terça-feira, agosto 19, 2025

A direita entre ratos e rupturas: o dilema da herança bolsonarista



Jornalista que defende a censura é sinal de novos tempos no Brasil


Charge do Zé Dassilva: Os "livros proibidos" pela Educação em SC - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Demétrio Magnoli
Folha

Editorial é o espaço de opinião da direção dos veículos de imprensa. Coluna de ombudsman é o espaço de defesa dos interesses dos leitores, à luz dos princípios jornalísticos. Nos últimos anos, contudo, os ombudsmans da Folha o converteram em colunas opinativas. A atual ombudsman levou a prática ao extremo, escrevendo um contra-editorial. O procedimento reflete um fenômeno novo: a pregação da censura por jornalistas.

Na sua crítica ao editorial da Folha que defendeu a liberdade de expressão de Bolsonaro, a ombudsman simula expressar uma opinião quase universal dos leitores. No fundo, é outra coisa: guerrilha digital.

GABINETES DO ÓDIO – Atualmente, as correntes compactas de opinião política são fabricadas nos “gabinetes do ódio” controlados pelo bolsonarismo ou pelo lulismo. Na linha de montagem, dirigentes partidários definem alvos e argumentos que, depois, são viralizados pelos influenciadores associados. Por fim, simpatizantes reproduzem os discursos arquitetados lá no alto.

O contra-editorial organiza-se como colagem de comentários selecionados. Mensagem unívoca: a Folha trai seus leitores ao sustentar o princípio da liberdade de expressão até mesmo para Bolsonaro.

A ombudsman fala pela voz de um leitor: “Nenhuma democracia sobrevive se não souber se proteger de quem a usa como escada para destruí-la por dentro”. É o álibi empregado ritualmente pelo STF, desde a proibição de entrevistas de Lula na prisão (2018), passando pela ordem de censura à revista Crusoé (2019) e pelos vetos a perfis do esgoto bolsonarista, até o embargo ao uso de redes sociais por Bolsonaro. Segundo os juízes-censores, vivemos em excepcionalidade permanente.

LIBERDADE DE QUÊ? – Não há hipocrisia maior que a retórica da extrema direita pela liberdade de expressão: os bolsonaristas, saudosistas da ditadura militar brasileira, aplaudem as ordens de prisão de Trump contra estudantes que criticam a política externa dos EUA. Se o golpe deles tivesse funcionado, empastelariam jornais.

Mas, nos dois polos do espectro político, o imperativo categórico é calar a boca do outro. A esquerda lulista, que defende as tiranias cubana e venezuelana, já pediu em coro a censura da imprensa (senha: “controle social da mídia”) e, hoje, engaja-se na missão de censurar as redes (senha: “coibir o discurso antidemocrático”).

A verdadeira novidade são os jornalistas-censores. Num passado recente, jornalista profissional capaz de clamar pela censura era algo mais raro que comida ruim na Itália. Nos dias que correm, formam multidões. Como decifrar o fenômeno?

ECONOMIA E CULTURA – Suspeito que suas raízes estejam fincadas tanto na economia como na cultura. Numa ponta, o enfraquecimento financeiro da imprensa profissional, na era das plataformas virtuais. Na outra, um declínio da lealdade aos princípios jornalísticos, nessa era da colonização ideológica das universidades.

Jornalistas formados em ambientes intoxicados pelo ativismo digital perderam o respeito pelo conceito de pluralidade. Aprenderam a subordinar qualquer princípio a suas simpatias ideológicas.

Esqueceram que a liberdade, nas palavras de Rosa Luxemburgo, “é sempre, e unicamente, a liberdade dos que divergem de mim”. Não se dão conta de que, amanhã, ventos políticos invertidos, serão eles as vítimas dos censores. O contra-editorial documenta uma época.


Congresso quer voltar ao tempo em que era impune e dominava o STF


Um homem está sentado, com a mão direita na testa, em um gesto que sugere preocupação ou reflexão. Ele usa um terno escuro e uma gravata clara. O fundo é neutro, com uma parede clara e uma superfície escura à sua frente.

Hugo Motta agora está tentando ressuscitar o passado

Dora Kramer
Folha

O presidente da Câmara dos Deputados apregoa rejeição à anistia ampla a golpistas e impõe reparos ao fim do foro privilegiado para deputados e senadores, mas avisa que há “ambiente na Casa” para tirar do Supremo Tribunal Federal o poder de abrir ações contra parlamentares.

Hugo Motta (Republicanos-PB) vocaliza, assim, o desejo primordial reinante no Congresso: a retirada definitiva de seus pares do alcance dos rigores do STF.

É a maneira mais eficiente de assegurar que ali não se instaurariam inquéritos como as dezenas que correm para apurar ilícitos no uso de emendas ao Orçamento.

IMPUNIDADE ANTIGA – Na prática, uma licença para transgredir. Exatamente como acontecia até 2001, quando a obrigatoriedade de aval do Parlamento impedia investigações e permitia que fosse cometida toda sorte de ilegalidades, algumas atrozes, sem o risco de punições. Esse tipo de retrocesso é o que está na mira.

Necessitado de recuperar autoridade e refazer a atmosfera de unanimidade que cercou sua eleição, Motta vai ao encontro do anseio da maioria nem que para isso seja preciso sacrificar um avanço civilizatório datado de 24 anos atrás.

O fim do foro por prerrogativa de função não forneceria as garantias pretendidas. Levaria de qualquer forma os parlamentares aos tribunais regionais federais ou os submeteria a desconfortáveis circunstâncias locais das primeiras instâncias.

AVAL DO CONGRESSO – Já a necessidade de aval para o Supremo atuar mantém o privilégio e, ao mesmo tempo, se configura como a proteção perfeita a um Legislativo ávido por dar trocos ao que vê como agressões do Judiciário.

O presidente da Câmara argumenta que é preciso salvaguardar seus comandados de sanções por “crimes de opinião”. Dá o tiro numa direção para atingir alvo localizado em outro endereço, um tanto mais oculto.

Talvez seja bom mesmo que se ponha o tema em votação. Uma vez aprovado, veríamos com clareza o Congresso que temos. E depois disso, quem sabe, a anistia aos golpistas, o perdão aos amotinados e a quem mais se disponha a insurreições.


Títulos Sem Critério e a Memória de Jeremoabo: Uma Câmara que Ignora a Própria História


A Câmara de Vereadores de Jeremoabo vive um momento surreal, onde a entrega de títulos de cidadão jeremoabense parece ter perdido qualquer critério. Enquanto a honraria é distribuída a esmo, a história e o legado de quem realmente contribuiu para o município são deixados de lado.

O caso de Jovino Manoel Fernandes Alves é emblemático. Um veterano defensor da cultura e da história local, Jovino tem uma longa folha de serviços prestados a Jeremoabo e a sua gente. Vereador, professor, diretor e secretário de colégio, proprietário de canal de informação, presidente de clube social... a lista de suas atividades sociais e culturais é vasta. Seus pais também deixaram uma marca de serviços relevantes.

No entanto, essa omissão por parte da Câmara de Vereadores não chega a ser uma surpresa. A crítica se torna ainda mais contundente quando se lembra que o nome do político mais importante de Jeremoabo e região, o Coronel João Sá, foi retirado de uma escola. A Câmara, em sua obsessão por apagar o passado, ainda tenta mudar a data da emancipação política do município.

Diante de tamanhas aberrações, a falta de reconhecimento a Jovino e a tantos outros que honraram Jeremoabo é apenas mais um capítulo de uma triste história. A Casa do Povo, que deveria preservar a memória e valorizar a história, está mais preocupada em reescrevê-la, em um ato que desrespeita o passado e a própria identidade de Jeremoabo.


Você acredita que a Câmara de Vereadores deveria criar um conselho histórico para garantir que as honrarias sejam concedidas de forma justa e que a história do município seja preservada?

Hospital Geral de Vitória da Conquista é denunciado por condições insalubres como mofo, infiltrações e falta de respeito com os pacientes

 

Imagem do Hospital por fora e por dentro
Foto: Reprodução / Leitor BN

Infiltrações, tetos mofados e zero de respeito com as pessoas, essa é a situação no Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), uma das principais unidades de saúde do sudoeste da Bahia. Relatos obtidos pela equipe de reportagem nesta segunda-feira (18), do Bahia Notícias (BN), acompanhados de fotos, indicam problemas como infiltrações, mofo em corredores e dificuldades na comunicação com a equipe de gestão.

 

“Aqui os pacientes ficam em leitos expostos, com janelas abertas que permitem a entrada de pássaros e outros animais. Há relatos de médicos agindo com descaso, ausência de respeito e falta de zelo no atendimento. Além disso, profissionais de enfermagem relatam atrasos e falta de pagamento de salários”, relata um paciente com medo de se identificar.

 

Imagens registradas dentro do Hospital por pacientes | Foto: Reprodução / Leitor BN

 

Ainda temendo represálias da administração do hospital, um paciente procurou a redação do BN para denunciar a situação ‘ultrajante’ no local. Segundo o paciente, o ambiente é de medo dos funcionários serem desrespeitosos. 

 

"Aqui está sempre o mesmo, o ambiente dos pacientes é de medo. Eu tentei tirar uma foto para mostrar a situação e me disseram que não era permitido. Não quero generalizar, pois alguns funcionários são muito complacentes, sabe? Mas já fui abordado dizendo que não poderia registrar. Aqui é um órgão público, eu tenho o direito de me manifestar. Não tirei foto dos rostos, tirei do local", conta o paciente.

 

 

As denúncias, que chegam em meio à alta demanda do hospital no fim de semana — que atende dezenas de municípios da região — apontam que o ambiente não estaria adequado para o tratamento de pacientes. A situação levanta questionamentos sobre a segurança e a qualidade do serviço prestado à população.

 

 

“A estrutura é insalubre: o teto sem forro, telhado manchado de mofo e infiltração, e também banheiros sem higienização adequada, sujeira generalizada e total ausência de condições mínimas de funcionamento. Os corredores e a enfermaria, as paredes estão sujas e manchadas, e os quartos estão com janelas abertas, sem ambiente de refrigeração adequada, falta de higiene e cuidado com os pacientes”, ressalta o paciente.

 

A redação do Bahia Notícias entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) e com a direção do Hospital Geral de Vitória da Conquista em busca de um posicionamento oficial sobre as denúncias. Até o momento, o hospital não se manifestou sobre o caso.

 

Foram enviadas perguntas específicas sobre as condições do prédio e o procedimento adotado pela unidade. Até o momento, o hospital não se manifestou sobre o caso. Em nota, a secretaria explicou a situação e garante que esta recebendo investimentos.

 

“Quanto à denúncia de que um paciente teria sido impedido de registrar imagens dentro do hospital, a Sesab esclarece que a orientação vigente é preservar a privacidade e a segurança de todos os usuários e profissionais. A Sesab reforça seu compromisso permanente com a transparência e a melhoria da rede hospitalar, reafirmando que o Hospital Geral de Vitória da Conquista é referência para toda a região Sudoeste e continuará recebendo investimentos estruturantes para ampliar a assistência à população”, diz a nota.

 

A questão principal é que, desde que os pacientes estão no local, não houve melhora nas condições do Hospital. “Não é generalizado, temos funcionários maravilhosos e humanos, e tem outros que deixam a desejar. Há uma falta de investimento por parte do governo do estado, com certeza falta política. Precisamos rever essa gestão estadual”, finaliza a paciente contando que se sente refém do descaso.

 

Leia a nota na íntegra:

O Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC) dispõe de equipe própria de manutenção predial, coordenada pela engenheira Janine, que atua de forma contínua para atender às demandas estruturais da unidade. Ao longo dos anos, o hospital já passou por diversas reformas e ampliações, sempre com o objetivo de garantir melhores condições de assistência aos pacientes e de trabalho aos profissionais.

 

Ainda em 2025, será lançada uma grande intervenção na unidade, conforme já anunciado pelo governador Jerônimo Rodrigues em junho deste ano (link), que vai contemplar modernizações estruturais e ampliar a capacidade de atendimento.

 

Quanto à denúncia de que um paciente teria sido impedido de registrar imagens dentro do hospital, a Sesab esclarece que a orientação vigente é preservar a privacidade e a segurança de todos os usuários e profissionais. A Sesab reforça seu compromisso permanente com a transparência e a melhoria da rede hospitalar, reafirmando que o Hospital Geral de Vitória da Conquista é referência para toda a região Sudoeste e continuará recebendo investimentos estruturantes para ampliar a assistência à população., finaliza a nota.

Estados Unidos chamam Alexandre de Moraes de “tóxico” e ameaçam países que o “fornecerem apoio”

 

Estados Unidos chamam Alexandre de Moraes de “tóxico” e ameaçam países que o “fornecerem apoio”
Foto: Marcelo Camargo / EBC

O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão do governo dos Estados Unidos, se manifestou chamando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “tóxico”, em uma publicação no X (antigo Twitter) na noite desta segunda-feira (18). No texto, o órgão também pediu "cautela" a outros países ao interagirem com ele, alertando para o risco de novas sanções.

 

O pronunciamento foi feito após uma decisão do ministro do STF Flávio Dino, que determinou que nenhuma empresa ou órgão com atuação no Brasil poderá aplicar restrições, ou bloqueios baseados em determinações unilaterais de outros países.

 

Na mensagem, o Escritório do governo americano afirmou que “nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções impostas pelos EUA”. A mesma mensagem foi replicada e traduzida pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil na mesma rede social.

 

“Alexandre de Moraes é tóxico para todas as empresas legítimas e indivíduos que buscam acesso aos Estados Unidos e seus mercados. Nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções impostas pelos EUA ou proteger alguém das severas consequências de descumpri-las. Cidadãos americanos estão proibidos de manter qualquer relação comercial com ele. Já cidadãos de outros países devem agir com cautela: quem oferecer apoio material a violadores de direitos humanos também pode ser alvo de sanções”, diz o texto.

 

Veja a publicação original:
 

VÍDEO: Ciro Gomes acusa Camilo Santana e prefeita petista de “recrutarem mulheres” para serviços sexuais

 

VÍDEO: Ciro Gomes acusa Camilo Santana e prefeita petista de “recrutarem mulheres” para serviços sexuais
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), acusou o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), de envolvimento em escândalos sexuais. A declaração foi feita durante uma festa de aniversário do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União Brasil), e circula em vídeo nas redes sociais.

 

Na gravação, Ciro afirma que Camilo, também ex-governador do estado, teria contado com a ajuda da atual prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT), para “recrutar” mulheres. Janaína foi eleita segunda suplente de senadora na chapa de Camilo em 2022.

 

“A pessoa que recrutava moças pobres de boa aparência para fazer o serviço sexual sujo do senhor Camilo Santana virou senadora pelo Ceará e agora é prefeita de um município do estado. E isso é um desafio para o qual os meus queridos amigos estão me chamando para encarar. É para eu encarar? Eu vou encarar”, disse Ciro no vídeo.

 

Confira:
 

 

Essa não é a primeira vez que Ciro ataca a prefeita. Em 2022, ele foi condenado a pagar R$ 52 mil por violência política de gênero, após chamá-la de “assessora de assuntos de cama”. A decisão foi da juíza Priscila Faria da Silva, do TJDFT, e cabe recurso.

 

Cotado para se filiar ao PSDB, Ciro pode ser candidato ao governo do Ceará no próximo ano, em uma articulação liderada pelo ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

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