quinta-feira, agosto 21, 2025

Fornecimento de água será suspenso em Aracaju, Barra e Socorro

  Suspensão temporária acontecerá na sexta-feira, 22, devido a uma manutenção emergencial na Adutora do São Francisco

(Foto: Freepik)

A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) divulgou que realizará, a partir da meia-noite desta quinta-feira, 21, para sexta-feira, 22, uma manutenção emergencial na Adutora do São Francisco. O sistema apresentou vazamento em uma das tubulações de 1000 milímetros, localizada nas proximidades da BR-101, ao fundo do Instituto Federal de Sergipe (IFS), no município de Propriá.

O equipamento danificado é responsável por conduzir a água bruta captada no Rio São Francisco até a Estação de Tratamento João Ednaldo, que abastece os municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora do Socorro. Durante o período de intervenção, a produção de água tratada ficará temporariamente interrompida, o que impactará a entrega do insumo à concessionária Iguá Sergipe, responsável pela distribuição nessas localidades.

A previsão é que o fornecimento comece a ser restabelecido de forma gradual a partir da noite de sexta-feira, 22, após a conclusão dos serviços, cujo prazo estimado é de até 24 horas.

Fonte: ASN

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quarta-feira, agosto 20, 2025

Arthur Maia vai comandar federação entre União Brasil e PP na Bahia

 Foto: Divulgação/Arquivo

O deputado federal Arthur Oliveira Maia (União Brasil)20 de agosto de 2025 | 13:37

Arthur Maia vai comandar federação entre União Brasil e PP na Bahia

exclusivas

O deputado federal Arthur Oliveira Maia, do União Brasil, será o presidente, na Bahia, da federação formada entre o partido e PP. A informação foi apurada pelo Política Livre junto a fontes das duas legendas.

A indicação de Maia foi uma escolha do vice-presidente nacional do União Brasil e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. O objetivo, segundo interlocutores, é que o deputado, por ter um perfil considerado mais independente e amplo, conduza as tratativas para as eleições de 2026 junto às lideranças do PP e demais legendas.

Parte significativa do PP baiano, incluindo o presidente estadual da legenda, deputado federal Mário Negromonte Júnior, e os deputados estaduais, se posicionou contra a federação. Além disso, a maioria dos prefeitos pepistas está na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a exemplo da bancada da sigla na Assembleia.

Antes, o nome tido como favorito para assumir o comando da federação era o do deputado federal Paulo Azi, que seguirá na presidência estadual do União Brasil. Entretanto, o próprio ACM Neto considerou que essa escolha poderia dificultar a ampliação das articulações mirando 2026, inclusive com o PP. Lideranças do União Brasil até costumam brincar dizendo que Azi e Neto são, na prática, a mesma pessoa.

Já Arthur Maia começou a trajetória política como adversário do carlismo na Bahia, quando era deputado estadual e se colocava como ferrenho adversário do avô de Neto, o falecido Antonio Carlos Magalhães.

O comando da “superfederação” na Bahia ficará com o União Brasil pelo fato de o partido ter mais deputados federais, além de ACM Neto ser vice-presidente nacional da legenda. Isso estava definido desde o anúncio do “casamento”, em abril deste ano. Ou seja, a união tirou o PP do “colo” de Jerônimo.

CCJ do Senado aprova novo Código Eleitoral e inclui voto impresso no texto

 Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A oposição ainda teve uma vitória e conseguiu incluir no texto o voto impresso em um placar mais apertado: 14 a 1220 de agosto de 2025 | 16:41


brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira, 20, o novo Código Eleitoral O texto, que teve o aval de 20 senadores contra seis contrários, enfraquece a Lei da Ficha Limpa e a penalização da compra de votos. A oposição ainda teve uma vitória e conseguiu incluir no texto o voto impresso em um placar mais apertado: 14 a 12.

Essa inclusão foi feita por sugestão do senador Esperidião Amin (PP-SC) e diz que o processo de votação de cada eleitor conclui após a confirmação da correspondência entre o teor do voto impresso e o exibido pela urna eletrônica.

O projeto de lei complementar, de 877 artigos, disciplina diversas questões eleitorais e é alvo de controvérsia entre congressistas. Líderes partidários brigam contra o tempo para aprovar esse projeto até o final de setembro, para o texto poder valer até o pleito de 2026.

A expectativa inicial é que a proposta já estivesse aprovada em julho deste ano, mas impasses sobre um trecho que obriga quarentena de dois anos para agentes da lei e outro, que trata punições para desinformação eleitoral, adiaram a votação para o segundo semestre.

Para garantir a aprovação, o relator, Marcelo Castro (MDB-PI), precisou fazer alterações. A quarentena foi reduzida para um ano e a punição sobre fake news eleitoral foi abrandada.

Na versão anterior, estava previsto que quem divulgasse “fatos sabidamente inverídicos sobre partidos ou candidatos e capazes de exercer influência perante o eleitorado” estava sujeito a prisão de um a quatro anos e multa, além de possibilidade de aumento de pena caso a divulgação tivesse a finalidade de ferir a integridade do processo eleitoral.

Na atual versão, o tempo de prisão foi reduzido para dois meses a um ano e a multa – o agravante foi retirado.

No caso das eleições de 2026, Castro criou uma exceção para permitir que a desincompatibilização seja feita até 2 de abril.

Castro foi contrário à inclusão do voto impresso no texto, mas a oposição garantiu a votação na CCJ da inclusão de uma emenda sobre o tema.

O relator disse que o trecho é inconstitucional e avaliou que não deve ser aprovado em plenário. “Quero chamar a atenção que o texto aprovado na CCJ sobre o voto impresso foi o mesmo texto aprovado em 2015 no Congresso Nacional e o STF considerou inconstitucional. Quero crer que estamos incorrendo numa inconstitucionalidade pela segunda vez”, afirmou Castro.

“As urnas eletrônicas estão conosco há décadas, em todas as eleições nunca houve até hoje uma única comprovação de fraude ou violação das urnas eletrônicas”, acrescentou.

Proposta fragiliza Lei da Ficha Limpa

O projeto ainda fragiliza a Lei da Ficha Limpa ao estabelecer a contagem de um político condenado ficar oito anos sem poder participar de uma eleição desde a condenação por órgão colegiado, sem menção à necessidade de cumprimento da pena antes

Na legislação atual, a contagem só começa após um político cumprir a pena.

No caso da compra de votos, para a cassação do diploma, do registro ou do mandato de um candidato que se beneficiou de compra de voto, seria necessária uma “aferição da gravidade das circunstâncias”, apontando nexo causal entre a compra de votos e o resultado da eleição.

Na atual legislação, o mero ato de comprar o voto já é o suficiente para se aplicar a punição. A pena é de até quatro anos de prisão e multa, além da possibilidade de cassação do registro ou diploma do candidato. No caso da inelegibilidade, a contagem de oito anos de inelegibilidade ocorre após o cumprimento da pena.

Levy Teles, Estadão Conteúdo

Parlamentares querem saber se conseguiriam ficar mais impunes sem foro privilegiado


Tribuna da Internet | Se o STF alterar o foro privilegiado, o que já é ruim  poderá ficar péssimoMerval Pereira
O Globo

Na discussão sobre a proposta de emenda constitucional do fim do foro privilegiado no Congresso, os parlamentares estão em dúvida se ajuda ou atrapalha mandar os processos contra eles para a primeira instância.

O problema é que não existe projeto para organizar o sistema judicial, para dar mais coerência a estes processos.

IMPUNIDADE – Eles estão buscando uma saída para ninguém ser punido. Querem fugir do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes, e descobrem que, indo para a primeira instância, podem cair nas mãos de um seguidor do ex-juiz Sergio Moro – onde começou a operação Lava-Jato, que acabou dando na prisão do Lula.

Assim, eles têm dúvidas sobre qual o melhor caminho – para eles, não para fazer justiça, mas para se protegerem. Agora querem que os processos vão para a justiça federal e o STJ seja a instância recursal. Tentam descobrir o caminho mais fácil para a impunidade.

É mais uma etapa do esforço de deputados e senadores para se protegerem. Este debate é uma vergonha, e vai levar a uma mudança na jurisdição que não tem nenhuma razão justa para ser feita.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Análise perfeita do Merval Pereira, mostrando como o brasileiro está mal servido nos Três Poderes. Aliás, no Legislativo, no Executivo e no Judiciário a incompetência abunda, com as raras exceções de sempre, como o ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça, grande defensor do ambientalismo(C.N.)

O Abandono da Quadra João Paulo II e a Culpa Compartilhada em Jeremoabo


O vereador Zé Miúdo está certo em denunciar o estado de abandono da quadra João Paulo II em Jeremoabo. O local, que deveria ser um espaço de lazer e esporte para a comunidade, se encontra em péssimas condições. No entanto, a culpa desse abandono não pode ser atribuída apenas à atual gestão de Tista de Deda.

A responsabilidade pelo descaso é compartilhada. Os vereadores da situação, que acompanharam a obra, ignoraram o material de má qualidade e o serviço mal-executado. Por sua vez, os vereadores da oposição, que antes das eleições fizeram vídeos e fotos denunciando o suposto superfaturamento e a má qualidade da construção, silenciaram após o pleito.

A omissão dos vereadores, tanto da situação quanto da oposição, é lamentável. Eles falharam em seu dever de fiscalizar, não levando as denúncias ao TCM-BA ou ao Ministério Público. Com a inércia dos representantes, o povo é quem arca com as consequências e o prejuízo.



A crise comercial Brasil-EUA em 2025: respostas, tensões e perspectivas


Governo apresentou argumentos para rebater acusações

Pedro do Coutto

O governo brasileiro entregou nesta semana uma resposta robusta ao órgão regulador de importações e exportações dos Estados Unidos, rebatendo a tese de que o Brasil seria um “parceiro muito ruim” e questionando a legitimidade da investigação aberta por Washington com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A ofensiva americana, acompanhada da imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto, nasceu em meio à retórica do presidente Donald Trump, que insiste em associar o contencioso a uma suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em reação, o Brasil montou uma defesa articulada por 11 ministérios e pelo Banco Central, apresentando um documento de 91 páginas que será levado também à audiência pública marcada para 3 de setembro, quando empresas americanas irão expor suas posições sobre a relação bilateral.

ARGUMENTOS – No texto, o Brasil argumenta que os pontos levantados pelos Estados Unidos — que incluem desde questões relacionadas ao Pix até acusações de práticas desleais em etanol, comércio digital e meio ambiente — não se sustentam juridicamente, devendo ser debatidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

Ao mesmo tempo, o governo acionou formalmente a OMC para questionar as tarifas impostas por Trump, reforçando que a via multilateral é o espaço legítimo para esse tipo de disputa. Internamente, a posição brasileira ganhou respaldo de empresas nacionais e também de multinacionais com operação no país, como Amazon, Coca-Cola e Caterpillar, que já declararam oposição ao “tarifaço” e defenderam a manutenção de um ambiente de negócios estável.

Do lado empresarial, pesquisa da Amcham Brasil mostrou que 88% das companhias entrevistadas defendem a negociação diplomática em vez de retaliações imediatas, e 86% consideram que medidas duras apenas prejudicariam o diálogo. Essa pressão pragmática soma-se ao discurso político do presidente Lula, que afirmou que o Brasil não aceita ser tutelado e responderá às ações americanas à luz da recém-aprovada Lei da Reciprocidade Econômica.

DUPLO MOVIMENTO – A crise, portanto, revela um duplo movimento: de um lado, a tentativa de Trump de politizar o comércio exterior em sintonia com sua base interna; de outro, a aposta brasileira em uma defesa técnica, amparada no direito internacional e apoiada por setores empresariais.

O mês de setembro será crucial. Se as argumentações brasileiras forem reconhecidas como consistentes e se as empresas americanas reforçarem a necessidade de cooperação, há espaço para uma recomposição parcial do diálogo. Caso contrário, a crise poderá se aprofundar, com prejuízos significativos para o comércio bilateral.

O que já está claro é que o Brasil decidiu enfrentar a pressão com serenidade e firmeza institucional, buscando mostrar ao mundo que, diante de ataques unilaterais, a melhor resposta ainda é o caminho da diplomacia e da legalidade internacional.


Barroso alerta para riscos da desinformação e defende imprensa como pilar democrático

 

Barroso alerta para riscos da desinformação e defende imprensa como pilar democrático


Da  Agência CNJ de Notícias

 Foto: Ana Araújo/Ag. CNJ

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu o papel da imprensa e alertou para os riscos da desinformação. A análise foi feita nesta terça-feira (19/8), durante o seminário Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário, realizado no auditório do CNJ, em Brasília. 

Segundo o ministro, o cenário pós-revolução digital e tecnológica transformou profundamente os meios de comunicação. “Este é um mundo em que se democratizou o acesso à informação, ao conhecimento, ao espaço público, de uma maneira geral. Antes da internet, a informação circulava pelos meios de comunicação tradicionais: televisão, rádio e imprensa”, ponderou. 

Uma das consequências do advento da internet, segundo Barroso, é a ampliação da circulação de informações sem filtro. “O que tem custado um preço elevado à democracia é a tribalização da vida”. De acordo com o ministro, a navegação nas plataformas digitais retroalimenta os próprios interesses dos usuários, reforça crenças e cria bolhas informacionais, onde o contraditório desaparece e o diálogo se torna cada vez mais raro.  

“Estamos vivendo em um mundo em que as pessoas já não convergem quanto aos fatos. Cada um tem a sua própria narrativa. As pessoas são expostas a opiniões divergentes. Da intolerância à violência, o passo é relativamente pequeno”, lamentou. 

Na visão do presidente do CNJ, a imprensa tem um papel decisivo na criação de fatos comuns sobre os quais as pessoas formam suas opiniões. “Esse papel está sendo corroído. Perdemos, no mundo atual, a capacidade de viver sob um parâmetro mínimo civilizado, que é a busca pela verdade — a verdade possível, no plural, mas sempre com sinceridade e boa fé. A imprensa tradicional precisa reocupar seu espaço no debate público”, defendeu. 

Ao fazer uma retrospectiva sobre a atuação da imprensa no Brasil, sobretudo no período da Ditadura Militar (1964–1985), Barroso ressaltou o papel que o jornalismo desempenhou em sua trajetória pessoal. “Tenho uma relação muito profunda e imensa com o jornalismo. Passei a minha vida consumindo publicações de maneira geral. E, ainda hoje, acordo de manhã e leio a primeira página de todos os principais jornais digitais. Despertei para a vida do Brasil com uma notícia de jornal, quando ocorreu a morte do jornalista Vladimir Herzog, em São Paulo”, pontuou. 

O ministro também relembrou decisões emblemáticas do STF e as posturas adotadas em temas sensíveis. “O Supremo tem uma posição relativamente libertária em matéria de discussão e expressões artísticas, com exceção muito veemente em relação ao discurso de ódio, que é enquadrado na lei que proíbe o racismo”, disse. 

Com base nesse entendimento, explicou Barroso, o Supremo passou a criminalizar quaisquer discursos de ódio contra grupos vulneráveis. “A Constituição exige a tipificação do crime de racismo em relação ao racismo étnico, mas essa decisão foi estendida também ao racismo contra os judeus. Mais recentemente, no voto antológico do ministro Celso de Mello, o STF criminalizou a homofobia, considerando igualmente criminalizáveis os discursos de ódio contra pessoas homossexuais ou transexuais”, declarou. 

Cartilha 

A conselheira Daiane Lira enfatizou a importância das decisões do STF sobre a garantia da liberdade de imprensa, presentes na cartilha “Liberdade de Imprensa: onde estamos e para onde vamos”, lançada durante o seminário. “Nosso papel agora será exatamente trabalhar essas 20 decisões resumidas na cartilha. Esses julgados são um pontapé inicial para realizarmos as discussões sobre o tema”.  

Acesse a cartilha Liberdade de Imprensa: onde estamos e para onde vamos 

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministro Aloysio Corrêa da Veiga, afirmou que a Constituição é sábia ao tratar da liberdade de expressão e apontou suas principais limitações. “Precisamos celebrar e preservar, sempre, a liberdade de expressão como sendo, naturalmente, o apanágio de uma sociedade que se afirma democrática. Uma sociedade que respeita as liberdades individuais, a dignidade humana e os direitos fundamentais. Esse conjunto de valores — liberdade, dignidade, respeito — traz como consequência inevitável a necessidade de estabelecer limites e responsabilidades, especialmente quando há abuso”, analisou. 

Já o presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), desembargador Francisco Oliveira Neto, reiterou que a imprensa é o instrumento que garante a visibilidade do poder. “Em um Estado democrático, não se pode permitir a invisibilidade do exercício do poder público. A separação entre o público e o privado já não é tão nítida, especialmente quando o que é privado precisa se tornar público. A liberdade de imprensa encontra sua excelência justamente na afirmação desses princípios, pois é ela que garante o controle social legítimo, feito em público e para o público, preservando a própria existência da sociedade e do seu processo civilizatório”, concluiu. 

O presidente da ABI, Octávio Costa participou da mesa O enfrentamento do assédio judicial contra jornalistas no Brasil: avanços e desafios, com a presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Katia Brembatti; e a e co-fundadora do Instituto Tornavoz, Tais Gasparian, autora da Ação Direta de Inconstitucionalidade. Em sua fala, Octávio Costa destacou o papel político da ABI, com destaque para a defesa da soberania nacional e o genocídio de Israel na Faixa de Gaza, que já matou centenas de jornalistas, e manifestou a preocupação da entidade com o assédio judicial contra jornalistas, que intima e ameaça os profissionais de imprensa. Octávio disse que “não é possível que cada juiz defina os limites da liberdade de imprensa, o que causa uma grande insegurança jurídica para o exercício do jornalismo”.

Veja aqui a fala do presidente Octávio Costa

 

https://www.abi.org.br/barroso-alerta-para-riscos-da-desinformacao-e-defende-imprensa-como-pilar-democratico/

Nota da Redação deste BlogO Silêncio da Imprensa e a Luta Pela Liberdade em Jeremoabo


"Do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF e do CNJ, em palestra sobre a liberdade de imprensa: 

“Tenho uma relação muito profunda e imensa com o jornalismo. Passei a minha vida consumindo publicações de maneira geral. E, ainda hoje, acordo de manhã e leio a primeira página de todos os principais jornais digitais. Despertei para a vida do Brasil com uma notícia de jornal, quando ocorreu a morte do jornalista Vladimir Herzog, em São Paulo”. "

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltou em uma palestra a importância vital da imprensa para a democracia. Ele mencionou sua profunda relação com o jornalismo, afirmando que foi por meio de uma notícia de jornal sobre a morte de Vladimir Herzog que ele despertou para a vida pública. Sua fala reforça o papel essencial da imprensa na fiscalização do poder e na formação da consciência social.

Enquanto isso, em Jeremoabo, a realidade é outra. A tentativa de silenciar este blog por ter republicado supostos atos ilícitos praticados por um servidor do foro demonstra o quão frágil a liberdade de imprensa ainda é em algumas regiões. A denúncia em questão já havia sido publicada no Diário de Justiça, um veículo oficial, o que reforça o compromisso do blog com a transparência e a informação.

A tentativa de amordaçar um blog que apenas cumpre seu papel de informar a população sobre fatos que já são públicos é uma afronta à liberdade de expressão e à democracia.


Você acredita que a defesa da liberdade de imprensa, mesmo em casos de denúncias contra figuras de poder, é um pilar fundamental para a democracia em um país?

Alvorecer de esperança em terra de contrastes

 Alvorecer de esperança em terra de contrastes


             * Paulo Baía 


O Brasil desperta como quem atravessou uma noite longa de incertezas, cheia de vozes sombrias que anunciavam o naufrágio da esperança, para reencontrar um amanhecer mais claro. O ar que agora se respira já não é tão pesado, a mesa popular volta a conhecer o alívio de uma cesta menos ameaçada, e o coração do povo redescobre que, por vezes, a política pode devolver o fôlego que parecia perdido. A pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2025 revela, com a precisão das estatísticas, essa reconfiguração silenciosa da vida social: a aprovação do governo alcança 31%, a desaprovação recua para 39%, e a distância entre ambas se estreita para 8 pontos percentuais. A aprovação pessoal de Lula cresce e chega a 46%, enquanto a desaprovação cai para 51%. Três meses atrás, em maio, o cenário era de desalento: 57% desaprovavam e apenas 31% aprovavam o governo. Essa diferença, que parecia cristalizar a fadiga política e o descontentamento social, começa a se desfazer como neblina diante do sol.

Nada disso nasce do acaso. As transformações da opinião pública não surgem por geração espontânea, mas de vetores materiais e simbólicos que se encontram. O primeiro vetor é interno, inscrito na experiência cotidiana do povo: a inflação dos alimentos. Em maio, 76% declaravam sentir que os preços não paravam de subir. Em agosto, esse número cai para 60%. O impacto desse dado vai muito além do gráfico: ele se inscreve na vida concreta, na feira da esquina, na prateleira do mercado, na panela de arroz que já não é tão racionada. A percepção de perda do poder de compra também cede: de 80% para 70%. Enquanto isso, os que dizem conseguir comprar mais aumentam de 11% para 16%. São números que, sob o olhar sociológico, representam alívio em milhões de lares. Cada ponto percentual corresponde a famílias que respiram mais tranquilas, a trabalhadores que já não veem o salário dissolver-se no vazio, a mulheres que conseguem repor o leite, a crianças que voltam a encontrar carne no prato.

O segundo vetor é externo, atravessa o campo geopolítico e afeta a autoestima coletiva da nação. O tarifaço de Donald Trump foi mais do que um ataque comercial, foi um teste à soberania brasileira. A resposta do governo, avaliada como firme, reconfigura a imagem do país diante de seu próprio povo. Segundo a pesquisa, 48% consideram que Lula agiu da forma correta diante das tarifas, e 49% acreditam que sua atuação se deu em defesa do Brasil, e não em benefício pessoal. Esse dado revela um fenômeno profundo: a população reconhece na postura do presidente não apenas uma medida de governo, mas um gesto de Estado, um ato de dignidade nacional. A diplomacia, nesse momento, deixa de ser distante e abstrata para se converter em pão, emprego e orgulho. O enfrentamento com o império é interpretado como gesto de soberania que protege a vida comum.

A força política desse instante está exatamente na junção desses dois movimentos: a descida da inflação dos alimentos e a postura firme diante do estrangeiro. Quando o preço do feijão deixa de ser tormenta, e quando a imagem de um presidente que não se ajoelha aparece no noticiário, algo profundo se reorganiza no imaginário coletivo. O governo se reconecta à alma popular, e a política volta a ser vista como capaz de proteger. A pesquisa, com sua frieza numérica, é o espelho dessa pulsação social, que se expressa não apenas nas respostas colhidas, mas no silêncio das cozinhas e no rumor das ruas. É nesse entrelaçamento entre o econômico e o simbólico que se explica a recuperação da aprovação.

Esse efeito é ainda mais evidente entre os segmentos mais vulneráveis. No Nordeste, entre beneficiários do Bolsa Família, entre mulheres e entre trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, a aprovação cresce com intensidade. Esses grupos são os que mais sentem a dureza da inflação, os que mais dependem da política social e os que mais valorizam a defesa da soberania. O alívio no bolso, combinado ao orgulho nacional diante do império, fecunda a esperança ali onde o desalento parecia consolidado. A democracia, trincada por anos de ameaças autoritárias, ganha respiro nesse reencontro com sua base popular. Cada ponto percentual que se desloca entre os pobres é mais do que estatística: é rearticulação do pacto social.

Mas a pesquisa também revela os limites e as contradições desse processo. Ainda há uma maioria crítica: 51% desaprovam o governo. A polarização não desapareceu, continua presente e intensa. Os números mostram recuperação, mas também lembram que a disputa segue em aberto. A diferença, que em maio era de 26 pontos percentuais (57% de desaprovação contra 31% de aprovação), agora é de apenas 5 pontos na avaliação pessoal e de 8 pontos na avaliação do governo. Essa mudança abrupta em três meses mostra que a opinião pública brasileira é sensível, plástica, sujeita a choques e a viradas rápidas. Isso significa que conquistas podem ser revertidas, que esperanças podem se dissolver, que confiança pode novamente se esvair. A política é campo de ventos e tempestades.

O olhar sociológico sobre esses dados exige enxergar além das curvas. 46% de aprovação não é apenas metade do país em sintonia com o presidente. É também a confirmação de que a narrativa da reconstrução ainda é possível. A queda da desaprovação, de 57% para 51%, significa que o pessimismo não é irreversível. Há resiliência. Há espaço para o otimismo. Há terreno para a esperança. Esse movimento é como poesia política: traduzido em estatísticas, mas vivido em emoções coletivas. É a metáfora de um país que alterna desencanto e confiança, medo e coragem, resignação e luta.

Mas há aqui um alerta. A defesa da soberania não pode ficar restrita a um governo ou a um tribunal. O povo precisa assumir seu protagonismo. Sem mobilização organizada, sem ruas ocupadas, sem praças vivas, a democracia corre o risco de dissolver-se novamente em ácido. O capital financeiro, articulado na Farialima, deseja submissão irrestrita às ordens do império. Setores militares ainda alimentam nostalgias autoritárias. O bolsonarismo, mesmo derrotado eleitoralmente, permanece como força ativa, articulada com interesses poderosos, pronta a corroer a frágil institucionalidade democrática. O perigo continua presente.

É por isso que a pesquisa deve ser lida em duas chaves: como oportunidade e como aviso. Oportunidade porque mostra que as políticas de alívio inflacionário e de firmeza diplomática produzem reconexão entre governo e sociedade. Aviso porque lembra que essa reconexão é parcial e instável. A história política brasileira demonstra que avanços institucionais sem sustentação popular são frágeis. O que se conquista hoje pode se perder amanhã. Para que a esperança se torne força material, é necessário que se converta em mobilização organizada, em corpo social ativo, em presença nas ruas.

A Quaest não nos entrega apenas estatísticas. Ela nos entrega um retrato de época. Mostra que o governo reaprendeu a dialogar com o povo, e que o povo reaprendeu a reconhecer sinais de esperança no governo. Mostra que a democracia, ainda vacilante, respira. Mas lembra também que respirar não é suficiente. É preciso transformar esse sopro em fôlego. É preciso transformar índices em raízes. É preciso fazer do alvorecer um dia pleno.

Se o Brasil não assumir sua soberania como destino e sua democracia como tarefa coletiva, o risco é que a esperança se converta novamente em cinza. Mas se o país souber transformar esse momento em ação organizada, se o povo ocupar ruas e praças, se a política reencontrar sua dimensão popular, então este alvorecer, ainda frágil, poderá florescer em sol vigoroso. Que o cristal da democracia não volte a se quebrar. Que a semente da esperança, alimentada pelo alívio da mesa e pela dignidade diante do mundo, seja cultivada como raiz profunda de um futuro soberano, justo e livre.


              * Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ


Alvorecer de esperança em terra de contrastes – Agenda do Poder

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