sábado, setembro 23, 2023

Terceira queda seguida da arrecadação acende o sinal de alerta para Haddad

Arcabouço fiscal de Hadda é baseado no aumento da receita

Idiana Tomazelli
Folha

A arrecadação federal teve, em agosto, a terceira queda seguida na comparação com igual mês de 2022, desempenho que evidenciou a perda de fôlego das receitas e acendeu um alerta na equipe econômica.

O diagnóstico atual é de que as quedas estão concentradas em receitas ligadas ao setor extrativo, como royalties e impostos sobre o lucro de empresas do segmento, ou conectadas a fatores atípicos, como o aumento do uso de créditos tributários para abater valores devidos à Receita Federal.

No entanto, a avaliação é de que o movimento precisa ser monitorado de perto, sobretudo em um contexto em que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) estipulou metas fiscais ambiciosas. O objetivo é zerar o déficit já em 2024, alvo visto com ceticismo dentro do próprio governo e no mercado financeiro.

EFEITOS ISOLADOS – Economistas evitam apontar o retrato das receitas como uma evidência de desaceleração disseminada da economia. Mas há a avaliação de que mesmo efeitos isolados podem acabar dificultando ainda mais a tarefa do governo de reequilibrar as contas, uma vez que a tendência de evolução mais tímida da arrecadação deve se manter no ano que vem.

Os dados da Receita Federal divulgados nesta quinta-feira (21) mostram uma queda de 4,14% nas receitas em agosto ante igual mês de 2022, após reduções observadas em junho e julho. O desempenho no acumulado do ano é negativo em 0,83%. As variações já descontam o efeito da inflação no período.

A composição desse resultado é bastante heterogênea. A receita previdenciária, por exemplo, está em alta, reflexo da maior resiliência do mercado de trabalho e da renda dos brasileiros. Receitas com Imposto de Renda pago por pessoas físicas também estão crescendo na comparação com o ano passado.

SOBE E DESCE – As perdas estão concentradas em tributos pagos pelas empresas, como IRPJ, CSLL e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Segundo a Receita, o crescimento de vendas em comércio e serviços tem ajudado a dar alguma sustentação à arrecadação do governo, mas a redução nos preços de commodities como o minério de ferro no mercado internacional acaba puxando as receitas para baixo.

Nos primeiros oito meses, o governo arrecadou R$ 50,5 bilhões em royalties, R$ 24,2 bilhões a menos do que em igual período do ano passado —queda real de 32,4%.

QUEDAS SETORIAIS – Outras receitas ligadas ao setor extrativo também estão derretendo. As receitas com impostos e contribuições (exceto previdenciárias) pagos pelo segmento de extração de minerais metálicos caíram 63,2% entre janeiro e agosto deste ano. Isso significa que as empresas recolheram R$ 21,1 bilhões a menos do que em igual período de 2022.

Também houve quedas expressivas nos tributos pagos por companhias ligadas ao setor de combustíveis (queda de 25,1%, ou menos R$ 19 bilhões) e metalurgia (perda de 39,3%, ou menos R$ 7,7 bilhões).

Em entrevista coletiva, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, exibiu dados que mostram uma concentração das quedas em tributos recolhidos sobre o lucro dessas empresas, sobretudo IRPJ e CSLL. Ao afetar os impostos, essa redução acaba tendo reflexo negativo também sobre o caixa de estados e municípios, que recebem uma parcela da arrecadação da União com Imposto de Renda e IPI por meio dos fundos de participação.

###
NOTA DA ARRECADAÇÃO DO BLOG
 – A notícia não é boa, sobretudo quando há previsão de alta do PIB em 3.2% no próximo ano. Mas como expandir tanto o produto, se a receita não sobe. Além disso, o arcabouço fiscal foi planejado com base no aumento da receita. Lembram?  A situação, portanto, está esquisita. (C.N.)

Insatisfação crescente com as instituições não ameaça o viés democrático no Brasil


Fotos Povo Brasileiro, 79.000+ fotos de arquivo grátis de alta qualidade

55% têm medo do futuro, 61% estão tristes e 71% inseguros

Carlos Pereira
Estadão

A mais nova pesquisa Datafolha sobre a percepção da opinião pública brasileira acerca da confiança nas instituições políticas, que representam o coração da democracia, mostra que apenas 24% da população confia muito na presidência, 20% no STF, 19% no Ministério Público, 9% no Congresso Nacional e apenas 7% nos partidos políticos. Até mesmo a confiança nas Forças Armadas, que costumava ser mais alta (45% em abril de 2019), caiu para 34% depois das trapalhadas da sua participação no governo Bolsonaro.

Além disso, 61% dos brasileiros afirmam estar desanimados e tristes, 55% têm mais medo do futuro do que esperança e 71% se sentem inseguros com o país de hoje em dia.

OPÇÃO DEMOCRÁTICA – Por outro lado, a maioria da população (75%) identifica a democracia como a melhor forma de governo, atingindo a maior taxa de apoio da série histórica. Ou seja, três em cada quatro brasileiros avaliam que a democracia é sempre melhor. Em torno de 12% é indiferente entre uma democracia ou uma ditadura e somente 7% acredita que uma ditadura, em certas circunstâncias, é melhor do que um regime democrático.

Como explicar o aparente paradoxo das instituições democráticas não partilharem da confiança da maioria da população, mas, ao mesmo tempo, a democracia, que é praticada por meio dessas instituições, ser identificada como a melhor forma de governo?

A base das insatisfações da população e da sua baixa confiança com as instituições políticas brasileiras pode ser buscada na efetividade das ações e no fortalecimento das próprias instituições.

JOGO SUJO -Ao expor os meandros e bastidores do suposto “jogo sujo” da política, a atuação das instituições políticas tem o potencial de gerar um mal-estar generalizado. A imagem que fica é a de que as coisas estão fora do lugar. Contraditoriamente, o desempenho das instituições gera a sua própria rejeição, notadamente daqueles que, momentaneamente, estão do lado perdedor, que apresentam mais dificuldades de se distanciar para ter uma noção mais ampla da trajetória que o país se move.

O conjunto de informações – decorrente da ação das instituições políticas – termina por diminuir o suporte e a confiança que a população tem do governo e, em alguns casos, das suas próprias instituições democráticas. A atuação das instituições democráticas, portanto, pode ter o efeito colateral de diminuir a esperança das pessoas de que elas sejam capazes de resolver os seus problemas.

Mas, mesmo diante dessas frustrações, não enxergam alternativas à democracia, ainda que não se percebam satisfeitos com a atuação das instituições democráticas.


Acordos com réus do 8 de janeiro incluem multa (até R$ 20 mil) e serviço comunitário

Publicado em 22 de setembro de 2023 por Tribuna da Internet

Mais de 1200 são detidos ao desmontar acampamento no QG do Exército

Quem deixou o acampamento de manhã cedo se deu bem

Reynaldo Turollo Jr
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) oficializou nesta sexta-feira os dez primeiros acordos de não persecução penal com pessoas denunciadas por incitação aos atos golpistas de 8 de janeiro. Após confessarem os crimes, elas deverão prestar 300 horas de serviços à comunidade ou a entidades públicas e pagar multas que variam de R$ 5 mil a R$ 20 mil.

Também terão de frequentar um curso sobre “Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado” e não poderão ter perfis em redes sociais abertas.

PRESOS NO ACAMPAMENTO – Os acordos, que livram os réus de responder a ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF), podem ser oferecidos a 1.125 pessoas que não se envolveram em atos violentos no 8 de janeiro. Esse grupo é o que foi preso no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Segundo a PGR, 301 denunciados já manifestaram a intenção de firmar acordos.

A situação deles é diferente da dos executores dos atos, que se envolveram na invasão e na depredação dos prédios dos Três Poderes. Na semana passada, o plenário do Supremo condenou três executores com penas de 14 e 17 anos de prisão.

As ações penais contra réus que assinarem os acordos ficarão suspensas no STF até o cumprimento integral das cláusulas. Caso o denunciado descumpra o acordo, o processo dele deve ser retomado.

HOMOLOGAÇÃO – O benefício está disponível para aqueles que foram denunciados por crimes cujas penas não chegam a quatro anos de prisão. A pedido da PGR, o relator dos processos, ministro Alexandre de Moraes, autorizou em agosto que os acordos fossem realizados. Após a formalização das assinaturas, que deve ocorrer em até dez dias, os acordos seguirão para homologação.

Para o cumprimento das 300 horas de serviços à comunidade ou a entidades públicas, os denunciados deverão desenvolver de 30 a 60 horas de atividades por mês em locais indicados por juízes de execução penal.

Quanto à multa, os valores são fixados individualmente conforme a capacidade econômica de cada infrator, informou a PGR.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É uma Justiça primária e genérica, algo jamais visto. Fica comprovado que os investigadores não tentaram identificar nenhum dos verdadeiros terroristas e vândalos que lideraram o quebra-quebra. O critério dos investigadores foi a lei do menor esforço. Ou seja, decidiram não investigar nada. Assim, os 1.125 presos no dia seguinte, que ainda estavam no acampamento diante do Quartel-Gera, todos eles foram classificados como “não-terroristas”, enquanto os outros, que foram detidos na Praça dos Três Poderes ou dentro dos palácios, todos foram acusados de “terrorismo”, embora muitos deles só tivessem entrado para ver como as sedes dos poderes eram por dentro. Em suma, a Polícia não usou as imagens das câmeras e as fotos dos jornalistas para identificar e acusar os terroristas e vândalos. O único que foi descoberto assim foi o imbecil que quebrou o relógio de Dom Pedro. E ainda dizem que houve investigação. Que país é esse? (C.N.)

Ministro que “fulanizar” e punir os militares golpistas. Será que conseguirá?


Forças Armadas não aceitaram proposta de golpe e instituições não embarcaram, diz Múcio à CNN

Múcio diz que é preciso “fulanizar” os militares golpistas

Alice Cravo
O Globo

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta sexta-feira que “percebeu que muita gente não desejava sair do poder”, ao ser questionado sobre a postura ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos. O tenente-coronel Mauro Cid afirmou em delação premiada, segundo a colunista do Globo, Bela Megale, que o ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu com representantes do Alto Comando para discutir detalhes de uma minuta que abriria possibilidade de intervenção militar.

DISSE MÚCIO — “Na realidade a gente percebia que muita gente não desejava sair do poder, largar o poder. Mas dia 1º de janeiro as Forças Armadas garantiram a posse do presidente e estamos vivendo a nossa plenitude democrática.

Nesta quinta-feira, Múcio tinha afirmado que as Forças Armadas estavam “100% ao lado da lei”, mas que o ex-comandante da Marinha não estava.

O tenente-coronel Mauro Cid contou aos investigadores que o comando do Exército afirmou ao então presidente que não abraçaria a iniciativa golpista. Já o chefe da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos, teria dito a Bolsonaro que sua tropa estaria pronta para aderir a seu chamado.

ELE PASSOU… — É uma coisa pessoal. Sabia, mas ele passou. Olha, ele não me recebeu para conversar, depois, nós nos encontramos, eu conversei. Mas era uma posição pessoal, havia um presidente eleito, havia um presidente empossado, a justiça promulgou, de maneira que nós estávamos 100% do lado da lei, e ele não — afirmou nesta quinta-feira.

“Ele não me recebeu, eu percebia. Os outros comandantes me receberam. Não sei se ele tinha aspirações golpistas, mas a gente via, os jornais falavam, era outro governo, outros comandantes, outro presidente da República — afirmou, completando que “percebia que muita gente não desejava sair do poder”.

Múcio também afirmou que ainda não conversou com o presidente Lula sobre as declarações de Cid para a PF e reforçou que espera os esclarecimentos para “deixar de suspeitar de todo mundo e punir os culpados”.

DIZ A MARINHA – O atual comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, afirmou nesta quinta-feira ao Globo que o possível apoio do ex-comandante Almir Garnier Santos a um golpe de Estado não representa a posição da Força.

O comandante afirmou que a Marinha está à disposição da Justiça para contribuir com as investigações, caso seja chamada a depor no processo.

“Definitivamente essa não é a posição da Marinha. O interesse da Força é que seja o quanto antes esclarecido (o fato) e que se procure individualizar as condutas e se retire esse manto de suspeição da Força. Naturalmente que a exposição de um ex-comandante da Marinha em alguma medida implica a Força — disse ao Globo o atual comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Antigamente, os militares golpistas eram chamados de “gorilas”. Mas o visual do almirante Almir Garnier mostra que ele não tem nada de gorila, ele parece ser apenas um bobalhão, mesmo. Agora, o ministro da Defesa quer “fulanizar” os militares golpistas. Ou seja, pretende puni-los. Será que vai conseguir? (C.N.)


PT assina um acordo de cooperação com Partido Comunista da China. Para quê? Ora, para nada…


PT vai assinar acordo de cooperação com Partido Comunista da China - GP1

Gleisi Hoffmann vai trocar figurinhas com os chineses

Deu na Folha
Coluna Painel

O PT e o Partido Comunista Chinês assinaram nesta quarta-feira (20) em Brasília um protocolo de cooperação, reforçando a aliança entre as duas legendas. Os chineses foram representados por Li Xi, um dos sete membros do comitê permanente, principal instância de decisão do partido e um dos homens mais poderosos do gigante asiático.

“O Partido Comunista Chinês está entre os principais amigos do PT pelo mundo”, diz o secretário de Relações Internacionais petista, Romênio Pereira. Um dos interlocutores do partido junto aos chineses, ele já esteve no país sete vezes desde 2004.

TROCA DE EXPERIÊNCIAS – O protocolo será assinado por Li Xi e pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Ele prevê trocas de experiências e de opiniões sobre questões internacionais, além de intercâmbio de dirigentes e realização de eventos conjuntos.

O dirigente chinês deve ter também reuniões com membros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parte do processo de reatar laços do Brasil com o país após o distanciamento durante os anos de Jair Bolsonaro (PL).

Segundo Romênio, o PT tem relação com partidos de esquerda em diversas partes do mundo. “Somos próximos do Partido Democrata americano também, por exemplo. Temos ligações diplomáticas com setores democráticos e populares em vários países”, afirma.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É difícil entender o que esse pessoal da cúpula do PT tem na cabeça. O que os petistas têm a ganhar com sua aproximação a políticos estrangeiros de um país que tem partido único e não admite oposição? Eis uma pergunta inquietante. Com aliados desse calibre, digamos assim, Lula e o PT nem percebem que vão perder eleitor pra dedéu, como se dizia antigamente. (C.N.)

Provas são irrefutáveis, houve tentativa de golpe e agora Bolsonaro precisa ser preso


Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge: Mauro Cid

Charge do Ivan Cabral (Site Sorriso Pensante)

Merval Pereira
O Globo

Como é possível, numa democracia, um ambiente em que o presidente da República reúne comandantes militares e propõe um golpe? É inadmissível. Porque não prenderam Bolsonaro na hora? O comandante do Exército se recusou a participar, o da Marinha aceitou e o da Aeronáutica não sabemos.

É claro que é complicado prender um presidente da República dentro do palácio do Planalto, mas como deixaram chegar ao ponto de Bolsonaro ter a liberdade de propor um golpe numa reunião com comandantes militares? Chega a ser absurdo.

TUDO CONFIRMADO – Agora está confirmado, com a delação de Cid e tudo o que já apareceu, inclusive a minuta de golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que o ex-presidente fez uma tentativa real de golpe. E no dia 8 ainda houve uma derradeira tentativa, mesmo com a recusa do comandante do Exército, de que acontecesse alguma coisa.

O comentário do ex-presidente, de que se pode discutir qualquer coisa e, se ela não acontecer. não tem problema, é uma confirmação de que discutiu o golpe com militares. A discussão em si já é o início do golpe.

Já havia várias coisas inaceitáveis, mas essa é a cereja do bolo. O novo procurador-geral da República terá que tomar alguma providência.

TAMBÉM É CRIME – Tentativa de homicídio é crime, tentativa de golpe é crime também. Pode haver preocupação com a repercussão política com uma eventual prisão de Bolsonaro, mas não dá para passar pano e deixar pra lá.

Havia o temor de uma reação popular quando da prisão de Lula, e nada aconteceu. O caso de Bolsonaro é mais grave, porque as milícias digitais estão mobilizadas.

Diante de tudo o que aconteceu, o presidente Jair Bolsonaro terá que ser preso. Não é admissível acontecer esses fatos gravíssimos, todos documentados, e ele sair ileso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como editor da Tribuna da Internet, eu respeito demais a posição do jornalista Merval Pereira, meu grande amigo há 55 anos, não contesto nenhum dos argumentos que relaciona. Mas discordo dele por uma questão social, porque acho perigoso incentivar a radicalização que já existe e não pode continuar se agravando. Vou escrever um artigo sobre o assunto, para explicar minha posição com a necessária clareza. Em tradução simultânea, eu diria que Merval tem toda a razão, mas… (C.N.)


Em destaque

Quem não lê, mal ouve, mal vê, mal fala e ainda é manipulado

  Quem não lê, mal ouve, mal vê, mal fala e ainda é manipulado Redação 2 de fevereiro, 2026 0 Comments Qual juventude a sociedade está forma...

Mais visitadas