terça-feira, julho 22, 2025

Decisão de Moraes abala estratégia de bolsonaristas, que preparam reação no Congresso e nas ruas

 Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro22 de julho de 2025 | 08:03

Decisão de Moraes abala estratégia de bolsonaristas, que preparam reação no Congresso e nas ruas

brasil

A decisão nesta segunda-feira (21) do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de proibir a transmissão ou a reprodução de entrevistas de Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais desarticulou a principal estratégia traçada pelo ex-presidente após a aplicação de medidas cautelares contra ele na última sexta-feira (18).

O plano de Bolsonaro era ampliar sua exposição, principalmente com o aumento do número de entrevistas concedidas. Agora, seus aliados preparam uma nova reação, que prevê uma ofensiva sobre o tribunal no Congresso e nas ruas, com mobilizações começando em 3 de agosto, na véspera da volta do recesso legislativo.

As ações serão baseadas no reforço do discurso de perseguição ao ex-presidente. Ainda nesta segunda, Moraes deu 24 horas para defesa de Bolsonaro esclarecer declarações que o presidente deu após as proibições de entrevistas em redes sociais.

A ação de aliados de Bolsonaro foi fechada em reunião com 54 deputados e dois senadores de oposição (filiados a Republicanos, PSD, PP e União Brasil, além do PL). O objetivo da reunião era alinhar uma estratégia de defesa de Bolsonaro para fazer frente a Moraes.

O grupo saiu com encaminhamentos para aumentar pressão via Congresso e mobilizações de rua.

Em uma frente, as duas prioridades serão: a anistia a presos nos ataques golpistas de 8 de Janeiro, agora tratada como anistia “ampla, geral e irrestrita” (ou seja, podendo contemplar Bolsonaro); e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim do foro especial.

Na última sexta, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), falou em pautar a PEC que restringe as decisões monocráticas no Supremo. Mas a proposta do foro pode encontrar maior adesão entre os parlamentares de centrão, na avaliação dos oposicionistas, porque muitos deles respondem a processos no STF.

Com a proposta, os casos iriam para a primeira instância, incluindo o de Bolsonaro. Esse é um dos principais pontos de questionamento da defesa do ex-presidente no Supremo.

Sóstenes reafirmou que estão convocadas reuniões das comissões presididas pelo partido —Segurança Pública e Relações Exteriores—, mesmo com uma declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reafirmando que o recesso parlamentar está mantido e que a Casa passa por reformas.

Como não foi votada a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), não há previsão no regimento interno para o recesso. As duas semanas de folga dos deputados são consideradas um “recesso branco”, feito de maneira informal.

Os deputados de oposição também vão atuar em três comissões de trabalho, que já começaram as reuniões na noite desta segunda. A primeira será de alinhamento de comunicação para a defesa do ex-presidente, comandada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO), com forte atuação nas redes sociais.

Um segundo grupo cuidará das prioridades no Legislativo para buscar que as pautas avancem na Casa. No Senado, por exemplo, a prioridade será o impeachment do ministro Alexandre de Moraes —proposta que encontra grande resistência entre senadores.

A terceira comissão será de mobilização nas ruas. O primeiro ato, apelidado de “Reage, Brasil”, já foi convocado para 3 de agosto, um dia antes do retorno dos trabalhos no Legislativo.

Essas mobilizações estão no grupo comandado pelos deputados Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC), ligados ao agronegócio e aos caminhoneiros, respectivamente.

“Nós aumentaremos o tom das manifestações e de ocuparmos as ruas do Brasil como resposta”, respondeu Sóstenes a jornalistas. O formato dos atos ainda será discutido pela comissão.

À Folha Nogueira falou em mobilizações orgânicas de grupos alinhados ao ex-presidente, como caminhoneiros, mas não de forma organizada pelo partido ou pela comissão de trabalho.

“As classes já estão se movimentando nas redes, independente de parlamentares ou de líder político nesse país. Como sempre aconteceu, nas greves da CUT, nas greves do PT, que começaram com a manifestação popular”, disse.

“O que a gente vê nas redes hoje também é uma movimentação peculiar e orgânica da população e dos segmentos. Não significa que a oposição vai organizar ou vai manobrar alguma coisa nesse sentido”, completou.

Impedido de usar as redes sociais, sua principal arena de atuação política, Bolsonaro havia intensificado entrevistas a veículos de imprensa já na semana passada. Na sexta-feira, falou com jornalistas em cinco ocasiões —entre entrevistas exclusivas e coletivas.

Nesta segunda, ele era esperado para uma outra entrevista, ao portal Metrópoles, mas desistiu. A expectativa também era que ele falasse com a imprensa depois de participar de uma reunião com parlamentares, mas, durante o encontro, Moraes deu despacho proibindo veiculação de vídeos ou entrevistas do ex-presidente.

O efeito foi imediato. Ao final do encontro com parlamentares, o ex-presidente disse que não acompanharia o grupo durante a coletiva, por orientação dos seus advogados. Ele falou aos veículos, de forma improvisada, ao deixar a Câmara.

“Não desviei recurso, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso aí [tornozeleira] é covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação”, disse, mostrando a tornozeleira pela primeira vez.

Os limites da decisão de Moraes, que foi classificada como censura por aliados de Bolsonaro, não ficaram claros para sua defesa.

O ex-presidente demonstrou irritação e indignação com a decisão, segundo relatos. Durante o encontro, antes mesmo de saber do novo despacho de Moraes, Bolsonaro disse que as medidas cautelares eram como uma prisão. Com tornozeleira, ele está impedido de deixar Brasília, de sair de casa à noite e aos finais de semana.

Marianna Holanda/Folhapress

Conheça medidas que o Brasil estuda para fazer frente ao tarifaço de Trump

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/Arquivo
O presidente Lula22 de julho de 2025 | 09:07

Conheça medidas que o Brasil estuda para fazer frente ao tarifaço de Trump

economia

A dez dias do prazo de 1º de agosto dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o início da vigência das sobretaxas de 50% sobre os produtos brasileiros, o governo Lula e o empresariado já estudam algumas formas de reagir à medida do governo americano.

Nesta segunda-feira (21), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a pasta está trabalhando com diversos cenários para enfrentar a possível tarifa. Segundo o ministro, contudo, a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o Brasil não deixe a mesa de negociação.

“Estamos preparando alternativas para apresentar ao presidente, mas punir empresas ou cidadãos americanos não está em discussão. Todo e qualquer cidadão americano será tratado com dignidade, e empresas, às vezes com relação centenária com o Brasil, serão tratadas com o mesmo respeito”, afirmou Haddad, em entrevista à rádio CBN.

Veja medidas que os setores público e privado estudam para fazer frente ao tarifaço de Trump.

FUNDO PARA EMPRESAS OU SETORES AFETADOS
O governo Lula discute a criação de um fundo privado temporário para dar crédito a empresas ou setores afetados pelo tarifaço.

Ainda não há definição sobre valores ou taxa de juros, apenas o desenho geral da medida. Segundo uma pessoa que participa das tratativas, para definir quem vai acessar a nova linha, é possível que o recorte seja estabelecido por setor ou por empresa.

O objetivo é cobrar dos tomadores a demonstração de que tiveram suas receitas afetadas negativamente pela imposição da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Ou seja, havia uma previsão de faturamento que não se concretizou devido à queda das exportações para os EUA.

Segundo esse integrante do governo, mesmo dentro de setores afetados pelo tarifaço, como o siderúrgico, há empresas que são menos dependentes das relações comerciais com os americanos. Por isso, a definição do recorte será importante para garantir que a linha emergencial seja acessada por quem efetivamente sofreu impactos das práticas consideradas anticompetitivas.

O fundo deve ser criado por MP (medida provisória) e capitalizado pelo Tesouro Nacional por meio de crédito extraordinário, instrumento que permite abrir espaço no Orçamento sem esbarrar no limite de despesas do arcabouço fiscal.

COMITIVA PARA NEGOCIAR NOS EUA
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, cogita formar uma comitiva interministerial para ir a Washington negociar diretamente com os EUA. A ideia é atrair o governo norte-americano para um acordo eminentemente comercial, retirando o componente político da discussão do tarifaço previsto para vigorar a partir de agosto.

Para isso, a proposta é apresentar um cardápio de medidas de interesse dos EUA. Entre elas está o fim de algumas barreiras tarifárias e não tarifárias contra produtos norte-americanos. É o que afirmaram à coluna Painel S.A. empresários que discutiram o plano com Alckmin. Eles concordaram em falar sob condição de anonimato.

Nesta segunda (21), empresários do setor de mineração receberam aval de Alckmin para entrarem no radar de negociações pela revisão das tarifas.

Alckmin explicou aos empresários que o plano do governo é negociar um adiamento de até 90 dias para o início da data de vigência das tarifas. Dessa forma, empresas com produtos embarcados para os EUA ou que estejam com contratos em andamento poderão negociar alternativas.

PRORROGAÇÃO DO PRAZO
Outra solução considerada é solicitar a prorrogação do prazo de 1º de agosto. O adiamento foi proposto pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) na semana passada e é defendido pelo empresariado.

Os empresários acreditam ser elevado o risco de os EUA não voltarem atrás com o tarifaço antes de 1º de agosto, quando a sobretaxa entrará em vigor. O Brasil, portanto, terá o desafio de negociar com os americanos enquanto os produtores brasileiros já estarão sofrendo perdas com o tarifaço.

Dois deles disseram ao Painel S.A. que o vice-presidente Geraldo Alckmin não deve pedir adiamento da data, mas trabalhar direto no cancelamento da sobretaxa, ainda que isso ocorra depois do dia 1º.

FORTALECER RELAÇÕES COM OUTROS PARCEIROS
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil deve fortalecer laços comerciais com outros países, diante da sequência de retaliações comerciais impostas pelos Estados Unidos ao país, e reforçou a intenção de agilizar o acordo União Europeia-Mercosul.

“Nós temos que reestruturar nossas relações comerciais. O Canadá já sinalizou que quer estabelecer uma aliança com o Mercosul para não depender tanto dos Estados Unidos. O México, a mesma coisa. Nós, até dezembro, esperamos assinar o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul”, disse.

A intenção de aproveitar o momento de insatisfação de outros países do mundo com os EUA para ampliar sua base de relações comerciais já estava entre os planos do governo brasileiro diante das sanções de Trump, segundo auxiliares do Planalto.

TAXAR EMPRESAS DE TECNOLOGIA
Na semana passada, durante discurso na abertura do 60º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), o presidente Lula disse que vai taxar empresas de tecnologia americanas. “A gente vai julgar e cobrar imposto das empresas americanas digitais”, disse.

Segundo relatos, uma das ideias é a de que empresas consideradas menos ágeis na remoção de conteúdos sejam penalizadas com taxas –algo similar ao que ocorre com empresas de telefonia e internet sempre que descumprem regras estabelecidas pela Anatel.

A proposta de ampliar a tributação das big techs é discutida há mais de um ano pelo Ministério da Fazenda, mas especialistas veem pouco espaço para o aumento da taxação das gigantes de tecnologia no Brasil.

No discurso, Lula também defendeu controles sobre as redes sociais, tema de críticas do governo Trump e um dos elementos citados na investigação comercial aberta contra o Brasil. “Não aceitamos que, em nome da liberdade de expressão, [redes sociais] sejam usadas para fazer agressão.”

SENSIBILIZAR CONSUMIDOR DOS EUA
Nos encontros do governo Lula com representantes da indústria e do agronegócio, ficou acertado que os empresários deverão buscar os importadores nos EUA para apresentar a eles diretamente os impactos negativos que a taxação de Trump deve ter sobre os consumidores americanos.

O próprio governo brasileiro tem conversas previstas com representantes comerciais dos EUA como, por exemplo, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham.

Entre os setores que fazem parte desta equação estão, por exemplo, a carne bovina, que é essencial para a produção de hambúrgueres nos EUA, o suco de laranja, também um item do dia a dia do país, e o café, que faz parte do cotidiano dos trabalhadores.

Na sexta (18), uma distribuidora de suco de laranja nos Estados Unidos acionou a Justiça contra a aplicação das tarifas de 50% citando aumento de custos e eventuais demissões. Foi a primeira contestação de uma empresa americana às tarifas brasileiras.

PREPARAÇÃO PARA POSSÍVEIS SANÇÕES
Bancos e outras instituições financeiras já estão buscando orientação de escritórios de advocacia nos Estados Unidos para se posicionarem frente a eventuais sanções do governo Donald Trump à indústria financeira brasileira.

Uma das preocupações que entrou no radar é com o risco de serem adotadas sanções individuais a bancos que operam no Brasil. Também há o temor de proibição de relacionamento bancário e de transações dessas empresas com instituições financeiras norte-americanas, como por exemplo operações de câmbio, de acordo com pessoas ouvidas pela Folha que falaram sob a condição de anonimato.

O foco dessas consultas jurídicas tem sido o de entender os desdobramentos para o setor no caso de uma escalada da crise vir a atingir a indústria financeira num cenário de confirmação da sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano a partir do próximo dia 1º de agosto.

Folhapress

Politica Livre 

IA de Elon Musk estima até 80% de chance de prisão para Bolsonaro e gera polêmica nas redes

 Foto: Kenny Oliveira/Arquivo/MCom

Bolsonaro e Elon Musk22 de julho de 2025 | 09:30

IA de Elon Musk estima até 80% de chance de prisão para Bolsonaro e gera polêmica nas redes

brasil

A inteligência artificial Grok, criada pela empresa de Elon Musk, estimou que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem entre 70% e 80% de chances de ser preso, caso seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo sobre tentativa de golpe de Estado. A previsão foi feita após um internauta questionar a IA no X (antigo Twitter), logo após a repercussão das medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes, como o uso de tornozeleira eletrônica. A Grok se baseou em informações públicas, como o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a condenação de Bolsonaro e outros envolvidos. A reportagem é de Malu Gaspar, do jornal “O Globo”.

A resposta gerou grande repercussão nas redes sociais, assim como a publicação da ex-deputada Joice Hasselmann ironizando a situação do ex-aliado. A IA chegou até a calcular “odds” de apostas, estimando uma chance de 75% de prisão, caso Bolsonaro seja condenado a uma pena que pode ultrapassar 40 anos. Grok ainda recomendou “paciência”, ressaltando que o veredito do STF deve sair nos próximos meses. A atuação do governo Trump em apoio a Bolsonaro, com medidas econômicas contra o Brasil, não deve influenciar a decisão de Moraes, segundo analistas.

Além das previsões jurídicas, a IA de Musk também se envolveu em polêmicas recentes por emitir mensagens ofensivas, como elogios a Hitler e insultos ao presidente da Turquia, o que levou a empresa a prometer ajustes no sistema. Ainda assim, a ferramenta foi contratada pelo Departamento de Defesa dos EUA, por meio do programa “Grok for Government”, mesmo após Musk romper com Trump devido a divergências fiscais.

Lula acha que pode deixar de negociar com Trump, mas não conseguirá

Publicado em 21 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Donald Trump

Nenhum país deixou de negociar tarifas com Trump

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

O presidente Donald Trump já manifestou seu desconforto com o Brics e, sobretudo, com a proposta do grupo de usar moedas locais — e não o dólar — em suas transações comerciais. Quando o Brics estava reunido no Rio de Janeiro, ameaçou aplicar tarifas de 10% sobre os países que de algum modo desafiassem a posição do “poderoso dólar”.

Na última quarta-feira, a ameaça se concretizou, mas só contra o Brasil. Ele impôs uma tarifa absurda de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, aplicada a partir de 1º de agosto.

APENAS AO BRASIL – Por que a sanção não foi imposta, pelo menos não ainda, a outros integrantes do Brics, como China e Índia, as duas maiores economias do grupo?

A primeira resposta é o fator Bolsonaro, como Trump deixou explícito na carta ao presidente Lula, publicada em rede social. Isso tornou a ação econômica — a tarifa — ainda mais absurda e autoritária. Para apoiar um aliado político processado pela Justiça brasileira, Trump impõe uma punição unilateral ao Brasil, passando por cima de todas as normas do comércio internacional.

Mas, procurando informações nos bastidores do governo Trump e do movimento Make America Great Again, jornalistas do New York Times e do site Politico encontraram algumas histórias interessantes. A primeira: bolsonaristas e trumpistas pediam menos.

ATINGIR MORAES – Os bolsonaristas queriam algum tipo de sanção que atingisse o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal. Seria uma reação tanto ao julgamento de Bolsonaro quanto à decisão do STF impondo limitações às big techs, americanas.

O tarifaço, dizem os relatos, foi ideia exclusiva de Trump, por entender que outras sanções não teriam efeito político pretendido. Qual efeito? Livrar Bolsonaro da cadeia.

E por que a medida foi aplicada neste momento, se já faz tempo que os bolsonaristas e seus aliados americanos pedem as sanções? Sempre segundo as reportagens do Times e do Politico, publicadas ontem, Trump mirou o alvo Lula. Por causa de declarações mais duras do presidente brasileiro, nos encontros do Brics, contra Trump e o império do dólar.

CRÍTICAS DIPLOMÁTICAS – Aqui, convém notar que a China não deixa de criticar as tarifas de Trump, mas crÍtica de maneira diplomática, mais contida, tendo como porta-vozes funcionários do segundo escalão. No primeiro escalão, o presidente Xi Jinping já falou pelo telefone com Trump, quando acertaram os procedimentos para negociações, feitas em nível ministerial.

Do mesmo modo, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, modera suas declarações (ficou mudo aqui no Brasil) e foi a Washington para abrir negociações diretas com Trump. Claro, eles não têm lá o fator Bolsonaro. Mas é bem explícita a diferença no comportamento entre os líderes das três maiores economias do Brics.

A China vai além. Se Lula fala há muito tempo sobre comércio no Sul Global com moedas locais, os chineses fazem na prática. Já montaram um sistema de transações comerciais e financeiras em sua moeda, o yuan, e com moedas de mais de cem países, especialmente da Ásia. Aqui, não se usam as moedas locais nem no Mercosul.

JÁ FUNCIONANDO – O Banco do Povo da China (o banco central deles) criou, em 2014, uma instituição que hoje se chama Companhia de Pagamentos Interbancários Internacionais. Presente mundo afora, com vários bancos associados, chineses e outros, encarrega-se das operações financeiras que apoiam as trocas comerciais entre a China e seus parceiros.

Mas o governo chinês não sai por aí esculhambando o dólar americano. É que a China tem as maiores reservas do mundo, US$ 3,2 trilhões, boa parte em dólares mesmo e títulos do Tesouro americano. Não interessa o colapso desses ativos. O Brasil tem reservas de US$ 342 bilhões.

Trump é um líder autoritário dentro e fora de seu país. Ofendeu as instituições brasileiras, o que mereceu resposta firme. Mas, neste mundo de hoje, como mostram tantos países importantes, incluindo China e Índia, ninguém pode escapar de negociações comerciais com Washington. Nem mesmo Lula.

Justiça manda retirar post chamando Michelle de “ex-garota de programa”

Publicado em 21 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

CdB | Pesquisa mostra Michelle à frente de Marçal, na corrida ao

Família de Michelle era pobre e morava numa favela

Raquel Lopes
Folha

O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) determinou a remoção de publicações do Instagram contra a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, chamando-a de ex-garota de programa e associando sua família a pessoas que teriam antecedentes criminais.

A decisão foi proferida pelo desembargador Álvaro Ciarlini, da 2ª Turma Cível, em ação movida contra Teonia Mikaelly Pereira de Sousa e Francisco de Paiva Vasconcelos. Neste domingo (20), as postagens já haviam sido retiradas do ar.

CONFLITO DE DIREITOS – Inicialmente, o pedido foi negado pelo Juízo da 1ª Vara Cível da Circunscrição Judiciária de Brasília. Ao reavaliar o caso, o desembargador Ciarlini ponderou o conflito entre dois direitos à liberdade de expressão e a proteção à honra e à imagem, ambos garantidos pela Constituição.

O TJDFT entendeu que as publicações tinham o claro propósito de atacar e violar a esfera jurídica de Michelle, apresentando ainda um conteúdo marcado por misoginia e sexismo.

A decisão publicada no dia 11 de julho foi tomada após o advogado Marcelo Bessa, que faz a defesa de Michelle, solicitar urgência para a remoção imediata de duas postagens publicadas no Instagram, sob a alegação de que continham conteúdo difamatório.

ABUSO DE DIREITO – Na petição, a defesa sustentou que as publicações extrapolavam os limites da liberdade de expressão, configurando abuso de direito por meio de afirmações falsas e ofensivas à honra da ex-primeira-dama.

A petição ressaltou que os vídeos alcançaram mais de 1,9 milhão de visualizações em menos de um mês, o que, segundo a defesa, contribuiu para perpetuar e intensificar os danos à sua honra e imagem.

Em caso de descumprimento da decisão, foi fixada multa diária de R$ 5 mil, limitada ao teto de R$ 300 mil, sem prejuízo da aplicação de outras sanções penais cabíveis por ato de desobediência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– É assim que funciona. Você se sente atingido, entra na justiça, manda suspender a postagem e pede indenização. Aliás, faltou a repórter informar se houve pedido de ressarcimento da perda de danos morais. No entanto, o ministro Moraes insiste em desconhecer essa lei e sai multando, bloqueando bens e suspendendo também a rede social, causando essa confusão toda com Elon Musk e Donald Trump, mas botando a culpa em Bolsonaro. (C.N.)


Moraes proíbe transmissão e retransmissão de entrevistas de Bolsonaro em rede social

Publicado em 21 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Relembre quem nomeou Alexandre de Moraes para o STF e como foi escolha de  ministro - PontoPoder - Diário do Nordeste

Ao isolar Bolsonaro, Moraes está tentando atingir Trump

Eduardo Simões
Reuters

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu, em decisão publicada nesta segunda-feira, a transmissão e retransmissão de entrevistas dadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

“A medida cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, imposta a Jair Messias Bolsonaro inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiros, não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão”, escreveu Moraes em sua decisão.

DEFESA PROTESTA – A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirma ter sido surpreendida com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e a aplicação do que classificou como “severas medidas cautelares”, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, a proibição de comunicar-se com outros investigados e a proibição de entrevistas.

“As graves medidas cautelares foram impostas em função de atos praticados por terceiros, circunstância inédita no direito brasileiro. As frases destacadas como atentatórias à soberania nacional jamais foram ditas por Bolsonaro. E não parece ser justo ou mesmo razoável que o envio de dinheiro para seu filho, nora e netos possa constituir motivo para impor medidas cautelares como estas, especialmente porque feito muito antes dos fatos ora sob investigação”, afirmaram os advogados de Bolsonaro.

SEM RISCO – Segundo os juristas, chamou atenção o fato de que, apesar de determinar o recolhimento noturno e o uso de tornozeleira, a decisão do Supremo Tribunal Federal não utiliza como fundamento qualquer indício de risco de fuga.

“Também causa espécie que, dentre as medidas cautelares, se inclua a proibição de conversar ou ter qualquer contato com seu próprio filho, um direito tão natural quanto sagrado. O Presidente sempre compareceu a todos os atos das investigações e da ação penal a que responde na 1ª Turma do STF, sem causar qualquer embaraço ou atraso, não se justificando as restrições impostas à sua liberdade de ir e vir”, afirmaram os advogados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Todas as decisões que partem do ministro Alexandre de Moraes são exageradas e injustas. Mas quem se interessa? Os sete ministros do Supremo que entraram na mira de Trump só agora começaram a ficar preocupados. Afinal, como suportar a proibição de viajar para a Disneylândia? (C.N.)


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