Eram exatamente 19h05 de ontem quando foram declarados oficialmente encerrados os Jogos Pan-Americanos do Rio. A sentença partiu do presidente da Organização Desportiva Pan-Americana, o mexicano Mario Vázquez Raña, que conseguiu ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse sonoramente vaiado mais uma vez, mesmo não estando presente no Estádio do Maracanã - bastou o dirigente citar o apoio do governo federal.
A cerimônia de encerramento tinha um desafio: o de, ao menos, igualar em emoção e encantamento a festa que marcou a abertura dos jogos. E o que se viu, na noite deste domingo, foi uma cerimônia bela mas morna, já com um indisfarçável gosto amargo de final. Pouca música executada ao vivo e uma espetacular queima de fogos deram o tom de despedida.
A festa começou com uma homenagem às vítimas do acidente aéreo da TAM, no dia 17: nove policiais militares que participaram do resgate das vítimas entraram em campo carregando a bandeira nacional que seria hasteada. Um momento tocante homenageado pela rara aparição da lua em meio à chuva.
Depois de entoado o hino oficial dos Jogos e de uma apresentação de índios guaranis (tudo em playback), diversos atletas entraram em campo e a atenção recaiu sobre os cubanos que ainda ficaram no País - transportados em 11 ônibus até o Maracanã, eles novamente carregavam bandeiras de seu país e do Brasil. Na delegação brasileira, a Bandeira Nacional foi levada pelo nadador Thiago Pereira, dono de seis medalhas de ouro no Pan.
O estádio se escureceu então para a exibição de melhores momentos dos jogos, exibidos nos telões - na verdade, uma seleção de grandes vitórias brasileiras. E uma das últimas, a do maratonista Franck Caldeira, teve uma entrega de medalhas em grande estilo, com todo o estádio aplaudindo o atleta, que entrou em campo mancando.
O momento político da festa veio com o discurso do presidente do Comitê Organizador do Pan (CO-Rio), Carlos Arthur Nuzman, que, ao final do discurso, desabafou: "Missão cumprida!" Ao seu lado, o presidente da Organização Desportiva Pan-Americana, o mexicano Mario Vázquez Raña, protagonizou a cena que todos esperavam.
Ainda pouco à vontade com a picardia carioca, que traduziu a palavra 'hoy' (hoje, em espanhol) como um cumprimento, Raña não escondeu uma certa satisfação ao agradecer o governo federal. Ao citar o nome do presidente Lula, uma sonora e persistente vaia ecoou pelo Maracanã, o mesmo acontecendo quando citou o prefeito César Maia.
Raña comandou ainda a entrega da bandeira pan-americana para representantes da cidade de Guadalajara, sede dos jogos de 2011, apresentada em um vídeo promocional e por um show típico, exibido no palco, daqueles que entretêm turistas. Era a senha de que a aventura carioca de sediar tão grande evento estava chegando ao final.
Depois de enfrentar a suspeita de que teria sido apagada pelas chuvas na semana passada, a pira olímpica se extinguiu definitivamente com um gesto simbólico da cantora Alice Caymmi e seu pai, Danilo, que, cantando O Vento (canção de Dorival Caymmi), assopraram e extinguiram a chama, às 19h30.
A cidade voltava à sua realidade - depois de dias marcados por alegrias e reclamações, o atribulado sonho do Rio de sediar um evento esportivo de grande porte, finalmente, chegara ao final. Restaram o funk de Fernanda Abreu e o eco da voz rasgada de Elza Soares, encerrando a cerimônia ao som de "Aquarela do Brasil".
Fonte: Tribuna da Imprensa
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