domingo, maio 14, 2023

Vanguarda do atraso




Lula deve mirar Boric: direita já percebeu a avenida aberta adiante

Por Dora Kramer (foto)

O chileno Gabriel Boric errou ao embarcar na canoa do entusiasmo esquerdista de tentar impor suas pautas na proposta de nova Constituição. O presidente foi derrotado no referendo de setembro passado, e oito meses depois a extrema direita ganhou maioria e poder de veto no conselho constituinte.

O que isso tem a ver com a política brasileira na forma como vem andando nossa claudicante carruagem? Pode vir a ter muito se o governo insistir em manter o pisca-pisca ligado à esquerda. Mas a referência pode se mostrar indevida caso Luiz Inácio da Silva se renda às evidências.

A principal delas é que o presidente está conseguindo, como Boric, o efeito contrário. Faz de Arthur Lira porta-voz do avanço enquanto se coloca involuntariamente no contraponto como arauto do atraso. A cena está fora de esquadro.

Político de identificação conservadora no comando de um colegiado do mesmo perfil, o presidente da Câmara se posta na condição de barreira a "retrocessos". Um progressista, pois. Já Lula se ocupa de uma agenda regressiva ao tentar desconstruir o que foi bem construído.

No lugar de andar para a frente, Lula prefere olhar para trás. Por que perder tempo em espremer até o bagaço a laranja de Bolsonaro que, sozinha, vai cair do galho? Por que rever atos legalmente perfeitos do Parlamento? Por que atuar contra normas de boas condutas nas estatais?

Lula radicaliza de um lado, afasta o centro essencial na eleição dele e dá espaço para que os tipos desmoralizados no 8 de janeiro radicalizem de outro.

A direita civilizada, por assim dizer, já percebeu a avenida aberta adiante e se anima a transitar por ela, desistindo de aderir ao presidente como ocorrido nos mandatos anteriores do petista.

Sem correção no rumo não há distribuição de emendas nem boa vontade do Supremo que dê jeito. Disso darão notícia as urnas de 2024.

Folha de São Paulo

Fezes e urina humanas: a volta de um recurso precioso




A partir do século 19, agricultores abandonaram adubos naturais em favor da química

Na Antiguidade, dejetos eram base de uma economia circular. Projetos por todo o mundo exploram esse potencial. Para eles, fazer cocô e xixi em água potável desperdiçando esses recursos é um luxo sem sentido nem futuro.

Por Bilkis Lawal

Ao longo de um ano, o ser humano médio produz cerca de 500 quilos de urina e 50 quilos de fezes. Multiplicado por 8 bilhões, isso resulta em imensas montanhas de cocô e rios de xixi. A maior parte é, naturalmente, eliminada, porém em vários pontos do mundo surgem projetos visando acabar com esse desperdício de matéria orgânica.

Num deles, pesquisadores do Laboratório Água, Meio Ambiente e Sistemas Urbanos (Leesu, na sigla em francês), nas proximidades de Paris, empregam urina humana para fertilizar plantações de trigo, com resultados positivos.

Os agricultores consideram as safras comparáveis às produzidas com fertilizantes sintéticos, os quais são ou baseados em fosfatos ou envolvem em sua fabricação gás natural, um combustível fóssil poluente. Além de produzir pegadas carbônicas menores, adubos provenientes de dejetos fornecem matéria orgânica que melhora a qualidade do solo.

No entanto, por melhores que os excrementos processados sejam para o meio ambiente, comer alimentos cultivados com cocô ou mesmo xixi humanos é para muitos uma ideia difícil de engolir. Ou será excesso de suscetibilidade?

Cocô na agricultura não é nada novo

As civilizações antigas sabiam do valor dos excrementos, fonte de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, que contribuem para o crescimento e a saúde das plantas.

Em seu livro The other dark matter (A outra matéria escura), a jornalista científica Lina Zeldovich conta como, no Japão dos séculos 17 a 19, vendia-se shimogoe, ou "terra noturna", que era processada em adubo para melhorar os terrenos rochosos menos férteis.

Na China, o cocô dos ricos custava mais, pois sua dieta mais rica em nutrientes resultava num produto superior. Na Mesoamérica, os chinampa, os jardins flutuantes da era maia, eram abundantemente fertilizados com fezes.

No século 19, porém, a situação começou a mudar, registra Zeldovich: esgotos modernos e fertilizantes sintéticos perturbaram a estrutura cíclica da natureza: "Quando começamos com a lavoura e a vida em cidades, criamos esse problema realmente interessante: cultivamos a comida em certos lugares, aí a transportamos e consumimos em outros."

Assim, ao invés de retornar aos campos locais, os nutrientes vão parar nas estações de tratamento de esgoto ou nos corpos aquáticos próximos. Uma péssima má notícia, se essas substâncias acabam indo alimentar pragas de algas nos lagos e rios, ameaçando peixes e flora aquática.

O problema é grave nos Estados Unidos continentais, por exemplo, onde cerca de 65% de todos os estuários e águas litorâneas de 48 estados estão degradados por nitrogênio e outros nutrientes originários de sistemas sépticos imperfeitos e da fertilização para a agricultura.

Urinando e defecando por uma economia circular

Os experimentos nos subúrbios de Paris não são o único exemplo de um bom uso do que humanos defecam e urinam: iniciativas semelhantes estão em curso desde a América do Norte até a África.

O Rich Earth Institute, uma organização de pesquisa do estado americano de Vermont, mantém um programa comunitário no qual 180 cidadãos doaram sua urina para a lavoura em 2021. Num projeto semelhante de economia circular, a sueca Sanitation 360 também transforma urina em fertilizantes secos.

No Quênia, a startup Sanivation leva a ideia ainda mais adiante, ao produzir combustível para cozinha e indústria a partir de dejetos sólidos, como alternativa ao carvão oriundo do corte de árvores. Com clientes nos setores de manufatura, processamento de laticínios e têxteis, ela já vendeu 2 mil toneladas de briquetes feitos com fezes.

No entanto, falta infraestrutura para gerir grandes volumes de dejetos, aponta Colin McFarlane, professor de saneamento urbano da Universidade Durham, na Inglaterra: "Ainda não chegamos perto de abarcar as possibilidades de ter as excreções humanas como um recurso", e seria necessário incorporar todas as soluções possíveis de reciclagem e gestão, sugere.

Cocô e xixi: um problema de imagem

Outra dificuldade está na aceitação pública: pesquisas confirmam a existência de barreiras tanto culturais quanto psicológicas impedindo uma maior difusão da reciclagem de excrementos.

No Gana, por exemplo, coprofobia, a aversão às fezes, sobretudo humanas, é difundida, e para muitos o cultivo de comida utilizando essa matéria é visto como anti-higiênico. Por outro lado, um estudo sugeriu que a rejeição é bem menor quando se esclarece que o material fecal é tratado e processado antes de se transformar em fertilizante.

Ressalvas de saúde representam outra barreira para o adubo de dejetos humanos, que muitos percebem como insalubre e portador de patógenos. De fato: constatou-se em estudos que fertilizantes indevidamente tratados podem resultar na ingestão de vermes nocivos.

Porém Jojo Casanova-Linder, cofundador da companhia suíça Kompotoi, tranquiliza: em seus toaletes de compostagem, as fezes são expostas a alta temperatura, que mata as bactérias, e levam 12 semanas para virar adubo. A parte líquida, por sua vez, é destilada em concentrados a serem aplicados diluídos em água.

Até agora a Kompotoi vendeu cerca de 300 toaletes, principalmente na Suíça, e o empresário já conta que será necessário algum tempo até o processo se tornar mainstream. Mas talvez não seja o caso de ter pressa: "A questão é por quanto tempo vamos poder nos dar ao luxo de fazer cocô em água potável e não recuperar os recursos", adverte Casanova-Linder.

Deutsche Welle

Militares do Alto Comando sentem saudades de Bolsonaro e expressam preocupação com o governo Lula




Retaliações do governo Lula e declarações de Janja sobre o dispensar militares geraram revoltas na caserna

No cenário político atual, com as recentes mudanças de governo, uma voz anônima do meio militar revelou a crescente saudade dos militares do Alto Comando em relação à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que contorna com a presença de militares em seu governo. Sob condição de anonimato, o militar expressou sua preocupação diante das retaliações do governo Lula e das declarações de Janja, esposa do atual presidente, que sugeriu a substituição dos militares por civis no comando do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

A sugestão de Janja, que gerou discussões acaloradas, dúvidas levantadas entre os oficiais sobre a confiança e respeito que o governo atual dispensa às Forças Armadas. O Alto Comando militar, composto pelos líderes das três forças – Exército, Marinha e Aeronáutica –, manifestou seu descontentamento diante dessas declarações e das prisões ocorridas de militares durante a atual gestão. Esses eventos têm sido a gota d’água para os oficiais, que estão começando a sentir falta do estilo de liderança do ex-presidente Bolsonaro.

Durante o mandato de Bolsonaro, militares ocuparam cargos importantes no governo, incluindo ministérios e secretarias estratégicas, o que estabeleceu uma relação de proximidade e confiança entre o governo e as Forças Armadas. O ex-presidente sempre enfatizou a importância de ter militares em seu governo, ressaltando a disciplina, a competência e a competência técnica como atributos valiosos para o desenvolvimento do país.

No entanto, desde a posse do governo Lula, surgiram atritos e tensões entre o poder civil e militar. O clima de internação e as prisões de militares geraram insegurança entre os oficiais do Alto Comando, que consideram essas ações como um menosprezo à sua contribuição para a nação. Essa falta de reconhecimento tem despertado a saudade de tempos em que o “Capitão” Bolsonaro liderava o país.

É importante ressaltar que as Forças Armadas desempenham um papel crucial na defesa e na segurança nacional, além de participarem de diversas atividades em apoio à sociedade. A presença de militares em posições de destaque no governo anterior foi um reflexo desse reconhecimento e valorização. O próprio ex presidente Bolsonaro (Capitão), ex ministro da infraestrutura Tarcísio de Freitas (Capitão) o ex vice presidente General Mourão são exemplos do antigo governo.

O sentimento de saudade entre os militares do Alto Comando em relação ao governo Bolsonaro deve ser visto como um alerta para as autoridades atuais. É fundamental que o governo atual busque uma relação de respeito e diálogo com as Forças Armadas, levando em consideração suas experiências e contribuições no processo de tomada de decisões.

A estabilidade e a confiança entre as esferas civil e militar são pilares essenciais para o desenvolvimento e a segurança do país.

Hora Brasília / DefesaNet

O país do dia seguinte




Nosso desafio civilizatório? Não há dúvida: o fim da pobreza. 

Por Fernando Schüler* (foto)

O Barão de Cotegipe reclamou dos “direitos adquiridos”, fez um estranho apelo “humanitário”, em favor dos cativos, disse que o projeto levaria a uma crise medonha no país e, já vencido, teria feito a famosa má-criação à princesa Isabel: “Redimiu uma raça, mas perdeu o trono”. Não conheço melhor síntese de nosso reacionarismo. Nosso antirreformismo atávico e seus resmungos, naquele domingo quente da abolição. Do outro lado da arena, quem soube capturar a grandeza do momento foi Joaquim Nabuco. Ele havia discursado, no dia 7 de maio, pedindo um “armistício” entre os partidos e “o mesmo apoio que o país deu a Bonifácio na véspera da independência”. Na tribuna foi um leão. Comandou o bloco abolicionista, e foi dele o pedido de urgência para colocar o projeto em votação na Câmara. Vitória por 87 contra 9. No Senado, a mesma coisa. No Paço Imperial, Isabel assinou a Lei Áurea e foi saudar a multidão. Foi o instante em que Nabuco obteve sua recompensa. “Estamos reconciliados?”, perguntou-lhe a regente. Nabuco beijou-lhe a mão, numa reverencia silenciosa.

O domingo foi de glória, mas também de vergonha. Vergonha do país pária, naquele triste fim de século XIX, um dos últimos a abolir a escravatura. A campanha abolicionista já vinha de uma década. Nabuco fez um cálculo constrangedor, mostrando que, mantidas as regras da Lei do Ventre Livre, ainda teríamos escravos e “ingênuos”, ou “escravos provisórios”, nascidos depois de 1871, até por volta de 1930. Tudo deveria terminar sem fazer trauma, como queria o senador Saraiva. Com a “cautela” que um assunto melindroso daqueles exigia.

Vai daí a importância de lembrar de Nabuco e seu “radicalismo”. Sua “traição” à elite agrária, de onde veio, em nome de uma causa. Aquilo que Weber chama de “a vocação da política”, feita da paixão temperada pelo senso de responsabilidade. Dias atrás me lembrei dele quando entrevistava um tipo poderoso da política atual. Durante uma hora e tanto, tentei tirar dele alguma convicção. Uminha que fosse. Não consegui. Daí resolvi escrever esta crônica. Me dizem que ninguém dá muita bola para a nossa história, e desconfio que isso seja verdade. Mas resolvi arriscar.

A paixão de Nabuco foi a abolição. Em 1880, fundou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, com André Rebouças, o engenheiro negro, tipo genial, responsável por obras como a estrada de ferro Curitiba-­Paranaguá, que seria, junto com José do Patrocínio e Luís Gama, figura central da campanha abolicionista. O movimento é que “permitiu se falar, pela primeira vez, em algo parecido com uma opinião pública, no Brasil”, como definiu José Murilo de Carvalho. Perfeito. Vou mais longe: em algo parecido com uma sociedade civil, capaz de influenciar o mundo político. A “questão servil”, dizia Nabuco, “não será resolvida sem os fazendeiros, mas também não apenas pelos fazendeiros”. E que o Brasil era “alguma coisa mais do que um grande mercado de café”. A verdade é que Nabuco soube ser minoria, quando era preciso ser minoria, numa lição por vezes pouco compreendida na história. Em 1883, escreveu O Abolicionismo, um livro que deveria ser lido por aí, nas escolas e universidades, se é que ainda se lê alguma coisa. Entendeu que era preciso pressão internacional. Que o país deveria passar vergonha, a mesma conclusão a que chegou Frederick Douglass, nos Estados Unidos. Fez uma aliança com a Anti-­Slavery Society, de Londres, foi recebido por Gladstone, em Londres, e, numa de suas últimas cartadas, já em 1887, foi ao papa Leão XIII pedir apoio para convencer nossa carola Isabel a tomar de vez a inciativa da abolição. O que ela de fato faria, logo em seguida.

O Abolicionismo é um texto que dói. Seu inventário do Brasil, naquele final do império, é devastador. Mostra como a escravidão criou um país de extremos, sem “classes médias que fazem a força das nações”, feito de senhores e “proletários”. Um sistema que deixou a pior das heranças: o preconceito contra o trabalho. A ideia perversa de que a nobreza não reside no trabalho, mas “em fazer trabalhar”. Não há ingenuidade em sua visão. A emancipação dos escravos, diz, “não é o fim, mas o começo” do desafio brasileiro. Seu problema era com a “obra da escravidão”, que por muito tempo nos definiria como país. Daí sua pregação modernizadora. Seria preciso dar terra e educação aos libertos e apoiar amplamente a imigração. Nas questões públicas, foi um enfático defensor do rigor fiscal, crítico precoce da “epidemia do funcionalismo público” e do Estado que “intervém em tudo que é particular”, ao invés de cuidar da “proteção da vida, da segurança e da liberdade dos contratos”. Quando Henry George lançou o best-seller Progresso e Pobreza, Nabuco foi claro sobre como pensava. Criticou a ideia de nacionalização de bens produtivos, que só faria crescer o tamanho do Estado e alimentar uma “classe de parasitas”. Seu problema era a produtividade. Ele fala com entusiasmo sobre a revolução produtiva nos estados americanos do Sul com o fim da escravidão, após a Guerra Civil, e em poucos anos viveram a revolução do trabalho livre, onde “se produz um fardo de algodão por jeira e não em cinco ou seis”, como no antigo modelo. Na sua utopia, o Brasil deveria seguir o caminho da Austrália ou do Canadá, e sua visão da igualdade vinha da inspiração inglesa. Do país onde “o duque de Westminster, diante do juiz, é igual ao mais humilde de sua criadagem”. Se há um fio tênue que traça a história de um liberalismo brasileiro, Nabuco tem ali o seu lugar.

Nabuco sugeriu que o país deveria fazer a abolição e passar uma régua sobre toda aquela desgraça. De modo que “não ficasse sinal disso tudo”, inclusive nos feitos do abolicionismo. Nisso, errou. O 13 de Maio está aí, vivo, no que ele tem de melhor e pior, e diz muito sobre quem nós somos. Em primeiro lugar, o país da modorra, que alimentou até a undécima hora a fantasia de que era possível terminar “naturalmente” com a escravidão. Que a “morte resolveria o problema”, quando se fosse o último escravo nascido por volta de 1870. Em segundo, o país reacionário, bem representado nos resmungos de Cotegipe sobre os “direitos adquiridos” e cínico “bem-estar” dos cativos. Lembrar dessas coisas é como um tapa na cara. Hoje não temos a escravidão, mas sua “obra” continua aí, a nos assombrar. Nosso desafio civilizatório? Não me parece haver dúvidas: o fim da pobreza. Depois da liberdade formal, a liberdade substantiva. Foi a visão de Martin Luther King após a vitória dos direitos civis, nos anos 60.

Quando vejo hoje em dia o apartheid silencioso no sistema educacional, nos 55 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, em sua ampla maioria negros, não é difícil perceber o acerto de Nabuco intuindo que aquele dia 13 de maio seria apenas o começo. Quando vejo o país repetir os velhos erros, procrastinar e mesmo recuar de reformas essenciais nos dias que correm, percebo que o abolicionismo ainda é um horizonte aberto e quanto o “dia seguinte” ainda pode ser longo, no Brasil.

*Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

Revista Veja

Tudo anulado




A anulação de condenações só esbarra num tipo de obstáculo. Quando há algo muito evidente, um rastro impossível de apagar

Por Carlos Alberto Sardenberg (foto)

Agora que o Judiciário está numa onda de anular sentenças da Lava-Jato, em especial, e de processos de corrupção, em geral, o ex-senador Fernando Collor enfrenta no STF um julgamento na direção contrária. Na próxima semana, o Supremo retoma a análise de um caso que vem lá da Lava-Jato, um subpetrolão, em que Collor é acusado de receber propinas em contratos da BR Distribuidora de 2010 a 2014.

A defesa alega inocência. O relator, ministro Edson Fachin, ainda não votou, mas deu sinais de que condenará o ex-senador, por receber e lavar cerca de R$ 26 milhões. E lavar em carros de luxo — Ferrari, Lamborghini, Bentley, Land Rover e Porsche —, casa e obras de arte. Os carros chegaram a ser apreendidos — o processo vem de 2017 —, mas já foram devolvidos.

Continuam, entretanto, sendo um problema para Collor. O atual movimento de anulação de condenações só esbarra num tipo de obstáculo. Ocorre quando há algo muito evidente, um rastro impossível de apagar.

Lembram-se das fotos mostrando malas e caixas de papelão abarrotadas de dinheiro no bunker de Geddel Vieira Lima, em Salvador? Somavam nada menos que R$ 51 milhões. Geddel foi condenado a 14 anos, cumpriu quatro, ganhou liberdade condicional, a condenação foi anulada, ele voltou à política, mas continua um réu condenado. Questão: o que fazer com aquela montanha de dinheiro?

Sérgio Cabral já está solto, a Lava-Jato do Rio foi desmontada, sentenças vêm sendo anuladas, mas tem problema: o ex-governador confessou e, pior, devolveu dinheiro. Uma casa foi leiloada, e o estado embolsou quase R$ 7 milhões. Se for tudo anulado, o que se faz? Devolve-se tudo para Cabral?

Há outro caso importante e pendente no STF: a ação penal contra o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, por suspeita de corrupção passiva. Aceita em 2019, a ação está parada desde novembro de 2020, quando o ministro Dias Toffoli pediu vista. Pelas novas regras da Corte, o processo deverá voltar à pauta até junho.

O caso, visto hoje, é fraco. Começa quando um ex-assessor parlamentar foi pego transportando pouco mais de R$ 106 mil em dinheiro vivo. O montante deveria ter sido entregue a Lira, diz a acusação. O dinheiro existe, mas seu destino fica na condicional, deveria... teria... Tanto nos meios políticos quanto jurídicos, se dá como praticamente certo que o processo será anulado. A defesa pede exatamente isso, anulação pela circunstância de o caso ter sido levantado em delação premiada.

Sem qualquer juízo de valor sobre este processo — problema do STF —, as delações, prática desenvolvida com a Lava -Jato, estão hoje em desuso. Os métodos da Lava-Jato foram desmoralizados com o fracasso da operação. O “ativismo jurídico” de promotores e juízes da Lava-Jato deu lugar à ênfase no “devido processo legal”. É evidente que, numa democracia de verdade, todo mundo deve ser julgado conforme as regras sagradas do Direito.

Mas resta um problema: como essas regras e normas são praticadas? Como é possível que se passe de uma onda de processos contra corrupção, com tantos casos evidentes, para uma onda de anulações, com base no devido processo legal? Dá uma impressão estranha. Parece que, se não nas normas, na prática o Direito Penal brasileiro tem favorecido uma situação bastante frequente. São os processos que acabam assim: o réu não é nem culpado nem inocente, simplesmente seu caso é anulado ou prescrito.

Acrescente-se outra circunstância: juízes de diversas instâncias mudando radicalmente de opinião, da punição à anulação. Sim, quando os fatos mudam, as interpretações também mudam. Tanto assim?

Dizem: havia muitos inocentes processados indevidamente. Certo. Mas também deve haver muitos culpados que se safaram nesse ambiente, não é mesmo?

Quando grandes empresários começaram a ser apanhados, um deles, do setor financeiro, advertiu numa reunião de diretoria:

— Cuidado, porque agora todos podem ser presos.

E acabou detido.

Está solto, também.

O Globo

Lula está atrapalhando o governo - Editorial




Em menos de cinco meses no cargo, o petista destratou o agronegócio, desrespeitou o BC e desmoralizou decisões do Congresso. Assim fica mais difícil arranjar apoio ao governo

É ocioso esperar que o sr. Lula da Silva desça do palanque e, enfim, saia do “modo eleição” e entre em “modo governo”, vale dizer, que fale e aja com um tanto mais de responsabilidade. Se isso acontecesse, estar-se-ia diante de um fenômeno tão espantoso como o nascer do Sol a oeste. Mas o presidente da República poderia ao menos tentar conter a sua natureza de eterno candidato e se comportar como o chefe de Estado e de governo que carrega sobre os ombros o peso de conduzir um país com 215 milhões de habitantes e problemas extremamente complexos a serem resolvidos. Se não por vontade genuína, por interesse político. Lula precisa conquistar apoios na sociedade e articular uma base congressual sólida que hoje, definitivamente, ele não tem.

Boquirroto, desagregador e por vezes arrogante, Lula tem se comportado como se tivesse vencido a eleição por uma margem confortável de votos. Não que o placar final do pleito importe para sua legitimidade no cargo – afinal, ganhar por diferença de um voto ou de 10 milhões de votos é rigorosamente a mesma coisa. A questão é que Lula é incapaz de compreender que, para governar bem o Brasil, precisa, necessariamente, conquistar o apoio de parcela significativa da sociedade que não faz parte do seu cercadinho ideológico e que só votou no petista para evitar a tragédia que seria a reeleição de Jair Bolsonaro.

O presidente, no entanto, tem agido no sentido de repelir os cidadãos que não se ajoelham no altar da seita que ele lidera, não de atraí-los para um esforço nacional de construção de um discurso de pacificação e de um plano de governo mais moderado e responsável, que seja capaz de recolocar o País nos trilhos do crescimento sustentável e, assim, melhorar as condições de vida da população, sobretudo dos brasileiros que dependem diretamente da ação do Estado para ter uma vida digna.

Num único dia, a quinta-feira passada, a matraca de Lula atacou as privatizações, classificando como “sacanagem” a privatização da Eletrobras, e o agronegócio, chamando de “fascistas” os produtores rurais que não lhe nutrem simpatia. Não são expressões dignas de um presidente da República. Os sabujos petistas podem argumentar que o antecessor de Lula, Jair Bolsonaro, fazia muito pior. Mas, ora vejam, onde está o Lula que, na campanha eleitoral, se apresentou como a antítese da truculência bolsonarista, na tal “frente ampla pela democracia”?

A natureza, já se vê, é implacável. Lula não sabe, e a esta altura não vai aprender mais, como se comportar fora do palanque e longe dos comícios. Tudo o que faz, cada palavra raivosa que pronuncia, tem propósitos eleitoreiros. Na sua eterna disputa por votos, trata como inimigos todos os que ousam não ser vassalos de seu projeto de poder. Nessa conta entram desde os congressistas que aprovaram matérias que Lula despreza até o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que faz valer a autonomia do BC, prevista em lei, para resistir às estocadas petistas contra a prudente política monetária.

Com esse tipo de atitude leviana, Lula se torna o principal responsável pelas agruras por que tem passado o governo nesses meses iniciais. Até o momento, o presidente parece empenhado em fazer um balanço reverso, elencar tudo o que foi feito no País enquanto o PT não esteve no governo e simplesmente destruir. Assim é com a privatização da Eletrobras, com a autonomia do BC, com a Lei das Estatais e até, pasme o leitor, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, sob risco de virar letra morta se o projeto de arcabouço fiscal do governo for aprovado tal como foi apresentado.

Não será animado pelo espírito de revanche que Lula fará deste o “mandato da sua vida”, como não se cansa de dizer. Se quiser arregimentar apoio de quem não reza pela cartilha carcomida do lulopetismo, Lula faria muito bem se falasse menos. Para um país cansado de tanta parolagem irresponsável, que nada produz além de barulho e divisão, seria um alívio. 

O Estado de São Paulo

Como eleição de Trump poderia mudar guerra da Ucrânia




Trump elogiou Putin em várias ocasiões

Por Anthony Zurcher

Ao longo de sua curta mas movimentada carreira política, Donald Trump mostrou uma predisposição para simpatizar com o presidente russo, Vladimir Putin.

Durante uma cúpula Rússia-EUA em 2018 na Finlândia, por exemplo, ele ignorou os serviços de inteligência dos EUA, optando por acreditar na palavra de Putin de que o russo não se intrometeu nas eleições americanas de 2016.

Se Trump voltar à Casa Branca, essa atitude mais positiva em relação à Rússia - que é compartilhada por boa parte da base republicana e por alguns membros do partido no Congresso - provavelmente ressurgirá como uma força motriz na política dos EUA.

Seus comentários em um evento organizado pela CNN nesta semana deram mais argumentos para aqueles que o acusam de ser muito próximo de Putin.

O ex-presidente disse que poderia acabar com a guerra em 24 horas, mas não disse como. Ele se recusou a responder se queria que a Ucrânia vencesse e reclamou do custo da ajuda militar.

"Não temos munição para nós mesmos. Estamos dando muito", disse ele, acusando os países europeus de não contribuírem o suficiente com a Ucrânia.

Embora o Congresso dos EUA tenha aprovado bilhões de dólares em apoio à Ucrânia a serem distribuídos por um período prolongado, como presidente, Trump poderia usar seu poder executivo para desacelerar ou até interromper esse apoio.

Ele fez isso quando era presidente em relação a alguns planos de ajuda militar aprovados pelo Congresso.

Alguns de seus colegas republicanos condenaram prontamente seus comentários, mas é possível – ou mesmo provável – que, se Trump for eleito em novembro de 2024, o apoio dos EUA ao esforço de guerra poderia acabar totalmente.

'Trump criticou apoio militar dos EUA à Ucrânia na guerra contra a Rússia'

No mínimo, o apoio total à Ucrânia que o atual governo dos EUA expressou, juntamente com seus esforços diplomáticos agressivos para manter uma frente unida com os aliados europeus nas sanções à Rússia, muito provavelmente seria bastante diminuído.

No Reino Unido, que está aumentando sua assistência à Ucrânia fornecendo agora mísseis de longo alcance, há preocupações sobre as implicações de uma presidência de Trump.

Se Trump cortar o fornecimento de armas, a guerra terminará do jeito que a Rússia quer, o que seria o pior pesadelo do Ocidente, diz o ex-chefe do serviço secreto britânico Alex Younger.

"Putin não tinha um plano B quando invadiu a Ucrânia, mas esse é agora o seu plano B - esperar."

O apoio público americano à ajuda dos EUA para a Ucrânia caiu desde o início da guerra, e uma pesquisa da Pew Research nesta semana mostrou um aumento no número de americanos que acreditam que seu governo deveria se concentrar mais nos problemas domésticos.

Jeffrey Treistman, professor de segurança nacional da Universidade de New Haven, em Connecticut, diz que não está claro se o fim da ajuda dos EUA encerraria a guerra da noite para o dia - ela ainda pode durar anos ou décadas.

"Os ucranianos mostraram uma determinação incrível para lutar contra os russos e repelir a invasão com um apoio mínimo inicialmente", disse ele.

"Portanto, (a guerra) tem o potencial - mesmo que os EUA parem de fornecer assistência - de continuar e se arrastar no futuro."

Se Kiev está preocupada, essa ansiedade não tem transparecido publicamente.

Um dia depois de Trump fazer seus comentários, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse à BBC que não temia as eleições de 2024 nos EUA.

Minimizando a perspectiva de um relacionamento EUA-Ucrânia mais fraco, ele disse: "Acho que as eleições nos EUA serão daqui a um ano. Quem sabe onde estaremos. Acredito que venceremos até lá. Portanto, veremos."

BBC Brasil

Lamento que os vereadores da oposição não cumpram com o dever de ingressar na Justiça com uma Ação de Improbidade Adminitrativa contra essa baixaria com o dinheiro do povo

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Não queria tomar o tempo de vocês leitores publicando essa baixaria, que autopromove o prefeito as custas do dinheiro do povo, lamento que o Ministério Público ainda não tenha tomado uma providência, como em Jeremoabo as coisas só chegam depois do estrago feito, vamos aguardar.
Não podemos nem devemos calar ou cruzar os braços conforme ensinamento de Matin Luther King em: " O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons."
O prefeito insatisfeito com a esculhambação que é o programa que pratica sua autopromoção dos verereadores da situação e dos secretários, acha pouco e  coloca no ar um ex-padre que com a maior cara de pau tenta zombar da inteligência do povo de Jeremoabo fazendo propaganda graciosa e mentirosa para o prefeito, além de ter a ousadia de chamar o povo de cegos, surdos e mudos porque não vê as boas açõs do prefeito; com isso tenta desviar atenção dos menos esclarecidos a respeito da corrupção que aprodece o município de Jeremoabo.
Esse ex-padre  deveria ter a ética e moral para falar do pedido de prisão do prefeito, do pedido do afastamento do prefeito por improbidade, deveria falar do pecualto com o dinheiro desviado para efetuar reparos nas escolas, aliás que o Ministério Público Estadual já ingressou com uma Ação de Improbidade Administrativa, falar da trambicagem reiterada com laranjas e fantasmas do Transporte Escolar além de outras infinidades da sangria contra o dinheiro público.
Pergunto ao ex-padre será que o prefeito está usando o programa para informar ao povo a podridão implantada no município de Jeremoabo?
Será que o prefeito usou o programa para informar que o seu sigilo bancário e fiscal está sendo quebrado?
Será que o prefeito comunicou ao povo que abocanhou os empregos da prefeitura para empregar através do nepotismo a sua "famíglia" e do secretários de Obras e Administração?
Que o ex-padre admire e possa ser até adebito da improbidade, corrupção, trambicagem e maracutaia, é um problema dele, questão de gosto e falta de caráter  não se discute; agora querer que o povo acompanhe por esse caminho nefasto, é chamar jesus de genésio.
Falar na fedentina e insegurança do canal, é tentar mais uma vez zombar da inteligência do povo de Jeremoabo; você ex-padre passou ao lado de Tista de Deda defendendo o mesmo com unhas e dentes durante todo tempo em que o mesmo esteve prefeito, porque não denunciou esse fedor e insegurança quando estava mamando nas testas da viúva, inclusive acumulando ilicitamento varios empregos em diversas prefeitura da região?
Pao comido, pão esqeucido.
Se você  ex-padre é eleitor de cabestro não tem o direito de usar uma Rádio Oficial, paga com o dinheiro do povo para anunciar tamanha insensatez, tamanha falta de personalidade.
Você como ex-padre não tem o direito de usar em vão o nome de Deus para praticar Fake News em benefício do prefeito.


Falsa Médica é presa em flagrante em hospital no Nordeste baiano

 

Falsa Médica é presa em flagrante em hospital no Nordeste baiano
Foto: Reprodução / Portal Alerta

Uma mulher, de 35 anos, foi presa ao se passar por médica no Hospital de Cícero Dantas, no Nordeste baiano, nesta sexta-feira (12). Segundo o Portal Alerta, a denúncia tinha partido do município de Macaúbas, no Sudoeste do estado, onde a profissional verdadeira atuava. De posse das informações, os agentes foram ao local e identificaram a suspeita, de nome Laila Ester Gondim Bertunes.

 

A mulher, que confessou o crime, foi levada para a delegacia da cidade. Ela vai responder pelos crimes de exercício ilegal da profissão, falsidade ideológica e uso de documento falso. Em nota, a secretaria de saúde de Cícero Dantas disse que lamenta o ocorrido e que segue “critérios rígidos na conferência” de documentos dos médicos contratados pelo município.

 

O município afirmou ainda que vai ser mais rigoroso nesses exames, “sobre o histórico profissional e pessoal dos profissionais, buscando coibir a ação destes criminosos no município”.

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