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Flávio Bolsonaro pede a Fux suspensão de decisão de Dino que liberou publicações sobre Nossa Senhora

 

Flávio Bolsonaro pede a Fux suspensão de decisão de Dino que liberou publicações sobre Nossa Senhora

Notícia falsa de que candidato do PL pretende retirar título da santa de padroeira do Brasil viralizou

Por Luísa Martins/Folhapress

28/09/2026 às 17:15

Foto: Gustavo Moreno/STF/Arquivo

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O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), a suspensão da decisão de Flávio Dino que, no domingo (27), liberou publicações na internet sobre Nossa Senhora Aparecida.

A notícia falsa de que Flávio, se eleito, pretende retirar o título da santa de padroeira do Brasil viralizou nos últimos dias e tem preocupado a campanha do senador.

Com o pedido, Flávio quer que volte a vigorar a ordem do ministro André Mendonça que havia determinado a remoção de conteúdos sobre a suposta intenção de retirar da santa o título.

"A questão se torna ainda mais sensível no ambiente eleitoral, em que a informação falsa pode alcançar milhões de pessoas antes que qualquer reparação posterior produza efeito útil, comprometendo a própria legitimidade do processo eleitoral, dadas as exiguidades dos prazos", escreveram os advogados do candidato.

Mais cedo, Dino pediu uma sessão do plenário para que os colegas votem se referendam ou não sua decisão que liberou publicações sobre a lei que transformou Nossa Senhora Aparecida em "padroeira do Brasil".

Ele afirmou que a discussão tem "múltipla relevância" e que, nesses casos, é uma prerrogativa do relator submeter o debate ao plenário. O ministro indicou que a sessão deve ser presencial. O julgamento público e com transmissão ao vivo pode abrir um novo ponto de atrito entre os magistrados, rachados em meio à crise do Banco Master.

A campanha de Flávio fez o pedido na ação do Marco Civil da Internet, que tem Fux como relator. Atualmente, Fux integra a ala pró-Mendonça no Supremo.

Além disso, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, se reúne nesta segunda com o presidente do STF, Edson Fachin. Kassio também é da ala pró-Mendonça na corte.

No encontro, o magistrado deve cobrar de Fachin medidas institucionais contra a manipulação do sistema de escolha de relatores na corte. Isso porque Dino anulou a decisão de Mendonça ao analisar requerimento ajuizado em um processo que tramitava em seu gabinete desde maio, e que não diz respeito às eleições presidenciais, mas a um caso de censura a posts sobre a inelegibilidade do ex-deputado Deltan Dallagnol.

O requerimento em questão foi protocolado pelo humorista Antônio Tabet, que fez uma postagem falando de Nossa Senhora Aparecida e teve a publicação removida por conta da decisão de Mendonça.

Para Kassio, ao ajuizar o pedido em um processo que tinha Dino como relator, é como se a defesa do humorista tivesse burlado o sistema de sorteio do STF e escolhido o magistrado que analisaria seu pedido, para ter mais chances de um resultado favorável —assim como a defesa de Flávio teria feito ao apresentar o pedido em uma ação relatada por Fux, mas que nada tinha a ver com as eleições.

Os ministros do Supremo se encontram em um novo embate depois que Dino anulou a decisão de Mendonça no âmbito do TSE. Segundo o magistrado, as publicações sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora de Aparecida não trazem "grau de certeza de ilicitude" para que resultem em consequências para a liberdade de expressão e até para a liberdade religiosa.

Com a liberação das postagens, o jurídico da campanha de Flávio acusou Dino de usurpar a competência do TSE e de "descredenciar" a Justiça Eleitoral.

Além do time jurídico, a própria equipe de Flávio classificou a decisão como absurda e sugeriu que o magistrado estaria atuando como "operador político" para favorecer o presidente Lula (PT) na disputa presidencial.

O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), também teceu críticas ao ministro. Em nota que cita Dino nominalmente, Marinho afirmou que o magistrado atropelou regras de competência do TSE para permitir a circulação de um conteúdo falso que, segundo ele, favorece Lula e seu grupo político.

Desde que a notícia falsa viralizou, a campanha de Flávio tem tentado conter danos para a candidatura. A desinformação virou munição de rivais e abriu uma disputa religiosa com aliados de Lula. O tema envolvendo Nossa Senhora Aparecida já foi utilizado, por exemplo, pela primeira-dama Janja e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) nas redes sociais.

A fake news começou a circular na semana passada e gira em torno de um projeto arquivado há quase 20 anos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O texto foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que foi assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro (PL), porém, foi arquivado em 2008.

Politica Livre

Ao atacar CNBB, Flávio Bolsonaro abre mão de disputar o católico indeciso

 

Ao atacar CNBB, Flávio Bolsonaro abre mão de disputar o católico indeciso

Por Rodrigo Toniol, Folhapress

28/09/2026 às 17:19

Foto: Charles Vieira/Divulgação/Arquivo

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Flávio Bolsonaro (PL)

A reação de Flávio Bolsonaro no último domingo (27), ao acusar setores da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de atuarem em conluio com o PT na disseminação da notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida, revela que sua campanha entrou no modo redução de danos.

Segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque, a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida acumulou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações em cerca de 55 horas. Foi o terceiro maior volume de menções entre os eventos políticos de 2026 monitorados pelo instituto. O tema dominou o noticiário no fim de semana e, mais importante ainda, criou engajamento e mobilização em uma parcela da população que ainda não estava pensando nas eleições.

Nas primeiras 48 horas da polêmica, Flávio permaneceu na defensiva, negando o boato e reafirmando que não havia qualquer plano de destronar Nossa Senhora Aparecida do lugar de padroeira do Brasil. Para fazer isso, sua campanha mapeou as redes de disseminação da notícia falsa que motivou a controvérsia e insistiu no argumento.

No domingo, no entanto, faltando apenas uma semana para a eleição, essa estratégia foi abandonada e o candidato deu um passo além. Foi para cima da própria CNBB, acusando "gente de dentro" da conferência de ter ajudado o PT na disseminação da história. A CNBB reagiu horas depois, negou participação na produção ou circulação de desinformação e respondeu que "a mentira não se combate com outra mentira".

Ao abrir uma nova frente com a CNBB, Flávio deu a indicação de que sua campanha está lendo o voto católico como já cristalizado nesta reta final.

A acusação à CNBB funciona a partir de uma retórica cifrada, que faz sentido no bolsonarismo, mas cuja repercussão fora dele é mais difícil. A fala do candidato ressoa para setores católicos que já desconfiam da CNBB e fazem imediatamente a associação entre episcopado, esquerda e Teologia da Libertação. Para esse público, as entrelinhas são perfeitamente legíveis.

Mas isso não se aplica ao católico que não estava com o voto convicto em ninguém. A história de Nossa Senhora alcançou esse eleitor de maneira muito mais direta, porque mobiliza um símbolo religioso elementar, reconhecível e afetivamente carregado. Já o ataque à CNBB exige um repertório prévio. É preciso saber o que está sendo dito sem que seja dito explicitamente.

Não faltam católicos conservadores próximos a Flávio Bolsonaro e ao PL para quem a acusação à CNBB encontra ressonância. Mas essa é uma conversa muito mais interna ao catolicismo politizado.

Por isso, ao escolher responder à crise abrindo uma divergência dentro do próprio catolicismo, Flávio parece ter optado por consolidar os setores que já compreendem essa linguagem, em vez de disputar o público católico mais amplo que a notícia alcançou.

Talvez sua campanha esteja operando com a hipótese de que já chegou perto do teto entre os católicos. A atitude soa precipitada, mas agora já está feita e Flávio Bolsonaro passou a falar apenas com os católicos que dominam o idioma bolsonarista.

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