sábado, maio 13, 2023

Grave crise entre PT e Planalto pode até prejudicar aprovação do arcabouço fiscal


Os petistas Lindbergh Farias e Gleisi Hoffman durante evento. Enquanto Lindbergh fala, Gleisi o escuta, observando-o. Em sua frente, microfones - Metrópoles

Lindbergh e Gleisi consideram negativo o arcabouço fiscal

Carlos Newton

A excelente jornalista Vera Rosa, do Estadão, mostrou a ponta do iceberg dessa crise, ao divulgar que o projeto do arcabouço fiscal expôs as divergências no PT sobre os rumos do governo comandado por Lula da Silva. A crise é grave e vem corroendo os bastidores do poder antes mesmo da apresentação inicial do projeto da nova âncora fiscal pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), dia 30 de março.

De lá para cá, a cúpula do PT se dividiu em duas alas – uma delas defende a proposta da equipe econômica e a outra não aceita qualquer teto de gastos, sob alegação de que irá imobilizar o governo.

GLEISI DISSIDENTE – Por incrível que pareça, a dissidência é comandada pela própria presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), que colocou à frente do movimento seu próprio novo marido, o deputado Lindbergh Farias (RJ), da ala Democracia Socialista.

Em 6 de abril, o parlamentar deu uma explosiva entrevista à Folha, afirmando que “o arcabouço fiscal é um pacto com o diabo”, porque vai engessar o governo e impedir os investimentos necessários á retomada do desenvolvimento econômico e social.

“Essa proposta é uma camisa de força”, disse Lindbergh Farias. “Para fazer déficit primário zero vai ser necessário cortar investimentos e políticas sociais. Com a desaceleração da economia, haverá crise política e isso será uma bomba que explodirá dentro do governo Lula”.

DISSE O MINISTRO – Haddad respondeu não ser possível “agradar 100% das pessoas” e pediu que se formasse um “núcleo hegemônico” no governo para recolocar o Brasil “numa trilha de desenvolvimento sustentável“.

“Manifestações críticas e elogiosas vão acontecer em qualquer agremiação. Agora quem fala pelo Partido dos Trabalhadores é a sua Executiva, com todo respeito a vozes internas. Nada obsta a um deputado em exercício de seu mandato apresentar seu projeto”, declarou Haddad, dando uma indireta a Gleisi Hoffmann, que preside a Executiva.

Lula e o resto da cúpula do governo se mantiveram num silêncio constrangedor, compartilhado por Gleisi Hoffmann, que finge não ter nada a ver com as declarações do atual marido.

AGORA, A REVANCHE – A divisão continua corroendo as relações internas do PT e somente agora o Planalto reage, através do líder na Câmara, Zeca Dirceu (PR), que excluiu Lindbergh Farias da CPI dos Atos Golpistas, sem consultar a presidente Gleisi Hoffmann.

Nesta sexta-feira (dia 12), Lindbergh afirmou que foi surpreendido com a decisão e que está muito por dentro dos assuntos que serão tratados. “Estava querendo muito participar da CPI, acho que a gente vai conseguir comprovar a autoria intelectual daquela tentativa de golpe em cima do nome de Jair Messias Bolsonaro”, salientou.

Disse esperar que os chamados partidos do “centrão” não amordacem o presidente Lula, assinalando que desde o início tem faltado articulação política e assim o governo permitiu ficar dependente de Arthur Lira, sem formar uma base aliada sólida.

###
P.S 1 
 – Lindbergh Farias tem razão em muitas coisas que diz. O presidente Lula acha (?) que o arcabouço vai lhe permitir gastar à vontade, mas isso não é verdade. Gleisi Hoffmann está uma arara com a decisão de Zeca Dirceu. A briga não vai parar por aqui, até porque há muita coisa por trás. A divisão no PT é bem mais grave do que aparenta. Com toda certeza, Gleisi e Lindbergh  vão querer mudar o arcabouço fiscal na Câmara. Vamos voltar ao assunto com outros detalhes importantíssimos. (C.N.)

Críticas de Ciro Gomes ao teto de gastos e ao arcabouço fortalecem dissidentes do PT

Publicado em 13 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Ciro Gomes quebra o silêncio e faz críticas a Lula – Conexão Política

Sete meses depois, Ciro Comes volta a fustigar Lula

Matheus Tupina
Folha

Após se manter afastado de debates políticos desde a derrota na eleição de outubro, o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) retomou o tom crítico ao presidente Lula (PT) da época da campanha em evento nesta sexta-feira (12) em Portugal. Em uma palestra na Universidade de Lisboa, o ex-candidato, derrotado em sua quarta tentativa de chegar ao Planalto, também desferiu ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “imbecil”, um “despreparado absoluto” e um “ladrãozinho vulgar”.

Ciro criticou no evento o teto de gastos e o arcabouço fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que ele afirmou estar “completamente entregue à banqueirada”, e disse que o país não possui programa de governo.

SEM PROJETO – “O Brasil não tem projeto para nada. O Bolsonaro é uma tragédia, mas, meu amor, cadê o projeto anterior que a gente tinha e não tem mais? Não tem mais projeto para nada.”

Ele ainda afirmou que o atual presidente é o responsável pelo que chamou de reacionarismo no país, e que não possui compromisso com a mudança. Criticou a possível indicação do advogado Cristiano Zanin ao Supremo Tribunal Federal e a liberação das emendas para aliados no Congresso Nacional.

Também repetiu declarações da época da campanha, como a respeito da anulação das condenações de Lula pelo Supremo, em 2021. “Caramba, o Lula foi parar na cadeia. Será possível que não aprendemos nada ou nós acreditamos que o Lula foi inocentado? Ele não foi inocentado. O Lula teve direito a presunção de inocência restaurada, é diferente de ser inocentado num julgamento, por quê? Porque o processo devido legal ele nunca teve, e eu denunciei na mesma hora.”

TOMAR UMAS CERVEJAS – Apesar das afirmações, o ex-presidenciável disse que, diferentemente de Bolsonaro, pode conversar com o petista sobre os problemas do Brasil. “Com Lula eu saio para tomar uma cerveja para dizer essas verdades todas para ele. Com Bolsonaro, eu não saio”, ressaltou.

Ciro tentou se posicionar como uma opção de terceira via no pleito passado, mas terminou o primeiro turno em quarto lugar, com 3% dos votos válidos. Foi um crítico duro de Lula e do PT durante a campanha eleitoral do ano passado e declarou um tímido apoio ao petista no segundo turno, afirmando “seguir a orientação do partido”.

O PDT, hoje, contempla a base do atual presidente, e possui um ministério, o de Carlos Lupi, da Previdência. Em 15 de abril, fez uma aparição pública durante evento do PDT no Ceará, quando restringiu sua fala ao contexto local e defendeu que José Sarto dispute novamente a Prefeitura de Fortaleza em 2024. Nas redes sociais, não tem se manifestado sobre temas do governo federal desde a época da campanha.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Agora é que são elas. Ciro Gomes manifestou uma posição que incentiva os dissidentes do PT, que não aceitam o teto de gastos nem o arcabouço fiscal. O casal romântico Lindberg Farias e Gleisi Hoffmann pode até declarar a Terceira Guerra Mundial. (C.N.)


Janja “chamou a atenção” de Lula em evento no Ceará, discursou e ganhou muitos aplausos

Publicado em 13 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Janja e Lula durante uma das agendas do presidente no Ceará //

Lula não passou recibo e chamou Janja para discursar

Deu na Veja

A primeira-dama Janja chamou a atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite desta sexta-feira, 12, ao notar a ausência de mulheres na foto da assinatura de uma Medida Provisória em evento no Ceará.

A cerimônia na cidade do Crato marcava o lançamento do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica, que prevê investimento de 4 bilhões de reais no setor entre 2023 e 2026.

NO PALANQUE – Depois da assinatura, Lula relatou no palanque: “A Janja me chamou atenção de que só falou homem aqui. Então é o seguinte: eu vou chamar ela para falar.”

Sob aplausos do público, a primeira-dama recebeu o microfone e listou o nome de mulheres envolvidas no projeto. “Na verdade, maridinho, meu boy, eu falei, presidente Lula, que na hora de assinar o decreto os homens sempre se levantaram e a gente tem a Fernanda, a Izolda, a secretária de Educação do estado, a Onélia, a Leila… E não foram chamadas para a foto. Então eu queria chamar essas mulheres aqui para frente. Porque elas também fazem parte disso.”

Em seguida, Janja posou para uma foto, tirada por Lula, ao lado das outras mulheres presentes na cerimônia. As cenas foram postadas nos perfis da primeira-dama e do presidente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A gente fica sem saber se deve parabenizar Lula por ter uma mulher de alto nível, que marca presença, ou deve se compadecer dele por ter uma mulher que tenta aparecer em qualquer situação e insiste em se meter em tudo. Se ela se inspira em Evita, está equivocada. A mulher de Perón tinha muita classe e se tornou famosa e querida por sua extraordinária obra social . (C.N.)


Os mitos e erros sobre os hemisférios do cérebro




Os hemisférios do cérebro não são duas estruturas isoladas e independentes

Não há um hemisfério cerebral mais importante que outro – eles trabalham em conjunto

Por José A. Morales García* e Conchi Lillo*, The Conversation

Da mesma forma que o restante do organismo, o cérebro é formado por bilhões de células. Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas.

É possível comparar o cérebro com um daqueles relógios antigos com centenas de engrenagens de todas as espécies, trabalhando em uníssono para fornecer a hora certa.

O nosso cérebro é composto de duas metades – os hemisférios cerebrais. Mas, ao contrário do que pode parecer, não se trata de duas estruturas isoladas e independentes.

Os dois hemisférios são extraordinariamente conectados por uma espécie de "cabeamento" que faz a comunicação entre eles. Estamos falando do corpo caloso, formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que levam informações de um hemisfério para o outro.

Esta organização permite realizar e coordenar todas as funções – muitas delas, muito complexas – próprias do sistema nervoso. E, para isso, os hemisférios dividem o seu trabalho.

'Acreditar que alguém será melhor em pintura ou em matemática dependendo do hemisfério dominante no cérebro é um erro'

Escritórios interconectados

Pense em um grande edifício de escritórios de uma mesma empresa. Nele, encontraremos diferentes andares, com diferentes departamentos, diferentes divisões e diferentes pessoas trabalhando em cada uma dessas áreas.

Cada seção tem uma função, mas todas estão interligadas. E, mais do que isso, elas mantêm estreita comunicação entre si, pois a operação correta de umas depende do que fizerem as outras.

Os hemisférios cerebrais funcionam de forma similar. Eles dividem o trabalho a ser realizado.

Ou seja, embora as duas metades intervenham em uma função específica, uma delas pode estar mais relacionada com aquela tarefa do que a outra.

'O corpo caloso é formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que transmitem informações de um hemisfério cerebral para o outro'

Este processo funciona da mesma forma que o faturamento daquela grande empresa.

O departamento de cobrança é o encarregado da operação, mas outras seções devem fazer sua parte do trabalho para completar o processo. Como o setor de expedição, por exemplo, que fará chegar a fatura ao seu destinatário.

Os hemisférios não são um destino

É neste ponto que começa o mito de que o cérebro é dividido em duas metades e, dependendo do lado que mais usarmos, teremos esta ou aquela habilidade. É a chamada teoria do "hemisfério dominante".

Ela defende que, se você for bom em matemática, linguagem ou lógica, é porque o seu hemisfério esquerdo é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante é o direito.

Esta teoria ajuda a classificar erroneamente as pessoas em dois tipos: objetivas, racionais e analíticas, de um lado; ou passionais, sonhadoras e criativas, de outro.

Nada está mais longe da realidade. Não existe um hemisfério dominante.

Este mito provavelmente tem sua origem na reunião da Sociedade Antropológica de Paris, na França, em 1865.

'Às vezes, as pessoas são classificadas erroneamente em dois tipos: objetivas, racionais e analíticas, de um lado, ou passionais, sonhadoras e criativas, de outro. Mas nada está mais longe da realidade do que isso'

O culpado pode ter sido, ainda que não intencionalmente, o médico francês Paul Broca. Ele assegurou que "falamos com o hemisfério esquerdo", em referência às regiões cerebrais com mais influência sobre a função da linguagem, que se encontram naquele lado do cérebro.

O fato de que a maior parte de uma função específica recaia sobre um hemisfério, como ocorre com a linguagem e a metade esquerda do cérebro, não significa que aquele hemisfério seja dominante nas pessoas com maior capacidade linguística.

Quando um cantor memoriza a letra e a melodia de uma canção, por exemplo, as funções relativas à verbalização da letra encontram-se no seu lado esquerdo, mas ele irá usar o hemisfério direito para expressar a musicalidade da canção. Ou seja, é um trabalho de equipe.

Evidências que refutam o mito

Existem inúmeros estudos neste campo da ciência. Alguns deles chegaram a examinar imagens obtidas por ressonância magnética dos cérebros de mais de mil pessoas.

Seus resultados deixam claro que todos nós usamos os dois hemisférios igualmente, embora a atividade registrada em cada um deles dependerá "do que estivermos fazendo".

Também se demonstrou que o lado do cérebro utilizado para uma determinada atividade pode não ser o mesmo para todas as pessoas. Análises demonstram que existem variações entre os indivíduos em relação a qual área ou metade do cérebro é empregada para uma ação específica.

O mito do hemisfério dominante ainda está muito presente hoje em dia. Em parte, porque existem muitos aspectos desconhecidos sobre o funcionamento do cérebro humano. E, quanto mais pesquisamos, mais percebemos a sua complexidade.

Por isso, quando são expostos os argumentos para tentar explicar este funcionamento tão complexo, continuam surgindo interpretações simplistas, como a de que as funções são escrupulosamente segregadas em áreas e hemisférios cerebrais.

Se fosse assim, uma lesão em uma dessas áreas tão especializadas faria com que essa zona funcional deixasse de ser útil para a pessoa afetada. Mas não é exatamente assim que acontece. O nosso sistema nervoso possui certa plasticidade.

Já se verificou que, em pessoas que perdem um dos sentidos (como a visão), a área do cérebro encarregada do seu processamento, sem receber a informação visual, às vezes se adapta para melhorar a percepção de outros sentidos, como o tato. Este fenômeno melhora o aprendizado da leitura táctil do alfabeto Braille, por exemplo.

Vendedores de ilusões

Deste desconhecimento científico e social da totalidade do funcionamento do cérebro, sobrevêm, como sempre acontece, os aproveitadores.

São aquelas pessoas que, utilizando linguagem pseudocientífica, apresentam explicações e soluções para tudo, tentando se aproveitar da incerteza dos mais vulneráveis.

Eles fazem as pessoas acreditarem, por exemplo, que podemos decidir qual hemisfério devemos usar para modular nossas habilidades, capacidades e personalidade, ou a forma em que enfrentamos as vicissitudes da vida.

Além disso, como ocorre com outros setores, como a saúde humana, a neurociência não conseguiu se livrar da propagação de mitos e boatos pelas redes sociais.

Mas, embora ainda existam incertezas sobre alguns aspectos do funcionamento do cérebro humano, temos a segurança de que o talento e a personalidade das pessoas não são determinados pela dominância de um hemisfério sobre o outro.

'Se acreditarmos que existem alunos de 'cérebro direito' (mais criativos) e de 'cérebro esquerdo' (mais analíticos), estaremos restringindo suas oportunidades de aprendizado'

E sempre convém ressaltar, para evitar atitudes antropocêntricas, que não somos o único animal com as funções cerebrais compartimentalizadas.

Classificação dos estudantes

Apoiar o mito da dominância dos hemisférios cerebrais é perigoso em muitos aspectos – especialmente no campo da educação, já que limita as oportunidades de aprendizado e desenvolvimento dos estudantes.

Se acreditarmos erroneamente que existem alunos de "cérebro direito" (muito mais criativos) ou de "cérebro esquerdo" (mais analíticos), estamos classificando os estudantes em duas categorias.

E esta classificação limita suas oportunidades de aprendizado, restringindo seus interesses e impedindo que eles se desenvolvam em outras disciplinas. Tudo isso reduz suas futuras trajetórias profissionais.

Em resumo, não existe um hemisfério cerebral mais importante que o outro e os dois funcionam como uma unidade. E, na verdade, a atividade cerebral não é simétrica e varia de uma pessoa para outra.

*José A. Morales García é pesquisador científico de doenças neurodegenerativas e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madri, na Espanha.

*Conchi Lillo é pesquisadora de patologias visuais e professora titular da Faculdade de Biologia da Universidade de Salamanca, na Espanha.

BBC Brasil

Alexandre de Moraes, o censor - Editorial




Decisão do ministro mandando retirar manifesto do Telegram fere a liberdade de expressão e contraria o próprio projeto de regulação das redes. O debate é e deve continuar a ser livre

Com urgência, o País precisa de uma lei que reconfigure os limites e as responsabilidades das plataformas digitais. A experiência dos últimos anos mostrou que o marco legal vigente é insuficiente para prover um ambiente virtual que respeite as liberdades e os direitos de todos os cidadãos. O cenário atual é de desequilíbrio: as plataformas desfrutam de muitos direitos, mas têm pouquíssimos deveres. Além do mais, o fenômeno não é uma exclusividade nacional. Há, no mundo inteiro, a percepção da necessidade de aperfeiçoar a regulação das redes. E, ainda que venha causando muito barulho, o tema não deveria a rigor estranhar ninguém: novos setores da economia e novas realidades sociais sempre demandam ajustes e reformas na legislação.

Na tarefa de prover um marco jurídico adequado para o mundo digital, existe um ponto politicamente importante. Não basta que a proposta de lei seja equilibrada e tecnicamente bem redigida. A tramitação no Legislativo deve proporcionar à população a segurança de que a nova regulação não reduzirá a liberdade de expressão. De forma concreta, não deve pairar dúvida de que a nova lei não criará nenhum censor da verdade, por parte do governo ou de quem quer que seja. Nesse sentido, o texto do Projeto de Lei (PL) 2.630/2020 é muito prudente, assegurando à sociedade o direito de debater livremente as ideias.

O debate público sobre o PL 2.630/2020 vem sendo, no entanto, enormemente dificultado pela atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Repetindo o que fez no início do mês, quando determinou a exclusão de publicações contrárias ao PL 2.630/2020, Alexandre de Moraes expediu, na quarta-feira passada, ordem para que o Telegram retirasse as mensagens críticas ao projeto que foram enviadas aos usuários do aplicativo. O manifesto do Telegram é profundamente equivocado (ver editorial Noção infame de democracia, de 11/5/2023), mas isso não autoriza que um juiz ordene sua exclusão. Não é assim que funciona no Estado Democrático de Direito.

Não é de hoje que Alexandre de Moraes manifesta uma compreensão expandida de suas competências e poderes. Em abril de 2019, no mesmo Inquérito 4.781/DF em que agora proferiu decisão arbitrando o debate público sobre projeto de lei, ele expediu ordem de censura contra a revista Crusoé. Na ocasião, lembrou-se neste espaço que, no regime democrático, a informação é livre. “Não cabe à Justiça determinar o que é e o que não é verdadeiro, ordenando retirar – ordenando censurar, repita-se – o que considera que não corresponde aos fatos” (ver editorial O STF decreta censura , de 17/4/2019).

No episódio de 2019, Alexandre de Moraes reconheceu rapidamente seu erro e levantou a ordem de censura. Foi uma decisão corajosa, que fortaleceu a autoridade do STF, ao mostrar que a Corte não tinha compromisso com o erro. Infelizmente, no entanto, parece que o ministro voltou a sucumbir à pretensão de definir o que pode e o que não pode ser dito.

“A mensagem enviada pelo Telegram tipifica flagrante e ilícita desinformação atentatória ao Congresso Nacional, ao Poder Judiciário, ao Estado de Direito e à democracia brasileira, pois, fraudulentamente, distorceu a discussão e os debates sobre a regulação dos provedores de redes sociais e de serviços de mensageria privada”, disse o ministro na quarta-feira, como justificativa para determinar a exclusão do manifesto do Telegram. Ora, suas atribuições jurisdicionais não o autorizam a definir o que é ou não é desinformação, tampouco a dizer se determinado argumento distorce a discussão pública – o que está na esfera de debate da sociedade, e não na alçada de um juiz ou de qualquer outro funcionário público. O Estado tem de respeitar o espaço livre de discussão da sociedade.

O mais estranho é que a decisão de Alexandre de Moraes afronta até mesmo o PL 2.630/2020. Estivesse já vigente, o novo marco só corroboraria a ilegalidade da ordem do ministro. O colegiado do STF tem de reagir prontamente. Censura no debate público é intolerável.

O Estado de São Paulo

Projeto global inédito está reflorestando a Amazônia no Brasil




Startup brasileira implanta no Pará um programa de US$ 100 milhões para remoção de carbono da atmosfera

Por Adriana De Luca

O mundo produz atualmente 50 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa ao ano. Desde o acordo de Paris, em 2015, o objetivo é de que esse número caia para 10 bilhões. Entidades e a sociedade em geral têm se esforçado para atingir essa meta. Mas, para garantir a neutralidade de carbono até 2050 e controlar o avanço do aquecimento global, será necessário remover da atmosfera todo ano parte desses gases.

No Brasil, uma área remota do estado do Pará abriga um dos maiores projetos de remoção de carbono do mundo. A equipe da CNN viajou quase três mil quilômetros para conhecer o local.

A startup brasileira Mombak é especializada no mercado de remoção de carbono. A empresa tem um investimento inicial de US$ 100 milhões para restauração de florestas na Amazônia.

Eles compram terras ou fazem parcerias rurais, plantam árvores e geram receita com a venda de créditos de carbono para empresas que precisam compensar a emissão dos gases de efeito estufa.

Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixou de poluir a atmosfera.

As árvores estocam o carbono naturalmente durante o processo de fotossíntese e removem grande quantidade de gás carbônico, que polui e promove o aquecimento global.

“Para medir a quantidade de carbono estocada por uma árvore é preciso medir altura, largura e analisar a espécie”, afirma Renato Crouzeilles, diretor de ciência na empresa.

O mercado de carbono, apesar de novo, cresceu muito nos últimos quatro anos e já movimenta quase US$ 1 trilhão por ano no mundo todo.

O norte-americano Peter Fernandez, fundador da Mombak, mora há 12 anos no Brasil e já trabalhou como executivo do Google na América Latina, além de ser ex-CEO da empresa de transporte por aplicativo 99.

Em um dos momentos de sua carreira, ele começou a estudar a restauração ambiental. Há dois anos, se uniu a Gabriel Haddad, que é ex-CFO da Nubank, para criar a Mombak.

“O investimento em restauração ambiental agora é atrativo porque gera receita. Antigamente era só filantropia. Agora, os investidores têm retorno financeiro e isso aumenta o interesse, consequentemente beneficiando a natureza e combatendo o aquecimento global”, diz Peter.

A ideia da startup é comprar grandes terras desmatadas. Por isso, os empresários escolheram o Brasil, já que a Amazônia tem a maior floresta tropical do mundo e a maior área desmatada. Cerca de 20% da floresta já foi devastada, segundo o monitor Mapbiomas.

A primeira terra comprada pela Mombak foi uma fazenda no interior do Pará, com cerca de três mil hectares, equivalente ao tamanho de três mil campos de futebol.

“É uma gigantesca área que foi desmatada por conta da pecuária”.

A lei brasileira manda que, nessa região, as fazendas tenham 50% de área com floresta. Mas não é o que acontece normalmente.

“O Brasil tem dezenas de milhares de terras assim, que poderiam ser melhor aproveitadas. A maior oportunidade de reflorestamento e remoção de carbono está aqui”, explica Peter Fernandez.

A ideia da Mombak é plantar três milhões de árvores de 68 espécies diferentes nos próximos 11 meses. A produção é em série industrial, com 40 pessoas trabalhando no local. Em quatro semanas, plantaram 123 mil mudas.

Essas mudas são criadas em viveiros em São Paulo e na Bahia e depois levadas para o plantio no Pará.

A meta é que, em cinco anos, a empresa consiga remover um milhão de toneladas de gás carbônico da atmosfera por ano.

O trabalho também gera receita local para pequenos municípios do Brasil e vai aumentar a biodiversidade na região.

“O Brasil tem potencial de ser protagonista no mercado de remoção de carbono. Aqui está a maior e mais escalável oportunidade para isso”, afirma Peter.

CNN

Em destaque

DIREITO E POLÍTICA: A Decisão do TSE é Imediata? Entenda o Futuro dos Vereadores Cassados em Jeremoabo

  DIREITO E POLÍTICA: A Decisão do TSE é Imediata? Entenda o Futuro dos Vereadores Cassados em Jeremoabo Por José Montalvão Após a histórica...

Mais visitadas