas elites, nova campanha pela reforma da Previdência Social. Reforma, não: massacre, porque a proposta é obrigatoriamente nivelar os aposentados por baixo. Pretendem que todo mundo só receba o salário mínimo, mesmo a maioria que faz jus a aposentadorias maiores, por terem descontado bem mais em seus salários, durante décadas. Sempre existirão aqueles à margem desse mínimo denominador comum, as chamadas carreiras de estado, os marajás, por coincidência ou não os que mais clamam pela redução.
Nos tempos do sociólogo, conseguiram impor ao Congresso o tal fator previdenciário, que ano a ano reduz o valor das aposentadorias superiores ao salário mínimo. Agora, organizam-se para que a Câmara engavete projeto já aprovado no Senado, dando a todos os aposentados o percentual dado ao mínimo. Mas querem mais, ou seja, substituir a Previdência Pública pela privada. Até literalmente. Quem quiser sobreviver na velhice que contribua ainda mais um pouquinho para a farra dos bancos e das seguradoras.
Haveria solução mais fácil: encontrar o anti-Herodes, aquele que em vez de matar os bebês, disponha-se a matar os velhinhos...
O trem pagador
Milton Campos era governador de Minas quando eclodiu, em Governador Valadares, intensa greve dos ferroviários, com a ocupação dos pátios, depredações e saques ao comércio local. O saudoso governador reuniu o secretariado, para exame da situação. Levantou-se o comandante da Polícia Militar, anunciando haver preparado um trem especial com dois batalhões de soldados fortemente armados para debelar a manifestação à bala, se fosse preciso.
O dr. Milton indagou a causa da greve e obteve a resposta: os ferroviários estavam com os salários atrasados, há três meses não recebiam. E a solução: "Não será melhor mandar um trem pagador?"
A história se conta a propósito das demissões em massa na indústria, que continuam acontecendo apesar do socorro monetário dado às empresas pelo governo. Não seria melhor um trem direto, sem escalas, dos cofres públicos para as folhas de pagamento, sem manipulação, intermediários e comissões? Pelo menos, não haveria dinheiro desviado ou jogado fora...
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - George W. Bush entregou perto de 800 bilhões de dólares às empresas quase falidas dos Estados Unidos, agora Barack Obama faz o mesmo para enfrentar a crise. Pelas contas do pessoal especializado, perto de dois trilhões estão sendo canalizados para a economia americana cobrir o rombo aberto pela incúria, a especulação e a ambição de suas elites empresariais.
Aqui, dentro de nossas proporções, acontece o mesmo. O presidente Lula autorizou o BNDES a liberar 100 bilhões de reais para bancos e empresas em dificuldades, na tentativa por enquanto malograda de evitar demissões em massa que, tanto quanto lá em cima, já começaram. O Banco Central acaba de disponibilizar 20 bilhões de dólares de nossas reservas lá fora para ajudar empresas brasileiras de exportação com falta de crédito.
Não se questionará o papel do poder público que, nessas horas, deve bancar o bombeiro, apagando fogueiras capazes de queimar quem nada teve a ver com a lambança.
A surpresa, porém, refere-se a esse imensurável monte de dinheiro que, da noite para o dia, vai aparecendo no planeta inteiro. Tirado de onde? Escondido em que cofre? Enterrado em que ilha deserta? Já existia e ninguém lembrou-se de utilizá-lo para resolver imensos problemas sociais? Aqui no Brasil, quantos empregos poderiam ter sido gerados antes da crise com essa fábula agora posta à disposição dos imprevidentes? Quantas escolas, hospitais, ferrovias e tudo o mais se materializariam com 100 bilhões de reais?
São dessas coisas que nós, leigos, não entendemos, apesar dos sorrisos de superioridade expostos nos lábios da tecnocracia posta a serviço das elites. .
Imprevidência
É claro que anda chovendo demais. São coisas da natureza, com as quais precisamos conviver. Se os rios avolumam-se e invadem as margens, haverá muito pouco que fazer senão esperar a volta das águas aos leitos naturais.
Não dá para aceitar, no entanto, que nas cidades grandes e pequenas aconteça o que vem acontecendo agora por imprevidência de seguidas administrações. Porque, de repente, verificamos que os sistemas de escoamento não funcionam. Pelo contrário, entupiram. Há quantas décadas não se investe em galerias pluviais no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e quantas outras capitais?
Nem ao menos foi preservado o que já existia, quanto mais se deixou de fazer o que deveria ser feito? O resultado aí está. Obras embaixo da terra não dão votos...
Vão matar os velhinhos?
Bastou o governo anunciar que no País, hoje, existem 14 milhões e 500 mil cidadãos com mais de sessenta e seis anos de idade para iniciar-se, em certas elites, nova campanha pela reforma da Previdência Social. Reforma, não: massacre, porque a proposta é obrigatoriamente nivelar os aposentados por baixo. Pretendem que todo mundo só receba o salário mínimo, mesmo a maioria que faz jus a aposentadorias maiores, por terem descontado bem mais em seus salários, durante décadas. Sempre existirão aqueles à margem desse mínimo denominador comum, as chamadas carreiras de estado, os marajás, por coincidência ou não os que mais clamam pela redução.
Nos tempos do sociólogo, conseguiram impor ao Congresso o tal fator previdenciário, que ano a ano reduz o valor das aposentadorias superiores ao salário mínimo. Agora, organizam-se para que a Câmara engavete projeto já aprovado no Senado, dando a todos os aposentados o percentual dado ao mínimo. Mas querem mais, ou seja, substituir a Previdência Pública pela privada. Até literalmente. Quem quiser sobreviver na velhice que contribua ainda mais um pouquinho para a farra dos bancos e das seguradoras.
Haveria solução mais fácil: encontrar o anti-Herodes, aquele que em vez de matar os bebês, disponha-se a matar os velhinhos...
O trem pagador
Milton Campos era governador de Minas quando eclodiu, em Governador Valadares, intensa greve dos ferroviários, com a ocupação dos pátios, depredações e saques ao comércio local. O saudoso governador reuniu o secretariado, para exame da situação. Levantou-se o comandante da Polícia Militar, anunciando haver preparado um trem especial com dois batalhões de soldados fortemente armados para debelar a manifestação à bala, se fosse preciso.
O dr. Milton indagou a causa da greve e obteve a resposta: os ferroviários estavam com os salários atrasados, há três meses não recebiam. E a solução: "Não será melhor mandar um trem pagador?"
A história se conta a propósito das demissões em massa na indústria, que continuam acontecendo apesar do socorro monetário dado às empresas pelo governo. Não seria melhor um trem direto, sem escalas, dos cofres públicos para as folhas de pagamento, sem manipulação, intermediários e comissões? Pelo menos, não haveria dinheiro desviado ou jogado fora...
Fonte: Tribuna da Imprensa
Crise moral
Por: Marcelo Copelli
A crise moral que assola a política brasileira traz intrínseca a necessidade imperativa de se repensar tudo que aí está. Enquanto a sociedade reclama de seus representantes, se evidencia a culpa e a responsabilidade que a mesma tem sobre toda a realidade. Afinal, os legisladores são eleitos pelos cidadãos. Evidentemente, o eleitor age com boa fé, a princípio. Entretanto, basta dar uma olhada nas bancadas para perceber que tem muita gente que já deu provas de sobra para qual time joga, e continua levando a todos no bico.
Ingenuidade tem limite. Quantos já não "ressuscitaram" das cinzas e, hoje, continuam fazendo e acontecendo? Apesar de a população ser crítica, é passiva. Até demais, certas horas. Com muita propriedade, a respeito do último bundalelê, o senador Pedro Simon afirmou que "o PMDB não é mais corrupto que o PT ou o PSDB".
Não é uma mera questão pontual ou partidária. A coisa é que nem endemia. Sem combate, só se alastra. Não tem mensalão, dinheiro na cueca ou mal uso da verba pública, nada dá jeito no que anda torto. Os "caras" lá de cima enterram um escândalo com outro pior e assim vão levando. Nada mais parece ser grande o suficiente para fazer alguém se mexer.
Não basta dizer que a coisa anda mal. É preciso dar nomes, apontar os fatos, deixar claro publicamente e punir com rigor máximo. Sem perdão. Até quando as liminares, as medidas de efeito suspensivo, os recursos e outros artifícios e brechas jurídicas irão garantir a pouca vergonha? O sistema precisa ser revisto. E quando começar, apostem, já será com anos de atraso.
Feriados
Convencido de que o calendário do estado já possui muitos feriados, o deputado João Pedro (DEM) apresentou na Assembleia Legislativa do Rio o projeto de lei que determina que a criação de novas datas comemorativas para homenagear pessoas, santos, profissões e outros temas não implicará na decretação de feriados. O texto foi aprovado na última quinta-feira, em segunda discussão, e seguirá para a sanção do governador Sérgio Cabral.
"Farra"
"Se trata de uma medida em prol do comércio no Estado do Rio de Janeiro, que não aguenta mais feriados", disse o democrata, acrescentando não ver problemas nos projetos que instituem datas comemorativas. "Mas, com feriado para quê? É preciso dar um voto em confiança ao comércio do Rio (...) e acabar com a farra de feriados no nosso estado", destacou. O governador terá o prazo de 15 dias úteis para sancionar ou vetar a norma.
Mal na foto
Nem bem esquentaram os tamborins este ano e dezenas de estrangeiros já tiveram o gostinho amargo de ver o outro lado da Cidade Maravilhosa. Mais de 70 turistas assaltados nos últimos dias. E isso porque foi anunciado um reforço no policiamento das áreas turísticas. Conversa fiada? De que adianta o governador viajar tanto com a justificativa de tentar "vender" uma boa imagem do Rio lá fora, se em tão pouco tempo, o filme fica para lá de queimado?
Declaração
Quem tentou, ontem, remediar a situação foi o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ao entregar as chaves da cidade para o Rei Momo Mílton Júnior. Durante a cerimônia, no Forte de Copacabana, o peemedebista com um colar de havaiana e ramo de arruda nas mãos, posou com uma humilde plaquinha onde podia ser lido, "eu amo turistas". Vai acabar aparecendo bandido reclamando a autoria da frase.
Sem medo
Paes lamentou o ocorrido, mas disse que isso poderia ter acontecido em qualquer outra metrópole. "Aproveitem (...) a cidade está pronta para receber vocês. Infelizmente temos incidentes, que também acontecem em cidades do mundo todo (...) não tenham medo e venham curtir", disse o prefeito. Tá bom., se a galera deixar...
"Abacaxi"
Por fim, na descontração, quase que o gestor mela tudo ao cutucar o soberano da festa. "Nos próximos dias, as minhas responsabilidades em relação às questões da Cidade estão todas delegadas ao Rei Momo. Portanto, se algum caminhão da Comlurb virar no Túnel Rebouças e houver necessidade de um plano de contingência para desviar o trânsito, procurem por ele", afirmou. Mílton deve ter pensado dez vezes antes de aceitar a incumbência. O abacaxi é enorme. Nem na brincadeira.
Produtividade zero
Muita gente diz que o ano só começa após o Carnaval. O Senado parece ter levado a sério a idéia. Apesar da Casa ter voltado do recesso no último dia 2, lamentavelmente, os senadores fecharam a última semana registrando a mais completa e absoluta improdutividade. Nada, pasmem, foi votado em plenário. Na última quarta-feira, a maioria dos políticos já mergulhava em confetes e serpentinas. Trabalho, que nada.
Prejuízo
Agora, com o bloquinho na mão e o lenço para enxugar as lágrimas de sangue. Mesmo não tendo dito a que vieram, os 81 senadores receberão o polpudo salário do mês, de R$ 16,5 mil, além da tão comentada verba indenizatória. Mais R$ 15 mil por cabeça. Prejuízo, só falando assim, de mais de R$ 2 milhões de reais. É o dinheiro do cidadão gasto inutilmente.
Pé atrás
Neste domingo, Neguinho da Beija-Flor irá oficializar sua união com Elaine Reis, mãe de sua filha de cinco meses, antes do desfle da azul e branco, em plena avenida, tendo o presidente Lula e sua mulher, dona Marisa, como padrinhos. O cantor que tem se mostrado um guerreiro nem dá bola para o disse-me-disse. Mas alguns amigos andam com um pé atrás com a escolha.
Padrinho
O receio tem sua razão de ser. O presidente já tem a fama de ser um baita pé gelado. Depois da notícia de que a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT-SP) se separou do franco-argentino Luiz Favre após anos de união, tem gente garantindo que levará tudo quanto é amuleto para afastar possíveis urucas durante o casamento de Neguinho. Adivinhem quem foi o padrinho de Marta na cerimônia civil em 2003? Um doce para quem acertar.
Fonte: Tribuna da Imprensa
A crise moral que assola a política brasileira traz intrínseca a necessidade imperativa de se repensar tudo que aí está. Enquanto a sociedade reclama de seus representantes, se evidencia a culpa e a responsabilidade que a mesma tem sobre toda a realidade. Afinal, os legisladores são eleitos pelos cidadãos. Evidentemente, o eleitor age com boa fé, a princípio. Entretanto, basta dar uma olhada nas bancadas para perceber que tem muita gente que já deu provas de sobra para qual time joga, e continua levando a todos no bico.
Ingenuidade tem limite. Quantos já não "ressuscitaram" das cinzas e, hoje, continuam fazendo e acontecendo? Apesar de a população ser crítica, é passiva. Até demais, certas horas. Com muita propriedade, a respeito do último bundalelê, o senador Pedro Simon afirmou que "o PMDB não é mais corrupto que o PT ou o PSDB".
Não é uma mera questão pontual ou partidária. A coisa é que nem endemia. Sem combate, só se alastra. Não tem mensalão, dinheiro na cueca ou mal uso da verba pública, nada dá jeito no que anda torto. Os "caras" lá de cima enterram um escândalo com outro pior e assim vão levando. Nada mais parece ser grande o suficiente para fazer alguém se mexer.
Não basta dizer que a coisa anda mal. É preciso dar nomes, apontar os fatos, deixar claro publicamente e punir com rigor máximo. Sem perdão. Até quando as liminares, as medidas de efeito suspensivo, os recursos e outros artifícios e brechas jurídicas irão garantir a pouca vergonha? O sistema precisa ser revisto. E quando começar, apostem, já será com anos de atraso.
Feriados
Convencido de que o calendário do estado já possui muitos feriados, o deputado João Pedro (DEM) apresentou na Assembleia Legislativa do Rio o projeto de lei que determina que a criação de novas datas comemorativas para homenagear pessoas, santos, profissões e outros temas não implicará na decretação de feriados. O texto foi aprovado na última quinta-feira, em segunda discussão, e seguirá para a sanção do governador Sérgio Cabral.
"Farra"
"Se trata de uma medida em prol do comércio no Estado do Rio de Janeiro, que não aguenta mais feriados", disse o democrata, acrescentando não ver problemas nos projetos que instituem datas comemorativas. "Mas, com feriado para quê? É preciso dar um voto em confiança ao comércio do Rio (...) e acabar com a farra de feriados no nosso estado", destacou. O governador terá o prazo de 15 dias úteis para sancionar ou vetar a norma.
Mal na foto
Nem bem esquentaram os tamborins este ano e dezenas de estrangeiros já tiveram o gostinho amargo de ver o outro lado da Cidade Maravilhosa. Mais de 70 turistas assaltados nos últimos dias. E isso porque foi anunciado um reforço no policiamento das áreas turísticas. Conversa fiada? De que adianta o governador viajar tanto com a justificativa de tentar "vender" uma boa imagem do Rio lá fora, se em tão pouco tempo, o filme fica para lá de queimado?
Declaração
Quem tentou, ontem, remediar a situação foi o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ao entregar as chaves da cidade para o Rei Momo Mílton Júnior. Durante a cerimônia, no Forte de Copacabana, o peemedebista com um colar de havaiana e ramo de arruda nas mãos, posou com uma humilde plaquinha onde podia ser lido, "eu amo turistas". Vai acabar aparecendo bandido reclamando a autoria da frase.
Sem medo
Paes lamentou o ocorrido, mas disse que isso poderia ter acontecido em qualquer outra metrópole. "Aproveitem (...) a cidade está pronta para receber vocês. Infelizmente temos incidentes, que também acontecem em cidades do mundo todo (...) não tenham medo e venham curtir", disse o prefeito. Tá bom., se a galera deixar...
"Abacaxi"
Por fim, na descontração, quase que o gestor mela tudo ao cutucar o soberano da festa. "Nos próximos dias, as minhas responsabilidades em relação às questões da Cidade estão todas delegadas ao Rei Momo. Portanto, se algum caminhão da Comlurb virar no Túnel Rebouças e houver necessidade de um plano de contingência para desviar o trânsito, procurem por ele", afirmou. Mílton deve ter pensado dez vezes antes de aceitar a incumbência. O abacaxi é enorme. Nem na brincadeira.
Produtividade zero
Muita gente diz que o ano só começa após o Carnaval. O Senado parece ter levado a sério a idéia. Apesar da Casa ter voltado do recesso no último dia 2, lamentavelmente, os senadores fecharam a última semana registrando a mais completa e absoluta improdutividade. Nada, pasmem, foi votado em plenário. Na última quarta-feira, a maioria dos políticos já mergulhava em confetes e serpentinas. Trabalho, que nada.
Prejuízo
Agora, com o bloquinho na mão e o lenço para enxugar as lágrimas de sangue. Mesmo não tendo dito a que vieram, os 81 senadores receberão o polpudo salário do mês, de R$ 16,5 mil, além da tão comentada verba indenizatória. Mais R$ 15 mil por cabeça. Prejuízo, só falando assim, de mais de R$ 2 milhões de reais. É o dinheiro do cidadão gasto inutilmente.
Pé atrás
Neste domingo, Neguinho da Beija-Flor irá oficializar sua união com Elaine Reis, mãe de sua filha de cinco meses, antes do desfle da azul e branco, em plena avenida, tendo o presidente Lula e sua mulher, dona Marisa, como padrinhos. O cantor que tem se mostrado um guerreiro nem dá bola para o disse-me-disse. Mas alguns amigos andam com um pé atrás com a escolha.
Padrinho
O receio tem sua razão de ser. O presidente já tem a fama de ser um baita pé gelado. Depois da notícia de que a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT-SP) se separou do franco-argentino Luiz Favre após anos de união, tem gente garantindo que levará tudo quanto é amuleto para afastar possíveis urucas durante o casamento de Neguinho. Adivinhem quem foi o padrinho de Marta na cerimônia civil em 2003? Um doce para quem acertar.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Ex-deputado Sérgio Naya morre vítima de enfarte
O ex-deputado Sérgio Naya foi encontrado morto, por volta das 16 horas de ontem, num quarto do hotel Jardim Atlântico, em Ilhéus, na Bahia, onde pretendia passar o feriado de Carnaval. Segundo o médico chamado para atendê-lo, a provável causa da morte foi um enfarte.
Naya morreu dois dias antes de completar 11 anos da queda do edifício Palace 2, que deixou oito mortos e mais de 2 mil desabrigados. Ele era dono da construtora Sersan (Sociedade de Terraplenagem Construção Civil e Agropecuária Ltda.), responsável por erguer o prédio de classe média na Barra da Tijuca, área nobre da Zona Oeste do Rio.
O ex-deputado foi denunciado pelo Mistério Público Estadual por desabamento doloso (com intenção), mas não foi condenado. Um laudo pericial mostrou que houve erro de cálculo no projeto do prédio, portanto, não poderia haver dolo. Naya, no entanto, foi condenado na esfera civil a pagar indenização a todas as famílias. Durante o processo, ele chegou a passar 137 dias na prisão em duas ocasiões diferentes (28 dias pelo desabamento e 109 por falsificação de documento público).
Era domingo de Carnaval, quando os moradores que estavam em casa ouviram um estrondo. Constataram que havia rachaduras em um dos pilares do prédio, chamaram a Defesa Civil e o Palace 2 foi interditado. Pouco depois, parte do prédio que ainda estava sendo evacuado ruiu matando oito pessoas. Quatro dias depois, outra coluna também desabou. No dia 28 de fevereiro a prefeitura implodiu o edifício.
O prédio, que ficou pronto em 1996, nunca recebeu o habite-se da prefeitura por causa das diversas irregularidades na conclusão da obra. Com a implosão do Palace2, 52 famílias que não tinham para onde ir foram instaladas no Hotel Atlântico Sul, no Recreio (Zona Oeste). Hoje, pelo menos seis famílias continuam lá.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Naya morreu dois dias antes de completar 11 anos da queda do edifício Palace 2, que deixou oito mortos e mais de 2 mil desabrigados. Ele era dono da construtora Sersan (Sociedade de Terraplenagem Construção Civil e Agropecuária Ltda.), responsável por erguer o prédio de classe média na Barra da Tijuca, área nobre da Zona Oeste do Rio.
O ex-deputado foi denunciado pelo Mistério Público Estadual por desabamento doloso (com intenção), mas não foi condenado. Um laudo pericial mostrou que houve erro de cálculo no projeto do prédio, portanto, não poderia haver dolo. Naya, no entanto, foi condenado na esfera civil a pagar indenização a todas as famílias. Durante o processo, ele chegou a passar 137 dias na prisão em duas ocasiões diferentes (28 dias pelo desabamento e 109 por falsificação de documento público).
Era domingo de Carnaval, quando os moradores que estavam em casa ouviram um estrondo. Constataram que havia rachaduras em um dos pilares do prédio, chamaram a Defesa Civil e o Palace 2 foi interditado. Pouco depois, parte do prédio que ainda estava sendo evacuado ruiu matando oito pessoas. Quatro dias depois, outra coluna também desabou. No dia 28 de fevereiro a prefeitura implodiu o edifício.
O prédio, que ficou pronto em 1996, nunca recebeu o habite-se da prefeitura por causa das diversas irregularidades na conclusão da obra. Com a implosão do Palace2, 52 famílias que não tinham para onde ir foram instaladas no Hotel Atlântico Sul, no Recreio (Zona Oeste). Hoje, pelo menos seis famílias continuam lá.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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