sábado, maio 13, 2023

Gastos de Michelle eram pagos em dinheiro vivo, para não “sujar” o cartão corporativo

Publicado em 13 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Busca: Rosimary Cardoso Cordeiro

Michelle usava o cartão de Rosimary, assessora de Damares

Aguirre Talento
Portal UOL

Diálogos entre o então ajudante de ordens do Palácio do Planalto, o tenente-coronel Mauro Cid, e assessoras da gestão de Jair Bolsonaro revelam a existência de uma orientação para o pagamento em dinheiro vivo de despesas da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.

A preocupação de Cid era que a prática fosse caracterizada como um esquema de rachadinha, porque não havia a comprovação da origem dos recursos. As conversas foram realizadas por meio de áudios enviados por um aplicativo de diálogos.

QUEBRA DE SIGILO – As conversas foram interceptadas pela Polícia Federal por meio da quebra de sigilo das comunicações de Mauro Cid, preso no dia 3 de maio por suspeitas de fraudar certificados de vacina da covid-19. O UOL teve acesso com exclusividade à transcrição desses áudios e a outros detalhes inéditos sobre a investigação.

A PF fez uma devassa nas transações financeiras de Mauro Cid e auxiliares do Palácio do Planalto e chegou a indícios da existência de um esquema de desvios de recursos públicos com o objetivo de bancar despesas da primeira-dama Michelle.

De acordo com o relatório de análise da PF, os diálogos revelam a existência de uma “dinâmica sobre os depósitos em dinheiro para as contas de terceiros e a orientação de não deixar registros e impossibilidades de transferências”.

CARTÃO DA AMIGA – A investigação detectou que a primeira-dama Michelle Bolsonaro usava um cartão de crédito vinculado à conta de uma amiga sua, Rosimary Cardoso Cordeiro, que era assessora parlamentar no Senado e hoje trabalha com Damares Alves. Ao realizar quebras de sigilo bancário de Mauro Cid e outros funcionários do Planalto, a PF detectou depósitos em dinheiro vivo para Rosimary com o objetivo de custear as despesas com o cartão de crédito, tentando ocultar a origem dos recursos.

Por isso, duas assessoras da primeira-dama, Cintia Borba Nogueira e Giselle dos Santos Carneiro da Silva, conversaram entre si e com Mauro Cid manifestando preocupação sobre irregularidades no pagamento de despesas de Michelle.

Diante da situação, as assessoras de Michelle queriam convencê-la a parar de usar o cartão de crédito vinculado a sua amiga, mas sem sucesso.

LEIA OS DIÁLOGOS – “Então hoje é essa situação do cartão, realmente é um pouco preocupante. O que eu sugiro para você é o seguinte. No momento que você for despachar com ela, é esse assunto. Você pode falar com ela assim sutilmente, né? (…) Mas eu acho que você poderia falar assim: dona Michelle, que é que a senhora acha da gente fazer um cartão para a senhora? Um cartão independente da Caixa. Pra evitar que a gente fique na dependência da Rosi. E aí a gente pode controlar melhor aqui as contas. (…) Pode alertá-las o seguinte, que isso pode dar problema futuramente, se algum dia, Deus o livre, a imprensa descobre que ela é dependente da Rosi, pode gerar algum problema”, disse Cintia Borba Nogueira (30/10/2020), em áudio enviado a Giselle Carneiro

“Coronel, bom dia. Ontem eu conversei com a senhora Adriana para saber se ela tinha falado com a dona Michelle, né. Ela falou que conversou. Explicou, falou todos os problemas, preocupações, né. (…). Mas então o resultado foi que a dona Michelle ficou pensativa. Segundo a dona Adriana, ficou pensativa, mas que vai continuar com o cartão. E ela falou que tem, tem os comprovantes assim, né? Que esse cartão já era bem antes do presidente ser eleito. Mas de qualquer maneira, a dona Adriana falou que ela ficou pensativa, né? Ontem mesmo já fizemos uma compra, mas foi em outro cartão. Então eu estou vendo que realmente tá sendo de pouco uso o da Caixa. Mas por enquanto é isso. Obrigada, tchau”, afirmou Giselle Carneiro (25/11/2020), em áudio enviado ao tenente-coronel Mauro Cid

DISSE MAURO CID – Após ouvir o relato de Giselle, Mauro Cid afirmou que a situação das despesas da primeira-dama poderia ser alvo de investigações por sua semelhança com um esquema de rachadinha (desvio de recursos públicos) e comparou com o caso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente que foi denunciado sob acusação de peculato pelo Ministério Público do Rio.

Outro detalhe chama sua atenção. Michelle possuía comprovantes de pagamento das despesas, mas não tinha documentos que comprovassem que os recursos teriam saído da sua conta bancária ou da conta de Jair Bolsonaro.

“Giselle, mas ainda não é o ideal isso, não tá? O Cordeiro conversou com ela, tá, também. E ela ficou com a pulga atrás da orelha mesmo; Tá, é? É. É a mesma coisa do Flávio. O problema não é quando! É como deputado, rachadinha, essas coisas”, assinalou Mauro Cid (25/11/2020), em áudio enviado a Giselle

E ACRESCENTOU – “Se ela perguntar pra você ou falar alguma coisa ou comentar, é importante ressaltar com ela que é o comprovante que ela tem. É um comprovante de depósito, é comprovante de pagamento? Não é um comprovante dela pagando nem do presidente pagando. Entendeu? É um comprovante que alguém tá pagando. Tanto que a gente saca o dinheiro e dá pra ela pagar ou sei lá quem paga ali. Então não tem como comprovar que esse dinheiro efetivamente sai da conta do presidente. O Ministério Público, quando pegar isso aí, vai fazer a mesma coisa que fez com o Flávio, vai dizer que tem uma assessora de um senador aliado do presidente, que está dando rachadinha, tá dando a parte do dinheiro para Michelle”, acrescentou Mauro Cid (25/11/2020), em segundo áudio enviado a Giselle.

“E isso sem contar a imprensa que quando a imprensa caiu de pau em cima, vai vender essa narrativa. Pode ser que nunca aconteça? Pode. Mas pode ser que amanhã, um mês, um ano ou quando ele terminar o mandato dele, isso venha à tona”, advertiu Mauro Cid (25/11/2020), em terceiro áudio enviado a Giselle

ESTILO DINHEIRO VIVO – Diversos áudios encontrados pela Polícia Federal deixam clara a sistemática adotada pelos auxiliares do Palácio do Planalto: era proibido pagar despesas com transferências bancárias. O método era o de pagamentos em dinheiro vivo. Para a PF, isso é um indicativo da existência de desvios de recursos públicos para a quitação dessas despesas.

“E sobre as flores da Patrícia Abravanel, ela falou que é para o Cid fazer o pagamento. Mas ele tinha me falado na semana passada que quando for esses pagamentos de terceiros, é pra gente pegar o dinheiro com ele e fazer o pagamento por aqui, tá? Então eu vou pedir para ele para sacar esse dinheiro e peço o Vanderlei para pegar lá para a gente fazer o… Vai ter que ser feito um depósito, né? No número daquela conta que você me passou, tá?”, disse Cintia Borba (4/10/2021), em áudio enviado a Giselle

“Giselle, bom dia! É, é esse, esse pagamento, o coronel tinha passado para a gente, mas eu acho que esse banco digital a gente não consegue fazer pagamento. E transferência nós não podemos fazer. Então vê o que que nós podemos fazer. Se entregamos o dinheiro para vocês. Ou se você tem alguma outra conta, Banco do Brasil, alguma coisa que a gente possa fazer o depósito, tá bom, Giselle? Bom dia aí, obrigado”, afirmou Osmar Crivelatti (8/11/2021), militar subordinado a Mauro Cid na Ajudância de Ordens, em áudio enviado a Giselle

MAIS GRAVAÇÕES – “Boa noite, Vand e Cintía. PD (Primeira-dama) falou, eu perguntei para ela se ela queria transferir Pix, né? Tanto para Bia. Daí, ela falou: não, vamos fazer agora tudo depósito, que aí pede pro Vanderlei fazer o depósito, a gente consegue o dinheiro e faz o depósito. Só que ela não falou como conseguiu o dinheiro, se o dinheiro está com ela, se a gente pega na AJO. Não falou, tá? Ela falou que assim não fica registrado nada, vamos fazer depósito. Então a gente tem que começar a ter esse hábito do depósito, então, né?” acentuou Giselle Carneiro (30/11/2021), em áudio enviado a Cíntia, assessora do Planalto, e a um homem que ele chama de Vanderlei.

Procurado, o advogado de Mauro Cid, Bernardo Fenelon, afirmou que “a defesa técnica, por respeito ao Supremo Tribunal Federal, se manifestará apenas nos autos do processo”. Também procurada, a assessoria da ex-primeira-dama Michelle não respondeu até a publicação desta matéria.

Em nota publicada em rede social, o ex-secretário de Comunicação e advogado Fábio Wajngarten afirmou que não há nada de ilegal nas transações efetuadas. “Conforme já amplamente explicado, os pagamentos de fornecedores informais, pequenos prestadores de serviços, eram feitos em dinheiro afim de proteger dados do presidente. Muitos sequer sabiam que o contratante/tomador dos serviços era a primeira-dama”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Caramba! Além da Rosemary de Lula, que marcava presença no Planalto como segunda-dama internacional, com cartão corporativo e tudo o mais, agora surge outra Rosimary, que não era segunda-dama mas funcionava como tal, ao ceder seu cartão de crédito, que nem corporativo era, para bancar as compras de Michelle Bolsonaro. E la nave va, cada mais fellinianamente. (C.N.)

Polícia Federal investiga depósito de R$ 400 mil na conta do tenente-coronel Mauro Cid

Publicado em 13 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Mauro Cid tentou esconder dinheiro vivo da PF e ficou nervoso no depoimento - Brasil 247

Mauro Cid precisa explicar de onde vem tanto dinheiro

Valdo Cruz
g1 Brasília

A Polícia Federal vai investigar um depósito de R$ 400 mil na conta do tenente-coronel Mauro Cid realizado no ano passado, informação que será incluída nas investigações sobre a suspeita de o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro ter feito algum tipo de lavagem de dinheiro.

O depósito foi feito no dia 25 de março de 2022 e revelado pela revista “Veja”. O blog confirmou a informação com dois investigadores da Polícia Federal.

ACUSAÇÕES DIVERSAS – Procurada pelo blog, a defesa de Cid afirmou que “por respeito ao Supremo Tribunal Federal, todas as manifestações defensivas serão feitas nos autos do processo”.

Cid está preso desde a semana passada. Ele é investigado em operação sobre suposta fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro. Essa investigação começou depois que a PF apreendeu na casa de Mauro Cid as quantias de US$ 35 mil e R$ 16 mil no dia de sua prisão.

O depósito de R$ 400 mil foi detectado em uma outra investigação relacionada a Mauro Cid, de que ele poderia estar bancando pagamentos da família de Bolsonaro, o que ele nega.

OPERAÇÕES ILEGAIS – Agora, diante da apuração de suposta de lavagem de dinheiro, a PF avalia que o depósito de R$ 400 mil pode estar relacionado a operações ilegais.

O responsável pelo depósito é João Norberto Ribeiro, tio da esposa de Mauro Cid, Gabriela Cid. A PF já pediu a quebra do sigilo bancário de Norberto Ribeiro para tentar identificar a origem dos recursos.

A PF, segundo publicado por César Tralli, da TV Globo, encontrou mensagens no celular de Mauro Cid revelando conversas sobre remessas de dinheiro para fora do país. Até agora, a família e advogados de Mauro Cid justificavam o dinheiro apreendido na casa dele, US$ 35 mil e R$ 16 mil, a uma conta que ele tem no exterior na qual recebia pagamentos quando estava em missões no exterior.

PRESO NO DIA 3 – As movimentações são consideradas suspeitas. Mauro Cid foi preso no dia 3 de maio em uma operação da PF que investiga a falsificação de cartões de vacinação contra a Covid.

Segundo o apresentador CésarTralli, os investigadores extraíram trocas de mensagem com o suposto operador da conta que seria do tenente-coronel nos Estados Unidos.

Diz a defesa, a cargo de Bernardo Fenelon e Bruno Buonicore: “Na data de ontem, formalmente assumimos a Defesa Técnica do Coronel Mauro Cid. Adiantamos, ainda, que por respeito ao Supremo Tribunal Federal, todas as manifestações defensivas serão feitas nos autos do processo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A família Cid, incluindo o pai general, o filho tenente-coronel e o filho especialista em informática, tornou-se uma verdadeira mina de ganhar dinheiro. Trata-se de uma nova estirpe de militares nacionalistas que preferem investir e morar no exterior. Somente um dos imóveis comprados por eles na matriz U.S.A. está avaliado em R$ 11 milhões. Na visão da família Cid, o Brasil só serve para ganhar dinheiro, muito dinheiro. 
(C.N.)


TRÁFICO E NEGOCIAÇÃO DE PODER COM O AVAL, OMISSÃO E PERVARICAÇÃO DOS VEREADORSE DA SITUAÇÃO

Nunca pensei que a administração municipal  de Jeremoabo atingisse uma degradação etíca e moral como a que estamos enfrentando, e pior com o aval, a omissão e prevaricação dos vereadores da situação, que devetiam defender o povo  fiscalizando atuação do Executivo;

São cada vez mais surpreendentes os fatos que vêm ocorrendo em nosso município. A cada dia um novo acontecimento deixa a população estarrecida, perplexa. E o pior é que os responsáveis por tudo que ocorre continua rindo da cara da população, com o maior cinismo do mundo.
    Além do caos da saúde pública, da educação, do abastecimento d'água, da segurança, do transporte público, do trânsito, dos buracos que se espalham por todas as ruas e avenidas de nossa cidade, sem que os poderes públicos nada façam, nada digam, nada expliquem,

"Como compreender o papel da moral na harmonização com os costumes? Ainda mais quando na expressão humana cada vez mais se acentua um vazio de valores. Sem perceber, a sociedade está dominada por um impulso destrutivo, vivendo uma situação de frieza e desgaste.

Estamos desaprendendo a medir atitudes. Revela-se, entre nós, um estado de selvageria que despreza o conceito de “sabedoria moral”. A lama da ignorância está nos sufocando. Somos uma sociedade em progressivo processo de robotização. Repetimos e reproduzimos verdades consagradas que não nos interessa em questioná-las. Negamos a nós próprios o exercício da reflexão. Insistimos em prescindir da razão.

Essa decomposição moral não se estabelece somente na individualidade humana, mas também nas instituições, onde observamos a perda de qualquer pudor, qualquer senso de razoabilidade e de respeito. Os falsos moralistas se excedem no cinismo, no escárnio, na falta de escrúpulos e decência. Estão em falta o sentido social e o senso de justiça. Há um esforço de persuasão moral como mecanismo de mudança comportamental.

A crise ética é uma constatação indiscutível. A sociedade está condenada a marchar para o abismo em decorrência da falta de consciência. As pessoas estão como que anestesiadas, pensando unicamente nos seus próprios interesses. É evidente a opção pelo individualismo. É muito triste ver multidões desconectadas com o momento atual em que experimentamos a convivência com uma pandemia sem precedentes na história universal. Pessoas irresponsáveis lideram movimentos de indiferença e insensibilidade com a dor dos outros. São agressores da dignidade, ferindo de morte um dos conceitos principais do que se entende como valor moral. A postura da arrogância e prepotência gerando tragédias.

Entre desalentados e estarrecidos assistimos a tudo isso em estágio de letargia, acostumando-nos com as agressões morais. Não nos assustamos mais com esse roteiro de degradação. Verifica-se a paixão humana pela transgressão. A sociedade se transformando numa verdadeira anarquia. E o que dizermos de como se comportarão as futuras gerações, que tomarão como exemplo esse modo inconsequente de vivermos? (  https://coisasdecajazeiras.com.br/.

A administraçao municipal de Jeremoabo já atingiu o fundo do poço;  chamam governar:Tráfico e  Negociação de Poder - com a canalha!  

 Como é que pode um grupo de vereadores da SITUAÇÃO que se dizem representantes do povo assumir uma atitude tão vergonhosa perante a população?

A soltura de Torres | Mãe que matou os filhos os considerava ‘zumbis’ | Morre ex-participante do 'Big Brother'

 

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Big techs e bolsonaristas do mesmo lado

 

Laura da Agência Pública aliados@apublica.org Cancelar inscrição

13:01 (há 1 hora)
para mim


Eu mal havia saído da Câmara dos Deputados quando um militante do Movimento Brasil Livre, o MBL, me interpelou. “É assessora parlamentar?”, perguntou, estendendo um folheto. Eu respondi que não, que era jornalista, mas peguei mesmo assim o pequeno pedaço de papel que ele me oferecia. Era 2 de maio e o Congresso estava especialmente agitado naquele dia, já que mais tarde seria votado o Projeto de Lei 2630, conhecido como “PL das Fake News”.

O folheto era todo em preto, vermelho e branco. Na frente, uma imagem estilizada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um microfone na mão e uma língua grande e afiada, meio diabólica. A estrela vermelha do PT estava desenhada atrás da cabeça do presidente e apareciam ainda os logos de algumas plataformas de redes sociais, como Facebook, Instagram, Tiktok e Twitter. A hashtag #PLdaCensuraNÃO, ocupava metade da página. 

Do lado de trás do panfleto, seis pontos se propunham a resumir o projeto de lei e explicar por que ele não deveria ser aprovado. O texto dizia, por exemplo, que o projeto estimularia a censura, criaria um “Ministério da Verdade”, e poderia gerar até a suspensão do acesso à internet no Brasil. Eu, que já havia feito matérias sobre o assunto e acompanhei a evolução do projeto, sabia que nada daquilo era verdade. Mas não posso negar que a campanha poderia ser bem sucedida —  note que o alvo dos militantes eram os assessores parlamentares, que têm contato direto com os deputados que mais tarde votariam o projeto.  

Em um mundo em que tudo é cada vez mais digital, tenho certeza que nem eu nem você queremos que a nossa internet seja suspensa. Recheado de mentiras, o panfleto tentava e conseguia assustar. Logo percebi que toda aquela narrativa era parte de uma campanha de boicote que foi organizada pela extrema-direita contra o PL 2630, como mostramos em reportagem recente. 

Continuei meu caminho, almocei, e voltei para a Câmara. No corredor das comissões, no salão verde, em todo lugar, só se falava em PL das Fake News. Bolsonaristas como Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis e Gustavo Gayer, por exemplo, fizeram discursos contra o projeto naquele dia. E, sinto dizer, parecia que as mentiras estavam ganhando o debate.

Algumas horas depois, encontrei novamente os militantes do MBL, mas agora dentro da Câmara. Uma faixa separava os militantes de um outro grupo de pessoas favorável ao projeto de lei, que usava um palco improvisado para fazer barulho e defender sua importância. Discurso após discurso, eles diziam que o PL 2630 era uma forma de proteger as crianças, expostas a conteúdos violentos e criminosos em plataformas que ganham dinheiro com o ódio mas não querem se responsabilizar por ele. Guardadas as proporções, me lembrei das faixas que separavam os manifestantes pró e contra o impeachment de Dilma Rousseff, lá em 2016. A disputa estava acirrada.

Entretanto, o debate de ideias e mentiras no Congresso era apenas parte do todo. Enquanto os militantes espalhavam folhetos e os deputados indecisos tentavam se decidir, as plataformas de redes sociais, talvez os atores mais poderosos de todo esse processo, se movimentavam nos bastidores.

Naquela tarde, um texto contra o projeto estava na página principal do Google, acessada a todo momento por milhares de pessoas que querem fazer uma simples busca na internet. Além disso, foram os lobistas de redes como Tiktok, Google e Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp) que espalharam a mentira de que o PL das Fake News censuraria versículos da Bíblia e pregações de padres e pastores. A Pública ainda mostrou que o Google gastou mais de meio milhão de reais para promover anúncios contra o PL 2630 nas plataformas da Meta, sua concorrente. O interesse em barrar o projeto de lei é tão grande que as big techs literalmente investiram milhões no lobby contra ele.

Já o Telegram chegou atrasado, se posicionou uma semana depois, mas resolveu se fazer ouvir e mandou para todos os seus usuários uma mensagem contra o projeto —  até gente que havia escolhido não receber notificações do aplicativo sentiu o celular tremer com a mensagem mentirosa. 

Como sempre, a extrema direita rapidamente repercutiu o texto do Telegram. Essa atitude só reforça e dá um ar oficial às mentiras que eles mesmo disseminaram para tentar manter a internet uma terra quase sem lei, o que serve à forma como fazem política. 

Desde que comecei a investigar a movimentação política nas redes sociais, é a primeira vez que me deparo com a união improvável entre bolsonaristas e big techs, que geralmente se posicionam em lados opostos do confronto pela qualidade da informação.

Ao fim daquele 2 de maio, quando o deputado e relator do projeto, Orlando Silva (PCdoB), pediu que o PL 2630 fosse retirado de pauta, percebi que a união improvável havia sido vitoriosa. Foi a confirmação de que, ao menos por enquanto, as mentiras ganharam

Regular as redes será tarefa difícil, mas como disse à Pública o advogado Francisco Brito Cruz, Diretor do InternetLab, continua como a tarefa da nossa geração.


Enquanto houver gente investindo pesado para enganar os brasileiros, a Pública seguirá investigando. Enquanto extrema direita e big techs estiverem unidas para tirar vantagem da falta de regulação da internet, a Pública seguirá investigando. Tem muito dinheiro financiando a desinformação. Hoje você pode dar uma pequena ajuda para financiar o jornalismo que faz frente a tudo isso. Se puder, apoie a Pública e nos ajude a seguir desvendando as forças que moldam o mundo digital.

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