sexta-feira, setembro 29, 2023

Com Bethânia cantando o Hino Nacional, Barroso toma posse como presidente do STF e diz que a "democracia venceu"

 

Barroso olha Maria Bethânia cantando
Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Em uma cerimônia onde a emoção levou diversas pessoas às lágrimas, tomou posse nesta quinta-feira (28) como novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) o ministro Luís Roberto Barroso. Com 65 anos, e desde 26 de junho de 2013 ministro do STF, Barroso substitui no cargo a ministra Rosa Weber, que irá se aposentar na próxima segunda (2). 

 

A cerimônia mostrou já na sua abertura que teria a emoção como condutora dos discursos, com a baiana Maria Bethânia cantando o Hino Nacional, acompanhada do violinista João Camarero. Bethânia também voltou a cantar ao final dos discursos, levando o novo presidente do STF mais uma vez às lágrimas. 

 

No seu primeiro discurso como presidente do STF, Luís Roberto Barroso, disse que a “democracia venceu”, e que as Forças Armadas não “sucumbiram ao golpismo”. O ministro fez referência aos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro em Brasília, e disse que os ministros estão unidos em defesa da democracia.

 

“As instituições venceram, tendo ao seu lado a presença indispensável da sociedade civil, da imprensa e do Congresso Nacional. E, justiça seja feita, na hora decisiva, as Forças Armadas não sucumbiram ao golpismo”, afirmou.

 

Luís Roberto Barroso se comprometeu em seu mandato a trabalhar pela pacificação do país, e buscar acabar com os antagonismos artificialmente criados para nos dividir”. Barroso reforçou que o país não é feito de “nós e eles”, e sim do pluralismo de ideias. 

 

“Um país não é feito de nós e eles. Somos um só povo, e no pluralismo das ideias como é próprio de uma sociedade livre e aberta. Bastasse a si mesmo é a maior solidão, escreveu o poeta. Estamos todos no mesmo barco e precisamos trabalhar para evitar tempestades e conduzir a um porto seguro. Se ele naufragar, o naufrágio é de todos, independente de preferências políticas”, afirmou o ministro, completando ainda dizendo que “ninguém é dono da verdade, e nem tem o monopólio do bem e da virtude”. 

 

Sentado ao lado do novo presidente do STF estava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de máscara, e do seu lado, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Do outro lado do ministro Barroso sentou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a procuradora-geral da República interina, Elizeta Ramos. 

 

Na plateia, diversos ex-ministros do STF, como Ricardo Lewandowski, Ellen Gracie, Carlos Veloso, Ayres Brito, Francisco Rezek, entre outros. Também estavam presentes na solenidade o vice-presidente Geraldo Alckmin, de diversos ministros do governo, ministros do TCU como Bruno Dantas, parlamentares e diversas autoridades. 

 

Ao final do Hino Nacional, Barroso foi pessoalmente cumprimentar a cantora Maria Bethania, e ela perguntou a ele, “gostou”? Antes de assinar o termo de posse, Barroso deu um beijo em Rosa Weber, e fez rasgados elogios à sua gestão como presidente. 

 

“Suceder a ministra Rosa Weber não é uma tarefa fácil. Suceder porque substituir seria impossível. Nos tornamos amigos queridos desde o primeiro dia em que aqui cheguei. Sua figura doce e personalidade cativante fizeram do nosso convívio um privilégio sem tamanho. Em um dos momentos mais dramáticos da nossa história, liderou a reconstrução deste plenário em 21 dias. Em nome da nação agradecida, em nome dos que sabem distinguir as grandes figuras da história deste tribunal, eu a reverencio pelos imensos serviços prestados ao Brasil. Que V. Exa. seja perenemente bendita”, disse Barroso, enxugando as lágrimas enquanto Rosa Weber era entusiasticamente aplaudida por todos os presentes à solenidade. 

 

O novo presidente também agradeceu sua indicação ao Supremo pela então presidente Dilma Rousseff. 

 

"Me indicou para o cargo da forma mais republicana que um presidente pode agir. Não pediu, não insinuou, não cobrou", garantiu.

 

Barroso destacou ainda as ações afirmativas em defesa dos direitos fundamentais.

 

"Também temos atuado, sempre com base na Constituição, em favor do esforço da população negra por reconhecimento e iguais oportunidades, validando as ações afirmativas, imprescindíveis para superar o racismo estrutural. Do mesmo modo, a comunidade LGBTQIA+ obteve neste tribunal o reconhecimento de importantes direitos", concluiu.

 

Entre os compromissos firmados pelo ministro para a sua gestão está o de aumentar a participação das mulheres nos tribunais com critérios de promoção que levem em conta a paridade de gênero. Barroso também disse que pretende aumentar o uso da inteligência artificial para dar maior eficiência e celeridade na atividade processual. 

 

Em seu discurso, Luís Roberto Barroso afirmou que sua gestão se baseará em três grandes eixos. O primeiro deles, Conteúdo. "Consiste em procurar aumentar a eficiência da Justiça, avançar a pauta dos direitos fundamentais e contribuir para o desenvolvimento econômico e social e sustentável do Brasil".

 

O segundo eixo será o da Comunicação. "Vamos melhorar a interlocução com a sociedade, expondo em linguagem simples o nosso papel, explicando didaticamente as decisões e desfazendo as incompreensões e mal entendidos", disse.

 

O terceiro eixo será o do relacionamento. "O Judiciário deve ser técnico e imparcial, mas não isolado da sociedade. Precisamos estar abertos para o mundo, com olhos de ver, ouvidos de ouvir, e coração de sentir o sentimento social. A gente na vida deve ser janela e não espelho, e ter capacidade de olhar para os outros, e não apenas para si mesmo", completou.  

 

Barroso afirmou no seu pronunciamento que o Poder Judiciário gravita em torno de dois grandes valores: a justiça e a segurança. O novo presidente confirmou que pretende, em sua gestão, dar ênfase na segurança em três pilares: segurança jurídica, segurança democrática e segurança humana. "Não menos importante é a segurança democrática, com eleições limpas, liberdades públicas, independência entre os poderes e respeito entre as instituições", disse. 

 

Ao final do seu discurso, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal repetiu parábola que pronunciou em sua sabatina no Senado Federal: 

 

"Na vida estamos sempre nos equilibrando, viver é andar numa corda bamba, é tomar decisões sempre com o risco de errar. A gente se inclina um pouco para um lado, um pouco para o outro e segue em frente. É assim para todo mundo, não importa se está no palco ou na plateia. Às vezes, alguém olhando de fora pode ter impressão que o equilibrista está voando. Não é grave porque a vida é feita de certas ilusões. Mas o equilibrista tem de saber que está se equilibrando, porque se ele achar que está voando, ele vai cair, e na vida real não tem rede". 

 

Antes do discurso do novo presidente, o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, fez um discurso no qual destacou que a posse de Barroso significava que a Corte sobreviveu aos anos de ameaças geradas pelo "populismo autoritário". Gilmar retomou fala proferida pelo ex-ministro Celso de Mello, que disse que a cerimônia de transmissão de posse no STF expressaria o símbolo da continuidade e da perenidade da corte suprema, "tal como ela foi concebida em momento de feliz inspiração pelos fundadores da República". 

 

"Naqueles tempos de calmaria e normalidade essa continuidade era um dado. Meses atrás, era por muitos considerado uma dúvida. Essa Corte suportou, durante um par de anos, as ameaças de um populismo autoritário“, afirmou Gilmar. "Por tudo isso que se viveu, a presente cerimônia simboliza mais que a continuidade de uma linhagem sucessória institucional. Ela assume um colorido novo”, destacou.

 

Os atos de 8 de Janeiro, segundo Gilmar, representaram o "ápice nesse inventário das infâmias golpistas".

 

"Esta Corte suportou sórdidas alfenas disparadas contra seus membros, não raras contra seus parentes e inúmeras tentativas de interferência das urnas eleitorais, conspirações para prender membros do STF, atos de terrorismo e ameaças de explosões, algumas concretizadas, como no aeroporto de Brasília", afirmou o decano.

 


STF forma maioria para dar reajuste do INSS a servidor aposentado antes de 2008

STF forma maioria para dar reajuste do INSS a servidor aposentado antes de 2008

Por José Marques | Folhapress

STF forma maioria para dar reajuste do INSS a servidor aposentado antes de 2008
Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para entender que é constitucional que aposentadorias e pensões do serviço público sejam reajustadas antes de 2008 pelo mesmo índice usado no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
 

A lei 11.784 assegurou que, a partir de janeiro de 2008, esses benefícios teriam o reajuste do Regime Geral da Previdência Social, com exceção dos beneficiários que já tinham direito à chamada paridade, que garante a mesma correção dada a servidores da ativa.
 

As aposentadorias e pensões do INSS são reajustadas pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação de famílias com renda de até cinco salários mínimos.
 

A ação é de repercussão geral e deve incidir em todos os processos similares que tratam do tema. Votaram a favor desse entendimento até esta quinta-feira (28) o ministro relator, Dias Toffoli, e os ministros Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, André Mendonça, Rosa Weber e Edon Fachin.
 

O julgamento é feito em plenário virtual, plataforma onde os ministros apresentam seus votos em um determinado período de tempo, e se encerra às 23h59 desta sexta-feira (29).
 

Até lá, os integrantes da corte podem suspender a decisão por meio de pedidos de destaque (levar o caso ao plenário físico) ou vista (mais tempo para análise).
 

Ainda não votaram os ministros Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
 

A tese proposta por Toffoli, seguida pela maioria do Supremo, é de que é "constitucional o reajuste de proventos e pensões concedidos a servidores públicos federais e seus dependentes não beneficiados pela garantia de paridade de revisão, pelo mesmo índice de reajuste do regime geral de previdência social (RGPS), previsto em normativo do Ministério da Previdência Social, no período anterior à Lei 11.784/2008".
 

O caso julgado que serviu de modelo para a tese trata de um recurso da União contra decisão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) que pediu a correção da pensão por morte no período de julho de 2006 -quando o benefício começou a ser pago- até a edição da medida provisória que foi convertida na lei de 2008 dos índices do RGPS.
 

O TRF-4 apontava que o reajuste estava previsto em normativo do Ministério da Previdência Social, de 2004, e os índices podem ser aplicados entre a edição desse ato e a vigência da lei.
 

No recurso, a União argumentou que é inviável a correção dos benefícios pela aplicação direta de atos normativos do ministério porque, até a edição da medida provisória, não havia lei fixando os índices de reajuste daqueles benefícios.
 

A União disse também que a Constituição veda a fixação de reajuste por atos normativos inferiores a lei.
 

"O argumento levantado pela União de não haver lei ou ato normativo específico que determine a correção dos benefícios, justificativa utilizada para sistematicamente se recusar a reajustar os proventos e pensões dos servidores públicos federais no período anterior a Lei nº 11.784/2008, não se sustenta frente à reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal", disse Toffoli em seu voto.

 

Despesa com pessoal no TJ-BA soma mais de R$ 900 milhões no segundo quadrimestre de 2023

 

Despesa com pessoal no TJ-BA soma mais de R$ 900 milhões no segundo quadrimestre de 2023
Foto: TJ-BA

Conforme Relatório de Gestão Fiscal relativo ao segundo quadrimestre de 2023 do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), de maio a agosto a Corte gastou R$ 902.193.849,85 com despesa de pessoal. O documento aprovado pelo presidente do tribunal, desembargador Nilson Soares Castelo Branco, foi elaborado pela Secretaria de Administração, Controladoria e Diretoria de Finanças do TJ-BA. 

 

No mês de maio a folha ficou em R$ 194.339.396,96, em junho a despesa somou R$ 235.174.853,22, em julho foi R$ 200.964.140,43 e em agosto, R$ 271.715.459,24. 

 

Os valores englobam o pagamento a pessoal ativo; vencimentos, vantagens e outras despesas variáveis; obrigações patronais; pessoal inativo e pensionista; aposentadorias, reserva e reformas; pensões; despesas não computadas; indenizações por demissão e incentivos à demissão voluntária; decorrentes de decisão judicial de período anterior ao da apuração; despesas de exercícios anteriores de período anterior ao da apuração; e inativos e pensionistas com recursos vinculados.

 

Apenas com os funcionários ativos, segundo o Relatório de Gestão Fiscal, os gastos em maio ficaram em R$ 238.414.196,94, em junho R$ 242.061.034,08, julho em R$ 215.024.065,57 e em agosto R$ 275.552.227,76. 

 

No recorte para as aposentadorias, reservas e reformas, o total nos quatro meses foi de R$ 318.169.913,80. Já no pagamento das pensões, a soma para o mesmo período foi de R$ 53.947.284,48.

 

De acordo com os dados divulgados pelo TJ-BA, a despesa com pessoal ficou abaixo do limite máximo, fixado em R$ 3.539.017.051,85, e do limite prudencial, R$ 3.362.066.199,26. A receita corrente líquida ajustada do tribunal baiano para o ano é de R$ 58.983.617.530,78.

 

O relatório aprovado também traz a despesa com pessoal nos últimos 12 meses, de setembro de 2022 a agosto de 2023, que somou R$ 2.592.444.125,14. O valor da despesa bruta ficou em R$ 3.974.989.063,31.

 

Fonte: Diário Eletrônico de Justiça

 

PRIMEIRO QUADRIMESTRE

De maio de 2022 a abril de 2023, o TJ-BA gastou R$ 2.454.627.891,31 com despesa de pessoal. O Relatório de Gestão Fiscal, aprovado, foi publicado em maio. 

 

Neste período, no recorte para os funcionários ativos, a despesa foi de R$ 2.626.982.620,51, já com os inativos e pensionistas a quantia acumulada chegou a R$ 1.098.132.109,17 (saiba mais).

Lula assina aposentadoria de Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal

 

Lula assina aposentadoria de Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal

Por Redação

Lula assina aposentadoria de Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal
Foto: STF

A ministra Rosa Weber está oficialmente aposentada do Supremo Tribunal Federal (STF). Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (29) confirma a validade da aposentadoria da magistrada a partir de 30 de setembro de 2023, este sábado. As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias. 

 

Foto: Reprodução / DOU

 

Rosa Weber ocupava a presidência da Corte até ontem (28), quando deu lugar ao ministro Roberto Barroso. Na quarta-feira (27), a ministra fez um discurso emocionado na despedida do STF, na última sessão plenária antes da aposentadoria.

 

Weber esteve à frente da Corte Constitucional no último ano e se aposenta ao completar 75 anos, no dia 2 de outubro. De 47 anos de magistratura, onze foram no STF. Ao lembrar que “a cada ciclo que se fecha, mexem-se as pedras do tabuleiro”, a ministra também elogiou os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, que foram empossados como presidente e vice do STF, respectivamente.

 

Ao lado de Cármen Lúcia, era uma das duas únicas mulheres entre os 11 ministros em exercício no STF. Weber também frisou em seu discurso a importância da diversidade no Judiciário. Ela lembrou ter sido apenas a terceira mulher a integrar a Corte. “A igualdade de gênero é expressão da cidadania e da dignidade humana e pressuposto fundamental da democracia”.

Prefeito do interior baiano registra boletim após ser perseguido em via pública

 

Prefeito do interior baiano registra boletim após ser perseguido em via pública
Foto: Reprodução / Instagram

O prefeito de Irecê, no Centro Norte, Elmo Vaz (PSB), registrou um boletim de ocorrência após ter sofrido ameaça de moradores. Um homem que participou da ação foi preso pela Polícia Militar. Segundo o Central Notícia, o fato ocorreu nesta quinta-feira (28). O gestor fez um vídeo para relatar o ocorrido.

 

Conforme Elmo Vaz, ele saía de uma emissora de rádio a bordo de um carro quando percebeu que estava sendo seguido por homens em duas motocicletas. Vaz contou que passou a circular em uma praça, depois tomou o rumo de uma rua. Na via, outro carro teria se juntado às motos e ele disse que se sentiu cercado.  

 

Os suspeitos então passaram a bater no carro e começaram a filmar o gestor. A perseguição teria continuado e só foi contida após agentes da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Semiárido conseguiu localizar um dos suspeitos. O homem preso é acusado de invadir terrenos públicos e privados. 

 

Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia

 

Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia

Por Igor Gielow | Folhapress

Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia
Foto: Reprodução / Kremlin

O presidente Vladimir Putin prepara a volta do Grupo Wagner para a Guerra da Ucrânia, um mês e uma semana após a morte em circunstâncias obscuras do fundador da entidade mercenária que havia se rebelado contra as Forças Armadas da Rússia.
 

No fim da noite de quinta (28), Putin recebeu no Kremlin Andrei Trochev, um dos mais experientes comandantes militares do Wagner, conhecido pelo nome de guerra Sedoi (grisalho, em russo). O vice-ministro da Defesa Iunus-Bek Ievkurov, que operou a tomada de controle pela sua pasta da estrutura do Wagner, estava presente.
 

"Unidades voluntárias podem executar várias tarefas de combate, acima de tudo, claro, na zona da operação militar especial", afirmou Putin no trecho gravado do encontro, usando o eufemismo oficial para a guerra. Trochev apenas concordava, sem falar nada.
 

"Você mesmo esteve lutando numa unidade dessas por mais de um ano. Sabe como é, como deve ser feito", disse o presidente.
 

A excepcional divulgação ocorre 38 dias depois que o jatinho Embraer Legacy 600 de Ievguêni Prigojin, o homem conhecido como "chef de Putin" por uma relação pessoal com o presidente que começou quando ele era dono de um restaurante em São Petersburgo, aparentemente sofreu uma explosão e caiu perto de Moscou.
 

Aparentemente porque ninguém deverá saber o que de fato ocorreu, já que as investigações não foram feitas pela autoridade aeronáutica russa —tanto que o pedido de cooperação de praxe com a fabricante brasileira no caso nunca ocorreu.
 

Morreram com Prigojin outras nove pessoas, muitas delas da cúpula do Wagner, entidade formada em 2014 para operar na anexação da Crimeia que acabou se tornando uma força militar com presença em cerca de 10 países, 7 deles africanos, auferindo do Estado russo R$ 5 bilhões anuais, fora contratos de todo tipo no exterior.
 

O Wagner tem de minas de ouro em Mali a uma cervejaria na República Centro-Africana. Estimativas tão extraoficiais quanto o grupo, que nunca teve existência legal como companhia militar privada na Rússia embora seus escritórios estivessem em todo canto, dizem que ao longo dos anos Prigojin amealhou até R$ 100 bilhões.
 

A queda do avião ocorreu dois meses depois de Prigojin liderar um inédito motim contra a cúpula da Defesa russa, que queria tomar controle do Wagner. Com isso, expôs Putin e fragilidades inauditas de seu sistema de controle do país. O Kremlin nega que o presidente tenha ordenado a morte do ex-aliado, claro.
 

Agora, o governo fez questão de deixar claro com quem negociava ao falar com Trochev, apontado pelo influente jornal Kommersant como o homem escolhido por Putin para comandar a operação do Wagner —que pode ou não manter seu antigo nome.
 

"Ele trabalha para o Ministério da Defesa", disse à agência RIA-Novosti o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Quantos homens e qual estrutura Trochev herdará, contudo, é uma incógnita. Na época do motim, Prigojin dizia ter à disposição 25 mil soldados na Rússia, a maioria recém-chegada da Ucrânia.
 

No país invadido, o grupo foi instrumental para a mais simbólica vitória russa neste ano, a conquista do bastião de Bakhmut, no leste do país. Mas foi uma vitória dura, após sete meses dos combates até então mais sangrentos da guerra, no qual o Wagner empregou como bucha de canhão humana prisioneiros saídos da cadeia em troca de serviço militar.
 

Ao menos 10 mil, de um total alegado pelo "chef de Putin" de 16 mil mortos na batalha, eram ex-detentos como ele, preso por dez anos na juventude por crimes de rua. Eles eram empregados de forma algo suicida, em ataques frontais de infantaria, e ao fim prevaleceram pelo maior número.
 

O que se sabe é que, de lá para cá, Putin buscou tomar para si o controle da vasta estrutura do Wagner. O vice-ministro Ievkurov foi o operador disso, ao visitar países como a Síria e a Líbia, onde o Kremlin também apoia um lado da guerra civil. Parte do grupo está na aliada do Kremlin Belarus, ou esteve, dadas as informações contraditórias sobre isso.
 

A exposição pública nesta sexta (29) do movimento de Putin sugere que Ievkurov e Trechov vão trabalhar juntos, com uma relação presumida de subordinação por parte do mercenário, um veterano de guerras no Afeganistão e na Tchetchênia. Em 2016, ele virou Herói da Rússia, mais alta condecoração do país, por seu papel na tomada de Palmíria, na Síria, das mãos do Estado Islâmico.
 

Com isso, está aberto um novo capítulo de uma das mais nebulosas histórias relacionadas à Guerra da Ucrânia. Não se sabe qual papel estará reservado ao Wagner agora, em meio à claudicante contraofensiva da Ucrânia. Analistas militares russos dizem que há menos falta de pessoal do que no ano passado, mas a experiência militar dos veteranos pode fazer diferença.
 

Ao longo do conflito, Prigojin bateu de frente com Serguei Choigu, o poderoso ministro da Defesa, o acusando de sabotar o trabalho dos mercenários por inveja de seus resultados. Deu no que deu. Logo depois da morte do mercenário, Putin editou um decreto obrigando mercenários a jurar lealdade ao Estado russo. No encontro com Trochev, prometeu benefícios previdenciários a quem lutar na Ucrânia.
 

Tudo isso havia sido feito por Choigu em junho passado, levando ao motim do Wagner. A concordância televisionada de Trochev sugere que, ao fim, os mercenários foram dobrados, mas o histórico requer prudência antes de conclusões definitivas.

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