domingo, março 23, 2025

Direita dá um tempo no esperneio para aguardar o ritmo do julgamento no STF

Publicado em 22 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Provas de golpe orquestrado podem minar o projeto de  anistia e barrar impunidade

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Dora Kramer
Folha

Com o julgamento das ações por tentativa de golpe de Estado e atos correlatos prestes a começar, tudo que os adultos sentados na sala da direita não querem é criar confusão com o Supremo Tribunal Federal nem conturbar ainda mais o ambiente político.

Daí que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) foi aconselhado a se afastar da cena e desistir de presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Daí decorre também o certo alívio naquele campo com o ato esvaziado em prol da anistia aos executores de atos antidemocráticos entre o fim de 2022 e início de 2023.

PARA TUMULTUAR – O filho do ex-presidente iria para a comissão com o intuito de tumultuar, criando situações para insinuar reprimendas dos Estados Unidos ao Supremo, reforçando apreço por Donald Trump enquanto o presidente americano afronta o mundo democrático, Brasil incluído, e põe em risco a economia global. Eduardo Bolsonaro fará seu show nesse roteiro de qualquer jeito, mas fora da cena nacional.

Não é prudente, avalia-se, colocar o carro à frente dos bois, bem como aconselha-se a não menosprezar a inteligência dos ministros do STF acreditando que cairiam em provocações que reforçassem a tese de um julgamento persecutório.

São sagazes o suficiente para não entrar nessa pilha. Há também a percepção de que quanto mais Bolsonaro se coloca na linha de frente da defesa da anistia, figurando assim como principal beneficiário, menos chances o projeto tem de ser aprovado tão cedo. Ilustra a própria vaidade, mas inibe apoios à defesa de alívios de penas em casos pontuais.

MELHOR AGUARDAR – A coisa perdeu tração no Congresso. Os presidentes da Câmara e do Senado não estão a fim de comprar tensões adicionais com o Executivo e o Judiciário.

Comandantes de partidos do centrão, como PSD e Republicanos, tampouco. A despeito de às vezes se posicionarem com um pé lá e outro cá, ainda permanecem de corpo a alma agarrados aos ministérios.

Por essas e algumas outras (emendas) é que os mais experientes acham melhor esperar o tom e o rumo do julgamento para só então espernear.


Governo monta bunker para blindar Janja, que não aceita deixar viagens de lado

Publicado em 23 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Lula se casa com Janja em SP; Gil do Vigor e políticos estão entre os  convidados | São Paulo | G1

Janja gosta de se exibir, viajar e usar cartão corporativo

Jeniffer Gularte
O Globo

Diante do diagnóstico de que a primeira-dama, Janja da Silva, virou alvo preferencial de ataques da oposição, o governo montou um grupo informal para tentar blindá-la e oferecer uma estratégia jurídica e política. No último mês, Janja chegou a ensaiar um recolhimento para evitar desgastes, mas voltou aos holofotes ao não abrir mão de viagens internacionais, mesmo com avaliação interna de que seus roteiros no exterior geram desgaste a Lula.

A primeira-dama embarcou uma semana antes do presidente para o Japão e, na próxima quarta-feira, irá a Paris para a Cúpula Nutrição para o Crescimento.

BUNKER DE PROTEÇÃO – O que vem sendo chamado internamente de “bunker de proteção” à primeira-dama é formado pelo ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o grupo de advogados do Prerrogativas.

Messias acompanha de perto as representações feitas contra a atuação de Janja, seja na Justiça, no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público Federal (MPF). Uma delas pedia a saída de Janja das dependências do Palácio do Planalto, mas foi arquivada em 14 de março.

Gleisi e Lindbergh ajudam a fazer a disputa política nas redes sociais, enquanto o Prerrogativas, com o advogado Marco Aurélio de Carvalho à frente, tem a tarefa de defender a imagem de Janja na sociedade civil.

‘AÇÃO COORDENADA’ – A avaliação interna é que em um espaço muito curto de tempo houve uma “ação coordenada da oposição” contra Janja com ataques que, no passado, segundo o governo, não ocorriam no mesmo nível de agressividade com outras primeiras-damas.

Houve um consenso de que o movimento passou a afetar a imagem de Janja, apesar de judicialmente nenhuma das representações contra ela terem prosperado.

Pressionada por esses desgastes, Janja chegou a buscar um ajuste na sua atuação. De acordo com aliados, a primeira-dama indicou que iria focar no que julga indispensável, sem deixar de se posicionar nos assuntos que identifica relevantes. A ideia era adotar postura mais cautelosa.

VIAJAR É PRECISO – Esse recuo não inclui as viagens internacionais. A decisão sobre esses roteiros ocorre no espaço restrito de discussão do casal presidencial. No último sábado, Janja embarcou para o Japão junto com a equipe precursora do presidente. O time composto por assessores, policiais e integrantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sempre viaja com antecedência aos destinos que serão visitados por Lula.

O governo adotou total discrição sobre as atividades de Janja no Japão, que durante essa semana participou de um evento de sustentabilidade dentro de agendas da COP30, que ocorrerá em novembro em Belém, além de uma atividade cultural na Embaixada do Brasil em Tóquio.

Antes de voltar ao Brasil, Lula autorizou a ida de Janja para participar da Cúpula Nutrição para Crescimento, a convite do governo francês, entre 26 e 30 de março, em Paris.

DESGASTE AUMENTA – Semanas antes, no entanto, Janja desistiu de ir a Nova York representar o Brasil na 69ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), evento ligado a Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 2024, Janja esteve nos EUA para participar do mesmo evento. A desistência este ano ocorreu em meio ao desgaste de suas viagens. A última ocorreu em fevereiro, quando Janja representou oficialmente o governo no evento Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, em Roma, e encontrou o Papa Francisco.

O roteiro na Itália motivou manifestações públicas de parlamentares de oposição como Marco Feliciano, Rosângela Moro, Flávio Bolsonaro e Caroline de Toni, e virou alvo de uma notícia de fato no MPF.

DESISTÊNCIA – A primeira-dama também declinou de ir a Nova York no momento em que a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, corre o risco de perder o cargo na reforma ministerial. Cida chefiou a missão aos EUA. Uma ala do governo dá como certa sua saída.

Janja, por ora, também deixou adormecida a ideia de criação de um gabinete formal que pudesse estabelecer limites claros para sua atuação. A primeira-dama voltou a tocar no tema em meados de 2024, mas o assunto não prosperou sob o mesmo argumento com que foi barrado no começo de 2023.

Ministros próximos de Lula levaram ao presidente o cenário de que Janja poderia ser convocada pela oposição com frequência a dar explicações sobre sua função.

PÉ NO FREIO – Auxiliares palacianos afirmam que já é perceptível, em algum nível, a mudança de postura de Janja. A primeira-dama diminuiu a frequência em eventos e tem feito menos pedidos que eram identificados como provenientes do seu gabinete.

Na semana passada, Janja fechou seu perfil no Instagram. devido a uma onda de comentários de ódio e misóginos nas publicações. Nas redes sociais, também houve certa adaptação nas postagens, com seleção mais criteriosa sobre assunto dos quais Janja se manifesta.

No Planalto, porém, não é descartado que esse recuo seja temporário e Janja volte a buscar protagonismo. Há um ano, seria cabo eleitoral de candidatas do PT às eleições municipais. Assim como Lula, Janja, no entanto, fechou o período eleitoral distanciada dos palanques femininos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de fevereiro mostra que 58% dos brasileiros têm imagem negativa da primeira-dama, índice que era de 40% em outubro. E a maioria das menções a Janja nas redes sociais é negativa (53,4). Quando o TCU investigar a atuação dela em benefício da milionária corrupção da ONG espanhola OEI, aí é que as pesquisas vão desabar. (C.N.)


“Pacto da irresponsabilidade” empurra para 2027 a conta da reeleição de Lula


Charge: Cortes no orçamento - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Andreazza
Estadão

A aprovação – em março de 2025 – da Lei Orçamentária Anual para 2025 antecipa o conjunto bandalheiro em que consistirá o Orçamento do ano eleitoral, aquele que garantirá os dinheiros à (tentativa de) reeleição de todos. Não será apenas Lula o candidato. Há um esquema de poder a ser prorrogado. O Congresso – o orçamento secreto – também pretende se reeleger.

Farão o diabo. Juntos. Como o feito, com (por) Bolsonaro, em 2022. Você pagará. Depois da eleição. Não existe Gás para Todos de graça. E, se o governo quer dobrar a aposta eleitoreira na gastança, o Parlamento dirá – diz – “tudo bem”; desde que tenha o seu incluído na farra. Para rir, tem de fazer rir.

NINGUÉM LEU… – A embocadura do troço – o pacto pela irresponsabilidade – foi exibida na última quinta. A começar pela forma. Esquema Lira de atropelamento da atividade legislativa. Ninguém leu o texto. São mais de mil páginas. Relatório apresentado no mesmo dia em que seria votado na comissão e no plenário.

O Parlamento aprovou o bicho sem a menor ideia do que chancelava – o que lhe confirma o caráter ficcional. Quase ficcional; porque o Congresso sabia absolutamente o que aprovava – na matéria que lhe interessava.

A ficção é para você, mortal. Para eles, concretude – trator e pavimentação. O que lhes interessava: a garantia dos bilhões para emendas parlamentares, fixada a porção que, via emendas de comissão, bancará a versão 3.0 do orçamento secreto.

PEÇA FARSANTE – Serão R$ 50 bilhões para emendas parlamentares, dos quais R$ 11,5 bilhões às de comissão. Assegurado esse espaço, o restante consistiria em erguer peça orçamentária farsante – que, conforme as práticas do governo gastador-inflacionário, superestima receitas e subestima despesas. O Pé-de-Meia, por exemplo, vai pendurado quase todo para fora: a custar mais de R$ 10 bilhões, tem previsto só R$ 1 bilhão.

O relator, Ângelo Coronel, cumprindo o papel de ser mais otimista até do que a HP de Haddad, estima superávit de R$ 15 bilhões.

O cronista ora obrigado a registrar que o STF autorizou que o pagamento de precatórios não forme sob o teto de gastos. Contará para o endividamento. Para meta fiscal, somente em 2027 – depois do ano eleitoral. Coincidência; porque o Supremo não faz esse tipo de cálculo.

GLEISI AVALIZOU – A turma – Planalto e donos do Congresso – acertou tudo por cima. Gleisi Hoffmann assinou a promissória. Compromisso de pagamento de emendas de comissão ainda de 2024; mais um extra para cada um dos 594 deputados e senadores. Quase R$ 7 bilhões ao todo.

Não lhes faltarão recursos. Tudo assentado para 26. Davi Alcolumbre estava todo pimpão. Teve efeito haver colocado a faca no pescoço do governo – atrasando a existência do Orçamento – pela solução das emendas parlamentares. Afinaram-se.

O ano começou. Em certo sentido, também acabou.

O Papel dos Municípios na Segurança Pública e o 7º Encontro de Guardas Municipais Femininas da Bahia

 

A segurança pública tornou-se um dos temas mais urgentes na sociedade brasileira contemporânea, impactando diretamente todas as esferas da vida cotidiana, como saúde, educação, trabalho e lazer. A proteção ao cidadão está intrinsecamente ligada ao bem-estar individual e coletivo, influenciando desde a preservação do patrimônio até aspectos fundamentais como a família e a própria existência.

Nos últimos anos, o aumento da violência tem se mostrado um grande desafio, comprometendo a esperança por um futuro mais seguro. Para muitas pessoas, a realidade cruel da criminalidade violenta transformou até mesmo a ideia de chegar ao dia seguinte em uma conquista incerta. Como consequência, cresce a cobrança sobre as autoridades para a adoção de medidas eficazes no enfrentamento dessa questão.

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) desempenha um papel essencial na coordenação de ações em nível federal, reconhecendo os esforços de estados e municípios, apesar das frequentes limitações financeiras e de pessoal. Nesse cenário, o envolvimento das prefeituras ganhou destaque, reforçando a ideia de que a segurança não deve ser responsabilidade exclusiva dos governos federal e estadual.

É no âmbito municipal que as demandas da população se manifestam de maneira mais imediata. O prefeito, como principal representante do Executivo local, ocupa uma posição estratégica na formulação de políticas públicas voltadas para a segurança. Dessa forma, muitos municípios têm ampliado investimentos na área, promovendo a criação e o fortalecimento das guardas civis municipais. Com quase dois séculos de história, essas instituições passaram por um processo contínuo de evolução e reconhecimento, consolidando-se como peças fundamentais na estrutura de proteção pública.

Jeremoabo e o 7º Encontro de Guardas Municipais Femininas da Bahia

Nesse contexto de fortalecimento da segurança municipal, Jeremoabo foi palco, pela primeira vez, do 7º Encontro de Guardas Municipais Femininas da Bahia. O evento reuniu profissionais da área para debater temas essenciais, como tecnologia e inovação na segurança pública, além de promover discussões sobre saúde mental, bem-estar no trabalho e os desafios enfrentados pelas mulheres na profissão.

A iniciativa teve como principal objetivo fomentar a troca de experiências e o aprimoramento profissional, incentivando a superação de barreiras e o reconhecimento do papel fundamental das mulheres na segurança pública. Com isso, Jeremoabo reafirma seu compromisso com o avanço das políticas de proteção e valorização das forças municipais, contribuindo para um futuro mais seguro e igualitário.

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sábado, março 22, 2025

Jeremoabo: Do Caos à Esperança - A Reconstrução da Saúde Pública O Abandono e a Indignação:





 

Jeremoabo viveu anos de descaso na saúde pública, com o hospital local transformado em símbolo de negligência. A falta de médicos, medicamentos e gestão competente era apenas a ponta do iceberg. A sujeira e o matagal que tomavam conta do local expunham a população a riscos sanitários alarmantes, com ratos, cobras, escorpiões e morcegos transformando o hospital em um criadouro de doenças.

Enquanto o hospital de Jeremoabo sofria com a falta de médicos, medicamentos e competência administrativa, sobrava sujeira na cozinha, nos apartamentos e no quintal. O local se transformou em um verdadeiro matagal, Caso existisse uma vigilância sanitária eficiente no município, o hospital teria sido interditado.

A inércia da Câmara de Vereadores, que ao invés de fiscalizar e cobrar soluções, preferiu elogiar o caos, agravou ainda mais a situação. A falta de compromisso com a população e a ausência de uma vigilância sanitária eficiente colocaram em risco a vida de pacientes que buscavam socorro médico. Se houvesse uma Câmara de Vereadores atuante e comprometida com a população, ao invés de parabenizar o caos, teria convocado o Ministério Público para investigar os desmandos, a sujeira do hospital e o atentado à saúde pública que colocava em risco a vida dos pacientes.

Em todas as sessões da Câmara de Vereadores, os parlamentares insistiam em elogiar a Secretaria de Saúde, tendo ainda a cara de pau de afirmar que o hospital era digno de atender a população de Jeremoabo. A que ponto chegou a falta de personalidade e responsabilidade dos representantes do povo!

Felizmente, o povo elegeu o prefeito Tista de Deda, que desde o início de sua gestão tem trabalhado para recompor o hospital com médicos, paramédicos e garantir dignidade e respeito aos pacientes que buscam socorro médico. A tendência, daqui para frente, é a contratação de médicos especializados e a implantação de um atendimento humanizado e competente, condizente com o que a população de Jeremoabo merece.



Julgamento no STF e Audiência em Jeremoabo Movimentam o Cenário Político Nacional e Local

 

                                   Foto Divulgação

Julgamento no STF e Audiência em Jeremoabo Movimentam o Cenário Político Nacional e Local

Na próxima quarta-feira (25), dois eventos de grande repercussão política ocorrerão no Brasil. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará o julgamento que decidirá se aceita ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. No âmbito municipal, Jeremoabo será palco de uma audiência de instrução relacionada a supostas candidaturas fictícias.

Julgamento no STF

A PGR imputa a Bolsonaro cinco crimes ligados a um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vencedor do pleito de 2022. Caso o STF aceite a acusação, será aberta uma ação penal, tornando os denunciados réus no processo. O julgamento atrai atenção de especialistas, aliados e opositores do ex-presidente, uma vez que poderá impactar o futuro político de Bolsonaro e definir precedentes para casos semelhantes no país.

Audiência de Instrução em Jeremoabo

Enquanto isso, no cenário político local, Jeremoabo também se prepara para um evento de grande expectativa. Foi designada para o dia 25 de março de 2025, às 9h, a audiência de instrução sobre a suposta existência de candidaturas fictícias. A sessão será realizada de forma presencial na Sala de Audiências da Vara Crime do Fórum da Comarca de Jeremoabo, situado na Av. Dr. José Gonçalves de Sá, nº 206, no Centro da cidade.

Durante a audiência, poderá ocorrer o depoimento pessoal dos envolvidos, além da oitiva das testemunhas arroladas por ambas as partes, com um limite de seis para cada lado. Essas testemunhas comparecerão independentemente de intimação, conforme o que prevê a Lei Complementar 64/90, em seus artigos 5º e 22, inciso V.

Repercussão e Expectativas

Ambos os casos são acompanhados com atenção por juristas e pela opinião pública. No âmbito nacional, o desdobramento do julgamento de Bolsonaro pode impactar o equilíbrio político e a estabilidade institucional do país. No cenário local, a audiência em Jeremoabo pode trazer consequências para a própria configuração política do município, dado que a suposta existência de candidaturas fictícias levanta questionamentos sobre a lisura do processo eleitoral.

Dessa forma, o dia 25 de março promete ser um marco tanto para a política brasileira quanto para a realidade jurídica e política de Jeremoabo.


Plano Safra 25/26 e Seguro Rural preocupam setor após aprovação do Orçamento e alta de juros

 Foto: Alberto Coutinho/GOVBA/Arquivo

Soja21 de março de 2025 | 20:02

Plano Safra 25/26 e Seguro Rural preocupam setor após aprovação do Orçamento e alta de juros

economia

A aprovação do Orçamento Geral da União de 2025 e o aumento da taxa básica de juros (Selic) esta semana para 14,25%, com sinalização de ampliação, vão impactar as duas principais políticas públicas voltadas ao agronegócio, o que gera preocupação para o setor. O Plano Safra 25/26 deve enfrentar desafios, e especialistas convergem na opinião de que será uma “ginástica” para o governo.

Quando o governo enviou a proposta orçamentária ao Congresso em agosto de 2024, a Selic estava em 10,5%. Nesse contexto, o valor previsto de equalização do Plano Safra (o que inclui planos anteriores, o atual e o próximo) era de R$ 15,03 bilhões. A expectativa era de um aumento devido à mudança de cenário econômico. No entanto, os valores continuaram iguais.

Na avaliação do ex-secretário de Política Agrícola José Carlos Vaz, esse montante deve ser alterado, uma vez que a aprovação do orçamento é “procedimento operacional” básico para dar andamento a uma “reprogramação orçamentária”.

Vaz pondera que a mudança deve ser no fluxo das contratações com recursos subsidiados. Ele lista quais devem ser as prioridades do governo na hora de montar o próximo Plano Safra: pequenos, cooperativas (de todos os portes) e por último os médios produtores. “Eu já posso afirmar que o próximo Plano Safra que virá aí para os médios vai ser ruim como tem sido nos últimos 20 anos”, projetou.

Quanto à ideia do governo de buscar juros próximos dos praticados com os pequenos também para os médios, o especialista afirma que não deve ter resultado prático. Isso porque médios e grandes produtores utilizam os recursos subsidiados para fazer um mix de financiamento – com recursos próprios, recursos livres e recursos subsidiados. “O grande já está acostumado com isso. Mas o médio vai ter um custo financeiro maior. Com a taxa Selic ainda maior, ele fica mais estressado. Com o governo sem dinheiro para o seguro, ele [médio] fica mais estressado ainda”, comentou.

O cenário vislumbrado pelo ex-secretário é de que não faltarão recursos para o custeio da safra 25/26, no entanto, a tomada de empréstimos deve ficar mais cara e por isso os pequenos terão a maior parte dos recursos subsidiados. Já o investimento deve ficar em segundo plano, principalmente para os grandes produtores, que deverão esperar por uma economia nacional e internacional mais favorável. Quem deve sofrer mais, na visão de Vaz, são os produtores de forma geral, cooperativas e revendas que estão endividados. “Esses vão sofrer mais nos próximos 18 a 24 meses”.

Para CNA, Plano Safra necessitaria de R$ 22 bilhões para equalizações

A análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também indica que o valor de R$ 15,03 bilhões é insuficiente. À reportagem, a assessora técnica da CNA, Isabel Mendes, ressaltou que “as perspectivas de continuidade do aperto monetário este ano, com Selic podendo superar 15% ao ano” empurram a necessidade por mais recursos.

“Para que as operações de crédito do Plano Safra não corram risco de ficarem comprometidas, seria necessário um orçamento de R$ 22 bilhões para as equalizações de taxas de juros”, afirmou. A entidade também espera que haja uma recomposição ao longo do ano para chegar ao montante ideal.

“Não queria estar na pele do ministro Carlos Fávaro”, diz Tereza Cristina

Ex-ministra da Agricultura, a senadora, Tereza Cristina (PP-MS), disse à Coluna do Estadão que “não queria estar na pele do ministro da Agricultura”. Isso porque o quadro para o próximo Plano Safra causa “preocupação”, já que os recursos previstos com os atuais juros devem “financiar bem menos do que foi financiado no ano passado”.

“Se não vier esse Plano Safra do tamanho que ele deveria vir, corremos o risco de ter menos área plantada e ter uma redução na produção brasileira. E isso é impacto no PIB, inclusive. Com certeza, na inflação. Mas o produtor rural é obstinado e vence as dificuldades”, indicou a senadora.

Ela também criticou a falta de um controle fiscal por parte do governo e o discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de não regular os gastos.

Na mesma linha, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), também condenou o “descontrole fiscal” do governo. Ele classificou o orçamento aprovado na última quinta-feira, 20, “como populista e direcionado para promessas de campanha, sem nenhuma sinalização de ajuste fiscal”.

Lupion também opinou sobre a política pública voltada ao setor Agro. “O Plano Safra e o Seguro Rural estão sendo desidratados pelo governo federal. A prioridade continua sendo o aparelhamento do MST, em detrimento da responsabilidade com a economia brasileira. A receita produz alimentos caros e uma inflação potente”, disse.

O Seguro Rural de “ficção”

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) teve verba aprovada de R$ 1,06 bilhão no Orçamento da União de 2025. Apesar disso, os recursos podem ser ainda menores, já que R$ 67 milhões serão descontados referentes a apólices feitas em 2024. Para o ex-secretário de Política Agrícola, José Carlos Vaz, o Seguro Rural hoje é uma “ficção”.

“O Seguro Rural virou uma peça de ficção. Não vou dizer que é 100%, seria 10% realidade e 90% ficção. Tem que rever tudo. Agora se continuar com essa visão antiga que se tem na política agrícola, o seguro rural vai continuar esse fracasso que é”, salientou.

Quem também criticou o valor foi a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), que aponta que a “necessidade real de mercado gira em torno de R$ 4 bilhões”. O vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Daniel Nascimento, pontua que a situação é preocupante, ainda mais ao se analisar a sinistralidade dos últimos anos, que vem aumentando e afastando seguradoras e resseguradoras. “Poderíamos considerar um valor de R$ 2 bilhões em subvenção, mas recursos abaixo disso inviabilizam uma expansão consistente e limitam a capacidade de crescimento do setor”, afirmou à reportagem.

A CNA defendeu, ainda, o aumento do recurso e sinalizou que o ideal seriam R$ 4 bilhões. Um ofício encaminhado pela FPA nesta semana pediu uma suplementação de R$ 1,05 bilhão, o que representaria R$ 2,11 bilhões para o seguro rural. Uma outra fonte ligada à FPA e ouvida pela reportagem disse que a manobra é que esses R$ 1,05 bilhão adicionais sejam remanejados posteriormente pela equipe econômica do governo.

No entanto, é unânime a preocupação. “Há quatro anos, era R$ 1 bilhão e já era insuficiente. Hoje, menos ainda. Supra aí as necessidades de se ter um seguro mínimo, aumentando o número de segurados. E com um bilhão, eu acho que a gente não vai ver isso acontece”, destacou a senadora Tereza Cristina.

Do lado dos produtores, o presidente interino do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, endossa o coro por mais verba com essa finalidade e cita o papel do seguro, num estado que depende muito desse mecanismo. “No estado do Paraná, até 85% dos produtores têm apenas quatro módulos fiscais. Para o pequeno e médio produtor, o seguro é uma garantia e segurança para qualquer intempérie ou perda que possa vir. É onde ele pode se amparar. Num momento de crise, o que você pode acionar é o seguro. Por isso, nós precisamos que o governo tenha medidas concretas para garantir a continuidade da produção agrícola no nosso país”, ressaltou.

Roseann Kennedy e Daumildo Júnior/Estadão

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