domingo, novembro 03, 2024

Biden faz ato final de campanha por Kamala na cidade de sua infância

 

Biden faz ato final de campanha por Kamala na cidade de sua infância
Foto: Adam Schultz / Divulgação / Casa Branca / Flickr

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi neste sábado (2) à cidade onde passou sua infância para fazer seu último ato de campanha em favor da candidata democrata e atual vice, Kamala Harris, a três dias da eleição.
 

Biden escolheu ir à Scranton, na Pensilvânia, um dos chamados estados-pêndulo que podem decidir a disputa contra o oponente do Partido Republicano, Donald Trump.
 

Na cidade onde cresceu antes que sua família se mudasse para Delaware, seu berço político, Biden se reuniu com trabalhadores sindicalizados, um eleitorado no qual ele tem popularidade.
 

"Estou muito orgulhoso em estar de volta", disse Biden. O presidente falou sobre o apoio que ele e Kamala deram aos sindicatos e sobre seu orgulho em ter sido o primeiro líder americano a participar de um piquete, e suas iniciativas para recuperar pensões.
 

O presidente dos EUA também falou sobre o risco de que Trump, se eleito, acabe com o programa de saúde originário do Affordable Care Act--lei federal, conhecida como Obamacare, que busca possibilitar atendimento médico financeiramente acessível a todos os americanos.
 

"Não se esqueçam de onde vieram", afirmou Biden na visita à cidade em que viveu antes de iniciar a carreira política que já dura mais de cinquenta anos.
 

Biden desistiu da corrida eleitoral pela Presidência em julho, após um desempenho desastroso em um debate com Trump, mas não teve uma presença constante na campanha de Kamala.
 

No início da campanha o presidente chegou a participar de vários eventos, enquanto sua vice procurava animar os democratas, mas foi deixado de lado em razão de receios relacionados à sua idade avançada, sua propensão a cometer gafes e a sua baixa taxa de aprovação entre os americanos.
 

O acerto na adoção dessa estratégia ficou patente no começo da semana após Biden ter chamado apoiadores de Trump de lixo, o que ofuscou parcialmente o discurso final de Kamala para milhares de apoiadores em Washington.
 

Posteriormente, Biden fez esclarecimentos sobre sua fala, mas o episódio foi considerado um revés na reta final da disputa pela Casa Branca.

Festa Literária de Ilhéus divulga programação da sua 7ª edição

                              Foto Divulgação


 Festa Literária de Ilhéus divulga programação da sua 7ª edição 

De 13 a 15 de novembro, a FLI reunirá autores como Ailton Krenak, 

Emília Nuñez e Mia Couto, entre outros. 

Cultura / Literatura 

Salvador, 04 de novembro de 2024.

A Festa Literária de Ilhéus divulgou, na quarta-feira (30.10), a programação completa de sua sétima edição, que vai ocupar o Centro de Convenções da cidade de 13 a 15 de novembro. Com o tema “A Princesinha do Sul no Mundo da Literatura”, a 7ª FLI vai transformar a Terra da Gabriela num palco Literário-Cultural-Turístico-Artístico-Acadêmico.

A cidade é Ilhéus, no litoral sul da Bahia, foi fundada em 1534 como "Vila de São Jorge dos ilheos" e elevada à cidade em 1881. É conhecida por ambientar os romances de Jorge Amado, famoso escritor baiano, como Gabriela, Cravo e Canela, e Terras do Sem Fim. Considerada a "Capital do Cacau" e denominada por seus habitantes como a "Princesinha do Sul". 

O evento reunirá grandes autores, palestrantes e intelectuais, com a expectativa de forte presença de visitantes de Ilhéus e de outras cidades da região, a exemplo de Itabuna, Itacaré, Itajuípe, Una e Uruçuca. Um dos públicos-alvo é formado por estudantes de todas as idades. A Festa também deve atrair turistas de outros estados e países, especialmente devido à presença de grandes nomes confirmados.

O filósofo e escritor Ailton Krenak, membro da Academia Brasileira de Letras, participará de dois dos três espaços da Festa. O escritor moçambicano Mia Couto e a escritora Emília Nuñez, vencedora do Prêmio Jabuti 2023, também confirmaram presença.

A edição deste ano terá suas atividades distribuídas em três espaços: o Jorge Amado, com as mesas principais; o Flizinha, para as crianças; e o Juventudes FLI, voltado para a faixa etária de 14 a 24 anos, além da programação artística que promete grandes nomes. A Coordenação Geral é assinada pela jornalista, especialista em Gestão da Comunicação e Gerenciamento de Projetos, Vanessa Dantas.

A Editora Oficial do evento é a LDM e a FLI recebe também como convidadas as editoras Editus, Via Litterarum, Tertúlias, Teatro Popular de Ilhéus, Editora Mondrongo, Academia de Letras de Ilhéus, Alita - Academia de Letras de Itabuna, Casa da Cultura Popular, Coletivo Raiz, Coletivo Vixi Bahia e Autores(as) Independentes.

A 7ª Edição da FLI - Festa Literária de Ilhéus é uma produção da Sarça Comunicação, tem a LDM como Editora Oficinal do evento e conta com o apoio da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), do Governo do Estado da Bahia, através da Bahia Literária, ação da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura e da Secretaria de Educação.

Assessoria de Imprensa: Jornalista Liz Sena - 71 9 9106-6487.   

Sugestão para entrevista: (Vanessa Dantas - Coordenação Geral) 


Confira a programação completa.


Espaço Jorge Amado.

Curadoria: Dinalva Melo e Rita Argollo.

Quarta-feira - 13/11 - 10h. Roda de conversa: A existência pode ser hilária e/ou trágica: olhares plurais. Convidados: Alexandre Coimbra Amaral e Maria Menezes, com mediação de Ruana Silva. 

15h - Roda de conversa: Sitiadas na cidade desigual e diversa. Convidados: Joice Berth e Gabriel Nascimento. Mediação: Diadiney Almeida

19h - Roda de conversa: Um caminho para mim: a literatura como possibilidade. Convidados:Ana Suy e Trudruá Dorrico. Mediação: Tallýz Mann

Quinta-feira - 14/11 - 10h. Sarau: Dão-me cicuta / todos os dias. Convidados: Rita Santana, Daniela Galdino, Tereza Sá, Iolanda Costa, Tallýz Mann e Mither Amorim

15h - Roda de conversa: Culturas brasileiras em um diálogo possível. Convidados: Francisco Bosco e Tcharly Bliglia. Mediação: Ana Paula Garcia Boscatti.

18h - Roda de conversa: A natureza do tempo presente. Convidados: Ailton Krenak e Casé Agantu. Mediação: Elisa Oliveira.

Sexta-feira - 15/11 - 18h. Roda de conversa: Os outros somos nós. Convidado: Mia Couto. Mediação: Elis Matos. 

Espaço Flizinha 2024.

Curadoria: Bárbara Fálcon.

Quarta-feira, 13/11 - 11h – Jarid Arraes apresenta seu primeiro livro infantil, “Cordéis para Crianças Incríveis”, com mediação de Fabiana Valéria. O livro traz histórias de quatro meninas que enfrentam desafios e preconceitos para mostrar como representatividade, empatia e amizade fazem toda a diferença.

14h – Emília Nuñez conta a história do seu livro “Doçura”, vencedor do Prêmio Jabuti 2023 na categoria infanto-juvenil, que trata da importância da formação leitora na infância.

16h – Mariar: Um Mar de Poesias, espetáculo lítero-musical, conduzido por Emillie Lapa e Natalyne Santos, que utilizam música e poesia para retratar o cotidiano de mulheres negras marisqueiras, levando o público a refletir sobre a força e a ancestralidade ao mesmo tempo que celebra o universo poético do manguezal.

Quinta-feira, 14/11 - 9h – Ailton Krenak e Ana Paula Tupinambá no encontro “Contos Indígenas”. Neste encontro, Krenak e Ana Paula apresentam para as crianças histórias que representam a relação dos seres humanos com a natureza.

13h – Elisa Oliveira apresenta seu livro “A Menina e o Mar”, que conta a história de Ama, menina que aprendeu a ver no mar um lugar de cura.

15h – Kiusam de Oliveira conta a história do seu livro “Mãos”, que traz a importância do amor nas relações como forma de combate à intolerância.

17h – Bonde da Calu apresenta “Sarau Maria Felipa”, um espetáculo teatral que narra a história da importante heroína negra Maria Felipa.

Sexta-feira, 15/11 - 15h – Gabriel Dearo e Manu Digilio apresentam “As Aventuras de Mike”, a série de livros infanto-juvenil mais vendida no Brasil. O casal de autores dos livros e conteúdos audiovisuais são fundadores da Piper Academy, que produz conteúdos inteligentes para crianças.

Espaço Juventudes FLI

Curadoria: Camila Gusmão

Quarta-feira - 13/11- Mesa 01 - 13h– Entre Letras e Diversidade. Convidados: Clara Alves e Deco Lipe. Mediador: Renato Peruzzo.

A mesa literária "Entre Letras e Diversidade” propõe um espaço de diálogo ereflexão  sobre como questões de identidade de gênero e orientação sexual são representadas na literatura voltada ao público jovem. Neste encontro, buscase explorar como a literatura juvenil contemporânea contribui para a construção de narrativas inclusivas e o papel dessas histórias na formação de leitores críticos e empáticos. A mesa abordará os desafios e as potencialidades de temas considerados sensíveis, como a diversidade sexual e de gênero, destacando obras e autores que ampliam a compreensão sobre essas realidades.

Mesa 02 – 15h – Cruzando Fronteiras: a Fantasia na Literatura Juvenil. Convidados: André Vianco e Ian Fraser. Mediadora: Elisa Oliveira.

A mesa "Cruzando Fronteiras: a Fantasia na Literatura Juvenil" busca explorar o papel da fantasia como um gênero literário que desafia limites e cria novas realidades, permitindo que jovens leitores se aproximem de temas complexos por meio de mundos imaginários. Nesse encontro, discutiremos como obras de fantasia na literatura juvenil podem servir como metáforas poderosas para dilemas contemporâneos e questões universais, como a busca por identidade, os desafios da convivência social e a compreensão da diversidade. Além disso, a mesa visa destacar a relevância desse gênero para a formação de leitores, promovendo a criatividade e a capacidade crítica, ao mesmo tempo em que convida o público jovem a atravessar fronteiras entre o real e o imaginário.

Quinta-feira - 14/11. Mesa 03 – 10h – Diálogos Literários na Era das Redes Sociais. Convidados: Kaique Brito e Adriel Bispo. Mediadora: Marcineia Tupinambá.

A mesa literária "Diálogos Literários na Era das Redes Sociais" propõe uma reflexão sobre o impacto das redes sociais na forma como os jovens se relacionam com a literatura hoje. Com o advento dessas plataformas digitais, as práticas de leitura e escrita entre o público jovem passaram por transformações significativas, a literatura se expandiu para além das páginas dos livros, encontrando novas expressões e comunidades online. Sendo assim, neste encontro, serão abordados temas como a influência das redes sociais na formação de leitores, o surgimento de novas vozes e estilos narrativos e o papel dos influenciadores digitais literários na promoção do hábito de leitura. A mesa também pretende explorar os desafios e as oportunidades que as redes sociais trazem para o diálogo entre literatura e juventude, incentivando a reflexão sobre como essas mídias podem contribuir para o engajamento crítico e criativo dos jovens no universo literário.

Mesa 04 - 14h – “Escritas de Nós”. Convidados: Ryane Leão e Jocivaldo dos Anjos. Mediadora: Celina Rosa. 

A mesa literária "Escritas de Nós" explora o papel essencial da literatura na formação e expressão das identidades pessoais e coletivas. Este espaço de debate propõe uma reflexão sobre como a literatura permite que leitores e autores vejam e se construam por meio de narrativas que representem diferentes culturas, contextos e experiências. A mesa vai aprofundar o entendimento de como a literatura se torna uma ferramenta poderosa de autoconhecimento e empoderamento, especialmente ao apresentar personagens e histórias que refletem múltiplas realidades e diversidades. Além disso, serão abordadas  sobre a influência dessas representações na formação de identidades dos leitores e como as "escritas de nós" promovem um espaço de acolhimento, permitindo a conexão com a própria história.

Mesa 05 - 16h - “Slam: O Encontro das Palavras e das Emoções”. Convidados: Dudex, Kelv e DG recebem Ludmila Singa.

A mesa literária "Slam: O Encontro das Palavras e das Emoções" propõe  um mergulho no universo do slam, uma forma de poesia oral que explora o poder das palavras para expressar emoções e realidades diversas. Neste encontro, serão abordados os aspectos que tornam o slam uma manifestação única de resistência e identidade, especialmente para jovens que encontram nesse estilo uma maneira autêntica de narrar suas vivências. A mesa pretende provocar discussões sobre o impacto dessa literatura performática no cenário literário e social, demonstrando como o slam se configura em um espaço de acolhimento e expressão para aqueles cujas vozes são, muitas vezes, invisibilizadas, além de destacar o quanto essa arte desafia fronteiras ao unir literatura, ritmo e voz para gerar empatia e reflexão.

Sexta-feira - 15/11 - Mesa 06 - 16h – “Entre Palavras e Imagens: Conectando Literatura e Audiovisual”. Convidada: Bruna Vieira. Mediadora: Camila Gusmão.

A mesa literária "Entre Palavras e Imagens: Conectando Literatura e Audiovisual” destaca a interseção entre literatura e audiovisual, investigando como essas duas linguagens se complementam e se potencializam no imaginário dos jovens. Em tempos de acesso facilitado a conteúdos multimídia, esse encontro busca discutir a influência de adaptações literárias para o cinema, séries e até plataformas digitais, refletindo sobre como essas obras ampliam o interesse pela literatura e enriquecem a experiência narrativa. A mesa também visa debater como a fusão entre palavras e imagens pode intensificar a identificação dos jovens com temas literários, permitindo que as histórias ganhem novas dimensões e alcancem públicos mais amplos. Além disso, a discussão abordará o impacto dessas obras audiovisuais na formação de leitores críticos, que transitam entre diferentes linguagens e constroem uma percepção ampliada da literatura como um espaço vivo e dinâmico.

Fábio Costa Pinto - Jornalista Colaborador (Mtb. 33.166/RJ)





sábado, novembro 02, 2024

STF vai enterrar anistia para golpistas de 8 de Janeiro se Congresso aprovar?


Charge Clayton | Charges | OPOVO+

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carolina Brígido
do UOL

Se o Congresso Nacional aprovar anistia para os golpistas de 8 de janeiro de 2023, como se desenha o cenário, certamente a legalidade da medida será questionada perante o STF (Supremo Tribunal Federal) —a mesma Corte, aliás, que julgou e condenou os réus.

É claro que os integrantes do STF terão interesse em restituir a validade das condenações. Mas há caminhos jurídicos para se fazer isso?

CASO DO INDULTO – Há precedentes diferentes no Supremo sobre casos que podem ser considerados análogos. O mais recente é de maio do ano passado, quando o plenário anulou o decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro que havia concedido indulto ao ex-deputado Daniel Silveira, condenado a oito anos e nome meses de reclusão pelo Supremo por agressões aos ministros do tribunal e ameaças ao Estado Democrático de Direito.

O plenário decidiu que houve desvio de finalidade na concessão do benefício, já que Silveira era aliado político de Bolsonaro. Ao longo do mandato, o então presidente também se dedicava a proferir críticas contundentes contra a Corte.

Para a maioria do STF, embora o indulto seja um ato político privado do presidente da República, é possível que o Judiciário verifique se sua concessão está de acordo com a Constituição Federal.

VÍNCULO POLÍTICO –  No caso de Silveira, ficou entendido que o benefício foi concedido apenas pelo vínculo político-ideológico, o que seria incompatível com os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade administrativa.

O ministro Luiz Fux foi mais enfático. Para ele, as ameaças proferidas por Silveira configuram crime político, contra o Estado Democrático de Direito, e, por esse motivo, não seria passível de induto ou anistia. O raciocínio seria um caminho para o plenário do STF derrubar anistia eventualmente aprovada no Congresso Nacional.

Antes do julgamento sobre o indulto de Silveira, o plenário do STF analisou, em maio de 2019, ação contra o decreto de Natal assinado em 2017 pelo então presidente Michel Temer.

DECRETO DE NATAL – A maioria dos ministros manteve a validade do decreto. Ponderou, no entanto, que o ato de clemência do presidente da República é passível de ter a legalidade analisada pelo Judiciário.

Na forma, a anistia que se ensaia no Congresso Nacional aos golpistas de 8 de janeiro de 2023 é diferente. Ela não seria baixada por decreto presidencial. Está em votação um projeto de lei que, se aprovado, será sancionado pelo presidente da República.

O modelo seria, em tese, o mesmo da anistia aprovada pelo Congresso em 1979, quando foi pavimentado o fim da ditadura militar no Brasil. O projeto que deu origem à Lei da Anistia foi escrito pela equipe do presidente João Figueiredo, que concedeu perdão aos perseguidos políticos. O Congresso discutiu e aprovou o texto em apenas três semanas.

LEI DA ANISTIA – Em 2010, o plenário do STF julgou ação questionando a Lei da Anistia e, por sete votos a dois, decidiu que ela não era passível de revisão.

 A ação tinha sido proposta pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), com a intenção de possibilitar a punição para militares e policiais acusados de atos de tortura durante o regime militar.

No julgamento, os ministros assentaram que o perdão foi para todos, militantes e militares. “Só o homem perdoa, só uma sociedade superior qualificada pela consciência dos mais elevados sentimentos de humanidade é capaz de perdoar. Porque só uma sociedade que, por ter grandeza, é maior do que os seus inimigos é capaz de sobreviver”, disse, na ocasião, o então presidente do STF, ministro Cezar Peluso.

Passados 14 anos, a composição do Supremo mudou. Portanto, se o julgamento fosse realizado hoje, o resultado não seria necessariamente o mesmo. Há recurso da própria OAB à decisão tomada em 2010. Não há previsão de quando o plenário vai se debruçar novamente sobre a causa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Excelente matéria de Catarina Brígido. Mostra que a nova Lei da Anistia tem amplas condições de ser aprovada, até porque o PT deve votar a favor, junto com os partidos de sua Federação – PcdoB, PSol, PV e PDT, que já entraram no embalo de aprovar Hugo Motta na presidência da Câmara. (C.V.) Dos cinco partidos, só falta o PSol se manifestar. (C.N.)

Chamar Trump de “fascista” pode ter sido um grave erro de Kamala Harris

Publicado em 2 de novembro de 2024 por Tribuna da Internet

Metade dos americanos considera Trump 'fascista', diz pesquisa - Internacional - Ansa.it

Na verdade, Trump parece um ator e cada hora faz um papel

Demétrio Magnoli
Folha

Na reta final, diante de uma coleção de pesquisas assustadoras, Kamala Harris reverteu aos sombrios alertas de Biden, desistindo da linha de reduzir Trump a uma figura “esquisita”, “bizarra”, quase risível. Nasceu daí a decisão de classificá-lo como “fascista” e, na sequência, através de terceiras vozes, a de traçar paralelos hiperbólicos entre o comício do rival no Madison Square Garden e a manifestação nazista, no mesmo local, em 1939, que exibiu no palco um retrato de George Washington emoldurado por suásticas.

Erro tático, concluíram analistas independentes e mesmo alguns estrategistas democratas. A radicalização retórica presta desserviço à imagem de candidata “unificadora” que Harris tenta projetar e a seu intento de persuadir eleitores indecisos.

SERIA VERDADE? – No fim, ela estaria submetendo-se às regras do jogo de um rival que aposta na desqualificação e no insulto. Mas, de fato, independente das conveniências da disputa por votos, seria verdadeiro o adjetivo? Trump deve ser, objetivamente, definido como fascista?

A extensa família do nacionalismo compartilha traços superficiais do fascismo. A Reunião Nacional francesa, de Le Pen, e o Irmãos da Itália, de Meloni, repudiam oficialmente o fascismo mas conservam, em gestos e palavras, fragmentos de suas raízes históricas.

 A tirania imperialista, grão-russa e ultraconservadora de Putin contém pitadas de fascismo, algo que também pode ser identificado na ditadura pós-chavista de Maduro. Contudo, um rigor intelectual básico, que saiu da moda, proíbe classificar como fascistas tais partidos ou regimes.

XENOFOBIA – Do fascismo, Trump recolhe a xenofobia extremada e o impulso à construção de um movimento de massas, o Maga (Make America Great Again), em cuja periferia movem-se milícias supremacistas. Mas, na salada ideológica do trumpismo, inexiste o conceito fascista nuclear do Estado corporativo. Além disso, ao longo do mandato original do ex-presidente, as liberdades públicas e políticas seguiram intactas.

Foi John Kelly, general da reserva e ex-chefe de gabinete de Trump, quem colocou o adjetivo na roda, propiciando o avanço retórico da candidata democrata.

“O ex-presidente situa-se no campo da extrema direita, é um autoritário e admira ditadores. Assim, com certeza, ele encaixa-se na definição geral de fascista.” A “definição geral” invocada por Kelly abrange incontáveis tiranetes e, sobretudo, ignora as singularidades do fascismo.

FIDELIDADE – O ponto crucial da entrevista de Kelly encontra-se em outro lugar: a menção a um diálogo no qual o então presidente louvava a fidelidade inabalável dos generais de Hitler. O relevante, aí, não é o nome Hitler, mas a palavra fidelidade.

O chefe do Maga ressente-se das resistências dos seus antigos auxiliares militares em cumprir suas ordens impulsivas e, ainda, dos inquéritos instalados contra ele por promotores judiciais. Como lulistas e bolsonaristas, Trump enxerga nas agências públicas autônomas um “Estado profundo” engajado na sabotagem da vontade soberana do Líder eleito.

Trump promete, num segundo mandato, varrer o “Estado profundo”. A alta burocracia estatal seria submetida a expurgos purificadores e colonizada por figuras tão leais quanto os generais de Hitler. Não é fascismo, mas configura um desafio existencial à democracia americana.


Supremo anula penas da Lava Jato, mas não reduz seus efeitos políticos

Publicado em 2 de novembro de 2024 por Tribuna da Internet

Gilmar diz que 'lero-lero' sobre as urnas não se repetiu neste ano

Argumentos técnicos de Gilmar não conseguem “apagar” os crime

William Waack
CNN

Já lá se vão quase cinco anos desde que o plenário do STF concluiu pela suspeição do então juiz Sergio Moro, e passou a anular suas decisões.

Ao apagar nesta terça-feira (29) todas as condenações de José Dirceu — um dos nomes históricos mais fortes do PT — o ministro Gilmar Mendes estendeu os efeitos daquela decisão antiga do plenário sobre a suspeição de Sergio Moro.

MOTIVOS TÉCNICOS – Seriam, digamos, motivos técnicos, até lógicos, para livrar Zé Dirceu da Lava Jato — ele já fora condenado antes no mensalão.

Esses mesmos motivos técnicos haviam sido contestados pelo Procurador-Geral da República quando defendeu que Gilmar Mendes não acolhesse o pedido de Dirceu para anulação de condenações proferidas por Sergio Moro. O PGR argumentava, por sua vez, também com base em critérios técnicos.

Ocorre que não estamos diante de uma questão técnico-jurídica — ainda que também seja. Estamos diante de um esforço de reescrever um pedaço de enorme relevância da história recente do país, a título de reparar erros que a Lava Jato tenha cometido.

ARGUMENTOS… – Quem opera no campo do Direito, como juízes, advogados e promotores, pode argumentar que erros jurídicos anulam investigações, processos e condenações.

Como as feitas pela Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilhas para enriquecimento privado e/ou tentativa de partidos políticos de ficar para sempre no poder.

Mas os crimes existiram, seus autores foram identificados, muitos confessaram, e bilhões foram devolvidos. Motivos técnicos não anulam esses fatos da memória coletiva. A Lava Jato foi principalmente uma expressão de indignação e de repúdio ao sistema, e esses fatores continuam aí.


Condenação de assassinos de Marielle foi a justiça possível, disse o promotor


Análise: caso Marielle mostra a necessidade de reforma da segurança

Agora, falta o principal – condenar os mandantes do assassinato

Flávia Oliveira
O Globo

Foi a justiça possível, como definiu o promotor Fábio Vieira, do MP-RJ, que se fez com a condenação de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. Seis anos, sete meses e 17 dias depois do crime, a sociedade, por meio do Tribunal do Júri, mostrou que, desta vez, a impunidade não prevaleceu. A sentença da juíza Lúcia Glioche, que fixou penas de, respectivamente, 78 e 59 anos de prisão aos assassinos, traz alívio; alegria, nunca.

As lágrimas brotam porque, se confirma agora, Marielle Franco e Anderson Gomes não retornarão; Fernanda Chaves, a única sobrevivente, jamais terá de novo a vida que lhe foi sequestrada. Tampouco voltarão à normalidade Luyara, Monica, Marinete, Antônio, Anielle, Arthur, Ágatha, familiares tornados vítimas perpétuas da barbárie.

RECADO AOS RÉUS – A titular do 4º Tribunal do Júri foi precisa ao anunciar que o veredito é mais recado aos réus e à laia de criminosos que acossam o Rio de Janeiro do que alento às famílias.

— Talvez justiça fosse que o dia de hoje jamais tivesse ocorrido, talvez justiça fosse Anderson e Marielle vivos — reforçou.

O julgamento que presidiu, num par de sessões com transmissão ao vivo, ensinou que fulminados também são os que sobrevivem ao homicídio de seus amores. Pedagogia pura num país recordista em assassinato de defensores de direitos humanos, num território em que dezenas de milhares de corpos, quase sempre pretos, quase sempre pobres, tombam anualmente.

OUTRAS VÍTIMAS – A orientação da ONU, que consta da política do Judiciário brasileiro, considera formalmente vítima não só a pessoa atingida pelo fato criminoso, mas também os familiares — explica a juíza federal Adriana Cruz, secretária-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A Resolução 253/2018 do CNJ, que trata do tema, saiu da provocação dos movimentos de mães de vítimas da violência. Obriga os tribunais a ter centros de atendimento para assistir os familiares.

A compreensão alcança todas as etapas da luta por justiça, não apenas o processo criminal. Engloba, por óbvio, os filhos de uma mulher morta por feminicídio que busquem benefício previdenciário via Justiça Federal.

CRIME ORGANIZADO – O caso Marielle Franco, que já apresentara ao Brasil o conceito de feminicídio político, agora nos escancara a vastidão dos danos de um assassinato. E mostrou ao Rio de Janeiro, ao país e ao mundo o tamanho do buraco em que o crime organizado nos meteu.

Ronnie Lessa e Élcio Queiroz integram uma engrenagem a serviço da morte. O atirador contou com frieza assustadora no interrogatório que, contratado para o crime, encomendou ao mandante o kit assassinato: carro clonado, arma e telefone celular.

Ele contou que Macalé, o intermediário, tinha conexões com o camelódromo de Madureira, com farta oferta de aparelhos. Os criminosos se comunicavam sem risco de expor as linhas contratadas nos próprios CPFs. A cadeia de roubos, furtos e receptação de celulares — crimes galopantes no estado e já associados a falsos sequestros e extorsões praticadas de dentro dos presídios da capital — também se liga à indústria da morte.


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