domingo, outubro 08, 2023

"Mar de corpos" em Israel, dezenas de mortos em Gaza, em guerra após ataques do Hamas




Por Maayan Lubell e Nidal al-Mughrabi e Ammar Awad

Homens armados do grupo palestino Hamas percorreram cidades israelenses neste sábado, matando e capturando civis e soldados em um ataque surpresa, que Israel enfrentou com ataques aéreos de retaliação em massa que mataram muitos palestinos na Faixa de Gaza.

O pior ataque a Israel em décadas desencadeou uma guerra que ambos os lados prometem aumentar. Pelo menos 200 israelenses foram mortos e 1.100 ficaram feridos em tiroteios que ocorreram em mais de 20 locais dentro de Israel. Em Gaza, as autoridades de saúde informaram que mais de 230 pessoas foram mortas e 1.600 ficaram feridas.

"Nosso inimigo pagará um preço que jamais conheceu", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. "Estamos em uma guerra e vamos vencê-la."

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que o ataque que havia começado em Gaza se estenderá à Cisjordânia e a Jerusalém.

"Esta foi a manhã da derrota e da humilhação de nosso inimigo, de seus soldados e de seus colonos", disse ele em um discurso. "O que aconteceu revela a grandeza de nossa preparação. O que aconteceu hoje revela a fraqueza do inimigo."

Em Sderot, no sul de Israel, perto de Gaza, corpos de civis israelenses estavam espalhados em uma rodovia, cercados por vidros quebrados. Um casal estava morto nos bancos dianteiros de um carro. Um veículo militar passou pelos corpos de outra mulher e de outro homem caídos em uma poça de sangue atrás de outro carro.

"Saí e vi muitos corpos de terroristas, civis, carros alvejados. Um mar de corpos, dentro de Sderot, ao longo da estrada, em outros lugares, montes de corpos", disse Shlomi, de Sderot.

Israelenses aterrorizados, barricados em bunkers, relataram sua situação por telefone na TV ao vivo.

"Eles acabaram de entrar novamente, por favor, mandem ajuda", disse uma mulher identificada como Dorin ao canal israelense N12 News, de Nir Oz, um kibutz perto de Gaza. "Meu marido está segurando a porta fechada... Eles estão atirando."

Esther Borochov, que fugiu de uma festa atacada pelos atiradores, disse à Reuters que sobreviveu fingindo-se de morta em um carro depois que o motorista que tentava ajudá-la a escapar foi baleado à queima-roupa.

"Eu não conseguia mexer minhas pernas", disse ela à Reuters no hospital. "Os soldados vieram e nos levaram para os arbustos."

Em Gaza, a fumaça preta e as chamas alaranjadas se espalharam pelo céu noturno de uma torre alta atingida por um ataque de retaliação israelense. Multidões de pessoas em luto carregavam os corpos de militantes recém-mortos pelas ruas, envoltos em bandeiras verdes do Hamas.

Os mortos e feridos de Gaza foram levados para hospitais em ruínas e superlotados, com grave escassez de suprimentos e equipamentos médicos. O Ministério da Saúde informou que 232 pessoas foram mortas.

As ruas estavam desertas, com exceção das ambulâncias que corriam para os locais dos ataques aéreos. Israel cortou a energia elétrica, mergulhando Gaza na escuridão.

"DIA DA MAIOR BATALHA"

Ao cair da noite de sábado no sul de Israel, os moradores ainda não tinham recebido autorização para deixar os abrigos onde haviam se escondido dos atiradores desde as primeiras horas da manhã.

"Não acabou porque o (exército) ainda não disse que o kibutz está livre de terroristas", disse Dani Rahamim à Reuters por telefone, do abrigo onde ainda estava escondido em Nahal Oz, perto da cerca de Gaza. O tiroteio diminuiu, mas explosões regulares ainda podiam ser ouvidas.

O Hamas disse que disparou uma salva de 150 foguetes contra Tel Aviv na noite de sábado em retaliação a um ataque aéreo israelense que derrubou um prédio alto com mais de 100 apartamentos.

O vice-chefe do Hamas, Saleh al-Arouri, disse à Al Jazeera que o grupo estava mantendo um grande número de israelenses em cativeiro, incluindo oficiais de alto escalão. Ele disse que o Hamas tem prisioneiros suficientes para fazer com que Israel liberte todos os palestinos de suas prisões.

O exército israelense confirmou que israelenses estavam presos em Gaza. Um porta-voz militar disse que Israel poderia mobilizar até centenas de milhares de reservistas e que também estava preparado para a guerra em sua frente norte contra o grupo Hezbollah, do Líbano.

O Hamas, que defende a destruição de Israel, disse que o ataque foi motivado pelos ataques escalonados de Israel contra os palestinos na Cisjordânia, em Jerusalém e contra os palestinos nas prisões israelenses.

"Este é o dia da maior batalha para acabar com a última ocupação na Terra", disse o comandante militar do Hamas, Mohammad Deif, anunciando o início da operação em uma transmissão na mídia do grupo militante e convocando os palestinos de todos os lugares a lutar.

O Hamas já travou quatro guerras contra Israel desde que assumiu o controle de Gaza em 2007. Mas as cenas de violência dentro de Israel neste sábado foram diferentes de tudo o que se viu desde os atentados suicidas da Intifada palestina, há duas décadas.

O fato de Israel ter sido pego completamente desprevenido foi lamentado como uma das piores falhas de inteligência de sua história, um choque para uma nação que se vangloria de sua intensa infiltração e monitoramento de militantes.

Em Gaza, uma estreita faixa onde 2,3 milhões de palestinos se espremem sob o bloqueio israelense há 16 anos, os moradores correram para comprar suprimentos, antecipando os dias de guerra que estavam por vir. Alguns fugiram de suas casas e se dirigiram a abrigos.

Muitos palestinos foram mortos e centenas ficaram feridos em confrontos na fronteira com Israel, onde os combatentes capturaram o ponto de passagem e derrubaram as cercas. Alguns dos mortos eram civis, entre as multidões que tentaram atravessar para Israel através dos portões danificados.

"Estamos com medo", disse uma mulher palestina, Amal Abu Daqqa, à Reuters, ao sair de sua casa em Khan Younis.

BIDEN OFERECE APOIO A NETANYAHU

Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, denunciaram o ataque palestino e prometeram apoio a Israel.

"Deixei claro para o primeiro-ministro Netanyahu que estamos prontos para oferecer todos os meios apropriados de apoio ao governo e ao povo de Israel", disse o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em um comunicado divulgado depois que os dois conversaram por telefone.

"Israel tem o direito de defender a si mesmo e a seu povo. Os EUA alertam contra qualquer outra parte hostil a Israel que busque vantagem nessa situação", acrescentou Biden.

O Brasil, que preside em outubro o Conselho de Segurança da ONU, afirmou que iria convocar uma reunião de emergência do grupo. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chamou os ataques do Hamas de atos terroristas e manteve a posição de defender a solução de dois Estados - de Israel e da Palestina - como forma de resolver as hostilidades.

Em todo o Oriente Médio, houve manifestações de apoio ao Hamas, com bandeiras de Israel e dos EUA incendiadas e manifestantes agitando bandeiras palestinas no Iraque, Líbano, Síria e Iêmen.

Este conteúdo foi publicado em 07. out 2023 07. out 2023 A rede de bunkers militares suíços, que foi originalmente escavada nas profundezas dos Alpes para se defender de invasões estrangeiras, não está...

O ataque do Hamas foi abertamente elogiado pelo Irã e pelo Hezbollah, aliados libaneses do Irã.

O enviado da ONU para a paz no Oriente Médio, Tor Wennesland, condenou os ataques a Israel, alertando em um comunicado: "Este é um precipício perigoso, e eu apelo a todos para que se afastem da beira do abismo."

CENÁRIO DE VIOLÊNCIA CRESCENTE

O banho de sangue ocorre em um cenário de violência crescente entre Israel e militantes palestinos na Cisjordânia cada vez mais ocupada pelos israelenses, onde a Autoridade Palestina exerce um autogoverno limitado, com a oposição do Hamas, que quer a destruição de Israel.

Na Cisjordânia, houve confrontos em vários locais no sábado, com jovens atirando pedras contra tropas israelenses. Quatro palestinos, incluindo um menino de 13 anos, foram mortos. As facções palestinas convocaram uma greve geral para o domingo.

Israel também vem passando por uma agitação política interna, com o governo mais à direita de sua história tentando reformar o judiciário.

Enquanto isso, Washington vem tentando fechar um acordo que normalizaria os laços entre Israel e a Arábia Saudita, vista pelos israelenses como o maior prêmio em sua luta de décadas pelo reconhecimento árabe. Os palestinos temem que qualquer acordo desse tipo possa vender seus sonhos futuros de um Estado independente.

Reuters / SWI

Israel é alvo da maior ação militar contra o país desde a guerra do Yom Kippur




Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o país está “em guerra” após o ataque surpresa

O Israel foi alvo neste sábado (7) da maior ação militar executada contra o país desde a guerra do Yom Kippur, na década de 1970. A ofensiva deste fim de semana foi comandada pelo grupo islâmico extremista Hamas.

Após o ataque, o exército de Israel reagiu e preparou uma contraofensiva. Somados, tanto a ofensiva do Hamas quanto a resposta israelense deixaram ao menos 532 mortos e 1.697 feridos, informou o Ministério da Saúde palestino.

O ataque aconteceu “sábado da paz”, quando os judeus descansam após seis dias de trabalho, e é considerada data “sagrada” no judaísmo. Os bombardeios também aconteceram horas depois do último dia da celebração judaica Sucot.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país está “em guerra” após o ataque surpresa do Hamas. “Cidadãos de Israel, estamos em guerra – não numa operação, não em rondas – em guerra”, disse Netanyahu numa mensagem de vídeo.

O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, sustentou a posição de Netanyahu e disse que Israel “vencerá esta guerra” contra o Hamas, horas depois de o grupo lançar foguetes e enviar soldados para o território israelense.

“O Hamas cometeu um grave erro esta manhã e lançou uma guerra contra o Estado de Israel. As tropas das FDI [Forças de Defesa de Israel] estão lutando contra o inimigo em todos os locais. Apelo a todos os cidadãos de Israel para que sigam as instruções de segurança. O Estado de Israel vencerá esta guerra.”

Diante da situação, a população de Israel está amedrontada e assustada. Sem toque de recolher oficial, a Defesa Civil do país vem pedindo que as pessoas não saiam de casa.

Além disso, sirenes soam quando há bombardeios, alertando para que o cidadãos se direcionem para bunkers, onde podem se abrigar com segurança.

Militares do Hamas com roupas do exército de Israel

Em entrevista à CNN, o brasileiro Roberto Harari, que mora em Israel com esposa e filhos, disse que militares do Hamas usavam roupas do exército israelense quando cometeram os ataques ao país.

“A informação é que 200 a 300 terroristas entraram em Israel na madrugada. Esse é um dos motivos de medo que a gente tem aqui. Eles entraram aqui com uniforme do exército de Israel, bateram nas portas das pessoas. As pessoas abriram porque acharam que era o exército de Israel. E eles mataram essas pessoas a sangue-frio, sequestraram outros, na frente dos filhos, na frente dos pais, como terroristas do Hamas costumam fazer”, disse.

“Ataque suicida”

O ataque do Hamas em Israel é suicida para os líderes do grupo, afirmou Ian Bremmer, cientista político americano especializado em política externa dos Estados Unidos e presidente da Eurasia Group, a maior agência de consultoria de risco político do mundo.

“Esta ação foi suicida para a liderança do Hamas. Me parece o que aconteceu quando Prigozhin e o grupo Wagner decidiram ficar contra Putin. Eles agora estão sem saída. Eles serão removidos, eles serão mortos”, declarou.

“Já há ataques aéreos começando em Gaza nessa direção. Haverá guerra terrestre. Provavelmente haverá ocupação de longo prazo de Israel, um esforço para desarmar as milícias do Hamas, um desejo dos israelenses de paralisar e erradicar a ameaça contra Israel”.

Para Bremmer, Israel tem a posição geopolítica mais forte que já teve em décadas, o que fará com que a resposta militar seja muito forte contra o Hamas.

Falhas na inteligência

Embora Israel não seja estranho aos ataques terroristas, o ataque do sábado foi sem precedentes – sobretudo devido à falta de aviso.

Os militares de Israel foram pegos de surpresa, apesar de décadas em que o país se tornou uma potência tecnológica que ostenta uma das forças armadas mais impressionantes do mundo e uma agência de inteligência de primeira linha.

“Todo o sistema falhou. Não é apenas um componente. É toda a arquitetura de defesa que evidentemente falhou em fornecer a defesa necessária aos civis israelenses”, disse Jonathan Conricus, antigo porta-voz internacional das Forças de Defesa de Israel.

Para Ian Bremmer, cientista político americano especializado em política externa dos Estados Unidos, as falhas no sistema de defesa teriam sido provocadas, de forma ampla, pela crise interna que Israel enfrenta.

“A reforma judicial, como é chamada, que Netanyahu tem promovido, levando a manifestações sem precedentes em todo o país, manifestações pacíficas, mas envolvendo grande parte do país há meses, distraiu a inteligência israelita”, disse.

“Também distraiu os militares israelitas, muitos dos quais disseram que não estavam dispostos a servir nas forças armadas se a reforma judicial prosseguisse”.

Outro ponto que, segundo Bremmer, faz parte da crise interna é a campanha de expansão da coalizão de extrema direita do presidente Benjamin Netanyahu sobre os assentamentos israelenses na Cisjordânia, o que teria provocado reação violenta de palestinos.

“Muitas das forças de defesa israelenses estavam focadas na Cisjordânia, estavam focadas nos territórios ocupados e na segurança da fronteira. Eles retiraram muitas das tropas do foco do sul israelense e de Gaza. Então, claramente, os israelenses tiraram os olhos da bola”, concluiu.

“Este é um enorme fracasso da inteligência e da defesa para Israel e, especificamente, para Netanyahu. Eles eram vistos como o padrão ouro em vigilância, em coleta de inteligência, em segurança de fronteiras, especialmente quando falamos sobre as populações palestinas. E agora assistem palestinos armados abatendo civis em cidades israelenses e levando reféns de volta para Gaza”.

Entenda o conflito

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (FDI), o ataque partiu da Faixa de Gaza. Mais cedo, o comandante militar do Hamas, Muhammad Al-Deif, divulgou uma mensagem gravada anunciando a operação “Tempestade Al-Aqsa”, na qual diz que o grupo militante palestino “alvejou as posições inimigas, aeroportos e posições militares [de Israel]” com milhares de foguetes.

Hamas declara guerra contra Israel: “Se você tem uma arma, é hora de usá-la”

    Muhammad Al-Deif convocou um levante geral contra Israel em mensagem gravada neste sábado e declarou: “Se você [Israel] tem uma arma, use-a. Esta é a hora de usá-la – saia com caminhões, carros, machados. Hoje começa a melhor e mais honrosa história”.

    O chefe do grupo palestino disse que o ataque a Israel foi uma resposta aos ataques às mulheres, à profanação da mesquita de al-Aqsa e ao cerco de Gaza.

    Al-Deif apelou aos povos árabes e islâmicos para que viessem à “libertação de al-Aqsa”, a mesquita em Jerusalém

    As FDI afirmam que o Hamas fez reféns e prisioneiros de guerra desde que lançou o seu ataque surpresa na manhã deste sábado (7). Em vídeos geolocalizados e autenticados pela CNN, o Hamas parece ter feito prisioneiros israelenses dentro e perto de Gaza, incluindo soldados de Israel.

    Num dos vídeos, em Gaza, uma mulher descalça é puxada de um jipe ​​por um homem armado e depois forçada a sentar-se no banco de trás do carro.”Estamos em guerra”, diz premiê israelense

    Seu rosto está sangrando e seus pulsos parecem amarrados atrás das costas. O jipe ​​também parece ter uma placa das FDI, sugerindo que pode ter sido roubado e trazido para Gaza.

    Outro vídeo, que parece mostrar militantes do Hamas levando vários israelenses como prisioneiros, foi geolocalizado pela CNN em Be’eri, no sul de Israel, que é uma vila perto de Gaza.

    Num outro conjunto de vídeos geolocalizados e autenticados, o Hamas parece estar capturando soldados israelenses.

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país está “em guerra” após o ataque surpresa do Hamas na manhã deste sábado.

    “Cidadãos de Israel, estamos em guerra – não numa operação, não em rondas – em guerra”, enfatizou Netanyahu numa mensagem de vídeo.

    O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, sustentou a posição do premiê e afirmou que Israel “vencerá esta guerra” contra os militantes palestinos.

    “O Hamas cometeu um grave erro esta manhã e lançou uma guerra contra o Estado de Israel. As tropas das FDI estão lutando contra o inimigo em todos os locais. Apelo a todos os cidadãos de Israel para que sigam as instruções de segurança. O Estado de Israel vencerá esta guerra”.

CNN

8 perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos

 


O conflito entre israelenses e palestinos é um dos mais longos e sangrentos do Oriente Médio

O conflito entre palestinos e israelenses atingiu uma tensão sem precedentes nos últimos anos.

Israel declarou este sábado (7/10) que entrou estado de “preparação para a guerra” depois de o Hamas, o grupo militante islâmico que controla a Faixa de Gaza, ter lançado um ataque surpresa no início do dia.

Dezenas de militantes armados do Hamas se infiltraram por terra no sul de Israel.

Soldados israelenses e forças palestinas entraram em confronto em Gaza num dos episódios mais violentos dos últimos anos.

O exército israelense respondeu com ataques a alvos em Gaza e deixou os reservistas de prontidão.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse num comunicado que o país “estava em guerra”.

Enquanto o presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou que o seu povo tem o direito de se defender do “terror dos colonos e das tropas de ocupação”.

Essa é a mais recente escalada de um confronto longo e sangrento, sem resolução próxima, que tem marcado o Oriente Médio há décadas.

A seguir, você confere oito perguntas e respostas para entender o conflito.

1. Como começou o conflito?

Influenciado pelo antissemitismo sofrido pelos judeus na Europa, no início do século 20 o movimento sionista ganhou força, buscando estabelecer um Estado para os judeus.

A região da Palestina, entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, considerada sagrada para muçulmanos, judeus e católicos, pertencia naqueles anos ao Império Otomano e era ocupada principalmente por árabes e outras comunidades muçulmanas. Mas a forte imigração judaica, encorajada pelas aspirações sionistas, começava a gerar resistência.

Após a desintegração do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido recebeu um mandato da Liga das Nações para administrar o território da Palestina.

Mas, antes e durante a guerra, os britânicos fizeram várias promessas aos árabes e judeus que mais tarde não foram cumpridas — porque o Reino Unido já tinha dividido o Médio Oriente com a França, entre outras razões.

Isto causou um clima de tensão entre nacionalistas árabes e sionistas que levou a confrontos entre grupos paramilitares judeus e gangues árabes.

Após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, a pressão para estabelecer um Estado judeu aumentou. O plano original contemplava a divisão do território controlado pela potência europeia entre judeus e palestinos.

'Após a queda do Império Otomano, o Reino Unido assumiu a administração do território da Palestina'

Após a fundação de Israel em 14 de maio de 1948, a tensão deixou de ser uma questão local para se tornar uma questão regional.

No dia seguinte, o Egito, a Jordânia, a Síria e o Iraque invadiram o território recém-criado. Foi a primeira guerra árabe-israelense, também conhecida pelos judeus como guerra de independência ou de libertação.

Após o conflito, o território inicialmente planejado pelas Nações Unidas para estabelecer um Estado Árabe foi reduzido pela metade.

Para os palestinos, começou a Nakba, a chamada “destruição” ou “catástrofe”: o início da tragédia nacional. Cerca de 750 mil palestinos fugiram para países vizinhos ou foram expulsos pelas tropas israelenses.

Em 1956, uma crise no Canal de Suez confrontaria o Estado de Israel com o Egito. O problema não foi resolvido no campo de batalha, mas pela pressão internacional sobre Israel, França e Inglaterra.

A luta teria uma conclusão em 1967, na Guerra dos Seis Dias. O que aconteceu entre 5 e 10 de Junho teve consequências profundas e duradouras.

Foi uma vitória esmagadora de Israel contra uma coligação árabe.

Israel capturou a Faixa de Gaza e a Península do Sinai do Egipto, a Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) da Jordânia e as Colinas de Golã da Síria. Meio milhão de palestinos viraram refugiados.

O último conflito árabe-israelense foi a Guerra do Yom Kippur, em 1973, que colocou o Egito e a Síria contra Israel e permitiu ao Cairo recuperar o Sinai (entregue completamente por Israel em 1982). Gaza, porém, seguiu sob controle israelense

Seis anos depois, o Egito tornou-se o primeiro país árabe a assinar a paz com Israel, exemplo seguido apenas pela Jordânia anos depois.

'O Estado de Israel foi oficialmente estabelecido em 14 de maio de 1948'

2. Por que o Estado de Israel foi criado no Oriente Médio?

A tradição judaica indica que a área em que o Estado de Israel está localizado é a Terra Prometida por Deus ao primeiro patriarca, Abraão, e aos seus descendentes.

A área foi invadida na Antiguidade por assírios, babilônios, persas, macedônios e romanos. Roma foi o império que deu nome à região como Palestina e que, sete décadas depois de Cristo, expulsou os judeus após combater os movimentos nacionalistas que buscavam a independência.

Com a ascensão do Islã, no século 7 d.C., a Palestina foi ocupada pelos árabes e depois conquistada pelos cruzados europeus. Em 1516, foi estabelecida a dominação turca que duraria até a Primeira Guerra Mundial, quando foi imposto o controle britânico.

O Comitê Especial das Nações Unidas sobre a Palestina (UNSCOP) declarou em seu relatório à Assembleia Geral, em 3 de setembro de 1947, que as razões para o estabelecimento de um estado judeu no Oriente Médio centravam-se em "argumentos baseados em fontes bíblicas e históricas", na Declaração de Balfour de 1917, na qual o governo britânico se declarou a favor de uma "nação" para os judeus na Palestina, e no mandato britânico sobre a Palestina.

Ali foram reconhecidas a ligação histórica do povo judeu com a Palestina e as bases para a reconstituição do "Lar Nacional Judaico" naquela região.

Com o Holocausto contra milhões de judeus na Europa antes e durante a Segunda Guerra Mundial, cresceu a pressão internacional para o reconhecimento de um Estado nacional judeu.

Incapaz de resolver a polarização entre o nacionalismo árabe e o sionismo, o governo britânico levou a questão às Nações Unidas.

Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral aprovou um plano para a divisão da Palestina, que recomendava a criação de um estado árabe independente, de um estado judeu e de um regime especial para a cidade de Jerusalém.

O plano foi aceito pelos israelenses, mas não pelos árabes, que o consideraram uma perda de territórios. É por isso que ele nunca foi implementado.

Um dia antes de expirar o mandato britânico da Palestina, em 14 de maio de 1948, a Agência Judaica para Israel, representante dos Judeus durante o mandato, declarou a independência do Estado de Israel.

No dia seguinte, Israel solicitou a adesão às Nações Unidas, status que finalmente alcançou um ano depois.

'O primeiro-ministro israelense David Ben-Gurion estava na proclamação oficial do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, em Tel Aviv'

3. Por que existem dois territórios palestinos?

Em seu relatório à Assembleia Geral em 1947, o Comitê Especial das Nações Unidas sobre a Palestina (UNSCOP), recomendou que o Estado Árabe incluísse "a Galiléia Ocidental, a região montanhosa de Samaria e Judéia, com exclusão da cidade de Jerusalém, e a planície costeira de Ishdud até a fronteira egípcia."

Mas a divisão do território foi definida pela Linha do Armistício de 1949, estabelecida após a criação de Israel e da primeira guerra árabe-israelense.

Os dois territórios palestinos são a Cisjordânia (que inclui Jerusalém Oriental) e a Faixa de Gaza, que estão separados por cerca de 45 km. Eles possuem áreas de 5.970 km2 e 365 km2, respectivamente (veja no mapa a seguir).

Territórios palestinos

A Cisjordânia fica entre Jerusalém, reivindicada como capital tanto por palestinos como por israelenses, e a Jordânia, a leste, enquanto Gaza é uma faixa de 41 km de comprimento e entre 6 e 12 km de largura.

Gaza tem uma fronteira de 51 km com Israel, 7 km com o Egito e 40 km de costa no Mar Mediterrâneo.

Originalmente ocupada por israelenses que ainda mantêm o controle da fronteira sul, a Faixa de Gaza foi capturada por Israel na guerra de 1967 e só desocupada em 2005, embora mantenha até hoje um bloqueio aéreo, marítimo e terrestre que restringe a circulação de mercadorias, serviços e pessoas.

A Faixa de Gaza é atualmente controlada pelo Hamas, o principal grupo islâmico palestino, que nunca reconheceu acordos assinados entre outras facções palestinas e Israel.

A Cisjordânia, pelo contrário, é governada pela Autoridade Nacional Palestina, o governo reconhecido internacionalmente, cuja principal facção, a Fatah, não é islâmica, mas, sim, secular.

4. Os palestinos e os israelenses nunca assinaram a paz?

Após a criação do Estado de Israel e o deslocamento de milhares de pessoas que perderam as próprias casas, o movimento nacionalista palestino começou a reagrupar-se na Cisjordânia e em Gaza, controladas respectivamente por Jordânia e Egito, e em campos de refugiados criados em outros Estados árabes.

Pouco antes da guerra de 1967, organizações palestinas como a Fatah — liderada por Yasser Arafat — formaram a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e lançaram operações contra Israel, primeiro a partir da Jordânia e depois do Líbano.

Mas estes ataques também incluíram alvos israelenses em território europeu, como aviões, embaixadas ou atletas.

'Os Acordos de Oslo, assinados em 1993, foram o primeiro tratado de paz entre Israel e os palestinos'

Depois de anos de ataques palestinos e assassinatos seletivos pelas forças de segurança israelenses, a OLP e Israel assinaram os acordos de paz de Oslo em 1993, nos quais a organização palestina renunciava à “violência e ao terrorismo” e reconhecia a “lei” de Israel “para existir em paz e segurança".

A organização islâmica palestina Hamas nunca aceitou esse reconhecimento.

Na sequência dos acordos assinados em Oslo, foi criada a Autoridade Nacional Palestina, que representa os palestinos nos fóruns internacionais.

O presidente da autoridade é eleito por voto direto e ele, por sua vez, escolhe um primeiro-ministro e os membros do gabinete. As autoridades civis e de segurança controlam as áreas urbanas (Área A de acordo com Oslo), enquanto apenas os representantes civis – e não de segurança – controlam as áreas rurais (Área B).

Jerusalém Oriental, considerada a capital histórica dos palestinos, não está incluída neste acordo.

Jerusalém é um dos pontos mais conflituosos entre as partes envolvidas.

5. Quais são os principais pontos de conflito entre palestinos e israelenses?

O atraso no estabelecimento de um Estado Palestino independente, a construção de colônias israelenses na Cisjordânia e a barreira de segurança em torno desse território — condenada pelo Tribunal Internacional de Justiça em Haia — complicaram o processo de paz.

'Jerusalém sempre foi um dos principais pontos de discórdia e uma fonte permanente de surtos de violência entre israelenses e palestinos'

Mas estes não são os únicos obstáculos, como ficou claro pelo fracasso das últimas negociações de paz entre os dois grupos em Camp David, nos Estados Unidos, em 2000.

À época, o então presidente americano Bill Clinton não conseguiu estabelecer um acordo entre Arafat e o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak.

As diferenças que parecem inconciliáveis ​​são:

Jerusalém: Israel reivindica a soberania sobre a cidade (sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos) e afirma que é a sua capital depois de tomar a parte oriental em 1967. Isto não é reconhecido internacionalmente. Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital deles.

Fronteiras e terreno: os palestinos exigem que o futuro Estado esteja em conformidade com as fronteiras anteriores a 4 de Junho de 1967, antes do início da Guerra dos Seis Dias. Israel rejeita a proposta.

Assentamentos: as colônias, ilegais de acordo com o Direito Internacional, foram construídas pelo governo israelense nos territórios ocupados por Israel após a guerra de 1967. Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, há mais de meio milhão de colonos judeus.

Refugiados palestinos: quantos refugiados existem depende de quem está fazendo essa conta. A OLP diz que há 10,6 milhões, dos quais quase metade estão registrados nas Nações Unidas. Os palestinos sustentam que os refugiados têm o direito de regressar ao que hoje é considerado como território de Israel. Israel, na contramão, diz que abrir as portas destruiria a identidade do Estado judeu.

6. A Palestina é um país?

As Nações Unidas reconheceram a Palestina como um “Estado observador não membro” no final de 2012. Com isso, ela deixou de ser uma “entidade observadora”.

A mudança permitiu que os palestinos participassem dos debates da Assembleia Geral e aumentassem as possibilidades de adesão às agências da ONU e a outros órgãos.

Mas a votação não criou o Estado palestino de fato. Um ano antes, os palestinos tentaram, mas não obtiveram apoio suficiente no Conselho de Segurança.

Mais de 70% dos membros da Assembleia Geral da ONU (138 de 193) reconhecem a Palestina como um Estado.

7. Por que os EUA são o principal aliado de Israel? Quem apoia os palestinos?

Em primeiro lugar, é preciso considerar a existência de um lobby pró-Israel significativo e poderoso nos Estados Unidos. Isso leva ao fato de a opinião pública ser geralmente favorável à posição israelense. Com isso, é virtualmente impossível que um presidente americano retire o apoio a Israel.

Além disso, ambas as nações são aliadas no campo militar: Israel é um dos maiores beneficiários da ajuda americana e a maior parte dela vem na forma de subsídios para a compra de armas.

Contudo, em Dezembro de 2016, durante o governo do presidente Barack Obama, foi dado um passo atípico na política dos EUA em relação a Israel: o país não vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenava a política de colônias israelenses.

'Com Trump, Netanyahu tinha um forte aliado na Casa Branca'

Mas a chegada de Donald Trump à Casa Branca deu um novo impulso à relação entre os Estados Unidos e Israel, que se refletiu na transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.

Com isso, os Estados Unidos foram o primeiro país do mundo a reconhecer aquela cidade como a capital de Israel.

Nos últimos meses de presidência, Trump conseguiu que quatro países árabes ricos normalizassem as relações com Israel.

O atual presidente americano, Joe Biden, assumiu o poder com a intenção de fugir do arriscado conflito Israel-Palestina, além de vê-lo como um problema que requer grande capital político.

A administração Biden continua a apoiar o reconhecimento de Israel, mas adotou uma diplomacia mais cautelosa.

Os palestinos não têm o apoio aberto de nenhuma potência.

Na região, o Egito deixou de apoiar o Hamas após a deposição da Irmandade Muçulmana — historicamente associada ao grupo palestino.

A Síria, o Irã e o grupo libanês Hezbollah são os principais apoiadores da Palestina.

A causa palestina tem muitos simpatizantes ao redor do mundo, mas até o momento isso não se traduziu em avanços concretos.

8. O que precisa acontecer para uma paz duradoura entre Israel e Palestina?

Por um lado, os israelenses precisariam apoiar um Estado soberano para os palestinos que incluísse o Hamas, acabando com o bloqueio em Gaza e as restrições de movimento na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Por outro, os grupos palestinos deveriam renunciar à violência e reconhecer o Estado de Israel.

Outro ponto de acordo razoável precisaria envolver as fronteiras, as colônias israelenses e a volta de refugiados palestinos.

Porém, desde 1948 (o ano da criação do Estado de Israel,) muitas coisas mudaram, principalmente a configuração dos territórios disputados após as guerras entre árabes e israelenses.

Para Israel, estes são fatos consumados. O palestinos não concordam e insistem que as fronteiras devem ser as que existiam antes da guerra de 1967.

Além disso, enquanto no campo de batalha as coisas ficam cada vez mais incontroláveis ​​na Faixa de Gaza, há uma espécie de guerra silenciosa na Cisjordânia com a construção contínua de colônias israelenses, o que reduz o território palestino nas áreas autônomas.

Mas talvez a questão mais complicada devido ao simbolismo seja Jerusalém, a capital de palestinos e israelenses.

Tanto a Autoridade Nacional Palestina, que governa a Cisjordânia, como o grupo Hamas, em Gaza, reivindicam a parte oriental como a capital, apesar de Israel a ter ocupado em 1967.

Um acordo definitivo nunca será possível sem resolver este ponto sensível.

BBC Brasil
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Empresário é preso por "gato" de energia no interior da Bahia

 

Empresário é preso por "gato" de energia no interior da Bahia
Foto: Divulgação

Uma ação conjunta entre a Neoenergia Coelba e a Polícia Civil flagrou ligação clandestina, popularmente conhecida como “gato”, em um mercado localizado em Juazeiro, na manhã da última terça-feira (3). O proprietário da unidade foi conduzido à delegacia e ficou detido até o pagamento da fiança estipulada pelo Delegado, equivalente a dez salários mínimos. Na operação, foram recuperados 107 mil quilowatt/hora de energia, que seria suficiente para abastecer 2 mil residências durante 15 dias.

 

Participaram da ação cinco profissionais da distribuidora de energia, um perito e quatro agentes da Polícia Civil. No local, foi identificado que o mercado estava ligado diretamente na rede elétrica, sem passar pelo sistema de medição, o que caracteriza uma ligação clandestina.

 

“É preciso que as pessoas se conscientizem que o furto de energia só causa prejuízos à sociedade. A ligação clandestina pode causar um acidente grave com a população e interromper a energia de ruas, bairros e até cidades. Além disso, esse ato é ilegal e as pessoas que cometem podem ser presas, como o que aconteceu em Juazeiro”, ressaltou o supervisor da Neoenergia Coelba, Ricardo Bastos.

 

O furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, com pena de até a oito anos de reclusão pela prática ilegal. As denúncias são feitas de forma anônima através do telefone 116 ou pelo site da Neoenergia Coelba.

 Nota da redação deste Blog - Será que esse empresário  veio passar as festas juninas em Jeremoabo e aprendeu a passar gato?

Em Jermoabo o conluio do prefeito escaparam da prisão, isso porque Jeremoabo é Jeremoabo, nem Freud consegue explicar.

Será que em Jeremoabo os " gateiros" pagaram fiança por haver causado prejuizo a população jeremoabense, além do ato criminoso?

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