terça-feira, julho 22, 2025

STF vive uma extravagância e Moraes precisa ser levado ao divã, diz Marco Aurélio Mello

Foto: Divulgação/STF/Arquivo
Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello22 de julho de 2025 | 16:17

STF vive uma extravagância e Moraes precisa ser levado ao divã, diz Marco Aurélio Mello

brasil

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello avalia que o STF vive um momento de “extravagância” com “enorme” desgaste para a instituição. Para ele, as decisões do ministro Alexandre de Moraes são incompreensíveis ao estado democrático de direito e serão cobradas pela história.

Marco Aurélio continua: para compreender o que está por trás das decisões de Moraes, seria necessário levá-lo ao psicanalista.

“Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise talvez mediante um ato maior, e uma análise do que ele pensa, o que está por trás de tudo isso. O que eu digo é que essa atuação alargada do Supremo, e uma atuação tão incisiva, implica desgaste para a instituição… A história cobrará esses atos praticados. Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível”, disse em entrevista exclusiva à Coluna do Estadão.

Mello considera que a investigação sobre Jair Bolsonaro já começou de maneira errada e não deveria estar na Suprema Corte. Ele lembra, por exemplo, que, quando era ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva respondeu na primeira instância. “Estive 31 anos na bancada do Supremo e nunca julgamos em turma processo crime. Alguma coisa está errada”, prosseguiu.

Na visão do ex-ministro, Bolsonaro está sendo submetido a humilhação, com o uso da tornozeleira eletrônica, e sendo tratado “como se fosse um bandido de periculosidade maior”. Ele ressaltou que, se estivesse na Corte, acompanharia a divergência do ministro Luiz Fux, e lamentou que os magistrados estejam agindo por “espírito de corpo” ao apoiarem os atos de Moraes.

Nesta entrevista, Marco Aurélio Mello também faz um apelo por correção de rumos no STF. “Que haja uma evolução, e que o Supremo atue, não como órgão individual como vem atuando na voz do ministro Alexandre de Moraes, mas como órgão coletivo, e percebendo a repercussão dos atos que pratica. Aí nós avançaremos culturalmente”.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista

O ministro Alexandre de Moraes impôs restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em decisões publicadas na sexta-feira passada e nessa segunda. O que o sr. considera que está certo e o que excede?

O que começa errado não pode acabar bem. Começou errado, considerando a competência do Supremo, que está na Constituição. E o preceito é exaustivo. Supremo não é competente para julgar cidadão comum, para julgar originariamente ex-presidente da República, ex-deputado federal ou ex-senador. Basta que indaguemos: o atual presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), quando respondeu criminalmente, ele o fez onde? Na 13ª Vara Criminal de Curitiba. A legislação não mudou. Por que o ex-presidente Bolsonaro está a responder no Supremo? Isso é inexplicável, e a história em si é impiedosa, vai cobrar essa postura do Supremo. Quando o Supremo decide, não cabe recurso a um órgão revisor. Então, o devido processo legal fica prejudicado. Não se avança culturalmente assim, maltratando a lei das leis que é a Constituição Federal. Agora, o momento é de temperança, é de buscar-se a correção de rumos sem atropelos, principalmente sem partir-se para uma censura prévia. Isso é incompreensível ao estado democrático de direito.

Em quais pontos da decisão de Moraes o sr. vê censura?

Quando ele proíbe participação em rede social. Quando ele proíbe, e aí passa a apenar o cidadão, proíbe que mantenha um diálogo com terceiros. E impõe, pior do que isso, impõe a um ex-presidente da República, algo que é humilhante, que é o uso de tornozeleira. Pra quê? Qual é o receio, de ele fugir? Não pode haver esse receio. Em direito penal o meio justifica o fim, jamais o fim ao meio, sob pena de termos aí a batel um contexto que não se mostrará harmônico com a Constituição Federal. Inclusive tenho lido o noticiário, e ele (Moraes) não defendeu bem o alcance dessa censura prévia. Censura. Considerados os ares democráticos da Constituição de 1988 é inimaginável. Qual é a medula do Estado? É a liberdade de expressão. Eu não vejo com bons olhos e fico muito triste porque o desgaste do Supremo, o desgaste institucional é enorme.

O Supremo caminha para onde neste momento?

Não sei. Basta considerar que houve uma emenda regimental deslocando a competência do plenário para as turmas, em processo crime. Estive 31 anos na bancada do Supremo e nunca julgamos em turma processo crime. Alguma coisa está errada. Eu espero que não se chegue a julgar processo crime individualmente, monocraticamente.

O que o sr. acha que está movendo e embasando as decisões de Moraes?

Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise talvez mediante um ato maior, e uma análise do que ele pensa, o que está por trás de tudo isso. O que eu digo é que essa atuação alargada do Supremo, e uma atuação tão incisiva, implica desgaste para a instituição.

As condições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro são comparáveis a de um preso condenado?

Um preso condenado, com sentença não mais sujeita a impugnação, ele cumpre a pena. É preciso observar se essas medidas alcançam a dignidade da própria pessoa. O uso de tornozeleira. A proibição de sair de casa, que é praticamente uma prisão domiciliar. Vamos observar a ordem natural, que é apurar para, selada a culpa no processo crime, exercido o direito de defesa, chegar-se à execução do pronunciamento judicial definitivo. E não há esse pronunciamento, por enquanto. O ministro Luiz Fux divergiu e, se lá eu estivesse, eu o acompanharia. Divergiu quanto à utilização (de tornozeleira eletrônica), por um ex-presidente da República. Vamos respeitar a instituição que é a Presidência da República. Utilizar como se fosse um bandido de periculosidade maior. A tornozeleira é uma apenação humilhante, porque alcança a dignidade da pessoa.

Por que o sr. acredita, então, que os ministros têm acompanhado na turma, em maioria, as decisões de Moraes?

É um espírito de corpo que não deveria haver. Quando formei no colegiado, me manifestava espontaneamente, segundo meu convencimento, não me importando em somar voto. Não há campo para solidariedade no órgão julgador. Cada integrante deve atuar com absoluta independência. Evidentemente acompanhando o colega no que se convencer do acerto da proposição desse colega.

O sr. vê alguma perspectiva de mudança no comportamento da Corte, a partir da mudança na presidência do STF, em setembro?

O presidente é um coordenador dos trabalhos. Ele não é um superior hierárquico. E cada qual é que tem que compreender a envergadura da cadeira e a importância dos atos que pratique. E buscar praticar atos afinados com a legislação, com o arcabouço normativo. Eu repito: o Supremo hoje está na vitrine e é alvo de imensas críticas. Eu, por exemplo, saio, as pessoas me reconhecem nas ruas. Eu nunca fui hostilizado como juiz. E reclamam do Supremo. Isso é péssimo. O Supremo é a última trincheira da cidadania e deve agir dando exemplo, portanto, aos demais órgãos do Judiciário.

O sr. avaliaria, então, que falta alguma postura mais firme do atual presidente da Corte?

Não, porque fica muito difícil para o ministro presidente impor certa ótica. O que cabe a ele, no máximo, é fazer uma ponderação. Uma ponderação no sentido da correção de rumos.

E como ele poderia fazer isso?

Conversando. Num diálogo aberto, ainda que reservado, com o próprio ministro que está a atuar (Alexandre de Moraes). E ele ficou como relator de todos os casos que tenham alguma ligação com aquele inquérito inicial, que eu rotulei como inquérito do fim do mundo (inquérito das fake news), tudo vai para ele, e isso não é bom. Quando se deixa de observar o critério democrático da distribuição.

O sr. vê nas decisões de Moraes alguma tentativa de banimento da imagem de Bolsonaro?

Eu não posso. Por que banimento? Agora mesmo se potencializou muito a fala do presidente (Donald) Trump. Uma fala como governante, que não visou proteger a família Bolsonaro. A família Bolsonaro não tem junto à Presidência dos Estados Unidos esse prestígio todo. A ponto de o próprio governo interferir ou tentar interferir numa atuação do País irmão. Isso aí é algo ingênuo e precisamos parar para observar qual é a origem em si dessa atuação do presidente Trump.

Uma das reclamações dos apoiadores de Bolsonaro é o fato de ele não poder dar entrevista, usar as redes e porque há extensão dessas medidas cautelares para terceiros, deixando dúvidas até se é permitido usar entrevistas antigas de Bolsonaro.

Eu só espero que essa postura não acabe intimidando a grande imprensa. E gere um cerceio e gere consequências inimagináveis. Não se coaduna com o estado democrático de direito o que vem ocorrendo. Nós não tivemos isso sequer quando vivenciamos o regime de exceção, que foi o regime militar.

Se não se viveu isso nem no estado de exceção, o sr. classificaria o atual estado como o quê?

Eu vejo como uma extravagância que vem se verificando no âmbito da Corte maior do País que é o Supremo. E é preciso que volte a Corte a atuar como colegiado e, preferencialmente, no plenário, com as 11 cadeiras ocupadas. E que cada qual se pronuncie com absoluta independência. Isso é o que se espera.

O sr. já disse que para entender as decisões de Moraes precisaria levá-lo ao divã. O sr. percebe algum impacto emocional das decisões do ministro, já que ele é um dos principais alvos dos bolsonaristas?

Eu não queria estar na pele do ministro Alexandre de Moraes. Ele não consegue sair, estar num lugar público, a não ser com contingente de seguranças. Quando isso se verifica, algo está errado. E cumpre àquele que é alvo da hostilização da sociedade observar os atos praticados se evoluir. E vou repetir: resulta no prejuízo da instituição e, mais à frente, a história cobrará esses atos praticados. Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível.

O sr. quer complementar algo?

Que haja uma evolução, e que o Supremo atue, não como órgão individual como vem atuando na voz do ministro Alexandre de Moraes, mas como órgão coletivo, e percebendo a repercussão dos atos que pratica. Aí nós avançaremos culturalmente.

Roseann Kennedy/Estadão

Politica livre 

Nobel de Economia sugere que o Brasil tenha inventado o futuro do dinheiro com sistema do Pix

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo
Pix22 de julho de 2025 | 17:00

Nobel de Economia sugere que o Brasil tenha inventado o futuro do dinheiro com sistema do Pix

economia

O economista americano Paul Krugman publicou um artigo nesta terça-feira (22) no qual elogia o sistema brasileiro de pagamentos Pix —sugerindo que o Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro.

Krugman, que ganhou o Nobel de Economia em 2008 e é professor da Universidade da Cidade de Nova York, critica em seu artigo a aprovação nos Estados Unidos do Genius Act —a primeira grande legislação americana de criptomoedas aprovada no novo governo de Donald Trump, que é um entusiasta desses ativos.

No artigo, intitulado “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”, o economista americano diz que a nova lei americana “abre caminho para futuras fraudes e crises financeiras”.

Além disso, os EUA também aprovaram uma lei que impede as autoridades americanas de criarem uma moeda digital do banco central (Central bank digital currency, ou CBDC). Essas moedas são inspiradas nas criptomoedas como os bitcoins, mas com uma diferença fundamental: sua emissão é centralizada pelo Banco Central, ao contrário das bitcoins, cuja emissão é descentralizada.

O economista americano diz que os parlamentares republicanos —grandes adversários das moedas digitais de bancos centrais— alegam preocupações com privacidade para barrar a iniciativa, mas que sua verdadeira preocupação é que muitas pessoas optariam por ter moedas digitais do banco central, em vez de contas correntes em bancos privados.

“Mas e quanto à possibilidade de criar uma CBDC parcial? Poderíamos manter contas bancárias privadas, mas fornecer um sistema eficiente e público para fazer pagamentos a partir dessas contas?”, questiona Krugman.

“Sim, poderíamos. Sabemos disso porque o Brasil já o fez”.

Existe no Banco Central brasileiro um estudo para criação de uma moeda digital que possa servir de alternativa ao real em papel e moeda, coexistindo com ele.

Analistas dizem que um dos primeiros passos em direção a esse “real digital” seria o cadastramento da população no Pix.

“A maioria das pessoas provavelmente não considera o Brasil um líder em inovação financeira. Mas a economia política do Brasil é claramente muito diferente da nossa —por exemplo, eles realmente julgam ex-presidentes que tentam anular eleições”, escreve Krugman.

“O Brasil, de fato, planeja criar uma CBDC. Como primeiro passo, em 2020, o país lançou o Pix, um sistema de pagamento digital administrado pelo Banco Central”.

Krugman escreve que “pelo que entendi, o Pix é uma espécie de versão pública do Zelle, o sistema de pagamento operado por um consórcio de bancos privados americanos”.

“Mas o Pix é muito mais fácil de usar. E, embora o Zelle seja grande, o Pix se tornou simplesmente enorme, sendo usado por 93% dos adultos brasileiros. Parece estar rapidamente substituindo dinheiro em espécie e cartões”, diz.

O Prêmio Nobel de Economia elogia o Pix por ser quase instantâneo e por ter custos de transação baixos.

E diz que o sistema brasileiro de pagamentos está “conseguindo de fato o que os defensores de criptomoedas alegaram, falsamente, ser capaz de se alcançar por meio do blockchain —baixos custos de transação e inclusão financeira”.

“Compare os 93% de brasileiros que usam o Pix com os 2%, isso mesmo, 2% de americanos que usaram criptomoedas para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024”, diz o economista.

“Ah, e usar o Pix não cria incentivo para sequestrar pessoas e torturá-las até que entreguem suas chaves de criptografia. Então, teremos um sistema semelhante ao Pix nos Estados Unidos? Não. Ou pelo menos não por muito tempo”.

Krugman afirma que a indústria financeira americana é poderosa demais para permitir a criação de uma moeda digital de banco central no país, e que os republicanos não confiam em uma iniciativa pública no lugar de uma tecnologia privada.

“Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamento digital. Mas os EUA provavelmente permanecerão presos a uma combinação de interesses pessoais e fantasias cripto”, conclui.

Recentemente Krugman fez fortes críticas ao aumento de tarifas anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, contra o Brasil. Ele disse que essas tarifas representam um “programa de proteção a ditadores”.

Segundo o especialista, nos EUA, a última cartada de Trump “marca um novo rumo” das políticas tarifárias, que ele classifica de “demoníacas e megalomaníacas”.

Krugman entende que o presidente dos EUA “nem sequer disfarça que exista uma justificativa econômica para sua decisão”.

Folhapress

Politica Livre 

Líder do PT aciona STF para impedir que governadores nomeiem Eduardo Bolsonaro

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ)22 de julho de 2025 | 16:32

Líder do PT aciona STF para impedir que governadores nomeiem Eduardo Bolsonaro

brasil

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), pediu nesta terça-feira (22) ao STF (Supremo Tribunal Federal) que impeça a nomeação de Eduardo Bolsonaro (PL) para cargos comissionados em governos estaduais ou municipais.

Lindbergh quer que governadores sejam responsabilizados caso nomeiem Eduardo. Ele pede ainda ao ministro Alexandre de Moraes que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja afastado de seu mandato na Câmara dos Deputados.

Os pedidos estão em uma petição entregue pelo líder petista a Moraes. A motivação, segundo Lindbergh, seria a notícia publicada pela colunista Mônica Bergamo que revela que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), pretende nomear Eduardo para uma secretaria especial de seu governo nos EUA.

A ideia é salvar o mandato de deputado federal de Eduardo. Se for nomeado para um cargo comissionado, ele conseguirá uma licença especial da Câmara para ficar fora da Casa sem ser cassado por faltas.

“O objetivo dissimulado dessa nomeação é garantir sustentação financeira irregular, simular vínculo funcional e permitir a manutenção de sua permanência no exterior, mesmo após o encerramento de sua licença parlamentar e o bloqueio judicial de seus bens e valores”, disse o líder do PT na representação contra Eduardo.

Segundo Lindbergh, a eventual nomeação do filho de Bolsonaro seria uma “afronta direta ao interesse público, à soberania nacional e às medidas cautelares já impostas pela Suprema Corte brasileira”.

O líder do PT usa como jurisprudência a decisão do STF que suspendeu a nomeação de Lula (PT) na Casa Civil do governo Dilma (PT), em 2016. A interpretação da época era que a presidente tentava nomear o correligionário para evitar sua prisão, configurando desvio de finalidade.

“Embora o requerente discorde da conclusão alcançada naquele caso concreto, reconhece que a lógica adotada pela Corte se aplica, com ainda maior clareza e contundência, à hipótese ora submetida à apreciação deste juízo”, disse Lindbergh.

Eduardo Bolsonaro anunciou em março que pediu licença do mandato de parlamentar para ficar nos Estados Unidos. O objetivo seria conseguir apoio do governo de Donald Trump para aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros integrantes do Supremo.

A licença, porém, terminou no último domingo (20). Se Eduardo não voltar ao Brasil, ele pode perder o mandato se tiver ausências não justificadas em um terço das sessões da Câmara no ano.

Nos EUA, Bolsonaro tem conversado com autoridades para reforçar à Casa Branca e seus aliados os pedidos de sanção a Moraes, como noticiou a Folha. Eduardo teve reuniões na sede do Executivo americano, no Departamento de Estado e com um aliado próximo de Donald Trump.

A atuação de Eduardo nos Estados Unidos é investigada pela Polícia Federal. O inquérito apura possível prática dos crimes de coação, obstrução de investigação e abolição violenta do Estado democrático de Direito.

Cézar Feitoza/FolhapressPolitica Livre

Cláudio Castro pretende nomear Eduardo Bolsonaro como secretário para ajudá-lo a salvar seu mandato

 Foto: Divulgação/Alerj/Arquivo

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ)22 de julho de 2025 | 13:00

Cláudio Castro pretende nomear Eduardo Bolsonaro como secretário para ajudá-lo a salvar seu mandato

brasil

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), quer nomear Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para uma secretaria especial de seu governo nos EUA para ajudá-lo a salvar o mandato de deputado federal.

Ele já fez diversas consultas para saber como a ideia seria recebida em Brasília e deve tomar uma decisão nas próximas horas.

O filho do ex-presidente Bolsonaro está nos EUA trabalhando para que o governo de Donald Trump aumente as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como forma de pressioná-los para arquivar processo contra seu pai.

Ele tirou licença parlamentar por 120 dias, que terminou no domingo (20).

A partir de segunda (21), voltou a ter o mandato automaticamente, mas corre o risco de ser cassado por faltas.

Caso seja nomeado para uma secretaria, que seria criada por Castro especialmente para ele, poderia novamente se licenciar, afastando o risco de cassação.

A hipótese de ele ser nomeado para integrar o governo de Tarcísio de Freitas em SP ou o de Jorginho Mello em Santa Catarina também já foi aventada por aliados.

O governador do Rio de Janeiro, no entanto, foi o único até agora que levou a proposta adiante.

Castro afirmou a interlocutores que a ideia surgiu depois de conversas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo.

Segundo o governador, a família Bolsonaro quer evitar de qualquer forma que Eduardo perca o mandato.Castro já foi alertado, no entanto, de que a nomeação pode trazer problemas jurídicos para ele.

Eduardo Bolsonaro está sendo investigado no STF por coação no curso do processo, obstrução de justiça e atentado à soberania nacional. Uma ajuda do governador a ele poderia se interpretada na Corte como facilitação para o cometimento dos crimes dos quais o filho de Bolsonaro é acusado.

A coluna procurou a assessoria de Cláudio Castro, mas não teve retorno. O senador Flavio Bolsonaro também não se manifestou até a publicação deste texto. O deputado federal Eduardo Bolsonaro não foi localizado pela reportagem.

Mônica Bergamo/Folhapress

Em meio à possibilidade de prisão, Otto dispara contra Bolsonaro: “Jamais tive a fraqueza de pegar na mão dele”

 Foto: Reprodução/Instagram

O senador Otto Alencar (PSD)22 de julho de 2025 | 14:00

Em meio à possibilidade de prisão, Otto dispara contra Bolsonaro: “Jamais tive a fraqueza de pegar na mão dele”

exclusivas

Em meio à crise envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que na última semana passou a usar tornozeleira eletrônica e está na iminência de ser preso por descumprir medidas cautelares determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o cacique do PSD na Bahia, senador Otto Alencar, teceu duras críticas ao ex-mandatário do Palácio do Planalto em publicação em suas redes sociais.

Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, nesta terça-feira (22), Otto Alencar afirmou que “nunca teve a fraqueza de pegar na mão de Bolsonaro pelos crimes que ele cometeu contra o povo brasileiro no período da Covid-19”. O parlamentar lembrou sua atuação na CPI da Pandemia, instalada no Senado Federal em abril de 2021, na qual foi um dos membros titulares. O objetivo da Comissão Parlamentar de Inquérito era investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia.

“Eu sei que ajudei a mostrar esses crimes e lamento muito as 730 mil mortes que aconteceram nesse período, com 73% de pessoas com mais de 60 anos e 85% de pessoas que ganhavam de dois salários mínimos a menos”, disse o senador, que é médico ortopedista. Otto Alencar seguiu dizendo que a maioria das vítimas eram pessoas pobres e idosas e também lembrou o colapso da saúde no estado do Amazonas, agravado pela falta de respiradores. “Morreram pobres porque não tinham um hospital público de alta qualidade. Isso nunca será esquecido”, continuou.

Em outro trecho do vídeo, Otto Alencar criticou as relações políticas construídas na base da conveniência e frisou que “nunca participou de um governo que não apoiou nas eleições”. O senador relembrou à época em que fez oposição a Waldir Pires e a Nilo Coelho, ambos ex-governadores da Bahia, e a Michel Temer no governo federal.

“Eu fiz oposição a Michel Temer quando teve o impeachment [de Dilma Rousseff], eu votei contra. Perdemos as eleições em 2018 com [Fernando] Haddad e fiz quatro anos de oposição a Bolsonaro”, pontuou.

Carine Andrade/Política LivrePolitica livre

De novo: TCU rejeita contas de Ricardo Maia e pode tornar deputado inelegível em 2026

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

O deputado federal Ricardo Maia (MDB)22 de julho de 2025 | 15:00

De novo: TCU rejeita contas de Ricardo Maia e pode tornar deputado inelegível em 2026

exclusivas

O Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou, nesta terça-feira (22), as contas do deputado federal Ricardo Maia (MDB) referentes ao período em que foi prefeito de Ribeira do Pombal, no interior da Bahia. A decisão se refere à Tomada de Contas Especial nº 013.381/2021-0, instaurada para apurar a aplicação de recursos do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) no exercício de 2016.

Segundo o relatório do TCU, “não houve comprovação da regular aplicação dos recursos repassados pela União”, o que configura má gestão dos valores destinados ao transporte de estudantes da rede pública. O relator do processo, ministro Augusto Nardes, votou pela irregularidade das contas, com a aplicação de multa no valor de R$ 54 mil ao parlamentar.

Esta é a terceira reprovação de contas envolvendo Ricardo Maia, o que pode gerar implicações eleitorais para o deputado, incluindo enquadramento na Lei da Ficha Limpa, tornando-o inelegível para futuras disputas. A decisão ainda cabe recurso.

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