terça-feira, abril 22, 2025

STF começa a julgar denunciados do segundo núcleo da tentativa de golpe; saiba quem são os acusados

Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/STF

Fachada do STF22 de abril de 2025 | 08:36

STF começa a julgar denunciados do segundo núcleo da tentativa de golpe; saiba quem são os acusados

brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira, 22, o segundo núcleo de acusados de participar da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A Corte vai decidir se aceita a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Fernando de Sousa Oliveira, Filipe Garcia Martins, Marcelo Costa Câmara, Marília Ferreira de Alencar, Mário Fernandes e Silvinei Vasques.

O ministro do STF Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, reservou três sessões para o julgamento: às 9h30 e às 14h desta terça-feira, e às 9h30 desta quarta, 23. Após a leitura da denúncia, os advogados vão apresentar as defesas e, depois disso, os cinco ministros do colegiado vão decidir se tornam réus, ou não, os seis denunciados.

A PGR fatiou a denúncia de tentativa de golpe em cinco núcleos. Os integrantes do primeiro, que incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados próximos como os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, já se tornaram réus em julgamento unânime no último dia 26 de março.

Moraes autorizou que Filipe Martins acompanhe o julgamento direto do plenário da Primeira Turma. Bolsonaro fez o mesmo em um dos dias que terminaram com a admissibilidade da denúncia, demonstrando seriedade, tensão e até sono ao assistir a sessão.

Quem também vai estar presencialmente no julgamento é o desembargador aposentado Sebastião Coelho, que defende Martins. Ele foi o advogado que discursou no plenário do STF dizendo aos ministros da Corte que eles eram pessoas “odiadas” em boa parte do País.

Coelho pretende suscitar algumas das questões preliminares já rejeitadas pela Primeira Turma no julgamento do núcleo 1, como uma suposta incompetência do STF para julgar os denunciados e a suspeição dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Ele também vai pedir que os magistrados analisem a geolocalização do seu cliente, que serviria como prova de que ele não se envolveu na tentativa de golpe.

O advogado ainda diz ter boas expectativas em relação ao julgamento e que vê abertura para que a denúncia contra o seu cliente não seja acolhida pelos ministros. Coelho também criticou a delação de Mauro Cid e disse que diversas pessoas estão sendo prejudicadas por causa das afirmações sem provas do ex-ajudante de ordens da Presidência.

Quanto às desavenças com Moraes, o advogado afirma que o “protagonista” do julgamento será Martins e que ele não tem “nada pessoal” contra o ministro. “Essa sessão de julgamento como é ao vivo, a gente não sabe o que pode acontecer, mas a minha pretensão é ir trabalhar. Nós temos que focar no trabalho”, afirmou. “O ministro Alexandre de Moraes vai ser juiz, como tem que ser, e eu vou ser advogado. Não tem questões de embate público”.

Saiba quem são os denunciados
• Filipe Martins
• Silvinei Vasques
• Mário Fernandes
• Marcelo Costa Câmara
• Marília Ferreira de Alencar
• Fernando de Sousa Oliveira

Filipe Martins

No governo do ex-presidente, Felipe Martins foi assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República. Forte aliado ideológico das bandeiras do clã Bolsonaro, ele ficou conhecido em março de 2021 após ser flagrado realizando, no Senado, um gesto idêntico a um costumeiramente feito por supremacistas brancos.

Martins passou seis meses preso preventivamente durante a condução do inquérito dos atos golpistas. A justificativa foi de que ele teria tentado fugir do Brasil para escapar da investigação. O nome do ex-assessor constou em uma lista de passageiros do avião presidencial que decolou para Orlando, nos Estados Unidos, em 30 de dezembro de 2022. A defesa, posteriormente, defendeu que ele não embarcou e estava no Brasil naquele dia, e o ex-assessor foi solto.

A PGR imputou a ele a confecção de uma das minutas do golpe, aquela que previa prender os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), então presidente do Senado.

Silvinei Vasques

Entre abril de 2021 e dezembro de 2022, Silvinei Vasques foi o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Desde janeiro deste ano, ele é secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação em São José, município vizinho a Florianópolis (SC). Vasques ingressou na PRF em 1995 e se aposentou em dezembro de 2022, recebendo um salário integral de R$ 13 mil, segundo o Portal da Transparência

Vasques é acusado de interferir nas eleições presidenciais de 2022. Ele é suspeito de coordenar blitzes nas rodovias federais que teriam dificultado o trânsito de eleitores, principalmente no Nordeste, reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por suposta obstrução de justiça, ele ficou preso preventivamente entre agosto de 2023 e agosto de 2024.

Mário Fernandes

Durante o governo Bolsonaro, o general Mário Fernandes era secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, chegando a chefiar interinamente a pasta durante o período. Ele também foi assessor do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Antes de chegar no Executivo, ele integrava a alta cúpula do Exército, sendo promovido a general de brigada em 2016 e passando para a reserva em 2020.

Segundo a investigação da tentativa de golpe, Fernandes é o autor do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que continha um detalhamento para executar, em dezembro de 2022, Moraes, Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A ação esperava o apoio operacional de “kids pretos”, como são conhecidos os recrutas das Forças Especiais do Exército Brasileiro.

Fernandes está preso preventivamente desde o dia 19 de novembro do ano passado. A prisão foi ordenada por Moraes após a Polícia Federal (PF) obter mensagens em que ele incitava ações antidemocráticas que deveriam ser lideradas por Bolsonaro, além de rascunhos do plano de assassinato de autoridades.

Marcelo Costa Câmara

Marcelo Costa Câmara é coronel do Exército e era assessor especial da Presidência durante o governo do ex-presidente Bolsonaro. Além da tentativa de golpe de Estado, o nome dele está relacionado a outros escândalos da gestão anterior, como a venda ilegal de joias, revelada pelo Estadão, e a espionagem ilegal feita por uma equipe paralela da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A PGR apontou Câmara como um dos auxiliares de Bolsonaro responsáveis por monitorar ilegalmente Moraes. No relatório final da PF, ele foi incluído no “Núcleo de Inteligência Paralela” junto ao ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno e do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.

Marília Ferreira de Alencar

A delegada de polícia Marília Ferreira de Alencar foi a única mulher a ser denunciada pela PGR no caso. Durante as eleições presidenciais, ela ocupava o cargo de diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Já no 8 de janeiro de 2023, quando dos atos de invasão à Praça dos Três Poderes, ela era subsecretária de Inteligência do Distrito Federal.

Junto ao ex-ministro da Justiça Anderson Torres e ao ex-secretário de Segurança Fernando de Sousa Oliveira, Marília teria coordenado o emprego das forças policiais do DF “para sustentar a permanência ilegítima de Jair Messias Bolsonaro no poder”, segundo a denúncia da PGR. Segundo o documento, ela também teria auxiliado no uso da PRF para dificultar o trânsito de eleitores em regiões onde Lula teria vantagem eleitoral.

Fernando de Sousa Oliveira

Delegado da PF, Fernando de Sousa Oliveira foi diretor de Operações do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro. No 8 de Janeiro de 2023, ele era secretário-executivo da Secretaria de Segurança do DF, o número dois da pasta, então chefiada por Anderson Torres.

A PGR afirma que ele participou da operação da PRF para dificultar o trânsito de eleitores, junto a Silvinei e Marília. Segundo a denúncia, houve uma “intensa coordenação de estratégias para interferência no pleito”. O Ministério Público também implica a ele a “inércia” das forças policiais do DF durante a depredação dos prédios públicos.

Gabriel de Sousa e Weslley Galzo/Estadão Conteúdo

Brasil: Herdeiros do Colonialismo e Inimigos da Verdade

 


Por José Montalvão

22 de abril de 2025 – 525 anos do “Descobrimento” do Brasil

Neste 22 de abril, data simbólica em que se comemora o chamado Descobrimento do Brasil, é impossível não refletir sobre o verdadeiro legado deixado por esse marco. Há 525 anos, teve início uma história que, ao invés de caminhar rumo à justiça e à igualdade, consolidou um modelo perverso de exploração, concentração de poder e silenciamento — que perdura até hoje.

A historiadora Adriana Romeiro, professora da UFMG e doutora pela Unicamp, resume com precisão esse ciclo histórico: “A elite colonial é a mesma que está hoje no poder, com a mesma mentalidade, de estar numa terra em que pode enriquecer sem qualquer escrúpulo.” Segundo ela, dizia-se que era preferível ser roubado por um pirata em alto-mar do que aportar no Brasil. E, olhando ao redor, quem pode dizer que essa percepção mudou?

A elite brasileira jamais se desligou do espírito colonial. Trocaram-se os personagens, os sobrenomes e os métodos — mas os objetivos seguem intactos: poder, lucro, impunidade. E quando a imprensa ousa tocar nessas feridas, é tratada como inimiga pública. Jornalistas que denunciam corrupção, abusos e desmandos viram alvos de processos, ameaças, censura velada ou declarada. No Brasil, dizer a verdade incomoda mais do que cometer o crime.

A corrupção, portanto, não é um acidente — é o projeto. É o modelo herdado de séculos de dominação, escravidão e desigualdade. É o reflexo de um país fundado na exclusão, que normalizou a injustiça como se fosse parte do seu DNA. E hoje, em pleno 2025, ainda assistimos à mesma lógica: concentração de renda, violência estatal, perseguição a vozes dissonantes.

E o que muda? Pouco, quando os que ousam denunciar são silenciados. Especialmente nas pequenas cidades, onde o poder político se entrelaça com os interesses econômicos e controla tudo — da saúde à merenda, do asfalto ao boletim escolar. Quem levanta a voz é chamado de “desordeiro”, “mentiroso” ou “inimigo do progresso”. Mas a verdade é que o verdadeiro inimigo do Brasil é o pacto silencioso entre poder e impunidade.

Neste 22 de abril, não há muito o que comemorar. O “descobrimento” segue sendo, para muitos, o início de um pesadelo de cinco séculos. Mas há também resistência. Há quem escreva, denuncie, investigue, provoque. Há quem não aceite calar.

A imprensa livre é um dos últimos bastiões da democracia. Defender o jornalismo é defender o direito de saber. É romper com esse ciclo secular de injustiças. É, talvez, o primeiro passo para redescobrir um Brasil que ainda está por nascer — mais justo, mais verdadeiro, mais humano.

Bolsonaro continua na UTI no sétimo dia, ainda sem alimentação oral

Publicado em 21 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Em novo registro, Bolsonaro caminha por hospital junto a Michelle |  Metrópoles

Bolsonaro caminhando, em vídeo gravado há três dias

Luana Viana
Metrópoles

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após ser submetido a uma cirurgia no último domingo (13/4) para tratar obstrução intestinal.

De acordo com boletim médico divulgado na manhã desta segunda-feira (20/4), Bolsonaro segue com boa evolução clínica, sem febre e pressão arterial controlada.

DIZ O BOLETIM – “O Hospital DF Star informa que o ex-Presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em acompanhamento pós-operatório. Segue com boa evolução clínica, sem febre e pressão arterial controlada. Foram retirados os drenos do abdômen e realizada a troca do curativo da incisão cirúrgica, que se encontra em excelente aspecto. Continua em jejum oral e com nutrição parenteral exclusiva. Segue intensificando a fisioterapia motora e medidas de reabilitação. Persiste a recomendação de não receber visitas e não há previsão de alta da UTI”, diz o boletim.

Assinam o boletim desta segunda-feira Cláudio Birolini, médico-chefe da equipe cirúrgica; Leandro Echenique, médico cardiologista; Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior, coordenador da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star; Brasil Caiado, médico cardiologista; Guilherme Meyer, diretor médico do DF Star; e Allisson Barcelos Borges, diretor-geral do DF Star.

OBSTRUÇÃO INTESTINAL – Trata-se de uma doença caracterizada pelo bloqueio parcial ou total da passagem dos alimentos digeridos pelo intestino.

Essa condição pode ser provocada por diferentes fatores, como tumores, hérnias, inflamações, intoxicações, ou pelas chamadas bridas intestinais. Os principais sintomas incluem inchaço abdominal, prisão de ventre, dificuldade para eliminar gases, náuseas, vômitos e dor abdominal em forma de cólica. No caso de Bolsonaro, o problema está associado às cinco cirurgias anteriores, feitas após o atentado de 2018, o que favorece a formação dessas aderências.

O procedimento, que durou cerca de 12 horas, teve como objetivo a remoção de aderências intestinais — conhecidas como bridas — e a reconstrução de parte da parede abdominal. Essas alterações são comuns em pacientes que passaram por cirurgias abdominais anteriores e podem causar dor, obstruções e outros sintomas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O problema é complicado, porque Bolsonaro está há dez dias sem alimentação oral.  Por enquanto, recebe nutrientes por via venosa, enquanto o intestino não começa a dar sinais de reflexos de funcionamento. A preocupação é grande. (C.N.)


Lula cria um asilo-companheira, enquanto Moraes tenta se tornar o Trump brasileiro

Publicado em 21 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Lula e Moraes vão a samba na casa de Kakay após diplomação no TSE | CNN  Brasil

Lula e Moraes: ninguém sabe quem consegue errar mais

Wálter Maierovitch
do UOL

Bem que o saudoso escritor Jorge Amado avisou ser o Brasil o país do Carnaval. Nesta semana, tivemos dois episódios extravagantes. O presidente Lula descumpriu o direito internacional ao conceder asilo a quem não era perseguida. Criou, em desacordo com a Convenção das Nações Unidas, uma variante, tipo “asilo-companheiro”, com aval do país de origem da asilada. E o ministro do STF Alexandre de Moraes, por sua vez, deu uma revidada e um puxão de orelhas na Suprema Corte da Espanha.

A Convenção das Nações Unidas de 1954 — e o Brasil subscreveu-a e aderiu — só admite o acolhimento do asilo em caso de perseguição. No Peru, não há perseguição política alguma. Frise-se: o país não é uma Venezuela do autocrata Maduro, que fraudou as eleições e perseguiu a oposição política.

VIA ODEBRECHT – Nadine Heredia foi condenada pela Justiça peruana à pena de 15 anos por caixa dois na campanha eleitoral do marido. Atenção! Um dos maiores abastecedores do caixa 2 da campanha eleitoral de Humala foi a Odebrecht, à época dirigida pelo corruptor Marcelo Odebrecht.

Pelas leis peruanas, ficou patente a quebra do princípio de igualdade entre os concorrentes em eleições. Com o dinheiro fornecido ilegalmente pela Odebrecht, violou-se o Estado Democrático e o Estado de Direito.

Lula — que com razão aponta para Bolsonaro como antidemocrático — fingiu não perceber a gravidade da conduta da peruana a quem deu asilo. Heredia violou a Constituição democrática do Peru. É antidemocrática como o Bolsonaro.

NÃO É DITADURA  – O marido de Nadine está igualmente condenado, não recebeu asilo e se encontra preso. O Peru não é uma ditadura. Já ficou para trás o tempo do ditador Alberto Fujimori e de Vladimiro Montesinos, eminência parda do governo, colaborador com a CIA e dado como comandante do narcotráfico internacional de cocaína.

Lula quis dourar a pílula, e a sua assessoria fala em decisão humanitária, pois a favorecida tem câncer. Não existe essa brecha legal, e o Peru tem médicos, especialistas e hospitais.

O presidente privilegiou a companheira, pois o cidadão comum peruano com câncer não recebe asilo para vir se tratar no Brasil. Lula inventou um “asilo-companheira” para a esposa do ex-presidente peruano que é de esquerda. Na verdade, o brasileiro concedeu impunidade à peruana.

PASSADA DE PANO – Mais ainda, como o corruptor Marcelo Odebrecht obteve no nosso STF uma passada de pano anulatória ampla (tudo está sendo anulado, até a confissão do Palocci que dedo-durou a Odebrecht no Peru), a impunidade, com violação ao direito internacional, chegou à esposa do “companheiro” Humala.

O Brasil tem, infelizmente, tradição em conceder asilos políticos disfarçados. Tudo começou na ditadura militar, com concessão de asilo ao sanguinário ditador paraguaio Alfredo Stroessner — ele morreu em 16 de agosto de 2006, no asilo dourado em Brasília, em mansão de frente ao lago Paranoá.

Agora, Lula mantém a nefasta e ilegal tradição, imitando a direita de matriz fascista.

SALVO-CONDUTO – O governo do Peru deu uma mãozinha, sob comando da presidente Dina Boluarte — dada como oportunista de centro-esquerda e que assumiu por ser a vice de Pedro Castillo, um líder sindicalista (como era Lula) que virou presidente e sofreu impeachment em 2022.

O governo Dina Boluarte concedeu um salvo-conduto (na verdade, um “pode se mandar do Peru para não entrar em cana”) à privilegiada por Lula. Assim, Nadine pôde deixar o seu país.

A mostrar que a questão não era humanitária, mas de ação entre amigos, a presidente do Peru não quis pagar o transporte e nem ceder avião à asilada. Se fosse questão humanitária, pagaria, até pelo risco de perda de vida. Aí, tudo se resolveu com o companheiro Lula enviando um avião da FAB para o transporte da asilada.

BOM PARA BOLSONARO –  O “liberou geral” dado à companheira peruana abriu portas e deu argumentos para os defensores da anistia a Bolsonaro et caterva (e os comparsas).

Não demorou 24 horas para as redes bolsonaristas entrarem no tema asilo e cobrarem coerência. Como se percebe, virou pressão para o presidente da Câmara, Hugo Motta, destravar o vergonhoso projeto de anistia, com os condenados pelo 8 de Janeiro à frente para disfarçar.

E o ministro Moraes tenta ser “mandão” como Trump. Quer atropelar e derrubar todos os obstáculos que impedem o cumprimento da sua vontade. E simplesmente suspendeu a extradição para a Espanha de um potente narcotraficante internacional de

RECIPROCIDADE – Numa acrobacia a invejar o famoso toureiro espanhol Luis Miguel Dominguín, Moraes alegou que a Espanha deixou de conceder a extradição ao nefasto blogueiro, espalhador de fake news, Oswaldo Eustáquio.

Assi, foi pura represália, pelo supremo Moraes. Na verdade, uma decisão com o fígado, que produz bile de cor verde-amarelada. Moraes entendeu não ter a Espanha, pela sua Suprema Corte, observado o princípio de direito internacional da reciprocidade.

Para Moraes, um escandaloso caso de narcotráfico internacional é análogo ao de um blogueiro nacionalista de quinta categoria. Daí, errou em falar em reciprocidade.

PASSOU DOS LIMITES – Tem mais. Moraes quer saber da embaixadora espanhola no Brasil o porquê de não se cumprir a reciprocidade. Com isso, invadiu atribuições do presidente Lula e competência do Itamaraty, órgão de governo.

Moraes não percebeu que a decisão da Corte Suprema da Espanha é soberana, nada tem a ver com o embaixador.

Num passado próximo, e com razão, Moraes ensinou Elon Musk e o presidente Trump que as decisões do STF sobre suspensão de redes no Brasil eram soberanas. Agora, porém, Moraes esqueceu ser soberana a decisão da Corte suprema da Espanha. Assim, num pano rápido, nesta semana Lula inventou o “asilo-companheira” e Moraes mostrou ser o Trump brasileiro.

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Governo Lula subestima a oposição, que conseguirá aprovar alguma anistia


Gleisi Hoffmann tem agenda de reuniões com líderes do Congresso - ISTOÉ  Independente

Gleisi Hoffmann e os líderes deram uma grande mancada

Dora Kramer
Folha

Incrível como o governo é pego desprevenido pela oposição. Leva rasteira atrás de rasteira e ainda se surpreende. Isso acontece porque subestima o oponente. Acabou de acontecer com o projeto de anistia aos golpistas.

O Palácio dormiu no ponto, acordou tarde e o líder no Senado, Randolfe Rodrigues (PT), para justificar a inércia, saiu-se com esta: “Não entramos em campo antes porque quando o adversário está errando não se deve interrompê-lo”.

INÊS QUASE MORTA – Uma versão enviesada da arte da guerra considerando o equívoco de perspectiva, pois quem errava era o governo ao não ser capaz de detectar a tempo o movimento dos ventos. Resultado, quando viu, Inês estava quase morta.

O requerimento de urgência alcançou as assinaturas necessárias, o pedido foi protocolado e, sem força para retaliar os signatários de partidos da base, restou aos inquilinos do poder correr atrás de desistências tardias a fim de respaldar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), na tentativa de amenizar o prejuízo no colégio de líderes.

Ainda que se derrube a urgência, a oposição seguirá no domínio do tema, pois conseguiu distorcer os fatos a ponto de muita gente boa e informada passar a acreditar que havia inocentes na culminância da conspirata no 8/1. Alguma anistia sairá.

“DESAVISADOS” – E por que o Planalto não atuou antes para impedir as assinaturas ao menos daqueles que a ministra Gleisi Hoffmann (PT) chamou de “desavisados”? Por um misto de incompetência, arrogância e falta de tino para perceber que ali estavam todos perfeitamente avisados de que o requerimento funcionaria como recado ao Executivo e ao Judiciário.

Assim como não há inocentes na trama do golpe, não há cândidos no Congresso. Pelo visto, ingênuos movidos pela soberba só existem entre os governistas-raiz.

Tinham o melhor dos argumentos: a punição severa à intentona para evitar reincidência, mas deixaram se perder na mitificação bem engendrada pelos arquitetos do objetivo maior de livrar Jair Bolsonaro (PL) do merecido corretivo.


segunda-feira, abril 21, 2025

A Mordaça Não Cala a Verdade: A Imprensa Livre é Como Massa de Pão – Cresce ao Ser Sovada


A Mordaça Não Cala a Verdade: A Imprensa Livre é Como Massa de Pão – Cresce ao Ser Sovada

Nos últimos dias, veio à tona mais um caso preocupante: tentativas de intimidação contra radialistas da vizinha cidade de Euclides da Cunha. Uma prática lamentável, que infelizmente não é isolada. Em conversa recente com um amigo jornalista, surgiu a constatação de que esse tipo de assédio tem se tornado uma verdadeira praga que se espalha, principalmente contra a imprensa séria — aquela que se recusa a se curvar, que não se vende, que não se cala.

O que está em jogo aqui vai muito além de um ataque individual. Trata-se de uma tentativa de mordaça coletiva, um atentado à liberdade de expressão, à democracia e ao direito do povo de ser informado. Quando representantes do poder — seja político, judicial ou econômico — se incomodam com as críticas e reagem com perseguições, o que revelam, na verdade, é o próprio medo da verdade.

A imprensa livre não teme. E quando ameaçada, cresce. É como massa de pão: quanto mais sovada, mais fermenta. Cada tentativa de silenciamento, cada processo sem fundamento, cada ameaça velada ou explícita, serve apenas para reafirmar a relevância do trabalho jornalístico sério e comprometido com o interesse público.

Não é de hoje que os poderosos — aqueles que se acham reis ou até deuses — tentam transformar a crítica em crime. Esquecem-se de que vivemos numa democracia e que a crítica, o debate e a exposição de desmandos são parte essencial da vida pública. Quando se tenta calar a voz da imprensa, é porque algo há para esconder.

Mas o que eles não compreendem é que a censura tem um efeito contrário ao desejado. Blogs, rádios e portais que resistem, que denunciam, que se mantêm firmes apesar das tentativas de silenciamento, acabam se fortalecendo. Ganham mais credibilidade, mais apoio popular, mais relevância.

Este blogdedemontalvao, assim como muitos outros que resistem Brasil afora, não se intimidará. As críticas não nos abalam — nos constroem. As ameaças não nos amedrontam — nos motivam. E cada tentativa de mordaça nos mostra que estamos no caminho certo.

Porque a verdade é como a água: ela sempre encontra um jeito de passar, por entre as frestas, por debaixo das portas, pelos canais mais inesperados. E a imprensa séria é o seu canal mais legítimo.

Seguimos firmes. Porque o nosso compromisso é com o povo, com a transparência e com a liberdade.

Centrão veta Eduardo Bolsonaro como candidato da direita ao Planalto em 2026

 Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

Eduardo Bolsonaro21 de abril de 2025 | 08:39

Centrão veta Eduardo Bolsonaro como candidato da direita ao Planalto em 2026

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Partidos do Centrão, o grupo político que dá as cartas no Congresso, não querem nem ouvir falar em Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como candidato à Presidência da República em 2026. Lideranças de direita e centro-direita ouvidas pela Coluna do Estadão são unânimes em defender que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)- inelegível e com risco de ser preso – deve transferir seu capital político a um aliado, mas tenha outro sobrenome.

O preferido é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entretanto, outros chefes de executivos estaduais também estão no páreo. Procurado, Eduardo não comentou.

Como mostrou a Coluna do Estadão, partidos de direita esperam que Bolsonaro tenha um “surto de sanidade” e escolha Tarcísio para substituí-lo ano que vem. A expressão foi usada por duas das maiores lideranças que têm influência nas decisões desse grupo político, e se expande nos bastidores.

Os políticos da direita apresentam suas razões para rejeitar o filho 03 de Bolsonaro. A primeira é que ele não tem articulação política e “ninguém conversa com o Eduardo”. Consequentemente, essas lideranças receiam que, eventualmente eleito presidente da República, ele teria confrontos diretos com o Congresso e promoveria retaliações. Algo que o próprio Bolsonaro nunca fez, apesar das polêmicas.

Eduardo Bolsonaro pediu licença do cargo de deputado em março e, desde então, está nos Estados Unidos. É cada vez mais disseminada na direita a sensação de que ele não voltará ao Brasil, sob o risco de ter o passaporte apreendido por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suposta articulação contra a soberania do Brasil junto a autoridades americanas.

Roseann Kennedy e Iander Porcella/Estadão Conteúdo

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