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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Até agora, nada mudou. Na
quarta-feira, o Supremo pode estabelecer alguma mudança no ritmo, porém
não há problemas de Cunha acolher o pedido de impeachment, uma vez que
esta é uma atribuição do cargo. O que de prático aconteceu é que a
liminar atrasou o processo do impeachment e o relógio trabalha contra a
presidente Dilma. Aparentemente, ela está em vantagem até agora, mas só
aparentemente. Depois a gente explica. (C.N.)
Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
sobre
Reinaldo Azevedo, jornalista, escreve este blog desde
2006. É autor dos livros “Contra o Consenso” (Barracuda), “O País dos
Petralhas I e II”, “Máximas de Um País Mínimo — os três pela Editora
Record — e “Objeções de um Rottweiler Amoroso” (Três Estrelas).
Por
anos a fio, Luiz Fachin foi simultaneamente procuradorl do estado e
advogado militante. A essa acumulação de funções, proibida pela
Constituição paranaense e portanto ilegal, somou-se uma agravante só
contornada por gente dotada do dom da ubiquidade: Fachin continuou a dar
aulas na universidade. E o duplo emprego virou triplo.
Em numerosos artigos, entrevistas e discursos, o doutor em
extravagâncias bacharelescas deixou claro seu menosprezo pelo preceito
constitucional que garante a propriedade privada no Brasil. Nunca
escondeu os laços afetivos com o MST, uma velharia comunista que não tem
existência jurídica. E sempre defendeu enfaticamente a desapropriação
de terras produtivas para fins de reforma agrária, sem o pagamento de
indenização aos proprietários lesados.
Indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal por Dilma
Rousseff, Fachin superou a sabatina no Senado com a ajuda militante do
cabo eleitoral Álvaro Dias. Na discurseira em que se derramou em elogios
e rapapés ao sabatinado, o parlamentar tucano advertiu os que
lastimaram a deserção do até então combativo oposicionista: todos iriam
arrepender-se quando Fachin começasse a agir no Supremo.
Nesta terça-feira, em decisão monocrática, o magistrado dos sonhos de
Álvaro Dias suspendeu a comissão do impeachment que a Câmara começou a
montar horas antes. A palavra final caberá so plenário do tribunal, que
examinará a pendência na próxima quarta-feira. Mas agora está claro que
Fachin entrou em campo para manter no cargo a presidente a quem deve o
emprego.
Na conversa gravada pelo filho de Nestor Cerveró, o senador Delcídio
do Amaral e seus comparsas se mostram muito animados com a informação de
que determinado caso seria julgado por Fachin. A interrupção do
processo de impeachment ajuda a entender o entusiasmo da turma empenhada
em desmoralizar a Operação Lava Jato.
Para devolver à condição humana ministros convencidos de que a toga
transforma advogados em divindades, basta que os milhões de indignados
retomem as ruas e mostrem claramente o que o país que presta pensa de
gente assim. O Congresso fará a vontade do povo. O STF não ousará
desafiá-la com atrevidas manifestações de gratidão ao padrinho. Ou
madrinha.
VLADY OLIVER
É extremamente grave o fato da mamulenga, na ânsia de mostrar o
verdadeiro caráter de seu vice, Michel Temer, tenha revelado ao Brasil o
conteúdo de uma missiva particular por ele escrita. É um tiro que sai
pela culatra. Mais um. Pelo conteúdo, podemos inferir mais um pouco da
estranha língua falada nos interiores dos palácios onde se governa por
aqui. Por ela sabemos quem é quem e podemos comparar a “liturgia” de
governo de ambos. » Clique para continuar lendo
REYNALDO ROCHA
“Menino, não mexe com quem está quieto”. É um dos conselhos de avós
que um dia todos escutamos. Dilma e seus assessores desastrados
avaliaram que o melhor a fazer era mexer com Michel Temer. Que estava
quieto como vice-presidente, cargo que se notabiliza não por ter poder,
mas pela expectativa da poder. Vice só entra em campo se o titular está
machucado. Ou tomou cartão vermelho. » Clique para continuar lendo