domingo, julho 16, 2023

“É preciso mudar o tom da formação militar”, afirma o cientista político Daniel Aarão Reis

Publicado em 16 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

 O historiador e professor, Daniel Aarão Reis Filho. -  (crédito: Alexandre de Moraes/UFPA)

Aarão Reis analisa a participação dos militares na política

Fábio Grecchi e Victor Correia
Correio Braziliense

Para o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e escritor Daniel Aarão Reis Filho, os integrantes das Forças Armadas ainda estão atrelados a ideias e visões que se chocam com a democracia, que, por sinal, passa por uma profunda crise e deu espaço para que Bolsonaro e a extrema direita avançassem.

O historiador é enfático ao afirmar que o Brasil ainda conviverá com a sombra do golpismo militar enquanto a qualidade da formação dos integrantes das Forças Armadas não passarem por uma profunda reformulação. Ele observa que, no contexto de uma democracia, há a necessidade de se formular uma nova doutrina, uma das formas de se superar os resquícios da guerra fria e do “inimigo interno”.

“Isso, infelizmente, nunca foi feito desde o fim da ditadura”, lamenta. Fundador do PT, do qual se desligou em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão, Daniel tornou-se uma referência na academia quando o assunto são as ditaduras brasileiras — seus livros “Ditadura Militar”, “Esquerdas e sociedade”, “Ditadura e democracia no Brasil” e “A Ditadura que mudou o Brasil” — tornaram-se fundamentais para os estudiosos que pretendem entender os processos políticos do país.

Argentina, Uruguai e Chileparecem ser democracias sul-americanas mais consolidadas, pois lá os militares foram punidos e, aparentemente, hoje se restringem aos quartéis. No Brasil, quase houve um golpe de Estado em 8 de janeiro e continua havendo receio em punir exemplarmente os militares golpistas. Por quê?
Nos três países referidos, houve realmente punições de militares, mas tenho dúvida em afirmar que as democracias por lá parecem consolidadas. As democracias de nossos vizinhos são também muito instáveis. Também tenho reservas em dizer que quase houve um golpe de estado em 8 de janeiro. O que houve em Brasília foi uma insurgência popular de extrema-direita, acobertada por chefes militares e com a qual as forças democráticas conciliaram por muito tempo. Agora, você tem razão em dizer que houve e ainda há receio no Brasil em punir exemplarmente os militares (e também os civis) golpistas. E isso se deve, a meu ver, ao processo de transição da ditadura à democracia em nosso país, do qual a Lei da Anistia é uma parte expressiva, mas apenas uma parte. Houve, aqui, uma transição longa, negociada, com base na conciliação e na ausência quase absoluta de uma reflexão maior sobre o período ditatorial. Os resultados estão à vista. Como dizia uma raposa política: “As consequências vêm depois”.

Segundo os grandes estudiosos da sociedade brasileira, os militares e a política estão umbilicalmente ligados. Em cinco das sete constituições que vieram no pós-Independência — inclusive na de 1988 —, é atribuído a eles algum papel político. Isso representa que o país estará sempre na iminência de um golpe?
Não diria “na iminência de um golpe”, mas sujeito às interferências dos militares. Uma longa tradição. Não esquecer, porém, que, mesmo entre os militares, houve muitos chefes comprometidos com a defesa da legalidade. Por outro lado, nem sempre a interferência dos militares revestiu caráter repressivo ou regressivo. Cito dois exemplos: o tenentismo dos anos 1920, progressista e nacionalista; e a participação de militares na campanha a favor da nacionalização do petróleo.

Na ditadura militar, ficou explícita a relação entre a caserna e as forças de segurança, como as polícias, na repressão à militância de esquerda. Esta intimidade voltou à tona no governo Bolsonaro. Por que esta ligação ainda é forte?
Atribuo o fenômeno ao processo de militarização das PMs e dos bombeiros. O das PMs vem de há muito, não surgiu durante a ditadura. É preciso desmilitarizar PMs e Bombeiros. A polícia deve ser uma instituição civil e o mesmo conceito deve abranger os Bombeiros. Enquanto permanecerem militarizadas, estas instituições estarão sujeitas a distorções tentações antidemocráticas.

Em que as milícias existentes no Rio de Janeiro e outras cidades tornam a conexão militares-forças de segurança perigosa para a democracia?
As milícias no Rio de Janeiro e em outros lugares do país têm sido toleradas pelo Estado e, em parte, pelas populações, como antídotos ao tráfico de drogas e a outras criminalidades. Trata-se de uma conciliação inaceitável e intolerável do ponto de vista democrático. Conciliar com as milícias é jogo perigosíssimo, o que já está demonstrado na prática. Lutar contra elas implica políticas enérgicas e também debate na sociedade, pois as milícias dispõem, em muitos lugares, de prestígio e apoio popular.

De forma jocosa, a intelectualidade brasileira de esquerda diz que como nossos militares participam pouco de missões em conflitos internacionais, a maneira que têm para preencher o tempo livre é articular golpes de Estado. Como afastá-las da política?
O que precisamos é de mudanças qualitativas na formação dos militares, nas academias militares, nos cursos de aperfeiçoamento de oficiais e na Escola Superior de Guerra. Trata-se de repensar o papel das Forças Armadas no contexto democrático, formulando uma nova doutrina, superando-se as tradições e os cacoetes da guerra fria e do “inimigo interno”. Isso, infelizmente, nunca foi feito desde o fim da ditadura. Ao contrário, as concepções da chamada “guerra híbrida” do general Villas-Bôas apenas reatualizaram as distorções e os preconceitos dos militares em relação ao regime democrático. Nas campanhas eleitorais, desde os anos 1980, não se ouve falar nas Forças Armadas, em seu papel, suas missões. É uma espécie de tabu ao qual se curvam diligentemente políticos e partidos de esquerda e de direita. Enquanto prevalecer esta não-orientação, as tradições vão se reproduzindo.

Temos visto que interessa à extrema direita bolsonarista que os militares continuem se envolvendo com política. É uma forma de mantê-la coesa e, sobretudo, preservar um espaço conquistado nos últimos quatro anos, inclusive no Congresso. Isso representa que o golpismo fará parte, explicitamente, do nosso dia a dia?
Como já tentei argumentar, as tradições intervencionistas e, eventualmente, golpistas, nas Forças Armadas só serão superadas no contexto de uma discussão sobre o papel destas Forças no regime democrático brasileiro. Enquanto isso não acontecer, e precisa acontecer, é claro, com a participação das Forças Armadas, estaremos à mercê da reprodução do intervencionismo militar. Os militares se consideram “anjos da guarda” da República. Precisam ser considerados como funcionários públicos fardados. E com papel na construção e na defesa do regime democrático. É preciso mudar o conceito e as concepções que orientam as doutrinas militares no contexto do regime democrático. E fazer com que estas mudanças impactem o conjunto da formação dos militares. Fácil de dizer, difícil de fazer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Entrevista importantíssima com um dos mais destacados cientistas políticos do país. Tudo é da maior relevância, cada frase merece reflexão. Trata-se de uma síntese perfeita da política brasileira, sob o aspecto militar. Parabéns a Fábio Grecchi e Victor Correia, dois jornalistas de primeiro time(C.N.)


Público marca presença e participa ativamente do Colóquio FLICA em São Francisco do Conde

 Público marca presença e participa ativamente do Colóquio FLICA em São Francisco do Conde


O Colóquio FLICA está dando continuidade às suas atividades, saindo de Cachoeira e dialogando com outros municípios.

Nesta sexta-feira, 14, a Atividade de Extensão aconteceu no Campus dos Malês – UNILAB, em São Francisco do Conde, e reuniu mestres, doutores, pensadores, além de entusiastas da Cultura, da Educação e da Literatura para dialogar sobre o Bicentenário da Independência do Brasil, celebrado este ano.

O Grupo Cultural Cabaz Garandi (UNILAB-MALÊS) abriu o quinto dia de atividades dando as boas-vindas aos convidados. 

O tema "Entre a Letra e a Lei: Literatura Afro-brasileira e Africana e os desafios de 20 anos da Lei 10.639/03" foi abordado pelas professoras Carla Verônica e Rutte Cardoso com a mediação de Mirian Reis Sumica - atual diretora da UNILAB; e colaboração de Dyane Brito, uma das curadoras do Colóquio e Clara Amorim (Duca), curadora da Fliquinha desde 2022.

Carla Verônica, que é Doutora em Educação, Mestre em Família na Sociedade Contemporânea, Licenciada em Pedagogia e Especialista em Metodologia destacou a importância do currículo presente nas escolas dialogar com a atual realidade.

Rutte Cardoso, que é Docente da UNILAB; Mestre pela Universidade de Santiago Cabo Verde e Coordenadora Geral Interina do Centro de Estudos Africanos da UNILAB enfatizou os 20 anos da Lei 10.639/03 que é considerada um marco na educação brasileira, pois ela tornou obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira. Também foi destaque na "mesa" os 10 anos da Lei de Cotas (12.711/12) que prevê a reserva de 50% das vagas de universidades e institutos federais de ensino superior a estudantes de escolas públicas.

Um dos momentos que mais chamou a atenção de todos foi o poema "Conto de Fatos" recitado e de autoria da estudante Brenda Lima, ganhador do Festival Anual da Canção Estudantil - FACE.

O encerramento ficou por conta do "Samba Filhos de São Francisco".

Estiveram presentes prestigiando a atividade, os vereadores franciscanos Rosângela Valentim, Marivaldo do Amaral e Luiz de Campinas; o Diretor do Colégio Estadual Martinho Salles Brasil Professor José Raimundo juntamente com os estudantes; Amando Lima e Gustavo Porto - representantes da ACELEN - Empresa patrocinadora do evento, além de estudantes da universidade, convidados e a comunidade em geral.























                                                                





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Além de se enrolar na Justiça o prefeito Deri do Paloma procura prejudicar o próximo.


Um dos pontos fracos do prefeito Deri do Paloma e seu conluio é praticar autopromoção as custas do dinheiro público, porém insatisfeito em fazer a propaganda pessoal juntamente com secretários e vereadores da situação, usa indevidamente fotos de um profissional da saúde fazendo  ultrasonografia de uma paciente,  de formar imoral e ilegal supostamente sem autorização do médico coloca nas redes sociais, é por isso que não segura médico no hospital, ninguém quer jogar seu diploma suado no lixo para promover  analfabeto pelotíco.

O médico pode postar foto com o paciente?

A resposta já é conhecida pela maioria dos profissionais: não, não é permitida a exposição dos pacientes nas redes sociais dos profissionais de saúde.  Esse é o entendimento comum.

O Conselho Federal bem como os Conselhos Regionais, através de suas comissões especializadas (CODAME = Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos) sempre proibiram publicações com pacientes por sempre haver uma conotação de aproveitamento da imagem, sensacionalismo ou autopromoção, sem caráter informativo. 

Por exemplo, sempre foi proibido postar imagens com pacientes famosos. Hoje, o que está mais em voga são os “blogueiros” ou “digital influencers”, que são profissionais em divulgação de serviços e produtos da internet, sendo eles os “garotos propaganda”. 

E se a publicação tiver o condão de mostrar resultado, pior ainda.  E não adianta publicar com a legenda “autorizado pelo paciente”, vai dar processo no CRM.

A intenção do Conselho Federal e dos conselhos regionais é evitar a mercantilização da medicina bem como a preservação do sigilo médico e a dignidade do paciente.  Quando o blogueiro posta foto com o médico, logo se presume que o tratamento/procedimento foi pago com a publicidade ou que seria fútil ou que poderia haver outro interesse por trás.  Isso é ruim para a medicina.  

Então a resposta é DEPENDE! É preciso bom senso!  Falaremos abaixo dos casos que são permitidos. (https://dumaresq.adv.br/) Resolução 2.126/2015, CFM,

Nota da redação deste Blog - O Código de Ética Médica é categórico em proibir o compartilhamento de fotos que identifiquem o paciente de alguma forma, independente de autorização.

O capítulo intitulado “Sigilo Profissional”, no artigo 75, diz o seguinte:

“Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou imagens que os tornem reconhecíveis em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente”.


Achei que era piada, mas me curou': como é o transplante de fezes, que Brasil estuda regulamentar




Por Giulia Granchi, em São Paulo

Durante dez meses, um desequilíbrio intestinal severo causado por uma bactéria fez com que a aposentada Sônia Maria Vitor Oliveira, de 67 anos, tivesse diarreias incontroláveis e persistentes.

"Eu sofria noite e dia, sem controle algum do meu corpo. Precisei usar fraldas e cheguei a perder 45 quilos", conta ela.

A bactéria Clostridioides difficile, que causou o problema de saúde de Sônia, está presente no organismo de qualquer pessoa.

No entanto, quando há uso prolongado ou descuidado de antibióticos, as bactérias podem se deslocar, causando o quadro chamado de colite pseudomembranosa, apontam especialistas.

Trata-se de uma inflamação do cólon, região central do intestino grosso, que causa febre, dor abdominal e diarreia.

Sônia, por exemplo, precisou usar várias medicações diferentes nos últimos anos devido a pressão alta e diabetes, passou por um transplante de rim e teve uma infecção grave por covid-19 durante a pandemia.

O uso prolongado de diferentes medicações, de acordo com o médico Felipe Tuon, que acompanhou Sônia, contribuiu para a disbiose — o desequilíbrio de bactérias na flora intestinal.

Sem apetite e perdendo peso continuamente, ela foi internada no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, no Paraná — um dos hospitais universitários que pesquisam transplante de fezes atualmente no Brasil.

"Passei 63 dias internada, foi um período muito difícil. Os médicos encontraram várias úlceras [feridas] no meu intestino. Quando descreveram isso, fiquei com medo de ter câncer. Mas, depois de alguns exames, constataram que era essa bactéria que estava causando os danos."

Quando escutou do médico a recomendação de um transplante de fezes, Sônia pensou que se tratava de uma brincadeira.

"Eu dei risada, mas ele logo me disse que era sério, e depois acrescentou de forma bem humorada: 'É um transplante de cocô mesmo. A senhora topa fazer?' E eu não pensei duas vezes. Disse que se fosse para o meu bem, toparia, sim."

'Quando ouviu a recomendação de transplante de fezes, Sônia pensou que se tratava de uma brincadeira'

Como funciona o transplante de fezes

Também chamado de transplante de microbiota fecal, o procedimento é simples e tem como objetivo transferir bactérias intestinais de um doador saudável para uma pessoa que está com a flora danificada.

O primeiro trabalho descrevendo esse procedimento foi feito em 1958, mas, no Brasil, o transplante de fezes aconteceu pela primeira vez apenas em 2013.

Apesar do nome sugestivo, não são literalmente fezes que são colocadas no paciente doente.

O bolo fecal passa por um procedimento para separar as bactérias "boas", que são os microorganismos presentes no organismo humano que exercem papéis positivos, como ajudar na digestão, fortalecer o sistema imunológico, produzir vitaminas essenciais, competir com bactérias prejudiciais e manter o equilíbrio do microbioma.

Depois, o conteúdo pode ser injetado como pó, após passar por processo de desidratação, ou líquido, a forma mais utilizada, que precisa ser armazenada em um ultrafreezer (-80°C), o que garante a sua viabilidade por cerca de quatro meses.

'Técnica separa bactérias dos resíduos alimentares'

O procedimento é similar à colonoscopia, exame que analisa o intestino grosso.

Depois de tomar um remédio contra diarreia e ser sedado, o paciente recebe uma injeção do transplante da amostra fecal no cólon através de um tubo de colonoscopia.

"O remédio contra a diarreia segura as bactérias saudáveis no organismo, o que aumenta as chances de se proliferarem e auxiliarem no tratamento", explica o infectologista Felipe Tuon, responsável pelo projeto no Hospital Universitário Cajuru.

Para Sônia, o transplante foi um sucesso. "Em dez dias não tive mais diarreias, pude parar de usar fraldas e voltar a sair de casa", conta.

De acordo com Tuon, entre os 30 pacientes que já foram atendidos gratuitamente pelo projeto, 27 tiveram sucesso na cura dos quadros.

"Como pesquisador, embora seja empolgado por trazer benefícios, às vezes sou bastante cético", diz o médico. "E é também por isso que o transplante surpreende tanto: realmente os pacientes apresentam uma resposta maravilhosa, muitos cessam a diarreia em 24 horas. Além disso, o procedimento evita necessidade de cirurgia, tempo prolongado de internação e infecções por bactérias multirresistentes."

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), outra que oferece transplantes de fezes dentro de um protocolo de pesquisa feito no hospital universitário, a taxa de sucesso também é alta: 11 dos 12 pacientes que passaram pelo procedimento tiveram resultados satisfatórios, segundo informou a instituição à BBC News Brasil.

Com a triagem correta do material fecal, o procedimento é considerado seguro e bem tolerado pelo organismo humano. Os possíveis efeitos colaterais são leves, incluindo dores abdominais, desconforto gástrico, inchaço, constipação e diarreia.

Embora rara, há a possibilidade de transmissão de doenças entre o doador e o receptor - ou pela falta de triagem adequada ou por quadros que não foram identificados nos testes de triagem.

Anvisa estuda regulamentar a técnica

Em 2022, locais como Reino Unido, Estados Unidos e Austrália receberam a aprovação dos órgãos reguladores de saúde locais para realizar o transplante fecal como opção oficial de tratamento contra infecções recorrentes por superbactérias.

"Nos Estados Unidos, inclusive, já estão mais avançados: a FDA [órgão regulador equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil, a Anvisa] aprovou dois comprimidos diferentes que funcionam como transplante de microbiota por via oral", explica Eduardo Vilela, gastroenterologista e coordenador do Centro da UFMG.

Por enquanto, a indicação do uso é para casos como o de Sônia, pela bactéria Clostridium difficile. Mas há estudos em curso para avaliar se a técnica pode ser efetiva para doenças como Síndrome do Intestino Irritável e Doença de Crohn.

Já no Brasil, a técnica ainda não foi aprovada e regulamentada pela Anvisa e, por isso, não pode ser amplamente oferecida em hospitais.

As universidades que oferecem o procedimento estão dentro de um protocolo de pesquisa aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa — e devem seguir as regras estipuladas no projeto autorizado.

A Anvisa afirmou à BBC News Brasil que recebeu recentemente um pedido de "enquadramento regulatório" para este tipo de tratamento.

"O ‘enquadramento regulatório’ define qual o caminho de regularização necessário para uma nova tecnologia", informou a agência.

"No momento, os técnicos estudam o assunto e buscam informações em agências internacionais de referência."

O infectologista Felipe Tuon considera que a história do transplante de fezes está "apenas começando" no Brasil.

"Ainda é um desafio sem uma legislação específica, mas estamos trabalhando nesse sentido, para que o procedimento seja regulado e que possa ser inspecionado pelos órgãos fiscalizadores, garantindo a segurança para os pacientes", afirma.

'A bactéria Clostridioides Difficile, que causou o problema de saúde de Sônia, está presente no organismo de qualquer pessoa'

Banco de fezes

Dentro de seus projetos de pesquisa, tanto o Hospital Universitário Cajuru quanto a UFMG, que atende por meio do Hospital das Clínicas, tentam construir bancos de fezes — locais de estoque de material fecal de doadores saudáveis.

“É uma forma de facilitar a oferta para os pacientes que atendemos, e nossa ideia é expandir para oferecer material não só para a nossa instituição, mas também para fora”, afirma Tuon.

Atualmente, os grupos de pesquisadores enfrentam o desafio de encontrar doadores.

"A triagem é extremamente rigorosa, mais exigente que um transplante de órgão. É feita uma entrevista e uma série de exames de sangue e de fezes para garantir que não ocorra nenhuma transmissão de infecção viral, bacteriana, fúngica ou parasitária", detalha o médico do Hospital Universitário Cajuru.

Eduardo Vilela, coordenador do projeto da UFMG, complementa que os critérios clínicos incluem não ter doença crônica ou em curso e não usar medicamentos de uso contínuo, não ter sofrido infecção gastrointestinal nos últimos seis meses e ter boa saúde cardiovascular.

O candidato passa por uma bateria completa de exames, com vários testes sanguíneos para detectar possíveis infecções transmissíveis, além de avaliação clínica e laboratorial.

Por fim, seu material fecal passa por testes moleculares que visam detectar patógenos que não estão causando nenhum sintoma naquela pessoa, mas podem vir a causar no receptor.

"Já avaliamos mais de 170 doadores, e só 6 cumpriram todos os requisitos necessários", diz Vilela.

"Conseguir um material biológico perfeito é uma preocupação muito grande, já que a segurança é essencial para quem vai passar pelo transplante."

No Brasil, poucos centros contam com iniciativas semelhantes, e as doações acabam sendo realizadas conforme a demanda.

Por ser uma técnica ainda não regulamentada, se há alguém com indicação de transplante de fezes internado em um hospital, o procedimento pode ser realizado com o consentimento do paciente, que assina um termo.

"Como não há banco de fezes nos hospitais, eles chamam um familiar que passa por toda a triagem", explica Tuon. "É um processo complicado de se fazer dessa forma individual, porque a pessoa tem que coletar imediatamente, analisar esse material, e o outro paciente tem que estar preparado para fazer o transplante. E ainda há chances de não ser um material biológico ideal."

BBC Brasil

Lula tenta preservar o antibolsonarismo para manter acesa a polarização em 2026

Publicado em 16 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

A carta do velho mestre (Lula) ao Congresso da UNE - Pensar Piauí

Para variar, Lula fez sucesso entre os militantes da UNE

Bruno Bhogossian
Folha de S. Paulo

Nas últimas semanas, Lula chamou Jair Bolsonaro de titica, gângster, genocida, golpista, insano e outros insultos. Dias atrás, o petista foi ao congresso da UNE e disse que os quatro anos do antecessor foram uma amostra do fascismo e do nazismo.

Lula anda com a imagem do ex-presidente no bolso. O petista mantém a artilharia contra Bolsonaro em palanques, eventos oficiais e entrevistas. Lança críticas diante de plateias dispostas a fazer coro, como estudantes e integrantes do MST, e tenta salgar terrenos em torno de empresários e governantes estrangeiros.

USO ELEITORAL – Bolsonaro está fora das próximas eleições, mas Lula quer preservar o antibolsonarismo como força e medir seus efeitos no próximo ciclo.

A rejeição a Bolsonaro ajudou Lula a alcançar uma maioria em 2022. Derrotar o capitão e barrar o sonho golpista renovaram o fôlego da militância de esquerda, atraíram eleitores distantes do PT e forjaram uma rede ampla de defesa da democracia.

A intensidade do antibolsonarismo foi proporcional à ameaça que o então presidente representava. Mas o ponteiro se mexe com o passar do tempo, a inelegibilidade determinada pelo TSE e os planos da direita.

DIZ A MAIORIA -Ninguém deveria precisar da ajuda de Lula para julgar Bolsonaro, mas o petista reage a um processo natural de decantação. O Datafolha mostrou em junho que 57% dos brasileiros consideram que o governo do ex-presidente trouxe benefícios para o país (metade dos mais pobres e 64% dos brasileiros na faixa intermediária de renda pensam assim).

Além de refrescar a memória do eleitor, Lula quer testar a capacidade de transferência da rejeição de Bolsonaro para seus afilhados. Numa cerimônia do governo no início do mês, o presidente cobrou pressa na conclusão de uma obra e alertou para o risco de “outra coisa ruim voltar” após o fim de seu mandato.

Mesmo com a inelegibilidade, o antibolsonarismo é inevitável porque a direita depende de Bolsonaro em cena. Além da lembrança do capitão, seu alcance também será determinado pelo desempenho de Lula.

 

 

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