Ana Paula Scinocca e Cida Fontes
Depois de atacar o PMDB, o senador peemedebista Jarbas Vasconcelos (PE) mirou o Planalto. Ontem, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser conivente com a corrupção, que, segundo ele, está impregnada em todos os partidos, "sobretudo no PMDB". "Não é de hoje que o PMDB tem sido corrupto. Mas o Lula tem sido conivente com a corrupção. Lula e o PT não inventaram a corrupção, mas ela tem sido a marca do governo dele. É o governo do toma-lá-dá-cá", acusou.
Ao reforçar os ataques a seu partido, Jarbas afirmou que a corrupção aumentou no PMDB na última década. "O descaminho é de dez anos para cá. O que tem motivado o gigantismo do PMDB é o fisiologismo."
Jarbas falou, também, da reação dos peemedebistas. "A única pessoa do PMDB que me ligou foi o Quércia, com quem tenho uma boa relação. Ele apenas classificou como dura minhas críticas a Sarney, mas subscreveu o resto", disse.
Apesar de insistir nas denúncias, ele se recusou a apontar os peemedebistas que praticam irregularidades. "Todo mundo sabe da corrupção do PMDB. Estou combatendo práticas, não vou ficar puxando listas. Seria muito volumoso. Para que isso seja investigado, deve haver uma pressão. Não sou eu quem vai comandar esse processo, eu apenas abri o debate dando o pontapé inicial", disse.
Em seguida, indicou ter mais munição. "Não quero citar ninguém por enquanto. Eu tenho de ter o mínimo de estratégia. Quem entra num processo desse, como eu entrei, não entra de modo inocente."
Apesar das reações internas no PMDB, Jarbas duvida que vá sofrer punição rígida do partido. "Não acredito em expulsão. Pode ser que tenha um processo, mas as pessoas (corruptas) têm perfil conhecido. Não retiro nada do que disse, quem quiser processar, procure o conselho de ética do partido."
PROVOCAÇÃO
O senador negou que tenha reforçado as críticas contra o partido para provocar a sua expulsão, apesar de admitir que a posição dentro do PMDB é de "alto desconforto". "Isso é ridículo. Não vou sair do PMDB. Só admito sair se for pela via da reforma política", prosseguiu.
Na mesma linha, Jarbas procurou desvincular a sua atitude com a eventual candidatura como vice-presidente na chapa do tucano José Serra (SP), governador de São Paulo, na eleição para o Planalto em 2010. "Meu candidato é Serra, mas não quero ser vice. Não tenho condições, mesmo porque não vou sair do PMDB", insistiu.
Jarbas não acredita que o PMDB vá lançar candidato próprio à sucessão de Lula. "O PMDB é uma confederação de interesses regionais. Não tem uma liderança nacional para disputar, não tem um líder para empolgar o partido."
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
terça-feira, fevereiro 17, 2009
A corrupção vista de dentro
Editorial
Desde que, em junho de 2005, o então deputado Roberto Jefferson, do PTB do Rio de Janeiro, denunciou a compra sistemática de parlamentares para servir ao governo Lula - no esquema que entraria para a história com o sugestivo nome de "mensalão" - não se via um político apresentar um libelo tão devastador sobre o comportamento dominante entre os seus pares como a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco, à revista Veja. Com uma agravante que ofusca: aos 66 anos, duas vezes governador do seu Estado, com quatro décadas de atividade política sem prontuário, um dos fundadores do partido que viria a liderar a campanha pela redemocratização do País, sob a sigla MDB, Jarbas Vasconcelos não é Roberto Jefferson, nem no retrospecto nem nas motivações por trás das iniciativas de cada qual de falar à imprensa.
Nem no quesito novidade. Por vingança, o petebista abriu para o público uma armação compartilhada pelos beneficiários, operadores e inspiradores do suborno de deputados, para que facilitassem o controle do Planalto sobre a Câmara e garantissem a aprovação dos projetos do governo; mudando de partido conforme a conveniência do lulismo e votando com a consciência da paga recebida e a expectativa de novas remunerações. Já o que o peemedebista acabou de fazer, por desalento, foi endossar, com a autoridade do seu perfil e da experiência no ramo, o que a sociedade sabe, ou pelo menos intui, sobre os costumes políticos de parcela dos seus representantes, as razões inconfessas que os levam à política e a sua insensibilidade moral à toda prova.
Embora sem citar casos concretos - salvo o escândalo que envolveu o senador Renan Calheiros -, ele se concentrou nas mazelas do seu partido, indo além da obviedade de que, sem bandeiras, propostas ou rumos, o PMDB é uma confederação de líderes regionais, todos com os seus próprios interesses, dos quais "mais de 90% praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos". Na passagem mais esclarecedora de sua entrevista, Vasconcelos explica que, para alguns, os cargos servem como instrumento de prestígio político. Mas a maioria "se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral". E arremata: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção." Mal não lhe fez. O maior partido nacional elegeu 7 governadores, 20 senadores, 96 deputados federais e 1.202 prefeitos. Tem 7 ministros, acaba de conquistar o comando do Congresso e é cortejado pelo PT e o PSDB para a sucessão de Lula.
Outro senador e ex-governador que ajudou a criar o velho MDB, o gaúcho Pedro Simon, acrescenta uma dose de desesperança às denúncias do colega. "Acontecem essas mesmas coisas com os outros partidos. Alguns têm mais corrupção que outros porque são maiores." A "geleia geral" de que fala Simon é decerto indissociável, por exemplo, do processo "tortuoso e constrangedor", como o descreve o pernambucano, da eleição de Sarney para a presidência do Senado, onde "o nível dos debates é inversamente proporcional à preocupação com as benesses". Segundo Vasconcelos, foi "um completo retrocesso", pois Sarney "não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Vai transformar o Senado em um grande Maranhão".
A amargura de Vasconcelos é especialmente visível quando reflete sobre o entranhamento da corrupção na era Lula. Em 2002, ele defendia o apoio do PMDB ao presidente recém-eleito. Em pouco tempo, mudou de ideia ao perceber que ele "não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética" - embora ressalve que a corrupção "não foi inventada por Lula ou pelo PT". De todo modo, o descompromisso não é sinônimo de indiferença. Longe de lavar as mãos diante dos malfeitos dos políticos, Lula os incentiva, mantendo com o sistema de partidos uma relação essencialmente clientelística - não fosse isso, não teria o apoio de 14 legendas. E é com essa mesma matéria-prima invertebrada que ele pretende construir o suporte político da candidatura Dilma Rousseff.
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
Desde que, em junho de 2005, o então deputado Roberto Jefferson, do PTB do Rio de Janeiro, denunciou a compra sistemática de parlamentares para servir ao governo Lula - no esquema que entraria para a história com o sugestivo nome de "mensalão" - não se via um político apresentar um libelo tão devastador sobre o comportamento dominante entre os seus pares como a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB de Pernambuco, à revista Veja. Com uma agravante que ofusca: aos 66 anos, duas vezes governador do seu Estado, com quatro décadas de atividade política sem prontuário, um dos fundadores do partido que viria a liderar a campanha pela redemocratização do País, sob a sigla MDB, Jarbas Vasconcelos não é Roberto Jefferson, nem no retrospecto nem nas motivações por trás das iniciativas de cada qual de falar à imprensa.
Nem no quesito novidade. Por vingança, o petebista abriu para o público uma armação compartilhada pelos beneficiários, operadores e inspiradores do suborno de deputados, para que facilitassem o controle do Planalto sobre a Câmara e garantissem a aprovação dos projetos do governo; mudando de partido conforme a conveniência do lulismo e votando com a consciência da paga recebida e a expectativa de novas remunerações. Já o que o peemedebista acabou de fazer, por desalento, foi endossar, com a autoridade do seu perfil e da experiência no ramo, o que a sociedade sabe, ou pelo menos intui, sobre os costumes políticos de parcela dos seus representantes, as razões inconfessas que os levam à política e a sua insensibilidade moral à toda prova.
Embora sem citar casos concretos - salvo o escândalo que envolveu o senador Renan Calheiros -, ele se concentrou nas mazelas do seu partido, indo além da obviedade de que, sem bandeiras, propostas ou rumos, o PMDB é uma confederação de líderes regionais, todos com os seus próprios interesses, dos quais "mais de 90% praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos". Na passagem mais esclarecedora de sua entrevista, Vasconcelos explica que, para alguns, os cargos servem como instrumento de prestígio político. Mas a maioria "se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral". E arremata: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção." Mal não lhe fez. O maior partido nacional elegeu 7 governadores, 20 senadores, 96 deputados federais e 1.202 prefeitos. Tem 7 ministros, acaba de conquistar o comando do Congresso e é cortejado pelo PT e o PSDB para a sucessão de Lula.
Outro senador e ex-governador que ajudou a criar o velho MDB, o gaúcho Pedro Simon, acrescenta uma dose de desesperança às denúncias do colega. "Acontecem essas mesmas coisas com os outros partidos. Alguns têm mais corrupção que outros porque são maiores." A "geleia geral" de que fala Simon é decerto indissociável, por exemplo, do processo "tortuoso e constrangedor", como o descreve o pernambucano, da eleição de Sarney para a presidência do Senado, onde "o nível dos debates é inversamente proporcional à preocupação com as benesses". Segundo Vasconcelos, foi "um completo retrocesso", pois Sarney "não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Vai transformar o Senado em um grande Maranhão".
A amargura de Vasconcelos é especialmente visível quando reflete sobre o entranhamento da corrupção na era Lula. Em 2002, ele defendia o apoio do PMDB ao presidente recém-eleito. Em pouco tempo, mudou de ideia ao perceber que ele "não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética" - embora ressalve que a corrupção "não foi inventada por Lula ou pelo PT". De todo modo, o descompromisso não é sinônimo de indiferença. Longe de lavar as mãos diante dos malfeitos dos políticos, Lula os incentiva, mantendo com o sistema de partidos uma relação essencialmente clientelística - não fosse isso, não teria o apoio de 14 legendas. E é com essa mesma matéria-prima invertebrada que ele pretende construir o suporte político da candidatura Dilma Rousseff.
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
85 candidatos mentiram em declarações, afirma ONG
Claudio Dantas Sequeira
Dos 782 parlamentares que saíram candidatos nas eleições do ano passado, 85 fizeram doações às próprias campanhas que superaram o total de bens declarados à Justiça Eleitoral. Os dados são de levantamento do projeto "Excelências", da Transparência Brasil.
Segundo o diretor-executivo da ONG, Claudio Weber Abramo, os legisladores-candidatos "mentiram". "Ou têm patrimônio maior do que declararam ou o dinheiro que disseram ter doado não era realmente deles", disse. Há quatro deputados federais na lista.
Jô Moraes (PC do B-MG), derrotada para a Prefeitura de Belo Horizonte, declarou R$ 98 mil e doou R$ 143,4 mil para a própria campanha. A deputada afirmou que tinha economias pessoais e pegou empréstimos na Câmara. "Está tudo no meu contracheque." Jô Moraes não precisou se desfazer do apartamento de R$ 80 mil e diz que terminou a campanha com R$ 87,1 mil em dívidas bancárias.
A deputada Bel Mesquita (PMDB-PA) aplicou na própria campanha à Prefeitura de Parauapebas -na qual foi derrotada pelo petista Darci Lermen- R$ 1,18 milhão e declarou em bens R$ 1,07 milhão. A assessoria jurídica da deputada disse que o valor investido na campanha provém da venda de sociedade que possuía em uma empresa. "Ao vender, ela obteve ganho de capital, que foi suficiente para cobrir as despesas de campanha. Isso foi declarado à Receita Federal", afirmou a assessoria.
Já Uldurico Pinto (PMN-BA), que doou R$ 95 mil e declarou possuir R$ 90 mil em bens, disse à reportagem que vendeu um carro de R$ 16 mil e lançou mão de economias. "Retirei minha candidatura [à Prefeitura de Teixeira de Freitas] no meio do caminho por falta de recursos", afirmou.
Roberto Alves (PTB-SP), que disputou vaga de vereador, declarou patrimônio de R$ 3.200 e doações de R$ 4.200. "Esse valor é de salário que eu tinha. Nunca acumulei riqueza na vida de parlamentar."
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
Dos 782 parlamentares que saíram candidatos nas eleições do ano passado, 85 fizeram doações às próprias campanhas que superaram o total de bens declarados à Justiça Eleitoral. Os dados são de levantamento do projeto "Excelências", da Transparência Brasil.
Segundo o diretor-executivo da ONG, Claudio Weber Abramo, os legisladores-candidatos "mentiram". "Ou têm patrimônio maior do que declararam ou o dinheiro que disseram ter doado não era realmente deles", disse. Há quatro deputados federais na lista.
Jô Moraes (PC do B-MG), derrotada para a Prefeitura de Belo Horizonte, declarou R$ 98 mil e doou R$ 143,4 mil para a própria campanha. A deputada afirmou que tinha economias pessoais e pegou empréstimos na Câmara. "Está tudo no meu contracheque." Jô Moraes não precisou se desfazer do apartamento de R$ 80 mil e diz que terminou a campanha com R$ 87,1 mil em dívidas bancárias.
A deputada Bel Mesquita (PMDB-PA) aplicou na própria campanha à Prefeitura de Parauapebas -na qual foi derrotada pelo petista Darci Lermen- R$ 1,18 milhão e declarou em bens R$ 1,07 milhão. A assessoria jurídica da deputada disse que o valor investido na campanha provém da venda de sociedade que possuía em uma empresa. "Ao vender, ela obteve ganho de capital, que foi suficiente para cobrir as despesas de campanha. Isso foi declarado à Receita Federal", afirmou a assessoria.
Já Uldurico Pinto (PMN-BA), que doou R$ 95 mil e declarou possuir R$ 90 mil em bens, disse à reportagem que vendeu um carro de R$ 16 mil e lançou mão de economias. "Retirei minha candidatura [à Prefeitura de Teixeira de Freitas] no meio do caminho por falta de recursos", afirmou.
Roberto Alves (PTB-SP), que disputou vaga de vereador, declarou patrimônio de R$ 3.200 e doações de R$ 4.200. "Esse valor é de salário que eu tinha. Nunca acumulei riqueza na vida de parlamentar."
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
Reajuste para servidor aposentado
Aposentados e pensionistas da área da seguridade social — que inclui a Saúde, Previdência, Assistência Social, Trabalho e Funasa — têm direito a receber a Gratificação de Atividade de Seguridade Social e do Trabalho (GDASST), que é paga a servidores ativos. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é retroativa a 1º de maio de 2004, deve atingir cerca de um terço dos inativos da União e tem tudo para se transformar em um novo esqueleto.
O Ministério do Planejamento e a Advocacia-Geral da União não deram informações sobre a abrangência da decisão do Supremo. Ainda cabe recurso, mas eles serão apenas protelatórios. A assessoria de imprensa do STF explicou que, com a decisão, qualquer ação semelhante que chegar a um tribunal de alçada inferior terá o mesmo acolhimento. Isso significa que quem recorrer à Justiça, ganhará. Com base nos dados disponíveis no site do Planejamento, poderão ser beneficiados cerca de 200 mil aposentados e pensionistas de um total de 613 mil inativos do poder executivo. Por ano, os inativos custam R$ 36 bilhões ao governo. Desse total, R$ 17,5 bilhões vão para o pagamento dos inativos da seguridade social.
A gratificação foi criada pelo governo com a intenção de avaliar o desempenho da categoria. Segundo a Lei 10.483, de 2002, ficou sob a responsabilidade do Poder Executivo estabelecer os critérios e procedimentos específicos para a concessão do benefício que só os servidores em atividade teriam acesso. Só que o Executivo nunca regulamentou a lei, o que possibilitou aos ministros do STF entenderem que a gratificação tem caráter genérico, não podendo ser classificada como de desempenho. Essa foi a justificativa para que seja estendida aos aposentados e pensionistas na mesma proporção paga aos servidores em atividade.
Segundo o STF, a decisão está de acordo com a Emenda Constitucional 41, que determina que os proventos de aposentadorias e pensões devem ser revistos na mesma proporção e na mesma data que a remuneração dos ativos, devendo ser estendidos aos inativos todos os benefícios e vantagens concedidos aos em atividade. Com a decisão do Supremo os inativos deixarão de ter apenas 30 pontos de gratificação e serão igualados aos servidores em atividade, que recebem pelo menos 60 pontos. Cada ponto é convertido em valor pecuniário.
Fonte: Noticias do Direito
O Ministério do Planejamento e a Advocacia-Geral da União não deram informações sobre a abrangência da decisão do Supremo. Ainda cabe recurso, mas eles serão apenas protelatórios. A assessoria de imprensa do STF explicou que, com a decisão, qualquer ação semelhante que chegar a um tribunal de alçada inferior terá o mesmo acolhimento. Isso significa que quem recorrer à Justiça, ganhará. Com base nos dados disponíveis no site do Planejamento, poderão ser beneficiados cerca de 200 mil aposentados e pensionistas de um total de 613 mil inativos do poder executivo. Por ano, os inativos custam R$ 36 bilhões ao governo. Desse total, R$ 17,5 bilhões vão para o pagamento dos inativos da seguridade social.
A gratificação foi criada pelo governo com a intenção de avaliar o desempenho da categoria. Segundo a Lei 10.483, de 2002, ficou sob a responsabilidade do Poder Executivo estabelecer os critérios e procedimentos específicos para a concessão do benefício que só os servidores em atividade teriam acesso. Só que o Executivo nunca regulamentou a lei, o que possibilitou aos ministros do STF entenderem que a gratificação tem caráter genérico, não podendo ser classificada como de desempenho. Essa foi a justificativa para que seja estendida aos aposentados e pensionistas na mesma proporção paga aos servidores em atividade.
Segundo o STF, a decisão está de acordo com a Emenda Constitucional 41, que determina que os proventos de aposentadorias e pensões devem ser revistos na mesma proporção e na mesma data que a remuneração dos ativos, devendo ser estendidos aos inativos todos os benefícios e vantagens concedidos aos em atividade. Com a decisão do Supremo os inativos deixarão de ter apenas 30 pontos de gratificação e serão igualados aos servidores em atividade, que recebem pelo menos 60 pontos. Cada ponto é convertido em valor pecuniário.
Fonte: Noticias do Direito
Assessores minimizam as críticas de Vasconcelos
Assessores do Planalto tentaram amenizar as declarações do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) feitas à Veja desta semana. Em entrevista exclusiva, o peemedebista disse que o governo é "medíocre" e contribui para a "banalização da corrupção". Para auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as críticas foram uma forma de protesto de quem perdeu espaço no partido e não tem voz e nem voto no próprio estado.De acordo com um assessor do presidente consultado pelo jornal O Estado de S. Paulo, a entrevista incomodou o Plantalto. Um dos ministros do governo, que também se manteve no anonimato, disse que Jarbas "meteu os pés pelas mãos" e que agora deverá apontar quem são os corruptos que ele denuncia na legenda. Segundo o jornal, Lula só foi informado das declarações de Vasconcelos na noite de domingo - quase dois dias após a publicação da entrevista.Entre as críticas de Vasconcelos ao governo Lula está a de que o presidente não tem "nenhum compromisso com reformas ou com ética". "O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando", afirmou. Ele também criticou o Bolsa Família, apontado como "o maior programa oficial de compra de votos do mundo". Para o senador, os últimos seis anos foram "perdidos".
Fonte: Veja Online
Fonte: Veja Online
As Catilinárias de Jarbas
As Catilinárias de Jarbas
Josué Maranhão
Visite o blog do Josué - REATIVADO
BOSTON – Não é necessário ter poderes sobrenaturais para concluir que os políticos brasileiros merecem a péssima avaliação que o povo lhes faz. Geralmente recebem, com absoluta correção, as piores classificações. Chega até ao absurdo. Em minha última curta permanência no Brasil escutei uma conversa que me deixou pasmo. Dizia um cidadão que “os políticos brasileiros são piores do que os piores bandidos. Os bandidos, pelo menos, roubam de particulares e ajudam de alguma forma as populações mais pobres, nas favelas. Os políticos roubam dinheiro público e não dividem com ninguém”.De um modo geral, o conceito dos políticos brasileiros é assustadoramente nefasto, calamitoso. Lembrei-me do tema, que não gosto de lembrar, por conta da entrevista de Jarbas Vasconcelos à revista “Veja”, no último final de semana. Neste caso, tenho alguma afinidade com o presidente Lula: ele diz que tem azia quando lê jornais e eu tenho ânsia de vômito, quando falo ou simplesmente penso alguma coisa sobre os políticos brasileiros. Obviamente, não tenho a veleidade de inocentar os políticos de outras nacionalidades. Também têm folhas corridas recheadas de crimes ou atos assemelhados. Mas não tanto quanto os brasileiros. Conheci Jarbas Vasconcelos ainda no início da década de sessenta. Éramos ambos advogados e chegamos a trabalhar juntos, em favor de um mesmo cliente, ele como advogado empregado da empresa e eu como advogado autônomo. Depois, quando eu era juiz, o reencontrei em várias oportunidades, sentados em posições profissionais diferentes na sala de audiências.Não o conheço como político. Nosso último contato pessoal ocorreu quando ele estava se afastando da advocacia, para ingressar na política, há quarenta e tantos anos. De sua vida pessoal nada sei. Ou melhor, apenas li várias vezes que ele tem uma vocação especial para ser namorado de Miss. Acompanho à distância a sua atuação política. Salvo a minha ignorância quanto a fatos ou atos desabonadores, coloco-o entre as raridades: é um dos políticos brasileiros destacáveis da nefasta classificação que o povo dá à categoria. Enfim, está no grupo restrito cujos nomes sequer preenchem todos os dedos de uma só mão. Apesar de correr o risco de omissão, integro-o na trindade quase sagrada, ao lado de Pedro Simon (PMDB-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP). E é só!Na entrevista que vem causando polêmica, Jarbas fez declarações inusitadas, embora algumas revelem verdades incontestáveis. É o que ocorre, por exemplo, quando diz, a respeito da eleição de Zé Sarney, que “é um completo retrocesso” e que ele (Sarney) “vai transformar o Senado em um grande Maranhão”. Ressalvo que se refere ele ao Estado, que pouco conheço, e não ao meu nome de família.Instado a avaliar o Senado, disse: “Sou um dissidente do meu partido. O nível de debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante”. A respeito do celerado Renan Calheiros, não mediu palavras, quando disse que o dito cujo “...é um beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem”. Adiante, revela sua afinidade com a avaliação que o povo faz, dizendo: “A classe política é totalmente medíocre”. Foi incisivo quando falou sobre a banalização dos escândalos políticos, afirmando: “O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas o fato é que o governo Lula contribuiu para essa banalização”. Ainda sobre a tema, disse: “A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema”. A respeito do governo do presidente Lula, tece comentários sobre a infra-estrutura do país, as precárias condições das estradas, dos aeroportos e portos e quanto ao setor elétrico, que diz vir se arrastando. É incisivo quando diz: “O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas só. É um governo medíocre”. Sobre a política externa diz que é “piada de mau gosto”. Um comentário contundente ele faz sobre os recordes de popularidade do presidente Lula : “Ele fez essa opção pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo”. Concluiu, ainda sobre o Bolsa Família, dizendo: “Há um benefício imediato e uma conseqüência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho”. Os comentários mais virulentos ele fez sobre o seu partido, dizendo: “Hoje o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem norte”. Indagado por que o PMDB quer cargos no governo, atacou de frente, afirmando: - “Para fazer negócios, ganhar comissões. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é a corrupção”. Sobre o posicionamento do seu partido, junto aos governos, foi forte: - Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo, mas terá vários gabinetes ao lado. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando...Uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor”. Acompanho os meandros da política no Brasil há bem mais de meio século. No entanto, nunca vi ou li declarações tão incisivas, tão contundentes. Principalmente tendo como alvo mais direto o seu próprio partido. Lembro-me da entrevista de José Américo de Almeida, que ajudou a derrubar a ditadura Vargas, em 1945 e lembro-me dos famosos discursos de Carlos Lacerda contra os governos. Não importava qual era, inclusive não escapavam aqueles que ele havia ajudado a subir, como foi o caso de Jânio Quadros. Parece-me que as pedradas de Jarbas se incorporaram a uma antologia universal, que tem como marco maior as Catilinárias, os famosos discursos de Cícero contra Catilina, no Senado Romano. -
Fonte: Última Instância
Josué Maranhão
Visite o blog do Josué - REATIVADO
BOSTON – Não é necessário ter poderes sobrenaturais para concluir que os políticos brasileiros merecem a péssima avaliação que o povo lhes faz. Geralmente recebem, com absoluta correção, as piores classificações. Chega até ao absurdo. Em minha última curta permanência no Brasil escutei uma conversa que me deixou pasmo. Dizia um cidadão que “os políticos brasileiros são piores do que os piores bandidos. Os bandidos, pelo menos, roubam de particulares e ajudam de alguma forma as populações mais pobres, nas favelas. Os políticos roubam dinheiro público e não dividem com ninguém”.De um modo geral, o conceito dos políticos brasileiros é assustadoramente nefasto, calamitoso. Lembrei-me do tema, que não gosto de lembrar, por conta da entrevista de Jarbas Vasconcelos à revista “Veja”, no último final de semana. Neste caso, tenho alguma afinidade com o presidente Lula: ele diz que tem azia quando lê jornais e eu tenho ânsia de vômito, quando falo ou simplesmente penso alguma coisa sobre os políticos brasileiros. Obviamente, não tenho a veleidade de inocentar os políticos de outras nacionalidades. Também têm folhas corridas recheadas de crimes ou atos assemelhados. Mas não tanto quanto os brasileiros. Conheci Jarbas Vasconcelos ainda no início da década de sessenta. Éramos ambos advogados e chegamos a trabalhar juntos, em favor de um mesmo cliente, ele como advogado empregado da empresa e eu como advogado autônomo. Depois, quando eu era juiz, o reencontrei em várias oportunidades, sentados em posições profissionais diferentes na sala de audiências.Não o conheço como político. Nosso último contato pessoal ocorreu quando ele estava se afastando da advocacia, para ingressar na política, há quarenta e tantos anos. De sua vida pessoal nada sei. Ou melhor, apenas li várias vezes que ele tem uma vocação especial para ser namorado de Miss. Acompanho à distância a sua atuação política. Salvo a minha ignorância quanto a fatos ou atos desabonadores, coloco-o entre as raridades: é um dos políticos brasileiros destacáveis da nefasta classificação que o povo dá à categoria. Enfim, está no grupo restrito cujos nomes sequer preenchem todos os dedos de uma só mão. Apesar de correr o risco de omissão, integro-o na trindade quase sagrada, ao lado de Pedro Simon (PMDB-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP). E é só!Na entrevista que vem causando polêmica, Jarbas fez declarações inusitadas, embora algumas revelem verdades incontestáveis. É o que ocorre, por exemplo, quando diz, a respeito da eleição de Zé Sarney, que “é um completo retrocesso” e que ele (Sarney) “vai transformar o Senado em um grande Maranhão”. Ressalvo que se refere ele ao Estado, que pouco conheço, e não ao meu nome de família.Instado a avaliar o Senado, disse: “Sou um dissidente do meu partido. O nível de debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante”. A respeito do celerado Renan Calheiros, não mediu palavras, quando disse que o dito cujo “...é um beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem”. Adiante, revela sua afinidade com a avaliação que o povo faz, dizendo: “A classe política é totalmente medíocre”. Foi incisivo quando falou sobre a banalização dos escândalos políticos, afirmando: “O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas o fato é que o governo Lula contribuiu para essa banalização”. Ainda sobre a tema, disse: “A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema”. A respeito do governo do presidente Lula, tece comentários sobre a infra-estrutura do país, as precárias condições das estradas, dos aeroportos e portos e quanto ao setor elétrico, que diz vir se arrastando. É incisivo quando diz: “O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas só. É um governo medíocre”. Sobre a política externa diz que é “piada de mau gosto”. Um comentário contundente ele faz sobre os recordes de popularidade do presidente Lula : “Ele fez essa opção pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo”. Concluiu, ainda sobre o Bolsa Família, dizendo: “Há um benefício imediato e uma conseqüência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho”. Os comentários mais virulentos ele fez sobre o seu partido, dizendo: “Hoje o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem norte”. Indagado por que o PMDB quer cargos no governo, atacou de frente, afirmando: - “Para fazer negócios, ganhar comissões. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é a corrupção”. Sobre o posicionamento do seu partido, junto aos governos, foi forte: - Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo, mas terá vários gabinetes ao lado. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando...Uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor”. Acompanho os meandros da política no Brasil há bem mais de meio século. No entanto, nunca vi ou li declarações tão incisivas, tão contundentes. Principalmente tendo como alvo mais direto o seu próprio partido. Lembro-me da entrevista de José Américo de Almeida, que ajudou a derrubar a ditadura Vargas, em 1945 e lembro-me dos famosos discursos de Carlos Lacerda contra os governos. Não importava qual era, inclusive não escapavam aqueles que ele havia ajudado a subir, como foi o caso de Jânio Quadros. Parece-me que as pedradas de Jarbas se incorporaram a uma antologia universal, que tem como marco maior as Catilinárias, os famosos discursos de Cícero contra Catilina, no Senado Romano. -
Fonte: Última Instância
Corrupção nas cidades da Bahia
O escritor, jornalista e ex-deputado estadual (PT) da Bahia, Emiliano José, no artigo intitulado "Corrupção e transparência", publicado no jornal A Tarde (13/02/2009), lembra o ensaio "Transparência", de Olgária Matos: "A claridade é o resultado do esclarecimento e da vitória contra preconceitos e obscurantismos - na ciência, na política, na moral, na cultura. Assim, o hermetismo no conhecimento e o "segredo da informação" na política diminuem seu poder de acesso público às razões da ciência e do Estado".A reflexão sobre a corrupção e transparência foi provocada por um diálogo entre Emiliano José e o prefeito Eudes Paiva, da pequena Boninal, na Chapada Diamantina. "Depois do que ele me relatou, e certamente já informou tudo ao Ministério Público, eu que impunha-se a fundação da institucionalidade municipal. Não existia prefeitura, não existiam contas, os salários de dezembro não estavam pagos, não era possível pagar quaisquer credores por falta absoluta de documentação, serviços de saúde completamente depauperados, educação paralisada. Nada funcionava, nada estava registrado". Pelo menos em 50 cidades da Bahia, os prefeitos que perderam as eleições destruíram os documentos. É uma calamidade.
Leia na íntegra
Fonte: Bahia de Fato
Leia na íntegra
Fonte: Bahia de Fato
ACM Neto, nosso corregedor
Celso Marcondes
A renovação no Congresso Nacional não para. Depois das eleições de Michel Temer e José Sarney para as presidências das duas Casas, agora um jovem assume o cargo de segundo vice-presidente e corregedor da Câmara. Trata-se de ACM Neto, também conhecido na Bahia pelo apelido carinhoso de “Grampinho”. O jovem ACM acabou de completar 30 anos. Sua carreira meteórica começou em 1999, quando tinha apenas 20 aninhos. Foi nomeado assessor na Secretaria da Educação do Estado da Bahia. De lá saiu direto para Brasília, em 2002. Sem escalas na vereança soteropolitana, nem na Assembléia Legislativa. Virou deputado federal quando fez 24. Indicado, claro, pelo PFL, foi o deputado mais votado do estado. Durante sua primeira experiência legislativa aconteceram os grandes escândalos do governo Lula e do Congresso. O jovem ACM, então, foi um dos principais protagonistas da CPI dos Correios. Naqueles tempos, era só ligar a TV que ele estava lá fazendo discurso ou inquirindo ferozmente os depoentes. Diz-se que foi neste período que ganhou o apelido citado acima. Em 2006, foi reeleito para o Congresso Nacional, está, portanto, em seu segundo mandato. Ano passado tentou um vôo solo para a prefeitura de Salvador. Não passou do primeiro turno. No segundo se aliou a João Henrique, candidato do ministro Geddel Vieira e o seu apoio acabou sendo decisivo para a vitória do PMDB contra o candidato petista Walter Pinheiro. Em troca, logo no começo do ano, os “demos” ganharam de presente a presidência da Câmara Municipal. O nome do presidente (interino “pero no mucho”): Paulo Magalhães Junior, que vem a ser primo de ACM Neto. Assim que foi proclamado vitorioso para o cargo de corregedor – por esmagadores 404 votos a 67 em branco – ele recebeu um beijo carinhoso do pai, ACM Júnior – que, como todos sabem, ocupou no Senado a vaga deixada pelo pai, o falecido ACM que começou a estirpe. O neto assume o cargo no lugar do seu colega de partido Edmar Moreira, aquele do castelo de 25 milhões de reais, em Minas, com 7500 metros quadrados, 36 suítes. E adega para oito mil garrafas. Também acusado pela Procuradoria da República em São Paulo de sonegar R$ 244, 79 mil ao Fisco. Assim que assumir, ACM Neto receberá um pedido do PSOL para que investigue possíveis irregularidades cometidas pelo seu antecessor que nem chegou a esquentar a cadeira. Edmar é acusado de usar indevidamente uma verba de R$ 15 mil mensais que cada deputado recebe para suas despesas em seus estados, quando “vão consultar suas bases”. Daí recorro ao velho e bom Aurélio para entender direito o que quer dizer “corregedor”. Leio: “sm magistrado a quem cabe corrigir os erros e abusos de autoridades judiciárias e funcionários da justiça”. Troco “judiciárias” e “da justiça” por “da Câmara dos Deputados” e tudo fica claro. Por fim, leio uma declaração do eleito no Estadão: “Vou agir com isenção, neutralidade, aplicando o regimento interno e o Código de Ética”. Ah, bom. Se ACM Neto disse isso e foi endossado por 407 ilustres deputados, de todos os principais partidos, posso trabalhar traquilo o resto do dia.
Fonte: Carta Capital
A renovação no Congresso Nacional não para. Depois das eleições de Michel Temer e José Sarney para as presidências das duas Casas, agora um jovem assume o cargo de segundo vice-presidente e corregedor da Câmara. Trata-se de ACM Neto, também conhecido na Bahia pelo apelido carinhoso de “Grampinho”. O jovem ACM acabou de completar 30 anos. Sua carreira meteórica começou em 1999, quando tinha apenas 20 aninhos. Foi nomeado assessor na Secretaria da Educação do Estado da Bahia. De lá saiu direto para Brasília, em 2002. Sem escalas na vereança soteropolitana, nem na Assembléia Legislativa. Virou deputado federal quando fez 24. Indicado, claro, pelo PFL, foi o deputado mais votado do estado. Durante sua primeira experiência legislativa aconteceram os grandes escândalos do governo Lula e do Congresso. O jovem ACM, então, foi um dos principais protagonistas da CPI dos Correios. Naqueles tempos, era só ligar a TV que ele estava lá fazendo discurso ou inquirindo ferozmente os depoentes. Diz-se que foi neste período que ganhou o apelido citado acima. Em 2006, foi reeleito para o Congresso Nacional, está, portanto, em seu segundo mandato. Ano passado tentou um vôo solo para a prefeitura de Salvador. Não passou do primeiro turno. No segundo se aliou a João Henrique, candidato do ministro Geddel Vieira e o seu apoio acabou sendo decisivo para a vitória do PMDB contra o candidato petista Walter Pinheiro. Em troca, logo no começo do ano, os “demos” ganharam de presente a presidência da Câmara Municipal. O nome do presidente (interino “pero no mucho”): Paulo Magalhães Junior, que vem a ser primo de ACM Neto. Assim que foi proclamado vitorioso para o cargo de corregedor – por esmagadores 404 votos a 67 em branco – ele recebeu um beijo carinhoso do pai, ACM Júnior – que, como todos sabem, ocupou no Senado a vaga deixada pelo pai, o falecido ACM que começou a estirpe. O neto assume o cargo no lugar do seu colega de partido Edmar Moreira, aquele do castelo de 25 milhões de reais, em Minas, com 7500 metros quadrados, 36 suítes. E adega para oito mil garrafas. Também acusado pela Procuradoria da República em São Paulo de sonegar R$ 244, 79 mil ao Fisco. Assim que assumir, ACM Neto receberá um pedido do PSOL para que investigue possíveis irregularidades cometidas pelo seu antecessor que nem chegou a esquentar a cadeira. Edmar é acusado de usar indevidamente uma verba de R$ 15 mil mensais que cada deputado recebe para suas despesas em seus estados, quando “vão consultar suas bases”. Daí recorro ao velho e bom Aurélio para entender direito o que quer dizer “corregedor”. Leio: “sm magistrado a quem cabe corrigir os erros e abusos de autoridades judiciárias e funcionários da justiça”. Troco “judiciárias” e “da justiça” por “da Câmara dos Deputados” e tudo fica claro. Por fim, leio uma declaração do eleito no Estadão: “Vou agir com isenção, neutralidade, aplicando o regimento interno e o Código de Ética”. Ah, bom. Se ACM Neto disse isso e foi endossado por 407 ilustres deputados, de todos os principais partidos, posso trabalhar traquilo o resto do dia.
Fonte: Carta Capital
"Ele é assim mesmo..."
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Foi barro no ventilador. Sobrou para quase todo mundo, no PMDB e fora dele. A pergunta que se fazia ontem, em Brasília, era a respeito dos motivos que teriam levado o senador Jarbas Vasconcelos a conceder contundente entrevista à revista "Veja".
Posicionar-se como candidato à vice-presidência na chapa de José Serra não foi, porque do jeito como demoliu dirigentes e parlamentares do seu partido não leva ninguém com ele. Reforçar sua candidatura a governador de Pernambuco, também não, pois, ao final de suas declarações, rejeitou a hipótese. Bancar o D. Quixote do sertão quando nem moinhos de vento existem por lá? Vingar-se por haver sido o único voto do PMDB dado a Tião Viana seria inócuo. Aproximar-se do presidente Lula, da mesma forma negativo, pois não poupou o PT e o próprio companheiro-mor, a quem, em suas palavras, faltam compromissos com reformas e com a ética.
Os poucos pernambucanos da intimidade do ex-governador não concluíam. Apenas registravam que "o Jarbas é assim mesmo". Nos tempos do MDB, vivia às turras com o dr. Ulysses e com Tancredo Neves. Irritava-se com os "autênticos", acusando-os de falta de autenticidade. Brigou com Miguel Arraes. Agora mesmo, atropelou Pedro Simon e Mão Santa, senadores do PMDB que mais poderiam aproximar-se dele.
A falta de objetivos visíveis para essa cavalgada solitária não impede a concordância com parte do mérito de suas críticas, mesmo exageradas. No fundo, tem muita gente no PMDB que só pensa em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Existem os especializados na manipulação de licitações, contratações dirigidas e corrupção em geral. Mas nivelar o partido inteiro nessas práticas é demais. Como demais será afirmar que o ex-presidente José Sarney transformará o Senado num grande Maranhão. A equação fica inconclusa pela falta, até hoje, de uma chave capaz de decifrar a cascata de virulências do senador por Pernambuco. Pode ser que não exista nenhuma explicação e que os raros amigos de Jarbas Vasconcelos estejam com a razão: ele é assim mesmo. Igual à natureza, que de quando em quando promove tempestades infernais, alagamentos desproporcionais, erupções, terremotos e tsunamis imensos. Ao PMDB, ao governo, a Sarney e outros atingidos só resta superar os agravos, claro que longe da tentação de expulsar o senador, da mesma forma como a ninguém será dado banir a natureza. Ela é assim mesmo...
Depois do Carnaval
Certo ou errado, a verdade é vai parando tudo, desde já. "Depois do Carnaval" virou chavão não apenas para o serviço público, mas para as atividades empresariais, sindicais, intelectuais, artísticas e outras. Não se atinja apenas o Congresso, face mais visível das instituições, pela inação já iniciada e que se estenderá para além da quarta-feira de cinzas. Aproveitando o mote da nota anterior, vale apenas registrar que "o Brasil é assim mesmo".
A dúvida consiste em saber se entrarão em pauta, na Câmara e no Senado, os polêmicos projetos prometidos por José Sarney e Michel Temer. Ou se o Supremo Tribunal Federal decidirá, em tempo útil, a demarcação da reserva indígena Raposa-Serra do Sol, se mandará ou não para a Itália o terrorista preso por aqui ou se agilizará o processo contra os quarenta ladrões do mensalão. Da mesma forma, se as obras do PAC deixarão os palanques e as medidas destinadas a conter a crise econômica interromperão as demissões em massa.
"Depois do Carnaval" viveremos um novo país? Quem quiser que conclua...
Se não é campanha, parece...
De viva voz, a ministra Dilma Rousseff recebeu elogios do presidente Lula em palanques do Nordeste, quinta-feira e na manhã de sexta, durante inauguração de obras. Foi apresentada como exemplo de competência administrativa. Depois, voou para o Rio Grande do Sul, discursando em São Leopoldo e Nova Hamburgo, ao anunciar novas iniciativas do PAC.
Efusivamente saudada, registre-se. Conseguiu chegar a São Paulo, horas mais tarde, para ser homenageada pelo PT em jantar na casa de Marta Suplicy. Lá, comentou que o Brasil está maduro para ter uma mulher como presidente da República. Palmas para todo lado, a começar pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini. Se não é campanha, parece.
Nada há que opor à movimentação da chefe da Casa Civil, acompanhando o presidente ou isolada. Se o governo não mostra o que faz ou o que quer fazer, não serão as oposições a ocupar o seu lugar. Em especial se o objetivo é manter o poder e enfrentar as eleições do ano que vem.
Só não dá para dizer que não estão em campanha. Porque estão. E quem quiser que faça o mesmo, como fez o governador José Serra na mesma sexta-feira eleitoral, indo ao Paraná para participar de uma festa rural na cidade de Cascavel. Lá, ele declarou que o dever de todos os governantes é administrar bem, por enquanto sem fazer campanha. O governador Roberto Requião não terá gostado de ver o colega paulista administrando um evento em seu estado...
Ganhem, mas paguem, também
A moda vem do tempo dos governos militares, mas foi depois, com a redemocratização, que virou praga. A pretexto de reagir às críticas da imprensa e do empresariado sobre o inchaço e os gastos sempre maiores no serviço público, Executivo, Legislativo e Judiciário aderiram às chamadas terceirizações.
Começaram no setor da limpeza e da segurança, através de empresas privadas que se encarregavam de contratar, pagar, fiscalizar e apresentar serviços. Feito sarampo, a prática pegou, pois ficava mais cômodo ao poder público não enfrentar reclamações, indenizações e até greves de funcionários, que deixaram de ser deles. Até serviços de imprensa e de divulgação foram loteados pelos ministérios e tribunais.
O diabo é que, como estamos no Brasil, logo os excessos viraram regra. As empresas passaram a cobrar horrores, mas, na maioria dos casos, a remunerar mal e a dar o calote em seus empregados. Mas faturando tanto que até castelos seus proprietários construíram, para não falar nos montes de mansões, aviões particulares e modos de vida milionários financiados pelos cofres públicos.
Basta percorrer a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes e a Praça dos Tribunais, em Brasília, para se ter a noção de quanto o estado abdicou de suas atribuições. Só falta aparecerem ministros, juízes e parlamentares terceirizados, quer dizer, indicados pelas empresas de prestação de serviços.
De uns anos para cá, a situação piorou, sendo que muitas dessas empresas não pagam os empregados, atrasam por meses seus salários e cobram sempre mais do poder público. Claro, há exceções, mas poucas.
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Foi barro no ventilador. Sobrou para quase todo mundo, no PMDB e fora dele. A pergunta que se fazia ontem, em Brasília, era a respeito dos motivos que teriam levado o senador Jarbas Vasconcelos a conceder contundente entrevista à revista "Veja".
Posicionar-se como candidato à vice-presidência na chapa de José Serra não foi, porque do jeito como demoliu dirigentes e parlamentares do seu partido não leva ninguém com ele. Reforçar sua candidatura a governador de Pernambuco, também não, pois, ao final de suas declarações, rejeitou a hipótese. Bancar o D. Quixote do sertão quando nem moinhos de vento existem por lá? Vingar-se por haver sido o único voto do PMDB dado a Tião Viana seria inócuo. Aproximar-se do presidente Lula, da mesma forma negativo, pois não poupou o PT e o próprio companheiro-mor, a quem, em suas palavras, faltam compromissos com reformas e com a ética.
Os poucos pernambucanos da intimidade do ex-governador não concluíam. Apenas registravam que "o Jarbas é assim mesmo". Nos tempos do MDB, vivia às turras com o dr. Ulysses e com Tancredo Neves. Irritava-se com os "autênticos", acusando-os de falta de autenticidade. Brigou com Miguel Arraes. Agora mesmo, atropelou Pedro Simon e Mão Santa, senadores do PMDB que mais poderiam aproximar-se dele.
A falta de objetivos visíveis para essa cavalgada solitária não impede a concordância com parte do mérito de suas críticas, mesmo exageradas. No fundo, tem muita gente no PMDB que só pensa em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Existem os especializados na manipulação de licitações, contratações dirigidas e corrupção em geral. Mas nivelar o partido inteiro nessas práticas é demais. Como demais será afirmar que o ex-presidente José Sarney transformará o Senado num grande Maranhão. A equação fica inconclusa pela falta, até hoje, de uma chave capaz de decifrar a cascata de virulências do senador por Pernambuco. Pode ser que não exista nenhuma explicação e que os raros amigos de Jarbas Vasconcelos estejam com a razão: ele é assim mesmo. Igual à natureza, que de quando em quando promove tempestades infernais, alagamentos desproporcionais, erupções, terremotos e tsunamis imensos. Ao PMDB, ao governo, a Sarney e outros atingidos só resta superar os agravos, claro que longe da tentação de expulsar o senador, da mesma forma como a ninguém será dado banir a natureza. Ela é assim mesmo...
Depois do Carnaval
Certo ou errado, a verdade é vai parando tudo, desde já. "Depois do Carnaval" virou chavão não apenas para o serviço público, mas para as atividades empresariais, sindicais, intelectuais, artísticas e outras. Não se atinja apenas o Congresso, face mais visível das instituições, pela inação já iniciada e que se estenderá para além da quarta-feira de cinzas. Aproveitando o mote da nota anterior, vale apenas registrar que "o Brasil é assim mesmo".
A dúvida consiste em saber se entrarão em pauta, na Câmara e no Senado, os polêmicos projetos prometidos por José Sarney e Michel Temer. Ou se o Supremo Tribunal Federal decidirá, em tempo útil, a demarcação da reserva indígena Raposa-Serra do Sol, se mandará ou não para a Itália o terrorista preso por aqui ou se agilizará o processo contra os quarenta ladrões do mensalão. Da mesma forma, se as obras do PAC deixarão os palanques e as medidas destinadas a conter a crise econômica interromperão as demissões em massa.
"Depois do Carnaval" viveremos um novo país? Quem quiser que conclua...
Se não é campanha, parece...
De viva voz, a ministra Dilma Rousseff recebeu elogios do presidente Lula em palanques do Nordeste, quinta-feira e na manhã de sexta, durante inauguração de obras. Foi apresentada como exemplo de competência administrativa. Depois, voou para o Rio Grande do Sul, discursando em São Leopoldo e Nova Hamburgo, ao anunciar novas iniciativas do PAC.
Efusivamente saudada, registre-se. Conseguiu chegar a São Paulo, horas mais tarde, para ser homenageada pelo PT em jantar na casa de Marta Suplicy. Lá, comentou que o Brasil está maduro para ter uma mulher como presidente da República. Palmas para todo lado, a começar pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini. Se não é campanha, parece.
Nada há que opor à movimentação da chefe da Casa Civil, acompanhando o presidente ou isolada. Se o governo não mostra o que faz ou o que quer fazer, não serão as oposições a ocupar o seu lugar. Em especial se o objetivo é manter o poder e enfrentar as eleições do ano que vem.
Só não dá para dizer que não estão em campanha. Porque estão. E quem quiser que faça o mesmo, como fez o governador José Serra na mesma sexta-feira eleitoral, indo ao Paraná para participar de uma festa rural na cidade de Cascavel. Lá, ele declarou que o dever de todos os governantes é administrar bem, por enquanto sem fazer campanha. O governador Roberto Requião não terá gostado de ver o colega paulista administrando um evento em seu estado...
Ganhem, mas paguem, também
A moda vem do tempo dos governos militares, mas foi depois, com a redemocratização, que virou praga. A pretexto de reagir às críticas da imprensa e do empresariado sobre o inchaço e os gastos sempre maiores no serviço público, Executivo, Legislativo e Judiciário aderiram às chamadas terceirizações.
Começaram no setor da limpeza e da segurança, através de empresas privadas que se encarregavam de contratar, pagar, fiscalizar e apresentar serviços. Feito sarampo, a prática pegou, pois ficava mais cômodo ao poder público não enfrentar reclamações, indenizações e até greves de funcionários, que deixaram de ser deles. Até serviços de imprensa e de divulgação foram loteados pelos ministérios e tribunais.
O diabo é que, como estamos no Brasil, logo os excessos viraram regra. As empresas passaram a cobrar horrores, mas, na maioria dos casos, a remunerar mal e a dar o calote em seus empregados. Mas faturando tanto que até castelos seus proprietários construíram, para não falar nos montes de mansões, aviões particulares e modos de vida milionários financiados pelos cofres públicos.
Basta percorrer a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes e a Praça dos Tribunais, em Brasília, para se ter a noção de quanto o estado abdicou de suas atribuições. Só falta aparecerem ministros, juízes e parlamentares terceirizados, quer dizer, indicados pelas empresas de prestação de serviços.
De uns anos para cá, a situação piorou, sendo que muitas dessas empresas não pagam os empregados, atrasam por meses seus salários e cobram sempre mais do poder público. Claro, há exceções, mas poucas.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Jarbas Vasconcellos pode ter salvo o PMDB da contaminação e do adesismo
Por: Helio Fernandes
O nome do dia é apenas um: Jarbas Vasconcellos. Ele é o PMDB da mesma forma como foi MDB, nos tempos gloriosos em que essas três letras representavam a resistência, a não subserviência, a consciência de que a coerência política e eleitoral consistiam em lutar.
Só que o PMDB não é Jarbas Vasconcellos, este atrapalha a adesão, prejudica os negócios, compromete a "conquista" dos mais variados, cargos, divididos "irmãmente", feito cão e gato.No meu MDB a partir de 1966 (quase o auge do endurecimento que estava a caminho), Jarbas tinha lugar garantido, levava para Recife e Pernambuco a convicção, a certeza e a constatação que fora da luta contra a ditadura não existia o que se chamava despudoradamente de democracia.
Jarbas foi rapidamente para o plano federal, que já não era o Rio de Janeiro capital e sim Brasília mortal, em termos de mordomias, facilidades, privilégios, adesões em nome de compensações. (Tudo que ele agora desvenda e retira dos subterrâneos da indignidade.)
Quando Jarbas foi prefeito de Recife pela primeira vez e depois governador também pela primeira vez, estive no Recife. Fomos à televisão e ao rádio duas vezes, não havia assunto fechado para nós. Não era debate e sim conversa pública, nossa resistência tinha a mesma origem e o mesmo fim. Rigorosamente iguais.
Candidato a deputado federal em 1966 pelo MDB da antiga Guanabara, este repórter era tido e havido como o mais votado. Cassado no dia 11 de novembro (a eleição seria no dia 15) o MDB não só da Guanabara mas do Brasil todo, se omitiu.
Só recebi o lamento e o apoio dos "autênticos" e de Jarbas Vasconcellos. Cassado, preso, proibido de escrever e de dirigir jornal, ganhei um artigo na Constituição de 1967. (Chamar de Constituição é um absurdo. Foi um punhado de ignomínias empurradas pela garganta de quase todos. Fizeram este artigo, textual: "Nenhum jornalista cassado pode ser diretor de jornal".)
Agora é a hora de relembrar esse bravo e compenetrado Jarbas Vasconcellos, que, desde que chegou ao Senado, vem se destacando pela clareza de suas posições, pela linha independente, pelos fatores positivos que imprime à sua atuação.
Agora deu o xeque-mate, ninguém tem coragem de mexer no tabuleiro e movimentar alguma pedra para atingi-lo. Se fizerem, será um boomerang.
Mestre Graciliano Ramos, nos seus tempos incógnitos (antes de ser descoberto pelo grande e injustiçado Augusto Frederico Schmidt), costumava dizer: "Uma frase só está perfeita e definitiva quando não se puder colocar ou tirar uma vírgula que seja". Magistral.
Pois a entrevista de Jarbas Vasconcellos seria abençoada por Graciliano. Ela é completa, tem início, meio e fim, com a coerência, a consistência e a consciência que só os grandes personagens podem exibir.
Não vou reproduzir o texto, apenas exaltar o autor. Jarbas não se omitiu por um momento que fosse, não livrou ninguém, não tentou fazer média ou "plantar" para daqui a pouco.
Falou, explicou, rotulou, identificou, marginalizou, arrasou com toda a simplicidade todos que no seu entendimento, claro e preciso, mereciam estar no Campo da Lampadoza, com as vísceras expostas, e o corpo esquartejado. Nenhuma injustiça.
Grande repercussão da entrevista, dos adjetivos, daqueles que precisavam ser atingidos e o foram com pontaria impressionante. Mas a maioria das análises sobre a entrevista imprecisas, inócuas, ininteligíveis.
Jarbas não está sozinho no PMDB, longe disso. Muitos acreditavam que não valia a pena lutar, a "cúpula" era e é poderosa demais. Agora isso ficará visível, Jarbas não deixará o PMDB, o PMDB não tem cacife para expulsá-lo.
PS - A entrevista, oportuna, na hora certa e com total autenticidade. Mas podem escrever: influenciará de forma soberba, irrevogável e irrefutável o alinhamento dos presidenciáveis para 2010.
Fonte: Tribuna da Imprensa
O nome do dia é apenas um: Jarbas Vasconcellos. Ele é o PMDB da mesma forma como foi MDB, nos tempos gloriosos em que essas três letras representavam a resistência, a não subserviência, a consciência de que a coerência política e eleitoral consistiam em lutar.
Só que o PMDB não é Jarbas Vasconcellos, este atrapalha a adesão, prejudica os negócios, compromete a "conquista" dos mais variados, cargos, divididos "irmãmente", feito cão e gato.No meu MDB a partir de 1966 (quase o auge do endurecimento que estava a caminho), Jarbas tinha lugar garantido, levava para Recife e Pernambuco a convicção, a certeza e a constatação que fora da luta contra a ditadura não existia o que se chamava despudoradamente de democracia.
Jarbas foi rapidamente para o plano federal, que já não era o Rio de Janeiro capital e sim Brasília mortal, em termos de mordomias, facilidades, privilégios, adesões em nome de compensações. (Tudo que ele agora desvenda e retira dos subterrâneos da indignidade.)
Quando Jarbas foi prefeito de Recife pela primeira vez e depois governador também pela primeira vez, estive no Recife. Fomos à televisão e ao rádio duas vezes, não havia assunto fechado para nós. Não era debate e sim conversa pública, nossa resistência tinha a mesma origem e o mesmo fim. Rigorosamente iguais.
Candidato a deputado federal em 1966 pelo MDB da antiga Guanabara, este repórter era tido e havido como o mais votado. Cassado no dia 11 de novembro (a eleição seria no dia 15) o MDB não só da Guanabara mas do Brasil todo, se omitiu.
Só recebi o lamento e o apoio dos "autênticos" e de Jarbas Vasconcellos. Cassado, preso, proibido de escrever e de dirigir jornal, ganhei um artigo na Constituição de 1967. (Chamar de Constituição é um absurdo. Foi um punhado de ignomínias empurradas pela garganta de quase todos. Fizeram este artigo, textual: "Nenhum jornalista cassado pode ser diretor de jornal".)
Agora é a hora de relembrar esse bravo e compenetrado Jarbas Vasconcellos, que, desde que chegou ao Senado, vem se destacando pela clareza de suas posições, pela linha independente, pelos fatores positivos que imprime à sua atuação.
Agora deu o xeque-mate, ninguém tem coragem de mexer no tabuleiro e movimentar alguma pedra para atingi-lo. Se fizerem, será um boomerang.
Mestre Graciliano Ramos, nos seus tempos incógnitos (antes de ser descoberto pelo grande e injustiçado Augusto Frederico Schmidt), costumava dizer: "Uma frase só está perfeita e definitiva quando não se puder colocar ou tirar uma vírgula que seja". Magistral.
Pois a entrevista de Jarbas Vasconcellos seria abençoada por Graciliano. Ela é completa, tem início, meio e fim, com a coerência, a consistência e a consciência que só os grandes personagens podem exibir.
Não vou reproduzir o texto, apenas exaltar o autor. Jarbas não se omitiu por um momento que fosse, não livrou ninguém, não tentou fazer média ou "plantar" para daqui a pouco.
Falou, explicou, rotulou, identificou, marginalizou, arrasou com toda a simplicidade todos que no seu entendimento, claro e preciso, mereciam estar no Campo da Lampadoza, com as vísceras expostas, e o corpo esquartejado. Nenhuma injustiça.
Grande repercussão da entrevista, dos adjetivos, daqueles que precisavam ser atingidos e o foram com pontaria impressionante. Mas a maioria das análises sobre a entrevista imprecisas, inócuas, ininteligíveis.
Jarbas não está sozinho no PMDB, longe disso. Muitos acreditavam que não valia a pena lutar, a "cúpula" era e é poderosa demais. Agora isso ficará visível, Jarbas não deixará o PMDB, o PMDB não tem cacife para expulsá-lo.
PS - A entrevista, oportuna, na hora certa e com total autenticidade. Mas podem escrever: influenciará de forma soberba, irrevogável e irrefutável o alinhamento dos presidenciáveis para 2010.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Falhas do Judiciário
Marcelo Copelli
Uma das maiores reclamações da sociedade, há muito tempo, recai sobre o Judiciário. O atendimento do mínimo aceitável ainda está longe de ser visto. Evidentemente, os demais poderes também não conseguem atender a contento suas responsabilidades. O caos aumenta a cada ano, e ninguém assume a direção do coletivo que desce a ladeira. E sem freios. Um exemplo de como a coisa anda de pernas para o ar pode é a informação do Conselho Nacional de Justiça, segundo a qual, de cada dez presos, três não deveriam estar cumprindo pena.
Ou seja, seguindo a estimativa, o Brasil teria cerca de 120 mil pessoas presas injustamente, seja porque já cumpriram pena, porque ainda aguardam julgamento e a prisão temporária já ultrapassou seu prazo ou porque a Justiça erra. Muitos colocam a culpa no acúmulo de processos, na burocracia e na falta de agilidade do sistema. Inúmeras questões que se deparam com a carência de iniciativas para que o barco tome outro rumo. Quem é posto no cargo para fazer com que o jogo vire, prefere ficar sentado na sombra, vendo a banda passar. Cadê que a música muda?
Generalidade
Após o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) ter jogado no ventilador e afirmado, com todas as letras, que a maioria dos parlamentares do partido só pensa em corrupção, em entrevista publicada na revista "Veja", a Comissão Executiva Nacional do PMDB, ontem, divulgou uma nota declarando que não daria maior atenção ao assunto em razão da "generalidade das alegações".
Desabafo
A Comissão informou que a referida entrevista " lança a pecha de corrupção a todo sistema partidário", e fecha o pacote afirmando se tratar de um desabafo ao qual a Executiva Nacional do partido não daria maior relevo. Coisa pouca, né? Quando a coisa não cheira bem, o melhor é deixar quieto.
Tradução
Trocando em miúdos para quem boiou, o negócio sempre foi, ainda é e continuará por muito tempo sendo tal e qual a galera está careca de saber. Tudo torto. Sem mais, saibam que o assunto não vai dar em lugar algum. Osso disputadíssimo.
Distorções
Outra que colocou a boca no trombone foi a secretária de Educação de Campos, professora Auxiliadora Freitas. No último sábado, revelou no programa de rádio do ex-governador Antonhy Garotinho que o recadastramento das bolsas de estudo fornecidas pela prefeitura do município está recheada de distorções.
Até juiz
Segundo Freitas, tem gente ganhando R$ 8 mil de salário, que tinha bolsa da prefeitura. Empresário com 30 imóveis alugados tinha a filha recebendo bolsa da prefeitura. Para acabar com o coração do cidadão-contribuinte, disse que até um juiz tinha bolsa para sua filha. Só faltou dar nome aos bois.
Esclarecimento
A Assembleia Legislativa do Rio votará, hoje, em segunda discussão, o projeto de lei da deputada Cidinha Campos (PDT) que pretende dar visibilidade à proibição do uso de formol, que é cancerígeno, em tratamentos capilares. A proposta determina que os salões de beleza localizados no estado sejam obrigados a afixar, em local visível, cartazes para o esclarecimento dos clientes.
"Só um tiquinho"
" (...) a proposta busca unicamente aumentar a informação sobre a proibição e dar uma opção às consumidoras. É como o cigarro, fuma quem quer, sabendo que pode causar câncer", comparou a pedetista. Centenas de salões, entre os legalizados até aos de fundo de quintal, ainda usam o produto. Tem muito "profissional" malandro que tenta levar as clientes no bico com a justificativa de que "só um tiquinho" não mata.
Entusiasmo
Estranhíssimo o entusiasmo demonstrado pela secretária estadual de Esportes do Rio, Márcia Lins, com a criação de um novo point de bares, lanchonetes e lojas a ser construído onde, hoje, é o Estádio de Atletismo Célio de Barros, que será colocado abaixo.
Shopping
O "Baixo Maracanã", como será conhecido, acabará com o principal espaço para o treinamento de atletismo. Sequer deram pista sobre a possibilidade de construção de um espaço semelhante para atender aos esportistas. Tamanha euforia vinda justamente da responsável pela pasta é até contraditória, né?
Fonte: Tribuna da Imprensa
Uma das maiores reclamações da sociedade, há muito tempo, recai sobre o Judiciário. O atendimento do mínimo aceitável ainda está longe de ser visto. Evidentemente, os demais poderes também não conseguem atender a contento suas responsabilidades. O caos aumenta a cada ano, e ninguém assume a direção do coletivo que desce a ladeira. E sem freios. Um exemplo de como a coisa anda de pernas para o ar pode é a informação do Conselho Nacional de Justiça, segundo a qual, de cada dez presos, três não deveriam estar cumprindo pena.
Ou seja, seguindo a estimativa, o Brasil teria cerca de 120 mil pessoas presas injustamente, seja porque já cumpriram pena, porque ainda aguardam julgamento e a prisão temporária já ultrapassou seu prazo ou porque a Justiça erra. Muitos colocam a culpa no acúmulo de processos, na burocracia e na falta de agilidade do sistema. Inúmeras questões que se deparam com a carência de iniciativas para que o barco tome outro rumo. Quem é posto no cargo para fazer com que o jogo vire, prefere ficar sentado na sombra, vendo a banda passar. Cadê que a música muda?
Generalidade
Após o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) ter jogado no ventilador e afirmado, com todas as letras, que a maioria dos parlamentares do partido só pensa em corrupção, em entrevista publicada na revista "Veja", a Comissão Executiva Nacional do PMDB, ontem, divulgou uma nota declarando que não daria maior atenção ao assunto em razão da "generalidade das alegações".
Desabafo
A Comissão informou que a referida entrevista " lança a pecha de corrupção a todo sistema partidário", e fecha o pacote afirmando se tratar de um desabafo ao qual a Executiva Nacional do partido não daria maior relevo. Coisa pouca, né? Quando a coisa não cheira bem, o melhor é deixar quieto.
Tradução
Trocando em miúdos para quem boiou, o negócio sempre foi, ainda é e continuará por muito tempo sendo tal e qual a galera está careca de saber. Tudo torto. Sem mais, saibam que o assunto não vai dar em lugar algum. Osso disputadíssimo.
Distorções
Outra que colocou a boca no trombone foi a secretária de Educação de Campos, professora Auxiliadora Freitas. No último sábado, revelou no programa de rádio do ex-governador Antonhy Garotinho que o recadastramento das bolsas de estudo fornecidas pela prefeitura do município está recheada de distorções.
Até juiz
Segundo Freitas, tem gente ganhando R$ 8 mil de salário, que tinha bolsa da prefeitura. Empresário com 30 imóveis alugados tinha a filha recebendo bolsa da prefeitura. Para acabar com o coração do cidadão-contribuinte, disse que até um juiz tinha bolsa para sua filha. Só faltou dar nome aos bois.
Esclarecimento
A Assembleia Legislativa do Rio votará, hoje, em segunda discussão, o projeto de lei da deputada Cidinha Campos (PDT) que pretende dar visibilidade à proibição do uso de formol, que é cancerígeno, em tratamentos capilares. A proposta determina que os salões de beleza localizados no estado sejam obrigados a afixar, em local visível, cartazes para o esclarecimento dos clientes.
"Só um tiquinho"
" (...) a proposta busca unicamente aumentar a informação sobre a proibição e dar uma opção às consumidoras. É como o cigarro, fuma quem quer, sabendo que pode causar câncer", comparou a pedetista. Centenas de salões, entre os legalizados até aos de fundo de quintal, ainda usam o produto. Tem muito "profissional" malandro que tenta levar as clientes no bico com a justificativa de que "só um tiquinho" não mata.
Entusiasmo
Estranhíssimo o entusiasmo demonstrado pela secretária estadual de Esportes do Rio, Márcia Lins, com a criação de um novo point de bares, lanchonetes e lojas a ser construído onde, hoje, é o Estádio de Atletismo Célio de Barros, que será colocado abaixo.
Shopping
O "Baixo Maracanã", como será conhecido, acabará com o principal espaço para o treinamento de atletismo. Sequer deram pista sobre a possibilidade de construção de um espaço semelhante para atender aos esportistas. Tamanha euforia vinda justamente da responsável pela pasta é até contraditória, né?
Fonte: Tribuna da Imprensa
Metade dos senadores do PMDB responde a processo no Supremo
BRASÍLIA- Levantamento na base de dados do Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que dez dos 19 colegas de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) no Senado respondem a processo ou são investigados. No total, a bancada do PMDB contabiliza 13 inquéritos, quatro ações penais e cinco investigações. Em entrevista à 'Veja', Jarbas Vasconcelos afirmou que no PMDB "boa parte quer mesmo é corrupção".
Um dos casos mais adiantados no Supremo envolve o ex-líder do partido no Senado Valdir Raupp (PMDB-RO). Ele foi denunciado pelo Ministério Público por supostamente ter usado dinheiro obtido de empréstimo do Banco Mundial para finalidades distintas das previstas em contrato quando era governador do Estado. Até o momento, seis ministros votaram para que responda a ação penal no STF. Apenas um votou por arquivar a denúncia contra ele. Se aceita a denúncia, será a terceira ação penal que Raupp terá de responder no STF. O senador afirma estar tranquilo em relação ao julgamento, disse ser inocente e que aplicou corretamente os recursos.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), livrou-se recentemente do inquérito mais problemático que corria contra ele no STF graças à morosidade da Justiça. Jucá era investigado por supostamente se utilizar de fazendas inexistentes para obter empréstimo do Banco do Amazonas. O inquérito foi arquivado porque os crimes prescreveram. No STF, Jucá responde ainda a dois inquéritos. De acordo com o líder, os processos são de "cunho político-eleitoral" e fazem parte do jogo político e das disputas com adversários.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), é alvo de inquérito em que o MP apura se ele teve despesas pessoais pagas por uma empreiteira e se apresentou notas fiscais falsas para comprovar a venda de bois. A denúncia o levou a renunciar à presidência do Senado, em 2007. O inquérito corre em segredo de Justiça. Por intermédio da assessoria de imprensa, Renan afirmou ter ele mesmo pedido ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a abertura da investigação.
Outro que responde a processos no STF é Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos mais engajados na eleição de José Sarney (PMDB-AP) à Presidência do Senado. Em dois inquéritos e duas petições, o senador é investigado porque teria sonegado impostos quando era diretor da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura (Asoec). Salgado não foi encontrado para comentar os casos, mas já disse em outras ocasiões que a dívida foi gerada pelo atraso em duas parcelas do Parcelamento Especial (Paes), programa de refinanciamento de dívidas tributárias.
Além dos quatro, ainda têm pendências com o STF os senadores Garibaldi Alves Filho (RN), Leomar Quintanilha (TO), Edison Lobão Filho (MA), Mão Santa (PI), Neuto de Conto e Gilvan Borges.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Um dos casos mais adiantados no Supremo envolve o ex-líder do partido no Senado Valdir Raupp (PMDB-RO). Ele foi denunciado pelo Ministério Público por supostamente ter usado dinheiro obtido de empréstimo do Banco Mundial para finalidades distintas das previstas em contrato quando era governador do Estado. Até o momento, seis ministros votaram para que responda a ação penal no STF. Apenas um votou por arquivar a denúncia contra ele. Se aceita a denúncia, será a terceira ação penal que Raupp terá de responder no STF. O senador afirma estar tranquilo em relação ao julgamento, disse ser inocente e que aplicou corretamente os recursos.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), livrou-se recentemente do inquérito mais problemático que corria contra ele no STF graças à morosidade da Justiça. Jucá era investigado por supostamente se utilizar de fazendas inexistentes para obter empréstimo do Banco do Amazonas. O inquérito foi arquivado porque os crimes prescreveram. No STF, Jucá responde ainda a dois inquéritos. De acordo com o líder, os processos são de "cunho político-eleitoral" e fazem parte do jogo político e das disputas com adversários.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), é alvo de inquérito em que o MP apura se ele teve despesas pessoais pagas por uma empreiteira e se apresentou notas fiscais falsas para comprovar a venda de bois. A denúncia o levou a renunciar à presidência do Senado, em 2007. O inquérito corre em segredo de Justiça. Por intermédio da assessoria de imprensa, Renan afirmou ter ele mesmo pedido ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a abertura da investigação.
Outro que responde a processos no STF é Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos mais engajados na eleição de José Sarney (PMDB-AP) à Presidência do Senado. Em dois inquéritos e duas petições, o senador é investigado porque teria sonegado impostos quando era diretor da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura (Asoec). Salgado não foi encontrado para comentar os casos, mas já disse em outras ocasiões que a dívida foi gerada pelo atraso em duas parcelas do Parcelamento Especial (Paes), programa de refinanciamento de dívidas tributárias.
Além dos quatro, ainda têm pendências com o STF os senadores Garibaldi Alves Filho (RN), Leomar Quintanilha (TO), Edison Lobão Filho (MA), Mão Santa (PI), Neuto de Conto e Gilvan Borges.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Senador reafirma acusações contra partido
BRASÍLIA - O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) reafirmou ontem, em entrevista coletiva, que a corrupção está impregnada em todos os partidos e que boa parte do PMDB "quer mesmo corrupção". Vasconcelos esquivou-se de citar nomes de integrantes do PMDB que estejam envolvidos em irregularidades Ele justificou a denúncia "genérica" que fez inicialmente à revista 'Veja', alegando que o número de envolvidos é "muito volumoso". "Depois eu não quero citar ninguém, por enquanto, pois tenho de ter o mínimo de estratégia", explicou.
O senador ressaltou que procurou dar o pontapé inicial, mas que um processo de investigação deve ser comandado por outras pessoas. Ele enfatizou que espera, inclusive, uma pressão de fora para dentro do Congresso.
Vasconcelos disse ainda não acreditar que será expulso do PMDB. Também afirmou que não pedirá para deixar o partido. "O que eu quero é uma reforma política. Eu só admito mudar de partido dentro de uma reforma", comentou.
Ele salientou que não acredita que será colocado para fora da legenda, pois os integrantes do partido respeitam sua história. "O tom da nota (divulgada pela Executiva do PMDB) deixa claro que eles não vão me expulsar", avaliou. Ele afirmou também que a eleição de políticos tradicionais como José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado o motivou a dar a entrevista para a revista.
Fonte; Tribuna da Imprensa
O senador ressaltou que procurou dar o pontapé inicial, mas que um processo de investigação deve ser comandado por outras pessoas. Ele enfatizou que espera, inclusive, uma pressão de fora para dentro do Congresso.
Vasconcelos disse ainda não acreditar que será expulso do PMDB. Também afirmou que não pedirá para deixar o partido. "O que eu quero é uma reforma política. Eu só admito mudar de partido dentro de uma reforma", comentou.
Ele salientou que não acredita que será colocado para fora da legenda, pois os integrantes do partido respeitam sua história. "O tom da nota (divulgada pela Executiva do PMDB) deixa claro que eles não vão me expulsar", avaliou. Ele afirmou também que a eleição de políticos tradicionais como José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado o motivou a dar a entrevista para a revista.
Fonte; Tribuna da Imprensa
Temer afirma que PMDB não vai punir Jarbas
BRASÍLIA - O presidente nacional do PMDB e também presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), repudiou ontem a afirmação do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), de que há corrupção no PMDB, mas disse que não tem intenção de punir o ex-governador de Pernambuco.
Temer afirmou que a decisão da Executiva Nacional é de não dar importância às declarações de Jarbas por serem genéricas e não falarem de nenhum caso específico. "Repudiamos a afirmação de que o PMDB é corrupto. A generalidade das informações do senador Jarbas nos levou à nota da executiva. Nós não queremos dar relevo a algo que não tem especificidade. Não há intenção de apenar o senador Jarbas".
Pela manhã, a Executiva do PMDB divulgou nota em que considera que as declarações de Vasconcelos foram um desabafo ao qual o PMDB "não dará maior relevo", uma vez que o senador "não aponta nenhum fato concreto que fundamente suas declarações". Em entrevista à revista 'Veja', Jarbas afirma que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção" e que "a maioria (do PMDB) se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral".
Em contraposição ao fato de Jarbas Vasconcelos ser ex-governador, Temer citou que "o PMDB tem sete governadores de peso, 1.200 prefeito de peso, 8.600 vereadores, 25 deputados federais de muita significação".
O presidente do PMDB disse que vai se licenciar do cargo, mas não informou quando isso acontecerá. Temer disse ainda que está "às ordens" para conversar com Jarbas Vasconcelos quando o senador quiser. O presidente do partido disse que só examinará a possibilidade de punição a Jarbas se houver uma representação contra o senador.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Temer afirmou que a decisão da Executiva Nacional é de não dar importância às declarações de Jarbas por serem genéricas e não falarem de nenhum caso específico. "Repudiamos a afirmação de que o PMDB é corrupto. A generalidade das informações do senador Jarbas nos levou à nota da executiva. Nós não queremos dar relevo a algo que não tem especificidade. Não há intenção de apenar o senador Jarbas".
Pela manhã, a Executiva do PMDB divulgou nota em que considera que as declarações de Vasconcelos foram um desabafo ao qual o PMDB "não dará maior relevo", uma vez que o senador "não aponta nenhum fato concreto que fundamente suas declarações". Em entrevista à revista 'Veja', Jarbas afirma que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção" e que "a maioria (do PMDB) se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral".
Em contraposição ao fato de Jarbas Vasconcelos ser ex-governador, Temer citou que "o PMDB tem sete governadores de peso, 1.200 prefeito de peso, 8.600 vereadores, 25 deputados federais de muita significação".
O presidente do PMDB disse que vai se licenciar do cargo, mas não informou quando isso acontecerá. Temer disse ainda que está "às ordens" para conversar com Jarbas Vasconcelos quando o senador quiser. O presidente do partido disse que só examinará a possibilidade de punição a Jarbas se houver uma representação contra o senador.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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