segunda-feira, agosto 18, 2025

China foi ofendida por Bolsonaro, mas nem por isso atacou os brasileiros


Dora Kramer
Folha

Governadores que pretendem representar a direita na disputa presidencial de 2026 insistem em responsabilizar o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) pela crise com os Estados Unidos. É a maneira confortável que acharam para se distanciar das ações bolsonaristas. A desonestidade mental na construção de versões não deixa de ser um direito inalienável de seus autores, embora o truque encontre na realidade um poderoso obstáculo.

Verdade que Lula não precisaria ter contaminado a relação entre os dois países com a doença infantil do antiamericanismo. Mais condizente com a tradição diplomática do Brasil teria sido manter a tradição de neutralidade, mas está feito e, pelo jeito, não vai mudar.

ÍNDIA, INCLUSIVE – Ademais, a ofensiva de Donald Trump não atingiu apenas adversários ideológicos. Alcançou governos politicamente amigáveis como a Índia, também sancionada com tarifas de 50%. Portanto, as posições de Lula podem até compor a cena, mas não servem como justificativa nem explicam o todo até agora sem explicação razoável.

Os governadores de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás certamente não estão acometidos por um surto de amnésia. Devem se lembrar muito bem do tratamento que o então governo de Jair Bolsonaro (PL), apoiado por eles, reservava à China, da mesma forma por razões ideológicas.

O maior parceiro comercial do Brasil, à época visto como ameaça comunista, foi alvo de declarações ofensivas, de retórica agressiva e até culpado pela pandemia da Covid-19.

SEM INTERVIR – Em protesto, a embaixada chinesa reagiu com energia, mas nem por isso prejudicou a pauta de exportações nem tentou intervir em nossas questões internas ou aplicar sanções a pessoas cujos atos desagradassem a Pequim.

Pretensões eleitorais não autorizam ninguém a distorcer os fatos de modo para moldá-los às suas conveniências. No caso, o que temos é a figura de um agressor que decidiu acionar sua usina de punições para dar asas à própria violência. Uma doença que um telefonema de Lula não cura.

JUÍZES SEM ROSTO – por Siro Darlan

 MAZOLA   7 min read


Por Siro Darlan –





Texto publicado originalmente em 2001 na revista MMFD.

A morte violenta de um destemido Juiz suscitou o debate nacional em torno da violência que ocupa lugar de destaque no noticiário diário de nossa combalida sociedade. A morte tem sido sempre um marco de mudanças de toda natureza. A morte de Cristo, Filho de Deus, humanizado para trazer uma mensagem de Paz e perdão aos homens de boa vontade foi a mais significativa e transformadora. Contudo porque temos uma memória curta e limitada, Essa Mensagem precisa ser reforçada periodicamente através de novos martirios.

As reações são as mais diversas diante desses fatos relevantes para sociedade e logo surgem as sugestões de mudanças e de aperfeiçoamento das relações humanas e sociais com novos regramentos. A morte do juiz paulista e de um capixaba, além da natural revolta diante que qualquer ato de violência, sobretudo quando atenta contra a vida de um semelhante, trouxe ao debate a questão da segurança dos juízes.

Algumas propostas foram trazidas no bojo de uma intensa revolta e emoção coletiva, tais como a avocação de um processo pelo Tribunal de Justiça quando o magistrado sentir-se ameaçado na sua condução, a possibilidade de permuta entre magistrados de diferentes unidades da federação quando um deles estiver ameaça-do de morte, a criação de cargo de segurança pessoal do magistrado, a classificação de crimes hediondos para os homicídios praticados contra autoridades públicas, a isenção de tributos para que magistrados possam adquirir veículos blindados, verbas para aquisição de armas para magistrados, convênios para treinamento dos magistrados em cursos de tiro e defesa pessoal, dentre outras medidas. Contudo, uma delas chamou a atenção e causou uma estranheza por ser atentatória à imagem da magistratura. A proposta dos “juizes sem rosto” constitui uma afronta à magistratura porque implica no retrocesso de converter o julgador em carrasco que executa suas vítimas sem se identificar. O juiz prolata a sentença, mas não se identifica, oculta-se, esconde-se, acovarda-se.

O julgamento impessoal pode ser um precedente que justificará toda forma de arbítrio e a volta do pelourinho é a imagem que mais se aproxima dessa forma medieval de “fazer justiça”. Assim como os carrascos da idade média, os juízes terão que esconder seu rosto com um capuz. Nada mais vergonhoso e covarde.

O juiz tem que julgar olhando nos olhos do homem que julga, atento as suas reações e emoções, verificando cada gesto e cada emoção que podem ser elementos de convicção do julgador para prolatar uma sentença justa e equilibrada. O Juiz não é um vingador, mas um aplicador da lei segundo sua interpretação pessoal e suas convicções. Desejar que o juiz esconda o rosto na hora de julgar seus semelhantes é propor que o faça com medo, e o medo é condição inaceitável em um juiz. O juiz com medo não pode julgar, não é confiável nem deve ser aceito pela sociedade.

Contudo, não se pode negar, muito são os juízes sem rosto que judiciam em nosso Tribunais e essa prática deve ser combatida pelos que desejam o aperfeiçoamento da carreira. Algumas dessas hipóteses podem ser enumeradas não com o espírito crítico, mas com o afã de buscar as correções de eventuais distorções, ou pelo menos colocar em debate questões tão tormentosas na busca do aperfeiçoamento institucional como é requerido em tempos de tanta violência.

São juízes sem rosto aqueles que se submetem à humilhante procissão de beija-mãos e lava-pés nas vésperas de promoções por merecimento. Trata-se de uma prática que desconsidera a importância da independência dos magistrados que se submetem a essa prática vexatória. Trata-se de uma prática semelhante a um lobby através do qual um candidato à promoção procura seduzir seus julgadores, os desembargadores do Órgão Especial, a votarem no sedutor visitante em detrimento de outros candidatos que não se utilizam desse condenável expediente. Seria ético que os juízes, nas vésperas dos julgamentos, recebessem as partes em seus gabinetes, de forma isolada e individual para manifestarem suas propostas de negociação para que recebam o voto (sentença) favorável (procedente)? Não é suficiente que a Corregedoria com o aval do Conselho da Magistratura relatem o perfil profissional da cada candidato? Esses são juízes sem rosto que se arrastam pelos corredores dos Tribunais sorrateiramente em busca do voto que mais tarde lhe será cobrado.

São juízes sem rosto aqueles magistrados que rejeitam o controle externo e submetem ao controle administrativo os juízes das instâncias inferiores em razão de suas decisões judiciais, e ainda aqueles que usando abusivamente de suas funções submetem os juízes das instâncias inferiores a pressões quando no exame de processos de seu interesse pessoal ou de amigos a quem desejam servir.

São juízes sem rosto aqueles que recém aposentados, montam escritórios no mesmo Estado onde judicaram ou ainda contratam filhos de magistrados que são instrumentos de lobbys ou pressões nos julgamentos de interesse da banca, em franca e evidente advocacia administrativa eticamente condenável.

São juízes sem rosto aqueles que sendo titulares de cargos comissionados privilegiam seus parentes em detrimento dos servidores concursados e que aguardam o reconhecimento de suas qualidades e dedicação frustram-se ao testemunharem essa prática nepotista na própria Casa da Justiça.

São juízes sem rosto aqueles que se utilizam do cargo público para exercerem a magistratura com autoritarismo e arbítrio. Aqueles humilham seus semelhantes exigindo que deixem de utilizar os elevadores privativos de determinadas instâncias, aqueles que prendem juízas de forma arbitrária e permanecem na impunidade, aqueles que impunemente praticam infrações administrativas e éticas e são acobertados pelo corporativismo

São juízes sem rosto aqueles que não permitem a democratização do Poder Judiciário, o mais monárquico de todos os poderes da república, porque impedem a participação da maioria de trabalhadores da justiça nas importantes decisões administrativas enquanto assistem ao império de poucos que escolhem a cúpula administrativa e não participam das decisões que atingem a maioria silenciosa.

São juízes sem rosto aqueles que desejam como antídoto à violência outras formas de violência como a pena de morte aprovada por 28,4% dos juízes ouvidos e a redução da responsabilidade penal para adolescentes, reivindicada por 57,4% dos magistrados.

A Revolução Francesa, segundo nos narra a história foi o resultado de uma série de abusos administrativos contra a população. Enquanto os monarcas praticavam suas arbitrariedades o povo faminto assistia as orgias do poder ansioso por mudanças sociais. Paciente, o povo esperou anos por mudanças e só aceitou participar da Revolução quando viram que os juízes, última esperança de garantia de respeito aos seus direitos, haviam capitulado e de forma omissiva ou comissiva homologavam os abusos dos administradores monarcas. Hoje já se ouve o povo começar a cantar nas praças públicas “pare com essa ganância pois a tolerância pode se acabar” (samba da Beija Flor – campeã do carnaval carioca). Já pagamos caro com a recente Revolução Militar quando os poucos magistrados que cumpriram com o seu dever constitucional de cumprir e fazer cumprir a Constituição e as leis foram cassados e perseguidos enquanto a maioria se omitia e permitia que a Constituição fosse rasgada e violentada.

Resta-nos resgatar nossa credibilidade e respeito assumindo com coragem os riscos, ônus e bônus de nossas funções judicantes e não passando esse atestado de covardia e medo aceitando a humilhação de trabalhar com máscaras e presidir os julgamentos escondidos atrás das cortinas dos tribunais.

SIRO DARLAN – Advogado e Jornalista; Editor e Diretor do Jornal Tribuna da imprensa Livre; Vice presidente da Academia Brasileira de Letras do Cárcere; Ex-juiz de Segundo Grau do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ); Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Especialista em Direito Penal Contemporâneo e Sistema Penitenciário pela ENFAM – Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados; Mestre em Saúde Pública, Justiça e Direitos Humanos na ENSP; Pós-graduado em Direito da Comunicação Social na Universidade de Coimbra (FDUC), Portugal; Coordenador Rio da Associação Juízes para a Democracia; Conselheiro Efetivo da Associação Brasileira de Imprensa; Conselheiro Benemérito do Clube de Regatas do Flamengo; Membro da Comissão da Verdade sobre a Escravidão da OAB-RJ; Membro da Comissão de Criminologia do IAB. Em função das boas práticas profissionais recebeu em 2019 o Prêmio em Defesa da Liberdade de Imprensa, Movimento Sindical e Terceiro Setor, parceria do Jornal Tribuna da Imprensa Livre com a OAB-RJ.

https://tribunadaimprensalivre.com/juizes-sem-rosto-por-siro-darlan/

Pela primeira vez, Zelenski admite que pode ceder territórios para a Rússia


Lamento que Otan não tenha nos ouvido, diz Zelenski - 24/07/2022 - Mundo -  Folha

Sem apoio dos EUA, Zelesnki devolverá terras à Rússia

Deu na Folha

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou neste domingo (17) que as negociações com a Rússia para o fim da guerra podem ter como base a linha de frente atual do conflito, e esta é a primeira vez que o líder ucraniano admite colocar na mesa parte de seu território.

“Precisamos de negociações reais, o que significa que podemos começar por onde está a linha de frente agora”, disse ele, após encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas.

REUNIÃO, HOJE – O líder ucraniano viajou à sede da União Europeia na tentativa de mobilizar apoio de aliados europeus, todos apartados da cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin na sexta-feira (15). Zeleski, Von der Leyen e outros líderes do continente viajam a Washington nesta segunda-feira (18) para se reunir com o americano.

A cúpula entre Putin e Trump terminou sem um improvável cessar-fogo, que havia sido colocado como condição por Trump para que Moscou não sofresse “consequências severas”. O republicano, no entanto, saiu do encontro emulando os termos do Kremlin para o fim do conflito, defendendo um acordo de paz permanente em vez de um cessar-fogo, algo que favorece a posição russa.

Trump também fala agora em troca de território para finalizar um pacto, termo que agrada ao Kremlin. Putin tem pouco mais de 400 km² sob seu controle em Sumi e Kharkiv, áreas que não fazem parte das quatro regiões que anexou ilegalmente e que reivindica —são elas Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson, além da Crimeia ocupada desde 2014 que já vê como sua e pouco é considerada em discussões sérias sobre o fim do conflito.

NOVAS FRONTEIRAS – Cerca de 6.600 km² de Donetsk ainda estão sob controle ucraniano, embora tropas russas tenham ganhado terreno recentemente próximo a cidades relevantes no local, ameaçando as defesas de Kiev. A troca, portanto, pode se referir à entrega da totalidade de Donetsk aos russos pelo retorno da pequena área de Sumi e Kharkiv. Lugansk já está toda sob controle de Moscou, que pode aceitar recortar Zaporíjia e Kherson e congelar o território no desenho atual da linha de frente.

Neste domingo, apesar do recuo em sua posição até aqui intransigente quanto a ceder territórios, Zelenski reiterou que busca uma pausa no conflito antes de negociar um acordo permanente.

Os péssimos sinais vindos do encontro Putin-Trump para Kiev, apartado na prática da discussão sobre o fim da guerra, é também deplorado por europeus, temerosos das aspirações de Putin para o resto do continente. A reação à cúpula, porém, foi cautelosa e em tom propositivo, com os principais líderes buscando caminhos que contemplassem a nova realidade.

GARANTIAS SÓLIDAS – Ursula von der Leyen, por exemplo, já havia se pronunciado antes de receber o ucraniano, afirmando que “garantias de segurança sólidas que protejam os interesses vitais de segurança da Ucrânia e da Europa são essenciais” e, por isso, que está trabalhando em “estreita colaboração com Zelenski e os EUA”.

Neste domingo, Zelenski e Von der Leyen se reuniram também com o presidente da França, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, do Reino Unido, Keir Starmer, e da Suécia, Ulf Kristersson.

Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia afirmou que a Europa continuará “a apoiar o caminho da Ucrânia em relação à adesão à União Europeia”, adicionando que não poderia haver limitações às Forças Armadas de Kiev em eventual acordo de paz. Não falou em adesão à Otan, a aliança militar ocidental.

FRENTE UNIDA – Macron fez coro à Von de Leyen e ainda afirmou que a reunião de segunda representará uma frente unida da Ucrânia com seus aliados europeus. “Se mostrarmos fraqueza hoje diante da Rússia, estaremos preparando o terreno para conflitos futuros”, alertou.

Um dos pontos em discussão seria implementar garantias de segurança à Ucrânia, semelhante ao que prevê o artigo 5 da carta fundadora da aliança, mas sem incluir Kiev no grupo, algo que é inadmissível para Putin.

A ideia da garantia alternativa foi ventilada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, no sábado (16). Neste domingo, o enviado especial americano, Steve Witkoff, afirmou em entrevista à rede americana CNN que Putin concordou com a ideia do oferecimento de garantias de segurança dos EUA e da Europa nos moldes do artigo 5 da Otan a Kiev, sem a admissão dos ucranianos ao grupo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Quer dizer que toda a mortandade, toda a destruição de cidades inteiras, toda a gastança de armas, munições, combustíveis e alimentos, tudo isso que ocorreu para evitar que a Rússia avançasse suas fronteiras sobre a Ucrânia, foi tudo em vão? Que mundo é esse, minha gente? Quem explica uma loucura nesse nível? (C.N.)


Supersalários: Acúmulo de benefícios salariais do judiciário baiano extrapola a cifra milionária nos últimos anos

 

Em 2024, o TJ-BA gastou cerca de R$ 180 milhões em benefícios, destacando um aumento significativo em relação aos anos anteriores  |   Bnews - Divulgação Rodrigo Braga/BNews

Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 18/08/2025, às 07h00


Entra ano e sai ano e os gastos com benefícios do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) continuam atingindo cifras milionárias. A reportagem do BNews analisou dados do DadosJusBr, plataforma ligada ao portal Transparência Brasil (TB), e revelou que, somados, os valores destinados a diárias, abono permanência e múltiplas gratificações ultrapassam a marca de R$ 700 milhões nos últimos cinco anos.

A plataforma é resultado do estudo em parceria com o Instituto República.org. A análise foi feita com base em todos os contracheques do Judiciário no país. A partir do levantamento realizado, entre os anos de 2020 e 2025, os gastos com benefícios no TJ-BA somam aproximadamente R$ 710,9 milhões. No entanto, a cifra ainda pode aumentar, já que os números de 2025 continuam sendo adicionados conforme os meses. 

Confira pagos com benefícios ano a ano: 

  • 2020: R$ 84,5 milhões
  • 2021: R$ 119,9 milhões
  • 2022: R$ 155,4 milhões
  • 2023: R$ 132,1 milhões
  • 2024: R$ 174,6 milhões
  • 2025: R$ 43,4 milhões (os dados continuam sendo coletados)

O levantamento do DadosJus.Br revelam que benefícios relacionados a diárias, abono de permanência, gratificação de função e gratificações natalinas são alguns dos principais impulsionadores dos gastos com o auxílio. No entanto, chamou a atenção o aumento de uma cifra classificada como “opaca”, que se refere a recursos cujo uso não foi claramente explicado. Essa nomenclatura ocupa o ranking das mais pagas nos últimos anos. 

Somente entre 2023 e 2024, a nomenclatura “opaca” foi responsável por mobilizar mais de R$ 3,4 milhões. Em um período mais amplo, que abrange de 2020 a 2025, os gastos em benefícios considerados “opacos”, conforme identificado pelo estudo, moveram quase R$ 8 milhões (R$ 7,675) dentro do TJ-BA.

Confira lista de gastos considerados opacos pelo estudo ao longo dos anos no TJ-BA: 

  • 2020: R$ 908,8 mil
  • 2021: R$ 931,5 mil
  • 2022: R$ 1,6 mi
  • 2023: R$ 2,1 mi
  • 2024: R$ 1,4 mi
  • 2025: R$ 834,6 mil (Os dados continuam sendo coletados)
Gastos com judiciário baiano disparam nos últimos anos / Reprodução: CNJ
Gastos com judiciário baiano disparam nos últimos anos / Reprodução: CNJ

O estudo também revelou os gastos com outros benefícios contratuais: ao longo de 2020 até os números incompletos de 2025, os gastos com pagamentos de diárias movimentaram R$ 16 milhões; já os gastos ligados a abono permanência foram de R$ 61,4 milhões. Outras gratificações, como as natalinas, também conhecidas como décimo terceiro, foram responsáveis por movimentar R$ 126,2 milhões entre os anos analisados. 

Confira como estão os gastos do TJ-BA em 2025: 

  • Abono pecuniário: R$ 0,0
  • Abono permanência: R$ 5,6 milhões 
  • Auxílio Alimentação: R$ 7,2 milhões
  • Aux. Diversos: R$ 0,0
  • Diárias; R$ 3,3 milhões 
  • Diferença de Entrância: R$ 75,6 mil 
  • Gratificação Exercício cumulativo: R$ 12 mil 
  • Grat. Função: R$ 1,6 milhão 
  • Grat. Natalina: R$ 12,5 milhões 
  • Indenização ferias: R$ 12,1 milhões 
  • Misturada: R$ 184,6mil 
  • Opaco: R$ 824,6mil 
  • Substituição: R$ 668,7 mil 
  • Terço constitucional de férias: R$ 0,0
  • Outras: R$ 116,0 mil 

SUPERSALÁRIOS 

O acúmulo de benefícios salarias do judiciário gera os chamados "supersalários". Segundo dados da pesquisa Movimento Pessoas à Frente, entre os anos 2023 e 2024 os salários acima do limite constitucional aumentaram 49,3%. O valor extrateto saltou de R$ 7 bilhões para R$ 10,5 bilhões em apenas um ano, muito acima da inflação oficial do período, que atingiu 4,83%.  

O estudo também identificou um aumento de quase 50% dos salários acima do limite constitucional. A pesquisa foi realizada em parceria com o pesquisador Bruno Carazza, professor, economista e jurista com pós-doutorado em Harvard, com foco em políticas públicas e governança. A instituição usou a base de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na pesquisa. 

Conforme a TB, os “supersalários” no serviço público se referem a remunerações que, somadas a outros benefícios, ultrapassam o teto. Neste sentido, o teto salarial de um magistrado no Brasil, incluindo juízes e desembargadores, é definido pelo subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que atualmente é de R$ 46.366,19 mil. 

Número de beneficios do judiciário geram supersalários / Reproducão: Flickr
Número de beneficios do judiciário geram supersalários / Reproducão: Flickr

Em entrevista ao BNews, o professor, advogado e especialista em Direito Público Jamil Santana explicou que esses pagamentos existem por medidas indenizatórias. 

"Essas verbas, por serem indenizatórias ou excepcionais, acabam ficando fora do teto constitucional previsto no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal. Na prática, isso significa que, mesmo respeitando formalmente o limite do subsídio dos ministros do STF, o valor líquido que o servidor recebe todo mês pode ultrapassar, e muito, o que seria considerado razoável. É o que chamamos de “extrateto”. Esse tipo de situação afeta diretamente princípios como a moralidade administrativa e a isonomia no serviço público".

Apesar disso, o especialista explica o que pode justificar o aumento expressivo dos pagamentos em benefícios do judiciário do país.

Primeiro, o pagamento de benefícios que ficam fora do teto constitucional, como auxílios e abonos. Depois, a falta de regras bem definidas sobre o que pode ou não ser excluído desse limite”, inicia o especialista. 

“Soma-se a isso o crescimento do número de magistrados e servidores que recebem gratificações por tempo de serviço, além da autonomia que os Tribunais têm para criar e ajustar suas próprias políticas de pagamento, muitas vezes sem uma fiscalização realmente efetiva. Quando tudo isso se junta, o resultado é um gasto que cresce ano após ano, deixando ainda mais evidente a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa e transparente”, explica o professor.  

O especialista também destacou que os supersalários no judiciário “representam uma distorção que enfraquece princípios constitucionais importantes, como a moralidade e a isonomia na Administração Pública”. 

Além disso, o educador relata que mesmo existindo um teto remuneratório, que é o subsídio dos ministros do STF, “a soma de verbas de natureza indenizatória permite que alguns agentes recebam muito acima desse limite, e isso sem configurar, no papel, uma ilegalidade”. 

Para enfrentar esse problema, o caminho passa, principalmente, pela aprovação de uma legislação federal que regulamente de forma clara o teto constitucional, estabelecendo exatamente quais parcelas podem ou não ficar de fora desse cálculo”, propôs o especialista em Direito Público. 

“Também é fundamental reforçar os mecanismos de controle e transparência, tanto nos Tribunais de Contas quanto no próprio CNJ. Isso ajudaria a padronizar critérios de pagamento e permitir que a sociedade acompanhe de fato como esses recursos são usados. E é importante lembrar: essa não é uma pauta contra o Judiciário, mas a favor do interesse público e da credibilidade das instituições republicanas”, encerrou. 

"No Congresso Nacional, por exemplo, existe o Projeto de Lei nº 6.726/2016, que tenta regulamentar melhor esse ponto do artigo 37. A ideia é criar critérios claros para definir o que pode e o que não pode ser considerado verba fora do teto. Em outras palavras, o objetivo é fechar brechas, evitar abusos e unificar a interpretação sobre o que são de fato “verbas indenizatórias”.

A reportagem do BNews entrou em contato com o Tribunal de Justiça da Bahia para compreender quais medidas estão sendo adotadas para minimizar a geração de supersalários e para obter uma justificativa sobre benefícios com nomenclaturas genéricas, como os "misturados", e aguarda retorno.

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Classificação Indicativa: Livre

Bruna Rocha

Bruna Rocha

Jornalista formada pelo Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador, com ampla experiência em produção audiovisual, fotografia, social media e jornalismo local. É co-fundadora da newsletter Entre Becos, dedicada à cobertura de temas locais. Possui curso de extensão em jornalismo econômico pela FGV, em parceria com o Estado de São Paulo e a Broadcast da Agência Estado. Ao longo de sua carreira, passou por grandes veículos como Rede Bahia, Estadão, Terra e Agência Mural, além de realizar freelas para empresas e instituições como Google, Instituto Fala!, Notícia Preta, Avon, entre outras. Atualmente, integra a equipe do Bnews Premium, especializada em jornalismo investigativo, político e econômico.



Nota da redação deste Blog - Supersalários no Judiciário Baiano: O Crescimento Milionário e a Falta de Transparência

O acúmulo de benefícios e gratificações no Judiciário baiano tem levado a uma realidade alarmante: os supersalários. Nos últimos anos, essa prática tem resultado em cifras milionárias, levantando sérias preocupações sobre a transparência e a moralidade na administração pública.

A situação é resultado da junção de diversos fatores. Um dos principais é o crescimento do número de magistrados e servidores que recebem gratificações por tempo de serviço. Além disso, a autonomia dos tribunais para criar e ajustar suas próprias políticas de pagamento, muitas vezes sem uma fiscalização eficaz, contribui para a escalada dos gastos.

Quando todos esses elementos se combinam, o resultado é um gasto que cresce ano após ano, deixando evidente a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa e transparente.

De acordo com especialistas, os supersalários no Judiciário "representam uma distorção que enfraquece princípios constitucionais importantes, como a moralidade e a isonomia na Administração Pública". Em outras palavras, essa prática cria uma desigualdade flagrante, onde uma minoria de servidores é beneficiada com remunerações acima do teto constitucional, enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades financeiras.


Você acredita que uma fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas, seria capaz de combater a prática dos supersalários?

O Brasil na bacia das almas: uma quase fábula

 

Por ADHEMAR BAHADIAN
artigosadhemar@yahoo.com

Publicado em 17/08/2025 às 09:34

Alterado em 17/08/2025 às 09:41

[Trump já disse que gostaria de ser papa] A mistura de narcisismo, prepotência e poder é uma forma de cicuta mental Foto: reprodução


Trump é um conhecido jogador embusteiro. Sua vida como empresário oscila entre a ostentação argentária e os sucessivos encontros com a justiça. Nada nele é transparente. Tudo é sinuoso. Toda palavra tem duplo, triplo ou quadrúpede sentido.

Na política, o embuste se aprofundou e adquiriu tonalidades de uma sem-vergonhice e um desprezo pela inteligência humana sem par. Todo estúpido tem a insanidade de se julgar sábio.

A mistura de narcisismo, prepotência e poder é uma forma de cicuta mental. Trump acredita em sua genialidade. No fundo, acha que Deus pode até existir, mas certamente não tem sua presença de espírito. Trump é deus com espírito de porco.

Nele a verdade é uma metáfora. Nem sei se Trump sabe a diferença entre a mentira, o embuste, a tapeação, a lorota e a vigarice mais vulgar. Para ele, assim como para as crianças e os loucos, as palavras são mágicas e não designam verdades, mas floreios da imaginação.

Na criança, um sinal de enriquecimento mental. No adulto, a marca do delírio.

MAGA, mesmo em inglês, tem contato com magia, com MAGO, e em seus comícios não há como não ver a logorréia de Trump como um cantochão em que as palavras se perdem e não se afirmam. Trump tem um vocabulário escolar, de adjetivação pobre, precária. Suas frases se repetem diariamente, não há empatia quando elogia, há cinismo e hostilidade quando critica.

Comparem com Obama: cada frase, uma tese. Cada pausa, uma reflexão. Releiam o discurso de Obama na Universidade do Cairo. Trump jamais o pronunciaria. Escapa a seus neurônios. Trump odeia Obama. Baba de raiva diante de tanta arte de dizer. Trump é um anão intelectual. Tem, para azar nosso, uma sintonia fina com as camadas mais primitivas da mente humana. Conhece-as bem, e as explora com maestria. É um geógrafo dos submundos humanos.

Não há de ser apenas por achar que as Universidades americanas são antissemitas que Trump as quer destruir, assim como quer domar instituições centenárias que honram a inteligência americana. A cultura, como já disse uma alma irmã dele, Trump, provoca-lhe impulsos assassinos.

Exagero? Por que, então, querer apagar da história dos Estados Unidos o trabalho civilizatório de instituições centenárias e, desta forma, privilegiar uma cultura revisitada, falsamente asséptica, desprovida de contradições ou tensões raciais históricas em que o americano seria o padrão genético inatacável? Já não vimos isto no século 20? Estamos diante de uma recauchutagem étnica? E a demonização do imigrante?

O MAGA, quem diria, guarda estreita coerência com os propósitos de uma agenda de arrepiante horizonte retrógrado. E não apenas no plano político. Mas nos aspectos mais fundamentais do desenvolvimento dos Direitos Humanos.

Torna-se a cada dia mais evidente que o papel da mulher na sociedade americana sofre constrangimentos impensáveis.

Desde a campanha contra o aborto até o ressurgimento de seitas religiosas que pretendem retirar das mulheres o direito ao voto, função que seria exercida apenas pelo pater-família, homem clarividente e produtor.

Hoje me parece cada vez mais profético e menos ficcional o livro da canadense Margareth Atwood “O Conto da Aia”, também disponível nas plataformas da televisão brasileira. Veja, antes que o proíbam mundialmente.

Mas nada me intrigou tanto quanto a hostilidade de Trump ao Brasil. A insinuação de que o Brasil é um país que não respeita os Direitos Humanos, tão abusadamente retratado no relatório elaborado pelo Departamento de Estado, tem, antes de mais nada, o efeito deplorável de tornar um instrumento até então respeitado internacionalmente numa catilinária odiosa, politicamente desastrosa, e nos faz lembrar dos momentos terríveis dos anos 60 do século XX, quando tivemos, sim, problemas terríveis de abuso, tortura e morte, como a cinematografia corajosa de Walter Salles nos mostrou no “Ainda estou aqui”, sem que os Estados Unidos, na mesma época, fizessem relatórios com a mesma “perspicácia" que hoje parecem ter.

Uma leitura mais detida de Trump, sobretudo à luz de seu constante zigue-zague entre verdade e ficção, me fez desconfiar de que Trump quer comprar o Brasil na bacia das almas.

Para tanto se vale de astúcia e procura confundir os brasileiros como se ele, Trump, em seu momento alfa do espírito de porco, nos viesse salvar de um mergulho no autoritarismo de esquerda ao nos acenar com a bandeira pirata do autoritarismo neocolonial da extrema direita americana, capitaneada por Steve Bannon.

Não é segredo para ninguém que Steve Bannon, depois de Olavo de Carvalho, é o guru do nosso, como diria Stanislaw Ponte Preta, se vivo fosse, FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que assola o país) do novo milênio.

E a intriga é insidiosa. Invertem-se os sinais. Quem traiu, traidor não é. Como diria Calabar, de triste memória. Quem resistiu em nome da legalidade bom sujeito não é. Tudo em ritmo de “foi em Diamantina onde nasceu JK”… lembram? Perguntem a seus pais.

Mas, por que o Brasil, meu Deus? Bem, a razão é simples. E quem me contou foi o Corvo, não o de Allan Poe, mas o outro, o da “eterna vigilância” que entende dessas coisas.

Ocorre que, outro dia, o rei-sol enquanto passava glostora em suas melenas, melancólicas melenas melequentas, ousou perguntar ao espelho mágico se havia um rei mais solar do que ele. E dele, mágico espelho, recebeu o tuíte quentinho. Existe, sim. E se chama Lula-lá.

Furioso, o rei-sol chamou Bannon. ”Eles descobriram". Gritou. "Esses bagres descobriram. A gente só queria trocar cem por um milhão. As terras raras. O petróleo equatorial. Um naco da Amazônia. A garota de Ipanema. E ficamos de bumbum de fora. Logo para eles que vocês me diziam ser a República dos Bananas".

Mangueira, Mangueira querida, onde estão teus tamborins? Olelê, Oxalá, Oludum. A ala dos sem-nação vai passar.

VAI PASSAR.

XXXXXX XXXXXXX

EM TEMPO:
A reunião no Alasca serviu para confirmar que a geopolítica de Trump se mede pela régua e compasso do raciocínio do agente de imóveis. O Departamento de Estado estava lá como figurante. O estrategista de Trump era um velho amigo das artimanhas do czar do setor imobiliário de Nova York.

2. Por falar em czar, Putin deu uma faturada. Pegou até uma caroninha no papamóvel. E ainda propôs uma vodka-tônica em Moscou.

3. Enquanto isso, aqui no Patropi, a descortesia e a cafonice imperam: retirar o visto de uma criança de dez anos só porque ela é filha do ministro da Saúde cheira a violência gratuita. Retirar os vistos de dois técnicos do "Mais Médicos” não cheira, fede.

4. Informação aos navegantes: não há necessidade de visto americano para visitar os lençóis maranhenses. Nem para dar um pulinho na orla do Rio e ver o melhor pôr do sol bem acompanhado e bebericando uma caipirinha de morango, fruta da moda. Morango do amor.

5. Tudo numa boa.


Adhemar Bahadian. Embaixador aposentado

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/08/1056579-o-brasil-na-bacia-das-almas-uma-quase-fabula.html


'Washington Post' publica longo perfil de Moraes: 'O juiz que resiste a Trump'

 

Por JB JURÍDICO
redacaodojornaldobrasil@gmail.com

Publicado em 18/08/2025 às 07:56

Alterado em 18/08/2025 às 07:56

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Moraes no 'Post': 'O juiz que se recusa a se curvar à vontade de Trump: 'Faremos o que é certo'', diz o título da matéria Foto: reprodução



O jornal norte-americano Washington Post publica nesta segunda-feira (18) um extenso perfil do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descrevendo-o como uma figura central na defesa da democracia brasileira e alvo de pressões internacionais. A reportagem destaca que Moraes enfrenta sanções impostas pelos Estados Unidos, provocações de Elon Musk e tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump contra o Brasil em resposta direta ao seu trabalho no combate à extrema direita.

Segundo a publicação, mesmo sob tamanha pressão, Moraes mantém a postura de enfrentamento: “Faremos o que é certo”, disse o ministro.

O texto do Washington Post abre descrevendo Moraes em um raro momento de descontração. O ministro assistia a uma partida de seu time de coração, o Corinthians, que não lhe trazia grandes emoções, mas funcionava como uma distração diante do cenário turbulento. Era uma pausa necessária em meio às sanções norte-americanas e ao cerco político e midiático que o cerca.

As medidas de Trump e os ataques de Musk
A reportagem ressalta que Trump decidiu impor tarifas adicionais contra o Brasil em reação à atuação de Moraes, que se tornou um símbolo do combate às tentativas golpistas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, Elon Musk, dono da plataforma X (antigo Twitter), intensificou ataques pessoais contra o ministro, acusando-o de censura e perseguição política.

Mesmo diante desse ambiente hostil, o Washington Post sublinha que Moraes não recua e insiste em sustentar suas decisões em defesa das instituições brasileiras.

Uma figura de alcance global
O perfil publicado pelo jornal mostra que a projeção internacional de Moraes vai além do cenário jurídico nacional. Sua postura diante de pressões de figuras de alcance mundial, como Trump e Musk, elevou sua visibilidade, mas também ampliou riscos pessoais e políticos.

O texto ressalta que, para seus aliados, Moraes se tornou uma peça essencial na preservação do Estado de Direito no Brasil. Já seus críticos o acusam de concentrar poder e agir de forma autoritária.

O Washington Post sintetiza sua imagem em uma frase: “o juiz que resiste a Trump”. Ao expor sanções, ataques e medidas retaliatórias, o perfil reforça que Moraes não pretende se curvar a pressões externas ou internas e seguirá em sua missão de “fazer o que é certo”. (com Brasil 247)

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